De planejamentite

 

Por Maria Lucia Solla

 

Relevo

 

A cozinha da minha avó era uma cozinha mediterrânea, e a da minha mãe também era até sermos todos inoculados com um vírus norte-americano que viajou instalado num seriado chamado Papai Sabe Tudo, irritantemente perfeito, que andou pela televisão por pouco tempo. O seriado escancarava boa parte do sonho americano, no dia a dia de uma família de classe média, entre os anos 1950 e 1960. Mostrava o que queria mostrar, e mostrava bem mostrado, influenciando e contorcendo nosso modo europeu de sentir, de viver e de pensar. Nós brasileiros, que damos pouco valor a memória, tradição, ao próprio coração, escolhemos como modelo o estilo de vida americano. Tudo o que vinha da terra do tio Sam era chique. Nos afastamos das raízes, nos deixamos levar pelo enlatado, pelo congelado, pelo sonho alheio, pela vida que aparecia na TV. E não fazemos ainda?

 

O caso é que de repente a cozinha da minha mãe se transformou numa cozinha americana. Era chamada assim, explicitamente. Depois a Kitchens chegou dominando e deu nome à cozinha americana por muito tempo, até que foram brotando outras que planejam as cozinhas. Hoje elas são cozinhas planejadas.

 

Saudade dos armários de copos das vovós. Saudade das xícaras de chá penduradas na cristaleira. Saudade da criatividade, da arte na cozinha. Saudade da cozinha, a senhora da casa!

 

Minha mãe era uma mãe mediterrânea que passou a cozinhar numa cozinha americana. Quando a vovó Grazia vinha enriquecer o almoço lá de casa, então, parecia um filme rodado na locação errada. As entranhas da cozinha tinham sido proibidas para os olhares humanos. Tanta louça bonita! Tudo guardado e escondido. Mantimentos, então, rebaixados e estocados num cômodo especial para isso. Está aí um exemplo de parte da herança que não deixamos para trás; a fragilidade frente à ideia da guerra ainda nos faz estocar. Eu, do time da segunda geração no Brasil, ainda tenho mania de sempre ter um quilo, uma lata, um vidro fechado, seja do que for, guardado na despensa. Haja espaço, e haja planejamento.

 

Saudade da cozinha maior do que a sala, com uma grande mesa de tampo de mármore, boa para esticar a massa da macarronada, enquanto os amigos faziam o molho, bebericando vinho, e a casa se enchia de riso de grandes e pequenos, de vozes e aromas. A casa inteira.

 

Bendita a cozinha!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Iminências

 

Por Julio Tannus

 

Na iminência do lançamento da telefonia celular no Brasil, nos anos 80, fui convidado pela então Telesp para testar a nova tecnologia. Na época, recebi um “tijolo” de telefone celular. Ao atender uma chamada em local público – na rua, no shopping – as pessoas me dirigiam olhares curiosos e indagativos: “ele está falando sozinho!?”, “será que enlouqueceu!?”.

 

Hoje, dirijo olhar curioso para as pessoas nos locais públicos – na rua, no shopping, no elevador, no cinema, na praia, e em lugares inimagináveis para mim: “por que não desgrudam do iphone, ipad!?”, “o que as leva a ficar tanto tempo focadas nesses aparelhinhos!?”

 

E chega a meu conhecimento uma nova forma de buscar as “iminências”:

 

Trend Hunter = Caçador de Tendências

 

É um profissional em geral jovem, de 20 a 35 anos, com fôlego para circular pelas ruas, cinemas, shows e exposições da cidade registrando tudo, até a roupa que você está usando. Com olhos atentos, máquinas fotográficas e notebooks, ele capta comportamentos, estilos, novos talentos, ídolos emergentes e desejos de consumo. Informações preciosas para as indústrias de moda, tecnologia e design.

 

Marcas líderes e seus concorrentes utilizam um relatório de tendências anual para entender as tendências do consumidor, identificar oportunidades e acompanhar a inovação do concorrente. Marcas como Kelloggs e Nestlé dependem de caçadores de tendência para desencadear uma inovação.

 

A TrendHunter, empresa especializada neste tipo de abordagem, emprega cerca de 100.000 caçadores de tendência espalhados por 191 países.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

De Einstein

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O exercício de desapego e escolha me leva a recomeçar mais uma vez. Não quero dizer com isso que vá tentar apagar a vida vivida para recomeçar do zero, porque é impossível; bom motivo para nem tentar. Gosto de cada
minuto que tenho vivido, e não pretendo virar as costas para nem um desses minutos. Nem dos claros, nem dos escuros. É a vida, dizia a mamãe, a cada acontecimento.

 

Sei que sou, também, o resultado de tudo o que vivi e de como vivi, e gosto de quem sou. A vida tem me levado a rir a chorar, e tenho aprendido com os dois movimentos dela, que às vezes são rápidos demais para eu
absorver e crescer, e outras vezes um arrastar sem fim, quando sinto que remo sem parar, e não saio do lugar. Mas, enquanto há vida, há chance de viver de peito aberto, de aprender e crescer. De aproveitar a viagem. E
assim vou atrás do estar-bem. Do meu e do mundo que me cerca.

 

Ainda envolvida com o este-vai-este-fica de papéis e livros, espirro, lavo as mãos um exagero de vezes e rasgo pilhas, em tiras e mais tiras. Não os livros, é claro. Num dos papéis encontrei um texto com minha letra de menina, escrito com tinta verde, com a caneta que ganhei do meu pai quando entrei no ginásio, sem fazer o quinto ano. Tinha um exame chamado muito propriamente de Exame de Admissão, logo depois do quarto ano primário. A gente passava por uma tensão parecida com a do vestibular, e eu passei direto. Ganhei uma Sheaffer e usei tinta verde, por muito tempo. Mas enfim, o texto era um fragmento do livro “Como vejo o mundo” de Albert Einstein, lançado em 1953.

 

Fala o mestre!

Educação em vista de um pensamento livre

Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma
máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um
sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado
do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida.

Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas
angústias, para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus
próximos e à comunidade.

 

Se você quiser ler o texto todo, encontrei o livro inteirinho disponibilizado na Biblioteca Virtual Espírita.

 

Dá para guardar na biblioteca do seu leitor de livros. Encontrei o trecho que copiei em priscas eras, como diria minha amiga Maryur, na página 16 do livro.

 

É isso.

 

Bom domingo, bom feriado, diminue a velocidade nas curvas, e até a semana
que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Maquiagem carnavalesca

 

Por Dora Estevam

 

 

Que a moda influencia no Carnaval, isso é fato. As cores, as fantasias, os makes, as unhas, tudo é pensado nas tendências atuais. É claro que não dispensamos as boas referências clássicas, porém, renovadas. Há vários bailes pela cidade e muita gente não gosta de usar fantasia ou adereços em excesso, por isso a dica de hoje vai para a ousadia na maquiagem. E mulheres amam maquiagem, portanto fica mais fácil ousar. Agora pode.

 

A ideia é colorir o rosto para deixá-lo bonito e atraente. E a moda dá uma forcinha, seja nos cílios postiços, seja nos riméis coloridos. Tudo vale a pena. Peninhas e lantejoulas também produzem um belo visual.

 

Inspire-se nas fotos deste post.

 

 

Você acha que dá para fazer ou precisa de uma força?

 

Tá, já sei! Quem gosta muito de maquiagem e acompanha as novidades já deve ter ouvido falar na maquiadora Alice Salazar, certo? Então, hoje o tutorial para dar um empurrãozinho na sua produção é dela. Alice ensina a fazer o olho para o carnaval, um passo a passo fácil e descontraído. Ela é engraçada e paciente:

 

 

Gostou? Se tiver alguma ideia ou um link para indicar manda aqui pra gente, beijos e até o próximo sábado.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Foto-ouvinte: quem sabe uma ciclovia na Tiradentes?

 

Bicicleta na Avenida Tiradentes

 

De boas intenções, as gavetas do gabinete do prefeito estão cheias. Hoje, destaque nos jornais com citação e entrevista no Jornal da CBN, a pretensão de Fernando Haddad de construir dois corredores de ônibus, no sistema BRT, com segregação de faixa, embarque e desembarque rápido, pontos de ultrapassagem e maior velocidade nos transportes. Um no corredor Norte-Sul, passando pela 23 de Maio, e outro na avenida Bandeirantes. No papel, haverá, também, ciclovia do lado oposto dos ônibus nestas vias. Se apertar de um lado e apertar do outro, os motoristas de carro vão gritar, com certeza, e a pressão será enorme para impedir a construção dos corredores que podem ajudar muito os paulistanos que dependem do transporte público.

 

Já que o período para sonhar e pedir é mesmo no início de governo, e todos parecem estar sonhando alto no Edifício Matarazzo, não custa tentar: o Marcos Paulo Dias, colaborador do Blog e incentivador do Adote um Vereador, passou pela avenida Tiradentes e percebeu a dificuldade do ciclista para circular por ali. A sugestão dele é que a prefeitura crie uma faixa para as bicicletas. E os motoristas de carro, respeitem os ciclistas.

A sociedade andrógina de Domenico De Masi

 

Por Julio Tannus

 

Tenho me referido aqui a alguns autores e suas reflexões sobre a época que vivemos atualmente. Em geral suas considerações são negativas. Já o professor de Sociologia do Trabalho da Universidade de Roma, Domenico de Masi, faz uma análise positiva. Aqui vai:

 

Enquanto a sociedade rural precisou de sete mil anos para produzir a sociedade industrial, a sociedade industrial precisou de somente duzentos anos para produzir a sociedade pós-industrial. O que entendo por sociedade pós-industrial? Entendo que é uma sociedade cujo epicentro não existe mais a produção de bens materiais em grande escala, mas sim a produção de bens imateriais em grande escala, ou seja, a produção de serviços, de informação, de estética, de símbolos e de valores.

 

Os valores da sociedade industrial eram o racionalismo e a produtividade… E o racionalismo da sociedade industrial era um racionalismo distorcido em relação ao racionalismo que quiseram os iluministas. Os iluministas, no final do século XVI, contrapunham a razão humana à completa falta de uma pesquisa científica, à magia. Na indústria, porém, o racionalismo iluminista foi aplicado de maneira pragmática.

 

Quando as indústrias falam de racionalismo querem dizer isto: tudo o que é bom é racional; tudo que é racional é masculino; tudo que é masculino tem a ver com a produção e tudo o que tem a ver com a produção é feito nos locais de trabalho. Contrariamente, tudo o que é emotivo é negativo; tudo que é emotivo é feminino; tudo o que é feminino tem a ver com a reprodução e tudo o que tem a ver com a reprodução é feito em casa.

 

Por isso, a indústria separou nitidamente os locais de vida e os locais de trabalho; o tempo de trabalho do tempo livre. E quando termina o trabalho, todos voltam para casa na mesma hora. E quando começa o trabalho, todos devem ir para a ele na mesma hora. E quando chegam as férias, todos a tiram ao mesmo tempo. Um escritor italiano diz que, nas horas de pico, até o adultério é impossível! Tudo é complicado. Ora, a tudo isto a sociedade pós-industrial contrapõe uma situação completamente diferente. Os valores da sociedade pós-industrial são de outro tipo. A sociedade industrial apreciava a executividade acima de tudo, a obediência, a ductilidade, a conformidade. A sociedade pós-industrial aprecia sobretudo a flexibilidade e a criatividade. A sociedade industrial apreciava sobretudo a prática. A sociedade pós-industrial, a estética. Se um relógio é duzentas vezes mais preciso do que o necessário, qual a necessidade de aperfeiçoá-lo ainda mais, do ponto de vista prático? Aquilo que hoje distingue dois relógios não é a prática mas sim o design. A estética é um dos grandes valores da sociedade pós-industrial. E um outro valor é a emotividade, que é conjugada com a racionalidade. Não mais só a racionalidade, não mais a emotividade como um fator negativo, mas a emotividade como um fator importantíssimo da alma humana. E a sociedade pós-industrial aprecia ainda a subjetividade. Não mais somente coisas de massa, consumo de massa, política de massa, sindicato de massa, tempo livre de massa, mas cada um quer ser apreciado como único. Como indivíduos únicos. Kirkegaard dizia: “Gostaria que sobre meu túmulo estivesse escrito: Aqui jaz aquele único”. Ora, emotividade, subjetividade e estética são três valores tipicamente femininos, dos quais os homens descuidaram durante os duzentos anos da sociedade industrial e que só as mulheres continuaram a cultivar. Por isso, junto com a criatividade, a flexibilidade, a emotividade, a estética, um outro valor importante é a feminilização. Isto é, a sociedade pós-industrial não é nem homem, nem mulher: é andrógina. É uma sociedade na qual são apreciados tanto os valores tipicamente femininos, como os valores tipicamente masculinos. E cada homem descobre que tem em si mesmo uma parte feminina, da mesma forma que as mulheres descobrem que têm em si mesmas certas capacidades que eram típicas dos homens. As sociedades que ainda não perceberam a feminilização são sociedades bárbaras. Infelizmente, acredito que no próximo século não existirá a paridade entre o homem e a mulher, mas que as mulheres serão superiores por um pequeno detalhe: as mulheres podem ter filhos sem ter um marido enquanto que os homens não podem ter filhos sem ter uma mulher.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Outrar-se

 

Por Julio Tannus

 

Às voltas com questões no meu circulo de amizade e familiares, lembrei-me de Fernando Pessoa.

 

Fernando Pessoa, ao sentir-se variamente outro, ao “outrar-se”, cria amigos que exprimem estados de alma e consciência distintos dos seus e, por vezes, opostos. O “eu” do artista despersonaliza-se, desdobra a própria individualidade, torna-se essência de outros e de si, para melhor exprimir a apreensão da vida, do ser e do mundo.

 A “pequena humanidade” do poeta é como um palco onde desfilam pelo menos quatro personagens diferentes: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o próprio Fernando Pessoa. 

Como afirma, “não há que buscar em quaisquer deles ideias ou sentimentos meus, pois muitos deles exprimem ideias que não aceito, sentimentos que não tive”.

 Os heterónimos “são como personagens à procura de autor. São personagens de um drama. Cada um é diferente dos outros e fala e procede tal qual é”. São os companheiros psíquicos, como ele considera ao dizer-se “eu e o meu companheiro de psiquismo Álvaro de Campos”.

Alberto Caeiro: Poeta do olhar, procura ver as coisas como elas são, sem lhes atribuir significados ou sentimentos humanos. Considera que “pensar é estar doente dos olhos”, pois as coisas são como são. Ver é conhecer e compreender o mundo, por isso, “pensa vendo e ouvindo”.



 

Álvaro de Campos, que, como Caeiro, recorre aos versos livres, é o homem da cidade, que procura aplicar a lição sensacionista ao mundo da máquina. Mas, ao não conseguir acompanhar a pressa mecanicista e a desordem das sensações, sente uma espécie de desumanização e frustração. Falta a Campos a tranquilidade olímpica de Caeiro.



 

Ricardo Reis, que adquiriu a lição de paganismo espontâneo de Caeiro, cultiva um neoclassicismo neopagão, recorrendo à mitologia greco-latina, e considera a brevidade da vida, pois sabe que o tempo passa e tudo é efémero; Caeiro vê o mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim, e confessa que existir é um facto maravilhoso. Caeiro aceita a vida sem pensar; Reis talvez a aceite apesar de pensar. Reis chega a ser o contrário do Mestre, sobretudo ao procurar vivenciar poeticamente um sensacionismo de carácter reflexivo, com a emoção controlada pela razão.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

De alquimia

 

Por Maria Lucia Solla

 


Olá,

 

a mim faz bem enxergar que sou também o que como. É verdade que não temos
cada um o seu pedaço de terra, e nem tempo para plantar e colher o que comemos. Vivemos num retalho de tempo diferente. Como sempre foi. A sociedade muda e a gente se adapta a ela, ou fica comendo pela beirada. Quem quer o bom leva o pacote, lembrando que não existe perfeição na nossa classe. Uma classe que abriga o adiantado, o interessado, e aquele que não entende patavina, cabula, cola ou dorme atrás do cara da frente. Como em toda classe.

 

Mas eu pensava nas ervas e na volta de cada vez mais gente, ao interesse pelo alimento saudável e pela magia que brota da terra. Pensava na herança dos curandeiros do passado remoto, no cuidado com a saúde e em como faz bem ver quanta gente se oferece o prazer da volta à cozinha, que faz uma falta danada na área social de qualquer casa. Meus amigos sentam na cozinha, e papeamos enquanto preparo o café. Na casa do meu pai, tudo acontecia na cozinha. A sala de jantar era usada para eventos sociais e refeições de domingo. Ele e o seu Carlito, um dos seus melhores amigos, sempre tinham pão, queijo, salame e vinho, na mesa das suas cozinhas. Era chegar, sentar papear e comer. O café chegava em menos de cinco minutos depois que alguém chegava. A qualquer hora, em qualquer dia. Ali era a sala de visita dos de casa.

 

Não sou saudosista. Minha lua é hospede de Aquário. Olho para frente, mas
convenhamos… passamos do colher o que plantávamos – minha bisavó tinha um galinheiro enorme em casa, e eu adorava alimentar as galinhas – para a fast killing food e o refrigerante. Entregamos os nossos corpos a grandes empresas que se vendem, e nos vendem no pacote, para fundos de investimentos que não temos a mínima ideia de quem são. Não vou entrar no mérito da questão, porque é eca demais, assim como é eca o mundo do comércio e da indústria focar na criançada, poque ainda tem muito tempo para continuar a consumir. É um bom alvo, literamente. Planilha do Excel.

 

Fico contente de ver que crece um movimento não-xiíta na direção do bem-estar, do sentir-se bem, do relacionar-se bem, dormir bem, comer bem, falar bem, pensar bem…

 

…você também?

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A semana da moda em Paris

 


Por Dora Estevam

 

De olhos bordados, boca cheia de bolinhas e casamento gay. Assim se cumpriu a semana de alta costura de Paris. A agenda de apresentação das coleções de alta costura primavera-verão 2013 foi de 20 a 24 de janeiro. Além dos estilistas franceses, também compareceram designers de moda italiana: Christian Dior, Giambattista Valli, Giorgio Armani Prive, Jean Paul Gaultier, Atelier Versace e Valentino.

 

A moda na passarela, a intensa vida nos bastidores e os convidados muito especiais deixaram a semana completa, na capital francesa. Acompanhei muitas entrevistas dos estilistas das marcas e de toda gente que faz parte do show, como a maquiadora Path McGrath que explicou o make feito nas meninas da Dior.

 

As bocas de Dior ficaram incríveis combinadas com os cabelos bem curtinhos. Gostei também dos cabelos lisos e reais repartidos ao meio do desfile de Giambattista Valli. É bem o meu estilo, adoro. Os materiais usados no desfile da Iris Van Herpen são inéditos – “uma super experiência”, diz ela. A atriz Jessica Alba esteve lá, achou o desfile muito bonito, moderno e sexy.

 

Veja tudo isso no teaser dos desfiles preparado pela Vogue Paris:

 

 

A maquiagem é algo incrível na passarela. Veja algumas fotos dos trabalhos destes profissionais super criativos. Haja imaginação.

 

 

A Chanel também chamou muito a atenção do público. Nas fotos que separei, acompanhe as meninas sendo preparadas pelos maquiadores. Para algumas, os gadgets são inseparáveis.

 

 

Eu sempre gosto de mostrar como as pessoas se vestem para ir a estes eventos. Veja convidadas da marca Giorgio Armani Privé. Note a elegância das roupas.

 

 

Para finalizar, fotos do fim do desfile da Chanel, no qual Karl Lagerfeld, diretor criativo da grife, apresentou vestidos brancos e ousou ao sugerir um casamento lésbico, acompanhadas de um garotinho, o pequeno Hudson, afilhado de Karl.

 

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.