Chapéu, moda que supera o tempo

 

Por Dora Estevam

 

 

Para proteger dos raios solares, para aquecer no frio ou, simplesmente, para valorizar a roupa que você veste. O chapéu é peça distinta no guarda-roupa e, embora muitos não percebam, as lojas seguem vendendo o produto, mesmo que poucas pessoas tenham o hábito de usá-lo na cidade. Cada estilo pede um modelo, assim como cada ocasião e época.

 

Nesta semana, encontrei dois amigos que estavam usando bonezinhos lindos. Um deles, o jornalista Marcelo Tas, vestia um boné na cor vinho todo em veludo, muito quentinho e gracioso. O outro foi o DJ Lalá Moreira que se apresentou com modelo xadrez em preto e branco, um clássico moderno. Os dois trajavam roupas casuais e os bonés deram um toque de graça e elegância no visual. Além da parte funcional: aquecer a cabeça.

 

Aproveitando a aparência dos amigos, fui até a loja mais antiga de chapéus da cidade, a Chapelaria Paulista, na Rua Quintino Bocaiúva, centro de São Paulo, fundada em 1914. Além de fotografar alguns modelos, aproveitei para vestir um bem estiloso, anos 1930. A loja vende chapéus em diversas opções de tecido. Se não tiver o tamanho certo, eles encomendam, fazem sob medida.

 

 

Se o leitor não gosta da moda vintage e prefere algo mais moderno, a opção fica por conta da loja que encontrei no shopping Market Place, a UV Line, um quiosque que vende lindos chapéus. As estilistas se preocuparam em usar cores marcantes, tecidos leves, aliados à proteção contra os raios UV. Os modelos variam entre os de palha e os de tecido. A marca está sempre atenta às novidades e muito ligada aos esportes e à saúde.

 

O bom de tudo isso é que os chapéus, se comparados com roupas e sapatos, não são caros, além de durarem muito. De acordo com as meninas da UV, os de tecido devem ser lavados a mão e os de palha não podem ser molhados, deve-se passar um pano seco ou um lenço umedecido.

 

Para conhecer melhor esta história, encontrei vídeo produzido pelo repórter Rodrigo Leitão que entrevistou um dos donos da Chapelaria Paulista, Aldo Zucchi, hoje falecido, e descobriu muitas curiosidades sobre o acessório. Novelas, filmes, épocas, tudo influencia na venda do chapéu:

 

 

Informações:

 

Chapelaria Paulista
R Quintino Bocaiúva 94

(11) 3107-5803

 

UV.Line
www.uvline.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

De palavra

 

Por Maria Lucia Solla

 

Ando atrás das palavras, e as encontro fora de forma.

 

Indispostas.

 

E me indisponho.

 

Olho no espelho e me vejo disforme.

 

Procuro me recompor, me espelhar em mim mesma em dias melhores e me perco correndo atrás de mim, pelos caminhos e descaminhos do tempo.

 

Passado adentro, futuro afora.

 

Vasculho o passado e encontro palavras assustadas, descabeladas, despreparadas.

 

Passo horas sem me encontrar, correndo em disparada atrás de termos que eu mesma temo.

 

Não tenho medo, mas o medo teima em se agarrar em mim, apertando meu pescoço, sufocando as palavras que me restam.

 

E que insistem em se calar.

 

E o resto?

 

De resto me sobra a vida, que é tudo o que tenho.

 

E a ela me atenho.

 

Quando as palavras se cansarem de descansar e decidirem voltar, eu aviso.

 

“Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias.” Pablo Neruda

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De direita e esquerda

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Está tudo errado de baixo para cima, de um lado e do outro e de trás para frente. Um povo não pode estar dividido em esquerda e direita. Isso é mais velho do que a Santa Ceia. Se meu braço esquerdo tivesse um objetivo, e o direito outro, o que seria de mim? O que seria se meus olhos se olhassem de esguelha e um visse só a bandeira azul, e o outro a vermelha? Por que nos dividirmos assim? Não percebemos que desse jeito ficamos literalmente partidos e não chegamos a lugar nenhum?

 

Já que finalmente brotamos, neste Brasil de meu Deus, o próximo passo é nos unirmos em prol de todos. De nós todos. Sem repúdio aos que têm instrução e chegaram aonde chegaram porque trilharam o caminho. Sem distinção de credo, cor, preferēncia sexual ou extrato bancário. Elite é quem tem caráter, consciência acordada, tolerância com as diferenças, instrução, respeito pelo seu semelhante e pelos nem tão semelhantes assim.

 

O país só pode funcionar em benefício de todos se andarmos na mesma direção. Todos nós, começando por um comportamento digno de seres-humanos, sem ódio, sem ranger de dentes, e principalmente sem fanatismo.

 

Não entra na minha cabeça:

 

– que um partido político quer o bem do país e o outro não

 

– que porque você é fanático por uma bandeira, isso faz de mim uma mentecapta-alienada-ignorante

 

– que as pessoas demonizem um canal de tevê, ou todos eles, porque não servem ao seu paladar.

 

Isso é extremismo, e quem tem um pouquinho de massa encefálica sabe que tudo é feito de gente, por gente e para gente, que extremismo não chega a lugar algum, e que a partir dele só existe um caminho a seguir; o do equilíbrio.

 

Assistir a tevê faz de mim um ser abjeto? Gostar de amarelo, andar de ônibus em vez de dirigir um Mercedes, ou vice-versa? É exatamente esse tipo de pensamento e sentimento que tem nos afastado uns dos outros, que tem nos feito perder a direção, que nos tem feito andar feito baratas-tontas tentando ser isso ou aquilo, olhando o outro com desconfiança, seja ele careca ou use trança.

 

Enquanto não entendermos que somos todos irmãos, que somos todos um, não sairemos do lugar, ou pior, andaremos para trás, cada um puxando para o seu lado, nesta sociedade do eu-primeiro.

 

Ouvi ou li um comentário de que o fato de alguém rasgar a bandeira do PT com os dentes era o de menos. O feito era hediondo pelo simples fato de rasgarem uma bandeira. Como assim? E se fosse uma bandeira nazista? E se fosse uma bandeira da Ku Klux klan? Uma bandeira de cura aos gays? Lamentaríamos também?

 

Bandeira é um símbolo que se dignifica pelo seu significado. Como todo símbolo. Nada mais.

 

Enfim, não quero perder a oportunidade de dizer quanto orgulho sinto pela juventude de hoje e pelos nem tão jovens que se manifestam como podem. Que saem da zona de conforto e bradam pelo bem de todos. Quanto sou agradecida por sua coragem, pela firmeza de caráter que demonstram em suas manifestações, bradando pela não-violência, levantado cartazes que expressam sua desolação pelo caminho que este país tem tomado.

 

Não é hora de fazermos um concurso para saber qual lado é o pior ou foi o pior. O fato é que, hoje, os políticos que nos representam não nos representam. Isso é fato, sejam eles de esquerda ou direita. A grande maioria é no mínimo despreparada e ignorante, e no máximo formada por ladrões, corruptos, farsantes, criminosos, bandidos.

 

Tanta luta e discussão sobre drogas, quando a droga maior aqui é o poder. Parece que quem chega lá fica intoxicada por ele, fica doidona. Temos uma presidente que já foi terrorista armada, lutando supostamente pelo quê? Por sua crença, pelo seu lado do rio, pelo seu extremismo. Hoje é uma mulher plastificada, que sorri dirigida por maestros marqueteiros e por um ex-presidente fantasma, que não vê, não ouve, tem horror a leitura e tem linguajar chulo, toda vez que crê não haver um microfone ou uma câmara por perto.

 

Não queremos que o dinheiro lidere. Queremos consciência, competência e preparo. Precisamos de respeito por nós mesmo, para aprendermos a respeitar nosso semelhante.

 

“A idéia de que a vida social deve preocupar-se em saber o que é o homem é uma idéia moral, antes que material e política. Uma idéia que não existe ainda. Os governantes não se preocupam com ela”. Jean Paul Sartre

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Quem somos, para onde vamos? O que será?

 

Por Julio Tannus

 

 

Nos anos 1980 participei de um estudo, coordenado pela França e com tecnologia desenvolvida pelos franceses, sobre tendências socioculturais. A Europa e alguns países da América do Norte e do Sul foram objeto deste estudo, para responder a seguinte questão: quem somos e para onde vamos? Na França, François Mitterrand, e na Argentina, Raul Alfonsín, ambos candidatos à presidência de seus respectivos países, utilizaram dos resultados para planejar a comunicação de campanha.

 

No Brasil, várias empresas multinacionais pautaram suas estratégias de comunicação seguindo as linhas sugeridas pelo estudo. A partir da questão proposta, o cerne de nossa personalidade foi caracterizado como “individualista expressivo”. E assim explicado porque nossas instituições não davam conta de nossas realidades.

 

Conforme já citei aqui, para o autor João Cruz Costa, em seu livro “Uma Contribuição à História das Ideias no Brasil”, nossa questão institucional remonta aos anos 1.500. Em seu pensamento, o Brasil desde sempre se vê envolto nessa mesmice: “as instituições brasileiras não dão cabo de sua realidade”. Em seu esforço de compreensão dessas dificuldades conjectura se elas não seriam consequência das razões de nossa origem brasileira, ou seja, pelo fato de a fundação de nossa nacionalidade ter sido cunhada sob a égide de fatores puramente mercadológicos – o nome Brasil vem da exploração de pau-brasil.

 

A única instituição que razoavelmente dava conta de nós, nessa ocasião, era o emprego. Os tempos se passaram, e o mundo mudou. Hoje, como nos diz o sociólogo Zygmunt Bauman, experiência e maturidade que eram garantias no emprego, não tem mais vez. O que vale é “o aqui e agora”. Assim, qualquer um, a qualquer momento, pode estar sendo descartado de seu emprego.

 

E aí eu pergunto: o que será esse movimento nacional de protestos? Será que finalmente acordamos? Será que iniciamos um movimento para reivindicar instituições que abarquem nossa coletividade? Instituições que efetivamente reflitam o que somos e o que reivindicamos?

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve no Blog do Mílton Jung às terças-feiras.

De desabafo

 

Por Maria Lucia Solla

 

Desabafo é vapor que assobia pela válvula, quando se está prestes a explodir. É o que está acumulado há tanto tempo que não dá para represar. É um descarrilhar inesperado que faz a gente escorregar, meter as mãos pelos pés, cair, se ralar, levantar, e mesmo sangrando gritar. Para não engasgar, para não sufocar.

 

Desabafo não é bafo; desabafo é vital e sua banda. É uma das últimas cartas que se tem na manga, é recurso derradeiro, mesmo que seja o primeiro.

 

Desabafo é pioneiro, toda vez.

 

Desabafo é como rolha de champanhe, sai apressado e desatento, de tanto armazenar desalento. E é bom ficar atento para não amordaçar o detento. É deixar fluir, cada um o seu. A seu modo, em cada canto, dando vazão ao desalento.

 

Para a pressão do desabafo que aumenta, ha duas saídas, expressão ou depressão. Solidão ou união.

 

Fui cara pintada, sou rebelde dos anos sessenta e confio na juventude que de alienada não tem nada, mas tenho medo de quem tenta pôr panos quentes na revolta, de quem tenta pôr ordem no caos. A cegueira intelectual só vê coerência no que pode apalpar, naquilo que serve ao seu próprio paladar.

 

De política sei quase nada, mas de gente sei um pouco. Não é preciso ser especialista para ver que a vida vai mal por estes lados do planeta, que o povo vive mal, estendendo a mão para alcançar promessas vãs, de migalha em migalha de pão para o corpo, esfomeado na alma e na dignidade que nem sabe mais o que é.

 

Pitaco para a solução? Que tal exterminar a obrigatoriedade do voto manipulado, do analfabeto comprado por tostão? Que tal arrumarmos nossa casa em vez de posarmos de bacana ajudando o povo de Havana? Que tal escola e saúde para o povo faminto em vez de facilitar a compra de automóvel e de tevê?

 

Estamos virando as costas para o ópio de cada dia, para o sorriso falso arquitetado por marqueteiros de plantão, para o populismo barato que nos custa tão caro.

 

Dá-lhe povo brasileiro! É hora do desabafo. Para diminuir a pressão no peito, para dar a Deus a mansidão patética de quem se contenta com merreca.

 

Queremos ricos, pobres e políticos ladrões na cadeia, ou este país, num piscar de olhos se incendeia.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Para respirar no primeiro fim de semana de inverno, em São Paulo

 

Por Dora Estevam

 

O fim de semana merece atenção especial e pensando nisso fiz uma curadoria das programações para você levar as crianças e se divertir, seja no cinema, no teatro ou parque.

 

Começando com o cinema: particularmente, tenho preferência pelo filme Universidade Monstros, sequência de Monstros S.A, aqui a visão do relacionamento entre Mike e Sulley no período em que estavam na Universidade do Terror.

 

Para quem gosta de passeios a céu aberto a sugestão é passear no Memorial da América Latina, sábado ou domingo, e participar das diversas oficinas que eles estão propondo nos dois dias: recreações infantis, parquinho, circuito de caminhada e de ginástica.

 

Nos dois dias: na parte da manhã exibição de filmes divertidos no espaço Vídeo do Pavilhão da Criatividade. À tarde, 13h30, Charanga Bombeiro, com o grupo CapadoCia.

 

Sábado: às 15h30, apresentação Folias de São Pedro, São João e Santo Antonio, na frente do auditório.

 

Domingo: no mesmo horário e local a animação ficará por conta do show Trio Som Tropical.

 

Para quem curte música erudita a opção é a Sala São Paulo para conferir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, domingo às 11h, que une dois coros para a série Concertos Matinais. A regência do coro infantil ficará no comando do regente japonês Teruo Yoshida, o juvenil tem à frente o maestro brasileiro Paulo Cesar Moura. A pianista romena Dana Radu irá teclar obras dos austríacos Franz Peter Shubert (1797-1828) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), além do americano Leonard Bersntein (1918-1990), entre outras maravilhas.

 

Também na linha infantil, domingo às 15h, na Casa das Rosas, a Infinita Companhia narra o conto mexicano Mi abuela ya no esta (Minha avó já não está). Rutilda, sábia e misteriosa mulher, conta a história de Alfredo, um garoto mexicano que perdeu a avó. Com isso, o jovem descobre que as pessoas queridas continuam sempre fazendo parte de nossas vidas. Um verdadeiro mergulho no imaginário e nos costumes do Dia dos Mortos, tudo com as técnicas de animação do grupo.

 

 

Para quem gosta de espetáculos de dança é bom correr, neste fim de semana a Cia de Dança vai apresentar as três últimas obras do repertório da temporada. Pela primeira vez na América Latina será exibida uma peça do coreógrafo americano William Forsythe In The Middle, somewhat elevated (No oriente, um pouco elevada), criada em 1987 por Sylvie Guillem e outras estrelas do Paris Opera Ballet, com música de Thom Willems. Em Supernova (2009), coreografia de contrastes, na qual morte e vida, escuro e claro estão ligados pela energia de cada corpo. O jovem coreógrafo alemão Marco Goeke utiliza recursos elementares como água, sal e fogo. Também tem a estreia da obra ainda sem nome para o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros 2013 do bailarino, coreógrafo, diretor e professor Luiz Fernando Bongiovanni.

 

Um pouco mais de música: da eletrônica para o rock indie, o repertório faz parte da programação de música eletrónica Green Sunset deste mês que muda o foco e conta com a parceria do Cultura Inglesa Festival para realizar os festivais. Quem se apresenta é o ex-vocalista e ex-guitarrista das extintas bandas The Libertines e Dirty Pretty Things. O inglês vai discotecar uma festa com sucessos mais tocados de seus principais álbuns. A edição conta ainda com o residente DJ Tahira, Handys Klaus e intervenções do grupo Grite Poesias. Não perca, sábado às 16h00.

 

Fique com o som do single “Victory Gun” de Carl Barat. Um bom final de semana!

 

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Produtos nacionais com patentes estrangeiras

 

Por Julio Tannus

 

Reproduzo aqui texto sobre a questão das patentes de produtos nacionais:

 

 
       Na história da biopirataria, produtos como rapadura, cupuaçu e caipirinha já fazem parte do grande acervo de patentes que circulam hoje no mundo envolvendo nomes genuinamente brasileiros, com o país precisando brigar sempre para garantir o seu passaporte verde e amarelo.

 

O registro estrangeiro de marcas com nomes de produtos nacionais tem representado nos últimos anos uma grande dor de cabeça para o Ministério das Relações Exteriores. Isto porque os sistemas de segurança são frágeis. Apesar de uma lista com a nomenclatura da biodiversidade no Brasil tentar impor limites, as autoridades brasileiras esbarram na ausência de uma legislação internacional sobre o assunto.

 

                  
Entre os produtos brasileiros, o Cupuaçu é o que tem mais dado trabalho às autoridades brasileiras nos últimos anos. A Divisão de Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores conseguiu reverter o domínio do nome da fruta em poder de empresas nos Estados Unidos e na Europa e obteve de volta a nacionalidade do mesmo. Mas falta, ainda, quebrar outras patentes do produto. A apropriação do nome dos produtos brasileiros por outro país impede que produtos nacionais saiam do Brasil com o nome original porque o direito sobre a marca “pertence” a uma empresa estrangeira.

 

“Já pensou vender rapadura para o exterior e ter de colocar o nome de garapa sólida na embalagem porque rapadura é um direito alemão?”, questionou ao Correio o diretor de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Velez. O nome do doce típico do Nordeste chegou a pertencer a uma empresa na Alemanha que o registrou como domínio naquele país e nos Estados Unidos, mas a rapadura alemã não durou muito tempo. Por meio de um acordo de cavalheiros, o Itamaraty conseguiu reaver a brasilidade do produto.

 

Aliás, segundo o jornal brasiliense, o diálogo é a primeira estratégia que o Ministério das Relações Exteriores utiliza para obter de volta a propriedade intelectual de um nome brasileiro. Geralmente, a empresa estrangeira abandona a apropriação do nome. O Japão, por exemplo, já havia registrado a marca cupuaçu também, mas devolveu o domínio em 2004.

 

Quando não há composição amigável para reaver o domínio do nome brasileiro, o ministério dá entrada em procedimento administrativo no país de origem do proprietário da marca. No momento, o Ministério das Relações Exteriores acompanha dezenas de processos de utilização de nomes brasileiros como marca estrangeira em vários países.

 

A falta de um marco regulatório internacional deixa o produto nacional mais vulnerável ao seqüestro do nome. A lei de combate à biopirataria não trata da apropriação de nome de planta ou animal, tradicionais da fauna e da flora brasileira. Para evitar o uso estrangeiro de denominações do Brasil, o país preparou uma lista de nomes associados à biodiversidade brasileira. São mais de três mil registros científicos e cinco mil genéricos.

 

Mas há casos que fogem à regra de “clonagem” de nomes. Tem empresa estrangeira usando caipirinha e açaí compostos com outro nome como estratégia para fugir do questionamento de propriedade. Na Inglaterra existe um produto chamado Açaí-Power. A marca não pode ser questionada, mas o nome da fruta não pode ser usado de forma isolada.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras escreve no Blog do Mílton Jung

São Paulo, uma cidade partida

 

A cidade de São Paulo será palco de mais uma manifestação nesta segunda-feira com a convocação de dezenas de grupos que se uniram em torno da discussão sobre a tarifa do transporte público. Após o confronto da polícia com ativistas, quinta-feira passada, uma série de mensagens chegaram à minha caixa de correio, na CBN, que demonstram como a cidade está partida em torno do debate que se acirra nas ruas. Reproduzo algumas das centenas de frases que li nestes últimos dias em e-mails escritos por ouvintes-internautas. Você concorda com qual dos pensamentos a seguir?

 

MANIFESTAÇÕES

 

Será que essa tarifa de R$ 3,20 não está abusiva pela  qualidade do transporte? (Sergio Pelarin)

 

Será que mesmo tendo ações organizadas o movimento não transborde por que ambos os lados se encontram saturados de tanta bandalheira política? (Elisa Soveral)

 

Considero essa atitude como positiva pois mostra que ao menos uma pequena parte dos jovens, ao menos uma pequena parcela ainda se importa. (William Souza)

 

Pena que eles próprios e o restante da sociedade não têm a mesma indignação quanto ao muito que sai de nossos bolsos para pagar impostos (Claudio Alves)

 

Por que os que protestam contra o aumento das passagens, não vão na porta da Câmara Municipal, Assembleia e Congresso?(Alberto do Nascimento)

 

Este aumento somente foi a gotas dágua q estava faltando para transbordar o copo da paciência da população. (Douglas da Silva)

 

Alguém viu alguma vez as contas que justifiquem custos e preços? O que se sabe é que o serviço é uma porcaria (Serge Ortega)

 

Não tem dinheiro para saúde, transporte, etc .. mas para a Copa tem. (Sidnei Rodrigues)

 

Gastos da Copa do Mundo em bilhões. Você ainda acha que é somente pelos 20c” (Fabio Lucena)

 

Essas manifestações não é só pelo preço da passagem, o problema é que o Brasil ta um país caro pra viver.(Adeílson

 

É incrivel a quantidade de pessoas protestando, mas por 20 centavos, brincadeira né. Porque não protestaram assim no escandalo do mensalão que desviou bilhoes dos cofres publicos? (Solange Brito)

 

Sabemos que não é por causa de 20 centavos. (Cynthia)

 

Acredito que qualquer tipo de manifestação é direito do cidadão e deve ser respeitado desde que essa manifestação também respeite o direito do cidadão que dela não faz parte.(Eric Salathiel)

 

E o nosso direito de ir e vir fica onde!? (Andre Freire)

 

Devemos lembrar que os protestos de rua contra a Ditadura Militar começaram com o mote de reclamação contra a comida do calabouço; restaurante estudantil no Rio de Janeiro, puxados por muitos dos que agora estão neste desgoverno. (Alfredo de Quadros)

 

Sugira que os manifestantes façam um bloqueio pacífico em qualquer rua da cidade sentando-se no asfalto e sem baderna, sem depredações. (Rosa Maria)

 

Sobre os protestos em São Paulo e a diversidade das camadas sociais envolvidas da para se pensar que o motivo principal não é a passagem, são as autoridades.(Casé)

 

Estou adorando estes protestos, acho que a sociedade deve apoiar. Já estava na hora do Brasil reaprender a protestar e reivindicar seus direitos. (Marcelo teixeira)

 

Ficar refém dessas manifestações, preso no trânsito ou dentro das casas e lojas, com medo de ser agredido fisicamente  ou ter o patrimônio depredado, não faz parte de um estado democrático. (Carlos Takahasshi)

 

Caso a polícia e as emissoras de rádio e televisão não dessem guarida a estes vândalos, as passeatas, já estariam esvaziadas e não aconteceriam mais. (Cleiton Pereira)

 

É de suma importância que os nossos governantes estabeleçam um local apropriado para as pessoas fazerem protestos.  (José Martin)

 

POLÍCIA

 

Não concordo em dizer que a policia foi “agressiva”! Eles tinham um acordo de não entrar na Paulista e não cumpriram(Regina Siqueira)

 

A repressão no Brasil não acabou, o que adormeceu foi a vontade da população em se manifestar e isso volta a se despertar aos poucos. (Leandro Bartulic)

 

Acredito em direitos humanos para que tem direitos e não para  bandidos, invasores de terra, manifestantes armados com coquetéis molotov. (Paulo Visconti)

 

Quem deve estar adorando esses protestos são os bandidos. Enquanto toda tropa da polícia combate os manifestantes, os bandidos fazem a festa nas periferias (Daniel Lescano)

 

O que a polícia deve usar? Bombom e perfume? (Miguel Marques)

 

A maior cidade do país nao sabe lidar com um diteito tão legítimo e tao árduo para ser conquistado.(Miya Vilela)

 

Ela (a violência) só começou pois se sentiram acuados. O que eu vi foi incrível. (Alessanra Helena)

 

Nunca vi tanto policial na rua para reprimir quem luta pelos seus direitos. (Wladimir)

 

O desrespeito é muito grande. As pessoas saem nas ruas para protestar e vão armadas… (Cleia carvalho)

 

A policia do Alckmin mais uma vez não conseguiu impedir a baderna. Eles são bons pra massacrar população pobre como no Pinheirinho. (antonio c. ciccone)

 

Uso excessivo da força não é legítima defesa! (Sérgio H. Yariwake)

 

Trabalhador de verdade estava trabalhando ou retornando do mesmo para suas casas, sem tempo para badernas. E viva o Choque! (Isac de Oliveira)

 

As imagens sao muito claras mostrando a policia atirando bombas gratuitamente….. (Alberto Gomes)

 

Imagina que maravilha seria se a PM usasse toda essa energia pra manter a segurança das cidades? (Miriam Machado)

 

A policia tem mesmo que baixar o pau nesta meia duzia de baderneiros que nao representam nem 0,00001% da populaçao, a maioria nem anda de onibus (Luiz Carlos Rodrigues)

 

Pela opinião pública vimos que o povo quer passeata democrática, com ordem e sem faces veladas. (Fernando Magalhães)

 

Acredito em direitos humanos para que tem direitos e não para  bandidos, invasores de terra, manifestantes armados com coquetéis molotov. (Paulo Visconti)

 

E, infelizmente, como protestar com tanta violência? (Edson Lima)

 

O governador e o prefeito devem firmar a posição, ficamos com medo das agressões, mas acho que foi somente uma coisa política, todos pagam imposto (Cynthia Santos)

 

A ordem do Governador e do prefeito é claramente calar a multidão, é atirar bala de borracha e gás de pimenta nos estudantes. Eles tem coragem de reprimir estudantes, mas não o tráfico, t (Marcos Talarico)

 

QUEM PROTESTA

 

Será que essa ação não é um pote cheio de uma população maltratada pelo poder?

 

Não seriam esquerdistas misturados a terroristas e bandidos comuns querendo o confronto para se fazer de vítimas? (Nelson Pereira)

 

É preciso averiguar o grau de legitimidade de quem está ordenando essa manifestações e o porque dessa postura de enfrentamento físico e depredação, algo não condizente com nossa cultura e liberdade democrática que vive o País (Luiz Melo)

 

Acho que as pessoas estão lutando por uma ideia, a ideia de que o povo brasileiro está cansado da política que vem arrastando-os a sarjeta.(Fabio de Lucena)

 

São pessoas ligadas ao PT e PSOL que utilizam coquetel molotov e outros artefatos. Parabéns a policia de São Paulo. (Esdras Campos)

 

Existe uma diferença enorme entre protesto e baderna. No meio desta multidão podemos ter até oposição para enfraquecer os governos estaduais. (Ricardo Gomes)

 

Tem dedo do PIG (Partido da Imprensa Golpista). Por quê não foram feitas manifestações nos últimos 10 anos, por quê não fazem manifestações contra os pedágios, nas estradas paulistas que são os mais caros do mundo? (Cleiton Pereira)

 

Existe uma orquestração de gente que sabe muito bem o que deseja para prejudicar o Governador Geraldo Alckmin (Henrique Schnaider)

 

Absurdo PT e professor LuLa ensinou e agora sente a navalha na carne. (Samuel Oliveira)

 

Nota-se que seguem a cartilha dos movimento terroristas. A reação é proporcional a este tipo de movimento orquestado por extremistas aprendizes de terroristas (José Carlos)

 

Quem não noticia o verdadeiro motivo das manifestações pela “redução do preço da passagem”, ou está conivente ou está de má-fé, pois como disse o Gilberto Carvalho “em 2013 o bicho vai pegar”, ou seja, o objetivo é conquistar o governo de São Paulo, mesmo que hajam alguns efeitos colaterais. (Geraldo Andrade)

De Santo Antonio

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

Somos cercados por energias conflitantes, de todo tipo e matiz. Sempre estivemos, acredito, mas o número de humanos vem crescendo e, onde há aglomeração há confusão. A competitividade aumenta, a avidez galopa, o ódio partidário e preconceituoso arreganha os dentes, a solidariedade mingua, a honestidade se limita a termo no dicionário, e você pode aumentar a lista, se quiser, de tudo que está faltando e de tudo que está sobrando. Vai chegar a uma equação que aponta para o desequilíbrio. Esquecemos que somos um só corpo, separados ilusoriamente, e que tirando do outro, tiramos de nós, e vice-versa.

 

Por outro lado, acabamos de viver o dia de Santo Antonio, santo casamenteiro, santo do amor. E amor, sozinho, equilibra qualquer tipo de energia. Do amor brotam todas as benesses. Por isso, neste papo com você, em vez de enumerar erros do lado de fora e do lado de dentro, vou trazer de volta, em homenagem ao amor, meu primeiro poema publicado neste blog em dezoito de maio de 2008.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

As perucas fazem a cabeça da mulher moderna

 

Por Dora Estevam

 

Quem assiste à novela ou acompanha o mundo da moda sabe que as celebridades e atrizes são capazes de se apresentar com diferentes cortes de cabelos, que mudam em tão pouco tempo, enquanto uma pessoa comum levaria meses para conseguir aquela franja, aquele longo e deixá-los loiro ou ruivo.

 

Atualmente, porém, conseguir o visual de novela já não é mais problema, existem profissionais que são devidamente treinados para adaptar os cabelos de lá para cá. Por exemplo, foi moda nos anos 1960 então vamos revisitá-la e torná-la interessante para os dias de hoje. Eles reinventaram as perucas e as tornaram acessórios indispensáveis nas cômodas das mulheres modernas.

 

 

As perucas tiveram o seu auge de glamour nos anos 1960 e depois caíram em desuso. Apenas mulheres que necessitavam destes apetrechos (especialmente as que tinham de se submeter a quimioterapia e perdiam os pelos) é que continuaram a comprar tais peças. Havia, também, as atrizes que precisavam compor personagens teatrais, novelescas ou cinematográficas.

 

Hoje, o mercado oferece opções que mesmo quem nunca usou ou ousou acaba se rendendo às perucas. Pessoalmente, tenho visto muitas lojas de cabelos na região central de São Paulo. Ao passar diante de uma delas, ouve-se o grito do vendedor: compram-se cabelos! Estive observando essas lojas por dias, até me decidir entrar, sem pretensão e sem a chamada do tal vendedor. Descobre-se que os acessórios não se limitam as perucas, não; têm rabos de cavalos, coques, alongamentos, franjas, com presilhas tic tac que se prendem aos cabelos facilmente, em cores e texturas infinitas,e atendendo aos cortes.

 

 

No balcão da loja Valentina Hair, a proprietária Marcela Viana me atendeu com a maior atenção, e em meio a clientes curiosos, ela me mostrou vários modelos. O mais procurado na loja, hoje, é o Full Lace, uma peruca com uma telinha na borda que esconde o cabelo e deixa o look natural. Outro acessório muito procurado é o coque, que colocado no cabelo da pessoa dá um volume natural e deixa o penteado chic. A atriz Mariana Rios usou um no último dia da novela Salve Jorge, no casamento da mãe dela. As perucas com o couro em silicone também saem bem e se parecem muito com o couro cabeludo natural.

 

Hoje, as perucas estão modernas e traduzem a praticidade da mulher que trabalha fora e precisa estar bonita e inteira para uma festa. O coque ou a franja são fáceis de ser aplicados, explica a proprietária Marcela. O público vai desde a mulher que faz quimioterapia até a jovem que segue para a balada. As perucas são feitas de fios sintéticos, importadas, e naturais, feitas na própria loja.

 

 

Outro apaixonado por cabelos é o cabeleireiro Denylson Azevedo, o Denny. Ele é tão louco por cabelos que montou a coleção “To-Wig”, que está em exposição desde abril. São visuais contemporâneos e fáceis de usar no dia a dia, fazendo dos cabelos acessórios. A proposta do profissional é vestir os rostos com cortes estilizados, elaborando o penteado de acordo com as linhs do rosto, formato e estilo da cliente.

 

Denny se inspirou nas pessoas que influenciaram a década de 1960 e nas ruas de Londres para criar as suas personagens. A partir daí, os nomes das composições são referências de locais da capital inglesa. Para curtir mais um pouco deste trabalho, assista ao vídeo da exposição criado pelo designer Ricardo Don.

 

Infos:

 


Exposição To-Wig

Local: Espaço AVA | R. Cônego Eugênio Leite, 170 C – Jardins – SP.
Dia: 4 de abril
Horário: Das 17h às 22h.

 

Salão Wig
Alameda Lorena 578 (dentro da loja Diva), Jardins – SP.
Atendimento apenas com hora marcada.
Informações: (11) 2579-7965

 

Valentina Hair
Rua: Quintino Bocaiúva, 182, centro, Praça da Sé, São Paulo
(11) 3106 9589
e-mail: valentinahair@hotmail.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung