Sua Marca: não seja refém dos algoritmos

 

 

“Marcas que se apoiam em estratégias criadas com algoritmos não podem ser reféns do passado” —- Jaime Troiano

O uso de algoritmos, a identificação dos hábitos e o armazenamento de dados do consumidor podem se transformar em armadilhas para os gestores de marcas, levando-os a repetir sempre as mesmas estratégias e limitando a possibilidade de se oferecer novos produtos e serviços. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo em conversa com o jornalista Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.
 

 

Cecília concorda com a ideia de que nossas histórias e hábitos criam trilhas que costumamos percorrer e, portanto, olhar pelo espelho retrovisor pode ser um farol do futuro. Mas é preciso ter visão para que novos caminhos sejam abertos e o consumidor tenha a possibilidade de conquistar algo que ainda não tenha imaginado:

“O papel do algoritmo é importante mas precisamos deixar uma janela aberta para projetar a inovação”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

 

Conte Sua História de São Paulo: estudei na faculdade em que vendi tapioca

 

Por Silas Nunes Souza
Ouvinte CBN

 

 

Nasci em 1990, na cidade de Itabuna, ao sul da Bahia. De lá, fomos para Formosa do Rio Preto, onde meus pais venderam roupas em barracas na feira da cidade. Pouco tempo depois, tivemos de mudar para um vilarejo, fomos morar de favor com minha avó. Meu pai sofria de depressão, as dificuldades financeiras se acumulavam e minha mãe decidiu buscar ajuda médica em São Paulo. Eu fiquei com algumas pendências para resolver na Bahia. Só pude me juntar a eles, em dezembro de 2005.

 

Foi uma alegria enorme reencontrar a família, que, neste momento, já havia alugado um cômodo no Capão Redondo. Com 15 anos, distribui currículos e consegui o primeiro trabalho com um morador do bairro. Eu ajudava nas vendas de tapioca em frente a uma universidade, na Chácara Santo Antônio. Ainda no ensino médio, eu falei para mim mesmo que um dia estudaria naquela Universidade.

 

Um ano depois, pela graça de Deus, comecei a trabalhar em meu primeiro emprego registrado – uma grande empresa de material para construção. Naquele momento nossa vida começou a mudar: alugamos uma casa maior; meu pai havia melhorado da depressão e trabalhava como vendedor ambulante; e minha mãe vendia as miudezas para clientela dela.

 

Nos deparamos com a oportunidade de comprar um terreno, com parcelas baixas que caberiam em nosso orçamento. Porém, devido a entrada que pagamos, tínhamos apenas um cartão de crédito com R$ 500,00 de limite. Fomos a uma loja de material de construção para comprar algumas coisas e iniciar um cômodo. Ao fim da compra, tudo custo R$ 1.500,00. Tínhamos mais fé do que dinheiro. Passamos o cartão assim mesmo, e por incrível que pareça, o valor foi aceito. Um grupo de pessoas que não nos conhecia se ofereceu para nos ajudar a erguer a casa, recebemos doações de amigos e familiares para compra de mais materiais e em incríveis 14 dias estávamos mudando para nossa casinha, ainda mal-acabada. Entramos orando, chorando e agradecendo a benção de Deus em nossas vidas.

 

De um emprego a outro, arrumei dinheiro para pagar minha faculdade. E me matriculei na mesma Universidade que um dia havia trabalhado na porta. Orei a Deus para que me ajudasse na mensalidade do curso, e Deus mais uma vez me respondeu: os dois últimos anos da faculdade e mais seis meses da minha pós-graduação foram pagos pela empresa na qual trabalhava.

 

Em 2015, conheci um projeto cristão de voluntariado no sul da Inglaterra, no qual não precisaria pagar pela hospedagem nem pela alimentação. Passei no processo seletivo e em março de 2016 embarquei, onde fui recepcionado por um grupo de sete brasileiros, todos falando inglês e se apresentando como se fossem de outros países. A única que não me enganou foi uma morena formosa que disse ser francesa. Mas pelo sotaque, logo descobri que era uma nordestina arretada. Com um pouco mais de conversa, descobrimos que tínhamos muito mais em comum: a idade, a profissão e, pasmem, ela também havia nascido em Itabuna. O resultado disso tudo, estamos noivos.

 

De volta para o Brasil, estou agora em uma empresa fantástica, o Grupo Gaia, que a cada dia me surpreende com seus valores. Muitas coisas aconteceram em minha vida, a maioria destas aqui em São Paulo. Nem sempre eu entendia ou sabia o porquê. Mas acredite existe um propósito para tudo nessa vida. No mais, eu sigo sonhando e crendo que tudo é possível. Sonhar é viver para ver!

 

Silas Nunes Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Dados inéditos da Black Friday mostram consumidor mais crítico e centrado na reputação de lojas e produtos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As avaliações feitas e divulgadas nas compras dos serviços e produtos (reviews) pelos consumidores têm contribuído para o aumento da credibilidade do e-commerce e da Black Friday.

 

A Yourviews, empresa do Grupo Hi Platform, especializada em desenvolvimento de resultados para o e-commerce, tem acompanhado o desempenho da ferramenta de avaliação de compras de produtos e lojas por ocasião da Black Friday.

 

Fernando Shine, CEO da Yourviews, nos antecipou os primeiros dados referentes a recente Black Friday.

 

Baseada na operação de e-commerce, dos 600 clientes da sua empresa, que inclui mais da metade dos 50 maiores e-commerces do Brasil, fica claro que os
consumidores estão mais críticos, pois aumentaram as consultas aos depoimentos de compras de produtos e lojas.

 

Shine aponta também uma tendência em postura mais centrada na reputação dos produtos e da loja e na experiência de compra do que somente no preço. Além disso, uma disposição a compartilhar percepções enaltecendo as positivas.

 

Ao mesmo tempo as marcas mais famosas e de produtos mais valorizados, como joalherias, shoppings e motos, recebem mais avaliações, ao contrário, por exemplo, do setor da construção e o odontológico.

 

Sobre o aspecto quantitativo, foram feitas 24,7 milhões de leituras de avaliações, neste novembro de 2019, contra apenas 12 milhões de leituras, em novembro de 2018 — havendo, portanto, crescimento maior do que o dobro.

 

Nos dias 28 e 29 de novembro de 2019 tivemos 1,4 milhão de leituras de avaliação, contra 1 milhão nos mesmos dias de 2018.

 

Para usufruir melhor dos reviews, que gradativamente têm aumentado em quantidade e qualidade, Shine recomenda

Aos consumidores,

 

Após verificar produto e preço, pesquise sobre o que outros consumidores dizem sobre a qualidade do produto, a entrega, o atendimento.
Estabeleça um filtro para buscar similaridade com as suas necessidades.
Verifique se a empresa considera os comentários.
Não esqueça de apresentar também a sua avaliação.

 

Aos dirigentes de e-commerce,

 

Construa um ambiente para acesso fácil e ágil para a leitura das avaliações.
Organize o campo de reviews de acordo com o perfil psicográfico do consumidor.
Nunca desconsidere nenhuma avaliação, as trate como meios fundamentais para a melhoria de produtos e serviços.
Tenha um responsável por acompanhar e responder as demandas dos consumidores — a interação é fundamental.
Disponibilize na página principal de sua loja os canais de contato: telefone, e-mail, chat, Chatbot ou aplicativo de mensagem.

De outro lado, vale ressaltar também que os rankings apresentados sobre as marcas com maior número de reclamações precisam ter a relação com o volume de atendimentos. Sem a relatividade, os números absolutos não servem para análise.

 

Finalmente e felizmente esses números refletem uma tendência de empoderamento do consumidor para colocá-lo gradativa e efetivamente no centro do sistema.

 

Os produtos e lojas que se cuidem.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: o propósito está na origem da sua empresa

 

 

“O propósito é algo que conecta o passado com a vivência do presente e ilumina o projeto de futuro” —- Cecília Russo

Marcas e pessoas têm discutido como nunca a necessidade de encontrar o seu propósito, pois descobriram que essa resposta tem o poder de engajar profissionais, reter novos talentos e impactar o cliente. No entanto, muitas organizações erram ao tentar criar em lugar de escavar na sua história o seu verdadeiro propósito. Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sugerem que as empresas busquem o propósito na origem e nos sonhos do fundador.

 

“O propósito não é o perfume que se coloca em uma flor, é a fragrância que nasce dela própria”, descreve Troiano. Ele comenta que é preciso muito cuidado para não se confundir esse conceito com a missão, a visão e os valores de uma empresa. E explica: a missão é aquilo que nós sabemos fazer bem, a visão é para onde vamos e o valor é o que nos pauta no dia a dia.

 

Frase secular de Aristoteles diz que nossa razão de ser é encontrada no momento em que as autênticas qualidades de uma pessoa se cruzam com as necessidades do mundo. Isso, por exemplo, é o que tem movido as novas gerações que abrem mão de uma série de vantagens e às vezes até de uma remuneração maior para trabalhar em empresas com as quais se identificam e acreditam que podem transformar a sociedade positivamente.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung, com os comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo, e vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: sem jamais perder a alegria de jogar bola

 

Goiás 3×2 Grêmio
Brasileiro — Serra Dourada, Goiânia/GO

 

Gremio x Goias

A gurizada se diverte em campo, em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

Foi divertido, não foi?
Eu achei.

 

Sabia que era jogo sem pretensões. A classificação para chegar pela porta da frente da Libertadores estava garantida há algumas rodadas e a posição final na tabela era apenas uma questão de ajustes —- e de alguns milhões de reais a mais, também.

 

Os titulares tiraram férias mais cedo — nem Renato apareceu — e deixaram o jogo final para gurizada da base. Em campo, a média de idade era pouco acima dos 20 anos. Uma turma que foi jogar bola como se tivesse descendo na quadra do prédio ou no campinho do bairro. Para se divertir.

 

E a gurizada não fez feio, não.

 

Ferreirinha —- que seja logo chamado de Ferreira —, então, jogou como gente grande mais uma vez. Na estreia, no meio da semana já havia marcado um gol. Hoje, deu assistência para os dois e só não saiu consagrado por um detalhe —- a bola final da partida bateu no travessão quando bem que poderia premiá-lo seguindo o caminho das redes. Ele merecia.

 

No primeiro tempo, colocou seus marcadores no bolso pelo lado direito. Na primeira disparada, foi para dentro da área, dominando a bola e driblando com velocidade. E serviu Patrick que voltou a marcar com a camisa do Grêmio —. esse guri sempre que entra me lembra aqueles moleques de rua que jogam pelo prazer de jogar.

 

Na segunda arrancada, Ferreirinha voltou a driblar com talento e encontrou Isaque no meio dos zagueiros. E seu colega de ataque não deixou por menos. De letra. Sim, de letra. Sem vergonha de arriscar, marcou o primeiro gol dele no time titular…

 

Isaque é grandão e tem presença na área. Joga tranquilo mesmo acossado pelos zagueiros, e surge sempre bem colocado. Deixou a impressão de que logo, logo pode ser o centroavante que nos fez falta durante toda a temporada.

 

Ao fim e ao cabo, vimos uma série de jovens talentos pedindo passagem. Muitos ainda precisando ser mais bem trabalhados no vestiário, sendo lançados aos poucos ao lado dos titulares e ganhando a maturidade necessária para assumir as grandes responsabilidades que teremos em 2020. E Renato sabe bem como fazer isso.

 

Meu desejo é  que todos eles —- e é o que peço ao bom deus do futebol neste fim de ano —- jamais percam essa felicidade de jogar bola. Vê-los em campo me fez sorrir, também.

Conte Sua História de São Paulo: morar aqui era minha vocação

 

Por José Freitas
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci no interior do estado de Goiás. Minha cidade tinha cerca de 50 mil habitantes. Vivi até os meus 19 anos neste lugar repleto de beleza natural e vida saudável. Principalmente, por conta do aconchego da família, dos muitos amigos e da vida em comunidade.

 

Trabalhei, e aprendi a trabalhar, desde pequeno com meu pai e treinador. Antes de finalizar meus estudos tive a honra de conhecer São Paulo. Aquele lugar misterioso e muito distante, que em meu imaginário construído pelos noticiários de televisão, era um mundo de assaltos, violência e muita correria.  

 

Depois de mais de 20 horas de viagem de ônibus chegamos a Campinas para a formatura do meu irmão mais velho. Ele, meu pai, e eu viemos até São Paulo de trem. Chegamos à famosa estação da Luz. Depois descemos de ônibus as curvas da Serra do Mar realizando o sonho de todo interiorano: conhecer o mar! Mas não era qualquer mar, era o mar e as praias do Guarujá. E, eu nem sonhava o quanto, de fato, era um lugar tão especial.  

 

No auge dos meus 16 anos, foi um primeiro contato que marcou minha vida. E, bem mais do que eu tinha consciência. Isso foi em Dezembro de 1981.

 

Quatro anos depois, em 1985, eu desembarquei sozinho no Terminal Rodoviário Tietê. Com certeza, impressionado e um tanto assustado com tanta gente num mesmo lugar. Morei por algum tempo em Atibaia, mas vinha a São Paulo regularmente sem imaginar que aqui um dia seria a minha casa.

 

Mas foi em 1988 que de fato tive que vir morar em São Paulo. E durante estes mais de 30 anos tenho aprendido a gostar e admirar o que chamo hoje de minha casa, pois afinal, eu já vivi mais tempo aqui do que em qualquer outro lugar.  

 

Aqui em São Paulo, especialmente na Zona Sul, eu fiz a minha formação universitária. Conheci minha esposa, uma paulista paulistana com quem me casei, e com quem nestes 24 anos construí uma família com nossas duas lindas filhas (hoje, duas universitárias com 18 e 20 anos). Também aqui em São Paulo Deus me deu a oportunidade de fazer minha uma carreira profissional/ministerial.  

 

Vim morar em São Paulo não exatamente por preferência, mas por vocação. Descobri ao longo dos anos que há sim assaltos e violência, especialmente, quando roubaram minha moto na porta de minha casa no Brooklin, e outra vez nosso carro, em frente a casa de um amigo no Campo Belo. Mas seguramente essas foram raras experiências nestes muitos abençoados anos que aqui vivi.  E mais, apesar de goiano, com fama de sossegado, sabe que até aprendi a gostar da correria!  

 

Hoje, de fato, eu amo São Paulo. Não sei se aprenderia viver em qualquer cidade do mundo. Meu trabalho permitiu que eu conhecesse belas e grandes cidades: Santiago, Buenos Aires, Madrid, Porto, Cleveland, Orlando, Dubai, São Petersburgo, Hong Kong, Tóquio. Mas sem medo de errar, nenhuma delas se compara a São Paulo! É minha opinião.

 

Hoje sou professor e pastor de uma pequena igreja perto do Aeroporto de Congonhas e moro no Jabaquara. Também posso dizer, sem sobras de dúvidas, amo servir minha cidade. Espero que a comunidade que eu lidero siga o meu exemplo orando e servindo as pessoas da nossa cidade. Com certeza, por tudo que ela nos proporcionou, e continua a nos oferecer, São Paulo não só precisa, ela merece o nosso amor e cuidado.

 

Parabéns São Paulo!  

 

José Freitas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva sua história da nossa cidade e envie para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: novo CEO da Ambev quer empresa mais aberta e colaborativa

 

“Você não consegue inovar se você não colaborar, se você não se abrir para fornecedores, para clientes, para gente que está inovando — a inovação não necessariamente vem só de dentro, a gente resolve problemas complexos colaborando. Você chama fornecedores, você fala do problema, você investe junto, você tenta resolver” —- Jean Jereissati, CEO da Ambev

A necessidade de abrir a empresa para a inovação e criar um ambiente colaborativo em que o cliente tenha maior participação está entre os desafios do novo CEO da Ambev, Jean Jereissati. O executivo disse que é momento de o grupo mudar o seu olhar que por muito tempo esteve direcionado para o seu próprio crescimento e isso teria provocado um distanciamento na relação com o seu consumidor.

“Eu quero trazer essa visão de abertura e colaboração para a companhia como um todo, promover nossa capacidade de inovar e dar um salto tecnológico”

Jereissati assume o cargo oficialmente em janeiro, mas já está no grupo há pouco mais de 20 anos, foi para o exterior, trabalhou por quatro anos na China, voltou em 2019 e ocupa a diretoria de vendas e marketing. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, o empresário disse que no ano passado 5% do faturamento do grupo vieram de produtos que não existiam há dois anos, e conforme dados de setembro, este índice já chegou a 13%, neste ano — o que ele define como sendo um crescimento em ritmo chinês:

“Se você quer mudar uma companhia para ela começar inovar essa agenda tem de vir do CEO, essa agenda tem de vir do topo”

Na entrevista, Jereissati também falou do perfil de profissionais que a empresa busca, das oportunidades de carreira que existem no grupo e das expectativas de crescimento no setor nos próximos anos.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter @CBNoficial e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves.

 

Avalanche Tricolor: com todo o respeito e com o talento dos guris

 

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro — Arena Grêmio

 

Gremio x Cruzeiro

Pepê e Ferreira, a nova geração em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Havia pouco a ganhar na partida desta noite, em Porto Alegre. Nosso destino já estava traçado quando entramos na Arena. Em 2020, mais uma vez estaremos na Libertadores da América — a 12ª vez no século e a 20ª na história — e, novamente, pela porta da frente. Os três pontos diante de um adversário desesperado eram previstos. E, provavelmente, viriam com naturalidade. Sem muito esforço. Com calma, toque de bola — mesmo que alguns desses toques sem a precisão com a qual nos acostumamos — e um pouco de pressão, alcançaríamos a vitória.

 

O destino porém quis nos mandar um recado. Um feliz recado. Mostrar que mais importante do que a vitória era comemorar o futuro do Grêmio que se apresentava em campo.

 

Renato já havia iniciado a partida com um dos nossos talentos emergentes, Pepê, que está com 22 anos e fez uma temporada incrível com gols em momentos decisivos. Um atacante que está pronto para ser titular ao lado ou —- dependendo o que acontecer — no lugar de Everton, o “veterano” de 23 anos, considerado o melhor jogador em atividade no Brasil.

 

Nosso guri Pepê foi quem deu a arrancada para a vitória, levando a bola pelo lado esquerdo e enxergando um companheiro livre do outro lado da área. Quem apareceu por lá foi Ferreira, ou Ferreirinha, ou Aldemir Ferreira —- seu nome ainda será melhor escolhido no ano que vem —- que entrou no segundo tempo e demorou pouco para ratificar sua fama de goleador, construída nos times de base: aos 21 anos marcou seu primeiro gol com a camisa profissional do Grêmio. Ainda deu drible, chapéu e nova dinâmica a um ataque que estava acomodado frente à apatia do adversário.

 

O mesmo Pepê nos encaminhou à vitória definitiva ao driblar, cair e voltar a driblar marcadores desnorteados com sua velocidade. Ele passou por quatro até ser derrubado dentro da área e conquistar o direito de cobrar o pênalti e se estabelecer como um dos principais goleadores da temporada, mesmo ainda não tendo ganhado o crachá de titular.

 

Além de Pepê e Ferreira, ainda tivemos o privilégio de assistir aos primeiros passos de Isaque, também com 22 anos, e rever Patrick, com 21 e jeito de moleque. Todos esses jovens comandados no meio de campo por outro que amadureceu mais cedo do que eles, mas divide a mesma idade: Matheus Henrique apesar de jogar como um “senhor volante”, não esqueça, caro e raro leitor desta Avalanche, tem apenas 22 anos.

 

O futuro do Grêmio se apresentou na Arena nesta noite de quinta-feira. E ouviu das arquibancadas uma mensagem bastante positiva quando nossos torcedores, no segundo tempo, aplaudiram a entrada de Pedro Rocha no time adversário e, ao fim, gritaram o nome de Edílson —  a mensagem de que aqueles que se dedicarem à camisa tricolor serão respeitados para todo e sempre.

A tristeza que se expressa nas mortes da Paraisópolis

 

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Foi triste a segunda-feira. Uma extensão da tristeza de domingo quando as informações da morte de jovens em uma festa na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo começaram a chegar. A segunda foi ainda mais triste porque a morte deflagrou uma série de comentários absurdos, desrespeitosos e desumanos. E essas reações me entristecem porque revelam como está partida a nossa cidade. A nossa sociedade.

 

Há duas versões sendo apresentadas.

 

A polícia diz que foi atacada por uma dupla que estava em uma moto, que fugiu em direção a festa e aproveitou-se do aglomerado de pessoas para transformá-las em escudos humanos. A equipe da Força Tática, que foi reforçar a ação, chegou no local e foi agredida com pedradas e garrafadas. Nenhum policial fez disparos com arma de fogo. Usaram apenas munições químicas para dispersão.

 

Os frequentadores do baile disseram que os policias bloquearam as duas saídas do local. Houve correria. A polícia disparou com armas de fogo e bala de borracha. Arremessou bombas de gás e usou sprays de pimenta contra a multidão. Agrediram com garrafadas, cassetetes, pontapés e tapas pessoas já imobilizadas.

 

É bem possível que as duas tenham vestígios da realidade. Somente a investigação será capaz de descobrir. Mas teríamos de acreditar no rigor desse trabalho.

 

O incontestável, no meu entender, é que a tentativa de dispersão das três mil pessoas que participavam no Baile da 17, seja pelo motivo que for, foi um descalabro. E a Polícia Militar tinha obrigação de saber disso.

 

As polícias militar e civil, assim como as forças de segurança pública constituídas, têm o privilégio da força e da violência, garantido e observado pela Constituição. E por tê-lo precisam agir, acima de tudo, com responsabilidade, prudência e inteligência. Jamais podem extrapolar esse direito sob o risco do descontrole social.

 

Ao mesmo tempo, transformar em criminosos todos os frequentadores do baile funk, que desde o início dos anos 2.000 se realiza naquele espaço ao ar livre, levando multidões aos fins de semana, é uma demência que expressa bem como estamos socialmente doentes. Ideia que se fortalece quando tentam relativizar as mortes como muitos buscaram fazer enquanto questionavam a existência desses eventos e a presença da juventude naquele local — como se proibir qualquer uma daquelas manifestações fosse o suficiente em regiões onde a única ação do Estado, quando existe, é a da polícia.

 

Querer que se apure e se puna os responsáveis é o mínimo, diante dessa situação. Não parece, porém, que haja muita gente interessada em encontrar a resposta certa. Pois todos querem apenas confirmar suas convicções. Garantir sua razão. Apontar o dedo e repetir: “eu avisei!”. E jogar a culpa para o lado de lá.