Um abraço que salva vidas

 

 

Uma tragédia estava prestes a ocorrer. O jovem de 18 anos, ex-aluno, entra na escola com uma espingarda nas mãos. Aparentemente, a intenção dele era se matar. Diante da cena, estudantes saem em fuga pelos corredores, desesperados. Uma das câmeras de segurança registra o momento em que o técnico de futebol da escola já havia tomado a espingarda das mãos do jovem e lhe oferece um abraço. Assim, abraçados, os dois se movem pelo corredor da escola. E uma vida, ao menos uma, é salva.

 

O fato ocorreu em maio deste ano, no interior da escola de Parkerose, em Portland, no estado americano de Oregon. O vídeo somente foi divulgado há alguns dias. Os dois personagens que aparecem em destaque são o jovem Angel Granado-Diaz e o treinador Keanon Lowe.

 

“Eu só queria que ele soubesse que eu estava lá. Eu disse a ele que estava lá para salvá-lo. Eu estava lá por uma razão e que essa é uma vida que vale a pena ser vivida”, disse Lowe em entrevista.

 

Quantos dos jovens que conhecemos — assim como Granado-Diaz —, tudo que esperam é um abraço para salvá-los da tristeza, da depressão, do desalento, de distúrbios que, na maior parte das vezes, são silenciosos mas não invisíveis. Jovens que nós pais nem sempre somos capazes de perceber que precisavam de uma porta aberta para contar sua angústia e compartilhar seus desejos. Uma porta que fechamos quando não encontramos tempo para conversar com eles — afinal temos que trabalhar muito para darmos a eles o direito de viver um pouco melhor (que contradição, não é mesmo?). Uma porta que fechamos quando nos fechamos em torno de nossas prioridades e problemas. Que trancamos, sempre que consideramos suas lamúrias coisa de adolescente — o tempo resolve, costumamos dizer.

 

Em seu comentário desta terça-feira, no quadro Rio + Limpo, que vai ao ar às 8h50, no CBN Rio, meu colega André Trigueiro falou do tema, baseado na repercussão da cena flagrada no Oregon. Alertou para o fato de as escolas também estarem preparadas para acolher esses meninos e meninas, criarem canais de comunicação, promoverem campanhas informativas e colocarem pessoas capacitadas a escutar os adolescentes.

 

Trigueiro contou a experiência da UERJ — Universidade do Estado do Rio de Janeiro —- que por ser um espaço acessível ao público foi cenário de suicídios de muitos jovens ao longo do tempo até que decidiu assumir a responsabilidade de mudar este quadro. Criou uma disciplina de arquitetura protetiva, orientou os guardas patrimoniais a perceberem movimentações suspeitas, levou os voluntários do CVV —- Centro de Valorização da Vida para suas dependências e faz campanhas com mensagens espalhadas no campi.

 

Diante do fato de que os jovens estão tomando atitudes extremas cada vez mais jovens, estratégias como a da UERJ e de outras instituições educacionais precisam ser estendidas a todas as escolas e centros de convivência dos adolescentes. Ter gente preparada para ouvir sem julgar, apenas com a intenção de acolher, identificar o problema, orientar com palavras ou direcionar a profissionais especializados: “ter alguém disponível para ofertar uma escuta atenciosa e amorosa”, disse Trigueiro. Alguém para nos dar um abraço — como isso faz falta na nossa vida.

 

Como economistas que ganharam Nobel encontram respostas para combater a pobreza

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

eco-banerjee-duflo-kremer-3_2-992x656

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer

 

O momento mundial em que os movimentos políticos refletem posições direitistas e os números apontam para o crescimento das diferenças socioeconômicas, onde os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres, o Nobel premiou a Economia do Desenvolvimento. E obteve excepcional difusão — inclusive neste espaço, pois na segunda-feira passada, Mílton Jung conversou com Miriam Leitão, e na quarta-feira entrevistou a Diretora do Laboratório de Ação Contra a Pobreza J-PAL para a América Latina do MIT, Paula Pedro, sobre essa premiação.

 

A área econômica que abrange a pobreza aliada a presença da segunda mulher premiada acumular o fato de ser a pessoa mais jovem a receber o Nobel explicam em parte a extraordinária repercussão que obteve. A outra parte é devido ao sucesso do trabalho realizado para indicar as melhores práticas na diminuição da pobreza, através de métodos de medições de campo, que se convencionou denominar de economia do desenvolvimento.

 

Se nos países mais pobres nos últimos 20 anos o PIB per capita dobrou, a mortalidade infantil caiu pela metade e 80% das crianças frequentam a escola, em contrapartida, ainda 700 milhões de pessoas vivem com rendimento abaixo do suportável, cinco milhões de crianças morrem antes dos cinco anos de idade, e metade das crianças do mundo saem da escola sem alfabetização suficiente e aritmética necessária.

 

Com perguntas simples no campo experimental projetado, focando em grupos ou individualmente, esses economistas desvendaram informações suficientes para melhorar a aplicação dos recursos escassos existentes.

 

Por exemplo, num estudo de campo se descobriu que a redução de alunos por professor não teve mudança no resultado dos estudantes. Entretanto, se a contratação do professor era por período ao invés de permanente o resultado mudou para melhor.

 

Ao focar atenção nos alunos fracos houve significativa melhora nos resultados, e este método foi aplicado em mais de 100 mil escolas na Índia.

 

A inadequação entre os currículos e o ensino que não correspondem às necessidades dos alunos foi um dos fatores geradores do absenteísmo de alunos e professores.

 

Na área da saúde, um medicamento de desparasitação para infecções parasitárias foi oferecido de graça e 75% dos pais aplicaram em seus filhos. Quando se cobrou 1 dólar apenas 18% o fizeram. Foram feitos experimentos similares que obtiveram a mesma resposta, concluindo-se que as pessoas pobres não respondem ao preventivo na saúde.

 

Através de pesquisa na vacinação, se descobriu que a qualidade do serviço e a disponibilidade contribuem para a baixa atenção das pessoas pobres à saúde. Ao disponibilizar equipes volantes e atenciosas em um experimento de campo a taxa de vacinação subiu de 6% para 18%. Subiu para 39% quando ofereceram um saco de lentilha para vacinarem os filhos. Como se vê, surge aqui um problema pois 61% ficam sem vacina.

 

Em virtude do viés presente, que faz as pessoas pobres postergarem investimento para o futuro em função de racionalidade limitada, a OMS recomendou a distribuição gratuita a mais de 800 milhões de crianças em idade escolar do medicamento de desparasitação.

 

Em uma pesquisa sobre benefícios para o uso de fertilizantes se identificou que se tornam mais eficazes quando distribuídos de forma temporária, pois os de forma permanente vão perdendo eficácia.

 

Enfim, vale ressaltar que parte dessas pesquisas de campo podem ser aplicadas em outras regiões, o que confere ao sistema da economia do desenvolvimento um aspecto político importante. Ao mesmo tempo os investimentos futuros nessa área da economia do desenvolvimento deverão considerar a pesquisa de campo como uma importante ferramenta.

 

Como disse Miriam Leitão: “o comitê acertou em cheio na escolha desse prêmio”

 

Salve aos laureados:

Abhijit Banerjee, 57, MIT
Esther Duflo, 46, MIT
Michael Kremer, 54, Harvard

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: acabou o faz de conta

 

Fortaleza 2×1 Grêmio
Brasileiro — Arena Castelão, Fortaleza/CE

 

GRÊMIO x FORTALEZA

 

Lá se foram quase três semanas em que fizemos de conta que estávamos mesmo preocupados com o Campeonato Brasileiro. Comemoramos uma goleada, festejamos a aproximação do G4, desdenhamos de um empate e desgraçamos alguns dos nossos em duas derrotas. Criticamos bolas mal divididas, passes curtos demais, a demora para chegar na marcação e os gols desperdiçados. Cruzamos os dedos para que nenhuma lesão ocorresse e pedimos aos céus para que os lesionados se recuperassem.

 

Reclamamos do juiz e do VAR como se os erros deles mudassem nosso destino nesta temporada. Maldizemos os adversários apenas porque fizeram sua parte —- sem entender que eles não tem outra coisa a fazer neste ano do que jogar toda sua sorte e suor no Brasileiro.

 

Fizemos até projeções para a quarta-feira que vem com base no que assistimos em campo nesses dias todos —- como se não soubéssemos que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Arriscamos falar em mudança de posicionamento, troca de jogadores e experiências nunca antes experimentadas na esperança de que algo mágico seja capaz de nos garantir a classificação à final da Libertadores.

 

Passamos todo esse tempo entre uma decisão e outra com conversas diversionistas, enganando a si próprio, neste jogo de faz de conta apenas para disfarçar a tensão diante do que realmente nos interessa. E o que nos interessa é a Libertadores. É a decisão desse meio de semana que pode nos colocar em uma final inédita de jogo único, disputada em campo neutro contra um argentino qualquer que se capacite a chegar até lá, também.

 

Nada do que aconteceu nesses dias que se passaram foi suficientemente significativo para nos dar a resposta que buscamos e o resultado que almejamos. Acreditar que o intervalo entre as duas decisões seria definitivo é não entender a maneira de ser do Grêmio. Não lembrar do que já fomos capazes de fazer nesta mesma temporada.

 

Refresque sua memória. Pense nos prognósticos da fase de grupos da Libertadores quando emendamos um tropeço atrás do outro e muita gente já nos considerava carta fora do baralho. Em três jogos, apenas um ponto. Nos três seguintes, três vitórias e a classificação. Nas oitavas até que foi fácil, com um 5 a 0 contra o Libertad, no placar agregado. Nas quartas, porém, perdemos em casa, e na casa do adversário saímos atrás no placar.

 

Fizemos um primeiro jogo ruim na semifinal da Libertadores, em especial no primeiro tempo. E mesmo assim, chegamos vivos e fortes para a segunda partida, graças aquele gol aos 42 minutos do segundo tempo, de Pepê —- quando mais uma vez muita gente já previa o pior.

 

Nosso desempenho até aqui não nos dá nenhuma garantia de que seremos competentes a ponto de superar nosso adversário e sua torcida. Assim como nossos resultados até agora não dão a ninguém o direito de desmerecer nossa capacidade. Quem quiser arriscar qualquer palpite que o faça por sua conta e risco. De minha parte, estarei onde sempre estive nesse tempo todo: torcendo pelo Grêmio, sempre, em qualquer circunstância e diante de qualquer adversidade! 

Conte Sua História de São Paulo: na pensão da Dona Nair

 

Por João Fernando A. Palomo
Ouvinte da CBN

 

 

Vivi em São Paulo, em 1978. Estudava na Avenida Paulista, em um cursinho famoso da época e morava na Brigadeiro Luis Antonio, numa pensão para estudantes de uma senhora chamada Dona Nair. No fim daquele ano, passei na faculdade, em Campinas, e abandonei a capital. Formado voltei para Santa Cruz, minha cidade natal. Mas nunca esqueci de São Paulo

 

São Paulo consegue ser grande e mesmo assim nos permite encontrar coisas de cidade pequena. Ao lado da pensão onde morava tinha uma loja de velas, que achávamos que era para macumba.Um dia, eu e meus colegas, fomos conversar com a Dona Doraci e ficamos amigos dela. Conversávamos de tudo. Até de futebol ela passou a entender de tanto que eu deixava “A Gazeta Esportiva”no balcão da loja —- isso depois de passar por lá no fim da tarde, ler todo o jornal, bater um papo com ela e voltar para a pensão. Coisa de interior numa cidade grande!

 

O tempo se foi, eu casei, tive filhos e, depois que cursaram a faculdade em outra cidade do interior, não é que eles foram trabalhar em São Paulo? Primeiro a filha. Depois o filho. Claro que voltei a frequentar a cidade novamente. Ao menos uma vez por mês visitava os filhos e aproveita para viver um pouco da múltipla e agradável vida que São Paulo proporciona.

 

“Pai, durante a semana não é assim” — alertava meu filho que trabalha hoje próximo do Shopping Morumbi e mora na Berrini.

 

“Pai, o trânsito hoje tá bem tranquilo” — comentava a filha em pleno sábado querendo dizer que durante a semana era bem pior.

 

Mas voltariam para São João?

 

Não, claro que não, dizem os dois, ambos perfeitamente integrados no cotidiano de São Paulo. Minha filha casou-se com um paulistano e desde que foi para São Paulo sempre trabalhou, ainda que já trocado de empresa por duas vezes. Meu filho também trocou uma vez, mas igualmente nunca ficou desempregado.

 

São Paulo, que eu já amava tanto, me deu mais motivos para continuar apaixonado pela cidade: acolheu meus filhos. E como não gostar de quem recebe os filhos da gente de forma tão carinhosa?

 

João Fernando Alves Palomo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também mais um capítulo da nossa cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Vitor Magnani dá dicas para quem quer abrir uma startup

 

 

“O que tem de diferente das startups para as empresas mais tradicionais é o foco no problema, não necessariamente em replicar o modelo que já existe para obter lucro. Então, um dos erros é esse, você não ter esse foco para dar os primeiros passos nessa startup” —- Victor Magnani, ABO2O

Dedicar-se integralmente no negócio e identificar com clareza qual o problema que pretende solucionar são ações fundamentais para quem pretende lançar uma startup. Além disso, é preciso ter uma rede de relacionamento capaz de agregar bons sócios e colaboradores, montar um time complementar e buscar os mentores corretos. Essas são algumas das muitas dicas que Vitor Magnani, da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), apresentou em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Magnani atuou no iFood e, hoje, está na Loggi, duas empresas que têm as características próprias da nova economia. Recentemente, escreveu o livro “O mundo (quase) secreto das startups — guia prático para criar uma empresa de sucesso” em parceria com a jornalista Caroline Marino. Ele é professor da FIA, ESPM e IED, e especialista em inovação:

“Inovação é combinar, seja assunto seja conhecimento —- um advogado, por exemplo, precisa sair do seu círculo de advocacia e absorver outros conhecimentos para quem sabe propor algo novo. É diferente de disrupção que é passar de um paradigma para outro —- por exemplo, nós não tínhamos serviço privado e individual de passageiros nas cidades e hoje essas empresas trazem uma mudança cultural”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) ou na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN ou domingo, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Hermínio Bernardo, Bianca Klirklevisque e Débora Gonçalves.

Invadiram minha conta no Spotify

 

music-on-your-smartphone-1796117_960_720

 

Ter um perfil invadido, independentemente do serviço, é sempre assustador. A primeira dúvida que surge é que tipo de informação o invasor pode obter. Seguida do medo de que esse decida usar seu perfil para qualquer outro tipo de irregularidade. Medo que potencializa diante da constatação de que sua vida digital é acessível e frágil.

 

Nos primórdios do Twitter sofri um ataque. Na época, não havia serviço no Brasil e fui salvo por uma cara chamado @Charles — em saga que relatei aqui no Blog. Recentemente, fui alertado pelo Instagram sobre tentativa de acesso ao meu perfil e identifiquei que o endereço era da Argentina — como o ataque não se concretizou, tudo foi resolvido com um “não reconheço esse acesso”.

 

Agora, quando a invasão é no Spotify? Qual seria a intenção do invasor? Conhecer sua playlist? Confirmar se sou mesmo fã do Molejo? Encher sua playlist de música sertaneja? Aparentemente, os dados de cartão de crédito estão protegidos.

 

Independentemente do que queiram e possam fazer na sua conta, a sensação é muito ruim. E foi o que percebi nessa quarta-feira quando recebi e-mail do próprio Spotify informando que o endereço eletrônico da minha conta havia sido modificado.

 

Se foi você quem fez, não se preocupe —— dizia na mensagem. Preocupei-me imediatamente, é claro.

 

Em seguida, toda a turma que estava cadastrada na conta família soube, também por e-mail, que tinham sido retirada do grupo. Ainda bem que ninguém aqui em casa é paranóico a ponto de achar que estava sendo excluído por qualquer desavença.

 

Antes de clicar em um link disponível no e-mail recebido —- vá que seja mais um golpe que o Thassius Veloso ainda não tenha me informado —-, testei minha conta no serviço e a invasão se confirmou. Não conseguia mais acessá-la através do meu login.

 

Como os links disponíveis não me levavam diretamente à dúvida que tinha, fiz a busca no Google: “invadiram minha conta no Spotify”. A busca me levou a página “Alguém invadiu minha conta”.

 

São feitos alguns pedidos de pouca utilidade como “redefina sua senha”ou “acesse a página da sua conta”. Impossível porque seu e-mail e senha foram modificados.

 

Para não perder tempo, caso você passe por essa situação, vá direto ao “Acesse o nosso formulário de contato”, mas não se assuste: um novo menu será oferecido sem esclarecer muito bem qual caminho seguir —- especialmente se você não teve calma para ler a primeira página de orientação.

 

Em uma série de tentativas e erros, dei os seguintes passos até encontrar uma solução:

1. Alguém invadiu minha conta
2. Selecione Login
3. Clique em “Não consigo entrar”
3. Escolha “Ainda preciso de ajuda”
4. Preencha o primeiro quadro com o tipo de assinatura
5. O segundo com seu nome
5. No terceiro, escreva que sua conta foi invadida
6. Clique em “Iniciar Bate-Papo”

 

Somente após essa caminhada pelo site, comecei a respirar, pois uma caixa de diálogo surgiu e consegui um atendimento pessoal. Para que a conta seja recuperada é preciso apresentar uma captura de tela do recibo de pagamento do Spotify, que costumamos receber por e-mail. Para achá-la, coloque na busca da sua caixa de correio: “recibo do Spotify”. Vale também a captura do extrato do banco ou do cartão de crédito, onde apareça o pagamento.

 

Foram 21 minutos entre o primeiro contato e a conclusão do caso. Pouco mais de uma hora, entre o alerta que chegou por e-mail, a busca das informações para recuperar a conta e a solução final.

 

Uma observação: o atendimento pelo chat foi claro e simpático. Valeu, Aline M!

 

Uma sugestão: colocar na primeira página do Spotify um ícone com o anúncio “SE SUA CONTA FOI INVADIDA ENTRE AQUI” ou algo do tipo “ESTOU AQUI PARA SALVAR VOCÊ”, porque na hora do susto a paciência é curta e o medo intenso — uma combinação explosiva que nos leva a não ler, não pensar e não saber o que fazer.

 

Uma dúvida (ou a mesma dúvida): por que alguém invade uma conta no Spotify?

Avalanche Tricolor: que seja passageira

 

Grêmio 0x1 Bahia
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Bahia

Luan em jogada de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Revés nunca é bom. Deixa a gente incomodado. Às vezes tira o humor. Em outras, deixa ensinamentos. Há derrotas que exigem mudanças. Há as que sinalizam caminhos. O importante é ter a dimensão certa de cada resultado que se alcança —- ou se deixa de alcançar. E tudo isso só vale a pena enfrentar se tivermos inteligência de entender a mensagem que está por trás do resultado.

 

Quero crer que a deste início de noite de quarta-feira foi para colocar o pé no chão, uma semana antes da decisão que realmente nos interessa.

 

A sequência de resultados estava sendo boa. As goleadas reafirmaram jogadores. A chegada no grupo da Libertadores demonstrou nossa capacidade —- e deixou uma válvula de escape para o restante da temporada. Mas antes que a confiança se transformasse em prepotência, o placar negativo se acendeu como sinal de alerta —- injusto, é verdade, mas um alerta.

 

Renato haverá de tirar proveito do que aconteceu na Arena, nesta vigésima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Sabe que vai precisar que cada um dos jogadores ofereça 110% de seu potencial, na quarta-feira que vem. E terá uma semana inteira para conversar com a defesa, ajustar seu posicionamento, fechar mais os espaços, calibrar os cruzamentos e dribles, e acelerar o passe e a movimentação dos jogadores do meio de campo para a frente.

 

A despeito do resultado, a única coisa que me preocupa é a cena de Luan deixando o gramado mancando e com cara de dor. Que seja passageira! E os próximos dias sejam suficientes para que ele se recupere. Como já escrevi, Luan é um avião pedindo passagem para decolar na hora certa. 

Assembleias aprovam projetos que aumentam custo do Estado

 

fm241586

 

Duas reportagens de O Globo que nos levam a pensar sobre o papel das Assembleias Legislativas e da necessidade de o cidadão acompanhar mais de perto o que acontece no legislativo estadual — e o municipal, também, apesar deste não ser o foco.

 

A primeira foi publicada com o título “Assembleias viram celeiros de leis que oneram cofres públicos e empresas”, no domingo, dia 13 de outubro:

A criatividade de deputados estaduais parece à prova dos rombos nas contas públicas e alheia à lenta recuperação da economia. Levantamento do GLOBO em assembleias de Rio, São Paulo e Minas Gerais e na Câmara do Distrito Federal encontrou dezenas de leis propostas desde 2017 que criam despesas para os já combalidos caixas estaduais sem atacar prioridades ou que geram excesso de regulação, elevando os custos das empresas e prejudicando o ambiente de negócios.

Leia a reportagem completa aqui

 

A segunda reportagem — que chamamos no jornalismo de suíte — foi publicada com o título “Especialistas afirmam que assembleias precisam aprimorar processos”, no dia 15 de outubro. Além do link lá embaixo, reproduzo algumas opiniões de especialistas porque a reportagem é acessível apenas para assinantes do Jornal:

A concepção de projetos nas assembleias legislativas do país precisa mudar para conter o ímpeto de deputados estaduais de criar leis que oneram cofres públicos ou interferem no ambiente de negócios sem atacar prioridades, dizem especialistas.

Para Carlos Ari Sundfeld, professor da escola de Direito da FGV, o descolamento da realidade de muitos projetos nas assembleias resulta, em boa parte, da centralização das principais decisões políticas em Brasília.

— A população, de modo geral, ignora o motivo de uma assembleia legislativa existir. Por lei, uma assembleia deveria discutir orçamento e fiscalizar a máquina pública estadual

Miro Teixeira, que foi deputado federal por 11 mandatos e hoje atua como consultor legislativo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), atribui parte do problema ao fato de, no Brasil, a mera apresentação de projetos ser usada equivocadamente como parâmetro de qualidade da atuação parlamentar.

A reportagem completa está aqui.

Avalanche Tricolor: com cheirinho de Libertadores

 

Atlético MG 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência, BH/MG

 

48894573377_498f969048_c

Festa do segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em dez dias, o Grêmio decide vaga à final da Libertadores. E esse tem sido o assunto preferido de seus torcedores. Não há uma só conversa entre nós que não passe por previsões e expectativas para a partida que se realizará no Rio de Janeiro.

 

Hoje cedo, no passeio pela vizinhança, encontrei dois gremistas no caminho. O roteiro foi o mesmo. Cumprimenta um. Abraça o outro. Fala do tempo —- o calor dominical estava insuportável aqui em São Paulo. O mais gentil pergunta pela família. Mas é tudo subterfúgio. Papo periférico para chegar onde mais gostamos: “e a Libertadores, heim?!?”

 

Por curioso que seja, sequer comentamos sobre a partida que fecharia a rodada do Campeonato Brasileiro, neste domingo. O que não quer dizer que às sete da noite, eu e eles não estávamos diante da televisão para assistir ao Grêmio, em Belo Horizonte. Claro que sim. Até porque jogar bem, ganhar confiança, dar ritmo de jogo ajudam na preparação para a decisão sulamericana.

 

E Renato tem aproveitado bem esse intervalo entre os dois jogos.

 

Verdade que o time escalado hoje não contava com Kannemann, Matheus Henrique e Everton —- os três servem à seleção. Estava sem Jean Pyerre, que segue lesionado, Léo Moura que estava no banco, mas não arriscou sequer aquecer, e Tardelli que ficou de repouso. Por outro lado, se apresentava com Geromel, que dá sinais de total recuperação, Maicon, que faz uma baita diferença no nosso meio de campo, e Luan que parece ser um avião disposto a decolar novamente. Tivemos ainda a oportunidade de assistir a Paulo Victor fazendo defesas importantes, oferecendo segurança e enviando uma mensagem ao torcedor desconfiado: pode contar comigo.

 

Apesar das ausências, Renato levou a campo o esboço do que o Grêmio se propõe a ser independentemente do adversário que esteja enfrentando. Dono da bola, passes precisos, jogadores se movimentando para oferecer opção de jogada, dribles sempre que necessários e muita paciência para decidir cada lance no ataque. Na defesa, a ideia é marcar com intensidade, evitar as faltas, diminuir o espaço dos atacantes e reduzir os riscos de gol.

 

Sofremos mais do que deveríamos, mas soubemos resistir quando a pressão ocorreu —- e isso é um bom sinal. Nossa insistência no ataque foi premiada com um lance de sorte de Galhardo, pela direita, e um pênalti provocado pelo drible de Cortez, pela esquerda —- ou seja, nossos dois alas funcionando muito bem. Depois do revés no fim do primeiro tempo, a conversa de vestiário voltou a ajustar a equipe. E o Grêmio foi veloz para chegar ao terceiro gol com Pepê —- aquele mesmo guri atrevido que saiu do banco e nos colocou de volta à decisão da vaga à final da Libertadores. Deu tempo de marcar o quarto gol, desta vez pela esperteza de Alisson e Luciano, em uma cobrança de escanteio.

 

Com a segunda goleada em Belo Horizonte, neste campeonato, o Grêmio não apenas demonstrou que o time está mais ajeitado para a decisão que nos interessa, como também já está entre os seis primeiros do Brasileiro — o que nos permite sentir o cheirinho de Libertadores, mais uma vez.

 

Pelo visto, esse vai continuar sendo o nosso assunto preferido no ano que vem.

Conte Sua História de São Paulo: o sobrado em cima da Chapelaria Paulista

 

Por Thereza Harfman Müller
Ouvinte da CBN

 

 

Eu, me chamo Thereza Harfman Müller, estou atualmente com 87 anos. Como sou ouvinte da CBN, resolvi também narrar fatos marcantes da minha vida que passei no Centro da Capital.

 

Minha mãe trabalhava como diarista da casa do Dr. Angelo Del Olio, italiano, médico com consultório na rua Quintino Bocaiuva, em cima da Chapelaria Paulista — um sobrado grande daqueles bem antigos. Como uma vez quase o assaltaram durante à noite, ele ofereceu para minha mãe e para meu pai para morarmos lá.

 

Na frente, ficava a sala de espera, a sala de consulta e um banheiro. Do outro lado do corredor, nos fundos, nós tínhamos um dormitório grande, uma saleta, cozinha, área de serviço e banheiro. Da janela da sala de espera, dava para ver a Praça da Sé, através da rua Barão Paranapiacaba. Ali vi muitos desfiles das escolas nos dia sete de setembro e 15 de novembro. Vi desfiles dos carros no Carnaval, na avenida São João, e as corridas de São Silvestre que eram à noite.

 

Na rua Direita, existia uma loja dos “Dois Mil Reis”, que depois da guerra ficou como Lojas Americanas. Tinha também a Camisaria Alemã, que depois por causa da guerra passou a chamar Casa Kosmos, que na compra de uma camisa ganhava um colarinho extra. Também por causa da guerra, Dr Angelo e os outros comerciantes estrangeiros foram obrigados a encerrar os seus negócios e se mudarem do centro.

 

Nos dois anos que vivi no centro, estudava na escola Alemã, na Vila Mariana, que depois passou a chamar-se Escola Osvaldo Cruza. Tomava o bonde Santo Amaro no Largo São Francisco. Tinha passe escolar que a minha mãe comprava na Light And Power, na Praça Ramos de Azevedo.

 

Eu, minha mãe e às vezes meu pai, íamos no cinema. Na Praça da Sé, tinha o Cine Santa Helena; o Cine Recreio era na praça onde atualmente começa o Viaduto Brigadeiro Luiz Antonio — nesse cinema, lembro quando a minha mãe deu dinheiro para comprar os bilhetes de entrada e o bilheteiro falou que não tinha troco, então ela poderia voltar na semana que vem. Outra cena pitoresca foi no Cine Art Palacio, na Av. São João. Estava passando a Marca do Zorro. Eu não tinha ainda 12 anos, era muito pequenininha. Então, minha mãe dobrou um casaco sobre a poltrona para que pudesse sentar e ficar uma pouco mais alta, até enxergar a tela do cinema.

 

Só fomos embora de São Paulo quando dois anos depois o Dr Angelo fechou o consultório dele. Foi quando mudamos para São Caetano do Sul.

 

Thereza Harfman Müller é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br