Tolerância e humildade, por Flávio Gikovate em 14 tuítes

 

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Flávio Gikovate morreu aos 73 anos, nessa quinta-feira. Esteve com a gente na CBN até bem pouco tempo, enquanto a doença permitiu. Fazia um programa inovador dentro de uma emissora que se dedica a transmitir notícias: tornava público seu divã e, a partir dele, atendia a centenas de solicitações de ouvintes, que abriam coração e alma para compartilhar suas angustias.

 

Mesmo internado, no Hospital Albert Einstein, seu conhecimento ainda encontrava espaço para chegar até o público que o admirava, através de seu perfil no Twitter. Nas últimas horas, escreveu em 14 tuítes sobre a intolerância, e eu tomo a liberdade de dividir com você os pensamentos do médico, psiquiatra e colega de rádio CBN.

 

Uma boa definição de pessoa humilde consiste na real disposição de ouvir e de aprender sempre, inclusive com aqueles que sabem menos que ela

 

 

Tolerantes são os que conseguem se irritar muito pouco com a parte desagradável presente em suas atividades e nas pessoas com quem convivem.

 

Ser tolerante é enorme vantagem, pois lidar bem com quem não nos agrada facilita a vida social e o encontro daqueles que consideramos legais

 

A tolerância tem a ver com a capacidade de respeitar diferenças de pontos de vista e de estilo de vida. Não ser pessoa crítica ajuda muito.

 

Por vezes tem a ver com a humildade: não se achar pessoa tão especial cria condições favoráveis para um convívio diversificado.

 

Muitos se fazem de tolerantes apenas com o intuito de seduzir e cativar seus interlocutores. São falsos e movidos por interesses duvidosos.

 

Pessoas intolerantes sempre passam uma imagem de arrogância e superioridade, de quem se impacienta e se aborrece com as “tolices” que ouve.

 

Não é raro que os mais intolerantes se considerem (e alguns sejam) mais inteligentes e cultos que seus colegas. O sucesso não passa por aí!

 

Uma pessoa humilde de verdade tem ciência de que seu saber é limitado e que a arrogância e altivez intelectual corresponde a um grave engano.

 

Quem é intelectualmente arrogante se acha portador de um saber inquestionável: ao ser contestado, não ouve o interlocutor com real respeito.

 

As pessoas que acham que sabem muito se afastam da “porosidade” psíquica: seus diálogos visam apenas fazer prevalecer seus pontos de vista.

 

A pessoa arrogante não se interessa pelo que o outro diz: ao ouvi-lo, só está se municiando de argumentos para desqualificar seu raciocínio.

 

A humildade corresponde a um estado de alma em que predomina o respeito pelas outras pessoas: pelo modo como vivem, pensam e se comportam.

 

Uma boa definição de pessoa humilde consiste na real disposição de ouvir e de aprender sempre, inclusive com aqueles que sabem menos que ela.

4o Beta Jornalismo: a plataforma não é jornalismo; o jornalismo está no conteúdo

 

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Encerrei semana passada, em Curitiba, conversando com estudantes de jornalismo no 4o Beta Jornalismo, promovido pelo curso de jornalismo Escola de Comunicação e Arte da PUC-PR. Levei para o palco do encontro a palestra “Jornalismo em crise? Oba” na qual descrevo inúmeras situações que enfrentamos no nosso cotidiano mas, principalmente, exalto pessoas e veículos que têm buscado soluções para as dificuldades que surgem.

 

A conversa foi longa e produtiva. É muito bom ver estudantes entusiasmados com a escolha da profissão que fizeram e esperançosos de que serão capazes de oferecer soluções para os desafios que aparecem na nossa trajetória, mesmo que diante de muitas incertezas ainda.

 

Fiz questão de reforçar a ideia de que o futuro do rádio e do jornalismo vai surgir a partir das experiências que eles desenvolverem no ambiente universitário ou de um cara qualquer que resolva se debruçar sobre o tema na frente da tela de seu computador e talvez jamais tenha pensado em entrar em uma faculdade de jornalismo.

 

Em virtude da agenda de palestras, respondi apenas algumas das muitas perguntas enviadas à moderadora do encontro, a professora Michelle Thome. As demais recebi por e-mail e aproveito para publicá-las aqui no Blog com as devidas (ou indevidas) respostas.

 

Como pretensão e água benta não fazem mal a ninguém (é esse mesmo o ditado?), espero assim abrir um espaço para dialogarmos com estudantes e profissionais de jornalismo.

 

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Vamos às perguntas. Vamos às respostas:

 

 1) Quando e como você teve a ideia de fazer uma palestra sobre a crise no jornalismo?

 

Minha inspiração foi o livro “Problemas? Oba”, de Roberto Shinyashiki, tema de entrevista realizada no programa Mundo Corporativo da CBN. A ideia de substituir o soluço por soluções diante de uma crise, me pareceu mais honesta com jovens que decidiram seguir carreira no jornalismo. Quando pensei nas crises que tive de encarar desde que me inicie na profissão, percebi que essas dificuldades já nos desafiavam há muito mais tempo: antes mesmo de começar no jornalismo, na década de 80, havia assistido às dificuldades enfrentadas pelo meu pai para manter sua família diante dos problemas econômicos da companhia jornalística na qual dedicou toda sua vida.

 

2)    Você disse que os estudantes devem pensar em radiojornais diferentes daquele que você e outros profissionais fazem. Que tipo de radiojornal você gostaria de fazer se tivesse sua própria rádio?

 

Faço o jornal que gostaria de fazer: abrindo a manhã do noticiário, com equipe de reportagem cobrindo os principais fatos, entradas ao vivo sempre que necessário, amplo e diversificado time de comentaristas, liberdade para tratar dos diferentes temas e em uma emissora que me oferece prestígio e projeção. Dos mais jovens, espero novas ideias e capacidade para me mostrar caminhos diferentes para atuar. Estou disposto a encarar os desafios que me forem propostos.

 

3)    Percebo que, às vezes, eu e os colegas não temos vontade de ir atrás das fontes, evitamos fazer ligação telefônica ou ir até o local… será alguma característica da nossa geração? Como combater essa preguiça?

 

Não é preguiça, é timidez. E timidez é comum. Também tive medo de conversar com outras pessoas, constrangimento em questionar personalidades e dúvida se a abordagem que deveria fazer era a mais apropriada. Pegue o telefone agora e ligue para aquela fonte que você está precisando falar … o tempo nos ajuda a superar essas barreiras, pode ter certeza.

 

4)    O que você acha do jornalista que, além de dar a notícia, faz o papel de comentarista?

 

Isso depende do estilo de apresentação de cada profissional. Alguns são mais adeptos da reportagem, da informação; outros, do jornalismo opinativo. Há espaço para todos eles na programação. E demanda do público, também.

 

É preciso ainda levar em consideração que mesmo o jornalista que supostamente só da notícia também dá opinião na escolha da notícia que dá e na ênfase do fato que relata.

 

Devemos tomar cuidado apenas para não nos transformarmos em falastrões, apesar de este tipo de apresentador fazer sucesso em alguns lugares.

 

5)    Há espaço para a radiodramaturgia hoje em dia?

 

O investimento em documentário de rádio me parece mais viável, um modelo pouco explorado na programação, dada a necessidade de planejamento apurado, roteiro mais bem elaborado e sonorização qualificada – nem sempre encontramos espaço para a produção deste tipo de material na programação. Gostaria, porém, de ver emissoras produzindo documentários. Seria bem interessante desenvolver esta experiência.

 

6)    Tem alguma emissora de rádio – ou programa jornalístico – no exterior que você recomenda que a gente ouça?

 

A BBCNews, em Londres, faz excelente trabalho radiofônico assim como a NPR , nos Estados Unidos. São dois grupos de comunicação que exploram diferentes formatos de programa e o fazem de maneira qualificada.

 

7)    Qual a diferença entre o programa de rádio e o podcast feito a partir dele?

 

Nem todo produto de rádio deve ser transformado em podcast. Porém, todos os quadros, comentários, reportagens e programas especiais produzidos no rádio podem ser oferecidos neste novo formato. E não há necessidade de adaptação. As emissoras podem, também, aproveitar da infraestrutura técnica e da equipe de profissionais que mantém para produzir material exclusivamente em podcast. O desafio é tornar este modelo sustentável. Para se ter ideia: em um mês, os ouvintes da CBN baixam mais de 10 milhões de podcasts produzidos pela emissora.

 

8) Todo mundo pode fazer jornalismo? Plataformas como o Medium ajudam ou atrapalham o trabalho do profissional?

 

Seguindo critérios jornalísticos tais como o respeito a regras básicas, apuração precisa, busca incessante da verdade e a manutenção da hierarquia do saber, todos podem produzir material com características jornalísticas e reproduzi-lo em diferentes meios de comunicação, inclusive (por que não?) no Medium. Vamos lembrar que a plataforma não é  jornalismo; o jornalismo está no conteúdo.

 

9)  Para você, qual o melhor assunto para se cobrir?

 

Os fatos que ajudam a transformar pessoas, independentemente da área em que aconteçam: na política, na economia, na saúde, na educação …

 

10) Você recomenda que o ouvinte entre diretamente com sua voz no ar para passar uma informação relevante, como acidente de trânsito?.

 

Recentemente, durante o furacão Matthew, nos Estados Unidos, colocamos no ar, ao vivo, moradores da região. No triplo acidente – terremoto, tsunami e desastre nuclear – que ocorreu no Japão, há cinco anos, também usamos esse recurso. Já ocorreu de fazermos uso dos ouvintes para relatar situações críticas nas cidades como dificuldades no transporte público.

 

O ouvinte é uma fonte de informação que deve ser respeitada e levada em consideração na cobertura dos fatos. Lembre-se, porém, que a responsabilidade pela informação publicada ainda assim é do jornalista. Portanto, podemos usar essa estratégia mas com comedimento e responsabilidade. Deve ser exceção e não regra.

 

11) Quais suas técnicas para agilizar o processo de busca de informações?

 

Formar uma boa rede de fontes, que são pessoas e serviços que tenham um nível de informação acima da média nas mais diferentes áreas. Jamais esqueça, porém, que um dos desafios na nossa função é equilibrar agilidade e precisão. Nunca sobrepor uma a outra.

 

12) Como manter a credibilidade com a fonte quando ela pede para não ser identificada?

 

Não identificá-la, sem dúvida.

 

Antes disso, porém, entender quais os interesses que levariam aquela determinada fonte a passar uma informação e não querer que sua identificação fosse revelada. Lembre-se que não existe OFF sem interesse.

 

E não esqueça: preservar o sigilo da fonte é um direito do jornalista, mesmo que ações recentes da Justiça tenham tentado quebrar essa relação de confiança.

 

13) O que uma boa cabeça de matéria de rádio deve conter?

 

Primeiramente, um texto simples, direto e objetivo; escrito para quem vai ouvir e não para quem vai ler; capaz de instigar a curiosidade do ouvinte sem contar toda a história. Erro comum no rádio: repetir na cabeça o texto de abertura da reportagem. Elimine essa prática.

 

14) Seu pai trabalhou anos em rádio. O que ele te ensinou sobre esta profissão?

 

Aprendi muito assistindo e ouvindo meu pai na locução das sínteses noticiosas que apresentou, nos programas que participou e nos jogos que narrou. Alguns aspectos me chamaram mais atenção: a precisão na pronúncia dos nomes e descrição dos fatos, a correção no uso da língua portuguesa e, especialmente, a humildade diante do microfone e a honestidade frente aos colegas e empresa.

 

15) É possível fazer estágio na CBN São Paulo?

 

A rádio CBN, assim como todas as emissoras que integram o Sistema Globo de Rádio, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, realiza programa de estágio para contratação de estudantes de jornalismo. Neste momento, estão abertas as inscrições para alunos que se formarão em dezembro de 2017. Não perca esta oportunidade.

 

A seguir, alguns posts sobre jornalismo publicados neste blog:

 

Sete características essenciais para ser jornalista

 

Jornalismo pragmático esquece o ser humano

 

O desafio que a união do rádio com a internet impõe aos estudantes de jornalismo

 

Entrevista: o rádio, o jornalismo e o jornalista na era da internet

 

No jornalismo nem tudo é relativo

Comunicar para liderar é destaque na estreia de O Inédito Viável na internet

 

 

O consultor Emerson Wesley Dias é autor do livro “O Inédito Viável” que se transformou em programa na internet. Tive a oportunidade de participar da estreia do canal dele no You Tube quando falei sobre comunicação, carreira, negócio, jornalismo e cidadania. A base da nossa conversa com o livro “Comunicar para liderar” que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

Assistindo à batalha do esporte eletrônico

 

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Algumas coisas se atravessam no nosso caminho e para não sermos atropelados pela ignorância, nos cabe a busca do conhecimento. Foi assim que os esportes eletrônicos entraram na minha vida. Praticado pelos filhos, no início os assistia de revesgueio, pois estava na tela do computador deles, que fica sobre a mesa que compartilhamos em casa. Em breve, o tema passou a fazer parte de nossas conversas na mesa da cozinha (onde almoçamos e jantamos juntos) e dos sonhos que eles construíam: um deles disposto a seguir o jornalismo e o outro ensaiando carreira de psicólogo e analista; ambos propensos a se dedicar ao eSport.

 

A primeira coisa que eles fizeram questão de me ensinar é que esporte eletrônico não é videogame. Melhor, videogame não é sinônimo de esporte eletrônico. Pra ser mais preciso: nem todo videogame é esporte eletrônico.

 

Jogar Super Mario Bros é jogar videogame. Jogar Donkey Kong é jogar videogame. Até mesmo o NBA Live que me fez companhia nos primeiros meses em que morei em São Paulo e no qual brinquei muito de jogador de basquete é só videogame. Não é considerado esporte eletrônico, apesar de inspirado em uma modalidade esportiva.

 

O eSport se caracteriza pela formação de comunidades no entorno dele, criação  de equipes e organização de campeonatos. O jogo e seus criadores por si só não são capazes de sozinhos transformarem um videogame em esporte eletrônico.

 

Street Fighter era diversão no Fliperama, onde os fãs começaram a disputar competições por conta própria, a ponto de chamarem a atenção da Capcom, sua criadora, para o potencial que havia na organização de campeonatos.

 

Clash Royale já começou “mal intencionado” e seus desenvolvedores instigam os praticantes a participarem de disputas. Nesse fim de semana, teve campeonato transmitido ao vivo pelo canal Esporte Interativo, direto de São Paulo.

 

League of Legends (LoL) parece ter nascido disposto a ser esporte eletrônico, mas só se capacitou ao titulo de eSport mais praticado do mundo graças a comunidade que se criou em torno dele e a formação de organizações que disputam campeonatos nacionais e internacionais.

 

Foi o LoL quem me trouxe para o mundo do eSport. Os meninos aqui de casa jogavam, gostavam e me contavam detalhes das disputas. Assisti a campeonatos em São Paulo e me impressionei com a quantidade de pessoas envolvidas. Mais ainda com o nível de organização.

 

O jogo tem uma empresa, a Riot, que funciona como uma espécie de Fifa – perdão por traçar paralelo com o futebol, mas é a referência que nós brasileiros temos quando o assunto é esporte. É ela quem organiza os eventos em todo o mundo, desenvolve os mapas onde as disputas ocorrem e impõe as regras para o jogo e para as organizações que surgem a partir dele. Chega a distribuir U$ 2,5 milhões em prêmios no seu principal campeonato.

 

Os times são formados por cinco jogadores, fora os reservas, que costumam ficar confinados em game houses onde treinam sob orientação de técnico, analista, psicólogo e, em alguns casos, nutricionista e preparador físico. Têm torcidas fanáticas que vibram com seus ídolos, jovens que se dedicam 24 horas à atividade e patrocinadores que sustentam e se beneficiam desta adoração.

 

Um dos donos de equipe aqui no Brasil com quem tive oportunidade de conversar  tentou me definir a organização como sendo o “Flamengo do esporte eletrônico”. Queria me mostrar que, da mesma forma que um clube de futebol, o time dele tem sede, diretoria, jogadores e infraestrutura para capacitá-los. Sempre bom guardar as devidas proporções, é lógico.

 

Há alguns meses estive na final do Campeonato Brasileiro – CBLoL – realizada no ginásio do Ibiraquera com todos seus assentos tomados por pouco mais de 10 mil jovens entusiasmados e engajados. Assim como eles, vibrei com a vitória da INTZ, uma das principais organizações do país que, neste fim de semana, também garantiu presença do Mundial de LoL, que se realizará em outubro e novembro, nos Estados Unidos.

 

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A vitória dos brasileiros não apenas garantiu-lhes a viagem como espantou fantasmas. Já haviam disputado duas vezes a etapa classificatória para o Mundial, representando o Brasil, mas não foram adiante. Na primeira, perderam para um time turco. No sábado, não bastasse terem conquistado a vaga ainda o fizeram em cima de uma equipe da Turquia. DoubleKill – se é que você me entende.

 

A disputa final, contra os turcos da Dark Passage, foi em melhor de cinco, com vitória por 3×2, diante de torcedores que gritavam o nome do Brasil e entoavam o já tradicional “eu acredito” nos momentos mais difíceis, na Ópera de Arame, em Curitiba. A partida foi assistida por milhares de pessoas na internet ou na SporTV, que dedicou seis horas de sua programação à competição.

 

Fiquei grudado na tela. Comemorei os ataques e os objetivos alcançados pelos brasileiros e sofri toda vez que o adversário derrubava nossas torres ou abatia nossos campeões. Curti a história daqueles jovens que sob forte pressão superaram seus medos e calaram, com esforço, talento e estratégia, os críticos de sempre – aquela turma que tem como esporte preferido atacar reputações e destruir qualquer um que se sobressaia em sua área.

 

Continuo não entendendo os golpes, contra-golpes e feitiços usados pelos jogadores nas batalhas campais. Mas me sai bem melhor agora do que das primeiras oportunidades. Já fui capaz de perceber que mais importante do que abates, são a derrubada de torres e dragões e o acúmulo de riqueza. Enxerguei melhor as estratégias, seja pela transcrição dos narradores seja pelos alertas dos meus conselheiros particulares.

 

Claro que apenas me dediquei a assistir ao LoL na televisão por envolvimento familiar. Não é a minha praia, mesmo admirando a organização da modalidade. Cresci em outra geração, tendo os esportes tradicionais como atração: especialmente o futebol e o basquete. Há, porém, uma legião de jovens que têm sua cultura forjada pelo cenário digital, que talvez nunca tenham tido a oportunidade ou a vontade de assistir a uma partida de futebol, no estádio.

 

É por causa dessa nova turma que emissoras como SporTV e Esporte Interativo têm dedicado parte de sua grade de programação às disputas dos jogos eletrônicos. A ação, como já era de se esperar, sofre críticas de grupos que não entendem porque canais de esporte tratam de eSport. Usam todo tipo de alegação e comparação para provarem que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Perda de tempo total.

 

Muito provavelmente o esporte tradicional e o eletrônico jamais conviverão em alguns cenários, por exemplo nos Jogos Olímpicos como chegam a imaginar os fãs do eSport – e corro sério risco de queimar a língua com esta frase. Isso também não importa. Tem espaço e público para todas as modalidades, digitais ou não.

 

Quem for mais bem organizado e competente que se estabeleça.

O impeachment de Dilma e o governo de Temer

 

O impeachment de Dilma Roussef me entristece – e, claro, você já esta pronto para me acusar de comunista e petralha.

 

Ao mesmo tempo, torço para que Michel Temer tenha sucesso em seu governo – e poucos segundos bastam para eu ser acusado de golpista.

 

Tem sido assim nestes últimos meses no Brasil.

 

Uma fala é suficiente para nosso interlocutor traçar seu perfil. Uma entrevista que eu faça basta para que meu caráter seja questionado. Ouvir o contraditório é pecado de lesa pátria. Intolerável.

 

Nas redes sociais, surgem comentários de todas as tonalidades e às vezes versando sobre o mesmo conteúdo. E não coloque a culpa na rede, esta é apenas tecnologia à disposição das pessoas. A responsabilidade está na forma como nossos ouvidos e mentes estão contaminados por nossas convicções.

 

O diálogo foi interrompido. Todos gritam e poucos querem escutar.

 

A busca pelo equilíbrio, a mediação independente ou o contraponto necessário. Nada disso é levado em consideração. No mínimo, é crime de omissão. E seu autor é condenado a crítica desrespeitosa.

 

Independentemente do que pense, entristece-me o impeachment de Dilma, porque é resultado do fracasso da gestão, foi provocado por uma série de erros na condução das políticas públicas e com prejuízos a boa parte da população, especialmente aos mais frágeis que aparecem na enorme fila de desempregados: 11,8 milhões de pessoas, calcula o IBGE em pesquisa divulgada ainda nesta semana.

 

Além disso, o processo foi a extensão de uma crise que se iniciou antes mesmo das eleições do ano passado. E de uma cisão na sociedade brasileira que foi se tornando insuportável. Capaz de separar amigos, inviabilizar o almoço de domingo com alguns parentes e prejudicar as relações no escritório.

 

Independentemente do que pense, torço pelos sucesso do governo Temer porque é a única solução possível e razoável neste momento. Com a discussão necessária no Congresso Nacional, espero ver a aprovação de projetos que façam o Brasil voltar a crescer, o dinheiro circular com maior igualdade e as oportunidades de emprego serem retomadas.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque não tenho interesse nos interesses partidários e políticos – apesar de estar atento a estes para a análise jornalística.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque no fim das contas o que me interessa é o Brasil e os brasileiros. Conciliados, dialogando e prosperando.

 

E, claro, com os corruptos na cadeia. Todos!

Ribeirão Preto tem talk show e lançamento do livro”Comunicar para liderar”

 

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(texto publicado no site MaxPress)

 

A Revide – revista de maior circulação em Ribeirão Preto e região, com edições semanais gratuitas, há trinta anos no mercado – promove no dia 19 de agosto (sexta-feira), às 19 horas, no Hotel Mont Blanc (Avenida Maurílio Biagi, 1577) palestra e lançamento do livro “Comunicar para liderar”, da editora Contexto, com os autores Mílton Jung e Leny Kyrillos. Durante o encontro Jung que é jornalista e âncora da Rádio CBN e Leny, escritora, fonoaudióloga e comentarista da Rádio CBN, vão abordar os ensinamentos que trazem na obra sobre a comunicação e maneira de falar, passando pela importância de se expressar bem, até a liderança.

 

Segundo Jung, a publicação era um projeto que ele e Leny desenhavam há pelos dois anos. “Tínhamos o desejo de reunir as informações que levantamos no decorrer de estudos para compartilhar com as pessoas e ajudá-las a se transformarem pessoal e profissionalmente”, comenta. Leny afirma: – “Eu e o Milton compartilhamos várias oportunidades de trabalho em conjunto e trocas de ideias produtivas. Construímos, ainda, uma relação de muita harmonia e respeito”, diz.

 

Sobre a parceria com Leny, Jung comenta que teve início no fim dos anos 90. “A nossa primeira experiência foi com os trabalhos de observação que a Leny fez na TV Cultura, onde eu era âncora do Jornal da Cultura. Depois, passamos a ser convidados para os mesmos eventos, quando tivemos a oportunidade de trocar informações e experiência. Com o tempo surgiu uma sinergia de ideias e propósitos. Construímos não apenas uma relação profissional, nossas famílias passaram a conviver e nos transformamos em grandes amigos”, explica.

 

“A velocidade com que a informação circula, a maneira como é compartilhada e o fácil acesso para todo cidadão provocaram uma revolução neste cenário. Nas últimas três décadas, segundo estudos, quintuplicou a quantidade de mensagens que uma pessoa recebe no decorrer de um dia. Isso significa que, para os produtores de informação, torná-la relevante é um desafio a ser enfrentado. Hoje, os meios de comunicação não têm mais o monopólio da informação. Todos somos emissores de mensagens e temos ferramentas para fazê-las ir ainda mais longe. Aos profissionais, cabe usar experiência, conhecimento e criatividade para se diferenciar dos demais”, analisa Jung sobre as mudanças do jornalismo nos últimos 30 anos.

 

Para Jung adaptar-se as novas exigências foi um dos desafios que enfrentou na comunicação nas últimas três décadas. “Estar atento as novidades que a tecnologia nos proporciona no campo da informação e saber equilibrar dois conceitos básicos no jornalismo: agilidade e precisão. Todas as vezes que abrimos mão da precisão em nome da agilidade, pagamos com o que há de mais caro na nossa vida de jornalista: a credibilidade”, exemplifica.

 

“A comunicação é fundamental em todas as circunstâncias da nossa vida pessoal e profissional. É a competência que nos permite trocar ideias, expressar sentimentos, ensinar e aprender. Ao nos comunicar, construímos percepção e o outro reage imediatamente. No nosso dia a dia, vale a pena trazermos para nós a autonomia de produzir a reação que precisamos ou queremos”, exemplifica Leny sobre a oratória.
O trajetória de Leny na Rádio CBN começou quando por intermédio de seus atendimentos aos profissionais do veículo. “Em 2014 surgiu o convite para fazer um piloto com o Carlos Sardenberg e a experiência tem sido bastante positiva”, comemora.

 

Isabel de Farias, diretora da Revide destaca que receber Mílton Jung e Leny Kyrillos nas comemorações dos 30 anos da revista é um presente. “Eles são profissionais de destaque na comunicação. Além de falar dessa incrível ferramenta vão lançar o livro ‘Comunicar para liderar’. O bate-papo será uma experiência engrandecedora para todos”, finaliza.

 

O evento faz parte das comemorações do trigésimo aniversário da Revide – revista de maior circulação em Ribeirão Preto e região, com edições semanais gratuitas, dentro do ciclo de palestra que acontece mensalmente, sempre relacionadas à comunicação.

 

Para participar é preciso doar dois litros de leite que serão destinados ao Núcleo Dom Bosco. A troca pelo convite pode ser realizada na Revide (Rua Heitor Chiarello, 882), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

 

Serviço
Palestra e lançamento do livro “Comunicar para liderar”, com Mílton Jung e Leny Kyrillos
Data: 19 de agosto (sexta-feira)
Horário: 19 horas
Local: Hotel Mont Blanc (Avenida Maurílio Biagi, 1577)
Entrada: dois litros de leite que serão destinados ao Núcleo Dom Bosco. A troca pelo convite deve ser realizada na Revide (Rua Heitor Chiarello, 882), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Rafaela Silva e o atrevimento de ser medalha de ouro no Brasil

 

 

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Reproduçao da transmissão da SportTV

 

Hoje, reverenciamos Rafaela Silva, a jovem carioca que aos 24 anos ganhou a medalha de ouro, no judô olímpico. O primeiro ouro brasileiro na Rio2016. Falamos seu nome com orgulho. Há quem a considere uma heroína, outros a transformaram em sinônimo de superação; e todos a queremos como referência e exemplo para os jovens que nascem desgraçados da vida.

 

Nem sempre foi assim.

 

Como você já deve saber, Rafa – sim, nos atrevemos a tratá-la pelo apelido que antes só servia aos íntimos – é de família muito pobre, da Cidade de Deus, superou-se ao encontrar projeto social que investe no esporte e teve seu desempenho financiado com o cartão de crédito do treinador Geraldo Bernardes.

 

A coragem de se transformar em vencedora, vivendo em um lugar onde seus moradores não têm este direito, cobrou dela preço muito caro: classificou-se para representar o Brasil nas Olimpíadas de Londres, em 2012 – o que seria um orgulho para qualquer atleta. Uma irregularidade cometida no tatame, porém, tirou-lhe a chance de medalha e a colocou no centro de ataques racistas.

 

Rafaela não esqueceu o que enfrentou. A mãe dela também não.

 

A atleta queria ficar esquecida dentro de seu quarto. Escondida. A mãe contou com o apoio dos amigos para a jovem voltar a treinar. Voltou e foi campeã mundial.

 

Nem assim Rafaela esqueceu. A mãe também não.

 

Desde a primeira entrevista ainda suando e ofegante da última luta desta terça-feira  até a fala com os jornalistas após tomar um banho dourado pela medalha conquistada, Rafaela e a mãe repetiram à exaustão as palavras que foram usadas para atacar a jovem: macaca. E assim que falam, choram. Só elas sabem o tamanho desta dor. Elas e todos os que como elas são frequentemente atacadas por essa gente estúpida e racista.

 

Foi esta jovem, a crença de sua mãe e o poder transformador do esporte que me fizeram chorar escondido por mais de uma vez e todas às vezes em que ela apareceu na televisão, após o ouro olímpico. Chorei emocionado pelo que conquistaram. E envergonhado pelo que sofreram.

Cinco coisas chatas quando você sai de férias (e volta)

 

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Estar de volta ao trabalho é sempre um prazer, desde que se goste muito do que se faz. É o meu caso. Por isso, madrugar nesta terça-feira para estar à frente do Jornal da CBN foi uma tarefa agradável, depois de duas semanas de férias.

 

No período em que estive distante do trabalho, aproveitei o que pude cada momento. Especialmente para descansar.

 

Li alguns livros, como de costume. Bebi e comi. Descansei mais um pouco. Fiz passeios por lugares interessantes ao lado da família e sem nos impor uma agenda turística muito intensa. Ou seja, evitamos o excesso de programas e deslocamentos que costuma deixar o viajante mais cansado do que relaxado.

 

Faço esse introdutório para que ninguém pense que sou um chato de galocha daqueles que reclamam de tudo e de todos. Agora, e imagino que você me dará razão no que escreverei a seguir, tirar férias gera algumas situações incomodas.

 

A primeira que listo – e isso não quer dizer que é a mais chata, apenas que foi a que me veio à memória no momento em que escrevo – está relacionada as poltronas de avião. Atravessei o Atlântico em direção à Europa. Portanto, foram mais de 11 horas de voo até o destino final.

 

Fico imaginando quem desenhou aqueles assentos. E bastam alguns minutos no ar para entender porque não temos na lista dos mais renomados designers do mundo nenhum projetista de poltrona de avião. Claro que a situação piora com o espaço que a fabricante de aviões, com a anuência da companhia aérea, oferece para os passageiros. Mas mesmo que você tenha a sorte de marcar assento na saída de emergência ou decida pagar um pouco mais por algo que chamam de “espaço conforto” (ou qualquer outro nome criativo), é impossível relaxar naquelas cadeiras. Quem descobrir uma poltrona de avião que não faça mal às costas, me avise. Não vale a da primeira classe.

 

E como o tema é tamanho, sigo na minha lista de coisas chatas que acontecem nas férias. Antes de sair do Brasil, aluguei um carro para quatro pessoas e três malas. Um modelo que se encaixasse na categoria de “carro grande”, como informava o site de buscas de preços e serviços que consultei. O modelo que aparece na imagem nunca é o mesmo que está à disposição; sem contar que jamais se encaixa no seu conceito de carro grande. Portanto, você e as bagagens só vão caber lá dentro após um esforço extra da família, bancos rebaixados e malas espremidas.

 

O terceiro item da minha lista está diretamente relacionado a compra das passagens e do aluguel do carro. A tecnologia nos permite consultar vários sites que agregam preços de companhias aéreas, locadoras de carro e hotéis, além de programas turísticos. Minha experiência mostra que esses serviços facilitam a compra e costumam oferecer preços razoáveis. Também mostra que depois do negócio fechado, eles nunca mais soltam o seu pé. Além de receber uma quantidade enorme de ofertas por e-mail, basta abrir um site para você se deparar com um banner deles relacionados a sua viagem, sempre propondo mais uma ótima oportunidade, sugerindo um novo roteiro e atrás do seu dinheiro. Sem contar os infalíveis feedbacks: o que você achou da sua experiência? Mas por que está dando nota 0 para o serviço? Como podemos tornar sua vida melhor? Nunca mais mandando nenhum email, por favor!

 

Emails? Claro, eis aí outro item para minha lista de coisas chatas durante as férias. Por mais que você programe sua caixa de correio eletrônico, eles não param de chegar. Ao abrir a minha, havia cerca de 4 mil a espera de uma resposta. Apagar todos de uma só vez pode parecer uma solução. Mas como fica a sua consciência ao imaginar que no meio daquela quantidade enorme de mensagens pode haver ao menos uma realmente importante? As favas com a consciência. Em tempo: se você mandou algum nestes dias de férias e considerava importante, mande de novo, por favor. Já estou na ativa.

 

O quinto, último e não menos importante item da minha lista de coisas chatas nas férias é que elas um dia acabam e a conta chega. No cartão de crédito, debitado diretamente na conta corrente ou no boleto bancário, seja na forma que for, pagar é preciso: as passagens, o hotel, o carro alugado, as compras, almoços e jantares … Esse item pode ficar menos chato se você se programar bem, fizer uma reserva e mantiver o controle nos gastos. Prometo lembrar disso no ano que vem.

 

Tudo posto e listado, fique certo do seguinte: independentemente de qualquer uma dessas ou de outras chatices que você encontrar no seu caminho, tirar férias é muito bom. Tão bom que já estou louco para encarar poltronas apertadas, carros estreitos, emails lotados e spam na minha caixa de correio …

 

Até breve, férias!

Desligar é preciso!

 

Desligar1

 

Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!