A saúde das mãos e as unhas caviar

 

Por Dora Estevam

 

 

Um dos assuntos mais comentados em salões, revistas e blogs de moda são as unhas de caviar. A inspiração veio da diretora criativa da Ciaté, marca inglesa da manicure deluxe, Charlotte Knight. Ela quis mostrar um look tridimensional nas capas de revistas e deixar as mãos femininas, ao mesmo tempo, delicadas e extravagantes. No site da marca você encontra todos os apetrechos para montar a sua unha de caviar. Basta ter em mãos: esmalte e micro miçangas. Veja neste vídeo como é a produção:

 

 

Aqui no Brasil quem está fazendo é o Nail Bar Cosmopolish. As donas tratam as unhas como se fossem acessórios de moda. Elas fazem todos os estilos: francesinha, ombré, filha única. Tem serviço atém para quem está com pressa: limpeza e hidratação.

 

No Cosmopolish você vai encontrar cerca de 700 esmaltes entre nacionais e importados. Tudo para facilitar a sua vida, pois procurar esmalte na internet para comprar, às vezes, é perder tempo. Na Ciaté, por exemplo, estes que compõem a caviar estão esgotados. Na Amazon tem os esmaltes e miçangas da Martha Stewart. Fora isso, não sei se já chegou na popular 25 de Março, em SP. Se a correria for grande, melhor ir a um lugar que já tem tudo preparado.

 

Outra mania também em arte de unhas é a colorida Louboutin (solado vermelho) com isso as meninas brincam à vontade. Até a cantora Adele tem usado. Veja na foto.

 

 

Interessante é que nas unhas das outras eu acho bonito, não sei como ficaria na minha. Eu gosto muito de variar cor de esmalte, mas, no quesito decoração, deixo para as meninas e celebridades. O importante é sempre tratar as unhas com cuidados especiais pra ter uma saúde perfeita. Veja os cinco mandamentos da especialista Daniele Honorato, editora do blog Unha Bonita:

 

1 – Cuidarás MUITO bem de suas cutículas

 

Antes de usar qualquer esmalte baphônico o essencial é ter a “moldura do quadro” bem cuidada. As cutículas são aliadas no bom acabamento da manicure e precisam ter atenção especial diariamente. Ainda mais agora com a chegada do inverno, a pele pede muita hidratação e cuidados. Hidrate todos os dias (e várias vezes) suas cutículas e para qualquer sinal de “pelinha” rebelde ou ressecamento, hidratação nelas!

 

2 – Nunca deixarás seu esmalte lascado

 

Não existe coisa pior do que unhas com esmalte lascado. O visual pode estar totalmente fashionista, com o cabelo bonito e peças de roupas elegantes…mas se ao olhar para as mãos e encontrar lascas de esmalte a impressão de desleixo é praticamente imediata. É muito mais bacana tirar todo o esmalte (andar com lencinhos removedores de esmaltes na bolsa é uma ótima pedida!) e deixar as unhas “naked” do que andar com esmalte descascado por aí.

 

3 – Não cortarás as cutículas

 

Cortar as cutículas é um hábito brasileiro e muito prejudicial à saúde das unhas. Além de ser uma porta de entrada à bactérias, a pele da cutícula só tende a crescer cada vez mais toda vez que ela for retirada – sinal esse natural do organismo por entender que a pele necessita de proteção. Portanto, quanto mais você cortar as cutículas, maiores elas ficarão! A dica então é abolir o alicate aos poucos e tirar estritamente a pele morta, bem superficialmente. Durante o processo de abolição, o segredo é hidratar muito e sempre.

 

4 – Usarás apenas removedor sem acetona

 

Muita gente reclama de unhas fracas mas poucas sabem que a acetona é uma das grandes inimigas para o enfraquecimento delas. Usar removedores oleosos e sem a substância é uma ótima mudança de hábito! Além de agredir muito menos, removedores assim não deixam pele e unhas esbranquiçadas..

 

5 – Não tirarás o esmalte com os dentes

 

Levante a mão quem nunca fez isso. O esmalte lascou, não tem removedor por perto e a primeira ferramenta que se tem são os dentes. Puxa aqui, puxa ali e lá se vão lasquinhas por todos os lados…A praticidade do “removedor bucal” é perigosa: quando o esmalte é puxado a unha é descamada causando então enfraquecimento da mesma.

 

Meninas (e meninos que me leem), espero que tenham gostado das novidades. Se você experimentar algumas dessas unhas, escreva nos contando, será um prazer dividir este momento com você.

 

Aproveite bem o Dia das Mães!

 


Dora Estevam é jornalisa e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

416 metros de ciclovia e muitas polêmicas, em Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Cidades que se prezam, especialmente as metrópoles, onde quer que estejam situadas, possuem ciclovias. Em muitas, porém, as existentes não são suficientes para atender a crescente e justa exigência dos que, além de usarem a bicicleta para ir ao trabalho, pedalam por esporte ou, simplesmente, por prazer. Em São Paulo, essas vias expressas, segundo imagino, estão ainda distantes do que seria ideal. Já Porto Alegre faz força para se inscrever entre as capitais brasileiras que oferecem aos ciclistas a segurança de conduzir suas “magrelas” sem medo de que precisem enfrentar veículos motorizados. Aqui – e cito Porto Alegre porque é de onde digito este texto – polêmicas sobre os mais diversos assuntos brotam com frequência e viram, é claro, assunto para a mídia. É o que vem acontecendo com a construção daquele que é apenas o trecho inicial da ciclovia da Avenida Ipiranga, inaugurado nessa segunda-feira. O prefeito José Fortunatti, candidato à reeleição, preferiu dizer que não participava de uma inauguração ,mas da “entrega de um trecho da obra à cidade”. Sem mais delongas,vamos às polêmicas.

 

A primeira ocorreu em novembro de 2011. Beto Albuquerque, secretário estadual de infraestrutura e logística, declarou que a ciclovia, por situar-se debaixo de fios de alta-tensão e em cima de um gasoduto, ao contrário de proporcionar segurança para os seus futuros usuários, traria riscos de vida. A segunda polêmica foi provocada pelo “guard rail” ou, se preferirem, guarda-corpo. A ideia é que fosse feita uma cerca de madeira, criticada por especialistas no assunto e população. Até um concurso entre arquitetos foi, então, criado pela prefeitura. O autor do modelo vencedor foi o arquiteto Rodrigo Troyano. Corria já o mês de janeiro de 2012. Em fevereiro, faltou material para a construção do guarda-corpo mas o atraso provocado por esse fato, apesar de ter adiado a conclusãoa e do trecho, não chegou a virar polêmica. O primeiro módulo do guarda-corpo foi apresentado aos ciclistas no dia l6 de março. Nem todos ficaram satisfeitos com a obra. “Esta é a bicicleta de Tróia e esta ciclovia é um presente de grego”. Leu-se isso numa placa de madeira posta nas proximidades da obra.

 

Era de se acreditar que, com a entrega do primeiro trecho da ciclovia, as polêmicas se encerrariam, mas não foi o que aconteceu com a liberação, para os ciclistas, dos 416 metros que estão à disposição do público. Uma faixa com o texto “Mudar 5x de lado dá tudo errado” foi colocada próximo a uma das avenidas que cortam a ciclovia. O presidente da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre, Pablo Weiss, também questionou a segurança da pista nos cruzamentos com os carros. Ouviu-se ainda reclamações quanto ao uso da ciclovia por pedestres. Esses, sem dúvida, correm risco de atropelamento. Já se viu que somente boas intenções não são suficientes para agradar ciclistas. Eu diria que, apesar dos pesares, inclusive da necessidade da conclusão dos restantes nove quilômetros, as ciclovias da Avenida Ipiranga e a da Avenida Diário de Notícias, com ou sem polêmica, representam um começo, titubeante, é verdade, mas sempre uma esperança de melhores dias para quem pedala.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Inaugurando cemitério

 

Aproveitando-se do aviso feito pelo Mestre de Cerimônia que dispensava os convidados a discursar de fazerem o agradecimento a todas as autoridades presentes, o governador Geraldo Alckmin abriu sua fala, durante evento da Apas 2012, nessa segunda-feira, em São Paulo, com uma piada:

 

“Depois de ouvir o prefeito desperdiçar muito tempo com a nominata de autoridades, o governador da época sugeriu que ele se resumisse a apenas duas saudações, de acordo com o motivo da festa. Se fosse no hospital bastava cumprimentar os médicos e pacientes; na escola, apenas professores e alunos; e para um público muito grande, senhoras e senhoras seriam suficientes. Foi quando o prefeito teve de cumprir agenda na inauguração de um cemitério da cidade e após muito refletir, sem deixar de cumprir a sugestão do excelentíssimo governador, tascou: conterrâneos e subterrâneos”.

 

Geraldo Alckmin garante que não foi Odorico Paraguassu, nosso prefeito de toda sexta-feira na Rádio Sucupira, o autor da gafe.

Foto-ouvinte: carroceiro contra a corrupção

 

Catadores contra a corrupção

 

Uma carroça contra a corrupção, do criativo grafiteiro Mundano, fundador do Movimento Pimp My Carroça, ligado aos catadores, disputou com as apresentações da Virada Cultural a atenção das pessoas que compareceram na festa no Vale do Anhangabaú. Frases como “Reciclem os corruptos” e “Se político corrupto fosse reciclável valeria menos do que papelão” estavam escritas no carroção.” – texto e foto de Devanir Amâncio

De arte

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

é o representante do povo
um indivíduo legal
é ele que escolhe a rota
ou sou eu que norteio
a ausência do meu sonho
pelo seu desmando

 

penso no que conheço
e naquilo que desconheço
e me vem de pensar no crime e na justiça social
na escolha e no escolhido
e me vem de chorar
de fatos tristes lembrar
sem compreender
encolhida tolhida sofrida
pelo  homem que rapina e o que é rapinado
o que assassina e o que é assassinado
pelo agressor e o agredido
que vivem nas margens virtuais e opostas do mesmo rio
afogados e estufados de razão
altivos nocivos agressivos
mumificados

 

na cena da tv
vejo o bandido que é triste de ver
feio na minha visão
que na sua não-aceitação
do que considera oposto 
me leva a retroceder

 

e retrocedendo percebo
que o que não gosto nele
é o que não gosto e reprimo em mim

 

no tempo em que bando se armava
de palavra lápis e papel
era o estado reconhecido
a banda aceita por quem lhe era fiel
que trucidava e escondia no porão
onde jazia o dito ilegal
que acabava morto 
por valoroso federal

 

tudo meio legal
valendo
e acontecendo
em dia de trabalho e no Natal
um sem-fim de ossada
enterrada na surdina
e haja família destroçada

 

hoje é ainda
o colarinho branco meio legal
que prepara o mingau indigesto
é a banda podre e marginal
que atiro sem dó no lixo
como se podre fosse mesmo o que é
apagando do meu pensamento
o que quero e desconsidero

 

não é arma nem repressão
inconformismo
e muito menos agressão
que vão resolver nossa situação

 

na verdade considero
a arte e não a dor
o poder civilizador
e não sou eu quem o digo
mas o francisco que me disse que quem disse
foi Oscar o Wilde
e eu que nada sou
os bendigo.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Circuito fashion RJ-SP

 

Por Dora Estevam

 

O mundo fashion brasileiro está agitado este mês de maio com três poderosos eventos, dos quais dois anunciam parte da moda praia do verão 2013.

 

Por ordem de data: dia 12, às 22h, o evento que vai parar a Ponte Estaiada e transformá-la em uma grande passarela de moda é o Elle Summer Preview. Oito marcas de moda praia vão se reunir e apresentar um preview das coleções de verão na passarela montada na Ponte. Anote as marcas: Blue Man; Cia. Marítima; Água de Coco; Adriana Degreas; Lenny; Movimento; Salinas e Triya.

 

Veja na foto como ficará o grande e encantador cenário:

 

 

Uma notícia boa para quem não poderá estar lá – até mesmo porque é um evento fechado, com entrada somente para convidados. A Revista Elle vai transmitir a partir das 22h30 os desfiles através da internet no portal MODASPOT e também em shoppings, hotéis e toda a rede Pão de Açúcar da cidade de São Paulo, via rede Elemídia.

 

Agora vamos falar do 3º Seminário de Moda da Folha que vem como o tema Construindo Marcas de Sucesso na Moda, no qual os participantes vão conhecer a trajetória de sucesso de marcas nacionais famosas e importantes para o crescimento da moda e comércio do Brasil. Está agendado e confirmado para os dias 16 e 17 de maio, em SP. Veja a lista dos palestrantes confirmados: Ricardo Almeida, Cris Barros, Cavalera, Lino Villaventura, Mandi, Christian Dior, Mandi, Hope e Gant. Reveja desfiles de algumas marcas:

 

Cris Barros

 

 

Ricardo Almeida

 

 

Encerrando a maratona fashion, já está tudo certo para o Fashion Rio 2013, edição de verão, os desfiles serão no Jockey Club, na Gávea, pois o lugar de costume o Pier de Mauá foi cedido para a Conferência da ONU, a Rio+20, que fala sobre Desenvolvimento Sustentável.

 

Marcas conhecidas como Totem, Blue Man, Leny, Salinas e Triya voltam com suas coleções nesta edilçao, depois de terem pulado uma, e, entre as novidades já estão confirmadas as marcas Sacada e Oh, Boy!. O clima entre as SPFWs está ficando melhor ao ponto de as marcas Cia Marítima e Poko Pano, originalmente participantes da semana de moda paulista, agora vão desfilar no Rio.

 

A novidade faz parte de um bom relacionamento do Presidente da SPFW, Paulo Borges, de posicionar marcas de praia no estilo carioca. Assim como tem marca que entra tem marca que sai também, caso das Printing, Walter Rodrigues, Giulia Borges, Acquastudio e Bianca Marques. Abaixo o line up dos desfiles:

 

 

Estarei lá anotando e fotografando tudo para contar aqui todas as novidades do verão 2013.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

De download e update

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá,

 

todos os meus corpos, seguindo a linha eletrônica dos tempos modernos, passam navegando na dispensa do plano expandido em que estamos vivendo, buscando novos programas e atualizações. É um tal de escolher, baixar e atualizar, sem trégua. Na sequência de um download bem sucedido, quando há boa conexão, vem o procurar saber exatamente para o que serve, entender o funcionamento, experimentar, experimentar e, comprovada a afinação entre o programa, minha plataforma e a real necessidade de sua aplicação, começar o treinamento. Acerto e erro, inevitáveis, dão um empurrãozinho na compreensão. Treinamento leva a aproveitar cada característica, e por fim vem a escolha dos feijões: este fica, este vai. Deleta daqui, instala dali e vou me acostumando, rejeitando, esperneando cada vez menos e aproveitando cada vez mais.

 

Tempos difíceis estes. O processo exige atenção, flexibilidade, disponibilidade e principalmente mansidão. Nada de atirar o computador no lago se a gente se embreta. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito…” e não me canso de citar um dos meus filósofos favoritos, o Lulu Santos.

 

Fico matutando na quietude e imobilidade da cadeira no meu terraço, olhando os passarinhos que vêm reivindicar bananas ou apenas cantar bom dia, ou no ritmo do que se apresenta ao longo do dia:  lavando a louça, inventando uma receita gostosa para o almoço, com o que encontro na geladeira, ajeitando a cama de manhã para o quarto ficar semi-apresentável para mim mesma, dando aulas, indo daqui para lá, escrevendo,  limpando, lendo, estudando, preparando um café com cheirinho de afeto para alguém que amo; e matuto. Será que são os tempos que mudam? Não faz sentido. Acredito que quem muda somos nós. Cada um no seu ritmo, na velocidade que consegue desenvolver sem dar com as guampas no poste e principalmente segundo o seu impulso. Não adianta estrebuchar tentando instalar um programa no outro. A coisa é pessoal. Ou a gente faz ou não faz. E se faz, e quando faz, aí sim pode, não intencionalmente, influenciar o outro a matutar também e, se for o caso, entrar na dança e começar a escolher os seus programas, baixar ou não, experimentar ou não. Mas, definitivamente é cada um por si e Deus por todos, apesar de que a união também faz a força muitas vezes, mas não sempre.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Crimes ambientais de abril

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Enchente em Camburiu - SC

 

A Câmara Municipal de Embu das Artes em São Paulo, e o Governo do Estado de São Paulo aprovaram atos futuros que se transformarão em crimes ambientais dignos de “serials killers” dos mais inconsequentes sob a ótica ambientalista. Nas pessoas de personagens nem tanto conhecidas como o presidente da Câmara de Embu, o vereador PT Silvino Bonfim, e onze de seus 12 colegas, ou da figura deveras notória do governador Geraldo Alckmin PSDB SP.

 

E, hoje, a probabilidade de se agregar pelas mãos do deputado PMDB MG Paulo Piau um terceiro crime, pois o nobre membro do poder legislativo federal mudou o texto do Código Florestal vindo do Senado.

 

Os Corredores Industriais de Embu, o Minhocão do Morumbi e a anistia aos desmatadores, infratores de beira de rio, têm em comum, além do crime ambiental, a evidência de que independentemente da autoridade local, estadual ou federal, há sempre o risco de decisões descredenciadas para exercer o poder sobre as riquezas naturais.

 

Assistimos aos governos dos estados da Amazônia preconizando atividades econômicas em áreas preservadas. Governos municipais em áreas urbanas priorizando os que passam em detrimento aos que moram. Quem vive em Embu não pensa no clima de São Paulo. Quem governa São Paulo não pensa nos residentes e privilegia as obras como fim em si mesmo, com orientação pessoal à política futura. Quem legisla em Brasília pensa talvez antes de tudo na equação política, bem traduzida na célebre determinação do “é dando que se recebe”.

 

Enquanto estas interferências predatórias aos biomas naturais estiverem crescentemente acionadas, a solução só virá diante da implosão do sistema. Com variações climáticas insuportáveis. Ou tal como deverá em breve acontecer no trânsito de boa parte das capitais brasileiras: ruas transformadas em gigantescos estacionamentos e sujeitas a monumentais enchentes. Com ou sem “cachoeiras”. Prato cheio para cineastas como Steven Spielberg ou James Cameron.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Pesquisas: instrumentos perfeitos, fins vagos

 

Por Julio Tannus

 

Parece que em matéria de Pesquisa de Opinião a máxima atribuída a Einstein para caracterizar nossos dias não se aplica nem em sua primeira parte. O que temos visto nos processos eleitorais aos olhos de políticos, imprensa e alguns segmentos de nossa sociedade, é uma derrota das “prévias” eleitorais frente a alguns resultados observados.

 

Coloco dois aspectos que merecem reparo antes que nos defrontemos com situações similares. Em primeiro lugar a importância de se preservar a incolumidade da pesquisa enquanto instrumento de informação dos eleitores, a quem afinal mais diretamente diz respeito. A opinião pública brasileira tem uma longa tradição de servir como “massa de manobras”. É tradição em nosso país falar-se em nome do povo, de tomar decisões para o “bem de todos e felicidade geral da nação”. Entretanto, o que não é tradição em nosso país é passar para a Opinião Pública o que ela é, o que ela pensa, o que deseja, qual sua reação enquanto indivíduo constitutivo da coletividade. Neste sentido, pode-se observar uma leve mudança nesses últimos anos com a publicação crescente de resultados de pesquisa via grande imprensa.

 

E é aqui precisamente um dos pontos que merece reparo. O bombardeio, resultante de interesses múltiplos, do instrumental de pesquisa inviabiliza a constituição de um dos poucos espelhos capaz de refletir a Opinião Pública a si mesma, sua imagem e semelhança. Assim, cabe aos pesquisadores e aqueles envolvidos com o processo de divulgação a responsabilidade de, enquanto profissionais, cuidar para que a utilização do instrumental e as comunicações decorrentes se façam dentro das técnicas e normas que regulam seus usos; contribuindo efetivamente como um instrumento a mais para o aprimoramento da democracia no país. Dentro deste contexto, é importante observar que atualmente a maioria das pesquisas eleitorais utilizam amostras por cota ao invés de amostras probabilísticas, e estranhamente, contrariando os cânones das técnicas de amostragem, publicam a margem de erro. Ora, por não se tratar de uma amostra probabilística, não faz nenhum sentido científico calcular e raciocinar levando-se em conta o erro amostral.

 

Outro aspecto à consideração diz respeito à questão das “prévias” eleitorais. Lembro-me que por ocasião das eleições municipais na cidade de São Paulo, em um passado não muito distante, quando as pesquisas indicavam uma estreita diferença entre Fernando Henrique e Jânio Quadros, li um texto escrito em 1896 (século XIX!) por Gustave LeBon – “The Crowd” – que dizia algo assim “sejam quais forem os indivíduos componentes, sejam ou não semelhantes seu modo de vida, suas ocupações, seu caráter ou sua inteligência, o fato de terem sido transformados em multidão confere-lhes a posse de uma espécie de cérebro coletivo, que os faz sentir, pensar e agir de modo completamente diverso do que cada um dos indivíduos sentiria, pensaria ou agiria em um estado de isolamento. Há certas idéias e sentimentos que não surgem e não se transformam em atos exceto no caso de indivíduos formarem uma multidão…”. Evidentemente que o fenômeno multidão aqui considerado pelo autor refere-se a situação de aglomeração com a presença física dos indivíduos. Contudo, não é de todo descartável, por um lado, a aglomeração imaginária constituída a partir do espelho mencionado anteriormente. Além disso, o ato de sair à rua, afora o aspecto ritualístico que possa ser considerado e as implicações culturais de que nos fala Roberto DaMatta em seu “A Casa e a Rua”, efetivamente introduz um caráter de multidão. É esse caráter que descarta a idéia absoluta de prévia na pesquisa eleitoral (no meu entendimento, o termo correto a ser empregado no caso é “Pesquisa de Intenção de Voto” e não “Prévia Eleitoral”), pois não se pode antecipar algo que ainda não se constituiu.

 

Em ambas as situações, fica evidenciada a função da pesquisa eleitoral não como uma ação que visa antecipar resultados, mas seu caráter de balizamento para a Opinião Pública , permitindo o acompanhamento pelo seu principal ator do processo, que é o cidadão. Neste balizamento, espelho no qual a cidadania vai reconhecer os seus desejos e anseios, fica estabelecida uma forma de participação onde a identificação da população com as várias tendências políticas pode permitir o livre jogo democrático das eleições.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve, às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Monotrilho será novo Minhocão, mas tudo muito “moderno”

 

Vista do Minhocão

 

Compradores de apartamentos surpreendidos, donos de casas assustados e proprietários de comércios desapontados foi o que o início das obras do Monotrilho da Linha 17-Ouro, do Metrô, na zona Sul de São Paulo, provocou, como se constata em reportagem de domingo, no caderno Cotidiano, da Folha de São Paulo. Com o título “Monotrilho deve gerar efeito ‘minhocão’ na vizinhança” não há dúvidas sobre o que o repórter Eduardo Geraque tenta chamar atenção. Quem conhece o centro de São Paulo e a degradação que o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão, provocou na região sabe bem o risco que se corre. Êpa, pera aí ! Na nota que o Metrô enviou para o jornalista, lê-se explicações tranquilizadoras. A começar pela tecnologia que vai ser usada no monotrilho, moderna, com trens silenciosos e sistema de escurecimento dos vidros dos vagões – assim, o morador do terceiro andar, não deve ter medo de ser visto saindo do banheiro de toalha -pensei eu, imediatamente. Mais adiante, no texto, um morador, também usando o “moderno” como consolo, diz que ouviu falar que será feito até um bulevar por isso vê com bons olhos a obra. Os nóias que tomam às margens do riacho da Avenida Roberto Marinho – e não aparecem na reportagem – devem estar batendo palmas, também. Ganharão, até 2014, excelente área de diversão, segura e protegida das intempéries para o livre consumo de drogas. Terão direito a abrigo e espaço privilegiado para dormirem, encostados nas pilastras da construção, como já acontece no Minhocão original que, quem diria, se transformou em fonte inspiradora de engenheiros do Metrô paulista. Mas, claro, bem mais moderno.