Conte Sua História de São Paulo: 

a frieza dos olhares colados em relógios e celulares

 

Por Marcelo Kassab

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Marcelo Kassab, publicado originalmente no livro “Vamos falar de São Paulo”

 

É pela manhã que São Paulo mostra a sua cara. 
Pelas janelas, uma paisagem cinza e carrancuda. Os vidros acolhem as gotículas trazidas pelos frios e bons ventos. Assim, a famosa garoa paulistana convida para mais alguns minutos de sono e preguiça.

 

Com feiura imponente e autoestima  elevada, São Paulo ensina que nem todas as obras de arte são coloridas e que o cinza é só mais uma cor entre tantas outras, emolduradas pelas janelas dos arranha-céus da mais paulista das avenidas.

 

Sempre enxerguei em São Paulo e na sua escuridão um tom melancólico repleto de tristeza, onde as frequentes  garoas  pareciam lágrimas que escorriam por rostos vítreos que as observavam com o desânimo de uma segunda-feira qualquer. Talvez um olhar pessimista, visto que também se pode chorar de alegria e é no escuro que habitam e convivem harmonicamente todas as outras cores com seus pigmentos.

 

A frieza dos olhares colados em relógios e celulares, bem como a pressa cotidiana do paulistano, contrastam com o calor da sua receptividade, trazendo o mundo para casa e matizando seu cinza com as cores de outras cidades e nações, abrigando as diversas raças, castas e credos.

 

Basta um breve passeio pelas ruas e avenidas de São Paulo para aprender a conviver com a insanidade e a imprevisibilidade.

 

Do céu, surgem aviões que parecem tocar os capôs dos automóveis antes de pousos nem sempre certeiros nas pistas do Aeroporto de Congonhas. Carros, motos, pessoas e bicicletas concorrem pelo pouco espaço como em um disputado jogo de futebol numa tarde de um domingo qualquer, no Pacaembu ou em Itaquera, lotados e coloridos de preto e branco pela fiel alvinegra.

 

Apesar dos diversos tipos de poluição e da fumaça sufocante, a  cidade ainda respira e transpira. E acreditem ou não, em São Paulo há fotossíntese! Talvez mais do que o imaginado e menos do que o necessário. Que o digam as famílias que transitam pelos parques do Ibirapuera, do Carmo, da Cantareira, da Juventude ou da bela Aclimação, entre tantos outros.

 

Sem dúvida, uma cidade de clima ilusório onde a Terra parece realizar uma dança frenética ao redor do Sol, propiciando em um único dia seu movimento de translação, exibindo suas quatro estações e obrigando o paulistano, como em um afamado desfile de modas, antecipar e misturar todas as tendências e estilos, ostentando as coleções de cada temporada no mesmo dia.

 

As praias dos paulistanos são os pomposos shoppings da metrópole. Por lá é possível navegar e banhar-se com a variedade cultural que faz justiça à cidade que nasceu ao redor de um colégio; assim como uma gastronomia que não se encontra na mesma proporção nas areias de qualquer outra grande capital brasileira.

 

Nas ruas, o comércio atende a todo os gostos e classes sociais; desde um badalado e falsificado sábado na 25 de março ao nariz empinado e endinheirado da Oscar Freire.

 

E no final do dia, o céu cinza da manhã, menos carrancudo e mais generoso, abre-se para o sol poente e as mesmas janelas que emolduravam a paisagem plúmbea, agora refletem a luminosidade do Astro, guiando e acompanhando os paulistanos para suas casas após um longo dia de trabalho.

 

Descanso merecido em uma cidade que não dorme, esperando para começar tudo outra vez ao cantar da primeira buzina da manhã seguinte.

 

Marcelo Kassab é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para conhecer o texto do Marcelo, visite agora o meu blog miltonjung.com.br Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: inclusão de pessoas com deficiência tem de ser genuína

 

 

“A questão de você trazer pessoas de minorias para o seu ambiente corporativo é uma coisa louvável, mas você realmente incluir e conseguir introduzir essas pessoas na realidade da sua empresa e conseguir extrair valor disso é outra coisa. É um outro estágio de evolução que ainda poucas empresas conseguiram chegar ou estão conseguindo chegar” — Marcos Kerekes, executivo e cadeirante

Desde 1991, empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a abrir vagas para pessoas com deficiência em percentuais que variam de 2 a 5%. Nem todas cumprem a lei. E parte delas vê a inclusão como um peso imposto pela legislação. Ou seja, torna a vida desse profissional ainda mais difícil e deixa de aproveitar os benefícios da diversidade no ambiente de trabalho. Hoje, existem cerca de 400 mil pessoas com deficiência empregadas, segundo dados oficiais do governo brasileiro, muito aquém da demanda.

 

Marcos Kerekes, executivo de marketing e cadeirante de 25 anos, conta parte de sua experiência na busca por um emprego. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da CBN, Kerekes alerta para a necessidade de as empresas realizarem o que chama de inclusão genuína:

“A questão da inclusão tem de vir top-down, de cima para baixo, começando pelo CEO. Ele precisa estar envolvido nisso. Ele precisa estar comprometido com isso, porque aí a coisa deslancha, a coisa anda”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, pelo site da CBN e nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10h30 da noite; e está disponível em podcast.

As criações que colocaram o mundo dentro do seu bolso

 

Por Calos Magno Gibrail

 

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No dia 27 fevereiro, o inventor da primeira calculadora eletrônica faleceu aos 86 anos, em Dallas. O fato que chama a atenção é que não houve repercussão — nem nos Estados Unidos.

 

Jerry Merryman, pesquisador da Texas Instruments, recebeu, em 1965, a tarefa de diminuir o peso da menor calculadora existente que era de 20,4 kg. Em 18 meses, Merryman apresentou um artefato que cabia no bolso e pesava 1,3 kg — mantendo a tradição da Texas que tinha lançado, em 1954, o rádio transistorizado com a função de portabilidade. Já era um ensaio para o bolso com o seu Regency TR – 1. Embora a Sony afirmasse, em 1957, que o Sony TR -63 era o rádio que “vai caber no bolso de sua camisa” — acontece que o bolso da camisa da Sony era enorme.
A segunda metade do século passado dá uma ideia da velocidade da evolução da tecnologia que se iniciava. O rádio, descoberto pelo gaúcho Roberto Landell de Moura, que comprovou quando apresentou uma transmissão na Avenida Paulista, em 1893, foi vendido comercialmente por Guglielmo Marconi, em 1912. E sua evolução veio em 1954.

 

 

Felizmente para o rádio, como mídia, a portabilidade chegou num momento excepcionalmente estratégico, pois a televisão se firmava. Para os negócios, a calculadora de bolso era uma feliz alternativa aos equipamentos existentes, desde que a régua de cálculo há muito já tinha sido aposentada.

 

A realidade é que a ideia de possuir produtos que pudessem ser carregados permanentemente dava uma sensação de eficiência e conforto inigualáveis.
De outro lado, os produtos recebiam inovações em ritmo cada vez mais acentuado. E vieram os novos, já aperfeiçoados, que convergiram nos iPhones.

 

Assim, rádio, calculadora, telefone, relógio, câmera, televisão, bússola, termômetro, cabem no iPhone —  o computador de bolso.

 

Portanto, o bolso que já era tido como o órgão mais sensível do corpo humano ganhou um componente essencial e vital. E graças aos pesquisadores da Texas Instruments ao portabilizar o rádio e com o mérito de Jerry Merryman ao desenvolver a calculadora de bolso.

 

Ao lado do tributo a Merryman, fica aqui os cumprimentos ao Rádio, como equipamento e instrumento, que desponta agora como a fonte de maior credibilidade, diante de tantas FAKE NEWS.

 

Leia “Adivinha em que os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: ver o Grêmio é um convite irrecusável

 

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Gaúcho – Boca do Lobo, Pelotas/RS

 

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Matheus Henrique conduz a bola, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Renato não estava no banco. Os titulares não estavam em campo. Classificado antecipadamente e em primeiro, sem qualquer risco, o placar em nada mudaria nossa história neste campeonato — a não ser pela possibilidade de vencê-lo de maneira invicta. Nem a TV ajudava muito: foi preciso perspicácia e troca de informação em rede social para descobrir a partida; aqui em São Paulo, somente seria transmitida em um canal analógico do PPV. Nestes tempos de TV 4K, teríamos de nos contentar com imagem borrada, de baixa qualidade e recursos de câmeras restritos.

 

Convenhamos, o cenário era um convite para deitar mais cedo, recuperar energia para o dia seguinte, quem sabe acordar até mais disposto. Mas relutei em aceitá-lo. Afinal, era o Grêmio que estaria em campo. E, atualmente, com as exceções de praxe, assistir ao Grêmio é sempre muito agradável.

 

Tem um guris que pintam e bordam em campo.

 

Assistir a Matheus Henrique e Jean Pyerre, por exemplo, é genial. Eles conduzem a bola com facilidade, se livram dos marcadores como se estivessem passeando, passam com qualidade e abrem espaço para novas jogadas mais à frente. O baixinho Matheus ainda tem uma capacidade de marcação de dar inveja em qualquer brutamonte que tente passar por ele. E o esguio Jean Pyerre, corre com a elegância dos antigos craques do futebol brasileiro.

 

Se conseguem fazer isso é porque seus colegas estão a altura do futebol jogado por eles e são capazes de reproduzir o modelo de jogo desenhado por Renato, com muita movimentação, deslocamentos para facilitar o passe de primeira, dando seguimento à jogada com toques rápidos, driblando quando é necessário e virando o jogo quando o espaço parece restrito.

 

Resultado: mesmo que o time não seja o titular — e de todas as condições descritas no primeiro parágrafo desta Avalanche –, ver o Grêmio em campo é um convite irrecusável, motivo de alegria para este torcedor e, imagino, para todos vocês torcedores gremistas e amantes do bom futebol.

 

Na noite dessa quarta-feira, além de todas as boas notícias, foi muito legal ver Galhardo de volta no lado direito e, especialmente, Thaciano jogando com vitalidade e esbanjando talento no meio, a ponto de ter sido o autor do primeiro gol, participado do arranque para o segundo e quase tendo marcado um outro que seria antológico.

 

Foi tão legal assistir ao Grêmio na noite de quarta, que acordar de madrugada nesta quinta-feira chuvosa em São Paulo tornou-se fácil.

Adivinha em quem os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade?

 

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Em conversa com executivos de empresa de tecnologia, no início desta semana, fui provocado a apresentar uma solução para a enxurrada de falsas informações que circulam pelas redes sociais, assim como para o diálogo tóxico que assistimos nas diferentes plataformas. Os questionamentos também não deixaram de fora o trabalho dos veículos de comunicação tradicionais —- nesse caso, eles queriam saber qual seria o futuro das redações jornalísticas. Como todo tema complexo, não existe resposta simples nem solução fácil. Mas tendo a acreditar na ideia de que vivemos um processo de amadurecimento nessas relações. 

 

Os meios de comunicação que conhecíamos perderam o monopólio da informação —- ainda bem. Hoje, cada cidadão tem a capacidade de produzir e divulgar conteúdo. O alcance dessa mensagem dependerá da estratégia usada, mas os recursos estão em suas mãos. O cidadão conquistou esse direito e tem usufruído dele dizendo o que quer, agindo da maneira que lhe convier e transmitindo mensagens doa a quem doer —- com forte poder de construir ou prejudicar a reputação de pessoas e instituições. Por outro lado, não percebeu, ao menos não a maioria de nós, que também passa a responder pelo poder que exerce. Ao emitir opinião, é responsável pelo que essa possa causar. Ao compartilhar informação, é autor ou coautor dos seus efeitos. 

 

À preocupação dos executivos, reforcei meu discurso de que a  sociedade contemporânea está em estágio de aprendizado, diante das transformações digitais que impactam nossos comportamentos. O tempo nos ensinará a usar de maneira mais responsável os meios modernos de comunicação. E o jornalismo profissional tenderá a prevalecer como principal antídoto aos que publicam falcatruas sob o apelido de “fake news”. 

 

Ao falar do tema ainda não tinha em mãos o resultado de pesquisa sobre a confiança dos brasileiros,  encomendada pela XP Investimentos ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A consulta tinha como uma das intenções saber o que os brasileiros pensam neste momento do presidente Jair Bolsonaro, mas vou me ater ao tema central desta nossa conversa: os meios de comunicação — os tradicionais e os digitais. 

 

Atente-se para o que responderam os mil brasileiros ouvidos pelo Ipespe quando os pesquisadores fizeram a seguinte pergunta:

“Na sua opinião, as informações e notícias veiculadas nesses meios que vou ler são, na sua maioria, verdadeiras ou são falsas?”

As piores avaliações foram do Facebook, com apenas 11%, e do WhatsApp, com apenas 12%, respondendo que as notícias veiculadas são verdadeiras. Twitter e Instagram também ficaram na parte de baixo deste ranking. A percepção sobre veracidade de informações para blogs e sites de notícia, assim como jornais de notícias na internet, foi de 28% e 32%, respectivamente.

 

A mídia tradicional, tão bombardeada em redes sociais e com comentários frequentes que colocam em xeque a credibilidade do conteúdo produzido, aparece mais bem posicionada e com índices de confiança bem superiores às novas mídias. Por exemplo, as  notícias publicadas em jornais e televisão são verdadeiras para 61% dos entrevistados.

No topo desta tabela —- e aí você logo vai pensar, eu sabia que o Mílton queria chegar a algum lugar — aparece o rádio:  64% dos brasileiros pesquisados responderam que acreditam no que ouvem no noticiário.

E com isso, esse veículo que me tira da cama todos os dias, às 4 da matina, e me impõe uma série de desafios  no cotidiano —- tais como a apuração dos fatos, a busca constante da verdade, o respeito ao contraditório e o reconhecimento de nossos erros sempre que estes são identificados —- , a partir da opinião dos nossos ouvintes, me dá a certeza de que o esforço diário dos jornalistas de rádio está sendo recompensado.

 

 

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Avalanche Tricolor: se é Gre-Nal, eu quero é ganhar; e nós ganhamos!

 

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Gaúcho — Arena Grêmio Porto Alegre

 

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A festa do gol na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Gre-Nal é Gre-Nal, diz o dito gauchesco. De futebol ou de toss, quero ganhar sempre. Já teve Gre-Nal que antes de o árbitro jogar a moeda para o alto, os capitães se engalfinharam. Teve um que se ganhou com 17 segundos — lembra daquele gol do Iúra? Outros ganhamos de 5 e até de 10 a 0. Há os que se ganha no gogó. Se o time não está nada bem, o técnico chama a imprensa, provoca, desmerece e vence na base da psicologia.

 

Dizer que o clássico não vale nada é papo de perdedor. Ou de gente que não entende as coisas do Sul do País. O cartola blefa e usa um imbróglio jurídico para amenizar o risco da derrota. Esperneia e manda o técnico escalar time reserva. Truco, grita o outro lado. E surpreende na escalação, também. Ainda tem quem caia nessa balela e acredita que os times entrarão em campo com menos ímpeto porque o jogo vale pouco, afinal todos já estão classificados à próxima fase. Coitados!

 

A bola é disputada a cada metro quadrado. E a torcida comemora o espaço ocupado, o passe interceptado e o drible interrompido. Se o goleiro pega, festa na arquibancada. Se o zagueiro despacha de canela, festa de novo. E mais festa só porque o atacante cortou para dentro e o marcador passou reto. Nesse clima não interessa quem vista nossa camisa — menos ainda quem vista a camisa deles. É contra 11. É contra 10. É contra a lógica. É contra o maior rival da nossa história. Eu quero é ganhar.

 

E a vitória desta noite de domingo nos faz disparar na liderança, garante a passagem em primeiro lugar às finais, mesmo ainda faltando um rodada para o fim da fase de classificação, e reafirma nossa superioridade no Rio Grande do Sul. Resultado alcançado graças a infernal troca de passes e ao domínio preciso da bola, no primeiro tempo, que levaram o adversário a bater mais forte, no desespero de parar a jogada. Quando encontra-se um árbitro que decide punir a violência, o resultado é o que assistimos em campo. Ganha-se vantagem numérica, aproveita-se o espaço aberto e se chega ao gol, como fez Leonardo Gomes, após triangulação com Montoya e André, ainda no primeiro tempo.

 

Como é Gre-Nal, respeito é bom e eu gosto. Por isso, no segundo tempo a preferência por parar o jogo, segurar a bola, conter a velocidade e fechar os espaços na entrada da área. Se ampliar o placar, excelente. Mas a missão era manter-se à frente no placara, porque se é Gre-Nal eu quero vencer. E nós vencemos o primeiro do ano. 

Conte Sua História de São Paulo: minhas aventuras com a turma da praça da alegria

 

Por José Maria Pires

 

 

Nasci no ano de 1956, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo, e foi onde passei os momentos mais incríveis de minha existência. Entretanto, devido a uma ótima oferta de emprego a meu pai, mudamos para o bairro de São Judas Tadeu, em 1963, e ficamos lá até 1971.

 

Em São Judas, comecei a estudar na Escola Estadual Almirante Barroso, que fica bem próximo à Igreja. O curso primário foi muito tranquilo, tirei de letra. Lembro-me que naquela época para ingressar no ginásio, tínhamos que fazer uma espécie de estágio, era o 5º ano — qual fiz ali perto numa escolinha na Rua Nereu Ramos, bem em frente à casa onde morava o Sr. Manoel da Nóbrega, que era o protagonista principal do programa de humor “A Praça Da Alegria”, transmitido pela TV nos anos de 1960 / 1970.

 

Nas tardes, quando o Sr. Manoel não estava gravando, ele se aconchegava numa cadeira de balanço na varanda de sua casa e ficava brincando com seus cães, que eram parecidos com a cadela Lassie — um seriado que passava na TV. Nesse instante, nossa professora, Dna. Maria Barbosa,  nos chamava até a janela — pois a sala de aula ficava no andar superior da escola. Nós acenávamos para o Sr. Manoel, que com um grande sorriso e simpatia nos retribuía. Era como se estivéssemos na “Praça” com ele.

 

Lembro-me também que havia uma garota, acho que era neta do Sr. Manoel, muito bonita, e quando ela estava na casa dele, e nós a víamos, na saída da escolinha, ficávamos mexendo com ela. Numa dessas, o Carlos Alberto de Nóbrega, filho do Sr. Manoel, saiu correndo atrás de nós. Consegui me esconder no interior de um empório, mas ele me achou e queria de todo jeito saber onde eu morava pra ir falar com meu pai. Eu em prantos dizia que nunca havia mexido com a garota, e ela vendo meu desespero, acho que sentiu pena de mim, disse ao tio, que eu não estava com os meninos. Só então o Carlos Alberto me deixou ir.
Dessa eu me safei.

 

Bem, ali em São Judas, como em todos os lugares até hoje, existem aquelas turmas formadas pelos garotos da rua de cima, outros da rua de baixo e assim vai. Eu era da turma da Ceci, — a Avenida Ceci, onde morei —, outros eram da Nereu — a Nereu Ramos —, outros da turma da igreja e por aí afora. As brincadeiras nessa época eram: futebol de rua, bater figurinhas, rodar pião …

 

Na Alameda dos Ubiatans, próximo a caixa d’água da Av. Ceci, era onde disputávamos o futebol de rua, e numa dessas disputas, de repente, apareceu um fusca de cor verde. Parou atrás de um dos gols e dele desceu Ronald Golias, daquele jeito brincalhão, pega a bola vai de um lado para outro driblando todo mundo, e em seguida, coloca a bola no centro do campo, entra no fusca e vai embora. Foi muito engraçado. Até então não tínhamos presenciado tanto movimento de pessoas naquela rua, que era sempre muito tranquila.

 

Bem, ao ser aprovado no curso primário, começo então o ginasial, indo estudar na Escola Estadual Cidade Vargas, hoje Cacilda Becker, em frente a estação final do metrô Jabaquara. Lá, fiz muitas amizades, e entre elas, com um garoto bom de bola, o Garrinchinha, um outro que atendia pelo apelido de Cebion, que participava de um comercial de TV, nos anos de 1970, por isso o apelido,  e também uma garota com traços orientais, de nome Jandira Tamiko, que tinha um jeito engraçado de se expressar — no primeiro momento, nos tornamos muito amigos. Mas, por faltar muito às aulas e ser muito bagunceiro, no ano de 1969 a escola enviou um bilhete a meu pai, pedindo seu comparecimento na secretaria, para tratar de minha transferência para outra escola, em Vila Fachini na Rua Godofredo Braga.

 

Lá cheguei com fama de encrenqueiro e brigão, mas estava só, a turma da Cidade Vargas já não mais existia. Foram tantas às vezes que corri, pra não levar uma coça dos garotos da nova escola. E, foi numa dessas escapadas que conheci Verinha e suas irmãs, Ana e Sonia, que moravam no final da Rua Fachini, e tornaram-se minhas cúmplices e amigas, nos momentos que me sentia desprotegido.

 

José Maria Pires é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe desta série e envie seu texto  para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Joana Cortez diz como a neurociência ajuda na formação dos novos líderes

 

 

“O que é esperado do líder é que ele consiga desenvolver as pessoas; e para você desenvolver as pessoas, entender como funciona o cérebro é fundamental” — Joana Cortez, consultora da Fellipelli

As novas exigências do mercado de trabalho têm desafiado líderes e colaboradores. Para tornar essa relação mais saudável e produtiva, o uso da neurociência é um dos caminhos que empresas e gestores têm percorrido. Por isso, o Mundo Corporativo foi entrevistar Joana Cortez, consultora em desenvolvimento humano da Fellipelli, que trabalha com avaliação e desenvolvimento de pessoas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Cortez listou alguns dos benefícios que as ferramentas de neurociência podem trazer aos profissionais das mais diversas áreas:

“A segurança emocional é tão importante para o profissional assim como entender o papel dele na empresa”

Para os novos líderes, a consultora identifica três habilidades essenciais:

  1. Autoconhecimento —- todos sabem onde estão seus pontos mais fortes e mais fracos, mas é preciso olhar para sim mesmo, entender seu comportamento e se comprometer com a transformação.

  2. Escuta ativa —- tem de saber escutar o outro, ouvir suas ideias, frustrações e sugestões.

  3. Saber desenvolver a ideia —- não importa de onde vem a ideia, é preciso se dedicar a desenvolvê-la e, para isso, não ter medo de contratar gente melhor do que ele.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN e nas páginas do Facebook e do Instagram (@CBNOficial). O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 22h30. E fica à disposição na lista de podcast.

Esqueceram o Tênis, no Dia da Mulher

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Billie Jean venceu “Guerra dos Sexos” contra Bobby Riggs

 

O 8 de Março deste ano foi sem dúvida o Dia Internacional da Mulher em que mais se falou sobre os temas pertinentes e latentes da posição que as mulheres ocupam no mundo.

 

Estatísticas, análises e debates apresentaram de forma geral dados que comprovam a situação de inferioridade em que as mulheres ainda se encontram em relação ao homem.

 

Constata-se um avanço, embora em geral na velocidade menor do que a desejada, e despontam áreas mais carentes de atenção. Entretanto, há setores, como o tênis profissional, que podem servir de exemplo.

 

O tênis é o único esporte no mundo cujos maiores eventos pagam igual para homens e mulheres. E as mulheres ainda jogam menos. São cinco sets masculinos e três sets femininos.

 

Serena Wiliams, a estrela do tênis mundial, está entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo no ranking da Forbes, encabeçado por Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha. Serena, mesmo sem jogar, por motivo da maternidade, ganhou US$ 18 milhões e foi a atleta que mais faturou no ano passado.

 

Dinheiro e poder, uma das lacunas femininas, não é problema para a tenista americana. Como personalidade, foi convidada a apresentar no Oscar “A star is born”. Certamente pela permeabilidade entre a personagem e ela. E dentro disso apresentou um discurso inspirador:

 

Mas este é o final da história. O início está com a tenista Billie Jean King.

 

Ela ganhou 27 títulos de Grand Slam –- Australia Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Porém, tão grande quanto os seus títulos foi o seu papel na defesa da igualdade entre mulheres e homens nas premiações do tênis profissional. Desafiou à quadra os homens e conseguiu realizar, em 1973, uma partida contra Bobby Riggs, sexista ativista e ex-número 1 do mundo. Billie ganhou de Riggs em jogo denominado como “Batalha dos Sexos”* e assistido por 90 milhões de pessoas. Após o evento que se transformou em símbolo contra o machismo, Billie fundou a WTP, entidade que passou a comandar o tênis feminino. No mesmo ano, ameaçou boicotar o US Open se a premiação não fosse igual para as mulheres e venceu mais esta batalha.

 

 

Aos 75 anos manda seu recado:

“A maioria das jogadoras não sabe nada dessa história. Não sabe como essa indústria começou, principalmente de como o tênis feminino profissional começou. Eu era uma das que queriam homens e mulheres juntos, mas eles rejeitaram. E é por isso que temos a WTA. Eu fiquei muito triste porque não pudemos fazer uma associação juntos, mas eles rejeitaram… é bom as meninas verem, elas conquistaram a igualdade de premiação nos Grand Slam. É um trabalho árduo da WTA, com diretores de torneios”

É interessante lembrar que no mesmo país de Serena e Billie, no esporte mais popular, as mulheres da WNBA ganham 100 vezes menos que os homens da NBA.

 

*O filme “Batalha dos Sexos” é baseado na história real de Billie Jean King, com Emma Stone e Steve Carell.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: o dia do “não”

 

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Libertadores — Arena Grêmio

 

 

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Renato não estava com cara de bons amigos na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Lembra do guri de camisa tricolor com listras desbotadas da última Avalanche de Libertadores? Esteve de volta nesta noite de terça-feira, aqui em São Paulo — de onde curto à distância as façanhas do meu Grêmio. Estava sentado no sofá, diante da televisão. Sofrendo como naquela época. Com as mãos esfregando o rosto de cima a baixo. E os dedos escorrendo sobre a cabeça e empurrando os cabelos para trás — bem menos cabelo, é verdade do que antigamente.

 

Assim como aquele guri, esteve de volta também a lembrança de uma conversa que tive com meu padrinho por adoção,  Ênio Andrade — um dos maiores técnicos que já passaram pelo meu time. Dos tempos em que ele colocava a mão sobre meu ombro e me convidava a passear pelo Largo dos Campeões, no entorno do saudoso estádio Olímpico.

 

Seu Ênio, naquelas semanas em que o resultado em campo estava aquém do esperado por ele e sonhado por mim, costumava dizer que o futebol tem algumas coisas curiosas: “Tem o dia do “sim” e o dia do “não”, Alemão!”.

 

Quando o dia é do “não”, esquece! — me ensinou.

 

A bola que sempre rola redonda no gramado, pipoca para um lado e escapa pelo outro. Acostumada a chegar no pé do colega, vai parar na altura da canela. O movimento sincronizado se transforma em correria desordenada. O cruzamento nunca encontra a cabeça amiga. A defesa que espanta até fantasma se atrapalha. Sofre o drible e deixa espaço.

 

No dia do “não”, quem está melhor em campo sente dores e tem de ser substituído. E depois de o técnico já ter feito todas as substituições, sempre haverá mais alguém para se lesionar. Com tudo conspirando contra, com certeza não será o árbitro que vai ajudar. Não vê pênalti quando podia ter visto, vê menos ainda quando o pênalti realmente acontece. Deixa o cronômetro correr até a conclusão do ataque adversário. E, claro, é nesse lance que vamos tomar o gol.

 

Hoje, foi o dia do “não” para o Grêmio na Libertadores. Mas como o guri aprendeu com o Seu Ênio, não adianta se desesperar. Porque se o trabalho está sendo bem feito — e este é o nosso caso —, melhores dias virão. Até lá.