Formspring.me tira dúvidas no serviço público

 

O Governo do Estado de São Paulo está lá. Já encontrei ao menos um secretário municipal. E conversei com um subprefeito que também explora a nova rede social Formspring.me. No caso, subprefeita pois a entrevista foi com Soninha Francine, titular na regional da Lapa e entusiasmada digital. Foi das primeiras a incluir as redes sociais na prestação de serviço público, migrando para o gabinete dela na Câmara, levando para a carreira política e para a função na subprefeitura, a mesma estratégia explorada quando era apenas jornalista.

formspringmeFoi Soninha, por sinal, a primeira que vi usar o Formspring.me com o objetivo de discutir temas relacionados a função pública que exerce. O cidadão vai até a página da subprefeitura da Lapa na rede social, faz a pergunta, reclama da poda de árvore que nunca acontece, da reforma necessária na avenida principal ou da verticalização que incomoda tanta gente, e Soninha – ou seu pessoal de apoio – tenta esclarecer pela rede. Pareceu-me a maneira mais produtiva de explorar a facilidade proporcionada pela ferramenta. Por isso, foi a ela que procurei na quarta-feira para apresentar esta rede que surgiu há um mês. Claro que o bate-papo extrapolou o tema digital e se voltou para os problemas reais.

Ouça a entrevista da subprefeita da Lapa Soninha Francine

Exercitei minha função voyer nestas três últimas semanas quando fui informado do surgimento do Formspring.me até me lançar na rede, também. Ainda é preciso testar alguns formatos, identificar os melhores caminhos, e ter muita paciência. Estando no ar há pouco tempo, começou em 25 de novembro de 2009, o serviço desenvolvido pela Formspring.com, aplicativo que permite que as pessoas criem todo tipo de formulário para pesquisa, ainda apresenta problemas.

Desde que passei a responder perguntas enviadas por ouvintes-internautas, me deparei com a rede fora do ar na maior parte do tempo. Aliás, quando o Twitter sai do ar está baleiando; o que diremos quando a queda for no Formspring.me ? Formatando ? Formigando, como responderam alguns seguidores no Twitter ? O melhor é que não ocorra com tanta frequência.

Também não gostei de tuitar automaticamente a resposta publicada na nova rede. Fica mal formatada no Twitter e já ouvi algumas reclamações.

Reservar mais um tempo no dia para responder a perguntas de ouvintes-internautas não chega a ser um problema. A vantagem desta rede é que a resposta se tornará pública e poderá atender a mais pessoas.

Aqui no blog, abri espaço para o aplicativo. Está na barra lateral direita. Basta preencher o box com a pergunta e clicar no botão enviar. Ou, então, vá direto para www.formspring.me/miltonjung. Responderei assim que possível. Como faço há 10 anos, quando a ferramenta digital mais moderna de pergunta e resposta que tínhamos à disposição era o e-mail.

Rádio na Era do Blog: Aliados na liderança da credibilidade

 

Foi o colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, quem leu e gostou do texto que compara rádio e internet, a partir de pesquisas divulgadas recentemente. Os números já haviam sido tratados anteriormente por aqui, o interessante está mesmo na opinião de professores de comunicação que analisam os dados e vão ao encontro de pensamento com o qual trabalhamos há algum tempo: a internet é um novo oxigênio para o rádio.

O texto é da jornalista Izabela Vasconcelos, de São Paulo, e está na área restrita do Portal Comunique-se, no setor 1o. Caderno, por isso reproduzo na íntegra, caso contrário ofereceria apenas o link para você ler o artigo por lá. Uma curiosidade na minha busca pelo link do texto foi ver que muitas pessoas simplesmente publicam a informação sem se preocupar em oferecer a fonte para os leitores.

Mas vamos ao que interessa:

Pesquisa divulgada no começo deste mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado.

O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.

Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira.

O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.

A confiança na internet

De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais”. Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui.

Os meninos do MIS e o rádio na era do blog

 

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Reproduzir, ao vivo, diante da plateia o que costumamos fazer durante a programação da CBN foi um dos nossos desafios no Mobile Fest, no MIS, sábado passado. Diante de pouco mais de 40 pessoas – boa parte ouvintes-internautas -, fiz o papel de âncora do evento que contou com a presença do repórter Leandro Mota e do narrador esportivo Deva Pascovicci – que conversou com o público da cabine da rádio no estádio do Morumbi, através do Skype.

O Leandro Mota conseguiu mostrar como o desenvolvimento da tecnologia celular beneficiou o trabalho de reportagem no rádio. Além de contar sobre os recursos que tinha à disposição há apenas cinco anos quando começou a trabalhar na CBN, Mota também fez uma reportagem ao vivo, na qual nos permitiu perceber a evolução na qualidade do som.

Teve muita sensibilidade ao identificar na presença de seis meninos que vivem de esmola nos cruzamento da cidade pauta para ser elaborada durante o evento. Entrevistou um deles usando o método menos sofisticado: usou gravador convencional e usando o alto-falante do equipamento e o bocal do telefone celular colocou a sonora no ar. Depois, fez a entrevista com um gravador digital que armazena os arquivos de áudio em um chip, o qual é transferido para o aparelho celular e reproduzido no ar. Leandro também fotografou os meninos e transmitiu pelo celular a imagem que seria depois publicada aqui blog, mostrando que o novo repórter de rádio tem de ser bom de olho para pauta e para imagem.

Antes de ouvir as duas sonoras, leia o texto produzido por Leandro Mota com os meninos pobres do MIS:

Antonio tem 16 anos e passa parte de todo sábado em frente ao computador. No último fim de semana foi assim. Enquanto visitantes circulavam pelo Mobilefest, ele e mais cinco crianças olhavam fixamente para os monitores da “lan house” instalada no Museu de Imagem e do Som. Aproveitavam cada segundo antes de retornarem ao trabalho, que fica perto dali, exatamente no cruzamento da Avenida Europa com a Avenida Brasil. É lá que Antonio ganha dinheiro fazendo mágica. As moedas e as notas de dois reais servirão, um dia, para comprar um computador e, talvez, um celular parecido com aqueles expostos no Festival Internacional de Mobilidade. Antonio também quer se conectar.

Ouça aqui a explicação do garoto sobre o que ele gosta de fazer no computador

Sonora 1 no método convencional

Sonora 1 no método digital

E aqui, a esperança de um dia ter dinheiro para comprar um computador

Sonora 2 no método convencional

Sonora 2 no metódo digital

Rádio na Era do Celular, espero você lá !

 

Pronto para a aula. Assim me sinto para o encontro de logo mais a tarde, quando falaremos sobre o “Rádio na Era do Celular”, em uma das atividades da Mobilefest, no MIS, em São Paulo. Tenho acompanhado pelas reportagens – da rádio, dos sites, e dos twitters – informações deste encontro e me surpreendo com a criatividade dos que dedicam sua inteligência para a técnologia móvel. Por isso, minha expectativa é de estar no estande da CBN, a partir das três e 40 da tarde, e ter oportunidade de ouvir boas ideias sobre estas traquitanas todas que estão à nossa disposição, muitas das quais ainda haveremos de descobrir.

Será uma experiência interessante, pois o programa irá misturar um formato dos primórdios do rádio, com auditório e presença ao vivo dos ouvintes, e um conteúdo da era moderna do rádio, a tecnologia móvel. Nesta simbiose que, espero, teremos na tarde deste sábado gostaria muito de saber o que os criadores e desenvolvedores tem a sugerir.

Dois dos profissionais da CBN que estarão conosco, por celular, o repórter Leandro Mota e o narrador esportivo Deva Pascovicci, terão muita coisa para nos mostrar. A mim caberá descrever a evolução do rádio e a influência que as novas tecnologias tiveram – e terão – no veículo. Aos “ouvintes-internautas” que estarão ao vivo no MIS – e o programa será apresentado apenas aos que lá estiverem – caberá um papel importante, pois é na experiência e no conhecimento deles que pretendo agregar conteúdo ao trabalho que realizamos na CBN.

Se ainda não tem programa para este sábado, passe por lá.

Mais informações no site do Mobile Fest.

Rádio na Era do Celular, tá quase pronto

 

Leandro Mota na redação, Deva Pascovicci por telefone e o restante da turma no e-mail. Neste ambiente (online e offline), acertamos, hoje, os detalhes para o “programa de rádio” que iremos apresentar neste sábado na Mobile Fest 2009, a partir das três e 40 da tarde. Está anunciado uma palestra com o tema “Rádio na Era do Celular”, mas a ideia é reproduzir no espaço da CBN no M.I.S o que fazemos no dia-a-dia do rádio: informação, entrevista e participação de “ouvintes-internautas”.

Leia o texto completo no Blog da CBN No Mobile Fest 2009

Rádio Na Era do Blog: A credibilidade do rádio

 

O rádio é a mídia na qual o cidadão tem maior confiança de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, contratado pela agência de comunicação Máquina da Notícia. Em uma escala de 1 a 10, a nota média para o veículo foi 8,21, superando por muito pouco a internet que recebeu 8,20. O índice de confiança de todos os veículos de comunicação foi alto, mas o resultado surpreende por dois fatores: primeiro, os jornais sempre estiveram no topo da lista; segundo, a internet avançou sobre meios mais tradicionais, como a própria televisão.

O rádio também aparece bem na lista das mídias mais acessadas pelo público. A televisão é assistida por quase todos os entrevistados alcançando índice de 99,3%; o rádio vem atrás com 83,5%; o jornal impresso com 69,4%, está em terceiro lugar; a internet tem 52,8%; revista impressa 51,1%; redes sociais 42,7%; versão online de jornais 37,4%; e versão online das revistas impressas 22,8%.

Quando a pesquisa fala em internet, relaciona sites de notícias e blogs de jornalistas; ao tratar de redes sociais, inclui os conhecidos Twitter, Facebook e Orkut.

Da festa ao comedimento: o resultado de pesquisas de opinião dependem muito da metodologia usada e podem apresentar diferenças enormes entre uma e outra dependendo a forma como as perguntas são elaboradas, por exemplo. No entanto, com o alcance deste trabalho da Vox Populi é importante verificar como as redes sociais são fortes para influenciar a opinião pública.

Para chegar a este resultado foram ouvidas 2.500 pessoas, entre 25 de agosto e 9 de setembro, todas com mais de 16 anos, no distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.

Neste sábado, às 15h40, estarei na Mobile Fest, a convite da CBN, para a palestra o “Rádio na Era do Celular”. Ouça as reportagens do festival que se realiza no MIS, em São Paulo.

Rádio na Era do Blog: Twitter e jornalismo no Apagão

 

Foi no meu rádio de pilha, que estava sem pilha (tinha umas guardadas do lado da vela, na gaveta), que ouvi a cobertura da CBN sobre o apagão na noite de ontem. O celular, surrado do dia de trabalho quase apagando, me colocou no ar na rádio para descrever o que (não) via nas ruas do Morumbi. E um modem de celular conectado no laptop com seu resto de bateria me ajudou a navegar na internet e retransmitir outras tantas informações – muitas das quais tendo como fonte repórteres e profissionais da CBN. O Twitter ligado enquanto pode também serviu para varrer os caminhos do corte de energia elétrica.

Com estes equipamentos em mãos foi possível entender parte do que se passou na noite de terça e madrugada de quarta – até onde consegui me manter acordado. Hoje cedo, a quantidade de e-mails de ouvintes-internautas era enorme contando a experiência que tiveram em casa com o radinho de pilha ligado. Bom número de pessoas citou que “ouvia o rádio no meu celular”.

E assim o Brasil se informou de mais um blecaute na energia elétrica.

A forma de consumir informação mudou muitos nos últimos poucos anos. A formação de redes sociais tornou-se importante para a construção do nosso conhecimento. Mas o jornalismo persiste. E a cobertura do apagão prova isto.

Um interessante post da colega Vanessa Ruiz diz que “é possível que, com as mídias sociais, mais e mais pessoas se interessem pelo jornalismo …. Entretanto, é bom saber que ligar o computador e sentar de frente a ele, esperando que os dados caiam no seu colo para simplesmente reproduzir conteúdo, seja ele gerado pela população ou por veículos tradicionais, é conteúdo colaborativo, é mídia social, mas, sozinho, não é jornalismo”. (Leia o texto completo aqui)

Li, também, o texto do meu ex-colega de Terra e minha referência em jornalismo, José Roberto de Toledo, intitulado “A noite em claro no Twitter”. Craque na varredura de informações disponíveis na rede, Toledo remoeu as tuítadas possíveis na madrugada, ouviu rádio (pena não ter sido a CBN) e acompanhou a cobertura jornalística. Encontrou, também, as ferramentas usadas por Itaipu para enviar informações durante a crise.

Lido tudo, fez as contas, puxou o traço e chegou ao seguinte resultado: “O Twitter foi a lanterna noticiosa do apagão, mas continua sendo uma ferramenta. Como um garfo, pode ser usado para você se alimentar ou para espetar alguém. Depende de quem o usa e como. Houve é claro quem transmitisse boatos e notícias falsas (“energia só vai voltar em três dias”). Mas foram a exceção e não a regra”. (Leia o post completo aqui)

Concluo que todas as formas de informação são bem-vindas mas a inteligência é insubstituível. E o rádio de pilha, também, pois às duas da manhã não tinha mais notebook nem celular com força para se manterem vivo.

Rádio Na Era do Blog: Na Mobilefest 2009

 

Ouça o convite da CBN para você participar do Mobile Fest 2009

O rádio está no ar há 87 anos porque soube se reinventar e se adaptar as demandas de cada era. Sua agilidade se desenvolveu na mesma velocidade da tecnologia da informação. Houve um tempo em que os repórteres saiam com um gravador na mão e um saco de fichas telefônicas na outra. Do orelhão ao celular foi uma mudança enorme; e com o crescimento da internet, uma revolução.

Esta é uma das ideias com as quais iremos trabalhar sábado que vem, dia 14.11, na Mobile Fest – Festival Internacional de Critividade Móvel, que se realizará, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. O evento se inicia na quarta com atrações internacionais como Victor Viña, mestre em design na Royal College of Art de Londres, Sara Diamon, pesquisadora do Mobile Digital Commons Netwotk, plataforma que congrega as principais iniciativas de mobilidade no Canadá, e o artista austríaco Robert Mathy.

A CBN participará pela primeira vez da Mobile Fest e me convidou para comandar o encontro “Rádio na Era do Celular”, conversando com o público, ao vivo, e interagindo com repórteres e apresentadores da emissora para mostrar a evolução do rádio e a importância da tecnologia celular no nosso cotidiano. O repórter multimídia, Leandro Motta, da nova safra da emissora, vai cobrir o encontro enquanto relata o avanço nas comunicações. O narrador esportivo Deva Pascovicci, com experiência em tecnologia digital, falará com o público diretamente do estádio do Morumbi e mostrará os diferentes recursos que utiliza no seu trabalho.

Você participa, também, dando sugestões sobre novas ferramentas que os profissionais do rádio podem explorar. A palestra “Rádio na Era do Celular”, será sábado, diz 14,11, às 14h40. Para assistir o encontro é preciso se inscrever no site do Mobile Fest

Rádio na Era do Blog: Aos jornalistas arrogantes

 

“Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos. A transição vai ser muito difícil para a maioria. Ainda temos muito a escrever, principalmente para investigar casos de corrupção. A internet treinou as pessoas para que elas recebessem as informações de uma forma social. Os repórteres tem de parar de encarar o seu público como um estorvo. Os jornalistas encaram os e-mails de um leitor como algo chato, principalmente quando endereçados ao editor. É hora de a voz institucional desaparecer. Os jornalistas online tem de encarar o leitor em primeira pessoa e dizer: ‘isto nós sabemos e isto nós não sabemos'”.

Joshua Benton, jornalista e diretor do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, em palestra no MediaOn

Rádio na Era do Blog: Eu foco, tu focas, por Ruy Castro

 

Na fusão de mídias, confundiu-se muita coisa. A línguagem, entre elas. Tem texto de rádio escrito como se fosse para jornal; tem texto na internet lido na televisão; tem jornalão redigido como folhetim. Copia-se de um e se cola no outro, sem que se pare para pensar a necessidade do público de cada uma das mídias. Além disso, há expressões que usamos pelo hábito. Sem reflexão. Sem noção. Foram sobre algumas dessas que o jornalista e escritor Ruy Castro escreveu, neste sábado, na Folha. Um alerta para redatores de rádio, cada vez em menor número, e para redatores de blog, que não param de crescer.


Eu foco, tu focas, ele foca

RIO DE JANEIRO – Já tratei do assunto nesta coluna, mas, como diria o Cony, ninguém tomou providências. Continuamos a chamar um filme de “longa”, mesmo que ele tenha a rotineira hora e meia de projeção -o que, somando os trailers, os comerciais e o tempo que se gasta indo lá fora comprar pipoca, perfaz uma sessão ideal de duas horas. Então, por que “longa”?

Deve ser para distingui-lo dos “curtas”, que têm 12 ou 15 minutos. Mas quantos curtas você vê por ano a ponto de obrigarem um filme normal a ser chamado de longa? Longas, até outro dia, eram “E o Vento Levou”, “Os 10 Mandamentos”, “Ben-Hur” e “Lawrence da Arábia”, que duravam para lá de quatro horas. Se, hoje, qualquer filme é um longa, o que seriam aqueles queridos mamutes?

Ou, quando se trata de filmes do passado -digamos, “A Malvada”, com Bette Davis, ou “Barnabé, Tu És Meu”, com Oscarito-, lê-se às vezes que eles foram gravados assim ou assado. Só que os filmes do passado não eram gravados. Eram filmados. Quem grava imagens é a televisão, e o cinema, pelo menos o anterior a 1990, sempre dependeu de película, laboratório, revelação e outras práticas ancestrais.
Falando em gravar, não perdemos a mania de escrever que “Fulano entrou em estúdio para gravar seu novo CD”. Mas onde queriam que ele o gravasse? Na rua, do outro lado da calçada? “Entrar em estúdio para gravar” é o mesmo que “apostar todas as fichas”, “correr atrás do prejuízo” ou “dar nó em pingo d’água”. É escrever sem ter de pensar. Uma palavra puxa outra, como uma locomotiva que arrasta vagões vazios.

Mas minha grande birra é com o verbo focar. Quando leio, por exemplo, que “Ronaldo foca voltar à seleção”, conjugo imediatamente eu foco, tu focas, ele foca, e imagino o Fenômeno batendo as nadadeiras. Com todo o respeito.


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