Da H1N1 à Covid-19, o risco de confisco saiu do campo da imaginação à estratégia bélica de um governo sem rumo

Imagem de enriquelopezgarre por Pixabay
Imagem de enriquelopezgarre por Pixabay 

A mensagem do governador Ronaldo Caiado, de Goiás, soou como ameaça ao escrever no Twitter que o Governo Federal publicará medida provisória para requerer toda e qualquer vacina contra Covid-19 que estiver sendo produzida no Brasil. Requerer no vocabulário político é sinônimo de confiscar. Anúncio feito, repercussão em curso e, em seguida, surgem o “desmente daqui”, o “lustra dali” e o “desvia o assunto” —- típico deste campo em que a batalha pela vacina está sendo travada. Como neste jogo tem gado mas não tem bobo, o recado foi recebido com preocupação, especialmente em São Paulo, o principal alvo das pretensões bélicas do presidente Jair Bolsonaro e seu exército de ministros mambembes.

O Palácio dos Bandeirantes já montou sua sala de guerra para impedir que “tropas federais” invadam o Instituto Butantã — em lugar de fuzis e matracas, advogados e políticos planejam estratégias para impedir que alguma medida legal imponha a entrega do lote da Coronavac, produzida pela chinesa Sinovac. Talvez seja o caso de montar trincheira no STF que tem sido um dos cenários desta guerra vacinal e política que assistimos enquanto contamos mortos e feridos pelo verdadeiro inimigo: o vírus.

O risco de confisco da vacina, por mais absurdo que possa soar, não deve ser desdenhado. Lembre-se que à frente do Ministério da Saúde está um cidadão muito mais afeito a guerras do que a ciência; que tem como lema: “um manda e o outro obedece”. E quem manda é quem está na cadeira de presidente, atualmente ocupada por um ignóbil.

A tese do confisco federal já havia rondado os laboratórios farmacêuticos, com fábricas no Brasil, durante a pandemia do H1N1, em 2009 e 2010, que em 16 meses contaminou 493 mil pessoas e matou cerca de 18,6 mil pessoas, segundo a OMS —- em três meses, a Covid-19 já havia superado essas marcas. O vírus se espalhava em menor velocidade e era menos mortal do que o SarsCov-2. Tínhamos uma população de idosos que havia sido “imunizada” nas gripes asiática, de 1957, e de Hong Kong, de 1968, também causadas por outros vírus influenza. Soma-se a isso a existência de dois antivirais com potencial para conter os casos mais graves e amenizar os efeitos da H1N1: o principal deles era o Oseltamivir, que costumamos chamar de Tamiflu, aprovado pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1999, e produzido pelo laboratório Roche; o outro, usado em menor escala era o Zanamivir, descoberto em 1989 —- batizado Relenza pela Glaxo Smith Kine, fabricante da droga.

Os primeiros casos de H1N1 surgiram no México, em março de 2009; no Brasil, tivemos registros do vírus em abril; em junho, a OMS decretou situação de pandemia. Os países mais organizados passaram a fazer estoque principalmente de Tamiflu, como forma de garantir atendimento a sua população. No Brasil, o medicamento sumiu das farmácias, comprado por pessoas assustadas com o risco da doença. Nos estoques oficiais, segundo reportagem do Correio Brasiliense, de 8 de setembro de 2009, o governo tinha remédio suficiente para apenas 5% da população, quando a recomendação da OMS era de que o alcance fosse de 25%. 

Já no princípio da crise, a Roche traçava todos os cenários possíveis diante da que foi a primeira pandemia do século 21 —- desde uma situação sob controle, com pacientes contaminados pelo H1N1 tendo atendimento médico regular até uma tragédia humanitária, na qual faltariam leitos e remédios, com imagens que lembravam a Gripe Espanhola. De acordo com um dos executivos com quem conversei na época, o que mais preocupava era a inexistência de um plano de ação federal. O temor do fabricante —- por mais improvável que lhe parecesse: sem um planejamento, o governo poderia de uma hora para outra encomendar uma quantidade de remédio que excedesse a capacidade de produção; sem condições de entregar, a farmacêutica se transformaria em bode expiatório, acusada de segurar estoques para vender na rede privada e seria alvo de um confisco federal.

Não foi o que aconteceu. Mesmo com o crescimento do número de pessoas mortas e contaminadas, o sistema público de saúde e a rede privada de hospitais, com as adaptações necessárias e as restrições conhecidas, atenderam os pacientes de H1N1. Toda a produção de Oseltamivir foi canalizada para o setor público e distribuída para estados e municípios. No primeiro ano, foram mais de 28 mil casos e 1.632 mortes, no Brasil. Em 2010, houve uma redução drástica graças a campanha de vacinação contra a doença: 727 pessoas contaminadas e 91 mortes.

Pode-se traçar paralelos entre a pandemia de 2009 e a de 2020 porque sempre há lições a aprender do que fizemos no passado. Não há dúvida, porém, que a Covid-19 é única. É devastadora. As ações de combate a doença são muito mais necessárias e complexas — sequer temos um antiviral para amenizar seus impactos;  o planejamento precisa ser feito com o uso de inteligência e baseado na ciência; e o Brasil não tem um ministro da Saúde nem um Presidente da República com estatura para administrar essa crise. O confisco seria apenas mais um absurdo nesta sequência de erros que já nos levou a 181 mil mortes.

Avalanche Tricolor: … dito isso, vamos ao que interessa

Goiás 0x0 Grêmio

Brasileiro —- Estádio Hailé Pinheiro, Goiânia/GO

 

Ferreirinha de olho na bola em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Era jogo para três pontos, a despeito termos apenas cinco titulares em campo, ser fora de casa e contra adversário desesperado para sobreviver na primeira divisão. Quem assistiu ao primeiro tempo, chegou a imaginar que a vitória estava a alguns centímetros —- duas ou três bolas passaram bem perto do gol. Bastaria caprichar um pouco mais. Veio o segundo tempo e logo se percebeu que o caminho seria mais longo, tanta era a aglomeração na proximidade da área. Buscou-se algumas soluções, arriscou-se jogadas de toque de bola, chutes de fora e até acreditamos na possibilidade de um drible de Ferreirinha decidir o jogo. Nada do que se fez foi suficiente para impedir que registrássemos nosso 11º empate no campeonato.

Com o amontoado de clubes na zona da Libertadores, sairemos dessa rodada abaixo da posição que entramos, mas com as mesmas chances dos demais. Uma vitória na sequência e estaremos de volta à disputa. Por mais que nossas pretensões tenham sido frustradas neste sábado à noite, chegamos a 18 jogos sem derrota somando Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores —- uma boa marca, você haverá de convir.

Dito isso, vamos ao que interessa: quarta-feira tem mais uma decisão de Libertadores pela frente e a ideia é que tenhamos time completo para disputar vaga à semifinal —- e quando falo em time completo, leia-se com Jean Pyerre, que faz uma baita diferença. Uma vitória nos mantém na competição. Um empate com dois gols ou mais também garante a classificação. Se o empate for em um gol, leva a decisão para os pênaltis Qualquer coisa diferente disso …. melhor nem pensar.

Conte Sua História de São Paulo: das conversas com meu sogro

Por Pina Boffa

Ouvinte da CBN

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Relembro histórias de João Boffa, meu sogro, nascido em 1925, descendente de imigrantes italianos e espanhóis. Conheceu e viveu coisas em São Paulo que hoje fica difícil de imaginar. Fui apresentada a ele em 1979,  tinha 54 anos e gostava de contar as histórias da infância e juventude e das transformações tecnológicas que vivenciou.

Ele e a irmã mais nova, Melitta, ficavam responsáveis por cuidar dos primos enquanto os tios trabalhavam. O que servia de boa desculpa para passarem os dias brincando, seja nas ruas de barro seja no cortiço onde os primos moravam —- segundo ele, sentindo o cheirinho da comida gostosa que as mamas preparavam em cada cômodo. Apesar de terem uma infância pobre e sacrificada, os natais eram inesquecíveis, todos os primos reunidos; a árvore de Natal decorada com chocolates …era tudo mágico para eles.

Contou-me que, certa vez, enquanto ele e os amigos nadavam no rio Tietê, os guardas da cavalaria do quartel Tobias Aguiar esconderam suas roupas. Quando saíram do rio, perderam um bom tempo para encontrá-las e se atrasaram para chegar em casa, o que  lhes rendeu uma boa surra. Os clubes de Regatas Tietê, Associação Atlética São Paulo e o Clube Esperia (Floresta) organizavam competições de canoagem. Os juízes ficavam instalados próximo a ponte das Bandeiras. Lá nesses clubes, ele praticou canoagem, nadou e mais tarde criou os filhos. Quando criança adorava jogar futebol e se destacou no time da Macedônia, sendo convidado para participar do grupo de jovens do Palmeiras, mas acabou não aceitando o convite, porque não queria dividir seu salário com o técnico.

Quando entrou na fase adulta, aproveitou a vida noturna, dançava de segunda a sexta nos “dancin” da capital, ali na avenida Ipiranga, na Libero Badaró e na rua São Bento. Ele e alguns amigos abriam os bailes, criando um clima favorável para os cavalheiros mais tímidos. Os “dancin” eram populares com suas dançarinas de cartela em punho que iam sendo picotadas pelos cavalheiros a cada dança executada ao som das grandes bandas, que tocavam Glenn Miller e Tommy Dorsey.

Circulava pela cidade de bonde; tomou o trem das onze muitas vezes; viu a cervejaria Antarctica distribuir suas cervejas de carroça, puxada por quatro cavalos, e o leite em garrafa e o jornal serem entregues na porta da casa. Presenciou o surgimento da geladeira, da televisão; viu o homem chegar à lua. 

Confesso que pelas histórias que ouvi dele, nem tudo mudou para melhor em São Paulo. Hoje, a avenida Tiradentes tem um trânsito infernal e os rios são esgotos a céu aberto, os clubes lutam para sobreviver e alguns não resistiram ao tempo. As pessoas que circulam pelo centro estão longe de estarem vestidas impecavelmente como ele descrevia nos anos 40, 50 e 60. No lugar dos trens e bondes, ônibus e metrô lotados.  A vila que morava, a travessa Lúcia, antes tombada pela prefeitura, devido as suas casas estilo inglês, hoje está desfigurada — perdeu o charme da época. As casas seguem sendo habitadas por imigrantes, a maioria bolivianos que luta para sobreviver nessa selva urbana. 

A cidade, com todas suas transformações, foi palco de uma vida intensa e feliz, onde ele conheceu minha sogra Dona  Maria, casou e teve dois filhos Meu sogro viveu e morreu os 92 anos nesta cidade maluca que ele adorava. 

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

João Boffa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Dante Mantovani diz como o líder deve se portar diante da pandemia e dos Millennials

 

“A tendência é que a gente cada vez mais tenha um ambiente multigeracional e cada um tenha seus valores diferentes, sua visão de mundo. E a convivência é um desafio. Ela é possível, mas a gente precisa entender e não julgar os valores dos outros”  — Dante Mantovani, consultor.

Que as transformações vinham ocorrendo em alta velocidade, sabíamos. Que a pandemia fez empresas pisarem fundo no acelerador tecnológico para se safarem da crise, sabemos. E como os líderes devem se portar nesse cenário pouco conhecido? Teremos de aprender. Especialmente se considerarmos que, além de estarem diante desse desafio inédito, ainda precisam comandar equipes multigeracionais, com suas diferenças e necessidades. Em busca de uma resposta para essa situação, entrevistamos no Mundo Corporativo, Dante Mantovani, engenheiro e consultor de desenvolvimento humano, mestre pela FEA com tese em que estudou o comportamento dos Millennials. 

Antes de continuar essa conversa, vale diferenciar: o Dante Mantovani que entrevistamos não tem nada a ver com o maestro, ex-presidente da Funarte e candidato frustrado à prefeitura de Paraguaçu Paulista, que já disse ser o rock coisa do capeta. Eles são apenas homônimos. E só.

De volta ao que importa: os Millennials que foram foco do estudo de Dante Mantovani são aqueles que nasceram depois de 1986, uma turma que tem entre 24 e 34 anos, que por aqui só conheceu o Brasil pós-Democracia e em um período de prosperidade. São jovens que buscam empregos que façam sentido para eles —- não apenas para pagar as contas —- e empresas que tenham propósitos claros. 

“O estudo de gerações não é para colocar dentro de uma caixinha e rotular; é para você entender uma característica comum de comportamento”

Dante lembra que foi estudar os Millennials para enxergar o papel dos líderes e a mudança de comportamento que essa relação exige das empresas. Somaram-se a isso as lições aprendidas na pandemia que exigiu forte adaptação no ambiente de trabalho e nos processos de produção. Para o consultor, o que vivemos hoje deixará sua marca na forma de se comandar equipes de trabalho:

“O modelo de líder do futuro vai ser um líder mais colaborativo, que sabe não ter todas as respostas, mas tudo bem: ele será capaz de entrar na sala e dar um norte e fazer com que as pessoas tenham uma disciplina de encontrar essa solução; e aí existem varias metodologias  para as pessoas construirem esse caminho juntos”

Já que falamos do capeta, agora há pouco, vale destacar o que nos disse Dante sobre a importância que o líder tem na dinâmica do trabalho e no desejo de as pessoas quererem ou não ficar em uma empresa. Para ele, a vida pode ser o céu ou o inferno dependendo o tipo de liderança que é exercida na organização:

“40% do comprometimento vem da ação do líder, outros 40% vem da própria pessoa e os 20% restantes são referentes a política da organização, ao clima organizacional benéfico e outros aspectos”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, em vídeo: no site, no Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo Você também pode assinar o podcast do Mundo Corporativo.

Avalanche Tricolor: faz assim, não, que eu apaixono

Grêmio 1×1 Santos

Libertadores — Arena Grêmio

Diego Souza marca nos acréscimos, foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Não me faz sofrer, não! Joga, Grêmio, como tu sabes jogar. Respeita o adversário, sem desrespeitar o jeito bonito que gostamos de ti ver jogando. Segura a bola o quanto puder, vai na boa, não arrisca, mas não me faz sofrer, não Troca passe lá atrás, leva para frente, se movimenta no ataque. E chuta uma, duas, três, quantas vezes precisar para me fazer comemorar o teu gol.

Faz quanto tempo que sofremos juntos? Desde que me conheço por gente, com certeza. Então, pra que estender este sentimento por 180 minutos se tudo pode ser resolvido nos primeiros 90? Mas tu parece que gostas de me ver sofrer, não é?!? Precisa tomar um gol ainda no primeiro tempo, bobear na defesa, errar passe no meio mais do que o normal, ameaçar uma expulsão no ataque e levar um, dois, três sustos na sequência. 

Deixa pra resolver tudo depois. Nos acréscimos. Na partida de volta. Como foi ano passado nas quartas-de-final. Como tantas outras vezes nessa nossa longa convivência. Nem posso reclamar muito, porque hoje ainda te saístes bem com o gol de pênalti, além da hora. Ah, isso, também. Já que era para empatar tinha que ser desse jeito, né?!? Sofre-se porque o árbitro não enxergou a irregularidade. Sofre-se porque o VAR demora para convencê-lo da penalidade. Sofre-se porque é pênalti, e, neste ano, convenhamos, não tem sido o melhor caminho para chegarmos ao gol. 

Parece até que tu sabes que por mais que eu te peça “não me faças sofrer”, foi assim que fui forjado na tua torcida. Foi padecendo na arquibancada de cimento e nas cadeiras de ferro frio do Olímpico. Foi ao lado do radinho de pilha, lá na Saldanha. Foi diante da TV —-  como nesta noite de quarta-feira. Foi na sofrência de cada lance mal lançado, de cada bola desperdiçada e de resultados impossíveis alcançados. No gol marcado no minuto final, que me faz acreditar mais uma vez na volta por cima. Parece até que tu saber que foi assim que me apaixonei por ti. 

Sua Marca: como o consumidor vai se comportar no Natal

“Não acreditamos que marcas devem se vestir de maneira muito diferente do que costumam nem mudar de personalidade, mas precisam se adaptar e respeitar este momento que vivemos e não pensar apenas em ter lucro no fim do dia” —- Jaime Troiano

Com a proximidade do Natal, descobrir como será o comportamento do consumidor diante de tudo que enfrentou em 2020 tem sido um dos desafios de pesquisadores, empresas e empreendedores. Da mesma forma, as marcas pensam em quais estratégias devem adotar levando em consideração as dificuldades financeiras de muitos, e as restrições e medos impostos pela pandemia. Nesse episódio do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram algumas ideias do que vai acontecer a partir desta semana —- quando muitos começam a pensar nas compras de fim de ano —, com base na experiência que eles têm em gestão de marcas e estudos de institutos de pesquisa e consultorias.

Vamos começar pelo consumidor.

A Nielsen, uma das gigantes nesta área de pesquisa, dados e consultoria, identificou cinco tipos de consumidores neste ano:

  1. Constrangido e restrito —— tiveram restrição no orçamento, e menos liberdade para comprar fisicamente: para eles o online será a saída e mesmo assim, só preços baixos
  2. Constrangido, mas livre —- teve redução financeira, também, mas se sente com mais liberdade para circular pela cidade: quer maneira de fazer o dinheiro render com possibilidade de passat mais tempo com grupos de familiares e amigos. 
  3. Meio cauteloso —- não foi impactado financeiramente nem impedido de ir e vir, em função da região em que mora, mas está com receio do futuro: mesmo que possa comprar agora vai segurar o dinheiro e não pretende gastar muito, prefere priorizar as pessoas bem próximas.
  4. Isolado, mas restrito —  financeiramente não teve perdas nesta ano, mas como está em cidades e regiões com maior restrição por causa da pandemia terá suas festividades afetadas por restrições físicas locais
  1. Isolado e livre —- não foi afetado financeiramente pela Covid-19, é provável que gaste mais livremente e exiba um comportamento de férias pré-coronavírus. Muitos desse grupo vão compensar luxos perdidos no início do ano.

Vamos as recomendações para as marcas no Natal da pandemia:

  1. Foco nos sentimentos eternos e universais: nessa época de instabilidade, de imprevisibilidade, de não sabermos o que teremos no ano que vem, as marcas precisam voltar-se para aquilo que é permanente. E o que é permanente no Natal? As relações entre as pessoas, a convivência familiar, esse sentimento de união. Marcas podem ser aliadas desse momento. 
  2. Abertura para escapes da realidade: nossas vidas ficaram limitadas, fechadas, bem menos amplas e livres como estávamos acostumados. Marcas podem proporcionar momentos de fuga de nosso isolamento, oferecendo “viagens” através de sabores exóticos ou pode ser uma loja de artigos para casa que promova um sentido de renovação e reciclagem do espaço doméstico. 
  3. Força no digital e nas compras à distância: é necessário ter à disposição ferramentas e tecnologias para compras à distância, serviço de drive thru e entrega; toda a proteção que reduza ao máximo a exposição do consumidor ao vírus é relevante.

Dito isso, qual é a marca do nosso episódio de hoje?

“Você, sua família e todas as famílias vão celebrar de um jeito diferente neste Natal, e as marcas não ficam fora disso, nosso ano e nossas vidas pedem essa adaptação e esse respeito” —- Cecília Russo

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. 

Caia nos braços de Morpheu: seu cérebro agradece!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem: Pixabay

 

O sono e os sonhos despertam fascínio na arte, literatura e filosofia, adquirindo conotações inclusive místicas para algumas pessoas ou culturas, como entre os gregos antigos, para quem os sonhos eram considerados como mensagens divinas. Embora ainda não haja consenso entre os pesquisadores sobre a função exata do sono, os estudos apontam que a privação de sono tem efeitos imediatos na cognição, como prejuízos na tomada de decisão, planejamento, atenção, memória, criatividade e alterações de humor.

Em 1963, Randy Gardner, um estudante com 17 anos de idade, ficou 11 dias sem dormir para concluir um projeto para a Feira de Ciências de San Diego, sob os olhares de pesquisadores do sono, sem fazer uso de drogas ou cafeína. Após 2 dias sem dormir, apresentou irritação, náuseas e problemas de memória. No quarto dia, teve delírios e fadiga intensa. No sétimo dia teve tremores e dificuldades na articulação da fala, com episódios de paranoia e alucinações. Quando finalmente dormiu, o seu sono durou quase 15 horas e ao acordar, quase todos os sintomas já haviam desaparecido, com remissão completa após uma semana.

Randy não teve efeitos prejudiciais duradouros, mas o mesmo não ocorre com alguns animais que são privados do sono. Pesquisas feitas com ratos que são mantidos acordados por longos períodos mostram que eles perdem peso apesar de comer mais, tornam-se fracos, apresentam úlceras e hemorragias internas, chegando à morte. 

O sono reduzido em qualidade e quantidade também pode produzir alterações metabólicas, como aumento do nível de cortisol – hormônio do estresse – elevar a pressão arterial e os níveis de glicose, favorecendo algumas doenças, como diabetes e obesidade.

Em setembro deste ano, um estudo publicado por pesquisadores chineses mostrou a associação entre a duração do sono e a função cognitiva. O estudo envolveu mais de 20 mil participantes e os resultados mostraram que a duração do sono insuficiente (até 4 horas por noite) ou excessiva (acima de 10 horas por noite) está associada a um declínio cognitivo, sendo a memória o principal domínio cognitivo alterado.

O declínio cognitivo é detectado objetivamente através de testes neuropsicológicos que avaliam as diversas esferas cognitivas, como atenção, memória e funções executivas, com resultados abaixo do esperado para idade e/ou escolaridade, porém, sem comprometimento na realização das atividades de vida diária, como cozinhar, trabalhar ou cuidar das finanças. No declínio cognitivo, quando há prejuízo da memória, este pode ser considerado o fator de risco para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer.

Esses dados indicam a importância de se monitorar a função cognitiva em idosos que apresentam duração de sono insuficiente ou excessiva, bem como promover hábitos de higiene do sono, como medida de prevenção ou adiamento dos impactos cognitivos, especialmente tendo em vista o aumento da proporção de idosos nas últimas décadas e as projeções de aumento futuro.

Por outro lado, os cuidados com o sono não devem ser limitados aos adultos de meia-idade ou idosos. Numa sociedade caracterizada pela competitividade, somos estimulados a produzir cada vez mais, seja no trabalho, nos estudos, nos cursos extras, nas longas jornadas que privam o descanso até mesmo nos finais de semana, dormindo-se cada vez menos. Além disso, o uso excessivo de eletrônicos e o tempo gasto em redes sociais também prejudicam o sono.

Como medidas que podem contribuir para o sono adequado, os especialistas sugerem que se deve reduzir as atividades, diminuir a iluminação (incluindo as telas) e o barulho, e evitar o consumo de bebidas à base de cafeína e do álcool, próximo ao horário de dormir. A respiração mais profunda e a criação de imagens mentais agradáveis também promovem um relaxamento mais efetivo e, portanto, maior facilidade para adormecer.

A importância de uma boa noite de sono é reconhecida desde tempos remotos. Para os gregos, uma boa noite de sono era resultado da ação de Morpheu, deus do sonho e Hypnos, deus do sono. Hoje, sabemos que a melhor estratégia para uma boa noite de sono são ajustes no nosso estilo de vida e uma boa higiene do sono. Esses hábitos saudáveis, muito mais do que remédios, ainda são o melhor caminho para os “braços de Morpheu”. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Estudantes em vestibular online dão uma lição em negacionistas do voto eletrônico

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto Pixabay

 

Há um ano o mundo político evidenciava o surto de direita em países de importância econômica e geográfica, quando os indícios da epidemia despontavam. Hoje, passados doze meses dos estragos causados pelas sequelas de políticas nacionalistas e contaminadas pelos efeitos do vírus, que os negacionistas continuam ignorando, a luz que se apresenta é a vacinação. 

Como a vacina Sputnik V começa agora a ser aplicada na Rússia, e quem sabe pode atuar duplamente como o Sputnik original, quando despertou os Estados Unidos para a corrida espacial e impulsionou a luta pela democracia global. A eleição americana de Joe Binden é um indicio, assim como de certa forma a votação municipal, que recém terminou entre nós também sinaliza mudança, indicando o enfraquecimento do extremismo político.

De outro lado, o ruído sobre o voto eletrônico brasileiro, com um sistema que apura dezena de milhões de votos em 1 hora, e tendo como exemplo o arcaico modelo de votação americano, configura-se um contrassenso a cogitação da volta ao passado do voto no papel.

Eis que, na quarta-feira a Universidade Mackenzie iniciou o processo seletivo online para um robusto complexo de cursos que irão graduar milhares de jovens em áreas prioritárias para o desenvolvimento do país:

Arquitetura e Urbanismo, Administração, Administração Gestão de Comércio Exterior, Ciências Biológicas, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Direito, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Sistemas de Informação, Tecnologia em Gastronomia.

Na verdade, fiquei sabendo dessa informação pelo meu filho adolescente, vestibulando de Direito, que na véspera me lembrou, que a partir do meio dia de quarta-feira estaria em seu quarto prestando o seu primeiro vestibular. 

Estava tão tranquilo quanto no dia seguinte, momentos antes de iniciar a prova. Fato que me levou a comparar a diferença entre o presencial e o virtual — entre o deslocamento para um exame na sala de aula, enfrentando trânsito e chegando ao tradicional ambiente tenso sob todos os aspectos no local da prova, e o quarto do adolescente, tradicionalmente um território de total domínio deles, a tal ponto que a porta fechada permanentemente para caracterizar esta condição é fato universal.

Perguntei a ele como fica estabelecida a segurança da prova, ao que mostrou perfeita credibilidade, informando que o controle seria exercido pela tela, e a regra não permitia a ausência do aluno. Além de a qualquer momento haver a possibilidade de ter de girar a câmera para que todo o recinto pudesse ser observado pela fiscalização quando essa solicitasse.

O sistema, de acordo com a Universidade Presbiteriana Mackenzie, está baseado no Remote Proctored IBT, que significa Teste Baseado em Internet com Monitoramento Remoto, que pode ser realizado em qualquer local físico conveniente. O vestibulando é monitorado ao vivo e à distância, por meio de áudio (microfone) e vídeo (webcam). A sessão inteira é gravada online e faz parte do histórico do candidato.  

Nesse domingo, a PUC Pontifícia Universidade Católica fez o seu exame de seleção online, trazendo também carreiras tão essenciais ao progresso nacional, e nas mesmas características que o Mackenzie. 

É um sistema que acredito veio para ficar, e por isso deverá se aperfeiçoar. Um dos pontos será quanto às condições restritivas, como a obrigatoriedade do computador com webcam e áudio, e da conexão de internet estável na velocidade mínima de 512 kbps. 

Supridas estas demandas, podemos dizer que o sistema é mais vantajoso e confiável que o presencial, pois registra o candidato durante todo o processo e grava áudio e imagem. Também é mais confortável e elimina despesas de locomoção e instalação do local da prova. 

Cabe inclusive a comparação com o processo eleitoral quando se discute voto eletrônico e impresso no viés da segurança e do custo.

A questão é cientifica e técnica, e o problema surge quando se interpõem forças políticas e ideológicas. Apostamos no conhecimento acima das influencias impertinentes, e o voto eletrônico certamente ficará, assim como o vestibular online deverá ser analisado como alternativa ou opção.

Boa prova a todos os jovens que já estão com sorte, afinal quem não gostaria de ser examinado dentro do seu domínio?  

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

Avalanche Tricolor: prepare-se, Dezembro está só começando

Grêmio 4×0 Vasco

Brasileiro — Arena Grêmio

Diego comemora, ele marcou dois gols, foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Escrevo antes de a rodada se encerrar porque mais do que a posição na tabela do Campeonato Brasileiro é a disposição do Grêmio em vencer partida após partida que me interessa, nesta Avalanche. Independentemente de quem esteja no campo, vê-se uma movimentação intensa dos jogadores, com troca de posição, deslocamento pelos lados e velocidade com e sem a bola. A recomposição na defesa chama atenção, também. Apesar de os alas subirem muito e chegarem à linha de fundo, se o adversário não for muito rápido no contra-ataque, logo quatro, cinco, seis jogadores já diminuíram o espaço lá atrás, para em seguida todo o restante fechar-se no sistema defensivo. 

Com um time que foi se ajustando ao longo da temporada, depois de uma série de desfalques no elenco e jogadores recém-chegados e sem o entrosamento para a movimentação, o Grêmio alcançou a marca de 16 jogos invictos, ciclo completado neste domingo com uma goleada na Arena. Até alcançar essa performance, ensaiou-se coro contra Renato acusando-o mais uma vez — além de algumas barbaridades como preguiça e desconhecimento — de ter aberto mão do Campeonato Brasileiro, sem perceberem que o que lhe faltava eram pernas: jogadores com ritmo, bem fisicamente, lesões curadas, livres de Covid e opção no elenco. 

A disposição de Renato e do Grêmio sempre foi ganhar; e ganhar tudo que estivesse no seu caminho. Nem sempre isso é possível. Difícil até de saber se é sustentável, dadas as condições da temporada. O jogo de hoje foi o primeiro de uma maratona que enfrentaremos em Dezembro: quatro decisões em mata-mata, na Copa do Brasil e na Libertadores, e quatro pelo Brasileiro. 

Hoje, Diego Souza foi o destaque com dois gols de cabeça —- mérito dele por se colocar bem dentro da área e saltar alto; mérito, também, de quem tem cruzado com perfeição para ele completar em gol. Nosso atacante marcou 20 vezes na temporada. Já Pinares e Lucas Silva tiveram o prazer de comemorar o primeiro gol de suas carreiras com a camisa do Grêmio. O chileno chegou há pouco e fez o mais bonito dos quatro gols com um chute colocado de perna esquerda —— jogou no lugar de Jean Pyerre e demonstrou ser excelente opção para o time. Já o nosso volante está há mais tempo, costuma arriscar à distância e em cobranças de falta. Desde a última partida, no entanto, tem colocado os pés dentro da área, em mais um sucesso da movimentação gremista que dá este espaço aos volantes. Semana passada, o chute dele explodiu no peito do goleiro; hoje, depois de assistir à bola se chocar com o poste, na jogada seguinte recebeu um passe dentro da área, tentou o drible e sofreu a falta: pênalti, bem cobrado.

Se levarmos em consideração que competições de pontos corridos fazem de cada partida uma decisão, das oito que temos marcadas para dezembro, a primeira já foi vencida. Estamos mais próximos dos líderes do Brasileiro, nas quartas de final da Libertadores e nas semifinais da Copa do Brasil. Como escrevi, não sei se este ritmo de jogos e de vitórias é sustentável. Por enquanto, Renato tem nos deixado sonhar: ao infinito e … além!

Conte Sua História de São Paulo: “pergunta o resultado do jogo, vai …”

De Vanessa Guimarães de Mendonça

Ouvinte da CBN

 

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Naquele tempo, eu morava com minha família no bairro do Ipiranga e todo sábado, com a minha irmã Lúcia, fazíamos aula de espanhol no Butantã. O professor era nosso amigo Adonay. No dia 13 de outubro de 2001, na volta da aula de espanhol resolvemos ir até um shopping de móveis, na Marginal Tietê. Descemos próximo à estação de metrô que na época se chamava apenas Tietê;  hoje é  Portuguesa-Tietê. 

Seguíamos em direção a ponte para transpor o Rio Tietê e ter acesso ao shopping quando de longe vimos vários torcedores do Palmeiras deixando o estádio do Canindé, com suas camisas verdes, e avançando sobre a ponte, em direção ao metrô. 

O Campeonato Brasileiro de Futebol estava na primeira fase e a Portuguesa havia recebido o Palmeiras em seu estádio. Deu para reparar que a torcida vinha quieta e cabisbaixa. Olhei para minha irmã e vi uma sombra no seu olhar. Ela fechou a cara e olhou para o chão. Era uma época em que não havia smartphone, não tínhamos a CBN na palma da mão. Para saber o resultado de um jogo era preciso chegar em casa e ligar o rádio, ou andar com um rádio de pilha. Eu fiquei muito curiosa e pedia para a Lúcia: “pergunta para eles o resultado do jogo. Pergunta quanto foi, vai, vai …”. Minha irmã, mal-humorada nem respondia.  

Na ponte, os pedestres tinham de caminhar espremidos nas laterais, numa passarela de no máximo 1,60 m, com o Rio Tietê abaixo e entre as pistas da Marginal, uma das avenidas mais movimentadas da América do Sul. Eu e minha irmã avançando e a torcida caminhando em nossa direção.  Os torcedores passavam calados como em um cortejo. Minha irmã se somava àquela tristeza. Eu cutucava a Lúcia: “Pergunta, pergunta!”. Para meu azar, a expressão de tristeza e decepção da minha irmã era inversamente proporcional ao triunfo que se desenhava na minha face, porque faltando cinco metros para terminar a passarela, um torcedor veio em minha direção e disse: “tô sentindo cheiro de corintiano!”. Agarrei no braço da minha irmã e logo revelei: “Ela é palmeirense! Ela é palmeirense!”. O moço não se deu por contente —- nada o deixaria contente naquele diz: “e você?”

Eu, bem, eu tinha abaixo o rio Tietê, à frente a Marginal, tava logo ali, a cinco metros da rota de fuga. Então, arrisquei: “Eu? Eu sou corinthiana, graças a Deus!”. E corri o máximo que eu podia em direção ao shopping.

Naquela tarde, a Lusa havia vencido o Palmeiras por 2 a 0

Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Vanessa Guimaraes de Mendonça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.