Mundo Corporativo: Ruy Shiosawa, da Great People, prevê a extinção das empresas

Ruy Shiosavwa em entrevista ao Mundo Corporativo Foto de Priscila Gubiotti

“.. as coisas mais simples provavelmente são as mais efetivas e poderosas. Ou seja, investimento em pessoas não é dinheiro, é investimento do seu tempo como líder, a atenção que você dá para as pessoas”. 

Ruy Shiosawa, Great People

As empresas estão em extinção? A provocação é feita pelo mesmo cara que há dois anos extinguiu a sede da sua empresa para preservar o emprego  das pessoas. Eu estou falando de Ruy Shiosawa, que era CEO da Great Place To Work quando a pandemia chegou e tomou a decisão de se desfazer dos escritórios em comum acordo com os demais profissionais da organização. Atualmente, Ruy está à frente da Great People, que reúne dez empresas que prestam os mais diversos serviços — de consultoria a produção de conhecimento — com a intenção de valorizar as pessoas e impactar a sociedade.

Você deve se perguntar, como alguém que comanda um ecossistema com tantas empresas questiona a existência delas. Esse tem sido o papel de Ruy ao longo de sua jornada profissional. Inspirar as pessoas a repensarem processos e comportamentos. Somente assim é possível desenvolver novas culturas e criar ambientes de trabalho saudáveis. 

“O que que era uma boa empresa? Opa, uma empresa grande, uma empresa segura, estável, que desse uma carreira cheia de degraus … hoje, isso dificilmente alguém fala nesses termos. Então, hoje não importa se a empresa é grande, pequena — aliás, talvez daqui a pouco não tem mais empresa, tem conexão de propósitos, de objetivos com pessoas que podem apoiar o desenvolvimento desse propósito”.

Para este “empreendedor em série”, cuidar da saúde mental dos seus profissionais foi um dos desafios que a pandemia trouxe às empresas e seus líderes. Por que se um colaborador é diagnosticado com burnout isso está ligado à empresa e deixa de ser um problema apenas da pessoa. É responsabilidade da organização criar mecanismos para detectar esses riscos. Foi, aliás, diante da necessidade de criar estratégias capazes de identificar como está a saúde mental da equipe de trabalho, que a Great People criou a Jungle — uma das dez empresas do ecossistema. Uma das soluções desenvolvidas foi, a partir do uso da neurociência, a criação de uma análise, com mais de 200 variáveis, baseada em textos escritos pelos funcionários, que permite antecipar problemas de transtorno ou fragilidade:

“A gente detectou casos de atenção da saúde mental e detectamos casos graves. O fato de ter detectado no momento adequado permitiu que isso fosse encaminhado a um especialista para ser tratar. Agora, imagina você não dá atenção para isso, o que vai acontecer é que uma hora explode uma hora tem uma crise”.

O futuro do trabalho transformou-se em presente com a pandemia, de acordo com Ruy Shiosawa, e uma das discussões que se aceleraram foi o modelo de trabalho que a empresa deve seguir: remoto, presencial ou híbrido. Para ele não existe resposta única porque isso dependerá das pessoas que compõem aquele grupo de trabalho que chamamos de empresa. 

Há realidades diversas e demandas que não são compatíveis, o que pode levar a empresa a perder talentos se não souber conjugar essas diferenças. Alguns têm família e gostariam de ter mais tempo para os filhos, outros preferem ficar na sua casa na praia, onde se sentem mais produtivos e livres, e há quem busque ambientes colaborativos e de aproximação. Os líderes têm de entender que atualmente valoriza-se muito a possibilidade de as pessoas organizarem seu próprio tempo e conciliarem vida pessoal e profissional. Portanto, é preciso flexibilidade.

“E aí qual é o ponto de atenção, como que a gente resolve isso? Liderança! Desenvolver pessoas que gostem de pessoas. E comunicação! Lembrando que comunicação é uma via de mão dupla”.

Diante disso, os métodos de feedback nas empresas ganham importância e precisam ser mais bem desenvolvidos. Chamar o profissional uma ou duas vezes por ano, cumprindo tabela proposta pelo RH, não é suficiente para entender as pessoas e desenvolver os profissionais. De acordo com Ruy, a experiência da Great People, pelo trabalho iniciado no Great Place To Work, comprova que a ferramentas do feedback é uma das mais poderosas para melhorar o ambiente de trabalho. Líderes que ouvem mais seus profissionais, através de feedbacks mais frequentes, conseguem resultados superiores do que aqueles que restringem esse canal de comunicação.

Para conhecer outras estratégias que podem engajar mais os profissionais, desenvolver as pessoas e preservar um ambiente saudável no trabalho, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo com Ruy Shiosawa, CEO da Great People.

Ops, antes de pular para o vídeo: talvez você tenha percebido que em todo o texto não tivemos uma resposta exata para a pergunta inicial sobre a extinção das empresas. Se você quiser uma certeza, sim, em breve, estarão extintas as empresas da forma como são, mantendo hierarquias rígidas, com equipes “presas” dentro de escritórios, sem promover melhores relacionamentos entre os times e líderes afastados dos problemas que impactam seus profissionais.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Priscila Gubiotti, Guilherme Muniz, Renato Barcellos e Bruno Teixeira.

Conte Sua História de São Paulo: o rádio e a rádio que me fizeram escritora

Marina Zarvos

Ouvinte da CBN

Photo by Brett Sayles on Pexels.com

A caixa. Imponente.

Toda feita de madeira nobre e trabalhada, enfeitava a sala.. 

A Menininha. Curiosa.

Na pontinha  dos pés, como bailarina, ensaiava os primeiros passos e tentava desvendar o mistério da caixa que falava.

Foi assim anos a fio e todas as noites. A caixa falava (com chiado, é verdade!) e a menininha adormecia, embalada pelas ondas do rádio. Transcorria a década de 50.

A família reunia-se em torno dela (a caixa) para ouvir os intermináveis discursos do  pai dela(da menininha), então presidente da Câmara Municipal de Lins. 

E, ao som das ”ondas” do rádio  que proseava sem parar, a menina adormecia.

O tempo voou e a caixinha mágica ficou menor, libertou-se dos fios e acompanhou  a adolescente que ouvia os Beatles e os Rolling Stones, sem imaginar  fazer parte de uma geração icônica.

Geração que libertava  a jovem mulher de amarras seculares. Década de 60.

No embalo da Jovem Guarda, ouvia atentamente programas que ofereciam música aos apaixonados. Suspiros, fantasias e muitos sonhos surfavam nas ondas do rádio.            

Ah! A lua da jovem apaixonada ficava mais perto. Sempre ele, o rádio, a nos informar.

“Um pequeno passo para um

homem, um grande salto para a Humanidade.”

A jovem dá um grande  passo na década seguinte: universidade, casamento, filhos… anos 70, 80, 90…

Ganhos, perdas e algumas conquistas.

Avizinhava-se o novo século, novas tecnologias, infinitas possibilidades se descortinavam. A fiel caixinha mágica, de onde as palavras saltavam e bailavam, acompanhava a jovem mãe  nas noites intermináveis, em claro, ninando as crianças com músicas para relaxar.

Virada do século, o velho amigo, agora  guardado como recordação, fora substituído  por outro que cabia na palma da mão. A mãe torna-se “mãe  de sua mãe” já muito idosa e frágil. 

Noites e dias em que os sonhos misturavam-se aos pesadelos da dura realidade. Novamente o rádio, companheiro inseparável, aplacava a angústia e informava. Era a rádio que tocava a notícia, no sem-tempo para leituras.

E foi num desses dias, na segunda década do novo século, que a menina-jovem-mulher-e já avó ouve  o chamado para enviar um texto para o programa “Conte sua história de São Paulo”. Já corria a década de 2010.

A emoção de ouvir um texto, sonorizado com esmero, lido  com a voz inconfundível do âncora, Milton Jung, foi mágica! Acontecia o inusitado encontro da caixinha proseadora  com a  prosa literária daquela que  ama conversar com o leitor e ouvinte.

Nascia a escritora que havia engavetado suas escritas ao longo de muitas décadas.

As ondas do rádio, agora saídas também da palma da mão que carrega o celular, inundaram e fertilizaram a criatividade da vovó. 2022.

Incentivada pelos textos  acolhidos e divulgados, a avó ainda surfa nas ondas do rádio. Ondas que a levaram além mar… Escreve nas nuvens, literalmente, a  caminho de Lisboa. Vai lançar seu livro na maior feira lusófona do mundo: a 92a Feira do Livro de Lisboa. Ensaia os primeiros passos no mundo literário… mas precisa escrever sua história com o rádio! 

Gratidão ao rádio e a Rádio CBN, que toca notícias, corações, e proporcionou à menininha do passado navegar por ondas e “mares  nunca dantes  navegados”.

Marina Zarvos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também mais um personagem dessa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: uma ferramenta estratégica muito poderosa

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“Quem compra não é um comprador nem é um consumidor. Quem compra é uma pessoa. É ela quem decide o sucesso, o futuro ou fracasso das marcas”.

Jaime Troiano

Há mais de 200 anos, os antropólogos nos ensinaram a entender a cultura, os hábitos e os rituais dos povos que vivem em comunidade. Inspirados nesse olhar preciso sobre o comportamento humano, os estudiosos das marcas e do marketing adaptaram esse conhecimento para compreender melhor as pessoas em sua jornada de consumidor, porque perceberam que a vida deste cliente é muito mais extensa do que apenas o encontro no ponto de venda.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo lembram que por muitas décadas —- e ainda hoje, algumas empresas agem assim, infelizmente — o único contato com a realidade do cliente era no ato da compra, o que tornava essa relação bastante frágil. Pouco a pouco, porém, passou-se a entender que era preciso identificar o comportamento desse “comprador” no seu cotidiano, pesquisando como ele se relacionava com a marca, quais suas demandas, necessidades e carências.

“Foi assim que começou a ficar importante realizar estudos sobre a jornada do consumidor. O que poderia parecer uma grande perda de tempo e desperdício de dinheiro virou uma ferramenta estratégica muito poderosa”

Jaime Troiano

Duas razões para entender a jornada do consumidor:

  1. Garante que a comunicação da marca fale com alguém conhecido, ou seja, a mensagem é mais bem endereçada;
  2. O cliente se sente compreendido e não apenas mais um número na multidão;

A abordagem etnográfica é um dos recursos para obter uma compreensão profunda da origem da conexão entre marcas e consumidores, como descrito em resumo do artigo publicado por Jaime e Cecília, durante conferência internacional, intitulado “Keep your hands off my wallet, until you get into my life” ou “Tire as mãos da minha carteira até que você consiga entrar na minha vida, e me entender”. 

Com a presença digital na relação entre consumidor e marcas, uma das técnicas de imersão usadas por Jaime, Cecília e equipe chama-se “MOBE – Mobile ethnography”, baseada em plataforma na qual as pessoas oferecem as mais diversas e detalhadas informações sobre seus hábitos. 

“Não é possível construir marcas de valor se você não fizer essa imersão”. 

Ouça o comentário completo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Avalanche Tricolor: vivi para ver Suárez marcar no Gre-nal!

Grêmio 3×1 Internacional

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemoara gol no clássico em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Toda vez que o  Grêmio entra no gramado minha incredulidade é posta à prova. Ver a passagem de jogador por jogador pela câmera da TV e encontrar Luis Suárez perfilado e vestindo a camisa tricolor era inimaginável até pouco tempo. A despeito das ilusões que me dei o direito de ter com meu time, nunca fui dos torcedores que se entusiasmaram com as notícias de bastidor sobre a contratação de um craque mundial. Muitas vezes passamos por isso e na maioria delas era apenas um manjar de cartolas para adocicar a boca da “gente do Grêmio” entristecida por resultados mal alcançados.

Quando o nome dele foi confirmado evidentemente que comemorei e sonhei com seus gols e jogadas. Era o quinto maior goleador do mundo chegando à Arena. Vínhamos de uma temporada difícil apesar do título gaúcho e da ascensão à primeira divisão, em 2022. Merecíamos a alegria de uma jogada audaciosa por parte da diretoria e seus apoiadores. Ter Suárez no elenco era muito mais do que poderia querer naquelas circunstâncias.

Na primeira partida marcou três gols — o adversário não era de se levar a sério, disseram alguns, apesar de o jogo valer troféu. Seguiu fazendo dos seus, mas era Campeonato Gaúcho comentavam os despeitados. Vencemos o primeiro clássico gaúcho que ele disputou, porém nosso atacante não marcou e logo correram para lembrar a promessa que havia feito assim que chegou ao clube. Na oportunidade, com o sorriso largo e marcado pelos dentes que lhe são peculiares, Suárez lembrou ao torcedor que sempre deixou sua marca nos clássicos que disputou pelo mundo da bola. E não foram poucos.

Vieram as competições nacionais. Um jogo sem gol de Suárez abria a estatística da “seca” que o uruguaio iniciava, mesmo que seguisse sendo ele o goleador do tricolor. Mais do que isso: mesmo sendo ele o jogador que abria caminho para os companheiros marcarem, que chamava atenção dos zagueiros liberando a chegada do nosso meio de campo e que buscava tabelas improváveis — às vezes não completadas porque alguns de seus colegas de time, assim como eu, parecem incrédulos frente a possibilidade de tê-lo como parceiro.

Diante da escassez de talento e da baixa performance da equipe nas últimas partidas, Suárez seguia seu esforço em mostrar ao torcedor os motivos que o levam a ser um dos maiores jogadores do mundo. No meio da semana, foi dele o gol (de trivela) que nos manteve vivo na disputa por uma vaga às quartas de final da Copa do Brasil, quando muitos não viam alternativas para o empate. Hoje, foi dele o gol que deu início a história do Gre-nal 439 — o clássico que será lembrado para todo e sempre como o Gre-nal de Suárez.

O gol aos seis minutos foi lindo. Começou com a bravura de Kannemann que, na linha do meio do campo, antecipou-se, venceu a disputa da bola e a entregou para Suárez. Havia três marcadores no entorno dele. Colocou todos no bolso, os fez correrem atrás de uma bola imaginária ao ameaçar um passe de calcanhar, seguiu livre para o outro lado e de fora da área meteu no ângulo. Um golaço! Um golaço de Suárez!

No segundo tempo, quando já estávamos com um a menos em campo —- Kannemann foi expulso aos oito minutos —, escapamos em um contra-ataque puxado pelo próprio atacante que depois de tabelar com Galdino lançou no pé de Bitello, que completou no ângulo. Àquela altura, aos 19 do segundo tempo, o clássico já tinha um nome para chamar de seu: Luis Suárez!

Nosso atacante completou 23 partidas pelo Grêmio, marcou 14 gols e deu sua quinta assistência. Fez até aqui um gol a cada 137 minutos jogados (obrigado pelos dados Marcos Bertoncello). E um desses gols foi o golaço no clássico gaúcho neste fim de domingo – é o décimo clássico mundial no qual ele deixa sua marca.

Acho que já dá para começar a acreditar que vivi para ver Luis Suárez com a camisa do Grêmio! Obrigado pela graça alcançada!

Mundo Corporativo: viés, assédio e desrespeito têm de ser enfrentados para garantir igualdade de gênero nas empresas, defende a advogada Cláudia Securato

“Empresas que tem mais mulheres, e mais mulheres na liderança tem 30% a mais de lucro e têm mais chance de sair de uma crise”.

Cláudia Securato, advogada

“Filha única” de uma família de quatro irmãos, com uma pai “complicado” – seja lá o que isso possa significar -, e sem jamais ter acatado a ideia de que cuidar da casa é coisa de mulher. Cláudia Securato levou à advocacia o legado desse desafio que se impôs em criança. Hoje, lidera um escritório que é predominantemente feminino e se dedica a estudar o tema da igualdade de gênero – ela é sócia do Securato & Abdul Ahad Advogados. Foi esse o foco de seu mestrado de Direito na FGV, em São Paulo, e o assunto da nossa conversa no Mundo Corporativo, da CBN. Que fique claro, Cláudia está à frente de tantas outras causas jurídicas quantas forem possíveis e interessantes, assim como jamais imaginou ser advogada de uma “nota só”. Porém, especialmente depois da maternidade entendeu que havia a necessidade de ajudar às pessoas a se conscientizarem da existência das diferenças de tratamento e da importância de combatê-las: 

“Eu vi mulheres brilhantes desistindo de tudo, desistindo exatamente por sentir as discriminações, por sentir os assédios, por sentir as microagressões, por sentir que não iam conseguir lidar com essa desigualdade”.

O desrespeito não aparece necessariamente no salário que homens e mulheres com funções e responsabilidades iguais recebem. Nesse caso, a folha de pagamento da empresa deixa explícita a desigualdade. A discriminação é menos perceptível no cotidiano do trabalho, no comportamento que as pessoas dedicam, na falta de espaço para a fala da mulher e nas promoções que são realizadas. A maternidade, por exemplo, segue sendo uma barreira para muitas profissionais, especialmente as com menos escolaridade. De acordo com o IBGE, 40% das mulheres com 14 anos ou mais de estudo não têm filhos; enquanto apenas 20% das mulheres com três anos de estudo não têm filhos. A medida que têm mais conhecimento, essas mulheres preferem deixar a maternidade de lado para seguirem crescendo profissionalmente. 

Outro ponto que aflige às mulheres, de acordo com Cláudia, são os assédios sexual e moral, que mesmo coibidos por lei não deixam de se realizar nos ambientes de trabalho. Apesar de haver jurisprudência na punição a esses atos, ela diz que são centenas de juízes e desembargadores que podem dar decisões completamente diferentes conforme a queixa — centenas de juízes e desembargadores homens, faço questão de lembrar, para deixar evidente como os vieses, inconscientes ou não, pesam nessas decisões, em prejuízo às mulheres.

“Sem dúvida, existe viés de gênero e nas decisões judiciais existe inclusive um protocolo de julgamento com perspectiva de gênero que é uma recomendação do CNJ – Conselho Nacional de Justiça para que os juízes magistrados entendam e olhem com outras lentes as questões que envolvem raça, gênero, diversidade religiosa e todas as outras questões que a gente vem tratando por aí. Então, existe sim um movimento para isso, mas também não é uma obrigação. O CNJ recomenda que exista uma tela, um olho para igualdade de gênero e para raça nos julgamentos”.

O Governo Lula apresentou no dia 8 de Maio projeto de lei que reforça o direito a igualdade salarial entre homens e mulheres e pune o empregador com multa equivalente a dez vezes o maior salário desembolsado pelas empresas. Multa que dobra diante da reincidência.  Cláudia, no entanto, alerta: esse valor vai para o cofre da União e não para a mulher discriminada. Mesmo considerando que esse dinheiro deverá ser usado nos programas de amparo ao trabalho, ela defende que parte desse valor beneficie a mulher que foi vítima da desigualdade. A despeito de melhorias que a legislação precisa, Cláudia vê de forma positiva a criação, por exemplo, de um grupo de trabalho no governo, com participação da sociedade civil, que poderá avançar nos aspectos que ainda impedem que a igualdade de gênero se realize.

Alguns números que surgiram na nossa conversa e gostaria de compartilhar com você:

  • O Fórum Econômico Mundial identificou que existe uma diferença salarial entre homens e mulheres de 40%, no mundo;
  • As mulheres levarão 70 anos para alcançar a igualdade salarial, conforme estudo da Universidade de Coimbra com a OIT — a Organização Internacional do Trabalho
  • Um estudo global diz que empresas que têm mais mulheres e mais mulheres na liderança têm 30% a mais de lucro e tem mais chance de sair de uma crise (sim, eu já escrevi isso lá no alto, mas repito para não esquecer)
  • E se nada disso o convence da necessidade de juntos lutarmos por essa igualdade, pense no dinheiro que seu negócio está perdendo: mulheres são 54% da força de trabalho no Brasil e são grandes consumidoras;

Algumas dicas de como eu e você podemos participar desta transformação:

  • Olhe as pessoas que estão trabalhando com você
  • Entenda o sentimento delas no ambiente de trabalho
  • Exercite a escuta ativa (talvez você não tenha percebido, mas há microagressões se realizando aí na sua empresa)
  • Conscientize-se da necessidade de mudar este cenário

“Endereçar o tema! Eu acho que a conscientização é mais importante. A pessoa que está preocupada com isso, ela tem muito mais chance de acertar do que a pessoa que tá achando que isso é desnecessário, que a gente já tá em 2023 e não precisa mais falar disso, que as mulheres já chegaram lá. Não é verdade!”

Para saber mais, assista agora à entrevista completa do Mundo Corporativo que tem as participações do Renato Barcellos, do Bruno Teixeira, da Priscila Gubiotti e do Rafael Furugen:

Conte Sua História de São Paulo: o carteiro da minha rua, no Jaçanã

Por Luiz Alves 

Ouvinte da CBN

Photo by Raquel Tinoco on Pexels.com

O carteiro da minha rua chamava-se Valter Alito. Durante toda a minha infância, eu o vi diariamente subindo ou descendo a rua de terra em que morávamos, no bairro do Jaçanã. As rajadas de vento faziam levantar nuvens escuras de um pó fino e pegajoso, que travava a garganta; e quando chovia, a rua desaparecia em um imenso lamaçal.

Ele fazia parte da rua, pois com chuva ou sol, lá vinha ele assobiando, vestindo sua farda surrada, com passos decididos e uma pesada bolsa de lona nos ombros. Tinha a habilidade de transformar aquele trabalho aparentemente ruim em algo bom e divertido. Penso que o Valter nasceu para ser carteiro.

Eu olhava com admiração para aquele homem franzino, rosto minúsculo, nariz fino, olhos da cor da distância e olhar amigo, afinal ele usava quepe; que eu era louco para colocar na minha cabeça.

Não foram poucas as vezes que, para o delírio da molecada, ele se meteu em nossas peladas de futebol. Dois ou três dribles, um chute certeiro, e lá ia o Valter, agora com os sapatos sujos, para cumprir o resto de sua jornada.

O Valter era responsável por encurtar distâncias e construir pontes entre pessoas, trazendo notícias de parentes e amigos. Conhecia os moradores pelo nome, e não raras vezes parava para um dedo de prosa com o meu pai. Falavam de política, comentavam sobre a carestia ou algum acontecimento no bairro. Todos o respeitavam e o tratavam como autoridade. E o era, pois nem os cachorros da rua ladravam com ele.

Foi o Valter Alito que trouxe o telegrama avisando da morte da minha avó, em um sete de setembro cinzento. Também era ele que entregava as cartas de parentes, que às vezes deixava a minha mãe triste e preocupada. Eu não entendia bem por que, mas sabia que aquelas cartas sempre traziam más notícias. Mas o Valter também trazia agradecimentos, afetos, conselhos, pedidos, sentimentos e saudades, dentro de envelopes.

O tempo passou, o carteiro deixou de ter a mesma importância para as pessoas, e eu não sei onde foi parar o Valter, mas jamais esquecerei a forma como ele tratava as pessoas. Com certeza, ele já não entrega cartas e cartões de Natal. Pena porque me restou uma pergunta não feita: o que será que o Valter pensava de nós?

Luiz Alves e o carteiro Valter são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também mais um personagem de São Paulo. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: a trivela de Luisito!

Grêmio 1×1 Cruzeiro

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Luis Suárez comemora o gol de empate em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Aos 16 do primeiro tempo, a bola foi no travessão e estivemos prestes a assistir a um dos mais belos gols da Arena. Já estávamos correndo atrás do placar —- e dos atacantes adversários, também — quando Carballo lançou por cima da zaga em direção a Luis Suárez. Nosso atacante dominou e ficou de costas para o zagueiro e para a goleira. Esboçou uma bicicleta, único recurso que ainda lhe restava naquele momento dentro da área. Lamentou-se Luisito e todos nós torcedores, pelo gol que não se fez e pela obra prima que não se completou.

Aos 35 do segundo tempo, a perfeição se realizou. A jogada teve como coadjuvantes Galdino e Bitello que apareceram no corredor direito para conduzir a bola que vinha da defesa. Galdino, recém-entrado, encostou para Bitello, naquela altura deslocado para a lateral em lugar de Fábio, que havia cansado. Luis Suárez se desprendeu dos dois marcadores, recuou um pouco e livre recebeu a bola.

Nesse momento, a pressão sobre ele era inevitável, mas Luisito é Luisito e tem muito mais recursos à disposição do que a maioria dos jogadores deste planeta. Fez uso de um deles. Raro no futebol como se pode ver na descrição que copio a seguir, do Wikipedia: 

“Trivela é um tipo de passe/remate aplicado no futebol. É uma técnica de passe/remate pouco utilizada pela generalidade dos futebolistas, pois exige uma particularmente elevada capacidade técnica. Executado com a parte exterior do pé, é de difícil execução, mas também de grande espetacularidade e imprevisibilidade”.

Sim, foi de trivela. Lá de fora. Com lado externo do pé direito. A bola saiu veloz e com direção certeira: o ângulo esquerdo da goleira adversária. O goleiro parecia não acreditar, enquanto os marcadores dele assistiam de uma posição privilegiada o lance mais lindo da partida e um dos mais bonitos já protagonizado na Arena. 

Um presente para o torcedor que sofria frente ao futebol mal jogado, a falta de repertório na movimentação e o alto risco que corremos durante toda a partida — haja vista o lance em que Kannemann mais uma vez expressou sua bravura e insistência em permanecer vivo ao evitar o segundo gol, ao fim do primeiro tempo. Uma alegria que o time nos deve há alguns jogos e só foi paga pela genialidade de nosso atacante. 

Gracias, Luisito pela graça alcançada!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: você é jabuti ou piúva? 

A fábula “a Piúva e o Jabuti” foi escrita por Monteiro Lobato

“Jabutis e marcas não ficam fortes da noite para o dia. Obedeça ao ciclo imposto pela biologia das marcas e da sua natureza!”

Jaime Troiano

Que o Jaime é um ótimo contador de história já sabemos. Quem ouve o Sua Marca ou o conhece pessoalmente já foi absorvido pelos casos que conta quase sempre relacionando-os ao branding. Desta vez, ele nos deliciou com uma fábula que leu ainda criança. Foi escrita por Monteiro Lobato e publicada pela primeira vez no livro “Fábula de Narizinho”, em 1921:

Brigaram certa vez o jabuti e a piúva.

– Deixa estar! – disse esta furiosa – deixa estar que te curo, meu malandro! Prego-te uma peça das boas, verás…

E ficou de sobreaviso, com os olhos no astucioso bichinho que lá se ria dela sacudindo os ombros. O tempo foi correndo… o jabuti esqueceu-se do caso; e um belo dia, distraidamente, passou ao alcance da piúva. A árvore incontinente torceu-se, estalou e caiu em cima dela.

– Toma! Quero ver agora como te arrumas. Estás entalado e, como sabes, sou pau que dura para cem anos…

O jabuti não se deu por vencido.

Encorujou-se dentro da casca, cerrou os olhos como para dormir e disse filosoficamente:

– Pois como eu durmo mais de cem, esperarei que apodreças… 

Moral 

A paciência dá conta dos maiores obstáculos.

As marcas se parecem muito mais com jabuti, nos ensinou Jaime com a concordância de Cecília Russo.  Para eles, a consciência fundamental é de que as marcas não são entidades perecíveis. E a ação do tempo serve muito mais para testá-las e adaptá-las a novas conjunturas do que para imobilizá-las e destruir sua vida interna.

Três lições da fábula “A piúva e o jabuti”: 

  1. O movimento frenético e grandes ações acrobáticas, como fez a piúva, não é o que de mais importante podemos fazer pelas marcas que administramos. Elas exigem muito mais serenidade e a visão de médio e longo prazo do jabuti.                       

“Não me parece que a pressão de mídia, a pressão digital apenas resolvam. São coisas que inflam mas não constróem marcas fortes.  Cessado o efeito imediato da pressão de mídia e digital, elas murcham”.

Cecília Russo

2. O jabuti tem casco duro e uma resistente vida interna. O importante é a consciência de que, se por um lado o casco é suficientemente forte para aparar a pancada que vem de fora – dos concorrentes, dos inimigos – por outro, a vida interna da marca é o que dá certeza de que ela continuará a existir.

 “Vocês já se deram conta de quantas piúvas já caíram sobre o “casco” de Omo, ou do Itaú, ou da Sadia? E quantas ainda vão cair? 

Cecília Russo

3.  O valor da marca está muito associado à sua longevidade. Os jabutis não são eternos nem as marcas tampouco. Porém, também não são seres efêmeros. Imediatismo é o tipo de coisa que não combina nem com marcas nem com jabutis. 

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar, sábado, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, com sonorização de Paschoal júnior:

Avalanche Tricolor: que voltem as vitórias!

Grêmio 0x0 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Pepê prepara-se para chutar a gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há pouco mais de três dias, deveria ter publicado esta Avalanche como costumo fazer ao fim de cada partida do Grêmio. O adiantado da hora e o placar avançado me tiraram completamente o prazer da escrita — e veja que já estive por aqui em situações bem mais dramáticas para falar de nosso time. Os compromissos que seguiram na semana ocuparam meu tempo e se transformaram em cúmplices da minha intenção em não traçar uma só linha sobre o ocorrido de quarta à noite.

Preferi esperar para retomar a Avalanche neste domingo, quando voltaríamos a escalar alguns dos melhores que o técnico tem à disposição, e estaríamos diante da nossa torcida e de um adversário à nossa altura. Tinha esperança de que a partida do meio da semana tivesse o poder de ser um divisor de águas na nossa jornada nacional de 2023. Considerando o choque de realidade que fomos obrigados a encarar, na quarta à noite, imaginei que nossa equipe teria entendido que o futebol moderno exige intensidade na marcação, inteligência na movimentação e precisão na troca de passes. 

Hoje, o cronômetro não havia completado quatro minutos do primeiro tempo e, confesso, minhas esperanças se renovaram. Foram seis trocas de passes, com Bitello recebendo logo depois do meio de campo, passando de primeira, se deslocando, tabelando com Suarez e colocando Vina de frente para o gol. O goleiro impediu que abrissemos o placar dispensando a bola para escanteio. Uma pintura de jogada, daquelas de brilhar os olhos e fazer o torcedor acreditar que algo melhor nos é reservado. Um lance que resumia tudo o que eu gostaria para o meu Grêmio.

Outras tentativas de ataque surgiram em especial no primeiro tempo. Em alguns momentos parecia que o time desencantaria e a presença de Pepê no meio de campo era o principal motivador dessa expectativa. Ele faz diferença quando consegue jogar porque carrega bem a bola de trás e distribui o jogo com rara visão. Claramente, a ausência nas partidas anteriores e os demais desfalques prejudicaram o entrosamento dele com seus colegas, o que deve melhorar a medida que os demais jogos ocorram.

O fato é que além daquele belo lance e alguns chutes a gol nada mais fizemos para abrir o placar. Tivemos de nos contentar com o empate que mantém a ilusão do time imbatível na Arena. Se não me falham as contas, a última derrota como mandante foi em agosto do ano passado; e de lá para cá já chegamos a 19 jogos de invencibilidade. Não que eu queira que essa sequência se interrompa mas gostaria muito, muito mesmo que fosse marcada por vitórias atrás de vitórias — nas últimas três partidas apenas empatamos.

Que voltem as vitórias nessa semana que se inicia quando teremos compromisso na quarta-feira, pela Copa do Brasil, e sair da Arena em vantagem nas oitavas-de-final é primordial. Enquanto no domingo encaramos o clássico gaúcho pelo Campeonato Brasileiro — e os três pontos, a gente sabe, daria início a uma nova história na competição.

Mundo Corporativo: Mell Azevedo, da i-Cherry, analisa dados e enxerga pessoas

Bastidores da entrevista online com Mell Azevedo. Foto de Pricila Gubiotti

“Essencial é fazer as perguntas certas. Olhar para os dados — antes de querer uma resposta pronta, é o que eu quero saber sobre o meu consumidor”

Mellina Azevedo, i-Cherry

Ao acessar este texto, você deixou sua digital. Em algum lugar, plataforma ou ambiente que tenha passado, seu comportamento foi registrado. O caminho que fez para nos encontrar por aqui, o tempo que permaneceu e a porta de saída que usou para deixar este espaço, oferecem informações que ajudam a entender o seu comportamento. Isso acontece sempre que você passa pela rede social, entra em um site ou usa um aplicativo. 

A quantidade de dados que a sociedade contemporânea gera é incalculável. Ops, parece que conseguem calcular sim, ao menos foi o que fez o professor Martin Hilbert, da Universidade do Sul da Califórnia, que diz ter chegado ao incrível número de 295 exabytes de informação. Era o ano de 2007 quando ele apresentou esse estudo, o WhatsApp ainda não havia chegado entre nós, o que nos faz pensar que o volume de dados atualmente é ainda muito maior (o fenômeno e os riscos que isso tudo gera estão descritos lá no meu livro Escute, expresse e fale!).

Administrar todas as informações e entregar produtos e serviços que atendam a expectativa e necessidade do consumidor é uma das funções da i-Cherry, empresa que tem como diretora de operações Mellina Azevedo, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da CBN. A despeito dela viver “mergulhada” nos registros deixados por onde os consumidores passam, Mell (é como ela prefere ser chamada) faz questão de ressaltar que o negócio da i-Cherry são as pessoas:

“Quando a gente fala de dados, a gente está falando de pessoas. E pessoas são únicas, comportamentos são únicos, necessidades são únicas. Obviamente quando eu estou gerenciando uma estratégia de mídia, uma estratégia de SEO para uma marca, eu não estou observando o comportamento individualizado, mas eu estou observando o comportamento agrupado de pessoas que demonstram interesses, capacidades e necessidades em comum”.

A i-Cherry, da qual Mell faz parte, se apresenta como uma martech, nome que une “marketing” e “tecnologia”, e tem sido usado para definir as agências que cuidam de tudo que envolve o comportamento digital e a interação das marcas com os consumidores online. É uma forma de colocar a tecnologia à serviço do marketing através de plataformas digitais e inteligência estratégica. 

Apesar dos termos “digital”, “virtual” ou “artificial” fazerem parte do dia a dia de Mell Azevedo, voltamos a lembrar: é de pessoas que ela está falando. E para as pessoas que estão à frente de pequenas empresas e negócios, nossa convidada sugere que estes empreendedores se aprofundem um pouco mais nas informações que os clientes deixam nos diferentes canais de contato com a marca: Facebook, Instagram, WhatsApp ou Twitter, por exemplo, oferecem um retorno de informação a respeito do consumidor. Todas essas plataformas podem ser gerenciadas no Google Analytics, que é uma ferramenta acessível de análise para monitorar com eficiência o comportamento online e, claro, traçar estratégias sustentáveis — tendo, inclusive, uma versão gratuita. A Mell que sugere é a Mell que alerta: use os dados do cliente para conhecer seu comportamento sempre respeitando a LGPD — Lei Geral de Proteção de Dados.

Deixe-me voltar a relação dados x pessoas! A segunda parte da nossa entrevista seguiu essa trilha para aproveitar outro mérito revelado pela nossa entrevistada: a capacidade de liderar equipes de alta performance. Atualmente, a i-Cherry trabalha no formato “híbrido opcional”, que foi como Mell definiu o modelo implantado na empresa, em que os profissionais podem trabalhar no escritório ou em casa, conforme suas necessidades: 

“As pessoas vêm quando elas querem ou quando elas estão motivadas, quando elas têm um porquê de vir aqui. Vir ao escritório tem a ver com troca de ideias, tem a ver com aprendizagem, tem a ver com fazer com que as coisas aconteçam de forma mais rápida, mas não significa que o online não funciona. Funciona, também!”.

A medida que se tenha uma boa metodologia de trabalho, Mell entende que é possível fazer com que o “olho no olho” digital alcance os resultados esperados. Mais importante do que o meio pelo qual ocorre a interação entre os profissionais da empresa, é fazer com que essa relação seja sincera e transparente e se mantenha a equipe motivada na busca de seus propósitos. Ela ressalta que o online fez com que se ganhasse tempo com a família, uma alimentação mais saudável e uma vida com mais qualidade e, atualmente, ninguém quer abrir mão dessas conquistas.

Antes de discutir o método e os processos usados para que se tenha um time engajado, mesmo à distância, Mell diz que o líder precisa lembrar que as pessoas têm sentimentos:

“Ninguém perde o prazo de um relatório e sente muito pelo relatório ou sente muito por uma planilha que não foi entregue. Mas, provavelmente, se você falhou com o combinado que você tenha feito com um colega, que estava esperando a sua planilha para iniciar um planejamento, isso vai gerar um constrangimento consigo mesmo”.

Os métodos existem para facilitar o acompanhamento e o desenvolvimento das pessoas. Na i-Cherry, são aplicadas, por exemplo, ferramentas de desempenho individual, de feedback, de integração e de grupo focal dentro das equipes para ouvir o que pensam. Mas os recursos digitais não podem tirar a capacidade de o líder ler a equipe e entender o que funciona para cada pessoa:

“Encontrar o sentimento que motiva a equipe é importante”. 

Um dos papeis do líder, de acordo com Mell, é encontrar “pessoas incríveis” porque quando você está rodeado pelos melhores é compelido a oferecer também o seu melhor. E o faz não pela competição mas pelo desejo de pertencer aquele grupo de excelentes profissionais. 

“… e o bom profissional também é caracterizado pela vontade genuína de compartilhar conhecimento”. 

Para aprender mais com esta conversa, assista ao vídeo completo da entrevista que fiz com Mell Azevedo, diretora de processos da i-Cherry, a seguir. Antes, que a nossa equipe de incríveis no Mundo Corporativo tem o Rafael Furugen, o Bruno Teixeira, o Renato Barcellos e a Priscila Gubiotti.