Comunicar para liderar é destaque na estreia de O Inédito Viável na internet

 

 

O consultor Emerson Wesley Dias é autor do livro “O Inédito Viável” que se transformou em programa na internet. Tive a oportunidade de participar da estreia do canal dele no You Tube quando falei sobre comunicação, carreira, negócio, jornalismo e cidadania. A base da nossa conversa com o livro “Comunicar para liderar” que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

Assistindo à batalha do esporte eletrônico

 

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Algumas coisas se atravessam no nosso caminho e para não sermos atropelados pela ignorância, nos cabe a busca do conhecimento. Foi assim que os esportes eletrônicos entraram na minha vida. Praticado pelos filhos, no início os assistia de revesgueio, pois estava na tela do computador deles, que fica sobre a mesa que compartilhamos em casa. Em breve, o tema passou a fazer parte de nossas conversas na mesa da cozinha (onde almoçamos e jantamos juntos) e dos sonhos que eles construíam: um deles disposto a seguir o jornalismo e o outro ensaiando carreira de psicólogo e analista; ambos propensos a se dedicar ao eSport.

 

A primeira coisa que eles fizeram questão de me ensinar é que esporte eletrônico não é videogame. Melhor, videogame não é sinônimo de esporte eletrônico. Pra ser mais preciso: nem todo videogame é esporte eletrônico.

 

Jogar Super Mario Bros é jogar videogame. Jogar Donkey Kong é jogar videogame. Até mesmo o NBA Live que me fez companhia nos primeiros meses em que morei em São Paulo e no qual brinquei muito de jogador de basquete é só videogame. Não é considerado esporte eletrônico, apesar de inspirado em uma modalidade esportiva.

 

O eSport se caracteriza pela formação de comunidades no entorno dele, criação  de equipes e organização de campeonatos. O jogo e seus criadores por si só não são capazes de sozinhos transformarem um videogame em esporte eletrônico.

 

Street Fighter era diversão no Fliperama, onde os fãs começaram a disputar competições por conta própria, a ponto de chamarem a atenção da Capcom, sua criadora, para o potencial que havia na organização de campeonatos.

 

Clash Royale já começou “mal intencionado” e seus desenvolvedores instigam os praticantes a participarem de disputas. Nesse fim de semana, teve campeonato transmitido ao vivo pelo canal Esporte Interativo, direto de São Paulo.

 

League of Legends (LoL) parece ter nascido disposto a ser esporte eletrônico, mas só se capacitou ao titulo de eSport mais praticado do mundo graças a comunidade que se criou em torno dele e a formação de organizações que disputam campeonatos nacionais e internacionais.

 

Foi o LoL quem me trouxe para o mundo do eSport. Os meninos aqui de casa jogavam, gostavam e me contavam detalhes das disputas. Assisti a campeonatos em São Paulo e me impressionei com a quantidade de pessoas envolvidas. Mais ainda com o nível de organização.

 

O jogo tem uma empresa, a Riot, que funciona como uma espécie de Fifa – perdão por traçar paralelo com o futebol, mas é a referência que nós brasileiros temos quando o assunto é esporte. É ela quem organiza os eventos em todo o mundo, desenvolve os mapas onde as disputas ocorrem e impõe as regras para o jogo e para as organizações que surgem a partir dele. Chega a distribuir U$ 2,5 milhões em prêmios no seu principal campeonato.

 

Os times são formados por cinco jogadores, fora os reservas, que costumam ficar confinados em game houses onde treinam sob orientação de técnico, analista, psicólogo e, em alguns casos, nutricionista e preparador físico. Têm torcidas fanáticas que vibram com seus ídolos, jovens que se dedicam 24 horas à atividade e patrocinadores que sustentam e se beneficiam desta adoração.

 

Um dos donos de equipe aqui no Brasil com quem tive oportunidade de conversar  tentou me definir a organização como sendo o “Flamengo do esporte eletrônico”. Queria me mostrar que, da mesma forma que um clube de futebol, o time dele tem sede, diretoria, jogadores e infraestrutura para capacitá-los. Sempre bom guardar as devidas proporções, é lógico.

 

Há alguns meses estive na final do Campeonato Brasileiro – CBLoL – realizada no ginásio do Ibiraquera com todos seus assentos tomados por pouco mais de 10 mil jovens entusiasmados e engajados. Assim como eles, vibrei com a vitória da INTZ, uma das principais organizações do país que, neste fim de semana, também garantiu presença do Mundial de LoL, que se realizará em outubro e novembro, nos Estados Unidos.

 

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A vitória dos brasileiros não apenas garantiu-lhes a viagem como espantou fantasmas. Já haviam disputado duas vezes a etapa classificatória para o Mundial, representando o Brasil, mas não foram adiante. Na primeira, perderam para um time turco. No sábado, não bastasse terem conquistado a vaga ainda o fizeram em cima de uma equipe da Turquia. DoubleKill – se é que você me entende.

 

A disputa final, contra os turcos da Dark Passage, foi em melhor de cinco, com vitória por 3×2, diante de torcedores que gritavam o nome do Brasil e entoavam o já tradicional “eu acredito” nos momentos mais difíceis, na Ópera de Arame, em Curitiba. A partida foi assistida por milhares de pessoas na internet ou na SporTV, que dedicou seis horas de sua programação à competição.

 

Fiquei grudado na tela. Comemorei os ataques e os objetivos alcançados pelos brasileiros e sofri toda vez que o adversário derrubava nossas torres ou abatia nossos campeões. Curti a história daqueles jovens que sob forte pressão superaram seus medos e calaram, com esforço, talento e estratégia, os críticos de sempre – aquela turma que tem como esporte preferido atacar reputações e destruir qualquer um que se sobressaia em sua área.

 

Continuo não entendendo os golpes, contra-golpes e feitiços usados pelos jogadores nas batalhas campais. Mas me sai bem melhor agora do que das primeiras oportunidades. Já fui capaz de perceber que mais importante do que abates, são a derrubada de torres e dragões e o acúmulo de riqueza. Enxerguei melhor as estratégias, seja pela transcrição dos narradores seja pelos alertas dos meus conselheiros particulares.

 

Claro que apenas me dediquei a assistir ao LoL na televisão por envolvimento familiar. Não é a minha praia, mesmo admirando a organização da modalidade. Cresci em outra geração, tendo os esportes tradicionais como atração: especialmente o futebol e o basquete. Há, porém, uma legião de jovens que têm sua cultura forjada pelo cenário digital, que talvez nunca tenham tido a oportunidade ou a vontade de assistir a uma partida de futebol, no estádio.

 

É por causa dessa nova turma que emissoras como SporTV e Esporte Interativo têm dedicado parte de sua grade de programação às disputas dos jogos eletrônicos. A ação, como já era de se esperar, sofre críticas de grupos que não entendem porque canais de esporte tratam de eSport. Usam todo tipo de alegação e comparação para provarem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Perda de tempo total.

 

Muito provavelmente o esporte tradicional e o eletrônico jamais conviverão em alguns cenários, por exemplo nos Jogos Olímpicos como chegam a imaginar os fãs do eSport – e corro sério risco de queimar a língua com esta frase. Isso também não importa. Tem espaço e público para todas as modalidades, digitais ou não.

 

Quem for mais bem organizado e competente que se estabeleça.

O impeachment de Dilma e o governo de Temer

 

O impeachment de Dilma Roussef me entristece – e, claro, você já esta pronto para me acusar de comunista e petralha.

 

Ao mesmo tempo, torço para que Michel Temer tenha sucesso em seu governo – e poucos segundos bastam para eu ser acusado de golpista.

 

Tem sido assim nestes últimos meses no Brasil.

 

Uma fala é suficiente para nosso interlocutor traçar seu perfil. Uma entrevista que eu faça basta para que meu caráter seja questionado. Ouvir o contraditório é pecado de lesa pátria. Intolerável.

 

Nas redes sociais, surgem comentários de todas as tonalidades e às vezes versando sobre o mesmo conteúdo. E não coloque a culpa na rede, esta é apenas tecnologia à disposição das pessoas. A responsabilidade está na forma como nossos ouvidos e mentes estão contaminados por nossas convicções.

 

O diálogo foi interrompido. Todos gritam e poucos querem escutar.

 

A busca pelo equilíbrio, a mediação independente ou o contraponto necessário. Nada disso é levado em consideração. No mínimo, é crime de omissão. E seu autor é condenado a crítica desrespeitosa.

 

Independentemente do que pense, entristece-me o impeachment de Dilma, porque é resultado do fracasso da gestão, foi provocado por uma série de erros na condução das políticas públicas e com prejuízos a boa parte da população, especialmente aos mais frágeis que aparecem na enorme fila de desempregados: 11,8 milhões de pessoas, calcula o IBGE em pesquisa divulgada ainda nesta semana.

 

Além disso, o processo foi a extensão de uma crise que se iniciou antes mesmo das eleições do ano passado. E de uma cisão na sociedade brasileira que foi se tornando insuportável. Capaz de separar amigos, inviabilizar o almoço de domingo com alguns parentes e prejudicar as relações no escritório.

 

Independentemente do que pense, torço pelos sucesso do governo Temer porque é a única solução possível e razoável neste momento. Com a discussão necessária no Congresso Nacional, espero ver a aprovação de projetos que façam o Brasil voltar a crescer, o dinheiro circular com maior igualdade e as oportunidades de emprego serem retomadas.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque não tenho interesse nos interesses partidários e políticos – apesar de estar atento a estes para a análise jornalística.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque no fim das contas o que me interessa é o Brasil e os brasileiros. Conciliados, dialogando e prosperando.

 

E, claro, com os corruptos na cadeia. Todos!

Ribeirão Preto tem talk show e lançamento do livro”Comunicar para liderar”

 

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(texto publicado no site MaxPress)

 

A Revide – revista de maior circulação em Ribeirão Preto e região, com edições semanais gratuitas, há trinta anos no mercado – promove no dia 19 de agosto (sexta-feira), às 19 horas, no Hotel Mont Blanc (Avenida Maurílio Biagi, 1577) palestra e lançamento do livro “Comunicar para liderar”, da editora Contexto, com os autores Mílton Jung e Leny Kyrillos. Durante o encontro Jung que é jornalista e âncora da Rádio CBN e Leny, escritora, fonoaudióloga e comentarista da Rádio CBN, vão abordar os ensinamentos que trazem na obra sobre a comunicação e maneira de falar, passando pela importância de se expressar bem, até a liderança.

 

Segundo Jung, a publicação era um projeto que ele e Leny desenhavam há pelos dois anos. “Tínhamos o desejo de reunir as informações que levantamos no decorrer de estudos para compartilhar com as pessoas e ajudá-las a se transformarem pessoal e profissionalmente”, comenta. Leny afirma: – “Eu e o Milton compartilhamos várias oportunidades de trabalho em conjunto e trocas de ideias produtivas. Construímos, ainda, uma relação de muita harmonia e respeito”, diz.

 

Sobre a parceria com Leny, Jung comenta que teve início no fim dos anos 90. “A nossa primeira experiência foi com os trabalhos de observação que a Leny fez na TV Cultura, onde eu era âncora do Jornal da Cultura. Depois, passamos a ser convidados para os mesmos eventos, quando tivemos a oportunidade de trocar informações e experiência. Com o tempo surgiu uma sinergia de ideias e propósitos. Construímos não apenas uma relação profissional, nossas famílias passaram a conviver e nos transformamos em grandes amigos”, explica.

 

“A velocidade com que a informação circula, a maneira como é compartilhada e o fácil acesso para todo cidadão provocaram uma revolução neste cenário. Nas últimas três décadas, segundo estudos, quintuplicou a quantidade de mensagens que uma pessoa recebe no decorrer de um dia. Isso significa que, para os produtores de informação, torná-la relevante é um desafio a ser enfrentado. Hoje, os meios de comunicação não têm mais o monopólio da informação. Todos somos emissores de mensagens e temos ferramentas para fazê-las ir ainda mais longe. Aos profissionais, cabe usar experiência, conhecimento e criatividade para se diferenciar dos demais”, analisa Jung sobre as mudanças do jornalismo nos últimos 30 anos.

 

Para Jung adaptar-se as novas exigências foi um dos desafios que enfrentou na comunicação nas últimas três décadas. “Estar atento as novidades que a tecnologia nos proporciona no campo da informação e saber equilibrar dois conceitos básicos no jornalismo: agilidade e precisão. Todas as vezes que abrimos mão da precisão em nome da agilidade, pagamos com o que há de mais caro na nossa vida de jornalista: a credibilidade”, exemplifica.

 

“A comunicação é fundamental em todas as circunstâncias da nossa vida pessoal e profissional. É a competência que nos permite trocar ideias, expressar sentimentos, ensinar e aprender. Ao nos comunicar, construímos percepção e o outro reage imediatamente. No nosso dia a dia, vale a pena trazermos para nós a autonomia de produzir a reação que precisamos ou queremos”, exemplifica Leny sobre a oratória.
O trajetória de Leny na Rádio CBN começou quando por intermédio de seus atendimentos aos profissionais do veículo. “Em 2014 surgiu o convite para fazer um piloto com o Carlos Sardenberg e a experiência tem sido bastante positiva”, comemora.

 

Isabel de Farias, diretora da Revide destaca que receber Mílton Jung e Leny Kyrillos nas comemorações dos 30 anos da revista é um presente. “Eles são profissionais de destaque na comunicação. Além de falar dessa incrível ferramenta vão lançar o livro ‘Comunicar para liderar’. O bate-papo será uma experiência engrandecedora para todos”, finaliza.

 

O evento faz parte das comemorações do trigésimo aniversário da Revide – revista de maior circulação em Ribeirão Preto e região, com edições semanais gratuitas, dentro do ciclo de palestra que acontece mensalmente, sempre relacionadas à comunicação.

 

Para participar é preciso doar dois litros de leite que serão destinados ao Núcleo Dom Bosco. A troca pelo convite pode ser realizada na Revide (Rua Heitor Chiarello, 882), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

 

Serviço
Palestra e lançamento do livro “Comunicar para liderar”, com Mílton Jung e Leny Kyrillos
Data: 19 de agosto (sexta-feira)
Horário: 19 horas
Local: Hotel Mont Blanc (Avenida Maurílio Biagi, 1577)
Entrada: dois litros de leite que serão destinados ao Núcleo Dom Bosco. A troca pelo convite deve ser realizada na Revide (Rua Heitor Chiarello, 882), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Rafaela Silva e o atrevimento de ser medalha de ouro no Brasil

 

 

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Reproduçao da transmissão da SportTV

 

Hoje, reverenciamos Rafaela Silva, a jovem carioca que aos 24 anos ganhou a medalha de ouro, no judô olímpico. O primeiro ouro brasileiro na Rio2016. Falamos seu nome com orgulho. Há quem a considere uma heroína, outros a transformaram em sinônimo de superação; e todos a queremos como referência e exemplo para os jovens que nascem desgraçados da vida.

 

Nem sempre foi assim.

 

Como você já deve saber, Rafa – sim, nos atrevemos a tratá-la pelo apelido que antes só servia aos íntimos – é de família muito pobre, da Cidade de Deus, superou-se ao encontrar projeto social que investe no esporte e teve seu desempenho financiado com o cartão de crédito do treinador Geraldo Bernardes.

 

A coragem de se transformar em vencedora, vivendo em um lugar onde seus moradores não têm este direito, cobrou dela preço muito caro: classificou-se para representar o Brasil nas Olimpíadas de Londres, em 2012 – o que seria um orgulho para qualquer atleta. Uma irregularidade cometida no tatame, porém, tirou-lhe a chance de medalha e a colocou no centro de ataques racistas.

 

Rafaela não esqueceu o que enfrentou. A mãe dela também não.

 

A atleta queria ficar esquecida dentro de seu quarto. Escondida. A mãe contou com o apoio dos amigos para a jovem voltar a treinar. Voltou e foi campeã mundial.

 

Nem assim Rafaela esqueceu. A mãe também não.

 

Desde a primeira entrevista ainda suando e ofegante da última luta desta terça-feira  até a fala com os jornalistas após tomar um banho dourado pela medalha conquistada, Rafaela e a mãe repetiram à exaustão as palavras que foram usadas para atacar a jovem: macaca. E assim que falam, choram. Só elas sabem o tamanho desta dor. Elas e todos os que como elas são frequentemente atacadas por essa gente estúpida e racista.

 

Foi esta jovem, a crença de sua mãe e o poder transformador do esporte que me fizeram chorar escondido por mais de uma vez e todas às vezes em que ela apareceu na televisão, após o ouro olímpico. Chorei emocionado pelo que conquistaram. E envergonhado pelo que sofreram.

Cinco coisas chatas quando você sai de férias (e volta)

 

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Estar de volta ao trabalho é sempre um prazer, desde que se goste muito do que se faz. É o meu caso. Por isso, madrugar nesta terça-feira para estar à frente do Jornal da CBN foi uma tarefa agradável, depois de duas semanas de férias.

 

No período em que estive distante do trabalho, aproveitei o que pude cada momento. Especialmente para descansar.

 

Li alguns livros, como de costume. Bebi e comi. Descansei mais um pouco. Fiz passeios por lugares interessantes ao lado da família e sem nos impor uma agenda turística muito intensa. Ou seja, evitamos o excesso de programas e deslocamentos que costuma deixar o viajante mais cansado do que relaxado.

 

Faço esse introdutório para que ninguém pense que sou um chato de galocha daqueles que reclamam de tudo e de todos. Agora, e imagino que você me dará razão no que escreverei a seguir, tirar férias gera algumas situações incomodas.

 

A primeira que listo – e isso não quer dizer que é a mais chata, apenas que foi a que me veio à memória no momento em que escrevo – está relacionada as poltronas de avião. Atravessei o Atlântico em direção à Europa. Portanto, foram mais de 11 horas de voo até o destino final.

 

Fico imaginando quem desenhou aqueles assentos. E bastam alguns minutos no ar para entender porque não temos na lista dos mais renomados designers do mundo nenhum projetista de poltrona de avião. Claro que a situação piora com o espaço que a fabricante de aviões, com a anuência da companhia aérea, oferece para os passageiros. Mas mesmo que você tenha a sorte de marcar assento na saída de emergência ou decida pagar um pouco mais por algo que chamam de “espaço conforto” (ou qualquer outro nome criativo), é impossível relaxar naquelas cadeiras. Quem descobrir uma poltrona de avião que não faça mal às costas, me avise. Não vale a da primeira classe.

 

E como o tema é tamanho, sigo na minha lista de coisas chatas que acontecem nas férias. Antes de sair do Brasil, aluguei um carro para quatro pessoas e três malas. Um modelo que se encaixasse na categoria de “carro grande”, como informava o site de buscas de preços e serviços que consultei. O modelo que aparece na imagem nunca é o mesmo que está à disposição; sem contar que jamais se encaixa no seu conceito de carro grande. Portanto, você e as bagagens só vão caber lá dentro após um esforço extra da família, bancos rebaixados e malas espremidas.

 

O terceiro item da minha lista está diretamente relacionado a compra das passagens e do aluguel do carro. A tecnologia nos permite consultar vários sites que agregam preços de companhias aéreas, locadoras de carro e hotéis, além de programas turísticos. Minha experiência mostra que esses serviços facilitam a compra e costumam oferecer preços razoáveis. Também mostra que depois do negócio fechado, eles nunca mais soltam o seu pé. Além de receber uma quantidade enorme de ofertas por e-mail, basta abrir um site para você se deparar com um banner deles relacionados a sua viagem, sempre propondo mais uma ótima oportunidade, sugerindo um novo roteiro e atrás do seu dinheiro. Sem contar os infalíveis feedbacks: o que você achou da sua experiência? Mas por que está dando nota 0 para o serviço? Como podemos tornar sua vida melhor? Nunca mais mandando nenhum email, por favor!

 

Emails? Claro, eis aí outro item para minha lista de coisas chatas durante as férias. Por mais que você programe sua caixa de correio eletrônico, eles não param de chegar. Ao abrir a minha, havia cerca de 4 mil a espera de uma resposta. Apagar todos de uma só vez pode parecer uma solução. Mas como fica a sua consciência ao imaginar que no meio daquela quantidade enorme de mensagens pode haver ao menos uma realmente importante? As favas com a consciência. Em tempo: se você mandou algum nestes dias de férias e considerava importante, mande de novo, por favor. Já estou na ativa.

 

O quinto, último e não menos importante item da minha lista de coisas chatas nas férias é que elas um dia acabam e a conta chega. No cartão de crédito, debitado diretamente na conta corrente ou no boleto bancário, seja na forma que for, pagar é preciso: as passagens, o hotel, o carro alugado, as compras, almoços e jantares … Esse item pode ficar menos chato se você se programar bem, fizer uma reserva e mantiver o controle nos gastos. Prometo lembrar disso no ano que vem.

 

Tudo posto e listado, fique certo do seguinte: independentemente de qualquer uma dessas ou de outras chatices que você encontrar no seu caminho, tirar férias é muito bom. Tão bom que já estou louco para encarar poltronas apertadas, carros estreitos, emails lotados e spam na minha caixa de correio …

 

Até breve, férias!

Desligar é preciso!

 

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Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!

Moradores de Bento Rodrigues querem garantir o direito à vizinhança

 

Fotos produzidas pelo Senado

Bento Rodrigues destruida pela negligência Foto: RogérioAlves/TV Senado

 

Bento Rodrigues já havia completado 317 anos quando a negligência de uma empresa que explora a região causou o maior desastre ambiental do mundo envolvendo barragens de rejeitos. Apesar dos mais de três séculos de vida, o subdistrito de Mariana com cerca de 600 moradores somente foi apresentado para a maioria dos brasileiros após a Samarco despejar toneladas e mais toneladas de lama sobre casas e pessoas.

 

A Tragédia de Mariana foi em cinco de novembro de 2015 e mesmo com o passar do tempo a empresa não só é incapaz de impedir que a lama siga escorrendo como também não tem demonstrado competência para solucionar o drama das famílias.

 

Hoje cedo, na programação da CBN, ouvi mais uma reportagem com os moradores do antigo Bento. Gente de voz humilde que teve sua história atolada no descaso da Samarco e agora tenta a reconstrução da sua vida.

 

Um dos habitantes pedia que a empresa respeitasse a arquitetura do povoado e reconstituísse o ambiente em que viviam, mantendo a mesma divisão territorial.

 

O que os moradores pedem é que a casa do Zé seja construída ao lado da casa do Pedro e esta construída ao lado da casa do João, como era no Velho Bento. Que a venda da Maria esteja no quarteirão seguinte e a Igreja um pouco mais à frente. Os vizinhos querem continuar vizinhos, não perder seus laços. Querem o direito de poder sentar na calçada e receber os parentes que moravam em frente, como sempre foi.

 

Desde o início desta tragédia, a Samarco, assim como a Vale e a BHP, que são as donas da empresa enlameada, têm revelado incompetência para gerenciar a crise. Erraram no trabalho de preservação, erraram na contenção, erraram na comunicação, erraram no atendimento dos cidadãos e parece que vão continuar errando.

 

Ao acompanhar a reportagem que foi ao ar na CBN, fiquei imaginando a oportunidade que a empresa e seus controladores estão desperdiçando. Já que causaram este drama humano e ambiental, deveriam ser corajosos e criativos na oferta de solução.

 

Respeitando o espaço de cada família e mantendo o mesmo desenho urbano, poderiam investir nas mais avançadas tecnologias ambientais, transformando o Novo Bento em um exemplo para o mundo.

 

Começariam pela escolha do material de construção, privilegiando os de baixo impacto ao meio ambiente.

 

No meu cenário ideal, as casas teriam telhados cobertos por placas fotovoltaicas e produziriam a própria energia. Todos os dejetos e resíduos orgânicos seriam coletados por tubulação e transferidos para uma usina que transformaria este material em biogás para uso residencial. Resíduos sólidos seriam reciclados. E a água, reaproveitada.

 

Diante do custo mais elevado desta reconstrução, a Samarco poderia mobilizar empresas que desenvolvem esses sistemas e equipamentos, que fariam de Bento Rodrigues vitrine dessa tecnologia verde.

 

Um delírio da minha parte, sem dúvida, pois a empresa não estaria cumprindo sequer o mínimo que se comprometeu como contratar mão de obra local para execução dos serviços de manutenção e reconstrução de áreas atingidas, como reclamou dia desses o prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves Junior.

 

Que ao menos devolva o direito à vizinhança para o Seu Zé, o Seu Pedro e o Seu João de Bento.

Jovens não acreditam em aposentadoria e desafiam mercado de trabalho

 

 

Em arquivos pessoais, guardados em um dos muitos discos rígidos que mantenho em casa, encontro gafe cometida em entrevista à TV Câmara pelo então presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti. Diante da acusação de irregularidades cometidas por ele, acabara de se reunir com líderes dos partidos e sacado da maleta um pacote de medidas para o País, aquilo que os políticos costumam chamar de agenda positiva. Das medidas que Cavalcanti listou durante a entrevista, antes de sofrer um “apagão”e interromper a conversa ao vivo com o jornalista da emissora, estava a necessidade de o Brasil fazer a reforma da Previdência.

 

A gravação é de 2005 e pouco tempo depois Cavalcanti renunciou ao cargo para escapar da cassação por cobrar propina de R$ 10 mil por mês do dono de um dos restaurantes da Câmara dos Deputados. Pouco mais de 10 anos depois do ocorrido, o ex-deputado está com 84 anos e afastado da política. E a reforma da previdência segue sendo uma promessa não cumprida.

 

Com o governo em exercício de Michel Temer, o tema voltou à pauta. E sofre os mesmos ataques: mudanças nas regras não podem prejudicar quem já está dentro do sistema; aumento da idade mínima não resolverá as contas da previdência; o combate a fraudes e desvios seria suficiente para equilibrar o caixa; e mais uma série de afirmações que são usadas para que tudo fique como está.

 

Gente de primeira linha já mostrou por A + B que a previdência não resiste por muito tempo se não houver mudança no cálculo da aposentadoria e países – mundo afora – já deram mostras da encrenca que se aproxima aqui no Brasil. Prefiro, porém, deixar para quem entende profundamente do tema que use os argumentos mais apropriados para que a reforma avance.

 

Estou aqui lembrando do assunto pois leio, em O Globo, que 12% dos jovens entre 20 e 34 anos esperam trabalhar até morrer, segundo pesquisa feita pelo Manpower Group e pela Reputation Leaders, com 19 mil millennials (a geração que nasceu a partir de meados da década de 1980).

 

O Japão é o país com a maior porcentagem de entrevistados que não esperam se aposentar. São 37%, pouco mais de duas vezes o índice do segundo colocado, a China (18%). A Grécia, que deixou-se quebrar para depois fazer mudanças radicais nas regras da previdência, aparece em terceiro lugar, com 15% – informa a reportagem que você pode ler aqui.

 

O Brasil, diz a pesquisa, ocupa a 12a colocação: 10% dos jovens acreditam que vão trabalhar a vida toda, sem conseguir se aposentar. Um dado interessante é que de 60% a 69% dos millennials brasileiros estão confiantes ou otimistas com as perspectivas de suas carreiras.

 

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Vale a pena ler a pesquisa completa pois há outras informações importantes sobre o comportamento dos millennials em relação ao mercado de trabalho

 

O resultado deste estudo, em relação a perspectiva de aposentadoria, nos aponta para algumas verdades.

 

A primeira, e mais óbvia, é que há descrença quanto as regras da previdência pública, pois poucos acreditam que poderão contar com o dinheiro da aposentadoria para se manter.

 

A segunda é que precisaremos urgentemente pensar como o mercado de trabalho será capaz de acolher essa mão de obra. Se os jovens acreditam que terão de trabalhar até ficarem velhos (na melhor das hipóteses, muito velhos), onde estarão os empregos para os mais jovens que continuarão chegando a esse mercado?

 

Definitivamente, a discussão do Trabalho e da Previdência não tem mais espaço para gafes, esquecimentos e manobras nem pode ficar refém de políticos sem compromisso com o futuro.

Empreendedorismo: não evite notícia ruim, use-a a seu favor

 

 

Na rádio ou no jornal; na TV ou na internet. As notícias ruins estão por aí. Muitas vezes, nos assustam. Tem gente que se esconde delas. Outros, apagam o rádio, não leem e não veem, temendo ser contaminados pelo pessimismo.

 

Uma das questões apresentadas durante o Papo de Professor, promovido pelo Sebrae Pronatec, foi como os empreendedores deveriam se proteger das notícias ruins. Minha ideia é muito clara: informação é essencial para planejarmos e nos preparamos. Portanto, não evite as notícias ruins, use-as para estar pronto para encarar o próximo desafio.

 

Assista a outros vídeos com perguntas e respostas sobre empreendedorismo.