Como é a sua mesa de trabalho?

Notícias importantes, cadernos de jornal, anotações feitas durante o programa, recados do produtor, Ipad e celular se confundem sobre a mesa do estúdio onde apresento o Jornal da CBN. Além de ser uma contradição à organização que mantenho no meu espaço de trabalho no escritório de casa, também se transforma em uma incógnita diante da pesquisa apresentada pelo Gilberto Dimenstein, no quadro Capital Humano. Conforme estudo publicados na revista Psychological Science deescobriu-se que estar cercado por desordem pode promover o pensamento e estimular novas ideias. Em contraste, trabalhar em uma mesa limpa pode promover a alimentação saudável e a generosidade. O estudo foi conduzido pelo psicólogo Katleen Vohs e os colegas dele da Universidade de Minnesota, Minneapolis, nos Estados Unidos. De uma maneira geral, os participantes expostos a uma quarto bagunçado geraram o mesmo número de ideias para novos usos como os que estiveram em uma sala limpa, mas as ideias deles foram classificadas como mais interessante e criativas. Em compensação, a turma da sala organizada doou mais do seu próprio dinheiro para a caridade. Os cientistas querem transferir o estudo para a internet, pois os resultados preliminares sugerem que a arrumação de uma página web prevê o mesmo tipo de comportamento.

Certa ou não, falar da pesquisa no jornal e publicar a foto da minha mesa na CBN no Twitter provocou uma série de participação de ouvintes-internautas que compartilharam as imagens de seus locais de trabalho – inclusive no helicóptero. Os bagunceiros, comemoraram, pois agora têm uma boa desculpa. Os arrumadinhos se defenderam dizendo que foram criativos ao cuidar de suas mesas ou que ao limpar a área, abrem espaço para a criatividade. Como fiquei no meio do caminho, vou considerar que sou criativo na rádio e generoso em casa. Cada um na sua. E curta as fotos.

#TôDeSacoCheio: o serviço poupa o tempo; o sistema, perde

 

Uma das tarefas que chegam com a idade é a renovação da carteira de motorista que tirei pela primeira vez três dias após completar 18 anos. Achei graça quando vi o ano de 2008 na validade e imaginei que esta data jamais chegaria para mim. Chegou e logo percebi que o prazo ficaria cada vez mais restrito. Agora, dura apenas cinco anos quando devo retornar aos órgãos públicos de trânsito, encarar a burocracia, pagar taxa, fazer exame de olhos e esperar o documento em casa. Foi o que fiz recentemente em um dos postos do Poupatempo, em São Paulo, o de Santo Amaro, na Zona Sul. Fiquei impressionado com a eficiência do serviço que, após agendar pela internet, não levou mais de uma hora. Fui atendido por gente simpática, tive todas as dúvidas tiradas, e até uma boa foto (na medida do possível) foi feita. O traço cômico foi com a oftalmologista de plantão que pediu para eu repetir as letras que apareciam em uma espécie de binóculo de mesa. “Que letra?”, perguntei enquanto um ponto de luz se aproximava do meu olho esquerdo.

 

O bom atendimento e a rapidez do serviço me motivaram a voltar ao Poupatempo para atualizar a carteira de identidade, documento que estava esquecido na gaveta e ainda estampando foto com cabelos longos dos tempos de guri, em Porto Alegre. Levei a mulher a tiracolo, pois estava mais do que na hora de incluir o nome de casada no RG dela. Agenda feita pela internet, documentos separados, fila encarada e nos deparamos com um problema comum na vida dos brasileiros: o sistema. Sim, o sistema do Banco do Brasil não estava funcionando e o pagamento de taxas e serviços de postagem não podiam ser feitos no local. Tivemos de percorrer as ruas próximas para encontrar agência bancária que aceitasse o pagamento. E lógico que lá havia fila, além de um programa pouco explicativo no caixa eletrônico para se perder tempo.

 

De volta ao Poupatempo, se seguiram a espera pela senha no painel eletrônico e o bom atendimento da funcionária que pegou os documentos necessários, preencheu relatório, pediu minha assinatura e completou o serviço com destreza. Eu apenas não estava pronto para o golpe final: meu Registro Geral do Rio Grande do Sul será substituído. Por muito menos fizemos uma revolução, pensei em voz baixa (e no Twitter). A partir de agora, vou carregar no RG número registrado em São Paulo. Ou seja, acabo de ser batizado paulistano pela burocracia brasileira que não é capaz de manter o mesmo número para o cidadão brasileiro, apesar de o registro ser feito em território nacional. Ou será que o Rio Grande do Sul já se separou e eu perdi a notícia na Zero Hora?

 

Antes de voltar para casa, ouvi na CBN que os problemas em equipamentos do Banco do Brasil estavam causando transtorno no atendimento dos postos do Detran. Cidadãos estavam desde de manhã a espera da retomada do serviço, sem sucesso. Eram vítimas, assim como fui, do sistema. Tô de Saco Cheio do sistema!

Deputados e senadores tiram férias, e o povo ….

 

A Câmara dos Deputados e o Senado estão de férias nos próximos 15 dias. Lá preferem chamar isso de recesso branco, eufemismo para esconder que burlam a Constituição ao pararem de trabalhar no meio do ano mesmo sem votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que seria obrigação constitucional, conforme destacamos ontem e hoje, no Jornal da CBN. Se você quiser ouvir as entrevistas, entre aqui. Com esta folga, discussões importantes como a da Reforma Política, uma exigência dos movimentos populares, vão atrasar mais um pouco. Mas deputados e senadores, com a conivência de seus líderes, não estão muito preocupados com isso, parecem esquecer o que o Brasil viveu nos últimos meses com as manifestações de rua.

 

O recesso branco foi alvo da charge do Jornal da CBN desta quinta-feira:

 

Está na hora de voltar

 

 

Hora de abandonar as sandálias que me acompanharam nos últimos 15 dias. Deixar para trás o sol forte, a areia da praia, a água gelada e os dias de descanso. As férias são boas de se aproveitar, mas têm fim. Que bom que seja assim. A volta ao trabalho é sempre um recomeço, revigorado, remoçado no ânimo e nas ideias. Este período afastado nos ajuda a enxergar as coisas com uma certa distância, entender o que se passou e analisar melhor o que virá pela frente. Problemas ficam menores do que eram quando surgiram e as conquistas deixam de ter a mesma importância, diminuindo o risco da prepotência. Muitas vezes, é a chance de rever convicções e reforçar outras. Bom momento, também, para se comprometer com metas. Em outros tempos, compartilhei algumas neste blog, mas fui incapaz de cumpri-las na totalidade, preferindo, então, deixá-las, desta vez, para minha consciência. Comprometo-me, porém, a contá-las sempre que alcançar alguma. Espero ser capaz. E assim encaro este retorno, na expectativa que você também tenha aproveitado bem todos estes dias.