Conte Sua História de São Paulo: Cambuci, o bairro onde nunca morei

 

Por Julio Araujo
Ouvinte da CBN

 

Minha relação com o Cambuci vem desde os meus avós que habitaram no bairro entre 1915 e 1948. Minha avó nasceu e foi criada no bairro num tempo em que a cidade de São Paulo era bem provinciana, há mais de 100 anos. Meu avô, de origem italiana, argentino de nascimento, foi sempre ligado ao comércio, teve caminhão de frutas, também foi “chofer de praça” num ponto do Largo do Cambuci. Foi também sócio de um mercadinho na Avenida Lins de Vasconcelos, no coração do bairro.

 

No Cambuci também nasceu, em 1925, minha mãe, na Rua Gama Cerqueira. Foi criada no bairro e só saiu quando se casou. Ela sempre contava histórias de lá, dos carnavais passados, da vida dura. Morou com a família também em outras ruas, sempre pagando aluguel.

 

Nos anos 1920, o bairro já era bem desenvolvido, devido à sua localização próxima ao centro da cidade.

 

Na década de 1950 apresentava características de bairro aristocrático, com ótima infraestrutura, ruas asfaltadas e muitas ainda com paralelepípedos. Havia a linha do bonde para o centro da cidade.

 

A minha primeira lembrança do bairro remete quando tinha 6 ou 7 anos. Era 1957, meu avô era sócio num mercadinho da Lins de Vasconcelos, próximo à Aclimação. Minha mãe me levava para visitá-lo e lá ele servia sanduíche e guaraná sem gelo. Durante muito tempo me intrigou o porquê de aquele refrigerante ter um gosto tão diferente. E a culpa era do fato de não estar gelado!

 

Quanto eu completei 11 anos, eu ia ajudá-lo no mercadinho e pude conhecer toda a redondeza, pois realizava entregas em domicílio. Eu percorria a Avenida Lacerda Franco, a própria Lins de Vasconcelos e as travessas do entorno. Numa dessas andanças, pela primeira vez entrei num prédio de apartamentos, o Edifício Ligia Maria. Fiquei assustado ao ver as pessoas morarem tão apertadas, aquelas unidades uma colada na outra. Eu fazia a entrega e ia embora.

 

Sempre ouvi que o primeiro mercado com sistema de auto-serviço foi no Cambuci: o Peg Pag. Havia também o cine Riviera, onde hoje está a igreja Renascer. Lembro da Copa de 1962, o jogo Brasil x Espanha transmitido no rádio da Auto Escola Lins, que ficava ao lado do mercadinho, com a transmissão do locutor Pedro Luiz.

 

O jogo estava muito nervoso, Espanha ganhava de 1 a 0, parecia o fim. Eu bem moleque também sofria, mas acho que mais por causa de ver os adultos sofrerem tanto. Eles suavam, embora fizesse um frio tremendo naquele dia. Veio o segundo tempo e “Gooool de Amarildo!!”, o Brasil empatava. Que alívio! Eu olhava pros adultos e contemplava a felicidade deles. Depois veio o segundo gol. Virada! Brasil ia pra finais da Copa do Chile.

 

E todos foram pro mercadinho comemorar, beberam, comeram traziam noticiais de que a TV Record iria exibir o videotape no outro dia. Meu avô não se entusiasmava tanto, afinal ele era argentino. Enfim, todos estavam muito felizes. A Avenida Lins foi tomada à noite pelos moradores, era o mês de junho, também o mês das festas juninas.

 

Passou o tempo, me afastei do Cambuci, eu já estava na idade militar com medo de servir o Exército, em plena ditadura, e ir pra Quitaúna, ou Barueri, que eram quartéis longe à beça. Inventei de tudo pra não servir. Nada funcionou. Estava chegando o momento. No derradeiro dia, o praça que chamava os convocados já havia dito onde serviriam e muitos deles foram para longe. Chegou minha vez, ele olhou pra mim e riu ironicamente, finalmente disse: “sossegado hein?!” Pensei, estou livre. Mas ele continuou: “você vai servir no Batalhão de Saúde… no Cambuci.. só tem sossegado lá!

 

Puxa! Eu não queria servir de jeito algum, mas era no Cambuci, nos fundos do Hospital Militar. Tudo de bom. Perto de casa. Depois que eu estava lá dentro o mesmo soldado era praça velha cumprindo o período de núcleo-base
Fiquei no quartel um ano num período do auge da ditadura militar, em 1969.

 

Incorporei no dia 16 de maio. O quartel já havia passado por uma invasão com roubo de armas do corpo da guarda do hospital um ano antes. Foi um período em que, apesar das dificuldades decorrentes das constantes prontidões e do clima político tenso, eu me reencontrei com o bairro, o que me deixava muito contente.

 

No carnaval de 1970, eu estava de serviço e na quarta-feira de cinzas saí com outros soldados para ver o término dos desfiles no Anhangabaú. Ficamos bem próximos dos componentes da última escola a desfilar. O nome: Império do Cambuci. Muitas coincidências.

 

Em 1970, dei baixa do Exército e aí começou a dificuldade para encontrar emprego, eu havia parado de estudar no segundo ano colegial. Eu não sabia muito o que queria. Trabalhei um ano numa gráfica na Vila Prudente, mas não parava em emprego algum. Até que em 1972 encontrei no jornal dois anúncios para atuar em escritórios. Um era na Votorantim, no escritório da Praça Ramos de Azevedo e o outro era… adivinha onde? No Cambuci, na empresa Lastri Indústria Gráfica, que ficava na rua Independência.

 

Novamente o Cambuci entrava na minha vida. No teste na Votorantin nada deu certo, eu só pensava em terminar logo e ir para o Lastri, —sim com “o” como os gráficos diziam, embora a nova geração pronunciasse a Lastri. No Lastri fui muito bem e me contrataram.

 

O bairro também se caracterizava pelo grande número de indústrias gráficas existentes, as maiores do estado e, como o Lastri, que não existe mais, do Brasil.

 

Passou o tempo, o Cambuci envelheceu, as famílias tradicionais mudaram de lá. Muitas foram para bairros mais recentes que se formaram, como a minha família. Na década de 1990 conheci o restaurante do cantor da jovem guarda, o Ed Carlos, com o nome de Ed Carnes, na Rua Theodureto Souto, que até hoje se encontra no mesmo local. Um local muito agradável e aconchegante.

 

Vejo que atualmente o bairro está se modernizando e voltando aos poucos a ganhar importância.

 

Enfim, muita coisa ocorreu na minha vida envolvendo o bairro do Cambuci e queria um dia relatar. Por isso tenho um sentimento muito grande pelo bairro.

 

Ahh! apesar do bairro fazer parte da minha vida, nunca morei por lá e nasci na Vila Monumento. Morar não morei, mas meu coração sempre terá um lugar para o Cambuci.

 

Julio Araujo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe desta homenagem a nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: como enfrentar os gigantes do mercado

 

“A primeira coisa a ser feita é olhar para aquilo que você quer ser; pensar o quanto você pode se alimentar de alguma coisa inspiradora e diferente do que fazem seus concorrentes” —- Jaime Troiano

Em mercados muito competitivos ou com empresas que dominam o setor, as marcas menores ou iniciantes precisam buscar caminhos diferentes para se destacar diante de seus clientes. Ao tentar simplesmente copiar a estratégia dos gigantes, corre-se o risco de se gastar muito dinheiro e se alcançar resultados frustrantes.

 

Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com o jornalista Mílton Jung, no programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN.

 

Cecília Russo citou estratégias de marketing de guerrilha, defendidas pelo autor Cole Schafer, que se adaptam às necessidades de marcas com menor poder econômico.

 

Uma delas é a possibilidade de usar recursos do comércio local através de parcerias: por exemplo, uma loja de roupas pagar os 50 primeiros cafés servidos em uma cafeteria da vizinhança, criando um vínculo entre o cliente da cafeteria e a loja.

 

É preciso lembrar ainda que marcas têm de estabelecer uma relação entre pessoas, pois os clientes gostam de saber que há vida por trás daquele negócio — seja ele qual for.

“Imagine a possibilidade de criar uma playlist no Spotify com músicas que são do gosto das vendedoras e dos vendedores da loja, oferecendo essa lista por WhatsApp ao seus clientes. É uma forma de mostrar a sua cara ao seu público” —- Cecília Russo

Como sugestão final, Cecília e Jaime recomendam que se busque um espaço próprio e se use as vantagens de uma marca menor: maior agilidade, menos hierarquia para tomada de decisões e mais ousadia.

Avalanche Tricolor: nem sempre ganhando

 

 

 Grêmio 1×2 Santos
Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

 

Gremio x Santos

Everton faz o gol do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas, aprendendo a jogar

A música de Elis Regina me acompanhou ao longo de todo esse domingo que se iniciou cedo no futebol. A voz dessa artista genial —- e gremista —- balbuciou a letra de “Aprendendo a jogar” em meus ouvidos até que eu sentasse para escrever esta Avalanche que você, caro e raro leitor, lê a partir de agora.

 

O Grêmio entrou em campo quando muita gente ainda curava a ressaca do sábado à noite. E se não conseguiu acordar em tempo, desperdiçou um belíssimo jogo — ainda que o resultado final não tenha sido positivo para nós.

 

Duas equipes que sabem tratar a bola deram espetáculo de variação de jogadas, movimentação intensa, marcação efetiva e talento individual. O Grêmio demorou um pouco para entender o tamanho do futebol do adversário e pagou caro demais para quem tem o time que tem e fez o segundo tempo que fez.

 

O gol que marcamos já ao fim do jogo, foi um gol com a nossa cara. Tabela pela direita e troca de passes precisos entre Diego Tardelli e Maicon, e a agilidade no drible e a velocidade no chute de Everton. Mas quando marcamos, já era tarde para uma reação.

 

Aliás, foi o próprio Everton quem lembrou ao fim da partida e ainda ao lado do gramado que a impressão que tinha é que o Grêmio jogaria mais 90 minutos e a bola não entraria —— estava certamente impactado pela quantidade de vezes que viu a bola rondar o gol adversário, bater no travessão depois de uma bicicleta, escorregar para fora após um chute esperto, esbarrar no goleiro e se desviar de seu destino.

 

Por mais curioso que fosse —- mas não injustificável —- mesmo com a diferença que se manteve no placar a maior parte do tempo em favor do adversário, não conseguia me irritar com o Grêmio. E se esse sentimento não se fazia em mim é porque soube reconhecer tanto o talento de quem nos enfrentava quanto o esforço gremista em reproduzir o futebol aprendido nestes tempos de Renato.

 

O campeonato está apenas se iniciando e o Grêmio já declarou que conquistá-lo faz parte do cardápio que pretendemos oferecer nesta temporada de 2019. Portanto, claro que se lamenta a perda de três pontos logo no seu começo, em casa. Mas é injusto imaginar que esses serão determinantes na competição.

 

O mais importante neste momento é perceber que nem sempre venceremos mas não podemos jamais abrir mão de jogar o futebol que aprendemos a jogar — e jogar muito bem.

 

Sobe o som porque quero ouvir um pouco mais de Elis Regina:

Vivendo e aprendendo a jogar
Vivendo e aprendendo a jogar
Nem sempre ganhando
Nem sempre perdendo
Mas, aprendendo a jogar

Mundo Corporativo: empresas precisam entender vantagens de contratar jovens pela lei do Aprendiz, diz Casagrande

 

 

“Todas as empresa que iniciam o programa, que gostam, não param mais, porque aqueles que já o fizeram, não encara mais como um problema, encara como uma solução no mundo do RH, no mundo do trabalho“ —- Humberto Casagrande, CIEE

O Brasil tem atualmente cerca de 420 mil pessoas beneficiadas pela Lei de Aprendizagem, que determina que empresas com 100 ou mais funcionários destinem de 5% a 15% das vagas a jovens de 14 a 24 anos. Humberto Casagrande, superintendente-geral do CIEE, calcula que se todas as empresas cumprissem a lei, o país teria 1,1 milhão de jovens aprendizes.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Casagrande apresentou dados de pesquisa do Instituto Datafolha, com jovens que participam do programa Jovem Aprendiz, de responsabilidade do Centro de Integração Empresa Escola.

“É um programa transformador, porque o jovem neste momento da vida, ele tem pouca noção do mundo do trabalho, tem poucas perspectivas, normalmente não tem oportunidades, então está disponível para cosias que não são muito boas —- ele encontra uma razão muito forte no seu dia-a-dia, conhece como funciona uma empresa, a dinâmica de uma empresa, como a dinâmica empresarial se desenvolve e tem contato com instrutores para ter orientação de vida e de caráter —- as pesquisas que fazemos mostram que é transformador na vida do jovem fazer este programa, só lamentamos não termos mais vagas”.

Conforme pesquisa, 53% dos jovens seguem trabalhando depois do programa e 25% deles são contratados na própria empresa, que têm a oportunidade de formar seus quadros gerenciais do futuro. Além disso, lembra Casagrande, as empresas renovam suas ideias a partir da inserção de pessoas mais jovens, aumentando a diversidade geracional.

 

Os candidatos do Programa Jovem Aprendiz, do CIEE, participam de cursos de capacitação que focam noções de cidadania, relacionamento no mundo do trabalho e desenvolvimento de sua personalidade.

“Existem muitas oportunidades para aprender, estudar e melhorar. O mundo será daqueles que se capacitarem, tiverem visão de negócio. E entenderem que é possível. A autoestima deve ser elevada e todos nós podemos conseguir as coisas e chegar lá”

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e na conta @CBNoficial do Twitter. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22 horas, em horário alternativo.

Vereadores de São Paulo querem CPI contra críticas aos vereadores

 

 

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reprodução de trecho do pedido de CPI

 

Depois do fiasco de ministros do STF — que se consideram acima do bem e do mal e decidiram eles próprios investigar quem está por trás das críticas que recebem —- chegou a vez dos vereadores de São Paulo.

 

O chefe maior da Câmara Municipal, o vereador Eduardo Tuma, do PSDB, pediu a abertura de CPI para apurar notícias que ele e seus colegas de parlamento entendem serem falsas ou com o objetivo de prejudicar a imagem da casa —- a deles e a de seus parentes, também. No texto, ainda inclui apuração sobre ofensas à prefeitura e aos demais órgãos públicos do município.

 

Tuma, que não quis dar entrevista sobre o assunto, emitiu uma nota na qual afirma que “não há nenhuma possibilidade de o trabalho resultar em censura” —- como se os vereadores tivessem esse poder.

 

Foi além: escreveu que a CPI “conferirá credibilidade e veracidade ao serviço jornalístico prestado pelos veículos de imprensa” —- como se a credibilidade dos jornalistas dependesse de certificado dos vereadores.

 

Coincidência ou não, o pedido de investigação de notícias falsas, ofensas, calúnia, difamação e tudo mais que acharem ruim para a imagem da Casa vem na sequência de uma série de reportagens que apuram irregularidades no uso de emendas parlamentares —- dinheiro público, do Orçamento do Município, que os vereadores têm o direito de direcionar para obras, entidades e eventos específicos, geralmente de interesse do seu mandato ou dos grupos e regiões que representam. É legítimo, mesmo que discutível.

 

Conforme apurado, há desvios de finalidade e superfaturamento em emendas assinadas pelo ex-vereador João Jorge, que atualmente ocupa o cargo de Secretário da Casa Civil da Gestão Bruno Covas. Para entender melhor esse assunto das emendas parlamentares de João Jorge, ouça  reportagens produzidas por Guilherme Balza, da CBN:

 

“Secretário da Casa Civil de Covas banca festas superfaturadas com dinheiro público” 

 

ONG superfaturou latas de spray, buffet de camarim e emitiu notas frias 

 

Emendas suspeitas de João Jorge envolvem três secretarias e duas subprefeituras 

 

A propósito, João Jorge é do mesmo partido que Eduardo Tuma, presidente da Câmara, que pediu a CPI da Fake News. Os dois são do PSDB. Mas não tire conclusões precipitadas. Basta olhar a lista de vereadores que apoiam a abertura da comissão de investigação e se perceberá que aparecem representantes de todas as colorações partidárias.

 

CONFIRA QUEM SÃO OS 25 VEREADORES QUE APOIAM A CPI

Quito Formiga (PSDB)
Celso Jatene (PSB)
Soninha (PPS)
Paulo Frange (PTB)
Eduardo Suplicy (PT)
Caio Miranda (PSB)
Gilberto Natalini (PV)
Toninho Vespoli (PSOL)
Sandra Tadeu (DEM)
Rodrigo Goulart (PSD)
Alessandro Guedes (PT)
Alfredinho (PT)
Donato (PT)
Adriana Ramalho (PSDB)
Janaina Lima (Novo)
Zé Turin (PHS)
Isac Felix (PR)
Souza Santos (PRB)
Noemi Nonato (PR)
Xexeu Tripoli (PV)
Aurélio Nomura (PSDB)
Beto do Social (PSDB)
André Santos (PRB)
Juliana Cardoso (PT)
Ota (PSB)

Tem quem diga que assinou, mas sem compromisso. Foi o caso do vereador Caio Miranda, do PSB: “geralmente, eu sempre apoio que colegas proponham CPIs sobre o tema que eles quiserem” —- disse em reportagem divulgada nesta quinta-feira pela CBN.

 

Se estiver arrependido, basta pedir para tirar a assinatura.

 

Aliás, os 55 vereadores terão oportunidade de dizer o que pensam sobre a CPI da Fake News. São eles que, no voto, decidirão se aceitam a comissão de investigação ou não.

 

Quanto ao eleitor, sugere-se que faça contato com o seu vereador para entender a posição dele sobre a CPI da Fake News.

 

Aqui você tem acesso às informações sobre como entrar em contato com seu vereador

Filas no caixa prejudicam experiência do consumidor e fragilizam propósito da loja

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Nas lojas da Apple não existem caixas e o próprio vendedor faz a cobrança

 

Experiência de Compra e Propósito são efetivamente as demandas principais do varejo pós-NRF — somadas ao arsenal tecnológico que se intensifica. Foi o que, entre outras coisas, a Cecilia Andreucci lembrou no programa Mundo Corporativo, da CBN, há uma semana.

 

Entretanto, diante de tanto avanço, é injustificável que o varejo físico atual dependente crescentemente das datas comemorativas; e,  disputando o mercado cada vez mais com os players virtuais, ainda deixe o seu cliente em grandes filas de caixa. Situação que inviabiliza tanto a Experiência de Compra quanto o Propósito da empresa.

 

Supondo na realidade física que a Experiência de Compra tenha sido boa para o consumidor até o atendimento do vendedor. A seguir ele espera na fila do caixa e depois estará diante de uma outra pessoa, que não é de vendas e não tem nada a ver com o processo da Experiência de Compras.

 

Supondo ainda que a caixa tenha sido gentil com ele, olhando-o ao receber o pagamento e agradecendo a compra, e até sorrindo. Ainda assim ficará claro que o sistema foi interrompido. De propósito e sem Propósito.

 

A Teoria das Filas —  sim, existe uma teoria matemática no ramo da Pesquisa Operacional — demonstra que as filas surgem pelo desequilíbrio entre o número de vendedores, de caixas e do fluxo de clientes.

 

A prática das filas ensina que para resolver esse desequilíbrio nas lojas em que há vendedores, eles devem exercer a função de caixa, também. Nas lojas onde não há vendedores é preciso colocar os caixas-vendedores em quantidade suficiente.

 

As lojas que começaram a perceber essa necessidade e identificaram a facilidade – afinal hoje os sistemas de pagamento são automatizados – de atribuir ao vendedor a função de caixa, estarão possibilitando o processo da Experiência de Compra. De propósito, para também possibilitar que o Propósito do cliente bem atendido possa ser real.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: carta para o meu filho

 

Libertad 0x2 Grêmio
Libertadores — Assunção/Paraguai

 

Gremio x Libertad

Everton marcou os dois gols. Foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Oi, Greg

 

Tudo bem por aí?

 

Tenho certeza que a experiência do outro lado do mundo vai ser incrível. Se sentir saudades da gente, não se preocupe. É da vida. Eu também já morro de saudades, mas sei que daqui a alguns meses você estará de volta. E de volta com muito mais experiência, conhecimento, amizades, maturidade e aquele sorriso bonito que você costuma dar — um sorriso que nos revitaliza.

 

Estou escrevendo para contar que aqui nas nossas bandas, o Grêmio segue provando sua imortalidade.

 

Lembra que quando você estava fazendo as malas, a coisa andava feia para o nosso lado?

 

Tinha gente até que apostava que deixaríamos a Libertadores bem antes da hora. Falavam em crise. Em queda de produção. Problemas no vestiário —- é o que dizem quando querem espalhar que o grupo de jogadores não está se entendendo.

 

Aí vencemos na rodada passada da Libertadores.

 

Mesmo assim o pessoal questionava nossa chance de seguir em frente. Fazia projeções. Combinava resultados. E olhava com desconfiança para nossa capacidade de recuperação. Gente incrédula essa, não é mesmo? Parece até que jamais ouviu falar das nossas façanhas.

 

Chegou a final do Campeonato Gaúcho e ganhamos mais uma vez.

 

Eu e você vibramos juntos as defesas do Paulo Victor tanto quanto os gols marcados nas cobranças de pênalti. Lembra?

 

Você talvez não tenha percebido, mas quando corri para dar-lhe um abraço e comemorar o título gaúcho era um abraço de despedida. Quase que querendo que você ficasse por aqui. Mas consciente que não seria justo segurá-lo, diante das oportunidades que a vida lhe oferecia.

 

Hoje à noite, sabia que você não estaria mais por aqui. Sabia que não poderia contar com meu companheiro de sofrimento e de torcida. Sabia que não teria como lhe abraçar mais uma vez.

 

Mas também sabia que o Grêmio não nos deixaria na saudade.

 

Que voltaria a ser o Grêmio que me fez cobrir seu berço com camisa tricolor quando você recém havia nascido e nós conquistávamos o bicampeonato brasileiro, em 1996. Que lhe forjou gremista na histórica Batalha dos Aflitos, em 2005. Que nos encheu de orgulho enquanto assistíamos da arquibancada à presença do Tricolor no Mundial de Clubes, nos Emirados Árabes, em 2017.

 

E foi assim, Greg, que na noite de hoje, todos aqueles momentos que curtimos lado a lado voltaram à memória.

 

Desde os primeiros momentos da partida decisiva desta noite —- sim, era decisiva porque qualquer revés nos tiraria da competição —- estava na cara que aquele Grêmio que conhecemos estava em campo. Domínio total do jogo, bola de pé em pé, passes velozes e precisos, jogadores se deslocando de um lado ao outro para confundir os marcadores e aquela turma lá de trás acabando com a partida — sem dar chance aos adversários.

 

Você não imagina a defesa salvadora que o Paulo Victor fez no segundo tempo. Você não tem ideia o que jogaram Geromel e Kannemann. Gigantes!

 

E lá no ataque?

 

Bem, lá a gente tinha o Everton. E esse você conhece bem. Nós dois —- aliás, nós três, porque o Lorenzo estava com a gente na arquibancada —- vimos o Everton fazendo aquele gol no Mundial bem na nossa frente. Lembra?

 

Hoje, aquele Everton estava de volta.

 

No primeiro gol, ainda no primeiro tempo, ele tirou os marcadores e o goleiro para dançar  — confere na internet que vale à pena.

 

No segundo gol, com a ajuda do Pepê — sim, o Renato em lugar de trancar o time na defesa, o deixou ainda mais ofensivo no segundo tempo, colocando um dos nossos guris em campo —-, Everton driblou um, trançou a bola nas pernas do outro, limpou para a direita e bateu firme, definindo a nossa vitória.

 

Fizemos 2 a 0 contra o líder do grupo, que estava invicto na Libertadores, e na casa do adversário. Fomos superiores no primeiro tempo. E insuperáveis nos segundo. Com o resultado, estamos na luta mais uma vez, a uma vitória da classificação que será decidida em casa, na rodada final.

 

Para a festa ficar completa, só faltou você. Mas fique tranquilo porque sei que você tem um desafio super legal pela frente. E nós estamos torcendo muito para que tudo de certo aí do outro lado do mundo.

 

Vai em frente, curta cada momento da sua experiência. Eu me comprometo a manter você atualizado com as coisas que acontecem por aqui. Contando as façanhas do Imortal Tricolor —- que nesta noite revelou mais uma faceta da sua imortalidade.

 

Beijos e até mais!

Conte Sua História de São Paulo: o passeio ao centro tinha o sabor do guaraná caçula

 

Por José Antonio Braz Sola
Ouvinte da CBN

 

 

 

Início da década de 1960. Morávamos em Pinheiros, perto do Largo. Eu tinha uns 7 anos e minha irmã, 4. Nos domingos em que meu pai — um simples comerciário — tinha folga, ele nos  levava para passear, de ônibus ou de  bonde, enquanto a mamãe ficava em casa cuidando do almoço mais caprichado da semana.

 

Íamos com frequência ao Parque da Água Branca, onde podíamos ver e tocar  os bichinhos que tanto nos encantavam — especialmente bois, vacas e cavalos. Lembro-me de que ficava particularmente feliz quando o ônibus passava em frente ao Estádio Palestra Itália, sede do clube pelo qual já era apaixonado, o Palmeiras.

 

Fazíamos passeios  também no centro, onde ficávamos maravilhados com as vitrines das lojas mais conceituadas da cidade, localizadas nas Ruas Barão de Itapetininga, 24 de Maio, do Arouche e na Praça da República. Era uma época pré-shopping centers.

 

Seguíamos, também, até a Praça do Patriarca, para admirar a vitrine da Kopenhagen, que estava sempre ornamentada maravilhosamente, sobretudo em datas especiais como Páscoa e Natal. Em dezembro, claro, era obrigatório ver e falar com o Papai Noel no Mappin, além de ir apreciar o maravilhoso presépio mecanizado, montado na Galeria Prestes Maia.

 

O dinheiro do papai era curto, mas ele dava um jeitinho de nos oferecer um lanche, sempre acompanhado do insubstituível Guaraná Caçula Antárctica. Sinto muitas saudades daqueles tempos, de todas aquelas coisas e especialmente daquela São Paulo.  

 

José Antonio Braz Sola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: a tecnologia ajuda a melhorar o atendimento nas lojas

 

“Se por um lado a gente tem inteligência artificial, a gente tem reconhecimento facial, sonoro, que ajudam as empresas a prever o comportamento e as necessidades do consumidor, por outro lado o varejo é sobre pessoas, relações humanas” — Cecília Andreucci, mercadologista

A maneira de as lojas atenderem seus clientes tem se transformado rapidamente com a implementação de novas técnicas de atendimento e o uso intensivo de tecnologia digital.

 

Muitas das novidades foram apresentadas em mais uma edição da NRF 2019 —- National Retail Federation, que promove a maior feira do varejo mundial, em Nova Iorque.

 

Cecília Andreucci, mercadologista e mestre em consumo, foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, e falou das tendências no relacionamento dos lojistas com seus clientes.

 

Um dos desafios dos varejistas é entender como manter os pontos de venda em um momento em que as lojas on-line se expandem no mundo.

 

Para Andreucci, uma realidade não vai se sobrepor a outra, no entanto os lojistas precisam entender as novas demandas dos consumidores.

 

Por exemplo, a GAP, uma das mais tradicionais redes de lojas nos Estados Unidos, está desaparecendo; em compensação, a Uniqlo, do Japão, se expande, demonstrando que as lojas, no formato que estamos acostumados a ver, desde que se adaptem ao novo mercado, ainda são bem-vindas.

“O nosso consumidor está cada vez mais consciente, mais globalizado, e ele está sim interessado em consumir, afinal vivemos em uma sociedade de consumo, mas também esta interessado qual é o impacto desse consumo”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, no perfil do Facebook e do Twitter da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e tem as participações de Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

No Planeta Terra até o céu precisará de uma Lei Cidade Limpa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Reprodução do site da StartRocket

 

A civilização contemporânea que assiste a países desenvolvidos perpetuarem matança de baleias em extinção e outros nem tão desenvolvidos assim permitirem taxas de desmatamento da maior floresta tropical existente, não deverá se surpreender ao ver, no céu,  propaganda de produtos de consumo.

 

Entretanto, me surpreendi ao receber o artigo de João Ortega da STARTSE* sobre a ideia da PepsiCo em lançar propaganda no espaço.

 

Falamos com Ortega, que pesquisou o tema, e mostra evidente preocupação com o futuro desenvolvimento desse processo cujos detalhes seguem abaixo.

 

 

Em parceria com a startup russa StartRocket, a PepsiCo lançaria o produto ADRENALINE RUSH, um energético, cujo público alvo são jovens aficionados em jogos eletrônicos — e a campanha combateria o preconceito existente em relação aos games.

 

A notícia se espalhou rapidamente em todo o mundo.

 

Ecologistas, cientistas e cidadãos comuns expressaram desaprovação. A mais grave veio de cientistas cujo viés tecnológico envolve a questão de segurança planetária.

 

Para o funcionamento do sistema, dezenas de satélites são lançados a 450 km da Terra, feitos de material refletor para mantê-los iluminados de dia e visíveis a olho nu. São descartáveis em um ano e acompanhados pela SkolTech, universidade privada de Moscou.

 

A desistência da PepsiCo não descarta o interesse de outros anunciantes, ao mesmo tempo em que a StartRocket, alegando que a finalidade da comunicação será mais ampla do que vender, irá buscar US$ 24 milhões para tocar seu projeto, que deverá estar pronto em 2021.

 

A StartRocket imagina também um grande painel mundial de avisos gerais, tipo início das Olimpíadas ou alertas de possíveis catástrofes.

 

A imprensa britânica, através do Express, acredita que o plano é de arruinar o céu noturno, enquanto o astrônomo Patrick Seitzer cobra do plano o endosso da base científica e dos órgãos de segurança mundial.

 

O Projeto, com tantas margens de risco, infelizmente, como lembra Ortega, não é ilegal, pois ainda não existe legislação para essa ocupação do espaço celeste.
Esperamos que o mundo reaja de acordo com a velocidade dos negócios.

 

A PepsiCo, em dois dias, descartou a ideia para não correr riscos de imagem. Mas poderá surgir quem queira usufruir da novidade, mesmo correndo risco.

 

*StartSe é verbo

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung