Conte Sua História de São Paulo: fui ao cinema com meu pai

 

Por Americo Hatto
Ouvinte da CBN

 

 

Fui apresentado ao mundo do cinema em 1996, aos oito anos. Hoje, posso dizer que foi uma apresentação de gala. Era o início de uma tarde de domingo, Logo depois do almoço, o meu pai disse-me que íamos sair, só nós dois, rumo ao centro de São Paulo. Morávamos em Santo Amaro e chegar ao centro era uma viagem. E um sofrimento para mim: o sacolejar do ônibus, misturado com o cheiro do diesel, invariavelmente, terminava com o meu estômago botando o almoço para fora. Aquele dia não foi exceção…

 

Bom, depois de mais de uma hora, o ônibus chegava ao ponto final, no Vale do Anhangabaú, em frente a Galeria Prestes Maia, onde havia um banheiro público, para o alívio da bexiga de um moleque.

 

Na mesma Galeria, subimos pelas escadas rolantes, naquela época ainda uma coisa rara em São Paulo, para sairmos na Praça do Patriarca e dai atravessarmos o Viaduto do Chá, passando pelo Mappin e pelo Teatro Municipal, para, em fim chegarmos a Avenida São João.

 

Até aquele momento o meu pai não havia me falado o que estávamos fazendo no centro…

 

Depois de uma caminhada pela São João, enxerguei várias pessoas numa fila que dobrava o quarteirão. O meu pai parou no fim da fila e só quando andamos um pouco mais vi o letreiro: “Comodoro Cinerama”. E o cartaz anunciava: “Nas Trilhas da Aventura”. Naquele momento soube que iriamos assistir a um filme no cinema.

 

Mas o que era um cinema?

 

Numa época em que não havia internet, celular ou qualquer outra facilidade, um moleque de oito anos, da periferia, jamais poderia imaginar o que era um cinema. A descoberta estava a caminho.

 

Compramos os ingressos na bilheteria e na antessala meu pai ainda me deu um drops Dulcora. Depois, sim, entramos na sala de cinema propriamente dita. Era enorme, vários assentos e uma imensa cortina vermelha diante de nós .
Alguns minutos depois, as luzes se apagaram e a cortina se abriu, revelando uma gigantesca tela em curva —- aquela era a maior tela de cinema de São Paulo.

 

As primeiras imagens apareceram, mas como os assentos estavam no mesmo nível, quase não dava para ver nada, só as cabeças das pessoas que estavam nos assentos à frente. Para piorar, o filme era legendado e aí não deu para entender quase nada da história.

 

Para um garoto de oito anos, porém, nada disso foi motivo de tristeza. Fiquei maravilhado, hipnotizado com as imagens que passavam na tela. Fui transportado para o velho oeste americano.

 

Lembro-me que o filme era longo e até teve um intervalo de uns 20 minutos no meio da sua projeção. Aí, foi uma correria ao banheiro e ao quiosque de guloseimas. Quando o filme terminou, a semente de cinéfilo havia sido transplantada em mim…

 

Assisti a vários filmes no Comodoro Cinerama junto com o meu pai e, mais tarde, por minha conta e risco. Descobri outras grandes salas no centro de São Paulo: República, Paissandu, Olido, Marabá, Art-Palácio e Metro. Tive o privilégio de ter vivenciado o final dos anos dourados dos cinemas de rua de São Paulo.

 

Americo Hatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Na disputa de dirigentes do varejo, o foco tem de estar nos números

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A ALSHOP, fundada há 25 anos, tradicionalmente tem divulgado o desempenho das vendas natalinas logo após o Natal. Nesse 2019 não foi diferente. Entretanto, a mídia em geral deu um espaço inédito para reportagens com os dados da ALSHOP, que apresentaram crescimento nominal de 9,5% nas vendas em relação a 2018.

 

O fato gerou reação negativa imediata da Ablos, entidade criada em abril com o propósito de representar os lojistas satélites de shoppings. Tito Bessa, fundador e presidente da Ablos – Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, atacou a ALSHOP e seu presidente, de acordo com matérias nos principais jornais:

“A notícia da Alshop é falsa, é Fake News, o Nabil não consegue provar os dados, não tem base técnica, não fez pesquisa”.

De acordo com reportagem na Folha, de Joana Pruna e Paula Soprana, Bessa também afirmou que entrará na justiça.

 

Ao fundar a Ablos, Bessa ressaltou que havia necessidade de uma entidade que representasse o segmento das lojas satélites, e, portanto, o seu foco seria as lojas de até 180 m2. Considerava que a Alshop, ao incluir as megalojas e as lojas âncoras com as lojas satélites, não legitimava a representatividade das pequenas lojas. Pois, elas não teriam a força das maiores.

 

Dentro desse contexto ao tomar conhecimento dos dados publicados com os números da Alshop, a Ablos, deveria apresentar os dados do segmento que pretende representar, que de acordo com Bessa já tinha números iniciais pesquisados internamente, que mostrariam que 70% das lojas empataram ou pioraram o resultado comparativo com 2018; e 30% obtiveram pequeno crescimento. Não foi o que ocorreu. A Ablos preferiu desmentir os dados da Alshop, que correspondem a todos os segmentos, ou seja, âncoras, megalojas e satélites, em vez de terminar a sua pesquisa e apresentar o resultado do setor que se propõe representar — a entidade diz ter, atualmente, 90 associados.

 

Parece que o método que vivenciamos no caso do incêndio da Amazônia está fazendo escola, quando o Governo em vez de apresentar números se limitou a desmentir os técnicos e acusar ONGs e até ator de Holywood.

 

Cremos que para o bem do varejo o melhor método é aquele de manter o foco nos números, e que sejam apresentados os resultados comparativos do Natal das lojas satélites, que parece, é o que interessa aos associados da Ablos, e a todos os demais lojistas — assim como ao mercado consumidor.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Conte Sua História de São Paulo: você surgiu no alto de uma colina

 

Por Maria de Lourdes Souza Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

 

Num belo dia de janeiro de 1554, você surgiu no alto de uma colina, onde hoje está a Praça da Sé.

 

O Colégio de Piratininga abrigava os sonhos de homens intrépidos como o jesuíta José de Anchieta e muitos outros que enxergavam uma grande metrópole além das misteriosas e densas florestas que circundavam o casebre de “quatorze passos de comprimento e doze de largura”

 

Às margens do rio Tietê — antigo Anhembi — foi criado o primeiro núcleo que viria a ter o seu nome: São Paulo. Outros foram criados um pouco mais além, tais como Guarulhos, Itaquaquecetuba, São Miguel, Mogi das Cruzes, Freguesia do Ó, Santana de Paraíba e Porto Feliz.

 

O rio testemunhou “in loco”o surgimento de uma grande cidade; e suas águas compartilharam das descobertas dos corajosos desbravadores que navegaram em busca de seus sonhos. O surgimento do café, também foi testemunhado pelo riu que viu florescer às suas margens os primeiros cafezais, fonte da futura riqueza do País.

 

Em 1860, as ruas eram sinuosas, de terra batida, cheias de casas de pau-a-pique. Com uma população de pouco mais de 20 mil habitantes, você sequer sonhava que um dia pudesse acolher milhões de pessoas, não é mesmo?

 

Nesta época, a discrepância social já era bastante visível, pois os mais abastados viviam nas ruas do Rosário, Direita e São Bento. A distância também consistia num grande problema, e só era contornada no aluguel de carros de bois. Bairros como Brás, Penha e Santo Amaro eram muito longe.

 

O marco da cidade que se situa no centro da Praça da Sé, também assistiu a sua história. Sob o seu olhar, o meio de transporte, outrora precário, sofreu melhorias, tanto que em 1865, foi criado o primeiro sistema de transporte oficial. As ruas receberam um tratamento especial, pois, afinal, por elas passavam figuras ilustres, que colaboraram com o desenvolvimento e a cultura desta cidade.

 

Como uma mãe generosa, você recebeu, em 1899, The São Paulo Tranway, Light Power Co.Ltda. Seus dirigentes vaticinaram que você prosperaria. E eles estavam certos.

 

O começo do século despontou turbulento. Os saraus promovidos nas casas elegantes e ricas contratavam com a miséria na qual muitos viviam.

 

Nesta época já trafegavam pelas ruas os “românticos” bondes elétricos.

 

Quando os imigrantes aqui chegaram, trazendo em suas bagagens o sonho de uma vida melhor, a despeito dos percalços que muitos sofreram, você os abrigou, Mesmo trabalhando em condições precárias eles colaboraram na sua construção. E você, curiosa e culta, absorveu toda a sua cultura e tradição e as incorporou ao seu cotidiano.

 

A despeito dos pequenos movimentos trabalhistas que começavam a despontar lentamente, já em 1901, você abrigava em seu território, 108 indústrias, sendo 70 estrangeiras e 38 brasileiras.

 

Você viu surgirem os sindicatos e seus líderes, ansiosos por tomar um pouco mais dignas e humanas as relações trabalhistas.

 

A grande greve de 1917 paralisou a cidade. Cerca de 45 mil trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, haja vista que o tratamento imputado à eles nas fábricas era extremamente desumano.

 

Você distribuiu aos desempregados a famosa “sopa de pães”, numa medida paliativa para conter as massas.

 

Por outro lado, enquanto os trabalhadores lutavam por seus direitos, a indústria prosperava, pois em 1920 você figurava como primeiro centro fabril do País, conforme censo realizado neste mesmo ano.

 

Você estendeu seu território além da Várzea do Carmos. Nos bairros do Brás, Pari, Barra Funda, Água Branca e Lapa, surgiram algumas indústrias.

 

Naquela época, você já compartilhava com o seu povo o drama das enchentes como as de 1906 e 1929/

 

Em 1930, inicia-se a Era Getúlio Vargas. Bem mais usa já é uma outra história.

 

Maria de Lourdes Souza Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: não espere os 365 dias do ano para avaliar sua estratégia

 

“O mundo tem pressa, errar por muito tempo pode ser fatal para a sua marca” — Cecília Russo

O fim de ano chega e o momento é propício para se fazer um balanço das coisas que deram certo, dos erros cometidos e dos resultados alcançados.. É comum que isso ocorra entre empresas, marcas e pessoas. No entanto, os processos são muitos mais velozes atualmente, por isso Jaime Troiano e Cecília Russo alertam para os riscos que corremos ao deixarmos para fazermos essa avaliação apenas após 12 meses transcorridos. Esse foi o tema da última edição do ano de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

 

Para não perder tempo nem mercado, as marcas bem sucedidas tem se preocupado em formar times com capacidade de solucionar problemas, reverter questões e pensar inovações com agilidade. Independentemente do tempo que você reserve para avaliar o que foi realizado na sua empresa e as estratégias implantadas, Jaime Troiano lista perguntas que devem ser feitas a todo instante:

Qual a iniciativa da qual nos orgulhamos?

 

O que mais trouxe resultado para a minha marca?

 

O que atrapalhou a minha marca?

 

O que eu teria feito diferente?

 

O que eu poderia ter evitado?

Responder a essas perguntas ajuda a planejar melhor e para que a estratégia dê certo é preciso monitorar essas respostas ao longo de todo o ano, sugere Cecília Russo, sem jamais confundir velocidade com atropelo. Como já disse Henrique Meirelles, quando assumiu o ministério da Economia: “vamos devagar, porque nós temos pressa”.

 

Para fechar essa conversa, Jaime Troiano deixa um desejo:

“Usemos as 365 chances que temos de ter uma ano mais harmonioso entre as pessoas que a gente gosta e entre as pessoas que a gente ainda vai conhecer”.

E o Sua Marca, deixa uma pergunta:

O que você teria feito diferente em 2019 que pode mudar em 2020?

Pacto Global da ONU pode melhorar suas vendas e sua saúde

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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imagem Pixabay

 

No momento, a Sustentabilidade recebe no mundo inteiro avaliações mais agressivas, a favor ou contra, e o Brasil passa a ocupar uma incomoda posição pela corrupção, pela Amazônia, pelos indígenas e por uma desatenção geral com o meio ambiente.

 

Oportunamente, o CRA-SP, entidade que representa os Administradores profissionais, e desde 2017 é comprometido com o Pacto Global da ONU, chama seus membros para uma ação efetiva de apoio para este movimento criado por Kofi Annan em 2000, designado como Pacto Global.

 

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O Pacto Global está em 160 países e é composto de 10 Princípios Universais, que devem ser observados nas estratégias e operações de empresas nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção. E no desenvolvimento de ações que contribuirão para o avanço dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, que reúnem os principais desafios da sociedade mundial.

 

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No CRA-SP está inserido no Centro de Excelência do Pacto Global, com a coordenação de Armando Dal Colletto, ex-professor da FGV, IBMEC e BSP, com estudos pelo MIT, Harvard, USP e FGV, sendo atualmente diretor do IPL – Institute of Performance & Leadership

 

O Prof. Dal Colletto nos informa que “as empresas podem atuar dentro dos princípios do Pacto independentemente de serem signatárias. As que desejarem assumir o compromisso, essas se afiliam pelo site do Pacto através de uma carta assinada pelo CEO e respondendo a uma série de questões”. A adesão implicará em um acompanhamento através da Rede Brasil do Pacto Global.

 

Cabe ressaltar que as contribuições para a sustentabilidade não se restringem, por exemplo, às ações genéricas de eliminar embalagens, copos e canudos de plásticos. Trata-se de medidas na cadeia produtiva, em materiais e processos, na busca constante do equilíbrio ecológico.

A indústria da moda, por exemplo, segundo Stanley Jones da ONU-Meio Ambiente, produz impactos que vão desde o uso de agrotóxicos nas colheitas do algodão ao consumo excessivo de itens e acessórios. São descartadas 1/3 das roupas no primeiro ano de uso. Números espantosos, se considerarmos que a Moda como negócio está avaliada em 2,4 trilhões de dólares, e emprega mais de 75 milhões de pessoas, mas descarta 500 bilhões de dólares ao ano com roupas que vão direto para aterros e lixões sem passar por reciclagem.

Daniela Chiaretti, do Valor, em março, já reportava que a indústria da Moda polui mais que navios e aviões, respondendo por 8% e 10% das emissões globais de gases-estufa, sendo o segundo setor da economia que mais consome água, e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo. Os oceanos recebem 500 mil toneladas de microfibras sintéticas por ano, e as pessoas consomem 60% a mais de peças do que há 15 anos.

 

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Mochila da linha sustentável de bolsas Prada (foto: divulgação)

 

Por isso, a Moda começa a agir, embora ainda reduzidamente. A H&M comercializa 95% de itens com algodão orgânico ou reciclado. A Ikea criou uma cortina cuja tecnologia ajuda a limpar a poluição de ambientes internos. A Prada lançou com sucesso mochilas feitas de plásticos recolhidos dos oceanos. A Adidas prevê renda de 1 bilhão de dólares em tênis desenvolvido com material natural. A Osklen lançou bolsas com escama do Pirarucu. A Carteira 2019 do ISE Índice de Sustentabilidade Empresarial BOVESPA já conta com expressivas empresas do varejo como a Renner, C&A, e Americanas.

 

As melhorias obtidas ao aderir ao Pacto podem vir dos processos como também da gradativa aceitação do mercado. Para obter os resultados a contratação de pessoal especializado pode ser um caminho mais rápido.

 

Recentemente fomos procurados pela Manancial Sustentabilidade Ambiental, através da fundadora e CEO, bióloga Angela Garcia, cuja plataforma está calcada em habilitar as empresas privadas e públicas nos 10 Princípios Universais e nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Social. A carteira de clientes de Angela contempla dentre outras a Komatsu, Seara, JBS, Panco, Prefeitura de Indiaporã e Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste de São Paulo.

 

Em todos os eventos do mundo corporativo que participamos este ano, ficou evidenciada a preocupação ambiental das empresas. Entretanto, nem todas estão atreladas ao Pacto Global, que atribui uma vantagem competitiva às marcas, na medida que sua divulgação agrega valor em um mercado consumidor cada vez mais atento ao status da Sustentabilidade.

 

É hora de melhorar as vendas adotando o Pacto e usufruir os resultados com saúde.

 

Feliz 2020!

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Um Feliz e Santo Natal: “na escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro …”

 

 

Na mensagem do Papa Francisco, antecipando o Dia Mundial da Paz, que se comemora em 1º de janeiro, a comunicação aparece como instrumento de aproximação, e para que esse diálogo ocorra na plenitude a escuta se faz necessária —- a ponto de aparecer em três momentos no  texto do Sumo Pontífice.

 

Com o desejo de um Feliz e Santo Natal a todos, deixo aqui um dos muitos trechos de reflexão que encontramos na escrita de Francisco.

“… O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações. De fato, só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade para além das ideologias e das diferentes opiniões. A paz é uma construção que “deve ser continuamente construída” (GS, n. 78),[5] um caminho que percorremos juntos procurando sempre o bem comum e nos comprometendo a manter a palavra dada e a respeitar o direito. Na escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro, até ao ponto de reconhecer no inimigo o rosto de um irmão …”

Leia na íntegra a mensagem do Sumo Pontífice

Sua Marca: lembre-se que tem um presente de Natal esperando você

 

Sua Marca Livro

No fim de semana, a gente já havia contado para você que o nosso presente de Natal este ano era um livro (e-book), de graça, sobre gestão de marcas, escrito por Jaime Troiano e Cecília Russo. Nesta segunda-feira, quando o Natal está logo ali, volto a lembrá-lo desse presente e aproveito para reproduzir o prefácio que escrevi para meus colegas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. Sei que um texto que tem diabo no título pode não ser muito apropriado quando falamos de Natal, mas você haverá de entender os motivos que me levaram a cita-lo. A propósito, no fim do texto, tem o link para você baixar e aproveitar nosso presente de Natal.

“O DIABO SABE MAIS POR VELHO DO QUE POR DIABO”

 

Um passeio pelos escritórios de empresas no Brasil e um tempo para a boa conversa com alguns de seus colaboradores são suficientes para enten- dermos que muita gente está descontente. Nem preciso ir muito longe, basta estar atento às mensagens que recebo diariamente na rádio CBN quando o assunto é o mundo corporativo e suas variantes. É evidente que a falta de respeito com as pessoas ainda persiste e a gestão por pressão, cobrança e castigo resiste a todo o conhecimento desenvolvido de que ambientes saudáveis tendem a produzir mais e melhor. Uma agravante é que hoje esse desrespeito começa ser visto como um sinal de que o líder não é ético ao agir, e isso pode contaminar as relações internas e externas da empresa e da marca.

 

Se há uma forma de corrigir essa distorção, não tenho dúvida de que co- meça pela comunicação eficiente. De todas as competências necessárias para liderar empresas, grupos de trabalho e a sua própria carreira, a comu- nicação é a mais necessária, haja vista o resultado de diversas pesquisas de comportamento e os critérios que recrutadores usam na contratação de profissionais. A comunicação é a principal habilidade não técnica exi- gida pelas empresas, pois o colaborador que não souber se comunicar de maneira assertiva e respeitando o outro está fadado ao fracasso.

 

Começo esta nossa conversa pela comunicação porque é o conhecimento para o qual me dedico há quase 35 anos – a serem completados agora em 2020. E também porque aprendi com meu pai, jornalista de mão-cheia, que o “diabo sabe mais por velho do que por diabo” e, portanto, sinto-me mais à vontade de abordar o tema da comunicação em lugar de me ema- ranhar na área do Branding, na qual Cecília Russo Troiano e Jaime Troiano já fazem suas diabruras há bastante tempo e saberão destrinchar com ex- celência nas próximas páginas.

 

Há quatro passos básicos para você encarar com eficiência qualquer pro- cesso de comunicação que deparar, quer seja uma entrevista de empre- go, uma reunião de trabalho, uma entrevista a jornalistas, uma palestra aberta ao público ou mesmo uma DR em casa – não tem jeito, em algum momento teremos de enfrentá-la. Essas regras valem também para quem pretende escrever um livro.
Vamos a elas:

1. Somente entre em uma conversa se tiver certeza da mensagem que pretende transmitir, portanto planeje seu discurso, selecione as informa- ções mais importantes e dê uma hierarquia a elas, para saber quando e em que ordem usá-las.
2. Tenha em mãos todos os dados que possam ser necessários, tais como números, frequência e quantidade – conforme o assunto – sem esquecer de dar a esses suas reais dimensões e ilustrá-los de maneira que seu inter- locutor enxergue o que você está dizendo.
3. É essencial falar a língua do seu público, eliminando jargões de sua área e adaptando o vocabulário à realidade do outro para gerar empatia.
4. E, finalmente, conte uma história – somos muito mais propensos a prestarmos atenção em narrativas que tenham lógica e sejam humaniza- das do que a conceitos científicos.

Neste livro, Jaime Troiano e Cecília Russo nos convidam a uma conversa sobre gestão de marcas e enquanto caminhamos ao lado deles, em cada um dos capítulos, vamos perceber o cuidado que têm em fazer deste um passeio agradável em que histórias, conhecimento e experiência se mis- turam – muito parecido com o que já nos acostumamos a ouvir no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quadro que levamos ao ar todos os sábados, às 7h55, no Jornal da CBN e está disponível também em podcast.

 

Os casos que vivenciaram na construção de algumas das marcas mais co- nhecidas e valorizadas do Brasil estarão descritos a seguir e nos ajudam a visualizar a inteligência que os autores desenvolveram ao longo de suas vidas profissionais – ricas e diversas, pois se formaram em distintas áreas, como a psicologia, a sociologia e a engenharia química, além de terem se especializado em tantos outros temas, tais como consumer insights, pes- quisa, antropologia, filosofia e comportamento do consumidor.

 

Quando percebem que é difícil de se desvencilhar de expressões típicas das áreas em que atuam, têm o cuidado de nos oferecer ao pé do capítulo uma interessante Brandpedia, na qual traduzem de maneira mais clara o termo aplicado, e nos deixam mais confortáveis para seguir a caminhada ao lado deles.

 

Nada mais tem a cara e a criatividade do Jaime e da Cecília, porém, do que as frases que pautam as histórias e o conhecimento a serem desenvolvidos. Quan- do leio que “marca não é tapume” ou que “o consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente”, ou qualquer uma das 20 frases que abrem cada um dos capí- tulos, é como se revivesse nossas conversas no estúdio de gravação – mesmo as que ocorrem fora do ar.

 

Repetidas à exaustão desde 2014, quando começamos a apresentar juntos o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, essas frases que poderiam ser apenas “lugar-comum” transformaram-se em lições de Branding, que jamais podem ser esquecidas por todos que têm de cuidar da sua marca – seja um empresário ou um empreendedor controlando o seu próprio negócio, seja um jovem aven- tureiro ou um unicórnio no mundo das startups, seja o vendedor de pipoca na esquina da escola ou alguém que costura para fora.

 

A comunicação eficiente é a marca que faz deste livro um sucesso.

 


Baixe aqui o livro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — 2020 em 20 ideias

 

Conte Sua História de São Paulo: um bilhete de Natal

 

Por Alceu Sebastião Costa
Ouvinte da CBN

 

 

Após a noite bem dormida e o banho privilegiado, entrego-me à rotina costumeira das manhãs. Ingeridos os remédios do tratamento do Mal de Parkinson, abstenho-me do café com pão e manteiga, ao menos por ora. Hoje, não irei ao escritório. Portanto, oferecerei minha companhia a Elisabeth, durante o seu desjejum. Ela não é madrugadora como eu. Aliás, nem o sono nem o café são as minhas prioridades. Estas o são, sim, meu recolhimento solitário, compulsando meditativo algum escrito, vezes de minha própria lavra, bem como criando versos, como saudável terapia.

 

Neste momento, tenho nas mãos um pedaço de papel, que ontem, à noite, desenterrei literalmente do fundo do baú. Melhor, do fundo do “malão”. Aquele mesmo “malão”, uma bolsa de couro de porte avantajado, que eu usava nos meus idos acadêmicos como simulação de aluno aplicado, transportando pilhas de livros. Hoje, o velho “malão” companheiro tem serventia apenas para a guarda de documentos de uso esporádico ou emergencial. E foi daí que resgatei o tal pedaço de papel, metade da folha de agenda do dia 20 de dezembro de 1988.

 

Mas para que serve um simples pedaço de papel guardado por anos a fio? Certamente, para a faxineira, que acaba de chegar, mais um traste para o lixo. Analfabeta, mesmo que soubesse ler, jamais alcançaria a profundidade do texto nele manuscrito por mim, com a finalidade de levar um pouco de conforto a um grande amigo.

 

Antes de prosseguir, eis a transcrição:

 

“Se o lume é de boa têmpera, suporta a fúria da procela qual simples roçar da mais suave brisa e sua chama jamais se apaga.”

 

Afasto uma lágrima teimosa e prossigo nos meus devaneios. No rodapé, uma nota telegráfica:

 

“P/MP/cartão de Natal nesta data.”

 

Traduzindo: este texto foi a minha mensagem no cartão de Natal para Milton Pagliaro, em 20 de dezembro de 1988

 

Realmente, posto que não somos eternos, o meu amigo calabrês manteve a chama da esperança acesa por um longuíssimo período, desafiando a morte até o derradeiro instante, tomado pela metástase incontrolável.

 

Não fosse a sua vida pautada na retidão de conduta, principalmente no lado profissional, e na postura regrada nos princípios da disciplina, diria que os mais de dez anos de luta contra o câncer seriam o bastante para fazer dele uma pessoa admirável.

 

Com frequência, ouvia suas referências à inspiração de nossas palavras para a elevação do seu ânimo diante da briga tão desigual. Mais que a lisonja só a inspiração Divina que fez de nós o Seu instrumento.

 

Circunstancialmente, esse pedaço de papel retornou às minhas mãos, aflorando as boas lembranças do calabrês. Curioso é que, concomitantemente, encontrei também a cópia de uma crônica de minha autoria publicada no jornal “A Cidade”, de São Carlos, em 11 de abril de 1963, quando cursava o 2º ano Colegial do Seminário. Espantoso tratar-se de um escrito com o título “Lembra-te de mim quando chegares ao teu reino.” Noto que ambos os textos em referência focalizam a questão do sofrimento físico. Obviamente, sem comparativos, mas um e outro convergem para a simbologia do ritual de passagem desta para a outra vida, cuja expectativa por si só é o alimento para afugentar o desespero.

 

Sei que Deus nos dando bons guias aumenta muito a nossa carga de responsabilidades e de provações.

 

Que os agraciados com o Reino Celestial não nos faltem!

 

SAÚDE, AMADO AMIGO CALABRÊS!
(Obrigado, Sampa, pelas amizades, que só me fizeram crescer)

 


Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: um livro de graça é o nosso presente de Natal

 

 

“Frases marcam muito e ajudam as pessoas a amplificar um conceito; às vezes, você guarda um conceito a partir de uma frase de alguém” — Cecília Russo

A partir de 20 frases que marcaram as nossas conversas ao longo desse último ano, Jaime Troiano e Cecília Russo produziram um livro que nos ajuda a entender alguns dos principais conceitos da gestão de marcas. “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso 2020 em 20 ideias” está disponível no formado e-book e de graça para os ouvintes da CBN.

  

 

Ao longo dos três anos em que o quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso está no ar, nas edições de sábado do Jornal da CBN, os ouvintes depararam com uma série de frases e histórias contadas por Jaime Troiano e Cecília Russo. Uma das primeiras frases que foram ao ar, repetida à exaustão, é a que alerta para o fato de que “marca não é tapume” —- e com isso Jaime e Cecília chamam atenção para o risco de gestores acreditarem que o branding pode esconder as mazelas de uma empresa, produto ou serviço.
 

 

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“Marca sem propósito é marca sem alma”, “nunca jogue o bebê fora, junto com a água do banho” e tantas outras frases com as quais os ouvintes já se familiarizaram são a inspiração para 20 artigos que ajudam empresários e empreendedores —- independentemente do tamanho que tenham — a planejar melhor a construção de sua marca. Todos os capítulos trazem também um Brandpedia, que explica as expressões técnicas usadas na gestão de marca e torna mais simples os conceitos trabalhados.

  

 

Aproveite este presente de Natal do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Acesse o link e baixe o e-book. Depois, compartilhe com a gente a sua impressão e envie perguntas para marcasdesucesso@cbn.com.br ou para milton@cbn.com.br

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. O programa também está disponível, em vídeo, no canal da CBN no You Tube e em podcast.

A cara do Tito

 

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Quando era guri, a imagem que tinha do jornalista era a de um moço com expressão de curioso e olhar de desconfiado, que vestia uma roupa pouco cuidada e nas mãos levava um bloco de anotações e uma caneta. Na minha imaginação também haveria de ter uma máquina de fotografia a tiracolo. De todos os jornalistas da minha família o que mais se encaixava nesse perfil —- apesar de jamais vê-lo em posse de uma máquina de fotografia, que eu lembre —- era meu tio, Tito Tajes, casado com a tia Miriam, irmã do meu pai, e pai de quatro dos meus primos.

 

Tio Tito nasceu em Santa Maria, em 1933, trabalhou como repórter na Última Hora, no Correio do Povo e na sucursal de O Globo, em Porto Alegre. Foi ainda editor do Diário Catarinense, em Florianópolis. Esteve no campo de batalha e participou de coberturas importantes mundo afora.

 

Lembro dele fechando a edição dominical do Correio — o que fazia com enorme precisão, como meu pai atestou em um dos artigos publicados neste blog. Tio Tito me levava a passear na oficina do jornal e aquela imagem era fascinante tanto quanto insalubre. Do cheiro das máquinas rodando e dos fragmentos dos clichês que imprimiam o jornal sobraram ótimas lembranças na minha mente e uma quantidade de partículas suficiente para entupir as veias do tio e, muito provavelmente, levá-lo a morte, em 1995. O tio morreu de jornalismo, é o que penso.

 

Era crítico, também. Muito crítico. Chegava a ser engraçado ouvi-lo durante os almoços de domingo em família quando comentava sobre colegas de profissão, textos mal-escritos e o abuso do lugar-comum no discurso jornalístico. Ele próprio se divertia com esse jeito. Depois de uma sequência de broncas dirigidas às redações, se voltava para mim e dizia: “Miltinho, bom mesmo só nós dois”. Caíamos os dois em gargalhada.

 

Mesmo que costumasse maldizer o jornalismo me apoiou na decisão de seguir a carreira e ganhei dele de presente o livro que marcou minha caminhada e guardo até hoje: a Regra do Jogo, de Cláudio Abramo. Tentou me levar para Florianópolis quando do lançamento do Diário Catarinense, ideia frustrada por um desentendimento familiar. Se não fui para Santa Cataria acabei anos depois em São Paulo e foi uma troca de cartas com ele —- sim, escrevi muitas cartas na minha vida —- que me fortaleceu para ficar por aqui, quando eu mesmo questionava minha capacidade de trabalhar na capital paulista.

 

As histórias vividas com o tio Tito voltaram à mente semana passada quando soube que o Movimento de Justiça e Direitos Humanos havia lhe concedido in memorian o primeiro lugar, na categoria crônica, do 36º Prêmio de Jornalismo, que permite a inscrição de textos que não foram publicados devido à censura. “Voos da Morte” foi escrito em 1985, época em que Tito trabalhava na sucursal do jornal O Globo, e resultado de reportagem investigativa que confirmou que dois cadáveres encontrados durante o fenômeno que ficou conhecido por Maré Vermelha do Hermenegildo, no Rio Grande do Sul, em 1978, eram vítimas da ditadura argentina.

 

A Maré Vermelha é bastante conhecida entre os gaúchos, ao menos os mais vividos, dela pouco se conseguiu esclarecer e as mais variadas versões persistem até hoje. Dos crimes da Ditadura —- seja na Argentina seja no Brasil —- muito se contou até agora, mas se sabe que outro tanto morreu juntamente com suas vítimas. A reportagem escrita pelo jornalista Tito Tajes, meu tio, e jamais publicada é oportunidade para refletirmos sobre os riscos que corremos diante de uma gente que constantemente ameaça a paciência e a consciência do cidadão brasileiro com declarações que flertam com o autoritarismo e põem em risco a Democracia.

 

Por curioso que pareça, esta é a primeira vez que li um texto escrito pelo tio. Cada linha, cada frase construída e cada descrição dos fatos revelados em “Voos da Morte” serviram para redesenhar na minha imaginação a figura daquele cara com expressão de curioso e olhar de desconfiado, que vestia uma roupa pouco cuidada e nas mãos levava um bloco de anotações e uma caneta. A cara do jornalista. A cara do Tito.