O Conte Sua História de São Paulo traz neste mês de agosto, poesias escritas pelos ouvintes da CBN. Começamos a série com Maria Carolina Prado:
Paulistan@
Quem nunca viu um buraco na calçada
na rua
no caminho?
Quem não comeu milho de panela no ponto,
pastel na Benedito,
pastel no mercadão?
Quem não correu no Ibira,
na marginal Pinheiros,
ou com os bicicleteiros?
Quem não ama a Paulista de domingo,
as ciclovias,
o minhocão?
Quem não gosta de pôr do sol na laje,
boteco de esquina,
padoca, café e pão?
Quem não esperou no trânsito,
esperou o trem,
esperou o busão?
Quem não pegou uma fila,
brigou na fila,
furou de antemão?
Quem nunca reclamou da violência,
do asfalto,
da poluição?
Quem não ama e desama,
foge do caos,
sente falta dessa imensidão?
Quem não quer mais céu,
mais gentileza,
mais amor e natureza?
Quem vem pra cá é aventureiro ou empreendedor,
mágico ou palhaço,
honesto ou mentiroso,
corajoso, feminista,
hater, ou elitista
farofeiro,
pacifista,
motoqueiro ou
sonhador
Quem é de Sampa
sabe o que quer,
onde comprar
e onde vender
Quem vem daqui
tem pressa, tem fome
tem sede,
tem garra,
tem malícia e gratidão
Quem é de Sampa já viu de tudo
e mora aqui
só pela emoção.
Maria Carolina Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“O trabalho de branding, é, em certa medida, a construção de valor e por isso ele carrega tanta responsabilidade”
Jaime Troiano
Inflação alta e renda baixa é uma combinação desastrosa para o mercado de consumo. Os clientes se afastam, reavaliam compras e se adaptam a nova realidade. Cada tostão é gasto de forma cuidadosa, evitando ao máximo o desperdício e o excesso. Mesmo assim, muitos clientes não abrem mão de comprar determinados produtos ou usufruir de alguns serviços. Em pesquisas já se identificou, por exemplo, que uma mãe aceita comprar um produto de higiene pessoal de menor qualidade, de preço mais baixo, para continuar oferecendo ao bebê o leite em pó mais sofisticado, que tem um preço maior. A decisão explica bem a diferença que existe entre preço e valor. Para a mãe, o leite em pó da criança tem alto valor, por isso vale a pena pagar um pouco mais.
Saber diferenciar preço e valor de uma marca é essencial aos gestores, como explicaram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. A começar pelo fato de que quem determina o preço de um produto é o seu proprietário; já o valor, depende especialmente do cliente:
“Falamos de preço como condição absoluta e objetiva: quanto custa uma determinada marca; quanto ao valor, é o que eu atribuo de significado, relevância e utilidade àquele produto que comprei”
Cecília Russo
Uma dona de casa diante da gôndola de supermercado tem diante de si dois detergentes líquidos de marcas diferentes. Os dois custam mais ou menos o mesmo preço, coisa de R$ 2,50. Ela leva para a casa aquela marca que considera ter maior valor para o seu dia a dia. Esse comportamento ocorre na compra de produtos de preço baixo tanto quanto de preços altos.
“Pense na marca Volvo. São carros de preço alto, mas tudo indica que sejam percebidos com alto valor pelo mercado. Aliás, se uma marca não consegue gerar valor, dificilmente ela irá conseguir praticar preço alto, simplesmente porque os consumidores não pagam o preço que essa marca pede porque não veem valor nela”.
Cecília Russo
Para Jaime Troiano, o trabalho de branding é aquilo que torna as marcas menos sensíveis a preço. Ou, aquilo que gera valor para as marcas ficarem menos reféns de preço. São capazes de manter preços mais altos na etiqueta porque têm maior valor no coração dos clientes.
“Vamos comparar a Volvo, que a Cecília trouxe, com outra marca de luxo, Mercedes Benz, que também tem apenas carros de preço alto. Veja, não estou me referindo a nenhuma dessas marcas como cara ou barata. Sabe por quê? Isso depende do valor. Um mesmo preço pode ser considerado alto ou baixo, a depender do valor que eu atribuo a ele. Para uns a Volvo vale mais do que a Mercedes e vice-versa”
Jaime Troiano
O gestor de marca deve sempre se perguntar, considerando a qualidade e a entrega que têm o produto ou serviço:
“Estou gerando valor ou apenas estou sendo refém da minha política de preço?”
Cecília Russo
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, de sábado, às 7h50 da manhã.
“Esse é o nosso caminho, né? O nosso grande desejo é esse. É trilhar um novo capitalismo. Um capitalismo muito mais consciente que traz oportunidade para todos”
Roberto Lunardelli, Fazenda da Mata
Você já ouviu falar em “quebra”? Certamente já, mas talvez não com esse conceito que vou tratar na abertura deste texto para explicar como têm de ser corajoso e idealista o pequeno produtor disposto a ter negócios sustentáveis em todas as dimensões. “Quebra” é como os grandes mercados chamam todos aqueles produtos que estão no estoque e não são vendidos, geralmente porque não estão dentro dos parâmetros considerados ideais, e pelos quais os fornecedores são ressarcidos por valores bem abaixo do negociado (descontos de cerca de 60%). A regra nem sempre é muito clara para o produtor, até porque sabe-se que, parte daquilo que foi considerado “quebra”, segue à venda na gôndola, e sem desconto para o cliente.
Foi contra medidas como essa que o pessoal do Fazenda da Mata decidiu se rebelar e se reinventar, focando outros mercados, especialmente lá fora, e não aceitando negociação a qualquer custo. Por pessoal, estamos nos referindo a Daniella e Roberto Lunardelli, casal fundador da fazenda dedicada a produtos orgânicos, que iniciou o projeto em terras que mantinham na região de Goiânia. No Mundo Corporativo ESG, entrevistamos Roberto que falou da inspiração que tiveram quando trocaram São Paulo por Goiás:
“Logo no início, planejamos a empresa em alguns alicerces básicos. Seria uma empresa que pudesse produzir alimentos íntegros — lógico, orgânicos — a preços acessíveis a todos. E para isso nós tivemos que fazer uma produção em grande escala e preços acessíveis com disponibilidade de produtos de alta qualidade o ano todo”
Dos 400 hectares de terras que tinham à disposição, metade é preservada; a outra é dedicada a plantação dos orgânicos. Para ampliar a capacidade de negócios, se aproximaram de agricultores familiares assentados da reforma agrária, o que abriu para estes a possibilidade de levar seus produtos ao exterior. Para garantir ao mercado que as práticas usadas estão de acordo com as regras internacionais de sustentabilidade, buscaram certificação no Sistema B, a partir de um processo, bastante complexo e minucioso, que identifica se a empresa tem modelo de negócio que visa o desenvolvimento social e ambiental de comunidades e trabalha em soluções para problemas climáticos e ambientais.
Após a frustração com as negociações feitas com os grandes compradores do país, a Fazenda da Mata entendeu que o tema da sustentabilidade era muito mais desafiador e exigia decisões assertivas. Roberto recorreu, então, a experiência da época em que era executivo de terno e gravata, em terras paulistas, e atuava com comércio exterior para encontrar parceiros lá fora. Segundo ele, especialmente na Europa, no Canadá, nos Estados Unidos e na China, antes de negociarem preços, as empresas querem saber, por exemplo, qual o nível de desmatamento na sua área, quais são os impactos relacionados ao meio ambiente ou quais as ações sociais que você promove:
“Lógico que eles vão sempre buscar a comprar com preços competitivos. Lógico que eles sempre vão buscar a melhor qualidade possível. Essa questão é negocial. Eles não vão fugir disso, mas há uma preocupação muito mais alinhada com uma agenda ESG”.
Na mudança de estratégia, a Fazenda da Mata deixou de entregar orgânicos para 80 pontos de vendas em redes de varejo no Brasil. Hoje, existe um parceiro nacional, em uma rede de mercados que tem quatro lojas, em Brasília, todas abastecidas por um programa batizado Frutos da Mata, graças aquele acordo com os assentados:
“Nós trabalhamos num formato semelhante a cooperativa, onde há um equilíbrio de ganhos. Os assentados são os produtores e nós entramos com uma estrutura que faz toda a gestão comercial, financeira, contábil, logística, etc. É uma alegria enorme dar a oportunidade a esses assentados que produzem com uma qualidade espetacular; e nós conseguimos dar acesso a um mercado que, em outras condições, talvez eles não teriam”.
Roberto diz que o resultado deste trabalho tem atraído o interesse de gestores no desenvolvimento de politicas públicas que permitam a ampliação dos negócios das famílias de pequenos agricultores, e está sintonizado com o lema da Fazenda: prosperidade compartilhada.
“Você faz negócios com empresas preocupadas com o meio ambiente, preocupadas com questões mais humanizadas, e isso te dá uma um retorno, uma satisfação maravilhosa de você saber que você tá lidando com pessoas que tenham uma preocupação com relação ao impacto ao legado que você vai deixar para o planeta”
Assista à entrevista completa com Roberto Lunadelli, da Fazenda da Mata, ao Mundo Corporativo ESG
Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
Neste último sábado de Julho, o Conte Sua História de São Paulo completa a série de textos selecionados, de um total de 66 escritos por pessoas acolhidas durante a pandemia no Arsenal da Esperança, onde funcionava a Hospedaria dos Imigrantes, na Mooca. Nossa ideia foi chamar atenção para a existência de pessoas que vivem em situação de rua e precisam da nossa ajuda. Leia o texto esrito por Anderson Francisco:
Nunca diga nunca. Essa é uma frase que eu escutava muito quando eu era pequeno. Você nunca pode desacreditar das coisas. Porquê? Você nunca sabe se isso pode realmente acontecer com você.
Às vezes, me pergunto o que Deus tem planejado para minha vida, e qual será o propósito disso tudo. Nós seres humanos, chegamos a um ponto que não temos mente alguma para compreender tamanho poder.
Antes de eu ouvir falar sobre a pandemia ou me falarem sobre o Arsenal da Esperança, passei por muitas turbulências conturbadas durante minha vida. Um pai alcoólatra e uma mãe doméstica por destino. Pequenos filhos, com um péssimo ensino e uma baixa renda que, de tão baixa, uma anã é gigantesca perto dela.
Apesar disso tudo, tive uma boa educação dada por eles, me amaram e me deram boas surras … que nós aprontávamos! E também nunca deixaram faltar nada dentro de casa. Meu pai era pedreiro, saiu do nordeste de Pernambuco, bem novo, com quatorze anos de idade.
Veio a São Paulo a procura de serviço, começou bem cedo na roça, ajudando os pais com as tarefas da roça, junto com o resto dos irmãos. Veio embora ao rumo de São Paulo se queixando de surras constantes que levava de outros irmãos mais velhos. Minha mãe saiu de Goiás, era bem mais velha que meu pai. Tinha dezessete anos de idade e saiu de casa pelos mesmos motivos que meu pai, surras diárias que não aguentava.
Se encontraram em São Paulo, se conheceram e tiveram três filhos, uma menina e dois meninos.
O tempo passou, nós crescemos, alguns se foram e outros ficaram e a vida continuou.
Eu me envolvi com drogas, morei nas ruas, filho pequeno. Aí entra o Arsenal da Esperança. Estou acolhido aqui fez quatro meses, no dia 18 de junho de 2021.
Arrumei uma namorada branca, ah, vocês não sabiam… eu sou negro! Mãe branca e pai negro.
Aí chega a pandemia, devastando tudo o que tem, matando milhares de vidas no mundo. Mas o que a pandemia trouxe de bom foi mais empatia com as pessoas. Saber dar valor às coisas simples da vida. A união das pessoas um com os outros, mais fé e acreditar que as coisas podem mudar mesmo.
Sei que minhas escolhas me impediram fazer certas coisas boas e (escolhas certas) que me encaminhei para um caminho bem melhor.
E digo mais, peço desculpas pelos meus erros de ortografia, por quê? Eu não tenho me dedicado aos estudos, mas tudo que eu estou vivendo e os desafios de uma pandemia, é isso. É se esforçar ao máximo, é acreditar que você realmente pode alcançar os seus objetivos.
E sempre Deus em primeiro lugar em tudo. Abençoando os caminhos árduos que teremos de trilhar. Nunca fui bom com histórias, mais tentei fazer o melhor do possível para vocês tentarem me entender e me escutarem. Usem máscara, se cuidem assim. Mas por quê? Com a saúde não se brinca.
E com simples palavras descrevi tudo aquilo que eu senti. Por quê? Essa é mais uma história que ninguém conta.
Anderson Francisco do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Lucas Leiva é destaque em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O pôr do sol se faz diante da praia onde aproveito os dias de férias, no Ceará. A cena é rara no Brasil, pois temos o litoral a leste, onde o sol nasce — ao menos é assim que nos acostumamos a ver. Lá em Porto Alegre, parada anterior do meu descanso, por exemplo, é famoso o espetáculo nas águas do rio Guaíba, a oeste.
Assistir ao sol se por no mar só é possível aqui nesta região graças a geografia da vila de Jericoacoara — um desses locais incríveis que encontramos quando decidimos viajar pelas belezas brasileiras. E coisa linda não desperdiço. Por isso, pouco antes das seis da tarde, lá estava eu sentado na areia aproveitando cada momento, desenho e cor que a despedida do sol nos proporciona. Fiquei até o último raio alaranjado desaparecer. Já passavam das 6h15 da tarde (ou da noite).
Foi nesse clima de contemplação que voltei para o quarto onde estou hospedado para assistir ao Grêmio jogar. Logo que a partida se iniciou, às 6h30, cheguei a acreditar na possibilidade de uma vitória fora de casa —- outra coisa rara de se ver, haja vista nosso desempenho nesta temporada. Havia um esboço de time e movimentação que nos fazia melhor do que o adversário.
Um lance atabalhoado de Bitello, ainda no primeiro tempo, mudou todas as minhas expectativas. Nosso guri se excedeu na vontade e mereceu ser expulso. Menos mal que tínhamos Lucas Leiva na reserva para ocupar o espaço deixado no meio de campo. Por outro lado, Campaz teve de ser sacrificado — logo ele que tem melhorado aos poucos nas últimas rodadas.
Jogar na casa do adversário, com desvantagem numérica e com nosso histórico no campeonato, não era animador. Apesar disso, especialmente no primeiro tempo e no início do segundo, o Grêmio foi firme e forte na marcação; e isso impediu que o adversário se aproximasse do nosso gol. Os riscos apareceram a medida que o time dava sinais de cansaço.
Ainda assim, nosso setor defensivo foi gigante — como é gigante Geromel que se impôs na área de uma maneira impressionante. Lucas, na frente dos zagueiros, com sua experiência e talento, ajudou bastante a conter algumas investidas; e funcionou muito bem ao lado de Villasanti, enquanto este esteve em campo.
Gabriel Grando (ex-Chapecó), atuando na terra em que surgiu e diante de parentes próximos, foi firme nas intervenções e providencial na defesa que se fez necessária no último lance da partida.
O Grêmio saiu de gramados adversários com mais um empate. Esse, porém, é um empate diferente dos demais. Tem valor de conquista pela forma como foi garantido. Além de manter-se em ascensão no campeonato, entre os quatro primeiros colocados, chegou há 15 jogos sem perder — a maior invencibilidade dos últimos dez anos, da Série B.
Além do resultado que foi bom, diante das circunstâncias, deixamos Chapecó com duas ótimas notícias: Geromel terá seu contrato renovado automaticamente até 2023 e Lucas Leiva dá sinais de que entregará muito mais categoria e segurança ao time, especialmente a partir de agora quando deve assumir a titularidade, com a ausência de Bitello.
Um passeio por Paris é sempre bem-vindo. Se feito sob a tutoria de quem tem a nos ensinar, melhor ainda. Pois foi esse o convite que Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram aos ouvintes do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Calma! O convite não é para viajar a Paris, é para viajar pelo mapa de Paris. Nas suas ruas e avenidas. Em especial, nas que nos levam ao Arco do Triunfo que, cá na nossa conversa, se transforma em uma metáfora para identificar o objetivo de todos que trabalham com branding.
Quem já se ateve a geografia da capital francesa deve ter percebido que existem avenidas que convergem para o Arco, proporcionando um desenho harmônico tanto quanto pedagógico aos mais atentos. Em lugar de percorrer as 12 avenidas parisienses, Jaime e Cecília separaram cinco delas e as batizara com o nome de lições que precisamos aprender.
Vamos a elas:
Avenida da simplicidade:
na vida de uma marca, qualquer forma de falar a respeito dela, qualquer comunicação que não seja simples atrapalha muito. Não é fácil ser simples. Quando se consegue ser, o resultado é inesquecível: “se é Bayer, é bom”; “quem pede um, pede bis”; ou é “fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?”. Não é mesmo?!?
Avenida da profundidade:
é a avenida para afastar a ingenuidade. Qual? De esquecer que consumidor diz o que pensa mas faz o que sente. Quem constrói marcas apenas com base nas respostas politicamente corretas que ouve dos consumidores, não chega ao “Arco do Triunfo”.
“Estudos científicos que usam neurociência, por exemplo, são essenciais para penetrar nesse espaço pequeno, de um centímetro cúbico, escuro e úmido, onde se escondem os verdadeiros sentimentos e motivações dos consumidores”
Jaime Troiano
Avenida da vitalidade:
precisamos saber, com um olhar externo e independente, se a marca é forte não apenas na visão interna da empresa e dos seus vendedores. Essa avenida exige uma consulta a quem, de fato, determina o sucesso da marca: seus consumidores e clientes.
“Deixem de lado a vaidade corporativa, ouçam o que dizem as vozes que vêm da rua ou você não chegará na Charles De Gaulle Etoile”
Cecília Russo
Avenida da autoridade:
aqui sua marca precisa ter convicção de que tem mais do que força apenas, tem autoridade para trabalhar com outras áreas de produto. Quando a Dove, por exemplo, percorreu as outras avenidas e chegou a esta quarta sabia que podia deixar de ser apenas um sabonete. Mas também outros “N” produtos que enraizaram a ideia de hidratação. E que tal a Tilibra que foi muito além de cadernos e adotou vários itens que têm a ver com a vida escolar: agendas, estojos, mochilas…
Avenida da verdade:
é a avenida que revela a suprema razão de ser da marca, o seu propósito. A avenida que mostra que não é apenas mais uma, mas que mostra o quanto atende, de forma autêntica, as necessidades da sociedade.
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
A casa onde morei ainda está por aqui. Também está a casa onde me descobri. O estádio onde forjei minha personalidade se sustenta como pode, mesmo que aos pedaços — suas linhas são visíveis na vizinhança. Por outros cantos que passeei, na cidade em que nasci, me reencontrei. Porto Alegre está cheia das minhas marcas tanto quanto eu tenho as dela. Nestes primeiros dias de férias, fui apresentado a novos espaços e paisagens que me conquistaram. Cenários recuperados. Outros recriados.
Nesta toada de saudade e orgulho, de emoção e lembranças, voltei à Arena para assistir ao Grêmio, neste sábado. Fazia pouco tempo que havia estado por lá. E encontrei um clima bem diferente daquele início de campeonato. O torcedor está mais crente das suas possibilidades, apesar das desconfianças de plantão —- comuns para quem vivenciou o desastre de 2021. Ao menos descobriu que, a despeito dos limites do time, sua força será essencial para a retomada do rumo.
Logo que entrei na Arena, ouvi o hino ser entoado, em um coro puxado pelos alto-falantes. Em seguida, outras músicas ecoaram nas arquibancadas, inspirados na cantoria promovida pela turma da Geral. Alguns jogadores, mais do que outros, eram ovacionados. E empurrados pelo incentivo do torcedor. A maioria que estava lá, dentre velhos e adultos, jovens e crianças, queria mesmo é ver o ídolo que a casa torna: Lucas Leiva.
E enquanto Lucas não vinha, o time entregava o que tinha de melhor para o momento: uma intensidade incrível na marcação, velocidade na retomada da bola, e imposição sobre o adversário. Nem sempre tudo isso chega acompanhado do talento querido, mas é o suficiente para empolgar o torcedor.
Que empolgação! Há muito não assistia à torcida do Grêmio cantando quase toda a partida. Vibrando pelas pequenas conquistas. Comemorando lances banais. Emitindo uma energia que impulsionava o time à frente. Com um clima desses nada parecia capaz de nos impedir de chegar ao gol. Chegamos logo aos nove minutos e de forma magistral: um lançamento preciso de Villasanti que surpreendeu o zagueiros e encontrou Diego Souza, em condição legal, dentro da área. A bola morreu no peito dele e de bicicleta foi para o fundo da rede.
Que explosão! Foi tamanha que muitos sequer perceberam que havia o risco de o gol ser anulado, e seguiram comemorando enquanto havia a checagem da imagem pelo VAR. Nesse ritmo alucinado, a pressão foi ainda maior. E antes de meia hora de jogo, em nova escapada veloz, Ferreirinha chutou no travessão e Campaz completou para o gol.
Quando o segundo tempo chegou, algo estranho aconteceu: mesmo com o time tendo desaparecido em campo, os torcedores seguiam cantando e pulando. É como se ninguém acreditasse que alguma coisa poderia dar errado na tarde desse sábado. O entusiasmo aumentou assim que Roger acionou Lucas Leiva no banco. A comemoração do torcedor era tal que muitos sequer viram que o Grêmio havia tomado um gol na cobrança de escanteio. Mais do que isso: que o Grêmio sofria forte pressão e corria riscos de desperdiçar os três pontos dentro de casa.
Até o apito final, a dúvida sobre o resultado persistia, dados os perigos que nos expomos. De certo, mesmo, só a forma como os torcedores — a ampla maioria deles —- decidiram abraçar o time, fenômeno que tenho identificado há algumas rodadas e, hoje à tarde, se comprovou em plena Arena do Grêmio.
Tive o prazer de vivenciar tudo isso, ao lado de gente querida, amigos e mais de 41 mil torcedores, em Porto Alegre. Voltar para essa casa me remete à felicidade dos tempos de guri, que me faz desejar começar tudo de novo, sempre ao lado do Grêmio, onde o Grêmio estiver!
No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha a série de textos escritos por pessoas em situação de rua acolhidas no Arsenal da Esperança, antiga Hospedaria dos Imigrantes, durante a pandemia. O texto de hoje é de Wilson Luis
Foto: Mílton Jung
Olho para os acontecimentos sem dar importância, como todos, pensando somente “mais um vírus que não vai me afetar”. Muito menos o Brasil. Esse passará longe.
Quando os noticiários ficaram mais longos e mostrando a chegada do vírus no Brasil e como já estava a Itália e a China, me preocupei, mas sem ter a dimensão do que o vírus causaria.
Quando uma orientadora do abrigo onde eu estava convocou uma assembleia dizendo que não poderíamos mais sair de lá, somente nos dias estipulado pela direção, somente para comprar, como cigarro, e médico, pois o Brasil estava fechado por 14 dias, me senti numa zona de guerra.
No abrigo, passei a conviver 24 horas com todos. Os noticiários não pararam de falar do aumento de mortos. Lembro de sair para comprar cigarro e ver a cidade deserta, somente ambulância e carro funerário na rua. Logo fiquei preocupado com minha família. Falava com eles constantemente.
O convívio no abrigo não era fácil nem pros funcionários, nem pra nós, conviventes, pois a rotina estava mudada, todos ali tinham que almoçar no abrigo, não era mais obrigado a sair e nem podia sair para resolver problemas pessoais: parei meus projetos.
Passei a criar uma rotina, passei a ler mais, conhecer mais pessoas no abrigo e me apeguei mais na fé e em Deus.
Logo, quando cheguei no Arsenal da Esperança, a esperança chegou na primeira semana, pois tomaria a vacina.
Apesar da vacina andar a passos curtos, posso notar a diferença, o comércio abrindo, as pessoas voltando ao trabalho, pessoas sorrindo novamente, revendo seus parentes, meus projetos voltando.
Não foi fácil, ainda tem um longo caminho a ser perseguido para a volta da normalidade, mas a vacina nos trouxe esperança e ver nossos filhos abraçando a mãe após um ano, nos traz a esperança.
Temos que tirar lição de tudo que a pandemia nos causou como …
Aprendizado. E o maior aprendizado para mim se chamou saudade.
Wilson Luís do Arsenal da Esperança, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Não é mais uma questão de boas práticas, não é mais uma questão é desejável, é uma questão de sobrevivência. Precisamos todos nós fazermos as nossas partes enquanto pessoas, enquanto profissionais, e as empresas estão sendo desafiadas a ter uma maior responsabilidade corporativa”.
Adriana Moura, Grant Thornton Brasil
As empresas ainda não estão estruturadas para avançar em todos os pilares ESG nem para divulgar os dados de sustentabilidade de maneira a conquistar a confiança de investidores. Essa é uma das conclusões de auditores e consultores da Grant Thornton Brasil após estudo que avaliou as práticas e relatórios de sustentabilidade de 328 empresas de capital aberto. De acordo com a Adriana Moura, líder de governança, riscos e compliance da auditoria, a ideia foi analisar tanto a quantidade quanto a qualidade dos dados divulgados.
No Mundo Corporativo ESG, Adriana disse que pouco menos da metade das empresas pesquisadas divulgaram o relatório anual de sustentabilidade (48%), mas o que mais chamou atenção foi o fato de apenas 8% desse material ter sido auditado ou revisado por entidades independentes.:
“Isso tem direta relação com a credibilidade que tem esses relatórios. Só para você ter uma ideia da importância dessa questão de credibilidade de uma auditoria por empresa independente: a CVM publicou uma resolução que, a partir deste ano, se as empresas optarem por utilizar um relatório integrado elas têm a obrigatoriedade de submeter esses relatórios a um auditor independente”.
No estudo, vê-se que os temas materiais são divulgados por 31% das empresas em seus relatórios ESG, porém apenas 8% informaram as metas relacionadas a esses temas, com destaque para setores de energia, transporte e saneamento. Diante disso, como saber se o caminho traçado pelas empresas está sendo percorrido na velocidade que planejaram?
“Esse é o questionamento que nós nos fazemos, quando a gente se debruça num resultado de um estudo onde as empresas afirmam o interesse e as iniciativas, publicam que existem iniciativas, que financiam essas iniciativas. Mas por outro lado não determinam metas claras e objetivas em relação as ODS. 35% da nossa amostra se compromete com um ou mais objetivo de desenvolvimento sustentável, porém a gente se questiona: sem as metas, sem as informações específicas, sem quais são os itens materiais, como essas empresas conseguem realmente aderir a esses objetivos, a essas ODS”.
A pauta “trabalho decente e crescimento econômico” está no topo da lista dos objetivos de desenvolvimento sustentável propostas pela maioria das empresas que tiveram seus dados consultados pela Grant Thornton Brasil . Seguida de “ação contra mudança global do clima” (26%) e “indústria, inovação e infraestrutura”, (25%).
“Estamos numa fase inicial, mas crescente. Acredito que se fizermos esse estudo no próximo ano, daqui a dois anos, os resultados serão bem diferentes no sentido positivo. Então, é um desafio de todos nós e, especialmente, de nós consultores e auditores que temos aí uma missão em em apoiar nossos clientes dessa jornada”.
Assista ao Mundo Corporativo ESG com Adriana Moura, da Grant Thorton Brasil:
O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
O 20 de Julho é Dia do Mestre de Cerimônia, também. Também porque consta que o calendário reserva outra data para os profissionais da área: o 27 de abril. Seja lá, seja cá, o que interessa neste texto que você lerá a seguir é entender os objetivos da profissão e concodar com o autor — e com este editor do Blog — que não dá mais para aceitar preconceitos de qualquer tipo e contra qualquer pessoa (N.E)
Você que trabalha com “cerimonial” já deparou com a sentença: “isso é coisa de viado”? A youtuber Louie Ponto disse: “nascemos em um mundo onde a princípio tudo é hetero!”. Não quero discutir questões de gênero. Já escutei várias piadinhas sobre o assunto.
A maioria das pessoas que não tem polimento e até para algumas que têm, cerimonial é perfumaria. “Pra que tanta frescura” ou “que bobagem essas coisas” poluem um setor determinante na organização de eventos e na vida das pessoas.
E por que a comparação com “coisa de viado”?
Educação e os bons costumes estão ligadas ao universo feminino. Comportamento refinado, respeitoso, educado e elegante no tratar o outro para muitos é perfumaria.
Nessa sociedade machista, que ainda determina se uma atividade é de homem ou de mulher, muitos não se dão conta que a tal perfumaria é uma luta de séculos de uma sociedade pela forma civilizada de lidar com as pessoas em harmonia.
Somos por natureza um animal social, como definiu Aristóteles. Assim devemos observar que estaremos constantemente em uma relação social. Distinguir autoridades, respeitar o dress code, entender o significado do R.S.V.P no convite, são conhecimentos que vão muito além da questão de gênero.
Para pessoas que limpam os dedos na toalha e não imaginam que Leonardo da Vinci inventou o guardanapo, no século XV, cansado que estava de ver esta mesma atitude nos banquetes da corte, é de se prever que não tenham a menor ideia que através do cerimonial expressamos respeito, profissionalismo e, até mesmo, segurança.
Tenho consciência de que não vivemos mais em séculos passados, apesar de haver quem me dê a impressão de que ainda está por lá. A evolução da sociedade suprimiu algumas formalidades em razão de um mundo menos desigual. Simplificamos coisas que foram perdendo a razão de ser com o tempo, mas trabalhamos muito ainda no sentido de respeitar as pessoas e as instituições. Levantamos a bandeira de cerimonialistas não como sendo alguma coisa feita por “eles” ou por “elas”, mas para que consigamos desenvolver um convívio social a partir de relações mais delicadas e civilizadas, menos desordenadas e brutas.
Cerimonial não é questão de gênero, é de educação — o que falta, aliás, aos preconceituosos.
Christian Müller Jung é mestre de cerimônia por profissão, publicitário por formação e meu irmão de nasceça