Mundo Corporativo: para que o negócio tenha a melhor entrega, Guilherme Lemos, do Grupo Rão, sugere ‘pensar grande e andar pequeno’

“Um dos principais conselhos para quem está começando é nunca dê um passo maior que a sua perna, porque se você quebrar você cai. Então, pense grande, pense alto, pense longo e ande pequenininho, para que você possa acertar, errar e corrigir”  Guilherme Lemos, Grupo Rão.

Foto: Divulgação

Foi seguindo os passos —- até então pequenos —- do irmão que o empresário Guilherme Lemos ajudou a construir uma rede pioneira no segmento de delivery de alimentos. Henrique, o mais velho, foi quem fundou o Grupo Rão,  no Rio de Janeiro, em 2013. Guilherme, o mais novo, aproximou-se do negócio como franqueado com uma unidade do SushiRão, seis meses depois. Em 2016, ocupou lugar na diretoria da empresa e, atualmente, é o CEO do grupo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, ele conta que o ponto de virada se deu quando eles descobriram qual era o seu verdadeiro negócio:

“A gente percebeu ao longo dos três primeiros anos que não éramos especialistas em comida japonesa, a gente dominava a ciência do delivery. E com isso dominado, era natural chegar a outros ramos de comida”.

Hoje, a entrega de comida em casa virou salvação para muitos empreendedores do ramo de bares e restaurantes, devido a pandemia. Guilherme lembra, porém, que bem antes das restrições sanitárias, os irmãos já entendiam que a interação humana diminuiria ou ficaria restrita a pequenos círculos por questões de custo, tempo, segurança e tecnologia:

“Essa pandemia não alterou certos hábitos, ela acelerou hábitos do delivery. O delivery já seria um canal super desenvolvido, só que essa pandemia, por motivos óbvios, obrigou que a gente acelerasse os processos”.

Ao contrário da maioria dos concorrentes, o grupo investe na entrega de alimentos feita por funcionários próprios, evitando o uso de aplicativos que se tornaram comuns nos últimos anos. Aliás, a precisão na entrega é um dos pilares do sucesso do negócio, descritos por Guilherme:

  1. Preço justo
  2. Proximidade com o cliente
  3. Entrega rápida
  4. Produto de qualidade

Para quem imagina empreender no setor, uma das lições aprendidas pelo grupo Rão é que a entrega tende a ser de bastante qualidade quando feita em um raio de até 12 quilômetros do ponto em que está a cozinha:

“A pessoa que está com fome, não pensa assim: “vou ficar com fome daqui uma hora e meia. Estou com fome agora. Vou pedir minha comida agora e quero que o motoboy entregue agora’”.

A rapidez na entrega não deve influenciar na qualidade do produto e no seu custo, porque tudo tem de ser devidamente medido, ensina Guilherme, que vê como um dos principais erros dos empreendedores não saberem fazer contas:

“Tem de ser nos centavos. Na gramatura. Meu sashimi tem de ter 10 gramas. Para 10 gramas, custa um valor. Se o sushiman cortar 12 gramas, entrega para o cliente 20% a mais do que deveria ter feito pela ficha técnica. Eu deixo de ganhar”.

Com todos esses cuidados, o Grupo Rão, recém-chegado a São Paulo, já tem mais de 100 unidades, no Brasil, e três funcionando em cidades de Portugal. Nos planos de Guilherme está a ideia de retornar aos Estados Unidos, onde o irmão mais velho chegou a levar uma das franquias, e entrar na Espanha. Além disso, estão investindo em tecnologia, desenvolvimento de moeda digital própria, novo sistema de pagamento e centro de distribuição. A meta é fechar o ano com faturamento de R$ 300 milhões e abrir mais 50 unidades. As franquias respondem por cerca de 85% do negócio.

Diante dos desafios que surgem, Guilherme aproveita-se do que aprendeu com os erros cometidos —- “a gente sempre errou pequeno, nunca comprometemos a empresa”  —-, e de uma lição que nunca esquece, ensinada por Edu Lyra, fundador e CEO da ONG Gerando Falcões”:

“É preciso ter coragem para empreender. Nós não conhecemos nenhum outro caminho que não seja o empreendedorismo. Vai fazendo. Vai construindo. Tem uma lema que diz que ‘nasceu perfeito, nasceu tarde’. Erre pequeno. Mas faça. O sucesso é inatural, se ficar parado, você não vai atingir o sucesso. Faça acontecer. Tem um mundo para fazer coisas. Como diz o Edu Lyra: ‘vai que dá’”.

Assista à entrevista completa com Guilherme Lemos, CEO do Grupo Rão:

Você pode assistir ao Mundo Corporativo, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e nos canais da CBN no Youtube e no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno teixeira, Natacha Mazaro e Débora Gonçalves.

Passar as férias no carro não era programa para a Dona Ruth

A procura por trailers e motorhomes cresceu quase 100% com a pandemia, informa reportagem publicada no Portal UOL. Costumo ter uma certa desconfiança em relação a esses números especialmente quando oferecidos pelos próprios fabricantes. Tendo a pensar que são inflados para chamar atenção da mídia e daqueles que não tinham se atentado para a possibilidade de comprar esses veículos que servem de moradia. A justificativa para o crescimento — querem nos fazer crer — é que as casas móveis para a ser uma alternativa para as viagens aéreas que estão proibidas, com o fechamento de fronteiras, e para quem teme riscos sanitários ao se hospedar em hotéis, resorts ou pousadas. 

O tema voltou a ser assunto, na conversa desta manhã, no CBN Primeiras Notícias, apresentado interinamente pelo Gabriel Freitas. Meu colega de rádio estava mesmo impressionado é com a criatividade de um paulista, Luiz Henrique Torelli, que transformou seu Uno 2002 em um “Unohome”, ao criar espaço para cama, geladeira portátil, pia, armários e itens de cozinha. Disse à reportagem que tem até um local ‘secreto’ para quando não encontra banheiro no seu caminho. Apertado, pelo espaço restrito, e feliz pelo sonho realizado, é como se declara Luiz Henrique:

“Olhei para o meu Uno e me perguntei: ‘por que não fazer um motorhome com o que tenho na mão?’. E, com meu carro, consegui alcançar o sonho de viajar e levar minha casa junto”. 

Logo que me propuseram o tema para falar no bate-papo que encerra o Primeiras Notícias, me vieram à mente duas lembranças. Uma dos anos 1980, proporcionada por Luis Fernando Veríssimo, em crônica que virou clássico, intitulada o “Engarrafamento”, publicada no livro O Gigolô das Palavras. Veríssimo, que sofre do mal de ser colorado no Rio Grande do Sul, denuncia o impacto que o excesso de carros e a ausência de infraestrutura geram no bem-estar das pessoas que vivem na cidade. Descreve um grande congestionamento, em que sem alternativa, os motoristas abandonam seus carros nas vias. Para em seguida esses carros serem ocupados por marginais  que os transformam em habitação e passam a alugar os espaços internos para outros pessoas viverem nesse enorme condomínio de carros.

É curioso que depois de tantos anos maldizendo os automóveis mesmo que os adorando, agora os usamos para moradia diante das restrições sanitárias.

A segunda lembrança antecede a década de 1980. Desde que me conheço por gente, ouvi meu pai convidar minha mãe, Dona Ruth, a aproveitar as férias em algum camping no Rio Grande do Sul. Poderia ser esticando uma barraca para toda a família ou estacionando um trailer na beira do lago. Invariavelmente, ele aparecia em casa entusiasmado com a ideia — imagino que por influencia de amigos acostumados a acampar. Alegria que durava pouco porque a mãe era implacável: “se é pra passar trabalho, tiro férias em casa”, dizia Dona Ruth que, sem dúvida, não era uma aventureira.

Avalanche Tricolor: saudade de você!

LDU 0x1 Grêmio

Sul-Americana — Quito, Equador

Léo Pereira em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Vitória!

Que saudade de você, minha querida! 

Há quanto tempo a gente não se encontrava por aqui. 

A última que lembro foi há mais de um mês.

Gol? Não comemorava há quase 20 dias.

Que seca!

Abstinência total.

 

Fomos buscá-la da maneira mais sofrida possível.

Lá na altitude. Nos 2.850 metros de Quito.

Com o jeito Scolari de ser.

Fechado em uma linha de seis jogadores próximos da área.

Com os pontas recuados. Os meias recolhidos. 

E os atacantes voltando na intermediária.

Com uma ou outra escapada ao ataque.

 

Abrimos mão do toque de bola preciso por uma marcação precisa na bola. Trocamos a aproximação pelo chutão. Ocupamos os espaços. Reduzimos riscos. Restringimos os perigos de gol. Contamos com Chapecó, um goleiro bem aventurado. Usamos de velocidade e apostamos no talento do passe de Jean Pyerre —- jogador que demonstrou um ânimo irreconhecível.

 

Consagramos Léo Pereira. O garoto de Bauru, que surgiu em Itu, ameaçou ser moleque de Itaquera e agora se transformou em mais um guri do Humaitá. Com apenas 21 anos e 1,72 de altura, correu, marcou e se meteu em meios aos grandalhões da zaga adversária para marcar de cabeça o único e definitivo gol da partida.

Uma vitória sofrida, sem dúvida.

Mas antes sofrer com apenas 23% de posse bola, na retranca e com uma vitória, do que inanição com a bola no pé. 

Tava com saudade de você.

 Vê se não me deixa, Vitória!

Bolsonaro talvez não seja mesmo servidor público

Felipe Santa Cruz. FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar se houve crime de prevaricação, cometido pelo presidente da República, no caso da compra da vacina indiana Covaxin. Pra você, caro e raro leitor deste blog, não se emaranhar nos fios das denúncias, esse é o caso que os irmãos Miranda —- um deputado e o outro servidor público —- levaram para o presidente depois que perceberam que os contratos e recibos emitidos eram no mínimo estranhos. Apresentaram as suspeitas e papeis naquela reunião em que o presidente teria dito que isso era “rolo do Ricardo Barros”. Quanto a esta última parte, por enquanto, temos apenas a palavra dos Miranda e  o silêncio do presidente —- que ameaçou encerrar entrevista ontem quando foi perguntado sobre o assunto. Talvez uma ‘fita k7’ refresque a memória do presidente, em breve.

Enquanto aceitou responder aos repórteres, Bolsonaro colocou em dúvida a possibilidade dele ser incriminado por prevaricação, não por inocente que diz ser, mas pelo cargo que ocupa:

“O que eu entendo é que a prevaricação se aplica ao servidor público, não se aplicaria a mim” 

Isso não tem senso nenhum. O presidente é o servidor público número 1 do País. Sempre foi assim. E sempre será. Hoje, no Jornal da CBN, o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, ratificou essa condição, a partir de consulta feita a estudiosos do tema:

“Não faz nenhum sentido. Tenho conversado com vários professores de direito administrativo e todos entendem que o presidente exerce essa função pública”.

Se os advogados sabem disso, se os juristas, também, e a regra é clara, então por que o presidente se saiu com essa ideia estapafúrdia. Com a palavra, o advogado Felipe Santa Cruz:

“Ele permanece na estratégia de confundir e manipular um setor do eleitorado que, sem informação, ainda acredita no que ele fala. O presidente não tem qualquer compromisso com a verdade”

Ouvi toda a fala de Felipe Santa Cruz, acompanhei o comentário do Sérgio Abranches, no Conversa de Política, logo depois, e pensei cá no meu microfone:

Talvez o que o presidente esteja fazendo é apenas um ato de confissão involuntário. Porque ele realmente deixa de ser um servidor público quando atua no Palácio do Planalto para servir à família (a sua), aos comparsas e a interesses privados —- como as apurações feitas na CPI da Covid têm demonstrado.

Ouça a entrevista completa com o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, no Jornal da CBN:

“Adeptos do presidente estão usando esta questão (do voto impresso) para incitar tumultos”, diz Gilmar Mendes, do STF

Reprodução do vídeo da entrevista com Gilmar Mendes no Jornal da CBN

Que Gilmar Mendes não gosta de Marco Aurélio de Mello —- e vice-versa —- qualquer rábula sabe bem. O próprio Mello, que aposentou a toga, na hora de se despedir definiu a relação com Mendes como sendo uma convivência judicante ..  e apenas judicante. Aos demais falou em convivência fraterna. A despeito disso, na entrevista desta segunda-feira, ao Jornal da CBN, o agora decano do STF Gilmar Mendes foi bastante comedido nas palavras de despedida ao dizer apenas que desejava felicidades a Marco Aurelio.

Nos 22 minutos de entrevista, Gilmar Mendes, falando de Portugal, mediu palavras, mas não deixou de dar seus recados. Ficou claro que não esqueceu ainda seus confrontos com o ex-PGR Rodrigo Janot —- com quem travou embates verbalmente violentos na época da Lava Jato. Por outro lado, foi ameno ao comentar sobre o fato de o atual procurador, Augusto Aras, ser bastante sintonizado com o presidente Jair Bolsonaro.

Sobre Bolsonaro, com quem diz dialogar, Gilmar Mendes entende que o presidente não é um risco à democracia, apesar das constantes críticas ao STF, ao Senado e outras instituições. Para ele o presidente fala para os convertidos. 

O problema —- e aí não é mais Gilmar falando, sou eu comentando —- é que ao manter esse discurso bélico a ponto de dizer que ou tem voto impresso ou não tem eleição, o presidente incita os convertidos. Nesse ponto parece que Gilmar concorda:

“É notório que muitos dos adeptos do presidente estão usando esta questão (do voto impresso) para incitar tumultos”.

Justiça seja feita, se há um ponto em que Gilmar Mendes discorda abertamente do presidente Bolsonaro é quanto a tentativa de reviver o voto impresso. Lembrou até de cenas absurdas, nos colégios eleitorais onde ocorriam a apuração, de fiscais de partido engolindo cédulas para que o voto não fosse registrado na ata. Diante da insistência do presidente—- sem provas —- de que as eleições têm fraude, Gilmar disse na entrevista:

“(a notícia de fraude no voto digital) é tão consistente quanto a mensagem que diz que o homem não foi à lua”

Cássia Godoy e eu tratamos de outros temas com Gilmar Mendes que você comapnha na gravação disponível aqui no blog. Destaco só mais uma antes de encerrar: quando falamos da pressão das Forças Armadas contra a CPI da Covid, que investiga militares com patente suspeitos de envolvimento de irregularidades, Gilmar também deixou seu recado:

“Não é função das Forças Armadas fazer ameaças à CPI ou ao Parlamento”

No mais, ouça a seguir e comente se desejar:

Avalanche Tricolor:  Scolari e Chapecó garantem invencibilidade gremista em Gre-Nais, na Arena

Grêmio 0X0 Inter

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Felipão voltou! Felipão voltou!

Ouviríamos este grito da torcida se torcida houvesse na Arena, nessa tarde de sábado. E a volta não era apenas física, era comportamental. O time cabisbaixo das últimas rodadas, não teve vergonha de dar bico para fora quando necessário nem de trocar o domínio da bola sem sentido por um chutão para o ataque, se preciso fosse. Perder divididas seria crime de lesa pátria, e cada um, ao seu jeito, assumiu esse compromisso do início ao fim da partida.

Scolari, como prefiro chamar nosso treinador, se fez notar na forma do Grêmio se comportar, mesmo que os analistas insistissem em dizer que com apenas um treino nada teria a fazer de diferente. Fez, sim. No vestiário. Na conversa. No incentivo. No sotaque marcado e no conhecimento de quem foi campeão do mundo.

Se é verdade o que diz o ditado que “o diabo está nos detalhes” foi neles que percebi Scolari atuar: nos palavrões repetidos à beira do gramado em toda bola de ataque desperdiçada; na conversa de pai para filho encerrada com um tapa de carinho na cabeça de Ferreirinha; e na ordem para que Geromel voltasse para a defesa a qualquer custo, quando nosso capitão se lançou ao ataque para receber o cruzamento de um falta a ser cobrada a dois minutos do fim da partida. 

Scolari não estava apenas no vestiário ou dando ordens ao lado do campo. Estava redivivo na postura de Kannemann que fez, sem dúvida, sua melhor partida de todos os últimos tempos.

A força mística de nosso técnico e a influência que ele, aos 72 anos, é capaz de impor a seus comandados foram fundamentais para que o Grêmio mantivesse a escrita de não perder um Gre-Nal há 17 partidas em sua casa — é a maior invencibilidade já escrita na história desse confronto que chegou ao número de 433. Pra que ninguém esqueça, também: nos últimos 15 clássicos perdemos apenas um e, se sua memória é boa, você deve lembrar como o VAR e o árbitro nos impuseram aquele único revés.

Em um jogo de pouco brilho e muito esforço, de lado a lado, Gabriel Chapecó merece também os méritos pela invencibilidade mantida. Foi dele os lances mais incríveis, no primeiro e segundo tempos do clássico. Com 21 anos e 1,92 de altura, Gabriel Hamester Grando foi gigante ao defender com os pés a primeira estocada perigosa do adversário. Já havia desviado para escanteio um chute que se encaminhava para o gol. Mais à frente, voltou a salvar nossa cidadela. Uma delas com a mão trocada em um chute forte e com endereço certo —- que considerou ser a mais bonita do jogo, em declaração marcada por um largo sorriso, ao fim da partida, enquanto segurava nas mãos o troféu de melhor jogador do clássico.

vamos para mais de sete anos sem derrota em clássico Gre-Nal na Arena. E a dupla Geromel e Kannemann jogando junta até hoje não sabe o que é perder para o arquirrival. 

Sei que nada disso elimina o sufoco de estarmos onde estamos no campeonato, mas nos dá a esperança de que o futebol aguerrido e a alma tricolor que forjou nossa história serão redescobertos com a volta de Luiz Felipe Scolari. 

Felipão voltou! Felipão voltou!

Sua marca: seis razões para comemorar

Foto de cottonbro no Pexels

“Não abra mão de celebrar as conquistas de sua marca, isso não é ser exibido, é sim uma forma de demonstrar orgulho e planejar o que vem pela frente”

Cecília Russo

Jaime Troiano e Cecília Russo estavam animados com a ideia de celebrar a passagem de mais um ano (e de falar sobre o assunto). Não é para menos. Em tempos de empresas e negócios fugazes, estar à frente de uma organização que completa 28 anos, é motivo mesmo para festejar. No caso deles a ‘festa’ da TroianoBranding foi no dia 8 de julho —- festa entre aspas porque diante da pandemia, aglomerar nem pensar. Foi muito mais um repensar sobre conquistas, reveses e futuro, o mesmo que eles sugerem aos gestores de marcas diante de datas especiais.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime e Cecília alinharam seis razões para você comemorar o seu aniversário ou o da sua empresa. Vamos a elas:

  • 1. Celebrar o estar vivo e ativo. Sim, pela conquista de mais um ano de vida, de mais 365 dias em que a marca sobreviveu e esteve presente na vida das pessoas;
  • 2. Ter orgulho do que fez. 

“Quem nos ouve, é empresário, empreendedor, independentemente do porte da empresa, ou é gestor de uma marca, sabe o quanto é difícil fazer uma marca acontecer, mantê-la relevante”

Cecília Russo
  • 3.  Compartilhar a alegria, porque da mesma forma em que a marca celebra seu aniversário, está comemorando com quem esteve ao seu lado todos os dias: clientes, colaboradores, parceiros de negócio. Espalhar essa satisfação é preciso
  • 4. Mais do que dizer o quanto você está feliz, proporcionar felicidade aos seus clientes desenvolvendo promoções, ativações e formas de fazê-lo se sentir presenteado na data.
  • 5. Para dar uma parada, fazer um balanço da trajetória do último ano.

“Especialmente neste ano, muita coisa aconteceu nesse período e nem sempre tempos tempo para analisar o que fizemos de certo, que estratégia foi positiva e o que não foi. Assim evita-se que sejam cometidos os mesmo erros no novo ano que se inicia”

Jaime Troiano
  • 6. Momento de olhar para frente e pensar como quer estar daqui a um ano. Planejar o próximo aniversário. 

“Se você não planeja, muitas vezes sua marca é levada para algum espaço de posicionamento que não era onde você queria estar, é como ser levado pela enchente. Com planejamento, o comando do barco é seu”

Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de SP: vou às nuvens com meus netos a bordo de um tapete voador

Por Marina Zarvos Ramos de Oliveira

Ouvinte da CBN

Foto do ouvinte CBN Valter Santos, no Flickr

Navegar é preciso, viver não é preciso”

Fernando pessoa

Com quatro anos, ele é meu companheiro de quarentena, pois as circunstâncias assim determinaram. Desde o dia em que o mundo parou, nossa diversão tem sido embarcar no tapete voador, inventado às pressas, para alcançarmos lugares e pessoas queridas. Visitamos castelos encantados, príncipes, princesas, praias, fazendas, a outra casa da família no interior de São Paulo, sobrevoamos a casa dos primos e até visitamos a terra dos antepassados, na  distante Grécia.

Quanta alegria e diversão para proteger o pequeno neto, Nikolas, do pesadelo que a humanidade vive! Protegendo-o, esqueço por horas seguidas o fantasma que assusta a todos. Resgato o universo da imaginação, da fantasia e das deliciosas brincadeiras. 

A quarentena atravessou o ano de 2020, já adentra 2021… e nosso tapete decola diariamente, pousando bem ao lado do Aeroporto de Congonhas, em Moema. A mesma Moema que, há alguns meses, quase não nos permitia ouvir os sons dos pássaros ou do silêncio. Ganhamos um pouco de quietude nestes tempos sombrios, o que me fez relembrar quando aqui cheguei, no início da década de 60. 

Apenas um ou outro pássaro, de aço, pousava em sua enorme pista. A avenida Moreira Guimarães permitia que a atravessássemos sem medo, quase de olhos fechados, até que um dia, num piscar de olhos, as máquinas a invadiram e abriram o grande corredor da tão conhecida Avenida 23 de Maio. Acompanhei a transformação do bairro, da cidade. E hoje, na calma triste da pandemia, revisito a transformação de mim mesma. A menina cresceu, casou-se, teve filhos e hoje, netos.

Sim, os netos são nossa oportunidade de visitar a criança que fomos.  E assim sobrevoando São Paulo e o mundo, a bordo do tapete voador, posso dimensionar melhor o tamanho da mudança. 

Lá, nas alturas encontramos nuvens e somos por elas engolidos. Lá nos diz o comandante:

“Informo aos senhores passageiros que estamos atravessando uma área de instabilidade, favor observarem os sinais luminosos de atar os cintos e seguir a orientação dos comissários”. 

Aqui, no meu espaço de proteção, respiro fundo e confio que passará logo. Tudo passa. Tudo evolui e, na “nuvem” – aquela que a tecnologia me apresentou – vislumbro meu outro neto, Joaquim, um pouco mais longe, nessa ausência imposta. 

Percebo, então, que tenho de inventar em mim outra criança. Não a que fui, mas a que ele é. Vejo e revejo suas fotos, vídeos e alegres encontros virtuais de 2020, que parecem ter acontecido em outro século. Tempos se confundem, espaços se estreitam… dias, semanas, meses ganham uma outra percepção da passagem do tempo. 

Os espaços? Ficaram vazios, atônitos. Porém, eu os vejo paradoxalmente encurtados, agora, pelo tapete voador do Nikolas, 4 anos, e pelo tapete virtual do Joaquim, 9 anos, que, com rapidez impressionante, decola, percorre avenidas virtuais, conecta-se com seus pares, brinca, joga, explora países, continentes, descobre fórmulas, faz suas aulas on-line, oferece algumas aulas à sua avó – vovó-criança, desdobrada entre o tapete voador e a quase impossibilidade do tapete virtual. 

Nessa nuvem em que tudo cabe, receio entrar. No entanto, é nela que o mundo do meu neto primogênito está. Mundo digital que vai se descortinando, dia após dia, na viagem que parece não ter fim. Sigo como uma navegante perdida em mares turbulentos. Sem bússola, navegar não é preciso, não é certo, não é seguro. Mas sigo vivendo na imprecisão e mistério infinitos da vida, só agora entendendo a filosofia de Petrarca nos versos de Fernando Pessoa. Sim, viver é navegar de olhos cegos e sem rumo. 

Mas há instrumentos, sim, meu pequeno grande comandante informa: “Coloca o “Easy”, vovó! Você vai ver, é bem mais fácil saber o caminho”. Não digo nada, só me perco no encantamento, As crianças, em sua inocência de anjos, nos fazem sempre encontrar um porto seguro, Há muitas perguntas a serem respondidas, muitas descobertas. Dizem os entendidos que “não há pergunta sem resposta no mundo da internet”. Será mesmo? Então… quando passará essa pandemia, respondam-me, por favor!!?

Volto o olhar para o Nikolas que, parecendo ouvir meu grito mudo, afirma certeiro: “Quando a gripe passar, vamos brincar lá fora, por enquanto vamos “se divertir” aqui mesmo”. E dá de ombros, num trejeito só seu.  

Nikolas e Joaquim, com suas observações e dicas, conduzem-me ao melhor porto: minha família, amigos, trabalho on-line, nossos alegres encontros virtuais. Vida. Vivendo e aprendendo, com os pequenos mestres, que as nuvens se dissiparão, o sol voltará a aquecer nossos corações e a iluminar os novos caminhos da humanidade.                                                           

Naveguemos na esperança ou na certeza de que, sob as nuvens do céu de São Paulo, há muitos tapetes voadores, driblando lindamente a tempestade. E de que há, na nuvem da internet do mundo todo, tapetes virtuais generosos, com que enganamos a saudade. 

E seguimos repetindo, como num mantra, que vai passar.

Viver não é preciso, poeta, mas é urgente.

Marina Zarvos Ramos de Oliveira  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio.  Seja você também um personagem da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Diego Barreto, do iFood, diz porque o perfil empreendedor está acabando com o empresário tradicional

Foto de fauxels no Pexels

“A nova economia é sobre o estado de espírito, se a gente está falando de um mundo que envolve mais tecnologia e tecnologia muda com uma velocidade muito maior do que algo físico, do que algo que está imóvel, você tem de estar disposto a trabalhar em um cenário de constante mudança do seu negócio” 

Há algum tempo aqui pelas bandas do Mundo Corporativo temos ouvido muita mais gente se identificando como empreendedor do que como empresário. Fica a impressão de que empresariar perdeu status diante da ideia de empreender —- o que não condiz com a realidade. São tanto funções complementares quanto podem ser exercitadas em estágios diferentes da carreira. Ao menos é assim que entendo. E tive minha ideia reforçada a partir da entrevista com Diego Barreto, vice-presidente de finanças e estratégias do Ifood

Antes de falar da entrevista em si, deixe-me apenas reproduzir o que os dicionários dizem de um ato e outro. Empreender é usar o tempo e as suas competências com autonomia, colocar em desenvolvimento, criar valor e assumir riscos. Empresariar significa tornar ago rentável ou digno de um negócio lucrativo, é liderar uma empresa. E por aí vê-se que uma não se sobrepõe a outra. Mas, com certeza, a outra —- empreender —- se faz necessária para a uma —- empresariar.

No livro “Nova economia —- entenda porque o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasileiro”, escrito por Diego Barreto, é possível perceber como cada vez mais os líderes das empresas têm de ter o viés empreendedor para que seus negócios sejam alavancados. Assim como, todo profissional, independentemente da função que exerce, tem de praticar o empreendedorismo.

“O empreender está ligado ao instinto de buscar uma solução, buscar oportunidade e encontrar um caminho para aquela oportunidade se realizar. É mais animal, mais revolvedor. O empresário está ligado ao conceito de perpetuação, de gerencia, de administração. Os dois perfis tem uma importância muito grande”

A nova economia, tema central da nossa conversa no Mundo Corporativo e do livro de Diego, não fala apenas de negócios que surgiram agora, mesmo que sempre se tenha como exemplo empresas como iFood, Airbnb e Uber. Se como diz nosso entrevistado, é “um estado de espírito”, a despeito do ramo que atue e do estágio de maturação que está, é possível buscar os benefícios que a transformação tecnológica impulsionadora dos negócios oferece.

Exemplo que o próprio Diego Barreto oferece é o do Magazine Luiza, que inicia sua trajetória no interior de São Paulo, nos anos de 1950, e se expande como uma rede tradicional de varejo de rua. A visão empreendedora e inovadora da família, oferece espaço para que Frederico Trajano, sobrinho-neto do casal fundador da empresa, assuma o comando do grupo e inicie a transformação digital que a colocou entre as maiores empresas de varejo do mundo. A velha Magazine Luiza, nascida em 1957, é, hoje, uma referência da nova economia.

Diego Barreto também se transformou —- não o fizesse estaria superado. Até os 30 anos, sua carreira foi construída de forma tradicional e, como descreve, privilegiada pois é homem, branco, heterossexual e morador da região sudeste do Brasil. Formou-se em direito e foi fazer mestrado na Suíça, quando passou a perceber que algo novo estava surgindo:

“Quando vou para a Suíça, eu conheci o poder da diversidade e da inclusão na sociedade; e o poder da nova economia. Voltei para um ambiente corporativo que só tinha gente como eu e o incômodo dessa clareza me levou a estudar e a mudar meu comportamento”

A educação —- que considera essencial —- também mudou. pois se antes a jornada a ser cumprida passava por quatro ou cinco anos na universidade, depois pelo primeiro emprego, por uma pós-graduação e, novamente, a retomada do trabalho, agora o aprendizado está disponível em várias instâncias e tem de ser permanente:

“O que estamos fazendo aqui e agora — porque a CBN faz esta migração do rádio para ser uma plataforma de comunicação, estando por exemplo no Youtube, faz com que milhares de pessoas no mundo possa receber esse conteúdo e aprender um pouco mais sobre este tema. Então o conteúdo hoje, o aprendizado, está disponível, o que significa que pessoas com comportamento protagonista, elas conseguem sair de um ponto A até um ponto B sem necessariamente depender da educação tradicional”.

Dito isso, fechamos essa nossa conversa, então, com mais algumas lições que podemos aprender durante essa entrevista. Pedi para Diego Barreto sugerisse algumas mudanças de comportamento que podem nos ajudar a encarar os desafios e vantagens da nova economia:

  • 1. Crie o hábito do estudo que é a capacidade de compreender o mundo mundano, porque daqui a cinco anos as demandas serão outras.
  • 2. Não acredite nas indicações lineares daquilo que era oferecido no passado. Existem outras opções no Brasil. Existem pessoas fazendo diferença. É possível empreender. Existem empresas criando negócios maravilhosos e, portanto, vão abrir oportunidades para talentos.
  • 3. Aprenda a dialogar, porque se estamos falando de mudanças, automaticamente os padrões mudam, a ética muda. A ética precisa ser repensada. Isso é dialogo, a gente precisar sair da polarização, dialogar para refletir e aí se voltar para o ponto que você concorda.

Aprenda mais ouvindo a entrevista com Diego Barreto, no Mundo Corporativo:

Você assiste ao Mundo Corporativo, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. Colaboram com o programa  Izabela Ares, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Natacha Mazzaro.

O que o presidente da República melhor faz, segundo um senador também da República

Presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (Foto: Pedro França/Agência Senado)

“Cada um faz aquilo que melhor faz, ele (o presidente) tem feito muito isso no governo, né!?!”

O presidente da CPI, senador Omar Aziz, foi curto e grosso na primeira resposta que deu hoje, na entrevista que Frederico Goulart e eu fizemos, no Jornal da CBN, quando perguntei a ele sobre um inusitado palavrão dito por Bolsonaro em seu “cercadinho” digital.

O que o presidente melhor faz, segundo o senador da República pelo estado do Amazonas? Para que fique claro, vamos antes a sequência de fatos que levaram à frase de Aziz, hoje cedo.

No dia 25 de junho, os irmãos Miranda —- o Luis Deputado e o Luiz Servidor — estiveram na CPI da Covid e disseram que levaram ao presidente Jair Bolsonaro denúncia de irregularidades na compra da vacina Covaxin, da Índia. No encontro que ocorreu no Palácio do Planalto, em 20 de março, Bolsonaro teria dito que entregaria o caso à Polícia Federal. Teria dito mais, segundo os Miranda: 

“Isso é coisa do Ricardo Barros. [Palavrão], mais uma vez” 

Ricardo Barros, deputado federal e líder do Governo Bolsonaro na Câmara, foi rápido no Twitter: no mesmo dia, negou qualquer envolvimento com irregularidades. 

Já o presidente, se calou. E calado se manteve. 

Diante do silêncio —- nem no cercadinho havia se pronunciado —-, a CPI entregou, ontem, dia 8 de julho, uma carta no Palácio do Planalto, assinada por Omar Aziz, Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, e o relator Renan Calheiros. Eles pediram para que Bolsonaro se pronunciasse quanto as denúncias. E o fizesse de forma ‘clara, cristalina, republicana e institucional’:

“Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o Deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo numa função proeminente.”

À noite, Bolsonaro, já no “cercadinho digital” — aquela live que realiza todas as quintas-feiras —, proferiu a frase que deve ter saído dos anais dele:

“Caguei para a CPI, não vou responder” 

Fatos relacionados e contextualizados, imagino, fica claro e cristalino —- ao mesmo tempo que pouco republicano e nada institucional —- o que o presidente da CPI pensa ser o maior “mérito” do presidente da República.

Se quiser saber mais, ouça a entrevista completa com o senador Osmar Aziz: