Marco Antônio volta à sala de aula na segunda-feira. Terá ficado cinco dias em casa de folga desde que a escola em que estuda foi alvo de vandalismo e colegas vítimas de agressão física. Assim que chegar no prédio ainda verá resquícios da violência provocada por colegas. E talvez não encontre alguns deles que não comparecerão porque correm risco de serem punidos ou por medo.
Quando começar a aula de matemática a professora abrirá a cartilha e começara a despejar sobre os alunos novas fórmulas; a de português chamará atenção para a importância da coerência no texto; o de história talvez lembre das revoluções que marcaram o Brasil Colonial.
E a briga que rolou aqui, professora ?
A professora talvez olhe para o caderno sobre a mesa em busca de uma resposta. Depois de alguns segundos se voltará ao quadro negro e seguirá a cartilha. Afinal, falar sobre o que aconteceu com a comunidade escolar não é assunto para a sala de aula.
O personagem acima eu é que inventei. O roteiro do aluno, também. Já o fim da história é de autoria do chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação Fernando Padula entrevistado no CBN São Paulo. Ele falou sobre os atos de vandalismo e agressão física que ocorreram na Escola Estadual Amadeu Amaral, no Belém, na zona leste de São Paulo, nessa quarta-feira.
Na entrevista deixou claro que as principais atitudes da Secretaria em relação ao caso são punitivas. Em nenhum momento demonstrou interesse em discutir as questões pedagógicas que devem ser adotadas para se evitar que novos confrontos ocorram. E foi taxativo: esse não é um assunto para ser discutido em sala de aula.
Sei que a responsabilidade da violência escolar não é culpa de um só fator. Seria tornar pequena demais a discussão. Mas ao ouvir a opinião do representante da Secretaria Estadual da Educação passei a entender melhor por que casos como o da Amadeu Amaral acontecem.
Ouça a entrevista com Fernando Padula:


