Ainda sobre Educação (e empreendedorismo)

 

Por Julio Tannus

 

Citei aqui na semana passada Edgar Morin e seu livro Os Sete Saberes sobre nossa Educação. Retomo ao assunto tomando a liberdade de reproduzir um texto de Eder Luiz Bolson, autor de “Tchau, Patrão”, da Editora SENAC:

 

A máquina educacional está lenta e enferrujada. Ela funciona da mesma maneira e anda sobre os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Ela foi concebida pelas elites para transformar os indivíduos em bons e fiéis empregados. Os conhecimentos e habilidades são ministrados para construir pessoas que, depois de formadas, só funcionarão razoavelmente quando ligadas na tomada do emprego. Infelizmente, o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta. Infelizmente o sistema de ensino continua sem perceber que o cenário já mudou. Continua sem perceber que é preciso mudar o enfoque. Que o emprego é importante, mas não é o único meio de aplicar os conhecimentos e habilidades recebidos pelos alunos. Que é necessário forjar atitudes empreendedoras nos estudantes. Que é preciso valorizar mais o individuo que gera seu próprio sustento, sem ter um patrão. Que é necessário e urgente começar a desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio caminho.

 



O potencial empreendedor das pessoas e, dos brasileiros em particular, é enorme. Pena que ele só aflore na necessidade. A maioria não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Isso é coisa de primeiro mundo. A maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros não entra espontaneamente para o mundo dos negócios. Ela é empurrada, forçada a empreender. A perda do emprego e a remota possibilidade de achar uma nova vaga fizeram surgir milhares de empresas informais, caseiras ou de garagem. São indústrias caseiras de salgados congelados, pizzas, pães de queijo, doces, massas, polpas de frutas, sucos, bonés, camisetas promocionais, roupas, calçados, bolsas, cosméticos, etc. Muitas conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais. Outras naufragam depois que alugam uma área maior, tomam empréstimo bancário, contratam contabilista, passam a recolher impostos, taxas e contribuições. Quando essas pequenas iniciativas crescem, aflora o despreparo, a falta de capacitação dos brasileiros para a gestão de empreendimentos próprios. Isso é normal que aconteça, afinal, nenhum desses “empreendedores forçados” recebeu na escola qualquer ferramenta ou treinamento para ser patrão.

 



O ensino do empreendedorismo para crianças é fundamental. Ele é o suporte para o início de uma mudança cultural. É preciso começar, desde tenra idade, a forjar atitudes empreendedoras e mentes planejadoras nas pessoas. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar os espíritos acomodados, típicos de grande parte da população brasileira. Poderia modificar também o pensamento de origem espiritual, determinista, de muitos brasileiros. São aqueles pensamentos que imobilizam, que roubam a pro-atividade, que jogam o futuro nas mãos de um destino previamente desenhado, ou então, nas forças de alguma divindade que, pretensamente, a tudo e a todos conduz. Poderia ajudar a valorizar mais a figura do empreendedor individual. O brasileiro cultua o antiplanejamento, o “deixa a vida me levar”. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar esse hábito de deixar tudo por conta do acaso. O empreendedorismo formaria jovens dotados de mentes mais atentas nas oportunidades, com visão de futuro e muito mais planejadoras.



 

A educação é o único caminho para criar uma sociedade mais empreendedora no Brasil. O processo é lento. O potencial empreendedor é enorme, mas está latente. É hora de criar novos motores para os negócios. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver. É hora de formar uma nova geração de brasileiros. É tempo de disseminar a educação empreendedora desde o ensino fundamental, até o superior. 




 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Pompeia reúne moradores, hoje, por boas ideias para o bairro

 

Texto escrito originalmente para o Blog Adote São Paulo

 

 

Conversamos aqui no Blog Adote São Paulo, semana passada, sobre a construção do Plano de Bairro para a Pompeia, zona oeste da capital. O trabalho está em seu primeiro estágio com a coleta de ideias para, em seguida, serem colocadas em consulta pública e as mais votadas fazerem parte do documento final que ajudará a construir um bairro ainda melhor.

 

Henrique Parra, morador do bairro e um dos incentivadores da ação, destacou em mensagem quatro propostas que já foram apresentadas e podem ajudar a entender um pouco melhor o que se pretende fazer. Uma delas pede que os prédios da Pompeia passem a captar água das chuvas e, com isso, se recupere área permeável no bairro. Outra, alerta para o fato de que a futura estação Metro Pompeia está prevista para terreno muito próximo do Córrego Água Preta, que costuma alagar as ruas e avenidas vizinhas sempre que chove forte na cidade.

 

As calçadas também estão na mira dos moradores, e uma das propostas é que estas passem a ser construídas, principalmente nas ruas mais íngrimes, dando prioridade aos pedestres e não aos carros como ocorre atualmente. A quarta ideia passa pela transparência nos dados públicos, com a solicitação de que os moradores tenham acesso ao potencial construtivo do bairro: “ou seja, (queremos saber) o verdadeiro estoque disponível para se demolir (ou não) as casas existentes para a construção de edifícios residenciais e comerciais” – explica o autor em texto publicado no site Cidade Democrática.

 

Para participar desta campanha não é necessário morar na Vila Pompeia, pois esta é uma região de toda a cidade. Amanhã, dia 5 de março, às sete da noite, está marcado um encontro de co-criação, na Semente Una – Avenida Pompeia, 984. Oportunidade para levar projetos e discutir ideias com os demais participantes. Haverá mais duas reuniões, dias 12 e 18 deste mês, mas caso você tenha dificuldade de ir até lá (alguém aí tem uma boa ideia para melhorar o trânsito?) pode registrar seus pedidos no site Cidade Democrática.

De comunicação

 

Por Maria Lucia Solla

 

No transito

 

Olá,

 

sou encanada com buzina. Na rua de trás do apartamento onde eu morava até o mês passado tem um laboratório de análises clínicas daqueles ‘mega’, sabe? Gente que não acaba mais, chegando para ser virada do avesso de manhã à noite, de domingo a domingo. A entrada para pedestre, ave rara na região, fica numa rua originalmente secundária, e que hoje tem mais trânsito, proporcionalmente, do que a Giovanni Gronchi. Entrada e saída do estacionamento também são ali, no mesmo portão. Carros que entram e saem, muitas vezes em fila indiana. Tudo isso a uma quadra de um shopping center. Aí eu me pergunto, será que os administradores do ‘dito’ laboratório têm todos os carimbos necessários – batidos por funcionários de órgãos públicos responsáveis e irresponsáveis pela normatização, supervisão de estabelecimentos e por estudos do impacto ambiental de intenso deslocamento de veículos, entrando e saindo por uma porta só, numa rua só, de duas mãos – para manterem funcionando um negócio desse porte? Ufa! é de perder o fôlego.

 

Por tudo o que temos lido, ouvido e visto, nos últimos tempos, quase ninguém tem os carimbos em dia. Parece que aqui, nesta terra egóica por natureza ‘quase tudo’ é construído assim como um casebre em cima de um córrego, na calada da noite, coberto pela invisibilidade patrocinada pela conveniência de poucos. Mudam-se as regras, os conceitos e a casaca, conforme o tamanho e a força da bolada. Ora, mas não é este o país do futebol?

 

Na frente do laboratório vira e mexe tem buzinaço. Fui até a janela do quarto que dá para a rua de baixo, algumas vezes, para observar a situação. Dito e feito! O de sempre. Alguém quer estacionar no laboratório vindo na mão oposta, ou quer sair dele também na mão oposta, é claro. Na maioria das vezes os dois casos são sincrônicos. Você sabe do que eu estou falando. Andar mais um quarteirão e voltar na mão certa para, no mínimo, sair do congestionamento elegante e educadamente? Nem pensar. A situação é ir pela direita, numa rua de duas mãos e exigir que os carros que vêm no sentido contrário lhe dêm espaço para fazer uma conversão irresponsável. Pois é aí que o bate-boca esquenta, protagonizado por buzinas. Ricas e pobres, novas e velhas, afinadas e roucas, de todas as raças, e todas se desentendendo perfeitamente. No tempo das carroças o carreteiro parava e dizia, ‘dia! tira essa carroça daí, seu Zé!’, mas hoje se reza o terço de trás para frente: ‘tira essa €^*#} daí seu…’, e garanto que a expressão, hoje, está longe de terminar com ‘seu Zé’. A boca do homem da mulher e dos miúdos, hoje, são mais sujas do que o rabo do cavalo do seu Zé.

 

E o falatório continua, por todos os lados, por todas as ruas; todas gritando ao mesmo tempo, como nós. Todos interessados na própria voz, no próprio umbigo, desdenhando a expressão do outro. Somos a sociedade-do-eu-primeiro. ‘Sai da minha frente’. ‘Sabe com quem está falando?’ ‘Deixa de ser besta seu babaca.’ ‘Vai esperar eu passar, e estamos buzinados! Grrr*x##%@(&)

 

De vez em quando vem uma exclamação delicada de uma buzina mais educada que diz respeitosamente: ‘passa, passa, mas vê se se emenda!’ Agora raro mesmo, raridade de leilão, é ouvir simplesmente ‘passa’, dito por um simples aceno de mão e um sorriso do cidadão que está de bem com a vida, mesmo que doa.

 

Comunicar é expressar quem somos.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A semana da moda em Paris

 

Por Dora Estevam

 

PARISFASHIONWEEK

 

O Paris em destaque é para dizer que a Semana de Moda Parisiense está no ar desde o dia 26 de fevereiro, com a apresentação das coleções de outono-inverno 2013-14, pret-à-porter, dos estilistas franceses renomados e dos novos talentos, a estes dedicado o primeiro dia do calendário, que termina dia seis de março.

 

Vamos começar com a marca Isabel Marant. Nota-se nitidamente a presença do estilo masculino na coleção de inverno dela. A subversão nasceu de uma despreocupada parisiense com espírito boêmio livre, com pegadas rock and roll. Nas coleções da Isabel sempre aparecem estas jaquetas e calças skinnings para as meninas práticas. As saias curtas e justas, os blazers e casacos com ares de despreocupados. As cores escuras no ardósia, preto, marinho, alguns tons de areia, cores que todas as mulheres mantém no guarda-roupa. Na foto você vê melhor como ficou tudo isso. No final as produções revelam o embelezamento na dose certa das peças.

 

 

Na Dior o novo diretor criativo, Raf Simons, ainda não fez um ano de casa, entrou lá em abril de 2012, vem construindo a sua própria marca com sucesso e raça. Explorando o patrimônio da Dior e a identidade. O código criado através dessas combinações se vê nas coleções que estão mais próximas do pop. E esta é uma delas, distinta de cocktails e mais a favor das mulheres que amam Dior e querem a marca mais próxima e mais street. Um novo olhar que Simons vem aplicando desde a série de lojas pop-ups mais elegantes do mundo. Roupas práticas e femininas, vindas de um designer que gosta de estar em contato com a cultura, o jovem e o novo. Vem ver alguns modelos da coleção dele.

 

 

Agora um pouco do estilo de Rick Owens, estilista americano. As meninas entraram na passarela com os cabelos frisados e pálidas, em roupas que se sozinhas poderiam sair andando em linha reta. Os casacos grandes, longas fendas, muito cru e cheia de detalhes. Da uma espiada nas fotos abaixo para ver alguns detalhes do show.

 

 

A fast fashion H&MParis apresentou a coleção de inverno no clima da semana de Paris, sob a direção de Ann-Sofie Johansson, no Museu Rodin. O cenário foi todo decorado como se estivessem em um grande apartamento de luxo. A coleção foi imaginada para as meninas que gostam de andar em grupo, juntas, e que gostam de se divertir emprestando roupas do armário das tias e avós para misturá-las às roupas descoladas delas. Veja o resultado nas fotos.

 

 

Para finalizar este nosso encontro semanal em grande estilo quero que você veja as fotos do desfile da Balmain, um arraso. Um desfile que foi realizado no Hotel de Ville, que serviu de cenário para a apresentação. Bem característico da marca os ombros aparecem carregados, cheios de glamour e pegada rocker. As jaquetas metálicas em couro. Cintos largos, sobreposições, tudo o que uma mulher que gosta de carregar no visual admira. Destaque para os acessórios, brincos enormes e cintos suntuosos. Luxo e ousadia, confira!

 

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

 

Proposta democrática para o plano de bairro da Vila Pompeia

 

 

“A Pompeia Que Se Quer” é uma iniciativa de construção colaborativa de Plano de Bairro, que visa contribuir com os moradores da Vila Pompeia, ampliando seu alcance de voz e dando forma a seus desejos coletivos.

 

Tanto moradores e frequentadores da Pompeia, como quem mais tiver interesse em participar poderá criar suas propostas, comentar e apoiar outras propostas, propor atividades, participar das oficinas, mobilizar suas redes e construir a relevância dos seus temas de interesse.

 

São 4 etapas:

 

1. PROPOSTAS – Registro das ideias em propostas que também poderão ser comentadas e aprimoradas.
2. APLAUSO – Em seguida, as propostas recebem votos na forma de apoios.
3. UNIÃO – As propostas mais parecidas poderão se unir para aumentar seu poder de influência.
4. ANÚNCIO – As propostas mais apoiadas e comentadas serão premiadas de acordo com os prêmios oferecidos pela própria comunidade do bairro.

 

O conjunto das propostas (não apenas as premiadas), organizadas por temas e territórios, constituirão um documento a ser entregue pelos moradores da Vila Pompeia como uma primeira versão do Plano de Bairro da Vila Pompeia, a ser entregue ao prefeito e aos vereadores de São Paulo para apoiá-los na revisão do Plano Diretor da Cidade.

 

Programação Completa – Estão marcados três Encontros para Criação de Propostas, abertos a todos os interessados, que buscam envolver moradores, movimentos sociais, poder público e outras pessoas capazes de contribuir com ideias criativas. Também estão sendo programados Expedições Fotográficas, Manejo Comunitário da Horta e Reuniões com a SubPrefeitura.

 

Encontros de Co-Criação: 05/03, 12/03 e 18/03, sempre às 19hs, na Semente Una (Avenida Pompeia, 984).

Foto-ouvinte: sem-teto criam condomínio no Campo Belo

 

Sem Teto no Campo Belo

 

A moradia é em área nobre e valorizada de São Paulo, próximo da avenida Roberto Marinho, onde passará o monotrilho, facilitando o deslocamento na cidade. Desde 2012, esta turma está acampando na rua João Álvares Soares, no Campo Belo, e tem recebido agregados nos últimos dias. Passam o dia por ali, brigam, fazem sexo, usam drogas, e se precisarem de banheiro se socorrem no jardim de um condomínio residencial na mesma rua. De acordo com o autor das fotos, Régis Gonzaga Barbosa, vizinho deles, a subprefeitura de Santo Amaro, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar já foram procuradas mas nenhum providência foi adotada até agora.

Um caminho para nossa Educação

 

Por Julio Tannus

 

Muito tem se falado sobre o nível de nosso ensino, tanto nos cursos básicos como nas universidades. Para Edgar Morin há sete saberes necessários à educação para promover a formação de futuras gerações. Diz que são necessárias novas práticas pedagógicas para uma educação transformadora que esteja centrada na condição humana, no desenvolvimento da compreensão, da sensibilidade e da ética, na diversidade cultural, na pluralidade de indivíduos. E que privilegie a construção de um conhecimento interdisciplinar, envolvendo as relações indivíduo-sociedade-natureza. Para ele é fundamental criar espaços para o diálogo que propicie a reflexão, capaz de viabilizar práticas pedagógicas fundamentadas na solidariedade, na ética, na paz e na justiça social.

 

Uma educação baseada nos Sete Saberes (*) poderá colaborar para que os indivíduos possam enfrentar as múltiplas crises sociais, econômicas, políticas e ambientais, que colocam em risco a preservação da vida no planeta.

 

Aqui vão os “Sete Saberes”.

 

As cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão – Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão. O maior erro seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão.

 

Os princípios do conhecimento pertinente – O conhecimento dos problemas-chave, das informações-chave relativas ao mundo, por mais aleatório e difícil que seja, deve ser tentado, sob pena de imperfeição cognitiva, mais ainda quando o contexto atual de qualquer conhecimento político, econômico, antropológico, ecológico… é o próprio mundo. A era planetária necessita situar tudo no contexto e no complexo planetário.

 

Ensinar a condição humana – A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

 

Ensinar a identidade terrena – A partir do século XVI, entramos na era planetária e encontramo-nos desde o final do século XX na fase da mundialização. A mundialização, no estágio atual da era planetária, significa primeiramente, como disse o geógrafo Jacques Lévy: “o surgimento de um objeto novo, o mundo como tal”. Porém, quanto mais somos envolvidos pelo mundo, mais difícil é para nós apreendê-lo. Na era das telecomunicações, da informação, da internet, estamos submersos na complexidade do mundo – as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade.

 

Enfrentar as incertezas – Ainda não incorporamos a mensagem de Eurípedes, que é a de estarmos prontos para o inesperado. O fim do século XX foi propício, entretanto, para compreender a incerteza irremediável da história humana.

 

Ensinar a compreensão – A situação é paradoxal sobre a nossa Terra. As interdependências multiplicaram-se. A consciência de ser solidários com a vida e a morte, de agora em diante, une os humanos uns aos outros. A comunicação triunfa, o planeta é atravessado por redes, fax, telefones celulares, modens, internet; entretanto a incompreensão permanece geral. Sem dúvida, há importantes e múltiplos progressos da compreensão, mas o avanço da incompreensão parece ainda maior.

 

A ética do gênero humano – individuosociedadeespécie são não apenas inseparáveis, mas coprodutores um do outro. Cada um destes termos é, ao mesmo tempo, meio e fim dos outros. Não se pode absolutizar nenhum deles e fazer de um só o fim supremo da tríade; esta é, em si própria, rotativamente, seu próprio fim. No seio desta tríade complexa, emerge a consciência. Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antro-poética, deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos. Essa é a base para ensinar a ética do futuro.

 

Para cada um, Morin faz uma análise que não cabe aqui ser reproduzida, mas certamente merece ser lida, estudada e apreendida.

 

(*) Edgar Morin, Os sete saberes necessários à educação do futuro – 2a Edição Revisada; Cortez Editora

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada,
co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

De Maria

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

tenho, desde 2008, dois ícones gregos representando

 

a madona que acolhe seu filho
a virgem
imaculada
Maria
mãe de Jesus
Filho de Deus
e como poderia ser diferente?
Madona

 

 

No ano passado ganhei da Mariajose, amiga-leitora que mora na Itália, mais uma Madona. Dessa vez acompanhada por dois anjos e pintada por mãos e olhares florentinos. Linda! Sempre lindos e alegres, esses ícones. São coloridos, emanam paz, conforto, abraço, completude. Para mim a Mãe e seu Filho representam a integralidade da vida, todos os seres e suas forças, cada partícula, som, imagem, aroma, realidade e sonho, uma vez que o Criador é impensável, indescritível, indizível, irreproduzível e impossível de ser antropomorfizado.

 

Maria é o elemento feminino que acalenta seu Filho, e ele o elemento masculino que a completa. Forças de igual intensidade contendo, cada uma, uma porção da outra.

 

Ave Maria

 

yin e yang
a base da vida
claro escuro
sol e lua
o todo
em todas as suas formas

 

Agora, me espanta e amedronta o desequilíbrio energético no qual temos vivido. O elemento feminino anda muito fraco. A mulher sonha ter, além de todos os direitos conquistados, também o corpo do homem e a bunda da saúva. Tem exercido muito pouco o feminino: o abraçar, embalar, cuidar, brincar com a alquimia da cozinha e alimentar. Faz falta. Para mim faz. O mundo está assim e pronto, não há muito que discutir, mas sinto que erramos na dose, nós as mulheres. Queimamos os sutiens em praça pública, saímos às ruas em passeata, fizemos revoluções nem tão pioneiras assim, alargando a trilha no caminho que já vinha sendo traçado, de almejada igualdade ao que não é igual, e corremos tanto atrás de direitos, que nos afastamos da essência. Direitos que podem se transformar em senhores de nossas almas. Implantamos silicone, malhamos tanto que muitas de nós já são mais musculosas que seus homens, e se orgulham disso. Temos pernas musculosas de jogadores de futebol e batemos com força na mesa.

 

é um tipo de desequilíbrio
inédito
no planeta
imagino

 

É fácil perceber que a água também está em desequilíbrio. Água é Yin, feminino, emoção, recepção, entrega e tem rareado para matar a nossa sede, mas tem se atirado do céu com força de destruição paralela à do fogo, elemento yang, masculino. Coincidência?

 

E então, mulheres, vamos salvar o planeta? Já conseguimos tanto, já sabemos do que somos capazes, então vamos meter a mão na massa, literalmente.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Milão: curadoria de moda

 

Por Dora Estevam

 

As passarelas da semana de moda de Milão – MFW – vieram cheias de estilo: cabelos moicanos, cabelos molhados, bolsas de bichos peludos, chapéus de cavalaria … Um calendário de desfiles que teve início no dia 20 e segue até 26 de fevereiro. As coleções apresentadas se referem as tendências de outono inverno 2013/14. As marcas Made in Italy garantem o sucesso do espetáculo: Gucci, Prada, Roberto Cavalli, Dolce & Gabanna, Versace, Giorgio Armani, além de estilistas novatos.

 

Como são muitas marcas e vários dias, fiz uma curadoria das marcas que desfilaram e separei para você o que eu achei de mais interessante. Gosto de colocar fotos tanto do desfile quanto dos bastidores, igualmente interessantes.

 

A Prada desfilou na tarde da quinta-feira (21/02), foi transmitido ao vivo pelo site e muitos puderam acompanhar ao vivo. O cenário foi bem parecido com o do desfile de inverno da marca masculina, e o gato veio no encerramento. As manequins apareceram com os cabelos molhados, que já é tendência, exibiram muitas saias, cinturas marcadas por diversos modelos de cintos, ora finhinhos, ora mais largos, em tons de prata, dourado e preto. Trouxeram as bolsas em couro e em estampa Vichy, que também apareceu na roupa. A trilha musical veio intercalada com Whispers, fade To grey de Visage e Des Orages Pour La Nuit, Gabriel Yared. Cabelos molhados e escorridos, Lindo!

De moda, cabelo e make a Fendi entende. O estilista da marca Karl Lagerfeld se inspirou nos Astecas para desenvolver a coleção de inverno. É da Fendi que vieram as bolsas peludinhas com bichos engraçadinhos e fofos, os listrados coloridos misturados aos tons mais escuros. O que o estilista mostrou foi uma mulher guerreira, urbana e contemporânea. Fendi reinterpreta o uso da pele através da fabricação da alta tecnologia e do artesanato, promovendo um estilo feminino dominador, quase tribal, dominador, animal. As saias e os vestidos em peles vieram acima dos joelhos. As calças no tornozelo. Na cartela de cores o bege, rosa cinza, preto, branco, rosa fluor, azul elétrico, marrom e roxo. Os materiais sofisticados como seda, couro, cashmere, vison, raposa, lantejoulas, cetim etc. A silhueta bem feminina e anatômica contrasta com as formas geométricas e arquitetônicas. As bolsas apareceram ora em couro ora decoradas com brilhos e franjas, as botas de amarrar com saltos espelhados e forradas com pele. Os cabelos moicanos e os óculos de sol bem ao estilo punk, cheios de atitude.

A passarela é sem dúvida o lugar de destaque onde conseguimos ver todos os modelos apresentados, um a um, da maneira que o estilista pensou a coleção. Porém, é nos bastidores que acontece toda a correria para os desfiles. Maquiadores com seus pincéis, modelos à espera do grande momento. Uma horinha que os fotógrafos de moda estão se especializando cada vez mais para registrar estes momentos. As modelos também, muitas colocam as fotos no Instagram e são mil vezes curtidas. Vamos ver algumas meninas nos bastidores do desfile da Fendi, já que acbamos de ver as fotos delas prontas na passarela.

E o que dizer da coleção da Versace? Feminina e sexy. As inúmeras combinações com as cores preto, branco e amarelo. As saias curtas esilhuetas ajustadas, sexys. As botas e pelos, glamour. Misturas

A marca Italiana Moschino trouxe para a passarela toda a referência londrina, paixão da estilista. As produções pareciam uniformes escolares da escola britânica escocesa. Uma coleção jovem, porém, com pitadas clássicas as quais remetem as insígnias nas roupas. Detalhe para os chapéus de cavalaria e os enormes brincos dourados, lindos!

A Dsquared2 veio cheia de androginia, elegante. Hora as meninas apareciam vestidas com terninhos masculinos, ora bem femininas com vestidos em seda fluido e silhueta ajustada ao corpo. Pelos, chapéus, sandálias com meias, lenços, gravatas borboletas, teve de tudo.

E o eleito para acabar este post foi o vídeo da Style.com que mostra a passarela, os comentários dos editores das principais revistas do mundo e a linha de frente. Enfim, a elegância da mulher italiana.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Inexplicável

 

Por Julio Tannus

 

Há alguns anos estava em uma festa de aniversário de um sobrinho. Ao iniciar a projeção de um filme infantil, o equipamento de projeção deixa de funcionar repentinamente. O operador reinicia a projeção e logo após novamente a projeção é interrompida, aparentemente de forma inexplicável. Um observador atento constatou que o entra e sai de pessoas acionava uma lâmpada que desligava o disjuntor.

 

Recentemente meu notebook parou de funcionar. Após várias tentativas, voltou a funcionar. Depois de algum tempo, deixa de funcionar novamente, aparentemente de forma inexplicável. Ao verificar atentamente o equipamento, verifico que a luz indicativa da conexão sem fio estava apagada. Ao mudar a posição do aparelho para outro local, o travamento do aparelho foi explicado.

 

Tenho feito referências aqui a aumento de impostos e cobrança de impostos aparentemente inexplicáveis. É o caso do aumento do IPTU e a taxa de fiscalização de elevadores da Prefeitura de SP cobrada há anos, sendo que nunca apareceu um fiscal da Prefeitura para fiscalizar. Ao constatarmos que não existe qualquer resistência da população a essas cobranças, podemos encontrar aí uma boa explicação.

 

Aparentemente certos encontros e desencontros são inexplicáveis. Entretanto nossos poetas podem encontrar uma boa explicação:

 

Se procurar bem você acaba encontrando.

Não a explicação (duvidosa) da vida,

Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Sabino

A imaginação é o nosso primeiro privilégio, tão inexplicável como o caso que a provoca.
Luis Buñuel

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung.