O mundo inteiro usa jeans

 

Por Dora Estevam

 

 

Vai verão entra inverno e o jeans nosso de cada dia não dá trégua. Se reinventa a cada temporada e veste corpinhos por todo o mundo. De anônimos a celebridades, ninguém escapa. As tendências: skinny (aquele bem justinho nas pernas), flare (o mais larguinho na parte de baixo da perna), os coloridos (vermelhos, hortelã e branco), os estonados (todos manchados) e os rasgados.

 

Nos estilos mais justos são usados com camisetas descoladas, jaquetas e tênis estilo botinha, muito conhecido como os sneakers da estilista Isabel Marant. Por aqui quem tem é a marca Shults, em todos os shoppings. O cantor canadense Justin Bieber é adepto deste look rocker: jeans+botinha+jaqueta (sempre com muitos detalhes ou metalizadas).

 

 

As calças com boca mais larga são usadas com camisas, camisetas, acompanhadas de cardigans ou blazers. Nos pés sapatilhas, flats, botas ou sandálias altas. No universo das camisas jeans quem costuma usar aberta com camiseta branca por baixo é o cantor Jay Z; as meninas ficam mais com as jaquetas, e usam até com saia de cetim longa. Dá para fazer muita produção com jeans.

 

E o que dizer dos estonados e dos rasgados? Eles estão por toda parte, e fazem parcerias com botas, tênis, jaquetas, camisetas, saltos, sapatilhas, tudo o que você puder imaginar, eles são  incríveis. Por aqui  a blogueira Lu Tranchesi postou umas fotos dela usando as estonadas, veja como ficou. Celebridades como Drew Barrimore, Jéssica Alba e Gwen Stefani também usam muito. As rasgados também tem um público muito forte, entre elas a estrela  Dakota Fanning.

 

 

Estas são as opções do momento, eu sei que parece exagero, mas todas são lindas e dá vontade de usar uma por dia. Eu achei estas fotos interessantes para você ter uma ideia de como as peças estão sendo usadas por ai. Na moda eu vejo assim: inspiração e referência nunca são demais.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Liberem o caminho dos carros, por favor !

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, que escrevo no site da revista Época São Paulo

 

Ouvi em reportagem da rádio CBN, na qual a mobilidade urbana era o tema principal, a prefeitura defendendo as restrições ao uso de caminhões na cidade. Como você deve lembrar, recentemente os transportadores de cargas foram proibidos de entrar nas marginais Pinheiro e Tietê no horário do rush, sob a alegação de que o excesso de caminhões trava o fluxo de veículos. Houve reação e para protestar deixaram de abastecer os postos de combustíveis o que gerou enorme transtorno aos motoristas de carro, em especial. Como a prefeitura não recuou, os caminhoneiros tiveram de se adaptar as condições impostas pela cidade e, hoje, é comum vermos uma fila deles estacionados no acostamento das rodovias que chegam à capital, em um comportamento que causa risco à vida das pessoas, tanto que é proibido pelo Código Brasileiro de Trânsito. Parar no acostamento apenas em situação de emergência, o que não parece ser o caso. O sindicato que representa a categoria diz que os profissionais da direção estão, também, mais expostos às quadrilhas que roubam carga e o número de assaltos aos motoristas teria aumentado, ao menos informalmente, já que a maioria preferiria não registrar Boletim de Ocorrência. Com a nova regra, as entregas demoram mais e o número de viagens diminui, o que deixou o frete mais caro, custo que, logicamente, foi parar no preço dos produtos transportados. O que mais me chamou atenção, porém, na reportagem foi uma informação passada pela prefeitura que, questionada pelos impactos no setor de transporte de cargas, se defendeu dizendo que a restrição fez reduzir o número de acidentes envolvendo caminhões. É lógico, se tiro os caminhões do caminho, a probabilidade é que os acidentes diminuam

 

Fiquei pensando como poderíamos abusar desta iniciativa para combater a quantidade de mortes que temos no trânsito da capital paulista. De acordo com a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego morreram 1.365 pessoas em acidentes no ano passado, número 0,6% maior do que em 2010. A maior parte morre em ocorrências com motocicletas, foram 512. Imagine se a prefeitura decidisse proibir a circulação de motos na cidade, provavelmente ao fim do primeiro mês teríamos reduzido a zero o número de motociclistas mortos nestas circunstâncias. Além de garantirmos a integridade dos espelhos laterais dos automóveis. Entusiasmados com os resultados logo determinaríamos que as pessoas ficassem dentro de casa, o que faria despencar drasticamente a quantidade de pedestres mortos no trânsito – foram 617 no ano passado, número 2% menor do que em 2010. Sem pedestres, eliminaríamos as faixas de segurança e os carros poderiam rodar tranquilamente pelas ruas e avenidas sem este incomodo de ter de prestar atenção se algum ingrato vai se arriscar em atravessar a rua. Sem pessoas caminhando, para que investir em ônibus e metrô? São Paulo se transformaria em cidade modelo e exemplo para o mundo no combate a violência do trânsito. E todos os nossos problemas estariam resolvidos nesta área.

 

Perdão se desperdiço parte do seu tempo de leitura com um parágrafo inteiro de ironias, mas é que sempre tenho a esperança de que os gestores de nossas cidades encontrem saídas mais criativas do que simplesmente tentar eliminar ou restringir ônibus fretados, caminhões, motos ou pedestres sempre com o objetivo de deixar o caminho livre para os automóveis.

Paraty … quantas saudades você me traz !

 

Por Julio Tannus

 

 

É parte da letra de uma música que cantávamos há muitos anos, décadas de 40/50, quando acordados víamos o sol nascer por detrás do mar alto em Paraty.

 

Ainda menino, vivia entre a cidade e a roça, com avô por parte de mãe fazendeiro, grande produtor de cachaça – as famosas Branca do Peroca e Azulada do Peroca – e avô por parte de pai sírio-libanês, principal negociante da cidade.

 

E aí chegam as lembranças. A leitura, o cinema aos domingos, a maré cheia limpando toda a cidade, a pescaria na noite de lua cheia, a cata de caranguejos no mangue quando roncava trovoada. Y otras cositas más!

 

A Leitura – além dos clássicos, lembro-me de versos e histórias contadas. Um provérbio “Quem compra o que não precisa, vende o que precisa”. Um ditado “Raposa na governança, não há frango em segurança”. Ao pé do ouvido: “Quem caminha descalço não deve plantar espinhos”; “A primeira ilusão do homem foi a chupeta”; “Nossas mentes são como paraquedas, só funcionam bem quando abertos”; “Quem não leva tombo não aprende a andar”. Não é a toa que a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty tem tudo a ver com a cidade.

 

O Cinema – era a janela para o mundo. Sempre aos domingos, assistíamos ao noticiário pós-Segunda Grande Guerra, além é claro do Zorro, E o Vento Levou, Branca de Neve e os Sete Anões. O seu Pedro, dono do cinema, ficava na porta de saída auscultando a pulsação dos presentes para encomendar filmes que agradassem aos gostos de todos.

 

A Maré Cheia – a sabedoria dos portugueses construiu a cidade de tal maneira que a maré alta cobria as ruas da cidade, lavando-as e levando toda a sujeira para alto mar. Até que um prefeito chegou a conclusão que “Paraty não é nenhuma Veneza”, e então construiu um dique de pedras para acabar com “essa coisa absurda”. A maré continua firme e forte, mas o dito prefeito conseguiu transformar a saudável praia da cidade em um lago de sujeira.

 

A Pescaria – saíamos de canoa tarde da noite de lua cheia para a pesca com anzol. Os peixes eram tantos que o simples toque do remo emitindo sons levava peixes para dentro da canoa. No arrastão de rede na Praia do Sono experimentava as delícias de uma massagem inigualável: deitado na proa da canoa carregada de peixes vivos até a borda.

 

Os Caranguejos – eram a fonte de dinheiro para compra de picolés, marias-moles, bolas de gude, gibis e outras guloseimas mais.

 

E hoje vejo Paraty com seu caráter nuclear ainda presente, intocável, fazendo parte dessa nossa pós-modernidade. Foi lá que encontrei minha companheira de sempre, e em sua homenagem escrevi esses versos:

 

Uma Ode a Sonia amiga

 

Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza.
Você que alegrava meu silencio com seu olhar;
Você que tirava minha solidão com sua presença;
Você que conquistava meu coração com sua coragem;
Você que carregava a tristeza de tantos com sua sabedoria;
Você que iluminava a escuridão de todos com seu pensamento;
Você que diminuía a dor de muitos com sua generosidade;
Você perdeu seu corpo, mas ganhou o olhar de todos nós;
Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza…

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

De faxina

 

Por Maria Lucia Solla

 

Urubu

 

“Não, não sei; e se eu for procurar, eu me perco…” … disse o Secretário de Educação da vez, da cidade de Jandira, no Estado de São Paulo, quando um repórter lhe perguntou por que é que em vez das 700 vagas de creches prometidas pelo prefeito à população, no prazo de um ano, só tinham sido entregues trinta e poucas. O assunto era o prazo de término das obras e inauguração e entrega, à população, das unidades já prontas. Trocando em miúdos, o repórter queria saber que obstáculos tinham impedido que as creches ficassem prontas. E o Secretário disse que não tinha a mínima ideia de quais tinham sido os tais obstáculos e que também não tinha intenção de procurar por eles. A busca da solução seria o foco. Esse papo surreal se deu frente à ira de pais e mães desconsolados por não terem com quem deixar seus filhos para ir trabalhar. Gente boa, como você, como eu. Gente que batalha, a maioria dignamente e com garra. Sabemos como é encontrar um obstáculo desse tamanho e podemos compreender a indignação de pais e mães que fazem a sua parte no remar este barco.

 

Na mesma cidade, no início do ano passado, o ex-secretário de Habitação e Obras de Jandira, o senhor Wanderley de Aquino, foi preso por corrupção e enriquecimento ilícito. Se isso não bastasse, continua sendo o principal suspeito de assassinar o ex-prefeito, o finado senhor Braz Paschoalin. Foi também provado que ele se associou ao crime organizado para desviar dinheiro dos cofres municipais. Quem tem o poder de controlar o descontrole da liberação de verba, de manipular contrato e superfaturar obra pública, de bordar licitação, de usar parente como laranja e pobre coitado como testa de ferro, merece a forca. Que lhe seja confiscado o brioche do café da manhã e do lanchinho da tarde.

 

Me dou conta de que cadeia está cheia de bandido pobre e sem conexão – wi-fi, money-fi ou QI-fi. O lado de fora das grades está repleto de gente da mesmíssima laia da que está do lado de dentro, com a agravante de que aquele que transita do lado de fora teve e tem condição de acessar ferramentas que abrem e inflam a consciência do Homo sapiens. Gente que não usa o verbo ralar, mas o verbo rolar, e seu derivado enrolar.

 

Tem fraude milionária do Oiapoque ao Chuí, tem indústria da seca no Nordeste, investigação fajuta que termina em pizza, vereador e prefeito presos, atentado a escolas. Uma cambada presa, e outra muito maior, solta. Um rolo atrás do outro. Bandidagem sem tamanho; e não só aqui em Terra Brasillis. Isso pipoca pelo mundo, em todas as línguas, sob o jugo de todas as moedas. Às claras, com pompa e circunstância.

 

Me perdoe o personagem da vez, autor da frase que abre este texto, mas assisti à entrevista pela TV, e ele me pareceu perdidaço. Não tem ideia (!) do que se passa na pasta que, ao menos no papel e no holerite, deveria ser cuidada por ele.

 

Quadrilha e político são palavras que têm andado juntas; cada dia mais juntas. Criança ouve falar todo dia de bicheiro, CPI, político, formação de quadrilha, roubalheira à luz de holofotes, câmeras e microfones, e corrupção, como se esses fossem elementos do coletivo Pátria. Os partidos políticos estão partidos.

 

Assassinato em massa, sete corpos degolados e um suspeito, delegados e outros em viagem para para que o suspeito pudesse depor e ser julgado desaparecem numa ceifada só, quando o helicóptero que utilizavam despenca e se despedaça. Tudo muito estranho. Como diria meu neto, muuuuuuuito estranho.

 

Haja água sanitária!

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Um dia de turista no Rio de Janeiro

 

 

Caros amigos,

 

Como muitos de vocês podem perceber, estamos no Rio de Janeiro comemorando o aniversário do maridão – nesta altura ele merece que se dedique muitos dias a festa. Não é a primeira vez que visitamos a cidade, mas, desta vez, fizemos passeio de turista. Viemos com nosso filho em idade gostosa (oito anos), e ele já estudou sobre a colonização do Brasil e, consequentemente, a formação da capital fluminense, o que tornou o passeio mais empolgante.

 

Conferimos a meteorologia e o tempo estava a nosso favor. Deu certo. Um sol agradável para passeios abertos nos aguardava. Depois de nadar, o primeiro desejo foi conhecer de perto o Cristo Redentor. Confesso, no início torci o nariz achando que seria chato, sem graça e cansativo. Me enganei completamente. O que parecia ser difícil ficou fácil, o chato ficou gostoso. E com gosto de quero mais, quero ficar. Ver o Cristo de perto dá uma sensação tão boa. E, perdão pelo clichê, como ficamos pequeninos perto dele.

 

Saímos do hotel e tomamos um táxi até lá. Compramos o ingresso para o trem do Corcovado que nos levaria até o Cristo. Que delícia de passeio. No caminho, lembramos o quanto os escravos trabalharam na construção do trem, na época de Dom Pedro II. Após alguns degraus, chegamos aos pés do Cristo em um lugar muito bem conservado, tudo limpo e organizado. Era sexta-feira e não estava cheio. Movimentado mas não lotado.

 

O tempo passou e não percebemos o quanto ficamos lá curtindo a vista de toda a cidade, de norte a sul. Fiz muitas fotos pensando em vocês e no momento que estávamos vivendo.

 

 

Quando falam que o Rio é a cidade maravilhosa, não exageram. É mesmo.

 

Outro fato interessante foi que almoçamos, lanchamos e jantamos e, em todos os lugares, as pessoas nos receberam com  “sejam  bem-vindos” em inglês. A cidade tem turistas por todos os lados: franceses, americanos, italianos – as mais diferentes línguas. Muito surpreendente a relação deles com a cidade e da cidade com eles.

 

Ouvi de um guia turístico: “faça da sua visita um momento inesquecível”.

 

Fizemos.

 

De Dora Estevam

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ONG acusa empresa de não descontaminar Lixão da Alemoa

 

 

 

O terminal marítimo do Porto de Santos pode estar sendo construído sobre um terreno capaz de provocar uma série de riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. A acusação é feita pela ONG Educa Brasil que questiona o trabalho de descontaminação no antigo Lixão da Alemoa, que por 50 anos serviu para despejo de resíduos da Baixada Santista, ação que teria contaminado aproximadamente 680 mil metros cúbicos de solo. De acordo com a ação civil pública da entidade, as empresas BPT – Brasil Terminal Portuário e Codesp – Companhia Docas do Estado de São Paulo não teriam concluído o trabalho de descontaminação, condição única para que a construção do terminal se realizasse.

 

O advogado Paulo Morais, com quem conversamos no Jornal da CBN, disse que até agora as empresas não apresentaram documentação que comprove a conclusão do serviço. Além disso, o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional não teria sido consultado apesar de a remoção no terreno ser uma operação de risco ao patrimônio devido a existência de riquezas arqueológicas no local (ouça a entrevista aqui). A ONG Educa Brasil entrou com ação civil pública pedindo explicações às empresas envolvidas na operação.

 

Uma curiosidade identificada nas fotos aéreas feitas do terreno do Lixão da Alemoa antes do início do trabalho nas áreas contaminadas (marcadas em amarelo) é a mudança na geografia do terreno que fica na orla de Santos: “a intervenção da empresa mudou o mapa do Brasil”, disse o advogado.

 

Agora o outro lado (publicado às 11h22)

 

A BPT, em entrevista na manhã de hoje no Jornal da CBN (ouça aqui), afirma que o trabalho de descontaminação do terreno foi concluído e não há nenhum risco à saúde das pessoas ou ambiental. O advogado da empresa Marco Antonio Martorelli nega que o Iphan não tenha sido comunicado das operações realizadas no local. À assessoria de imprensa da BPT foi pedido o laudo que comprova as declarações do advogado, mas a informação é que não havia condições de enviá-lo à redação da rádio CBN

Uma lição aprendida de pesquisa …

 

Por Julio Tannus

 

Situação 1:

 

Em fevereiro de 1990, após ter finalizado um projeto de pesquisa, estava preparando-me para atender um compromisso em Paris/França quando recebo uma comunicação urgente de uma empresa norte-americana, cliente da dita pesquisa, solicitando minha presença na matriz, em Detroit/USA, para fazer uma apresentação dos resultados.

 

Argumento que na data solicitada não seria possível atender ao chamado devido ao compromisso já assumido. De imediato recebo a seguinte comunicação: “informe-nos sobre a data de tal compromisso que tomaremos todas as providências para que, após sua apresentação aqui em Detroit, não deixe de atender ao seu compromisso”.

 

Dito e feito, após minha apresentação em Detroit, colocam-me em um voo Detroit-New York, com conexão para Paris. Já em pleno voo, meu olhar se fixa em uma senhora sentada na poltrona um pouco a minha frente. Vejo ela abrir sua bolsa e retirar um cigarro. Fica por um bom tempo martelando o cigarro sobre o polegar. E de repente, acende e dá uma tragada profunda. Imediatamente, qual um gato gigantesco, seu vizinho de poltrona, um “mariner” de quase 2 metros de altura, dá um salto e, agarrando-a pelos ombros, ergue a velha senhora. Imediatamente a tripulação intercede na situação.

 

Algumas horas depois, vejo-me num voo PanAm sentado numa poltrona de primeira classe ao lado de um executivo norte-americano, embarcado originalmente em Los Angeles. Após os drinques, caviares e camarões de praxe, eis que nos servem a refeição principal. E qual não é minha surpresa quando vejo passar na frente de meu nariz um filé atirado pelo tal executivo americano, que aos berros declara a todos que pagou uma fortuna pelo bilhete e não admite comer sola de sapato.

 

Imediatamente atende aos impropérios do empedernido executivo um comissário de bordo solícito que tenta corrigir tal situação. O executivo rechaça qualquer possibilidade de ajustes e imediatamente põe-se a escrever uma carta para o presidente da companhia aérea denunciando o fato e garantindo que ao seu retorno irá entrar com um processo na justiça.

 

O comissário de bordo resigna-se e volta sua atenção para os demais passageiros.

 

Situação 2:

 

Em abril de 1995, um executivo norte-americano, a fim de cumprir um compromisso inadiável em Roma/Itália, embarca em um vôo da Ibéria, Madri-Roma, na primeira classe. Alguns minutos após a decolagem, o comandante da aeronave informa aos passageiros que, devido a problemas técnicos, irá retornar ao aeroporto de Madrid. O executivo, aos berros declara a todos que pagou uma fortuna pelo bilhete e não admite voltar para Madrid.

 

Imediatamente atende aos impropérios do empedernido executivo o próprio comandante da aeronave, que tenta convencê-lo da sabedoria da decisão tomada. O executivo rechaça qualquer possibilidade de ajustes e imediatamente põe-se a escrever uma carta para o presidente da companhia aérea denunciando o fato e garantindo que ao seu retorno irá entrar com um processo na justiça.

 

O comandante resigna-se e volta sua atenção para a aeronave.

 

Então concluo:

 

Se desconfiamos de quem nos presta um serviço, todo imprevisto é um forte argumento para justificar a desconfiança.

 

Se contratamos um especialista de confiança é dele a responsabilidade maior pelas decisões críticas.

 

Nem sempre a rota planejada deve ser seguida a qualquer custo, o imponderável pode estar presente.

 

Mesmo o mais seguro dos meios de transporte pode sofrer desvios no seu percurso.

 

Profissional é aquele que em situações de emergência oferece caminhos alternativos para contorná-las.

 

Diante da irracionalidade exacerbada a melhor forma de contorná-la é ater-se ao racional.

 

Em processos que envolvem tecnologia e ser humano, resignação pode ser a palavra-chave para o encaminhamento de soluções.

 

Contar com o outro como forma de trabalho exige calma, paciência e sabedoria.

 

…O Cliente nem sempre tem razão!

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), e escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: supermercado "recicla" livros

 

 

Uma das grandes redes de supermercados dos Estados Unidos, a Hannaford, criou espaços para a “reciclagem” de livros, nos informa o ouvinte-internauta Batista Neubaner, que acompanha a CBN pela internet, em Lowell, estado de Massachusettes. Os clientes deixam na loja os livros usados que serão depois “vendidos” por valores irrisórios. Algo como dois por U$ 1,00 ou quanto o leitor tiver no bolso para pagar. O dinheiro arrecadado vai para entidades filantrópicas com as quais o supermercado mantém convênio. A cada 15 dias, uma nova entidade é beneficiada. Ideia simples, fácil de ser executada, que abre espaço na estante do leitor e torna a leitura acessível a todos.

De mãe

 

Por Maria Lucia Solla

 

A lua

 

mãe é ser divino
e o somos todos
ou não?
pai filho irmão santo demônio
andarilhos na mesma estrada
entoando cantilena com coração e mente recheados de sentimento ressentimento
desejo sonho
de contradições que se chocam arrastando umas as outras
num pra-lá-e-pra-cá de ficar zonzo

 

na verdade somos só machos e fêmeas
homens mulheres garfos colheres
nada há que nos dignifique
além do amor que se manifesta na compaixão na alegria e na dor

 

estou enganada
ou o emissário de Deus veio mesmo trazer a mensagem
de que a lei dali pra frente seria o amor
e que o resto era descartável
bobagem

 

vivemos no entanto a chorar da dor
dando crédito demais ao desgosto
a recusar o amor que é proposto

 

pois bem
entre homens e mulheres
foi a elas sugerido que carona dessem
pra que outros viessem
e suas lições aqui aprendessem

 

como árvore a mãe dá fruto
num milagre constante
gera fragmento
que quando vinga se torna completo para ser

 

a história da santidade materna não me convence
confesso
pois há pai que merece mais que ela
que cuida do rebento de caderno livro e de panela
relegando a plano inferior o que antes era valor

 

hoje eu
em meio à religião
ao perdão ao ladrão e ao espertalhão
vislumbro só um pecado
o de nos considerarmos só corpo
e deixarmos a alma de lado

 

bem e mal existem
mas não separadamente
como um não conter o outro
só os cegos de plantão nisso ainda insistem

 

assim que hoje em vez de homenagear cada mãe-amada-e-a-não-amada
escolho olhar a criança violada e o pequeno abandonado
seja ele pobre ou abonado

 

quem diz que mãe é santa
mente
quando ontem hoje e amanhã
a menina violada se faz mãe de repente

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung