Os meus carros e algumas transgressões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Promessa é dívida. Se alguém leu o texto que produzi, na semana passada, postado na última quinta-feira,dependendo da idade do leitor,talvez nunca tenha visto, nas ruas de Porto Alegre,o carro francês que ilustrou o que escrevi. Tratava-se de um Citröen,novinho em folha,com o qual os meus pais,para minha surpresa, foram visitar-me no Colégio São Tiago, em Farroupilha,onde estava internado. Eu estudava em uma escola marista,em Porto Alegre. Essa,no meio do ano, costumava dar apenas quinze dias de férias aos seus alunos, coisa que me irritou e levou-me a concordar em ser internado. Seja lá como tenha sido, arrependimento à parte, tive o meu primeiro contato com o automóvel novo do meu pai no São Tiago. Fui e voltei nele de casa para a escola e vice-versa.

 

Todas as vezes que ia para casa por pouco tempo, na hora de retornar à escola eu sempre criava um caso. O seu Aldo,meu pai.descobriu um modo de me levar para Farroupilha sem choradeira:me deixava dirigir o Citroën.

 

Não se espantem: eu sentava bem perto dele,o suficiente para que pudesse lidar com a direção. Depois de um ano e meio,voltei para casa. Aos poucos,o meu pai foi me deixando controlar o acelerador, depois, passar para o lugar dele,eu no lado esquerdo,ele, como carona,no direito. Aos domingos,consegui tomar conta do carro com a desculpa de que iria apenas até a Igreja do Sagrado Coração de Jesus para assistir à missa. Se o seu Aldo soubesse que eu ia para a Carlos Gomes correr com o Citroën de uma ponta à outra, ida e volta,não acreditaria.

 

Sempre passava pela igreja no fim da missa para não gerar desconfiança ao meu pai. Em um certo domingo,vi uma vizinha saindo da missa e resolvi lhe dar carona. Vai daí que, ao abordar o último cruzamento antes da minha casa,um táxi, cuja marca não lembro,mas um carro bem forte,bateu no para-lama traseiro do Citroën. Quando parei em casa,papai estava na porta. Precisei mostrar-lhe o estrago,que não chegou a ser grande,mas… O meu pai me deixou um bom tempo sem o “francesinho”,como eu havia apelidado o nosso carro.

 

Na ocasião, eu ainda não possuía carteira de motorista porque estava somente me aproximando dos dezoito anos. A primeira providência que tomei ao completar a maioridade foi pedir ao papai que me emprestasse o Citroën a fim de que eu pudesse ir até o Palácio da Polícia. Em uma de suas dependências os candidatos a tirar carteira de motorista mostravam se estavam aptos para dirigir um veículo.

 

Não se espantem,novamente: ninguém me acompanhou,coisa que tive de fazer quando os meus filhos prestaram exame de sinais e mostraram que sabiam dirigir. Um guarda aproximou-se de mim e mandou que eu entrasse no Citroën. Obedeci e ele me ordenou que desse uma volta na quadra ou algo assim,não lembro bem. Recordo-me –isso jamais esquecerei– que após rodar muito pouco, o inspetor tirou do bolso um livreto no qual estavam impressos os sinais de trânsito. Pensei:agora,ficarei sabendo se passei no exame ou rodei. O policial civil, calmamente, passou o livreto às minhas mãos,disse-me quanto esse custava e me encaminhou para um gabinete em que a minha carteira estava prontinha para ser usada.

 

Faz algum tempo,quem pretendia seguir dirigindo,era obrigado a fazer um exame, proposto em um computador,visando a saber se continuava apto para ter sua carta aprovada.Sofri mais nesta do que no meu primeiro exame.E saibam que me exercitei muito para não cometer erros fatais.

 

Volto ao Citroën para recordar que o “francesinho” morou vinte anos na casa paterna. Já casado e pai de três filhos,comprei-o do avô deles em módicas prestações e levei o automóvel para pintar e recuperar a parte mecânica. O meu pai nunca decidiu dar a segunda mão na pintura opaca com a qual ele desembarcou e foi direto para a revenda de um “cavalheiro” que ficou de pintar o Citroën com o preto brilhante. Seria a sua tinta original,não fosse o fato de o Snizek, essa a revenda Citroën e esse o sobrenome do empresário, “esquecer” da pintura capaz de deixar o automóvel bem mais bonito. Seja lá como tenha sido,após o “tratamento” que deram na oficina especializada em chapeamento e pintura, deixei-o em uma oficina especializada em radiadores. Rodei mais um pouco com o carro e tive de parar na Rua Washington Luiz: abri o capô e o automóvel foi coberto pela fumaça provocada pelo excessivo calor do motor. O seu Aristides, mecânico, que era nosso vizinho e onde eu guardava o Citroën,deu um jeito visando a minimizar o estrago sofrido pela máquina.

 

Só então,após ter perdido a paciência com o já velhote “francesinho” e seus muitos percalços,pus o Citroën à venda. Um dos técnicos da Rádio Guaíba e meu colega,resolveu comprar o automóvel,mesmo sabendo que seria arriscado. Não me perguntem por quanto o vendi. Nessa altura,o meu pai já havia concordado em comprar um Volks novinho em folha. As trocas por Volks zero quilômetros foi quase anual. O seu Aldo Jung dirigiu automóvel até perder a confiança em si próprio. Ah,desulpem-me: ia esquecendo que, se não estou enganado,a cada ano ou pouco mais do que isso,o meu pai comprava um Volks novo e eu ficava com os que, agora, são chamados de seminovos.

 

Antes,porém,dessas rápidas trocas de um Volks por outro Volks e assim por diante,Pedro Pereira,que aprovei na condição de chefe dos locutores da Rádio Metrópole e,mais tarde,facilitei o seu ingresso na Guaíba,depois que ele trabalhou na Difusora,levou-me à Copagra,onde achei um Gordini que me agradou e o qual comprei. Fiquei com esse carrinho por um tempo razoável e não me arrependi. Era valente e me serviu direitinho.

 

Tenho mais assuntos sobre carros novos e usados,mas vou pedir ao Mílton,comandante deste blog,que me dê um descanso (risos). Vou,com Malena,ver o que o homem que está assumindo a Presidência da Argentina e que já deu um trato em Buenos Aires,quando foi prefeito da Capital,fará para o seu país. Gostei de saber que,antes mesmo de comandar o seu país,não vai aceitar que a Venezuela continue fazendo parte do Mercosul,algo sem nenhum sentido,principalmente por ser governado por um ditador.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Os carros de meu pai e algumas transgressões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Meu pai teve automóveis mesmo antes de eu me conhecer por gente.O primeiro dos quatro carros que ele adquiriu foi um DKW.Que eu saiba, arriscou-se a dirigir sem haver chegado a tirar carteira de motorista. Na época em que ele estreou na direção, o número de automóveis era bem menor e,segundo imaginei,somente se papai não tivesse sorte ao cometer a transgressão de trânsito, seria parado por um policial. Não tenho ideia,porque estava com menos de cinco anos quando tomei conhecimento desse episódio, do que moveu o meu velho a “desafiar” a lei. O seu Romualdo Alcides,nome que lhe deram os seus pais e que era por ele odiado,tanto que logo passou a ser reconhecido por seu Aldo, faço questão de dizer, era um homem que não cometia irregularidades. Apenas cheguei a conhecer o DKW porque o meu pai possuía uma Agfa,excelente máquina fotográfica alemã,que guardaria para a posteridade ótimas fotos da minha família. Muito mexi nela,mas nunca me atrevi a usá-la. Era guardada a sete chaves,num armário cheio de livros,alguns deles rigorosamente proibidos para alguém que era visto como criança. A máquina fotográfica durou,na família Jung,bem mais do que o DKW. Esse perdeu a vez quando foi vencido por uma lomba de barro vermelho,que eram muitas naquele tempo,em Porto Alegre, Hoje,nem consigo adivinhar onde se situavam. Quem conheceu a capital do Rio Grande do Sul na mesma época em que nasci – 1935 – talvez consiga se lembrar das lombas que se transformaram em bairros.

 

Minha irmã nasceu quatro anos depois de mim – 1939 -, ao mesmo tempo,mais ou menos,o seu Aldo comprou um flamante Chevrolet,zero quilômetro. Possuo fotos tiradas por meu pai, da minha irmã rechonchudinha,sentada no capô do carro paterno, novinho em folha,e eu ao lado do automóvel. A Segunda Grande Guerra começou quando Mirian mal tinha nascido. O Chevrolet,como todos os veículos automotores,não poderia circular pela cidade tendo gasolina como combustível. A guerra cortou esse “barato”:quem quisesse rodar tinha de se valer do gasogênio. Tal combustível necessitava de uma ventoinha para que começasse a funcionar. No frio,era um horror: a geringonça não tinha pressa. E,ainda por cima,não era bem-vinda pelos veículos motorizados. O meu pai se negou a usar gasogênio em um carro recém importado dos Estados Unidos. O coitado foi posto sobre cavaletes mirins e,com alguma frequência,punha-se para virar o motor à gasolina. Em 1945 a Segunda Grande Guerra terminou.

 

Não sei quem inventou que os automóveis pudessem ser vendidos pelos americanos por bons preços. Não era verdade. O seu Aldo,que havia vendido o Chevrolet e pensava comprar um carro dos Estados Unidos,não sei por qual razão,voltou-se para o mercado automobilístico francês. Vai daí, que comprou um Citroën do ano, ou seja,1947. Eu estava no Colégio São Tiago,internado e,em consequência,revoltado. Somente na Páscoa era permitido que eu visitasse meus pais e meu irmão e a irmã. A decisão de me manter,mesmo na Páscoa,em Farroupilha,sede do internato,foi tão mal recebida por mim,que os meus pais decidiram rever a situação.

 

Dali para a frente,sempre que eu tivesse de retornar ao colégio depois de algum volta à casa paterna,era levado de Citroën. O meu pai – não pensem mal dele porque os tempos eram outros – me dava a direção do carro. Para tanto,tinha de ficar no meio dos bancos e assumir a direção do carro. Depois disso,comigo já de volta a Porto Alegre,sempre que se viajava para cidades próximas,eu dominava um pouco mais o “francesinho”. Isso durou algum tempo,mas,bem antes dos 18 anos,mesmo que sempre acompanhado pelo pai,eu dirigia o Citroën. Fico por aqui porque restaram mais episódios nos quais os carros paternos – uma série de Fuscas – tiveram de me aturar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Lei combate desmanche ilegal de peças no Rio Grande do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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“Autopeças sem procedência serão destruídas como sucatas”

Esta manchete de Zero Hora,com certeza,mesmo sem ser absolutamente tranquilizante para os motoristas gaúchos, eu entre eles, permite que vejamos mais do que apenas uma luz no fim do túnel:a Assembleia aprovou projeto de lei visando combater desmanches,o que,até agora,facilitava o furto e o roubo de veículos no nosso Rio Grande Amado. O Governador do Estado, José Ivo Sartori,deve,sem tardar,regulamentar e sancionar a lei que,a meu juízo,diminuirá, consideravelmente,os atraentes desmanches.

 

Corríamos constante perigo com essa prática nefasta da bandidagem. Roubos e furtos levavam os transgressores,inclusive,ao latrocínio,bastando que os motoristas resistissem quando assaltados,especialmente nas ruas com semáfaros ou se aproveitando do descuido de quem dirige nesta cidade e,como não,nas interioranas,nas quais o policiamento é precário,problema que afeta,principalmente,os municípios mais pequenos.

 

O número dos veículos desmanchados é assustador,segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito. 210 empresas estão em processo de regularização a fim de que possam desmanchar veículos sem infringir a lei. Passarão a ser conhecidas como Centros de Desmanche Veicular. Por enquanto,existem,no mínimo,cerca de 1,3 mil estabelecimentos ilegais no Rio Grande do Sul. É fácil imaginar-se quantas peças são negociadas por ferros-velhos e muitos que fazem clonagens completas. Em sua matéria sobre desmanches,José Luís Costa,repórter de Zero Hora,escreve que é comum o assassinato de motoristas. Em média,98 veículos caem nas mãos de ladrões,no Estado. Isso por dia,o que chama a atenção para o perigo que corremos ao dirigir. Havia até uma gangue especilizada no roubo de carros esportivos.

 

Para que a nova lei dos desmanches entre em vigor basta regulamentar alguns pontos do projeto,repito,sancionado por Sartori e
aprovação da Assembléia Legislativa.

 

Espero que todos nós possamos,finalmente,dirigir um carro sem ter de enfrentar os problemas criados pelos caras que se dedicaram até agora a encher os seus ferros-velhos e oficinas de veículos roubados para os entregar aos safados que os desmancham.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

 

A foto deste post é do álbum de ClicPhoto Studio, no Flickr, e segue as recomendações de criação comum

Bem feito para quem insiste com essa tal “terceira idade”

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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“Não existe terceira idade. Idade é algo contínuo”.

 

Surgiu,finalmente,uma pessoa que foi capaz de proclamar, alto e bom som,que a mania que os mais jovens têm de considerar quem atinge determinada idade ter chegado à terceira de sua vida é um erro. A frase que reproduzi na abertura deste texto foi pronunciada por um médico cuja competência para falar – e tratar,como não? – de um assunto sobre o qual é um dos maiores,senão o maior dentre todos os especialistas no seu ramo – a geriatria – é incontestável.

 

Chamou-me a atenção a manchete de Zero Hora que encaminhou a entrevista de Luisa Martins com o Professor Yukio Moriguchi. É uma pena,mas este cidadão nascido no Japão faz 89 anos, vai se aposentar após formar centenas de médicos e revolucionar a especialidade que tornou o seu nome famoso no Brasil e no mundo.

 

O reitor da PUC,na qual o médico lecionou durante 45 anos e considerava a sua segunda casa, o irmão Joaquim Cortet, anuncia que Moriguchi receberá, durante o 16º Simpósio Internacional de Geriatria e Gerontologia, o título de Professor Emérito. Esta é a maior honraria acadêmica fornecida aos professores aposentados que atingiram alto grau de projeção em sua atividade.

 

“Se Deus me desse uma segunda chance de nascer, eu iria escolher ser professor de novo”. Doutor Moriguchi, autor também dessa frase, acorda às 4h30min para preparar aulas e revisar o conteúdo de suas palestras.Não esquece de sua mulher Lia,para a qual deixa sobre a mesa um copo de chá gelado. Ela,que acorda às 8h, quando o Professor já se encontra no seu consultório.

 

Aos seus pacientes, ele pergunta, antes de mais nada,”em que pode ajudar”. Eu lhe perguntaria,mesmo sem ter sido um de seus pacientes, por que motivo os mais jovens tacham os mais velhos de uma coisa que para Moriguchi não existe,isto é,a “terceira idade”.

 

Bem feito para quem teima em usar,como se fosse um elogio, esta maldita expressão!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O padre que morreu no altar

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Faz muito tempo que este que lhes escreve começou a bancar o radialista. Sim, bancar, porque os fones da galena do meu avô ,o seu Adolfo, surpreendentemente, enfiados na entrada do toca-discos do Wells, rádio que o meu pai importou dos Estados Unidos, produziram o que eu imaginava pudesse ocorrer: viraram microfone e até que tinham um som bem mais forte do que era esperado. Da descoberta da utilidade deles à primeira narração de um jogo de botões feita por mim.

 

Eu estava longe de ser o que pretendia: trabalhar como locutor de rádio. Já contei essa história e, se ela foi lida por alguém, me perdoem: a Rádio Canoas (que nunca fez jus ao nome do município que deveria ser a sua sede) buscava locutores. Alistei-me aos que fizeram teste e, para minha surpresa, fui aprovado.

 

Já havia passado pela Voz Alegre da Colina, um serviço de alto-falantes que era usado nas quermesses que visavam obter o suficiente para iniciar uma igreja, cujo nome já se sabia: Igreja do Sagrado Coração de Jesus.Em uma das quermesses comecei a namorar aquela que seria minha mulher. A igreja demorou, mas o trabalho dos paroquianos e do Padre João Mascarello, seu primeiro vigário, permitiu o seu crescimento. O tempo passou, casei com Ruth e saímos das casas paternas para morar no Menino Deus. Minha primeira mulher faleceu e fui morar na Assunção com Maria Helena.

 

Chamou-me a atenção encontrar uma Igrejinha que tinha o mesmo nome do seu padroeiro, isto é, Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Imaginava que não pudessem existir duas paróquias com o mesmo nome. Mas não havia nada que proibisse isso.Localizada no alto da Rua Padre Reus, com uma pracinha com poucas árvores e um pároco que, logo descobri, ficava na porta da Igreja à espera dos que chegavam para assistir a uma das tantas missas dominicais.

 

Nunca vou esquecer a solidão enfrentada por José Werle (só agora fiquei sabendo seu sobrenome),que trabalhou sozinho e, mesmo assim,estava se esforçando para terminar uma casa, que serviria para reunir crianças nas catequeses e para outras finalidades. Padre José não se queixava da falta de um padre que o ajudasse de maneira permanente. O Padre enfrentou problemas de saúde,nada, porém, que lhe tirasse o ânimo.

 

Nesse domingo, 25 de outubro,na missa das vinte horas, que transcorria normalmente e estava quase terminando, Padre José,que tinha por hábito fazer uma pausa e, após,convidar os paroquianos para rezar mais um pouco, ergueu-se e não conseguiu iniciar aquela que seria a sua última oração: caiu,inconsciente no altar, mas,embora socorrido por dois médicos que assistiam à sua missa, não resistiu e morreu. O Padre José, que estava satisfeito por ver a sua Igreja lotada de paroquianos,com certeza, me arrisco a dizer, teve a morte que havia pedido a Deus. Será muito difícil o substituírem. Ele era um verdadeiro “herói de Cristo”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Um olhar sequer sobre os flagelados no RS e muitas pedaladas por aí

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Nada do que a Presidente Dilma faz ou deixa de fazer me surpreende. Li, por exemplo, que ela visitou mais uma vez Porto Alegre, onde sua família mora,mas não pôs os olhos, do alto de um helicóptero ou avião, nos desgraçados da sorte: os que viram suas casas ruirem e perderam todos os seus parcos pertences com as enchentes.

 

Os gaúchos flagelados, que vêm sofrendo com a subida das águas, que exigiram a colocação de sacos e sacos de areia nas comportas do porto para evitar que o Rio Jacuí despejasse as suas águas no Guaíba, e outras pessoas menos prejudicadas pelo mau tempo, mas que também sofrem com a falta de energia elétrica em suas residências, pelo jeito, não mereceram um rápido olhar,mesmo que não sejam conterrâneos da Presidente.

 

Creio que a nossa gente não tem razão alguma para gostar de uma autoridade que, nesta altura,não deve ter adeptos por essas bandas.

 

Não bastasse o descaso presidencial com as pessoas que estão enfrentando todas as espécies de sofrimentos no Rio Grande do Sul, levei um susto ao ler a manchete postada por Zero Hora em suas páginas 6 e 7: ”PEDALADAS EM OBRAS FEDERAIS”.Trabalhos que estavam em andamento pararam ou tiveram o ritmo reduzido em razão da falta de recursos. Prazos de entrega estão sujeitos a estourar, por exemplo,como o da segunda ponte do Guaíba. Já estávamos acostumados com esses problemas. Existe, porém, outro mais doloroso: o desemprego em massa.

 

A matéria de Zero Hora refere-se à situação caótica que foi criada pelas “pedaladas” presidenciais. Dona Dilma está mais preocupada com a aprovação da CPMF, imposto que, no entendimento da Presidente, vai “salvar a pátria”. Pedala, Dilma, pedala. Não vou citar quantas mais ela dará,além das que já deu.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O rádio em que narrei meus jogos de botão

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Em sua última Avalanche Tricolor antes do recesso do futebol dos clubes – o que mais me agrada,diga-se de passagem – o Mílton filho me surpreendeu quando, no seu blog,a foto que ele usou me despertou o tipo de saudade que vai e que vem e, mesmo às vezes tardando, ressurge na minha mente. Ocorre que ele colocou uma foto de seus velhos botões,inclusive com o rosto do Danrlei em um deles.

 

Para quem não leu a Avalanche que me trouxe boas lembranças,explico que os “jogadores” eram azuis e o Mílton,no seu texto,escreveu que eles deveriam estar em algum lugar entre Porto Alegre e São Paulo. Disse-lhe que estavam comigo,guardados há não sei quantos anos. Valeu a pena o meu zelo não apenas com esses botões azuis,mas com todos os demais,guardados com carinhoso cuidado em uma caixa de sapatos,na companhia das goleiras,essas roídas e cansadas de tanto esperar por Danrlei.

 

O meu passado com botões é bem mais antigo do que o do Mílton. Os meus primeiros adversários em campeonatos e amistosos ocorreram no pátio da minha casa,na inesquecível Rua 16 de Julho. Não é só dos botões que lembro com saudade,mas dos meus adversários,amigos que cultivei até e mudar de residência. Deixei a casa paterna e fui morar sozinho já me considerando maduro e pronto para casar com Ruth,cujo pai,que era construtor,havia erguido um pequeno edifício. Casei e,finalmente,fiquei acompanhado pela minha jovem mulher.Jacqueline e Mílton nasceram quando ainda morávamos na Cairu,ambos no Hospital Cristo Redentor. O Christian veio à luz no Moinhos de Vento.

 

Com um ano,o Mílton fez companhia aos pais e aos irmãos.Então,havíamos nos mudado para a Saldanha Marinho. Os botões do Cruzeiro,Grêmio,Barcelona e Santos,foram chamados à luta novamente. Os amigos de minha infância ficaram na 16 de Julho. Eu já estava na Rádio Guaíba. Primeiro,jogávamos na casa de um deles. Depois,nas mesas da Associação dos Cronistas Esportivo. Os meus adversários eram os colegas da Guaíba e do Correio do Povo.

 

Sou obrigado a confessar que o episódio mais marcante deste botonista teve lugar na mesa do pátio da casa da 16 de Julho. O meu pai comprara um rádio – o Wells – importado dos Estados Unidos.Descobri, não queiram saber como, que o aparelho possuía uma entrada para toca-discos. Não sei o que deu na minha cabeça,mas resolvi plugar um par de fones de ouvido na tal entrada. Usei um dos fones como se fosse um microfone e,”milagre”,a minha voz saiu clara pelo alto-falante do Wells. Os vizinhos não devem ter ficado contentes com a narração dos nossos jogos de botão feitas por mim.

 

Não recordo se foi nos fones de ouvido que, pela primeira vez, ouvi minha voz não no “rádio”. Logo eu estava dando pitacos na “Voz Alegre da Colina”. Com certeza, foi a primeira vez que falei alto e bom som em um microfone de verdade. “A Voz Alegre da Colina” foi o primeiro movimento para que se angariasse fundos destinados a fazer da igreja situada no topo de uma colina a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus.

 

Depois disso,parei de bancar o locutor:fiz um teste na Rádio Canoas,passei e nunca mais deixei o rádio tendo trabalhado apenas em duas emissoras:a Canoas e a Guaíba.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista,radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A violência na nossa “Chicago” do Sul

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Zero Hora adora fazer manchetes parrudas. A de hoje fala sobre a nossa Porto Alegre e a maldição que caiu sobre ela. Ei-la:

 

“TAXA DE HOMICÍDIOS DISPARA NA CAPITAL”

 

O levantamento do jornal gaúcho dá conta de que o número de assassinatos por 100 mil habitantes,em Porto Alegre,cresceu 23,2% entre 2013 e 2014.O índice saltou de 33 para 40,6 assassinatos. Assim, a “Chicago”,apelido que resolvi dar para Porto Alegre em razão da semelhança existente quando essa cidade americana precisou lidar com a máfia, registrou o terceiro maior crescimento entre as capitais,cuja média ficou estagnada no período.

 

Porto Alegre está entre as capitais mais violentas do Brasil,vergonha das vergonhas

 

Os dados são do ano passado e podem ficar piores,pois neste ano, tivemos paralisações de funcionários públicos estaduais,acompanhadas pela Brigada Militar. Teoricamente,os PMs deveriam trabalhar. Isso deu chance maior aos bandidos, que se sentiram livres para matar e roubar à vontade.

 

Além disso,quem tem um carro, corre o risco de ser assaltado em um semáforo,ao se distrair e permanecer no veículo ou deixá-lo estacionado em algum lugar no qual ninguém imagina que será furtado ou roubado e levado para um dos múltiplos desmanches que existem nesta cidade.Somos recordistas neste tipo de roubo.

 

Penso que os bancos,se é que não são recordistas em ter os caixas eletrônicos explodidos ou arrombados de outras maneiras,estão pertos disso. Ainda nessa madrugada, O GATE – Grupo de Ações Táticas da Brigada Militar teve de ser acionado para retirardinamite da agência do Banrisul, em São Sebastião do Caí. Roubos semelhantes ocorrem com frequência em cidades do interior do Rio Grande do Sul,onde o policiamento é feito por pouquíssimos brigadianos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Aumento de ICMS no RS, lei mais branda para armas no BR e nós é que pagamos por isso

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tivemos um dia movimentadíssimo, nessa terça-feira, em Porto Alegre. Já de manhã, o trânsito virou um caos, motoristas de ônibus e gaúchos que moram nas vizinhanças da Capital precisaram de muita paciência para chegar ao centro. A chuva intensa que vinha caindo e os funcionários públicos do Estado,dispostos a impedir que os deputados votassem o aumento do ICMS,a pedido do governador Ivo Sartori, se transformaram em barreiras quase intransponíveis para quem estava de carro ou no transporte público.

 

Convém lembrar a quem não é daqui que os funcionários vêm recebendo os seus salários com atraso e, ainda por cima, se sentem preocupados com aumentos de impostos,algo que ninguém aceita de bom grado. A simples ameaça de que a vida deles tende a piorar nos próximos meses,levou um bom número de manifestantes para a frente da Assembléia Legislativa,tentando impedir que o ICMS fosse votado.

 

Inicialmente os manifestantes foram obrigados a ficar atrás de grades que os impediam de se aproximar demasiadamente das portas da casa. De repente, a Brigada Militar foi surpreendida com os gradis sendo virados e se engalfinharam com a turba,procurando impedir que entrasse na Assembléia. A pancadaria foi exagerada. Armados com cassetetes e gás lacrimogêneo,os PMs – que aqui chamamos de brigadianos -, é claro,saíram ganhando. Três pessoas acabaram detidas e algumas,devido à furia dos soldados,ficaram feridas.

 

O tarifaço tem prazo de validade: será limitado até 2018. O IPVA para o bom motorista vai ser menor. Para que o desconto seja válido tem de ser pago,ao invés do mês de julho,já em abril.A vitória de Sartori foi pífia:28 a 27 votos. Seria interessante que nós,os eleitores desses políticos,ficássemos sabendo os nomes dos 28 que aprovaram o projeto que eleva a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

 

Veja aqui como cada deputado gaúcho votou o aumento do ICMS

 

Aqui no Rio Grande do Sul estamos obrigados a enfrentar o ICMS e os seus efeitos detestáveis,como são todos os impostos. Não são,entretanto,piores do que certas ideias, que pareciam mortinhas da silva e, subitamente, ressuscitam. É o que está acontecendo, segundo fiquei sabendo ao ler a Zero Hora do dia 21 de setembro. O jornal disparou esta manchete: ”Lei mais branda sobre armas em debate”. Os defensores do direito de se armar,dizem que, se os brasileiros pudessem contar com armas,menos pessoas teriam sido mortas em uma década. E acrescentam que os facínoras possuem arsenais mediante contrabando. A culpa disso não seria da venda em lojas,mas das falhas da fiscalização nas fronteiras.

 

Laudívio Carvalho, deputado do PMDB/MG,assegura que não faz apologia do armamentarismo, mas defende o direito de defesa do cidadão, uma vez que o Estado não tem competência para garantir a segurança.Nesta quinta-feira, deverá ser votado em Comissão Especial na Câmara, a redução de idade de 25 para 21 anos de quem deseja se armar. O assunto é muito delicado e gera controvérsia entre os que defendem o uso de armas e os que não o aceitam. Se aprovada na Comissão Especial, a proposta de abrandar o estatuto irá ao plenário, em votação única. Confesso que não consigo imaginar o que seria mais seguro para o cidadão brasileiro.

 

Veja aqui como conversar com seu deputado sobre a lei que muda regras para uso e porte de armas no Brasil

 


Milton Ferretti Jung é jornalista,radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A violência em Porto Alegre, a festa dos gaúchos e outras coisas mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada, comparei Porto Alegre a Chicago,essa que conhecemos nos filmes produzidos em Hollywood nos quais a máfia estava presente. Não me arrependo de ter feito tal comparação. A situação na capital do Rio Grande do Sul confirmou o que escrevi. Roubos à mão armada,ainda mais quando as vítimas contribuem por permanecerem no interior dos seus veículos quando estacionados ou ao deixar os seus carros nas ruas de nossa cidade e esses somem e é preciso rezar para que não sejam desmanchados e tenham suas caras peças vendidas.Assassinatos viraram lugar comum. Os assaltantes ficam cada vez mais audaciosos. Caixas eletrônicas são explodidas porque os bandidos se sentem mais seguros ao usar tal sistema. Nesta semana,uma casal invadiu um ônibus de linha e roubou passageiros,principalmente os que usavam celulares. Depois disto,a mulher tentou fugir em um automóvel,mas o seu proprietário acabou prendendo-a no porta-malas e a levado para a Polícia Civil uma vez que a Brigada alegou não dispor de veículo para executar a prisão. Não sei se ela terminou por ficar presa,mas não duvido que não tenha ficado detida por muito tempo. Aliás,a impunidade é um convite a todo o tipo de crimes, principalmente quando os brigadianos participam de manifestações,porque são empregados do governo estadual. Não deveriam,mas se uniram aos demais funcionários governamentais e esqueceram que suas funções os obrigam a atuar na defesa da comunidade.

 

Nesta semana,a polícia esteve preocupada com a morte do vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no serviço público gaúcho, Rogério da Silva Ramos. Quando concluí este texto a Polícia ainda tentava descobrir se o assassinato do líder sindical foi um latrocínio ou execução premeditada. O crime ocorreu na noite de quarta-feira. Rogério esperava a chegada da esposa em uma parada de ônibus quando foi abordado por dois homens que estavam em uma moto. Conforme a Brigada Militar,ele teria reagido a um assalto e acabou atingido por quatro disparos. A esposa da vítima,porém, não descarta a possibilidade de que o crime tenha sido planejado,porque o seu marido vinha sofrendo ameaças nos últimos dias.

 

Seja lá como for,o povo de Porto Alegre recebe os gaúchos de outras cidades que vieram para festejar o dia 20 de setembro,”Precursor da Liberdade”. A gauchada fica sediada por vinte dias no Parque da Harmonia em uma espécie de férias coletivas. Neste ano,o Parque da Harmonia, que é um local onde os nossos irmãos do interior se aboletam durante vinte dias,talvez sirva de lenitivo para as atuais preocupações dos porto-alegrenses com o dia-a-dia desta cidade abalada por tudo de ruim que vem acontecendo por aqui.A Polícia Militar está chegando cada vez mais perto dos que assaltaram um súper, feriram dois policiais da Brigada e acabaram matando o proprietário de uma padaria, situada na Avenida Getúlio Vargas, que passeava com o seu cachorro.Elvino Nunes Adamczuk foi vítima de uma bala perdida.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)