Conte Sua História de SP: Ouvinte faz parte da história

 

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte-internauta Suely Schraner, assídua colaborada deste quadro, faz homenagem aos 20 anos da CBN:

No dia 1º de outubro, dia em que se comemora o aniversário da CBN, é também consagrado à deusa da Palavra, Fides.

No começo era difícil sintonizar. No meio da notícia, entrava um “aleluião”. Rádio pirata evangélica, se interpunha entre o ouvinte e a “All News”. Sintonia fina, finíssima. Melhor nem triscar no dial 780 AM / 90,5 FM.

Na minha “cozinhoteca” (mistura de cozinha, biblioteca e cdteca) o dia passa em ondas “CBêNicas!. Desde “Jerônimo, o justiceiro do sertão”, novela radiofônica dos anos 60, sou totalmente AM. O radinho de pilha embaixo do travesseiro, presente do pai como compensação por uma grande perda. Hoje, moderno AM/FM, me acompanha o tempo todo. Fiel companheiro interativo. A arte de transformar palavras e ações em imagens na mente do ouvinte.

A trilha sonora dos meus passos é como a de muitos cidadãos desta metrópole. Aliviando o tédio nas manhãs geladas,o trânsito caótico ou redimindo uma insônia pertinaz . A locução liberando o pensamento. Conferindo interesse às palavras alinhavadas.

Contribuindo para o estro, a criatividade, elevando os níveis de oxitocina, o Conte Sua História de São Paulo, cumpriu a função de dar vez e voz ao ouvinte. Suscitou desejos, impulsionou uma constelação de memórias para contar algo e, mais tarde, escutar com emoção indescritível. É a CBN se instalando intensamente nas mentes e corações paulistanos. Dialogando com feijões na pressão, batatas ferventes, arroz soltinho. Por isso, um gosto incomparável, um vício prazeroso, inexplicável. A locução e a sonorização numa harmonia perfeita, seguem seduzindo nesses 20 anos.

Ouça este texto de Suely Schraner sonorizado pelo Claudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando uma história por escrito ou agendando uma entrevista em vídeo e áudio no site do Museu da Pessoa.

Jornalismo em tempos de redes sociais, no MIS

 

Vendendo meu próprio peixe. Neste sábado, estarei no MIS – Museu da Imagem e do Som – a convite dos Twitteiros Culturais de São Paulo para conversar com Mona Dorf e José Luiz Goldfarb sobre o jornalismo em tempos de redes sociais. Arrisco dizer que esta é uma versão do Rádio na Era do Blog, que lancei há quatro anos em palestras de comunicação e bate-papos informais aqui no Blog.

A seguir, o material de divulgação dos organizadores do ETC Sampa:
                                              
No próximo sábado, dia 22 de outubro, das 16 às 17h30, os dois conhecidos jornalistas discutem a influência das Redes Sociais no Jornalismo durante o ETC_Sampa (Encontro dos Twitteiros Culturais de São Paulo), no MIS (Museu da Imagem e do Som), com mediação do multidisciplinar José Luiz Goldfarb (@jlgoldfarb). Entre as questões, estão “Como as redes sociais transformam o jornalismo?”, “Como será o jornal do futuro?”, “Existe algo acontecendo que altera fundamentalmente a produção e veiculação de informações?” e “Como o Twitter interfere no furo jornalístico”. A entrada é franca. O debate pode também ser acompanhado pelo Twitter, através da hashtag #REDEMIS.
 
Sobre o ETC

Criado em 2009, o ETC está em 19 cidades brasileiras e reúne twitteiros que agitam a cultura dentro e fora do twitter. Os convidados debatem temas específicos,  relacionados com o Twitter e a Cultura, sempre com a participação do público, que vai ao evento ou está presente virtualmente, via twitter e stream.Foram desses grupos que surgiram movimentos como o #doeumlivro, que arrecadou 360 mil livros em dois anos (entre novembro e janeiro de 2009/2010 e de 2010/2011). “Agora em Sampa os ETCs passam a ser mensais, no MIS”, afirma Goldfarb. 
   

E o vencedor é …

 

Os 18 nomes que aparecem nos dois anúncios produzidos pela Rádio CBN em razão dos seus 20 anos, publicados em revistas e jornais brasileiros, foram devidamente identificados. De 75 respostas registradas pelos ouvintes-internautas aqui no Blog, 28 acertaram em cheio. E desses um foi sorteado para receber o Manual de Redação da CBN: Jésse Henrique – o prêmio será entregue ao ouvinte-internauta assim que identificarmos o endereço dele.

Foi bem legal ter dividido com vocês esta brincadeira e ainda mais divertido ler cada uma das mensagens deixadas por aqui. Confira a resposta certa:

1. Luis Fernando Correia
2. Milton Jung
3. Merval Pereira
4. Max Gehringer
5. Carlos Alberto Sardenberg
6. Arnaldo Jabor
7. Miriam Leitão
8. Viviane Mosé
9. Arthur Xexeo
10. André Trigueiro
11. Mílton Jung
12. Mara Luquet
13. Max Gehringer
14. Carlos Alberto Sardenberg
15. Arnaldo Jabor
16. Miriam Leitão
17. Juca Kfoury
18. Kennedy Alencar

Quem é quem na CBN 20 anos

 

Identifique quem são os âncoras e comentaristas da CBN que estão nos anúncios em homenagem aos 20 anos da emissora, publicados em jornais e revistas brasileiros, e ganhe um exemplar do Manual de Redação da CBN. Registre a sua lista, com o nome de cada um e o número de 1 a 18, na área dos comentários aqui do Blog. Mesmo que alguns estejam repetidos é preciso identificá-los nos dois anúncios. As respostas publicadas no blog somente serão divulgadas ao fim do concurso, na quinta-feira, dia 20. Se houver mais de um acertardor, haverá um sorteio na redação para definição de quem receberá o prêmio. O ganhador será informado por e-mail. Divirta-se !

Atenção: o concurso já terminou, veja o resultado clicando aqui

O rádio na cobertura do 11 de Setembro

 

Para lembrar os 10 anos dos atentados de 11 de Setembro, reproduzo neste post trechos do livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), que publiquei em 2004, no qual, entre tantas histórias, conto como foi a cobertura na rádio CBN dos ataques nos Estados Unidos.

Para ler o texto completo sobre os bastidores desta cobertura da CBN, compre o livro aqui

E ouça aqui o plantão CBN com a primeira notícia sobre o atentado em Nova Iorque

Onze de setembro de 2001 se inicia, antecedido por uma cortina musical tocada na velocidade da emergência que marca as edições extraordinárias no rádio. O primeiro par[agrafo do mais dramático capítulo escrito pelo terrorismo internacional na era moderna é anunciado, ironicamente, em trinta segundos, tempo reservado na comunicação do mundo capitalista para a venda de produtos e a oferta de serviços. No texto improvisado que descreve a cena inicial do prédio em chamas, de 110 andares e 412 metros de altura, se oferece ao público o que seria a propaganda de maior impacto dos grupos anti-americanos.

Os meios de comunicação multiplicam a mensagem enviada por Osama Bin laden e pela Al Qaeda, através de pilotos suicidas e aviões-bomba. Cada veículo, usando de seus recursos característicos para conquistar o público ansioso pela informação. A televisão estava lá quando o segundo Boeing acertou a torre sul do World Trade Center, quinze minutos após o primeiro ataque, transmitindo ao vivo o “espetáculo”. O rádio propagou o feito terrorista narrando o acontecimento em off tube, como nos grandes jogos internacionais de futebol— sem precisar pagar pelos direitos de transmissão. A internet também calçou a cobertura nas imagens da TV, na noticia do rádio e nas informações das agências internacionais, a maioria levando em tempo real material colhido pela CNN.

Nas ruas, o pedestre tem atenção despertada pelo anúncio do painel eletrônico: “Terroristas arremessam aviões sobre WTC”. Na tela do telefone celular, o texto do serviço de mensagem informa; “Torres gêmeas em fogo, após ataque terrorista”. O pager na cintura da calça chama: “Terror no ar: avião com passageiros atinge Pentágono”. Jornais e revistas mobilizam redações para rodar o mais cedo possível uma edição extraordinária — prática abandonada desde o advento da internet.

A sociedade informativa, fenômeno na virada do Terceiro Milênio, acorda para viver o dia que ainda não acabou.

MAIS UM DIA DE TRABALHO

O CBN São Paulo, programa que apresento desde 1999, estava apenas começando. Era hora de falar do esporte com os destaques dos clubes. Antes, já havíamos passado em revista a tropa de repórteres. Cada um apresentando a informação que cobriria naquela manhã. Meteorologia, trânsito, estradas e aeroportos, informações da cidade — este é o nosso foco das 9h30 ao meio-dia, horário destinado ao noticiário local na rádio CBN, que tem boa parte da programação dedicada aos temas nacionais e internacionais.

Logo cedo, após ler um jornal diário, assistir aos telejornais da manhã e ouvir um trecho da programação da rádio, havia negociado com a produção, pelo viva voz do celular no carro, a pauta do dia. A produtora Fabiana Boa Sorte, na redação, havia feito o balanço das reportagens que poderiam entrar gravadas; conversado com o chefe de reportagem para saber quais assuntos seriam cobertos pelos repórteres; e feito varredura nos demais jornais impressos. Também já recebera, pelo correio eletrônico, sugestões de ouvintes e assessores de comunicação.

Ao entrar no ar, duas entrevistas estavam fechadas — ou seja, os convidados estavam disponíveis para falar sobre o tema nos horários propostos. Ainda se aguardava o retorno de um terceiro entrevistado. Não tinha sido encontrado pela produção até aquele momento. Alguém da assessoria dele ficara de telefonar de volta. Os comentaristas␣ tinham assuntos decididos. Os cartuchos com reportagens, sonoras e teasers gravados, estavam separados, cada um com sua devida cabeça redigida em laudas de computador. Ao operador de áudio Paschoal␣Júnior, que comanda a mesa de som responsável por levar a rádio ao ar, havia sido passada as orientações do que seria apresentado. Ele, por sua vez, havia feito algumas sugestões a partir de notícias que lera no jornal ou ouvira na programação da rádio, desde às seis horas da manhã. O pessoal da área técnica é parte integrante da equipe de jornalismo, e tem de ser consultado. Essa interação facilita o andamento do trabalho.

Em geral, buscamos tratar de questões relacionadas à vida do cidadão. Fatos que mexem com o dia a dia do paulistano. Ações de participação da comunidade, à medida em que a parceria com o poder público deve ser incentivada. Também orientam nossa pauta denúncias contra desrespeito aos direitos humanos e a fiscalização do que as autoridades públicas fazem com nosso dinheiro.

A minha frente, o computador recebia mensagens de todo o tipo. A quantidade de spams (material enviado para os correios eletrônicos sem autorização nem utilidade) é enorme e atrapalha a avaliação criteriosa daqueles que merecem alguma atenção.␣Já desperdicei meu tempo levantando a seguinte estatística: de cada vinte e-mails que aterrissam na caixa de correio eletrônico, cinco merecem ser abertos, dos quais três têm de ser respondidos e apenas um tem direito e respeito para ser registrado no ar. Além do correio eletrônico, navegava na internet em busca de informação e acessava as agências de notícias. Um televisor sobre a mesa, ao lado do computador, estava ligado na Globonews, canal de notícias 24 horas, da Rede Globo de Televisão. Entrávamos no ar para mais um programa. Mas era 11 de setembro de 2001.

FOGO NO AR

A agência internacional acabara de anunciar, em apenas uma linha, o incêndio na torre, em Nova York, provocado pelo choque de um avião, e a Globonews interrompia a programação para reproduzir imagens, ao vivo, da CNN. Pelo canal interno, todas as emissoras da CBN eram comunicadas de que em trinta segundos seria formada rede para notícia extraordinária. Imediatamente, quem estava no ar em Cuiabá, Curitiba, Maringá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília ou qualquer ponto do país em que houvesse retransmissora da Central Brasileira de Notícias parou a entrevista, a reportagem, seja lá o que estivesse sendo apresentado, para ouvir o Plantão CBN, transmitido do estúdio em São Paulo.

Com base nas primeiras informações, anunciei o incêndio no World Trade Center, imaginando um acidente de avião ocorrido há apenas dez minutos. Disse que seria um Boeing 737, mas se descobriu em seguida que o avião era modelo 767, duas␣ vezes mais pesado e com quase o dobro de capacidade para transportar passageiros. Encerrado o plantão, continuamos em rede descrevendo as imagens. O apresentador da CBN no Rio de Janeiro, Sidney Rezende, passou a dividir o comando da programação.

Às 10h03, logo após a leitura do Repórter CBN — síntese noticiosa com duração de dois minutos, que vai ao ar de meia em meia hora —,transmiti ao vivo, o choque do segundo avião, com a voz revelando o impressionante da cena.

Até aquele instante ainda era difícil entender o que acontecia à nossa frente. Impossível não se emocionar, porém, com as imagens. Produtores no Rio e em São Paulo já haviam ligado para correspondentes em Nova York, em Washington e na Europa. Apuradores haviam levantado detalhes nas agências. Quem conhecia alguém nos Estados Unidos, correu para o telefone em busca de informação. Na redação, todos os monitores estavam sintonizados nas emissoras a cabo americanas. O escritório da BBC Brasil também foi acionado. E a cobertura se iniciara há apenas seis minutos.

DEU NO RÁDIO

O “espetáculo” do 11 de setembro foi planejado para ser transmitido pela televisão. A diferença de tempo entre o choque de um e outro avião nas torres gêmeas vai ao encontro dessa idéia. O primeiro, da␣ American Airlines, chamou atenção das emissoras americanas que circulam por Nova York com suas equipes móveis de alta tecnologia.

Quem anda pelas grandes avenidas de Manhattan se depara a todo o momento com os técnicos, sem a companhia de repórteres, em pequenos e ágeis furgões. Haveria tempo suficiente para se direcionar uma câmera para o prédio que se enxergava de vários pontos da ilha. Daí a facilidade para reproduzir, ao vivo e a cores, o segundo ataque.

O recado enviado pelo segundo avião, o Boeing da United Airlines, era claro. Se alguém não havia entendido até então o que estava acontecendo — e eu, que transmitia tudo aquilo, não entendia␣ mesmo — ali estava a verdade. Um ataque programado para se transformar em fenômeno midiático. A câmera era a única forma de contato do mundo com aquele cenário. A aproximação do local atingido era impossível. Toda e qualquer leitura que se fez naquelas primeiras horas foi construída a partir da imagem.

Apesar de o episódio ter privilegiado a televisão, como ocorre nos shows de entretenimento, no Brasil, o rádio teve papel importante na cobertura jornalística do 11 de setembro. No momento em que o ataque se iniciou, boa parte das pessoas não estava mais em casa. Encontravam-se no carro, a caminho do trabalho, ou haviam chegado ao escritório. Nas escolas e universidades, as aulas tinham começado. Muita gente se deslocava a pé nas ruas de comércio. Com esse quadro e com base em análise comparativa da audiência, arrisco dizer que a maioria da população ficou sabendo do atentado pelo rádio.

Números do Ibope deixam evidente a supremacia da programação radiofônica em relação à televisiva na faixa das nove às dez da manhã. Chega a ser, em média, três vezes maior o número de pessoas que ouvem rádio nesse horário do que os que assistem à televisão. Mesmo no decorrer do dia, o número de ouvintes supera o de telespectadores. Pesquisa do␣ Ibope, citada pelo Jornal do Brasil, mostra que no terceiro trimestre de 2003 os ouvintes foram 2.967.603, enquanto os telespectadores não passaram de 2.408.560, entre seis da manhã e sete da noite, no estado de São Paulo.

Não tenho dúvida de que, alertado pelo plantão da rádio jornalística da cidade, o ouvinte saiu à procura do primeiro aparelho de televisão que houvesse nas proximidades. Reação provocada em todo o cidadão que, por outros meios de comunicação, até mesmo o telefonema de um vizinho, teve acesso à notícia. Mas, ao encontrar os canais que reproduziam as imagens da CNN para o mundo, esse cidadão se deparou com âncoras, repórteres e comentaristas atuando como se estivessem no rádio.

Sem acesso à “cena do crime”, a solução foi voltar as câmeras para o local do atentado e, por telefone, conversar com pessoas que escaparam do prédio em chamas, acionar correspondentes internacionais, entrevistar especialistas, falar com autoridades políticas e policiais em uma linguagem muito próxima à do rádio. Os programas jornalísticos na televisão não têm humildade suficiente para aceitar o uso do telefone como meio de informação. Um repórter que esteja diante da notícia, mas sem uma câmera, terá dificuldade de convencer o editor de que o fato deve ser transmitido, apesar da falta de imagem. Foi com o surgimento das emissoras de notícias 24 horas, como Globonews e Bandnews, que esse formato passou a ser aceito na TV brasileira, apesar de ainda encontrar muitas restrições. Antes disso, repórter ou entrevistado falando por telefone era␣cena rara na televisão. Por mais fascinante que seja a TV, fenômeno de massa de enorme impacto na sociedade, a imagem por si só não informa. É perigosa a idéia de que a câmera aberta diz tudo. De que o cidadão não carece de um intermediário para explicar o que vê. Precisa, sim. A reflexão, o questionamento e a apuração dos fatos são imprescindíveis para que o processo de comunicação se complete. Jornalistas e público não podem se tornar reféns da imagem.

O rádio contou para as pessoas o que acontecia no 11 de setembro e elas foram ver na televisão. Encontraram seus apresentadores favoritos fazendo rádio, apesar da imagem. E que imagem.


Leia o restante do texto, no livro Jornalismo de Rádio

Avalanche Tricolor: Que saudade !

 

Grêmio 2 x 2 Atlético MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi uma noite para relembrar os anos 1990. Naquela época trabalhava na TV Cultura e deixava a redação lá pelas 10 da noite quando o jogo do Grêmio já havia se iniciado. Pegava meu carro, ligava o rádio e escorregava o ponteiro do dial até o ponto mais à esquerda, próximo dos 500 mghz. Era ali que conseguia sintonizar, entre chiados e descargas elétricas, emissoras de rádio do Rio Grande do Sul. Ou a Guaíba ou a Gaúcha, dependia da condição meteorológica. Demorava no caminho, estendia meu caminho e dava preferência às Marginais, onde o som ficava um pouco melhor. Na maior parte das vezes era difícil até mesmo de distinguir quando o gol era do Grêmio ou do adversário.

Ontem à noite, saí de uma palestra da comunicação quando a partida do Grêmio estava se iniciando. Abri o Ipad, cliquei no aplicativo da rádio CBN e acessei a emissora de Belo Horizonte que estava com sua equipe no estádio Olímpico, em Porto Alegre. Durante todo o caminho até minha casa, demorado devido ao congestionamento, ouvi a partida em seus detalhes sem qualquer interferência. Transformei meu moderno tablet no velho radinho de pilha com a vantagem dele me permitir acesso a emissoras que não são aqui da cidade.

As diferenças de como e o que ouvia nos anos de 1990, infelizmente, não se resumem a qualidade do som e o meio de transmissão. Naquela época, o time era treinado por Luis Felipe Scolari e dava orgulho torcer por aqueles jogadores.

CBN e Globo tem 13 indicados para Comunique-se

 

A CBN e Rádio Globo, ambos veículos do Sistema Globo de Rádio, foram indicados para a segunda fase do Prêmio Comunique-se 2011, a mais importante premiação do jornalismo brasileiro. Nesta nona edição, a CBN e a Rádio Globo tiveram treze jornalistas indicados entre as categorias.

A votação da segunda fase, com acompanhamento e auditoria da Deloitte, fica aberta pelo site http://www.premiocomunique-se.com.br até o dia 1º de agosto, quando serão definidos os três finalistas. A terceira etapa de votação acontece entre os dias 15 e 30 de agosto e vai definir os grandes vencedores. A festa de entrega do Prêmio Comunique-se 2011 para os mais votados será no dia 13 de setembro, no HSBC Brasil, em São Paulo. Confira os indicados da CBN e Rádio Globo em cada uma das categorias:

Categoria Comunicação

Propaganda e Marketing
– Regina Augusto – CBN

Categoria Colunistas

Colunista de Opinião
– Merval Pereira – CBN

Categoria O Boticário de Jornalista de Sustentabilidade
– Sérgio Abranches – CBN

Categoria Itaú Executivo de Veículos de Comunicação
– Mariza Tavares – Rádio CBN

Categoria Oracle do Apresentador / Âncora
– Adalberto Piotto – CBN
– Carlos Alberto Sardenberg – CBN
– Lucia Hippólito – CBN
– Milton Jung – CBN

Categoria Petrobrás de Jornalista de Economia
Mídia Eletrônica
– Miriam Leitão – Rádio CBN

Categoria TIM de Jornalista de Tecnologia
– Daniela Braum – CBN

Categoria Jornalista Nacional

Mídia Eletrônica
– Lucia Hippolito – Rádio CBN

Categoria Ambev de Jornalista de Esportes

Mídia Eletrônica
– Juca Kfouri – Rádio CBN

Locutor Esportivo
– José Carlos Araújo – Rádio Globo

Velhas e novas implicâncias

 

Falamos sobre qualidade do texto no rádio, semana passada, aqui no Blog e encontrei em meus favoritos o link para o texto que havia sido escrito por João Ubaldo Ribeiro e publicado, originalmente, no jornal O Estado de São Paulo, de domingo (24/04/2011), no qual ele destaca o uso de expressões comuns no noticiário que contaminam o discurso do brasileiro. Vale a leitura:

Semana Santa, bairro quieto e silencioso, jornais sem muitas notícias, uma certa preguiça. Ligo a televisão e um cavalheiro está falando sobre um assunto sem dúvida relevante, a julgar pelo semblante grave com que se dirige à câmera. Já por natureza lerdo de entendimento, cheguei no meio e não consigo atinar qual é o palpitante assunto. E deixo de tentar, assim que ele solta o terceiro ou quarto anacoluto em menos de um minuto. Anacoluto, já comentei aqui, é quando um elemento da oração fica sem função sintática, meio dependurado, como, por exemplo, “o Brasil, ele tem experimentado”, que o homem da televisão acaba de dizer.

Há quem estude esse tipo de fenômeno, porque realmente é interessante, pelo menos para linguistas e cientistas sociais. De alguns anos para cá, sem dar sinal nenhum de que vai embora, está perigando tornar-se regra tacar o anacoluto sempre que se usa um verbo na terceira pessoa. “Os deputados, eles não têm interesse nas reformas”, “o obeso, ele não deve ingerir açúcar” e assim por diante. Fala-se assim em toda parte, com essa espécie de sujeito duplo, e piora quando o falante está dando uma entrevista ou declaração pública, ocasião em que muita gente acha que deve botar paletó e gravata na linguagem. O anacoluto, que em si não tem nada de mau e é até um recurso estilístico, talvez seja visto como sofisticação de linguagem, ou sinal de que quem está falando tem bom conhecimento ou grande convicção do que diz. Sei lá, só sei que implico com esse abuso, que, na minha opinião, aleija a língua.

É engraçado esse negócio de querer enfarpelar a linguagem, quando se fala em circunstâncias formais, mesmo que apenas numa breve entrevista para um noticiário de televisão. Muitos se empertigam, abandonam sua maneira habitual de expressar-se e não só passam a caprichar nos anacolutos e similares, como na escolha das palavras, principalmente verbos terminados em “izar”. O que em casa seria usado, na entrevista é utilizado, assim como não se vê mais nada, só se visualiza. “Comerciar” praticamente não existe mais e chegará talvez o dia em que os que comerciam serão comercializantes. Aliás, ninguém vende mais nada, só comercializa.

Acho que foi essa necessidade de usar palavras por algum motivo consideradas preferíveis, ou chiques, que ocasionou o triste banimento dos verbos “botar” e “pôr”, preteridos universalmente por “colocar”. Ainda não vi referência a galinhas colocadeiras, em lugar de poedeiras, mas já li sobre galinhas colocando ovos e o dia das colocadeiras não deve tardar. Destino semelhante teve “penalizar”, que de uma só cajadada botou (colocou, já ouvi isso até em narrações esportivas) “prejudicar” para escanteio e nos obrigou a ficar, se for o caso, comiserados ou condoídos com o sofrimento alheio, mas nunca penalizados. Ainda no setor de banimentos, temos o caso de “difícil”, que, quem sabe se por ser politicamente incorreto, é hoje sempre substituído por “complicado”. E acredito que estamos presenciando o degredo talvez permanente da locução “por causa de”. Acho que maioria de vocês nem deu por isso, mas agora prestem atenção e notarão. Ninguém mais diz “por causa de”, diz “por conta de”. “Ficou em casa por conta de uma dor de cabeça”, “brigou por conta de uma dívida”.

E o “você”? Continua também, mais firme do que nunca. “Você armar um time ofensivo é mole, o que você não pode é deixar a defesa adiantada demais, porque aí você fica exposto a contra-ataques que você poderia evitar, se você posicionasse melhor a zaga.” E “jovial”? Creio que deve resignar-se a não querer mais dizer “cortês” ou “afável”. Já fiz uma checagem entre conhecidos e me surpreendi com a quantidade de gente que o liga a juventude. E o “então”? Observem como é cada vez maior o número de pessoas que inicia uma resposta com um “então” de significado obscuro. “Você foi lá hoje?” perguntamos. “Então”, começa a outra pessoa. “Não, não fui.” Acho que já tem gente que só responde depois de dizer “então”, deve ser cabalístico.

E “acontecer de”, como em “aconteceu de eu ver”? Não existe a menor necessidade desse “de” aí e o verbo sempre passou muito bem sem essa preposição. Prescinde dela como em “aconteceu ele estar presente”, ou se usa a integrante “que”. Imagino Caymmi cantando “acontece de eu ser baiano, acontece de ela não ser”. E “meio que”, que é isso? “Ele estava meio que preocupado com a situação”, “ela ficou meio que na dúvida” – que faz esse “que” aí? E “combinar de”? “Combinar” jamais teve necessidade desse “de”.

Finalmente, é cada vez mais observável que a tendência é dizer “brasileiros e brasileiras”. O plural no masculino, como era a regra, parece que não está valendo mais. Agora é “eleitoras e eleitores”, “agricultores e agricultoras”, “professores e professoras”. A tendência, imagino eu, será eliminar as palavras comuns de dois gêneros. Teremos, assim, “estudantos e estudantas”, “dentistos e dentistas”, “crianços e crianças” e – por que não? – “pessoos e pessoas”. Isso é reforçado pela preferência que a presidente Dilma tem revelado. Ele não somente quer ser chamada de “presidenta” – o que, aliás, já está dicionarizado – como, quando tem plateia, dirige a palavra aos presentes distinguindo o gênero deles, como, por exemplo, “operários e operárias”. Tudo bem, a língua é viva e não para de mudar. Mas não se pode deixar que ela corra solta, a norma culta é indispensável para a sobrevivência da língua como instrumento de comunicação científica e artística. Além disso, certas coisas acabam não dando certo. Por exemplo, a presidente pode preferir ser presidenta, mas, quando mencionada na condição mais genérica de “governante”, duvido que ela queira ser designada pela forma feminina da palavra.


Para escrever notícia no rádio, conte sua história

 

O post sobre o texto no rádio, escrito nesta terça-feira, proporcionou bons comentários aqui no blog. Em um deles, assinado pela estudante do segundo ano de jornalismo Kelly de Conti, foi reproduzido texto de Rosental Calmon Alves que faço questão de destacar neste espaço:

É muito normal, nas redações de rádio, o editor condenar um texto à lata de lixo e depois pedir ao redator que conte o que estava escrito (não como estava, naturalmente). Ao terminar a resposta, o editor fala: ‘Brilhante! É isso que eu quero. Reescreva exatamente como você acaba de me contar.’ E, muitas vezes sem perceber direito a lição, o redator volta à máquina meio intrigado, tentando lembrar, textualmente, como foi a conversa com o chefe. A essa simplicidade a gente só chega quando consciente das caracterizações do trabalho. Basicamente, precisamos saber: a) que escrevemos para alguém ler e alguém ouvir, sem possibilidade de outra leitura, em caso de não entendimento de algum detalhe; b) que, apesar de suas particularidades, o processo comunicativo, do qual estamos participando, deve aproximar-se do interpessoal, ou seja, devemos procurar o nível de uma conversa informal; c) que as notícias devem ser escritas objetivamente, de forma direta; d) que devemos dizer o máximo, com o mínimo de palavras, mas sem forçar.”

Boa notícia, também, na mensagem deixada pela professora de radiojornalismo Débora Menezes que revela seu cuidado para que o texto de rádio seja mais bem tratado. Como disse a ela, é da academia que iremos contaminar as redações.