Conte Sua História de São Paulo: Rita Lee desbravou a floresta do Ibirapuera

No Conte Sua Historia de São Paulo, uma homenagem a Rita Lee, nascida em 1947 e vivida, boa parte de seu tempo, na Vila Mariana. Morta na segunda-feira, dia 8 de maio, aos 75 anos. Rita era apaixonada pela cidade. Selecionamos um dos capítulos do livro RITA LEE: UMA AUTOBIOGRAFIA para expressar essa relação dela com a capital paulista, quando escreve sobre as visitas que a família dela, a familia Jones, fazia ao parque do Ibirapuera:

Floresta encantada 

Antes de virar parque, a floresta do Ibirapuera era o lugar perfeito para os piqueniques dos Jones, domingo sim, domingo não. 

Socadas no Jeep com Charles pilotando, as seis mulheres equilibravam cestas de comidas e ferramentas de jardinagem. 

Estacionávamos em frente ao Instituto Biológico e de lá seguíamos a pé dois quarteirões até a entrada da floresta. 

A imensidão do lugar nos convidava a abrir pequenas clareiras em pontos diferentes, onde montávamos um pequeno acampamento. 

Cada um de nós escolhia uma árvore ou planta para “tomar conta”, limpando ervas daninhas, juntando folhas mortas e batizando as plantas, por exemplo: pela exuberância, samambaias eram doñas Mercedes; eucaliptos eram Horácios, um primo nosso alto e magro com pele descascada; Carmens Mirandas eram as bromélias. Flores levavam nossos nomes por “usucapião estético”; e Ritas, claro, eram as marias-sem-vergonha. 

A família Buscapé plantava milho, cana, melancia, café, banana, verduras, legumes. Podia-se dizer que vários cantinhos do Ibirapuera viraram uma feirinha para chamar de nossa. 

O sonho acabou no quarto centenário de São Paulo, quando grande parte da floresta virou asfalto, cimento e construções de gosto duvidoso. Charles, inconsolável, se recusou a comparecer à festa de abertura. O harém foi, ficamos encantadas com as flâmulas prateadas que os aviões despejavam sobre o povo e tristes de ver nossas hortinhas destruídas.

Quando chegamos em casa, Charles disse: “Vocês por acaso sabem o que significa a palavra Ibirapuera em guarani? Ibirá = árvore, puera = lugar onde havia. Ou seja: lugar onde havia árvore. Os índios previram essa catástrofe e vocês foram lá aplaudir”. Um minuto de silêncio vergonhoso.

RITA LEE é nossa personagem no Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capitulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.

Avalanche Tricolor: a história que eu queria contar

Grêmio 3×3 Bragantino

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram seis do primeiro tempo e o Grêmio já estava à frente no placar por converter uma penalidade máxima. Chute certeiro, bem feito, indefensável, do jeito que esperamos. Pênalti que surgiu de boa jogada pelo lado direito do ataque e a cobrança  precisa de Franco Cristaldo. 

Eram dez do segundo tempo e a bola bateu asas sobre a área adversária, foi resvalar na cabeça de alguém e desviou em direção ao pé esquerdo de Suárez — o pé que passa 90 minutos esperando uma só bola chegar para concluir em gol. Sem tempo a perder, sequer esperou a bola descer na grama. Bateu firme e a fez cruzar pela barreira de jogadores que havia diante dele para alcançar seu destino e estufar a rede. 

Foi o primeiro gol de nosso craque no Brasileiro. Marcou o fim de um “jejum” de quatro partidas. E colocava o Grêmio de volta à partida. Tinha tudo para nos levar à comemoração, à virada e à felicidade.

Aos 16, a virada chegou por obra e caso de dois dos atacantes que haviam entrado no segundo tempo para dar mais dinamismo ao jogo. Zinho escapou e deu passe na medida para Galdino. Nosso meia-atacante   cortou dois marcadores dentro da área para encontrar espaço e de pé esquerdo concluir em gol. Era a explosão de uma torcida que havia sofrido muito no primeiro tempo e estava assistindo ao seu time crescer em campo.  Galdino estava prestes a ser o herói da partida, novamente. Foi assim nos dois últimos jogos em que entrou no segundo tempo e resolveu a nosso favor. Desta vez, ainda teria o mérito de nos levar ao G4 do Brasileiro.

O futebol até pode ser contado por lances e momentos isolados. Por essa felicidade a conta gotas que nos faz sorrir entre uma intempérie e outra. Conta-se a história do futebol através de seus protagonistas, também. Como o foram Cristaldo, Suárez e Galdino. E esssa era a história que eu queria ter contado.

O jogo jogado do futebol, porém, tem muitos outros elementos. Tem um adversário que luta até o fim, tem esquemas táticos que funcionam ou não, tem tropeços e vacilos, tem a influência dos técnicos e tem lances de sorte e azar. É na soma de tudo isso que o resultado é construído. E, infelizmente, a história contada neste domingo, na Arena — mesmo que tenhamos mantido a invencibilidade em casa, mesmo que Suárez tenha feito o seu e Galdino, também — não foi a que gostaria de estar contando para você. 

Conte Sua História de São Paulo: a jabuticabeira do Seu Oseas e dos passarinhos do Campo Limpo.

Oseas Pereira Campos

Ouvinte da CBN

Seu Oseas e a jabuticabeira em foto de arquivo pessoal

Tenho  77 anos. Sou viúvo. Moro no condomínio Interclube, no Jardim Umuarama, no Campo Limpo, zona Sul da cidade. Cheguei em São Paulo em 1972. Cinco anos depois, eu e minha esposa ganhamos uma muda de jabuticaba. Eu plantei em um vaso e continuamos a regá-la durante 15 anos.

Quando chegou 2018, plantei a jabuticaba no pomar do condomínio que moro e já está dando frutos.

Fico muito alegre de ver os sabiás, os bem-te-vis, o casal de João de Barros, pardais que comem os frutos todos os dias. Minha felicidade é enorme ao ver que o plantar da árvore frutífera alimenta os pássaros. E a mim, também. 

Gostaria mesmo que minha esposa estivesse aqui para ver a jabuticabeira, como está linda e como atrai os passarinhos do bairro. 

Oseas Pereira Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade ouça o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: para Adriana Martinelli, da Bett Brasil, o futuro depende da sintonia entre educação e trabalho

Adriana Martinelli em entrevista ao Mundo Corporativo, em foto de Priscila Gubiotti

“A gente tá muito pautado hoje em dia para construir esses novos futuros em posturas diferenciadas, mas posturas que não vão conseguir fugir de processos de escuta, de processo de empatia e de um trabalho colaborativo”

Adriana Martinelli, Bett Brasil

Em um país em que sites de apostas proliferam e muitas vezes são vistos como a esperança para um futuro melhor de parcela da população — mesmo que isso seja apenas uma ilusão, triste ilusão —, preciso começar este texto fazendo o seguinte esclarecimento: Bett Brasil, nome da empresa que nossa entrevistada no Mundo Corporativo representa, é “bett” mas não tem nada a ver com aposta.  Seu nome remete a origem britânica de uma série global de eventos voltados para o setor educacional que tem versão brasileira e se realiza nesta semana, em São Paulo, com o tema “Educação e trabalho para novos futuros”. Portanto, aqui não falaremos de aposta mas de investimento no futuro. Ou nos futuros, como explica Adriana Martinelli:

“Educação e trabalho para novos futuros indica que existem vários caminhos para que a gente possa chegar lá e não só um. Mas para isso é necessário a conversa, o diálogo para que a gente consiga articular todos esses agentes e desenhar atitudes eficientes e práticas hoje, porque senão a gente nunca vai chegar na realização desse futuro”.

A diretora de conteúdo da Bett Brasil entende que a despeito do futuro que se apresente é preciso voltar a conjugar educação e trabalho, temas que se distanciaram por uma série de preconceitos e prepotências dos mais diversos setores da sociedade. O resultado desse abismo que existe entre os dois mundos é que a falta de engajamento e interesse leva 45% dos jovens a ficarem distantes do trabalho e dos estudos. 

“As pessoas estão saindo formadas das universidades e se deparam com o mundo real diferente do que foi ensinado dentro da sala de aula .. a gente ainda tem uma educação superior muito pautada em teorias, muito pautada no que está no livro; e pouca prática, pouca realidade”. 

Apesar de olharmos o ensino superior até aqui, é preciso esclarecer que a ideia de pensar educação e trabalho em trilhas comuns e não antagônicas precisaria ser considerada desde os primeiros anos das crianças na sala de aula. Não necessariamente ensinando um emprego ou uma atividade, mas preparado-as nas habilidades socioemocionais que se farão essenciais no futuro.

Outro aspecto que deve servir de reflexão aos que se dispõem a pensar na educação é o da ampliação de horizontes para os alunos que geralmente são “preparados” para o vestibular quando há uma quantidade enorme de oportunidades no ensino técnico.

Considerando isso que Adriana Martinelli falou no programa, lembro da conversa que tive com Clarissa Sadock, CEO da AES Brasil, no episódio anterior do Mundo Corporativo. A empresa ao abrir vagas para mulheres em uma usina eólica encontrou candidatas com cursos de pós-graduação e mestrados buscando emprego em funções que exigem o ensino técnico. Isso ocorre em vários setores da economia. No agronegócio, por exemplo, operadores de máquinas conseguem salários bastante superiores a advogados, engenheiros ou arquitetos.

Voltando a entrevista com a Adriana. Um ponto interessante lembrado por ela foi ensinamento de Jacques Delors, economista e político, que apresentou o que entendia ser os quatro pilares da educação, na época em que atuou na Unesco: o aprender a ser; o aprender a conviver; o aprender a conhecer; e o aprender a fazer.  

“Quando a gente começa a entender essa visão mais completa e integral do ser humano, tanto na perspectiva da educação quanto na perspectiva do trabalho, consegue talvez ajustar — eu gosto dessa palavra, principalmente em relação à proposta do novo ensino médio que ela é necessária, ajuste sempre — em relação ao nosso propósito maior”.

Tem muito mais para aprendermos e pensarmos sobre a relação educação, trabalho e futuro na entrevista que você assiste agora com a Adriana Martinelli, da Bett Brasil. 

A Bett Brasil se realiza entre os dias 12 e 19 de maio, no Transamerica ExpoCenter. No site é possível fazer a inscrição e participar gratuitamente de uma série de atividades.

O Mundo Corporativo tem as participações da Priscila Gubiotti, do Rafael Furugen, do Renato Barcellos e do Bruno Teixeira.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o barato não pode sair caro!

Photo by Antoni Shkraba on Pexels.com

“Se considerarmos que mais de 70% de nossa população pertencem ainda às classes C e D, dá pra imaginar a importância dessa questão”

Cecília Russo

Os mais observadores já presenciaram entre as gôndolas de supermercado  a tensão que existe entre o que o consumidor quer comprar e o que pode comprar. Essa sintonia entre desejo e capacidade nem sempre existe porque o orçamento doméstico não permite. A partir dessa percepção, muitas marcas investem na oferta de produtos mais baratos que por baratos que são não precisam ser de baixa qualidade: 

“Quando uma marca precisa custar menos para atender um segmento com renda menor ela não pode ser um produto “depenado”, que elimina características importantes da sua formulação”.

Jaime Troiano

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram de ao menos dois casos em que a marca pensou na entrega de produtos populares. Uma delas foi a VolksWagen que fabricou um modelo de fusca bastante simples, que ganhou o apelido de “Pé de Boi”, entre 1965 e 1996. Eram mais conhecidos pelos itens que faltavam do que pelos que eram oferecidos e acabou se transformando em sinônimo de coisas baratas.  A outra é a Ikea, que fabrica e vende imóveis, conhecida por seus produtos de preço baixo e de boa qualidade. Na comparação, claramente os suecos souberam trabalhar melhor essa relação preço e qualidade, porque apesar de terem reduzido o custo do móvel respeitaram melhor o seu consumidor. 

“Muitas marcas já resolveram esse problema e capricharam na oferta de linhas de produto mais baratos que têm boa aparência em suas embalagens e qualidade no que têm dentro”.

Cecília Russo

Um aspecto que deve ser considerado pela marca quando atua para o público-alvo das classes C e D, de acordo com os nossos comentaristas, é que a qualidade dos produtos precisa satisfazer os desejos dessas pessoas e alimentar sua cidadania e dignidade. 

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, logo após às 7h50 da manhã:

Avalanche Tricolor: tava lindo de ver!

Cuiabá 1×2 Grêmio

Brasileiro – Arena Pantanal, Cuiabá/MT

Galdino comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio foi para o centro-oeste do País enquanto eu descia cá para o Sul, aproveitando-me do feriado de Primeiro de Maio. Fazia tempo que não visitava Porto Alegre e esperava estar por aqui em um dia que coincidisse com jogo na Arena. Minha agenda de folga e o calendário do campeonato, porém, não estavam sintonizados. Tudo bem! Minha cidade não se resume a meu time. Tem coisa linda para se ver e uma família querida para conversar.

Especialmente no outono, o sol se põe mais lindo por aqui. E nas mudanças que Porto Alegre vem passando, abriu-se espaço ainda maior na orla para que as pessoas comungassem com o rio e aproveitassem o poente que é bonito por natureza, que ganha cores impressionantes nesta época do ano. 

No entardecer deste domingo, antes de a partida do Grêmio se iniciar lá no calor de Cuiabá, estive no Pontal do Estaleiro, área recém-recuperada e altamente frequentada no fim de semana. O cenário que encontrei me fez feliz: música ao vivo, gente espalhada pelos bancos e gramados, famílias passeando e crianças brincando. Entre os muitos passantes, alguns hábitos típicos do Rio Grande do Sul como a garrafa térmica embaixo do braço e o chimarrão nas mãos. Se destacavam, também, as camisetas dos dois principais times do estado, em especial a tricolor, é lógico — ao menos  eram as que me atraiam o olhar.

Depois do espetáculo do pôr do sol, voltei entusiasmado para casa, disposto a dar sequência aos bons momentos que havia vivido na orla. Desejo atendido por apenas dez minutos. Onze se contarmos o gol que abriu o placar em boa jogada pela direita e a conclusão de cabeça de Vina. Dali pra frente foi aquele desespero que o caro e cada vez mais raro torcedor que lê esta Avalanche deve ter visto, também. Falta de controle da bola, dificuldade para chegar ao ataque e um deus-nos-acuda na defesa. 

Sofremos o gol de empate e uma série de bolas rondando nossa meta. Voltamos para o segundo tempo e o cenário permaneceu. Corríamos risco a cada ataque do adversário. Trocamos um, dois, cinco jogadores na tentativa de equilibrar a partida. Se o equilíbrio não veio, foi dos pés de três dos entrantes que saiu o improvável gol da vitória. Zinho, Nathan e Everton Galdino participaram da jogada que foi concluída nas redes por este último, aos 22 do segundo tempo. Mais uma vez “GaldiGol” apareceu do banco para nos salvar. 

Menos mal que os três pontos vieram e fora de casa, o que é sempre motivo para se comemorar, mas bonito mesmo, neste domingo, só o pôr do sol do Guaíba. Que o futebol do Grêmio se inspire na beleza do horizonte porto-alegrense e volte a brilhar em campo.

Mundo Corporativo: Clarissa Sadock, CEO da AES Brasil, fala de liderança feminina, inovação e gestão de pessoas

Gravação do Mundo Corporativo com Clarissa Sadock, da AES Brasil Foto de Priscilla Gubiotti

“É um grande desafio o CEO não se distanciar da empresa e dos colaboradores”. 

Clarissa Sadock, AES Brasil

Ter pessoas com formações, visões e experiências diversas é essencial para as empresas que entenderam a necessidade de se transformarem na rapidez e consistência que os mercados exigem e o cidadão espera. Talvez por isso que não devesse espantar o fato de uma das principais empresas de energia renovável do país estar sob o comando de uma mulher. A verdade, porém, é que nesse ou em qualquer outro setor da economia brasileira ainda é rara a liderança feminina, especialmente no cargo mais alto da organização.

Desde 2021, Clarissa Sadock é CEO da AES Brasil, empresa que está há mais de 20 anos no pais. Sim, você que é atento às informações logo deve ter percebido que o convite para assumir o cargo surgiu e foi aceito ainda durante a pandemia. Desafio dobrado, portanto, que, de acordo com a executiva foi superado graças a forma ágil com que as equipes se adaptaram aos novos modelos de trabalho.

“É muito interessante como a gente se adaptou a trabalhar remotamente na pandemia com uma certa naturalidade. O time operacional, sem dúvida, teve um desafio maior, porque a gente precisava manter os operadores nos centros de operação e nas usinas”.

Apesar de os resultados terem superado as expectativas, na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Clarissa ressaltou o quanto foi importante a retomada das atividades presenciais para conversar pessoalmente com os colaboradores já que entende que é o olho no olho que nos leva ao aprendizado. Para ela faz muita falta não apenas comunicar, mas também ouvir o que está acontecendo na vida real.

“Para o CEO é muito importante estar à frente da estratégia, estar determinando o foco das prioridades da companhia, mas a gente precisa saber se aquilo ali tá funcionando, não tá funcionando, e como que a gente mexe nesse barco da melhor forma possível”.

A comunicação é uma das competências que Clarissa considera fundamental para manter as equipes engajadas, ainda mais diante do fato de que parcela dos colaboradores está trabalhando na forma híbrida. Também o é para entender as necessidades dos clientes e construir alianças com concorrentes em defesa do setor energético. Outro pilar destacado pela CEO é o da inovação:

“Nós temos um time de inovação há mais de 20 anos e tem diversos fóruns, seja local seja internacional. A gente se utiliza muito também do conhecimento global da AES Corporation”. 

Inovadora foi a decisão recente da empresa em montar uma equipe apenas de mulheres para operar o Complexo Eólico Tucano, na Bahia. Iniciativa que se repetirá em Cajuína, no Rio Grande do Norte. Clarissa não admite que foi dela a ideia de ter equipes 100% femininas, prefere colocar na conta da política de valorização da diversidade que a empresa vem desenvolvendo há alguns anos que só não teria se concretizado antes porque os times operacionais são altamente qualificados e têm baixo turnover, ou seja, não abriam-se vagas para novos e femininos talentos. 

Os planos de crescimento e expansão que pautam a AES Brasil — um dos muitos desafios apresentados à Clarissa quando ela assumiu a função de CEO — foram determinantes para que novas equipes tivessem de ser preparadas. Uma acordo com o Senai foi fechado para que as candidatas participassem de cursos e atividades de desenvolvimento profissional. Uma das surpresas de Clarissa foi verificar que apesar de ser um curso técnico, muitas mulheres com MBA e mestrado se apresentaram para as vagas, o que permitiu uma qualificação maior da mão de obra.

Assista à entrevista completa com Clarissa Sadock em que falamos também sobre transição energética:

O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti.

Avalanche Tricolor: suplício, sofrimento e um herói improvável!

Grêmio 1×1 ABC

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora gol de Galdino, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Eita, seu! Que coisa! Tudo que eu queria, depois de um dia de trabalho duro, era sentar diante da TV  a espera de 90 minutos de entretenimento e tranquilidade. Aí a bola começa a rolar e você vai vendo a coisa degringolar. O passe não passa como deveria ser passado, o chute não chuta como deveria ser chutado  e a marcação não marca como deveria ser marcada. Todas as vezes que é atacado, um susto. Você fica só chuleando para se ver livre de um gol tomado. Mas é claro que ele vai aparecer. Como apareceu ainda no primeiro tempo. E o jogo que era só pra carimbar passagem para a próxima fase, vira suplício.

Verdade que o Grêmio tentou reduzir o risco ficando mais tempo com a bola no pé, especialmente no segundo tempo. Para isso tem de ter alguém pra conduzir essa bola, outro para se aproximar e um mais à frente para se deslocar. Mas se quem conduz passa errado, quem se aproxima, só tira espaço para a bola fluir e quem se desloca não recebe, a estratégia vai para o ralo. E o que deveria  ser simples, tranquilo e divertido, ganha ares de sofrimento.

Haja sofrimento! A cada escapada do adversário, o perigo era iminente. Você assistia à bola cruzando a sua área e logo imaginava um desvio para as suas redes e a ameaça de termos de decidir tudo nos penaltis. Observava o adversário se jogando para dentro da área e o medo de um pé descontrolado cometer uma penalidade  — como diz o ditado: cachorro mordida por cobra tem medo de linguiça. Aí veio o lance do lado direito que passou por cima de nossos dois defensores e foi para diante do atacante deles. Confesso, ali não via nenhuma possibilidade de a bola não entrar. Pois não é que não entrou. Chocou-se no travessão e se perdeu pela linha de fundo. Foi o ápice do desespero.

Se eu, aqui distante, já estava impaciente, imagine o torcedor na Arena. Cada bola mal passada ou mal marcada era motivo de reclamação, buchichos e vaias. Dentro do campo era perceptível o nervosismo do time. Do lado do campo, também o era a irritação do treinador.

Foi então que o herói improvável apareceu para alívio de todos. 

Everton Galdino, que na partida anterior pela Copa do Brasil havia errado praticamente todos os lances que participou, a ponto de tropeçar na bola em um contra-ataque, recebeu um presente de Suarez na entrada da área —- em tempo, que partida fez o nosso gringo preferido. Galdino poderia escolher: devolver para o nosso craque, o mais provável. Ou encontrar Bitello que entrava pelo outro lado. Não. Galdino ajeitou a bola e bateu lá de fora para estufar a rede, empatar o jogo e acabar com qualquer risco de desclassificação.

O Grêmio empatou e manteve a invencibilidade na Arena. Poderia até ter perdido por um e se classificaria assim mesmo. Independentemente do placar, o que importa é que avançou mais uma casa em direção ao título da Copa do Brasil. Vai precisar repor suas peças, consertar a parte física de jogadores importantes e reorganizar a forma de jogar. Não pode continuar sacrificando seu maior jogador, Luis Suárez, obrigando-o a sair da área, buscar a bola na intermediária e ensinar os colegas mais próximos como funciona um jogo coletivo de alta performance. 

Teremos tempo para os consertos e o departamento médico haverá de liberar, em breve, jogadores especialmente do meio de campo que tem toque mais refinado da bola. Por enquanto, é comemorar a classificação depois de um jogo sofrido em vários sentidos.

Conte Sua História de São Paulo: no meu imaginário, era a terra da salvação


Jose fabio nobre nobre

Ouvinte da CBN

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No idos da década de 1970, eu, criança, na Cidade de Crato,  interior do Ceará, passava com frequência  em frente a uma empresa de ônibus — não havia rodoviária — e presenciava cenas que me chamavam atenção. Época em que muitas famílias faziam o trajeto para São Paulo na busca de sobrevivência mesmo. Aquelas cenas começaram a me tocar porque eu via pessoas conhecidas, outras, crianças, e até parentes próximos. Aquelas despedidas me sensibilizam, eu chorava junto àquela gente. 

Daí, São Paulo ficou no meu imaginário como sendo a terra da salvação. Garanti a mim mesmo que ao completar 18 anos, eu também iria para a capital paulista para conhecer, visitar parentes e, quem sabe, morar na casa de uma tia ou um tio. Quando completei a maioridade, já trabalhava e apesar de solteiro era o “provedor” da casa —  os irmãos e irmãs mais velhos já haviam casado e fiquei órfão de pai muito cedo. Com o dinheiro que recebia do trabalho em um banco privado,  me organizei para realizar o sonho de viajar a São Paulo, o que ocorreu em dezembro de 1980. 

Quarenta e oito horas num ônibus que, diante das minhas expectativas tão positivas, tirei de boa. Fui recompensado. Adorei tudo que via, uma prima que morava em Vila Nova Cachoeirinha passeava bastante comigo e me mostrava os locais mais importantes. 

O que me marcou naquela primeira viagem foi ir a uma gravação do Programa do Chacrinha — havia uma senhora amiga da minha prima que fazia caravana para o programa, num teatro da Brigadeiro Luiz Antônio. Na época ele estava na rede Bandeirantes, depois retornou para a Globo. Aquilo me fascinou. O inusitado é que de repente a gravação parou, as chacretes se abraçavam e choravam. Os artistas e jurados, também. Nós na plateia não sabíamos o motivo  da demora do intervalo. Até que a notícia chegou a todos: há poucos instantes, havia sido anunciado o assassinato de John Lenon. A despeito disso, a gravação e a vida tinham de continuar.

Hoje sigo amando São Paulo mesmo morando em Recife há 40 anos. Visito a cidade no mínimo três vezes ao ano. Adoro a fervura cultural e vou aos principais eventos artísticos. Amo ficar próximo ao COPAN, que para mim é a cara da cidade, para bater perna por todo o centro e subir a Consolação caminhando até a Paulista, aproveitando para cumprir a minha meta de sete mil passos diários —  ouviu, Márcio Atalla?

José Fábio Nobre personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cuidado com o discurso ambientalista que não se sustenta!

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“Greenwashing é basicamente as práticas e propagandas que se apoiam em falsas informações e mensagens emitidas por empresas, relacionadas à sustentabilidade”

Cecília Troiano

Atendendo a demanda do público, muitas marcas têm se apresentado como defensoras do meio ambiente e anunciam uma série de medidas que viriam em favor da preservação das matas, da qualidade das águas e do controle da poluição do ar, entre outros tantos benefícios elencados em suas peças publicitárias e relatórios anuais. A preocupação é justa e necessária, mas deve ser sustentável. Esse é o alerta de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que chamaram atenção para a fragilidade de boa parte dessas ações. 

Para ter uma ideia, em 2021, a comissão europeia (EC) analisou 344 alegações aparentemente duvidosas de empresas e chegou a conclusão de que quase 60% das empresas usavam palavras como eco-friendly, eco-consciente, biodegradável e sustentável sem oferecer provas concretas. São típicas praticantes do ‘greenwashing’ 

“ .. ou seja, fala que faz algo em termos de sustentabilidade, mas na prática isso não se sustenta, com o perdão ao trocadilho. falam que determinados processos protegem o meio ambiente, mas a história não é bem essa”. .

Infelizmente, ainda há muita empresário que acredita que dá para sustentar e alavancar a marca por meio de histórias inventadas, sem validade nas suas práticas e processo.  Não precisamos voltar tanto ao tempo nem ir tão distante. Basta lembrar o que assistimos recentemente com produtores de vinhedos, no interior do Rio Grande do Sul, que apesar de seus compromissos com as políticas ESG, foram flagrados usando mão de boa análoga à escravidão. 

“O que as marcas têm de mais valioso é a credibilidade que conquistaram junto a seus públicos. É tão difícil ter essa confiança das pessoas, mas tão arriscado perdê-la” Jaime Troiano

Você que está acostumado a acompanhar o Sua Marca deve lembrar de frase que repetimos várias vezes para alertar aos gestores sobre os riscos que decidem assumir diante de estratégias erráticas: marca não é tapume que esconde as más práticas das empresas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: