Movimento está fora de controle

“Perdemos o controle”. Foi o que me disse o empresário Oded Grajew com ar de satisfação ao fim da conversa que tivemos sobre o projeto que será entregue semana que vem à Câmara dos Vereadores de São Paulo. Ele se referia ao movimento Nossa São Paulo É Outra Cidade, recém-fundado, que tem recebido participação dos mais diferentes segmentos da sociedade paulista.

Quanto ao projeto, já citado em nota postada ontem neste blog e assunto do Conexão Rio-SP dessa quinta-feira, a intenção é comprometer os próximos prefeitos da cidade a apresentarem programa de governo detalhado para todo o mandato em até 90 dias após a posse.

Pela proposta, a prefeitura terá que estabelecer metas para cidade e para cada uma das 31 subprefeituras. Idéias compatíveis com o programa eleitoral e baseadas em indicadores. Anualmente, o prefeito terá de prestar contas de sua gestão.

O anteprojeto a Lei Orgânica do Município será entregue aos vereadores dia 22, quarta-feira, às 13 horas, na sede da Câmara Municipal. O “Nossa São Paulo” espera contar com o maior número possível de pessoas no encontro para mostrar aos vereadores que está na hora de cada um assumir a sua responsabilidade na busca por uma outra cidade. (leia mais na nota aí em baixo)

Democracia tem de ser participativa

Esta é uma das metas que o anteprojeto que será encaminhado para a Câmara de São Paulo busca ao comprometer os futuros prefeitos a um plano de governo para a cidade. Afinal, este programa terá de abrir espaço para as reivindicações populares.

Na convocação para o encontro de quarta com os vereadores, são destacados os seguintes objetivos pelo movimento “Nossa São Paulo É Outra Cidade”:

-Promover maior compatibilidade entre os programas eleitorais e os programas do prefeito eleito, valorizando e qualificando o debate eleitoral e o exercício do voto;

-Permitir à população de São Paulo a avaliação e o acompanhamento das ações, obras, programas e serviços realizados pelo Poder Executivo Municipal durante cada mandato do Prefeito Municipal;

-Aperfeiçoar a eficiência da gestão pública municipal, que passará a trabalhar com indicadores e metas a serem atingidas no final de cada gestão, a exemplo da prática de excelência de grandes organizações públicas e privadas de sucesso;

-Permitir maior continuidade nas políticas públicas bem sucedidas;

-Melhorar a gestão e a qualidade dos gestores das políticas públicas, já que estarão comprometidos com o cumprimento das metas;

-Melhorar a qualidade dos indicadores e dos instrumentos de avaliação e acompanhamento das políticas públicas;

-Promover e aprofundar a democracia participativa;

É dia dos cansados !

Hoje, sexta-feira, à uma da tarde, a intenção é fazer com que o maior número de brasileiros faça um minuto de silêncio. Os cansados, organizadores da manifestação que terá ponto alto em frente a Catedral da Sé, centro de São Paulo, têm se esforçado para convencer o cidadão – e a situação – de que o protesto não é contra o Governo Lula, o qual chamou o gesto de golpismo.

A comissão de frente do “Cansei” fala que não há partidos políticos manipulando o movimento, apenas cidadãos que pretendem dar um basta a uma série de irregularidades que travam o País.

Em Porto Alegre, o “Cansei” se realiza no aeroporo Salgado Filho, de onde partiu o avião da TAM que caiu e matou 199 na capital paulista.

Seja qual for sua idéia, assista ao comercial dos cansados e comente se você é um deles, se o seu cansaço é outro ou se você está bem relaxado.

Obrigação de rastreador em carro é imoral e absurda

A opinião é da advogada especializada em direito ao consumidor Maria Dagmar de Freitas, ex-diretora do Procon do Distrito Federal. Ela comentou na rádio CBN a decisão do Conselho Nacional de Trânsito que obrigará as montadoras a produzirem carros com rastreadores para evitar assaltos, a partir de setembro do próximo ano. O presidente do Contran, Alfredo Peres da Silva, defende-se ao dizer que apesar do fabricante ter de colocar os carros no mercado com o mecanismo, os motoristas não terão obrigação de ativá-lo.

Acompanhe a informação divulgada no CBN SP:

Baltazar Carneiro, a história de um andarilho paulistano



Aos 63 anos, o orçamentista Baltazar Carneiro mora em Cidades Tiradentes e trabalha em um escritório na rua da Móoca, na zona leste de São Paulo. Há dez anos, com alguns quilos a mais decidiu trocar o ônibus e a perua lotados por uma bicicleta. Logo percebeu as vantagens: no início, na própria cintura que afinou, em seguida na melhor qualidade de vida e, finalmente, na redução do tempo entre a casa e o trabalho.

Das duas horas que levava espremido entre outros passageiros, diminuiu para uma e meia pedalando. Foi o medo da filha de que o pai poderia sofrer um acidente com a imprudência dos motoristas de carros que o impediu de continuar com as viagens de bicicleta. Atualmente, Baltazar pega perua até o terminal de ônibus do Tatuapé e caminha o restante. Uma longa caminhada até a Móoca da qual ele não reclama, agradece.

Nos dois dias de greve do metrô o esforço foi maior: foi a pé da Cidade Tiradentes até a Móoca em vez de pegar o ônibus que havia à disposição. Garante que chegou antes no trabalho.

Acompanhe a história de Baltazar Carneiro na entrevista ao CBN SP:

Foto-ouvinte: O bonde está de volta

O bonde no grafite do muro chamou atenção do ouvinte-internauta Leandro Augusto Ferreira. Segundo ele conta ao CBN SP, ouvia o programa quando me referi a idéia do foto-ouvinte, espaço aqui do blog dedicado a fotografia do cotidiano. Estava na esquina da Henrique Schaumann com a Cardeal Arco Verde parado no sinal. Viu, gostou e registrou no celular.

O grafite é de Eduardo Kobra que desde os 11 anos pinta os muros da cidade. Ele foi personagem do “Mais São Paulo”, apresentado pelo Gilberto Dimenstein (http://www.dimenstein.com.br). Mais recentemente se interessou pelas imagens antigas de São Paulo, após ter em mãos livro com fotos do porto de Santos dos anos 1920. Promete mais cinco trabalhos como esses em uma esquina próxima de você.

Prefeito terá 90 dias para apresentar plano para cidade

Os vereadores de São Paulo terão a oportunidade de mostrar ao cidadão que estão dispostos a mudar a forma de administrar a cidade. Na quarta-feira próxima, dia 22, o movimento “Nossa São Paulo” vai propor lei que obriga o prefeito a entregar um plano de metas 90 dias após tomar posse. Este documento vai pautar as decisões do Executivo no restante da gestão e se não for cumprido poderá levar até mesmo ao afastamento dele do comando da prefeitura.

A proposta será encaminhada em forma de emenda a lei orgânica do município e segue modelo realizado com sucesso na cidade colombiana de Bogotá.

A intenção é fazer com que o prefeito se comprometa a desenvolver os projetos propostos dentro dos prazos estabelecidos pela administração municipal. Substitui-se, assim, a prática da promessa eleitoral pelo planejamento de curto, médio e longo prazo. O cidadão, através de diferentes mecanismos, terá como acompanhar a execução deste plano. Vai se transformar em fiscal das ações do prefeito.

Caso não tenha capacidade de cumprir as metas apresentadas no início da gestão, o prefeito terá de dar explicações públicas, correndo o risco de ser denunciado na justiça e sofrer processo de impedimento.

Informalmente, líderes dos partidos na Câmara se comprometeram com o “Nossa São Paulo” a votar e aprovar a emenda. Na quarta, às 13h30, provavelmente estarão a espera da comitiva que entregará a proposta de mudança na lei orgânica. Para garantir esta revolução na maneira de administrar uma cidade, no entanto, terão os vereadores de aprofundar a discussão, convocar audiências públicas, e levar para plenário sem muitas delongas. A intenção é que o futuro prefeito, que assumirá em 2009, entre para a história como o primeiro do Brasil a se comprometer por escrito com metas de desenvolvimento para a cidade e apresente um calendário para a execução destas ações.

A cerimônia de entrega da proposta é aberta à população. E nós – nós todos – vamos acompanhar de perto o tratamento dado pelos vereadores a esta idéia.

Maroni parece aderir ao “Cansei”

Olhar direto na lente, semblante preocupado, usando botas de U$ 1 mil (de acordo com informações dele próprio) e com discurso que resvala na onda do “Cansei”, o empresário Oscar Maroni Filho faz sua defesa em vídeo que teria sido gravado um dia antes da prisão em um flat de São Paulo.

Que fique bem claro, não tenho a intenção de comparar os objetivos dele e dos empresários que estão à frente do movimento nacional de combate à corrupção e outras mazelas no País. Traço o paralelo apenas pelo ar de “não aguento mais tudo isto que está aí”.

Com um jeito canastrão de ser, Maroni justifica que seus empreendimentos – o Oscar´s Hotel e o Bahamas – estão dentro da lei e têm autorização para funcionar. Não por acaso, esqueceu de falar sobre a exploração e incentivo à prostituição e suposta formação de quadrilha que seriam os motivos que o levaram para a cadeia.

A música Fera Ferida embala a defesa do empresário e deixa um tom de ameaça no ar.

O vídeo está no You Tube, onde com a ferramenta de busca é possível, também, assistir à versão em inglês que está no ar e outras reportagens com a prisão do empresário:
http://www.youtube.com/watch?v=OBYZcBYXN6s

Jobim: atropelamento à vista

Surpreendeu a informação de que o ministro da Defesa teria sido vaiado no encontro com as famílias de vítimas da TAM, pelo menos entre aqueles que participaram da conversa no salão Alberto Pasqualini, no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Não que não haja pessoas interessadas no protesto. Assim como não falte justificativa para tal, afinal permitir que a discussão sobre a distância das poltronas obscureça o debate fundamental que é a segurança dos vôos, não chega a ser motivo de aplauso.

No caso da reunião de terça-feira, em Porto Alegre, Nelson Jobim (PMDB) entrou pelos fundos do palácio, onde fica a área de estacionamento, portanto não teria como ser vaiado. Os parentes – e naquele momento era a opinião deles que interessava mesmo – não estavam do lado de fora. A maioria já se encontrava no salão Alberto Pasqualini, foi o que informaram fontes do palácio.

Lá dentro, a surpresa foi de Jobim e da governadora Yeda Crusius. Dos cinco familiares que falaram em público, além da justificável preocupação com o risco de seus direitos não serem garantidos, ouviu-se elogios a conduta dela, pelo apoio desde os primeiros momentos do acidente, e a dele, por ter ido ao Rio Grande do Sul para conversar com as famílias e pelo comportamento desde que assumiu o cargo.

Ao fim do encontro, a imagem que Jobim deixou às famílias foi que em busca de uma solução ele vai atropelar quem tiver que atropelar.

Teme-se pela “integridade” de Milton Zuanazzi.