Mundo Corporativo: Luiza Trajano fala da transformação digital e do varejo pós-Covid

 

 

“A gente nunca acreditou que a loja física ia morrer, o que a gente acredita é que ela muda de papel” — Luiza Trajano, Mundo Corporativo

Agilidade na busca de solução, assistência aos colaboradores, compartilhamento de conhecimento com os parceiros de negócio e solidariedade a micros, pequenos e médios empreendedores. Esse é um resumo das ações adotadas pelo Grupo Magazine Luiza diante das dificuldades impostas pela pandemia, a necessidade de manter fechadas 1.100 lojas em todo o Brasil, colocar toda equipe administrativa em home office e perceber que a transformação digital seria a única saída para o varejo.

 

 

Para definir a intensidade da mudança provocada pela Covid-19 nos negócios e na vida das pessoas, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza, disse que é como se o grupo tivesse vivido 50 semanas em cinco dias. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Trajano falou de como encarou este desafio:

“O que eu estou tentando fazer é aprender cada dia e viver cada momento. Porque ninguém sabe … E tentar diminuir o desemprego, tentar fazer as empresas sobreviverem; porque saúde é o que importa, mas o emprego dá dignidade para as pessoas e diminui o desnível social”

Como o comércio eletrônico, através da plataforma Magalu, já estava consolidado, o fechamento das lojas físicas pela quarentena imposta nas cidades brasileiras foi mais facilmente absorvido pelo grupo de varejo. Luiza Trajano disse que a preocupação foi tornar a plataforma também acessível a outros varejistas que não tinham operações digitais —- especialmente autônomos, pequenos e médios empresários. Segundo ela, uma série de medidas foi adotada permitindo a entrada de 160 mil pessoas que puderam vender seus produtos e cerca de 30 mil que se tornaram vendedores dos produtos da Magalu. Além disso, todos tiveram oportunidade de receber treinamento e se preparar para se adaptar para as mudanças.

” … mas o que eu estou falando para os pequenos e para os grandes, é que o digital é uma plataforma; procura a associação da sua cidade, procura o marketplace, ele não vai atrapalhar a loja física, mas era difícil porque as pessoas têm medo, as pessoas não acreditam, as pessoas estão muito bem no físico, e acham que isso não é verdade, mas a pandemia fez isso, né, em 10 dias todo mundo teve de entrar no digital”

Sobre o futuro dos shoppings e das lojas físicas, Luiza Trajano mantém a ideia que defende desde o início de sua carreira como varejista: acredita de que as lojas continuarão tendo seu espaço e necessidade, apenas com funções diferentes. Hoje, por exemplo, as lojas da Magazine Luiza também são centro de distribuição que tornam mais ágil a venda eletrônica.

“Se você não tiver o físico, você não forma a cultura”

No Mundo Corporativo, Luiza Trajano comentou das campanhas que o grupo desenvolve em defesa da mulher, uma missão assumida por ela não apenas na empresa que lidera, mas à frente do “Mulheres pelo Brasil”, que já atua em todo o país.

 

 
A entrevista completa você assiste no canal da CBN no You Tube e pode ouvir em podcast. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Alan Martins e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: minha baioneta caiu da janela

 

Carlos Gati
Ouvinte da CBN

 

 

Em dezembro de 1968, quando o marechal presidente Costa e Silva, promulgou o Ato Institucional número 5, eu fazia cursinho da USP, trabalhava como redator do Jornal O Dia e morava na Rua Paim, na Bela Vista, com um irmão e um amigo.

 

Tive a infelicidade de usar uma baioneta, sim, uma baioneta comprada irregularmente quando fazia o Tiro de Guerra para segurar uma cortina que nos incomodava com o vai e vem do vento. Parece que irritado, o próprio vento fez abaioneta despencar pela janela do do 20º andar do prédio, caindo quando na cabeça de um soldado.

 

— Tem terrorista por aqui — esbravejava o soldado. A polícia foi chamada e cercou o local. Eu estava almoçando na casa de um amigo quando o telefone tocou: — Carlão, estamos liquidados. Venha urgente pra cá que estamos sendo presos.

 

Cheguei e deparei com meu irmão descendo as escadas com as mãos pra cima: – é terrorista, é terrorista – diziam os moradores. Meu amigo já estava na viatura me aguardando. Fomos todos para o DOPS, ou melhor, para a OBAN — Operação Bandeirante, em um quartel no Ibirapuera. Lembro das sirenes soando alto enquanto o rádio da viatura tocava Tim Maia.

 

No interrogatório, disse que a baioneta era minha e os dois não tinham nada a ver com o caso — por isso foram soltos horas mais tarde. O policial à paisana, jovem como os demais, vestidos quase todos de calças jeans, passava a baioneta pelo meu pescoço e repetia: — como você foi entrar nessa? Vai ser muito difícil você sair daqui!”

 

Além do jornal, onde eu escrevia sobre artes, trabalhava também na rádio Record como locutor e pedi para telefonar na emissora e avisar que eu não iria trabalhar…

 

O sujeito deu uma solene risada. Disse que a partir daquele momento eu estava incomunicável e me levou para cela. Tinha apenas um colchonete para dois presidiários. Tiramos no palitinho para ver quem esticaria o corpo naquele colchão. Eu ganhei!

 

No dia seguinte, café com leite e um pão seco, que nem consegui comer. Levaram-me para um local e me fizeram a barba com navalha. Ufa!!! Pensei que iam me raspar a cabeça. Ou cortá-la, quem sabe… Nada de almoço. Até que a porta se abre e um sujeito manda eu pegar as minhas coisas e, ironicamente, diz que a baioneta ficaria.

 

Minha saída é que foi uma efeméride. Sem brincadeira! Não havia ninguém por perto. Uma viva alma naquele pátio. Pensei comigo: será verdade isso? Acho que alguém vai me dar um tiro se eu olhar para trás. Fui andando, andando, sufocado, apressando o passo e correndo. Quando percebi, quase fui atropelado por um ônibus no Parque do Ibirapuera. Entrei no primeiro coletivo, buscando distância daquele lugar.

 

Finalmente, livre… Ou nem tanto. Ninguém saía da mira da polícia mesmo depois de liberado como eu. Noivo, naquela época virou rotina ser revistado por policiais onde quer que eu fosse. Nem sei quanto tempo isso durou, mas, apesar de ter pisado na bola, marquei um golaço em meu prontuário.

 

Carlos Gati é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção são as armas para a Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No momento em que alguns especialistas em motivação e autoajuda focam a crise como se fosse algo em que alguns mais competentes estão indo bem enquanto outros estão fechando seus negócios, é conveniente não se precipitar no julgamento.

 

É preciso entender que há segmentos da economia com real problema. Por exemplo, os serviços de cuidados pessoais foram paralisados totalmente, e o renascimento independe de vontade própria.

 

Evidentemente que o varejo que vende produtos semiduráveis e duráveis e não se digitalizou está pagando o preço da miopia de marketing.

 

Entretanto, vale agora, agir racionalmente.

 

Dentro deste prisma vemos um caminho a seguir através dos elementos que compõem o Pacto Global da ONU, que propõe atuação nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção — o que equivale dizer que as corporações precisam assimilar o Homem e dar a ele a centralidade.

 

São 10 Princípios Universais:

  • Princípio 1 e 2, RESPEITAR e ASSEGURAR os Direitos Humanos
  • Princípio 3, APOIAR a Liberdade de Associação e o Direito a Negociação Coletiva
  • Princípio 4 e 5, ELIMINAR e ERRADICAR todas as formas de Trabalho Forçado e Infantil
  • Princípio 6, ESTIMULAR práticas que eliminem discriminação no emprego
  • Princípio 7, 8 e 9, ASSUMIR, DESENVOLVER e INCENTIVAR práticas proativas para os desafios ambientais
  • Princípio 10, COMBATER a Corrupção em todas as suas formas

São Princípios criados em 2.000 por Kofi Annan e hoje presentes em 160 países, incluindo o Brasil, mas, como se constata, a sua aplicação ainda é restrita a uma pequena parcela de empresas. O que se destaca é que essas corporações têm colhido os frutos da observância do Pacto Global. Não pela preferência dos consumidores, pois ainda não há conscientização universal suficiente, mas pela efetividade dos resultados operacionais. Afinal, a aplicação dos Princípios gera a sustentabilidade ampla, além da flora, da fauna e de todos os recursos naturais, centraliza o ser humano onde sempre deveria estar.

 

O cenário agora vivenciado pela ação do corona vírus está acelerando mudanças que viriam em ritmo mais lento, como a digitalização, hoje obrigatória para o varejo.

 

No âmbito das relações humanas e ambientais a aplicação do Pacto Global é indubitavelmente uma oportunidade para o significado das empresas e suas marcas. O ritmo lento imprimido até então para a inclusão das corporações na ação sustentável deverá se modificar, ganhando impulso. Embora poucos, já temos bons exemplos, além dos primeiros ícones como Natura, e dentro de setor dos mais problemáticos, que é o segmento do vestuário.

 

A Malwee através de seu CEO Guilherme Weege informa que a sua empresa está entre as 20 melhores do mundo em Sustentabilidade, possuindo até linha de montagem em presídios. A Marisol, segundo Fernando Lucena, Diretor, mudou o tratamento “consumidor” para “usuário” tendo em vista a economia circular.

O tema tende a se alastrar positivamente. Por isso estaremos em LIVE a convite da bióloga Angela Garcia da Manancial Sustentabilidade, hoje às 21 hs no @angelapegarcia

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Live semanal da Abraji fala sobre rádio e pandemia com Mílton Jung nesta terça

 

Texto publicado no site da Abraji — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

 

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A oitava edição das lives da Abraji sobre os impactos da pandemia no cotidiano dos jornalistas tem a participação de Milton Jung, âncora do Jornal da CBN e do programa Mundo Corporativo. A conversa é nesta terça-feira (9.jun.2020), das 21h às 22h, no Instagram.

 

O espaço virtual de discussão tem o objetivo de compartilhar experiências e desafios enfrentados pela imprensa desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Em razão dos cuidados de saúde necessários, Jung organizou um pequeno estúdio em casa, de onde tem apresentado o programa matinal e diário da CBN. A conversa com a equipe é feita por aplicativos de mensagem e um sinal de internet conecta sua casa à sede da rádio.

 

Apesar dos desafios diários, ele afirma que a maior dificuldade é dos repórteres, que garantem o conteúdo e a apuração do programa. Para aqueles em trabalho remoto, o esforço é redobrado para que não haja riscos à informação apurada.

“Os que saem, por sua vez, se expõem a dois tipos de perigo: o de se contaminar pelo vírus e o de ser agredido pela ignorância. Neste momento de pandemia, ainda sofremos de um outro mal na sociedade brasileira, que é o fortalecimento de discursos extremistas e totalitários, que não aceitam o jornalismo profissional e a imprensa livre”, afirma.

Apesar dos desafios, Jung entende que o rádio revela sua importância no contexto de uma crise sanitária. O meio de comunicação é o mais presente no Brasil, de acordo com a terceira edição do Atlas da Notícia, divulgado em 2019. Em um contingente de 13.732 veículos mapeados em todo o país, 35% eram radiofônicos.

“O radiojornalismo ganhou protagonismo nesta pandemia ao expressar algumas de suas principais características, como agilidade, velocidade e interatividade, úteis especialmente quando a população sofre de ansiedade diante dos riscos à saúde e quando as novidades surgem a todo momento”, explica.

Entre outros livros, o jornalista é autor de Jornalismo de Rádio (Editora Contexto, 2004), Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo, 2006) e É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos (BestSeller, 2018). Também é coautor de Comunicar para Liderar (Editora Contexto, 2015).

 

Nas semanas anteriores, o espaço virtual das lives da Abraji teve a participação de Ana Lucia Azevedo (O Globo), Raull Santiago (Coletivo Papo Reto), Kátia Brasil (Amazônia Real), Vinícius Assis (correspondente brasileiro na África), Ciara Carvalho (Jornal do Commercio), Tai Nalon (Aos Fatos) e Ruben Berta (Blog do Berta). A íntegra das conversas está disponível no Instagram.

Conte Sua História de São Paulo: o “Buracão” era o nosso parquinho

 

Lauro Vieira de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Minhas memórias começam na época em que morava no bairro do Jardim São Paulo, Zona Norte. A casa na avenida Cabuçu, hoje avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro, portão e quintal com poço, permanece a mesma daquela época, em 1960 — feliz e, corajosamente, não alteraram as suas características de fachada.

 

Nela moravam meus pais —- mãe baiana e pai alagoano, descendente dos índios caetés —-, meus quatro irmãos —- o mais velho dos homens trabalhava em uma fábrica de instrumentos de percussão, ali bem próximo —- avó, tio, o filho mais novo da avó materna e um primo. Comigo, éramos 11. Nos arredores está a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que minha avó era devota fervorosa. Hoje, sob a casa, passa a linha Azul do Metrô. A estação Ayrton Senna/Jardim São Paulo, também está por ali.

 

Tinha uns 5 anos com uma infância muito dinâmica. Brincava-se com tudo o que tínhamos direito; e sem direito também, como descer ladeira dentro de um pneu de caminhão.

 

Um vizinho criava cavalos. E a diversão era roubar um para dar umas voltas até ter levado um tombo e quebrado a cabeça.

 

Quando chovia, ou quando minha mãe lavava o quintal, ensaboávamos o peito e escorregávamos, no corredor do quintal, dos fundos para a frente da casa, uns 8 metros de pura adrenalina.

 

De quando em quando jogávamos bola no campo de futebol, ao lado do hoje Clube Escola do Jardim São Paulo, administrado pela prefeitura. Era de terra, a grama ainda não cresceu. Em parte do campo tinha poças d’água que não secavam nunca, quando você pisava afundava até o joelho. Dalí tínhamos uma perspectiva maravilhosa, avistávamos a passagem do Trem da Cantareira, com destino ao Jaçanã e Guarulhos.

 

Em um dos lados do campo, na rua Professor Fábio Fanucchi estava a escola Professor Antonio Lisboa, onde estudei o primeiro ano primário. Lembra-se da cartilha “Caminho Suave?“ Graças a ela, e, lógico, a minha professora que não lembro o nome, aprendia a juntar letrar e formar palavras. Incrível é que uns 35 anos depois minha mulher foi concluir o seu segundo grau nesta mesma escola! Coisas do destino.

 

Em frente a minha casa havia um espaço imenso, com uma grande depressão. Era o “Buracão”, com uns 200 a 300 metros de comprimento, partindo da rua Almirante Noronha, 10 metros de largura e sete de profundidade. Em uma ocasião, estávamos com uns trocados e fui com os amigos fazer um piquenique em um caverna —- um buraco encrostado em um dos lados do Buracão. Comemos muita coisa boa até que o Seu Antonio, um vizinho que costumava tomar umas cangibrinas começou a bater com os pés na parte superior da caverna. Foi um corre-corre só, todos descendo, escorregando para o fundo do Buracão.

 

Quando iniciaram o aterro do “Buracão“, houve muita tristeza da molecada, pois era um ambiente que, além de estarmos acostumados, fazia parte do nosso parque de diversão. Como vimos que não teria jeito, fomos assistir às máquinas e caminhões trabalharem. Naquela movimentação de terra, descobrimos umas raízes, que delícia, parecia cana-de-açúcar de tão doce que eram!

 

Depois dessa época, fomos morar no Parque Edu Chaves. Mas está é uma outra história.

 

Lauro Vieira de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Procurador Geral do Trabalho fala de mudanças nas relações trabalhista e busca da conciliação

 

 

“Pólos opostos que habitualmente não se unem estão compreendendo que um ou outro pode desaparecer, pode desaparecer o empregador e pode desaparecer o empregado, então a gente precisa enfrentar o problema com a visão da conciliação” Alberto Balazeiro

As relações de trabalho sofreram forte impacto com regras sendo mudadas e medidas sendo adotadas para contornar a crise econômica que surge como consequência da pandemia provocada pelo coronavírus. A redução de salário, a suspensão temporária de contratos, antecipação de férias e a necessidade de profissionais exercerem suas funções de casa, sem um período de adaptação, foram apenas algumas das transformações ocorridas nesses últimos três meses.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, o procurador geral do Trabalho, Alberto Bastos Balazeiro, falou dos desafios que empregados e empregadores enfrentam neste momento:

“A pandemia impôs na nossa dinâmica uma série de realidades que não havia sido imaginada. E nesse cenário de grandes incertezas, o surgimento de mídias provisórias e de legislação excepcional nos preocupam muito. Esperamos que seja uma passagem, uma transição”

Em entrevista a Mílton Jung, Balazeiro explicou algumas das regras que estão em vigor com as medidas provisórias 927 e 936, aprovadas para prevenir as demissões em massa e ajudar empresas a se manterem financeiramente saudáveis

 

Ainda neste semana, o Ministério Público do Trabalhou informou que foram recebidas 19.045 denúncias de irregularidades trabalhistas relativas à Covid-19; e foram abertos 3.905 inquéritos civis para apurar violações sobre o tema. Um dos eixos estratégicos do MPT é a busca de conciliação e debates:

“A gente precisa construir consenso neste momento, não é momento de radicalismo, não há nessa relação de empregado e empregador inimigos, muito menos as instituições de um lado e de outro. As instituições estão interessadas em manter uma linha de equilíbrio, de interlocução e de conciliação”.

A migração para o trabalho à distância, nos modelos de home office e teletrabalho, é outro motivo de preocupação, segundo o Procurador Geral. De acordo com a nova lei, o empregador pode adotar esses modelos a qualquer momento, desde que notifique a equipe no prazo de 48 horas. E as empresas têm de estar atentas às condições com que este profissional vai exercer sua função em casa.

“A fiscalização do cumprimento dessas normas, está sendo feita: estamos atento”, diz Balazeiro.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Debora Gonçalves e Alan Martins.

Sua Marca: é preciso entender as dificuldades e medos dos clientes

 

“De tudo fica um pouco, fica um pouco do teu queixo no queixo de sua filha…” Carlos Drummond de Andrade

 

Como na mensagem de Drummond, extraída do poema Resíduos, empresas e marcas deixam lembranças em seus consumidores, que são o resultado da forma como se relacionam, se comunicam e prestam serviço. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram dos efeitos dessas ações, especialmente em momentos de dificuldades como as impostas pela pandemia.

“Das tantas memórias e resíduos, talvez a gente tenha exemplos ruins, mas quem fez a lição de casa, de forma legítima, verdadeira e autêntica deixou um saldo bem positivo”, disse Cecília Russo

Do pequeno mercado que passou a entregar produtos na casa do consumidor ao serviço de aplicativo que cria programas para premiar o seu usuário, cada um de sua maneira e dentro de suas possibilidades está fortalecendo sua marca — e essas ações não serão esquecidas pelos clientes. Vão se destacar, nesta pandemia, as marcas que entenderam as dificuldades e os medos que as pessoas têm vivenciado

“O resíduo que vai ficar para muitas marcas é um crescimento da fidelidade do consumidor. Como um sinal de retribuição a quem nos tem ajudado a atravessar esses momentos de tristeza”, comentou Jaime Troiano

Para Jaime e Cecília, as boas marcas são aquelas que, testadas, em situações difíceis, como estas, ficam ainda mais fortes e respeitadas.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: é hora de refletir nosso conceito de sucesso, diz Dario Neto do Capitalismo Consciente

 

“A gente está vivendo um momento da história onde é importante ser mais, fazer melhor e ter menos” — Dario Neto

A Covid-19 é a pior crise já vivida neste século e levou empresas a acelerarem transformações que estavam em curso, não apenas da digitalização dos canais de venda, mas também das agendas de consciência dos negócios. A opinião é de Dario Neto, diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, que falou sobre os impactos que as crises humanitária, sanitária e econômica, vividas a partir do aparecimento do novo coronavírus, terão na forma de se liderar organizações e se pensar as empresas.

“A melhor maneira de fazer o bem é fazendo o bem. Então, nesse momento, compaixão e empatia, por mais que pareçam um contraponto às necessidades e à escassez que nos ronda, é aquilo que vai diferenciar os negócios, que vai prosperar mais ou menos depois desse momento”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Dario Neto explicou que o conceito do capitalismo consciente surge a partir da indignação do professor indiano Raj Sisodia que assistia a empresas americanas investirem mais em publicidade e marketing do que o PIB da Índia.

 

Sisodia se juntou a Jaf Shereth e David Wolf — e mais tarde recebeu o apoio de John Mackey, CEO da Whole Foods —- em estudo acadêmico que identificou que era possível manter alta reputação e fidelidade dos clientes investindo menos em marketing e lucrando a partir de quatro pilares: propósito maior, cultura consciente, liderança consciente e orientação para stakeholders.

 

O Instituto faz o mapeamento de boas práticas que estão sendo desenvolvidas pelas empresas e analisa projetos para a retomada das atividades e a recuperação econômica após a pandemia. Há organizações, por exemplo, que decidiram proteger seus fornecedores e toda a cadeia produtiva estendendo os prazos de pagamento. Com o mesmo objetivo, manter empresas e empregos, o próprio Instituto tem procurado investidores e empresários para ajudarem na sustentabilidade de uma linha de crédito — CoVida-20 — que facilita o financiamento de empresas, especialmente àquelas que não têm as garantias exigidas pelo sistema bancário, com juros de até 0,5% ao mês.

“Criamos um fundo de socorro, já ligado aos pilares do capitalismo consciente e a demanda foi de quase R$ 30 milhões … O desafio é muito grande … O protagonismo através da economia solidária pode ajudar muita gente”

A despeito da sensação de medo e escassez que impera, Dario Neto lembra que estudos mostram que empresas que revelavam “amor e cuidado em toda sua cadeia de valor, decolaram”, após a crise de 2008. Segundo ele, das 500 maiores empresas, listadas pela Fortune, 57% nasceram em períodos de exceção.

“É um processo que vai levar anos. É uma oportunidade muito especial que nós estamos tendo para refletir o que é sucesso para a gente e para a sociedade. Com um PIB projetado que vai retrair talvez 5, 7 pontos, a gente tem um caminho que é talvez pensar de como é que a gente volta a como é que as coisas eram antes o mais rápido possível — e isso vai deixar a gente angustiado — ou a gente tem um caminho que é o de ter a clareza de que o jeito que a gente viveu e consumia, estava levando o planeta para o fim … se sucesso para a gente continuar sendo consumir então a gente não vai mudar esse jogo, né”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Priscila Gubioti e Débora Gonçalves.

Lojistas de Shopping pedem mais técnica e menos discriminação

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Escada rolante de shopping com alerta de distância (Reprodução TV Globo)

 

Uma jornada de trabalho de quatro horas numa cidade como São Paulo, onde a caminhada ao posto de trabalho exige tempo considerável, em conduções e condições extremas, não condiz com as boas práticas operacionais.

 

É o que o protocolo da Prefeitura a ser cumprido pelos Shopping Centers da cidade de São Paulo pelo covid19, incorre, segundo os lojistas que operam nestes locais. É uma falha técnica. Além de certa discriminação, em comparação com o tratamento dado a outros segmentos.

 

Nabil Sayuon, presidente da ALSHOP Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping, entrevistado no Bom Dia SP da TV Globo, ressaltou que ao espremer a jornada em tão pouco tempo, haverá congestionamento e o resultado será inverso ao que se procurou.

 

Um outro aspecto abordado por Sayuon foi a questão dos custos e dos cuidados sanitários envolvidos no cumprimento das minúcias de higienização, comparáveis a instalações hospitalares, enquanto outros setores, como o da construção civil, não teve o mesmo detalhamento nas exigências.

 

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Rodrido Bocardi entrevista Nail Sayoun (repordução TV Globo

 

Rodrigo Bocardi, o âncora do programa, usou a figura da ilha isolada para a metáfora com o Shopping Center para chamar a atenção pelo fato de os funcionários para chegarem a local de trabalho tão preciosamente higienizado terem que se subordinar a transportes congestionados.

 

Assista à reportagem completa do Bom Dia São Paulo

 

Até certo ponto poder-se-ia entender como consequência do maior aprimoramento dos equipamentos de Shopping Centers e respectivas lojas que se exigisse mais de ambos. Afinal, os Shoppings são formatos bem resolvidos e competentes, como peças comerciais e de lazer.

 

Entretanto, só pode estar havendo um especifico exagero no protocolo de um lado, e de outro; um descaso com a técnica na abordagem operacional. Não é admissível escapar à análise que não compensa economicamente incidir em todos os custos de um equipamento de Shopping Center para manter a operação disponível em apenas 1/3 do padrão de abertura.

 

É uma opção que insatisfaz o lojista, o shopping, o trabalhador e o consumidor. Ou seja, pior que isso é isso.

 

Esperemos que a reunião citada por Nabil Sayuon, já agendada com a Prefeitura, resulte em decisão técnica como boa prática operacional.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Podcast: de sutilezas

 

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A conversa foi pré-Pandemia. E foi generosa. Recebi Paula Caubianco sem ter ideia até onde iria o nosso papo. Que assunto a interessava. E o que dizer sobre esses assuntos. O resultado está no MOMENTOCAST, que foi assim apresentado pela Paula a quem tive o prazer de conhecer:

Só de lembrar o dia que gravei esse episódio eu já fico emocionada… agitada. Eu fui muito ousada! Era manhã do dia foi 20 de fevereiro de 2020, quando eu saí da Mooca ( bairro na zona leste – onde eu moro) seguindo em direção à Marginal Pinheiros: eu tinha um grande encontro!… já era costume ouvir a rádio CBN no carro … mas aquele dia guardava um motivo especial. Eu fui ouvindo o Milton Jung, a Cássia Godoy e até o Dan Stubach noticiarem, com grande pesar, a morte ocorrida no dia anterior, do genial José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão… o pai do terror brasileiro. Ele partiu aos 83 anos de idade… que perda irreparável…

 

Eu estava super ansiosa, mas ouvir as homenagens contando a trajetória e o estilo próprio do Zé do Caixão… foi me trazendo um alento… a sua irreverência me deu um ânimo extra: de certa forma, ele me dizia… Paula é preciso ter coragem para se conquistar o que se quer… vá e faça. Depois de 50 minutos lá estava eu… no saguão daquele edifício moderno… pegando minha credencial para subir até o andar da CBN… eu tinha uma hora marcada com o Milton Jung – e ele já me aguardava.

 

A maior satisfação que tenho em conceber e produzir o MOMENTOCAST é poder conversar sobre sutilezas com pessoas que admiro, respeito, e que sinto, que de alguma forma estão dispostas a compartilhar algum conteúdo de valor.

 

Convidei o Milton com minha cara e coragem, e recebi um saudoso sim! Nesse dia, minha palavra era ousadia. E a do Milton, sem dúvida alguma, generosidade! Espero que você goste desse episódio, nele eu compartilho com você o que ouvi e aprendi com esse grande ser humano que é o Milton Jung… e você, qual é a tua palavra?

 

Me conta sua experiência com o momentocast enviando um audio pelo link disponível no descritivo desse episódio. Assine o momentocast gratuitamente pelo seu spotify, deezer, apple podcasts, google podcasts e nos principais agregadores de áudio. Ou se preferir acesse anchor.fm/momentocast. Depois compartilhe esse episódio com seus amigos e familiAres, quanto mais gente escutar… melhor.

 

Interaja com o MOMENTOCAST nas redes sociais utilizando a hashtag #momentocasters e vamos acompanhar que palavras andam te definindo nesses tempos. Quando eu agradeci o MIlton por toda a generosidade em aceitar meu convite e me receber mesmo sem me conhecer… ele me disse: eu sei exatamente o que é estar no seu lugar… não se preocupe, só faça sempre um bom trabalho. E assim… eu venho seguindo… Obrigada por seu tempo, e até.


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