Pedágio urbano e metrô municipal, quem tem coragem ?

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Concluir os estudos sobre o plano de transporte urbano e executá-lo conforme prevê as regras de ocupação do solo e zoneamento. Esta é a sugestão do urbanista Cândido Malta para o novo secretário municipal dos Transportes Alexandre de Moraes. Para o professor da FAU a prefeitura deve à cidade este programa que organizaria o transporte do cidadão, seja de ônibus, metrô ou carro.

Malta é ainda mais ousado e pede a instalação do pedágio urbano para financiar a ampliação do metrô paulista. Com isso, o metrô, hoje responsabilidade do Estado, passaria para a prefeitura que teria dinheiro para a expansão das linhas.

Quanto ao peso político que uma medida destas teria, Malta alerta os candidatos que estariam contrariando os interesses de menos de 1/3 da população paulista que anda de carro. Portanto, haveria votos de sobra para uma eleição ou, dependendo o caso, uma reeleição.

Ouça a entrevista com o arquiteto Cândido Malta ao CBN SP e dê sua opinião:

Kassab muda secretário de olho em 2008

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) reagiu rápido a pesquisa de opinião pública do Instituto Datafolha que revelou alto índice de descontentamento com o setor de transporte na cidade de São Paulo. Demitiu o secretário municipal dos Transportes Frederico Bussinger que estava no cargo desde o início da gestão Serra e escalou Alexandre de Moraes, ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo.

Oficialmente não houve demissão. Bussinger foi convidado para assumir a agência que pretende regular o setor de transporte na capital paulista. Importante salientar que a tal agência não existe e não tem função clara, sendo apenas um cargo para manter o ex-secretário na administração municipal e não queimá-lo dentro do partido. Há dois meses, Kassab vinha “cozinhando” a idéia da mudança. A opinião pública e o olhar para as eleições no ano que vem, o levaram a anunciar a troca.

Na gestão de Bussinger, além do aumento da tarifa já nas primeiras semanas de governo Serra, iniciou-se estudo para mudança das linhas de ônibus na capital, implantou-se a integração do sistema de ônibus e vans com o metrô através do bilhete único, combateu-se a fraude no setor e se insistiu na obra do Fura-Fila, rebatizado Expresso Tiradentes. Nada disso foi suficiente para impedir as críticas da população ao setor de transportes de passageiros. A qualidade do serviço piorou, segundo a opinião pública. Fato que se refletia na quantidade de mensagens enviadas por usuários de ônibus ao CBN SP.

Alexandre de Moraes entende tanto de ônibus e vans quanto o ministro da Defesa Nelson Jobim de aviões, tendo este a vantagem de já ter andado de avião. Além disso, o novo secretário, que assume na sexta-feira, terá 16 meses para fazer as mudanças no sistema de transporte, prazo que fica ainda menor se levarmos em consideração o calendário eleitoral.

De acordo com fontes do PSDB, o papel principal de Moraes será abrir as planilhas de custo das empresas de ônibus e cooperativas de vans. Assim poderá descobrir para onde vaza o dinheiro que a prefeitura usa para subsidiar o transporte da cidade. Apenas um olhar mais aprofundado nas contas poderia impedir um aumento de tarifa que seria desastroso em ano eleitoral. Por enquanto esta pressão ainda é pequena porque na administração Bussinger se conseguiu atender as expectativas dos empresários do setor. Mesmo na Câmara dos Vereadores, os representantes do povo que falam pelos empresários – seja dos ônibus, seja dos perueiros -, andavam em silêncio, não levando em consideração as críticas da opinião pública. Podem voltar à tona, se Alexandre de Moraes mexer no custo das empresas.

Máfia da CDHU: Bragato se explica em comissão

Hoje é o dia marcado pela Comissão de Ética da Assembléia Legislativa para ouvir as explicações do deputado estadual Mauro Bragato (PSDB-SP) sobre a denúncia de que na época em que comandou a Secretaria da Habitação recebeu R$ 104 mil da máfia da CDHU, empresa responsável pela construção de imóveis populares do governo do Estado de São Paulo. O dinheiro de maneira ilegal teria sido entregue ao deputado por intermédio da FT Construções que tem contratos com a companhia estatal.

As denúncias surgiram após a prisão de Edson Meneses, filiado do PSDB, que declarou em depoimento ter levado envelopes com dinheiro da construtora ao escritório do partido em Presidente Prudente para serem entregues a parlamentares que mantém reduto eleitoral na região. De acordo com as investigações, o livro-caixa da FT Construções indica que, entre 2005 e 2006, uma das pessoas beneficiadas pelo esquema fraudulento era identificada pela sigla MBR.

Bragato nega de pés juntos qualquer envolvimento na negociata e deve repetir na comissão mesmo discurso feito em plenário quando se dispôs a abrir sigilo fiscal e bancário – dados que ainda não estariam disponíveis, apesar da solicitação do Ministério Público. Vai chamar a atenção de seus colegas, que têm o destino político dele nas mãos, para os 30 anos de serviços prestados ao Estado de São Paulo.

O jornalista Daniel Piza, do esporte da CBN, amigo do blog e cronista do Estadão comparou o caso de Bragato, CDHU e FT Construções ao que envolve filiados do PT e aliados com a Gautama: “Se fosse um escândalo de governo petista, críticos estariam atacando o aparelhamento stalinista da CDHU. Sim o modus operandi petista tem suas peculiaridades e ironias. Mas a confusão entre máquina pública e aparelho partidário é tão velha quanto o Brasil”. (Para ler o texto completo acesse http://www.danielpiza.com.br)

Levado em consideração o debate promovido pelo CBN SP entre o líder do Governo na Assembléia, deputado estadual Barros Munhoz (PSDB-SP), e o líder do PT, deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), Bragata pode se dar por vitorioso. Munhoz, como era óbvio, e Simão Pedro, surpreendentemente, falaram na necessidade de se respeitar a vida pública de Bragato. Quem ouviu a participação dos dois até parecia que vivíamos em um país no qual toda pessoa é inocente até se prove o contrário.

O clima esquentou mesmo foi quando o petista disse que mais importante é olhar os casos de corrupção que cercam a CDHU, empresa que teria mais de um motivo para ser alvo de CPI na Assembléia. O tucano não gostou das insinuações e os dois partiram para a briga. Briga de palavras, é lógico, como você pode acompanhar neste trecho do debate promovido pelo CBN SP:

STF dá mais um passo para trás

O turismo carcerário, aquele que gasta fortunas transportando Fernandinho Beira Mar e comparsas para cima e para baixo, vai continuar se depender do STF. De acordo com informações de Adamo Bazani, repórter da CBN e amigão do blog, a 2.ª turma do Supremo Tribunal Federal considerou de forma unânime, pela primeira vez, que a videoconferência viola garantias constitucionais.

A resposta vem em apoio a manifestação da defensora pública do Estado de São Paulo, Daniele Sembranelli, que ingressou hábeas corpus contra a videoconferência alegando que os réus têm direito a manter contato com o juiz e os jurados.

Mais não digo porque meu colega bem letrado Walter Maierovitch já gastou tinta de suas famosas canetas para criticar as restrições à videoconferência. E, por isso, indico visita ao site dele que você acessa clicando nos favoritos na ala direita deste blog.

Foto-ouvinte: Jânio Quadros sem luz e sem cuidado

O publicitário paulista Edson dos Santos Souza sacou o celular e registrou esta imagem do Túnel Jânio Quadros, no sentido Jóquei-Juscelino, que, segundo ele, aparenta estar abandonado: “ há bocais para hidrantes sem registro, lixo se acumula nas guias, geralmente está com muitas luzes apagadas”. Edson teme que em dia de chuva, o túnel fique inundado.

Na carona do foto-jornalismo de hoje, a ouvinte-internauta Marlene Bolosuavel, avisa que andou no Jânio Quadros, Tribunal de Justiça e Ayrton Senna e, também, encontrou escuridão. “Queria convidar nosso prefeito para dar um role por lá e pela cidade, também, onde muitas ruas estão sem luz”.

Mande uma imagem para ser publicada na sessão “Foto-ouvinte do CBN SP” pelo endereço milton@cbn.com.br

“João-Faz-Tudo” vai ajudar bairro chique de SP

Um das regiões mais valorizadas da capital paulista, os Jardins, implantará, nesta semana, o serviço de zeladoria, que vai ter de identificar desde árvores a serem podadas até ações que coloquem em risco a segurança dos moradores. O “João-Faz-Tudo”, conforme batizou um dos incentivadores da idéia, o empresário Fábio Saboya, da AME Jardins, vai circular de carro pelo bairro e sempre que se deparar com algum problema encaminhará por rádio a reclamação para uma central. Desta central, mantida por empresa particular, se buscará o contato com a prefeitura e demais órgãos públicos. Moradores e funcionários das residências também poderão acessar a central via rádio.

Conheça como funcionará o sistema de zeladoria, que pode ser adaptado as demais regiões da capital, ouvindo a entrevista de Fábio Saboya ao CBN SP:

Empresa sem fumódromo vai ganhar prêmio

Bares, restaurantes, prédios e escritórios que eliminarem de vez o cigarro vão receber um selo do governo do Estado de São Paulo. O selo Ambiente Livre do Tabaco. Para receber a dita condecoração, o local não poderá ter sequer fumódromo – aqueles cubículos em que o pessoal costuma se espremer para dar uma tragadinha.

Eu lembro que as redações de jornalismo eram ambientes propícios para fumantes, você fumava com os colegas nem que odiasse o tabaco. A situação apenas mudou porque ao chegarem os computadores, foi necessário instalar ar condicionado, com tudo fechado, a fumaça poderia prejudicar as máquinas, em primeiro lugar, e o caro colega, em segundo – nesta ordem mesmo
Na redação em que eu trabalhava, do jornal Correio do Povo, no Rio Grande do Sul, era cômico se não sofrível ver a turma pendurada nas velhas sacadas do prédio da Caldas Junior. Só depois vieram os fumódromos e um pouco de dignidade aos fumantes.

Hoje, pelo visto, a intenção é acabar inclusive com este espaço.

A propósito, a promotoria do Consumidor, entrou com ação na Justiça para que os cofres públicos sejam ressarcidos pelos gastos com tratamento de doenças relacionadas ao cigarro. Se condenada, as fabricantes terão de pagar multa que poderia chegar a marca dos bilhões de reais.

Tem gente com medo da Ana Paula

Não é apenas da Comissão de Arbitragem que Ana Paula Oliveira sofre restrições desde que posou nua. A moça, que mesmo antes da Playboy estava na geladeira por cometer falhas em campo como qualquer marmanjo cometeria, acaba de perder um trabalho extra por medo da concorrência.

O Ministério Público de São Paulo, há duas semanas, pretendia contratá-la para apitar jogos do torneio interno do órgão, mas promotoras e mulheres de promotores acharam pouco recomendável a presença dela. Poderia não cair bem para a imagem do MP paulista.

As qualidades – e me refiro apenas as de cunho profissional – de Ana Paula seriam suficientes para trazê-la de volta aos jogos da primeira linha do campeonato brasileiro.

Cegos pelo direito a leitura

Ao lançar o livro “Jornalismo de Rádio” pela Editora Contexto, há cerca de 4 anos, recebi contato de uma ouvinte-internauta deficiente visual, da qual, infelizmente, não lembro o nome hoje, mas lembro da atitude. Estudante de jornalismo queria ter o mesmo direito de seus colegas: ler. Ela pedia o arquivo digital da publicação para ter acesso ao texto. Disse-me que uma das dificuldades é a restrição imposta pelo mercado literário que teme a clonagem da obra. Lembrou-me da necessidade de se lutar para que os deficientes visuais tenham o direito a leitura.

Nesta semana, no CBN SP, foi a vez do ouvinte-internauta Naziberto Lopes de Oliveira que enviou o texto da carta que tenta sensibilizar as autoridades. Se você gostou da idéia, dê um “control-C-control-V” e mande para seu deputado preferido.:

CARTA ABERTA

À Presidência da República;
Ao Ministério da Educação;
Ao Ministério da Cultura;
À Câmara dos Deputados;
Ao Senado Federal;
Ao Grupo de Trabalho do Livro Acessível na Biblioteca Nacional;
À CORDE – Coordenadoria para integração da pessoa com deficiência;
Ao CONADE – Conselho Nacional dos direitos da pessoa com deficiência;
À sociedade,

O Movimento pela Leitura Acessível no Brasil, identificado abaixo por pessoas com deficiência, entidades associativas e representativas, fóruns virtuais de discussão, profissionais da área, familiares e amigos, vem reivindicar:

“Transparência nas discussões sobre a regulamentação da lei n10753/03, mais conhecida como Lei do livro, a fim de que possamos acompanhar e colaborar para que a referida Lei garanta nosso direito sagrado e inalienável à leitura;

O acesso a todo e qualquer tipo de informação e conhecimento escrito, em formato acessível (desenho universal), nos mesmos lugares que se encontram os formatos convencionais;
A interação direta com as editoras e livrarias, como qualquer outro usuário;

A existência do livro acessível em bibliotecas públicas ou privadas, nas escolas de todos os níveis ou qualquer outro lugar em que se busque informação e conhecimento escrito.

Reiteramos que a responsabilidade dessa discussão é de todos, pois está garantido na Constituição o direito à cultura, à informação, ao conhecimento e ao lazer, pressuposto de nação desenvolvida, justa, igualitária e democrática, norteada em dois de seus principais fundamentos: a cidadania e a dignidade da pessoa humana.

Cobramos efetivamente a participação da CORDE e do CONADE, para que possam, uma vez que são componentes privilegiados do GT – abaixo mencionado -, acompanhar de perto essa discussão, além de nos informar e consultar sobre toda e qualquer alteração, supressão ou inclusão de elementos na regulamentação da lei supracitada, com ou sem modificações substanciais.

Não podemos mais permitir qualquer tipo de limitação ao direito de todos à leitura, por constituir segregação e marginalização. Também unicamente a dependência de Instituições especializadas em prestação de serviços para pessoas com deficiência, configura-se no cerceamento do direito fundamental ao acesso à leitura e ao conhecimento, limita nossa capacidade de escolha, nossa autonomia, liberdade e cidadania.

Assim, estamos preocupados que a próxima reunião do GT do livro acessível, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, para discutir essa regulamentação, delibere aquém de nossa principal expectativa, a saber: a imediata e definitiva implementação do acesso e da liberdade de escolha de livros que atendam nossas especificidades de leitura e autonomia e que é o livro acessível em desenho universal”.