Parque do Caxingui sucumbe a prefeitos e justiça: só resta o cidadão!

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Área onde deveria ser o parque linear

 

 

Uma área de 36 mil metros quadrados no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, contendo bioma de Mata Atlântica e nascentes da Bacia Hidrográfica do Caxingui, está liberada para a construção de cinco edifícios residenciais de 25 andares.

 

 

A autorização foi dada pela juíza Maria Fernanda de Toledo Rodovalho, da 16ª Vara da Fazenda Pública. Para o desgosto dos moradores que defenderam a criação do Parque Linear do Caxingui com o intuito de preservar um pouco de mata verde dentro da cidade. E regozijo da Cury Construtora, braço da Cyrela. Parceira da atual administração municipal.

 

 

Essas terras foram classificadas como ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental, através do Zoneamento de 2016 conjuntamente com a criação do projeto Parque Linear do Caxingui. Entretanto, no fim daquele ano, no último dia de sua gestão, Fernando Haddad, conflitando com laudo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deferiu solicitação da Cury Construtora para edificação de cinco torres de 25 andares. Como proprietária de parte desta área e tendo doado à Prefeitura outro tanto, argumentava que o empreendimento não afetaria o verde existente.

 

 

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Como ficaria com os prédios construídos 

 

 

A administração Doria manteve a aprovação, gerando uma série de investigações sobre irregularidades em todo esse processo. Levadas ao Ministério Público, através do promotor Marcos Stefani, o empreendimento é objeto de ação civil pública movida pela Promotoria do Meio Ambiente contra a Prefeitura. Não houve liminar ainda porque a construtora garantiu à juíza Rodovalho que não iniciaria a obra até que houvesse decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público.

 

 

Surpreendentemente, a Juíza Rodovalho, sustentando que não há irregularidades aparentes no processo de aprovação do alvará que justifique o seu impedimento, liberou o início da construção. Ou, por enquanto, da destruição.

 

 

As máquinas já começaram a derrubar as árvores.

 

 

Fato que levou as entidades de moradores e ambientalistas, através do Movimento Parque Linear Caxingui a realizar hoje um ATO CONTRA A DESTRUIÇÃO DA MATA DO PARQUE DO CAXINGUI.

 

 

A jornalista Ana Aragão, uma das lideranças deste Movimento, juntamente com Lucila Knesse, e as entidades Associação Morumbi Melhor, Sociedade Moradores Butantã-Cidade Universitária e Sociedade dos Moradores do Butantã City, já perceberam que nesta tramitação, onde o interesse privado oprime o público, é preciso de mobilização para atrair cidadãos conscientes que contribuam para a defesa do progresso sem retrocesso.

 

 

Em resposta

 

(publicado em 15/10, 11h03)

 

Diante da mobilização de cidadãos que discordam da forma como o Parque do Caxingui está sendo ocupado – parte deles expôs aqui neste blog sua opinião -, o prefeito regional do Butantã Paulo Vitor Sapienza procurou lideranças do movimento. Em mensagem enviada a Wilson Donnini, diretor do Grupo 1 de jornais, inclusive do JORNAL DO BUTANTÃ, disse que está à disposição para uma reunião com objetivo de resolver esta questão. O pedido para que o encontro se realizasse foi feito pelo próprio prefeito João Doria. Aproveito para externar minha admiração a todos que se manifestaram neste blog demonstrando um espírito de cidadania exemplar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

O impacto da tecnologia e do populismo na produção jornalística

 

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Dia desses, convocado pela CBN para ancorar programa que comemorava os 26 anos da emissora, tive a oportunidade de conversar com algumas figuras que admiro muito no jornalismo. Reunimos no estúdio em São Paulo e Rio de Janeiro, e colocamos por telefone, comentaristas da rádio além de convidados. Sejam os da casa, sejam os de fora, todos foram motivados a falar sobre o rádio e o jornalismo, momento em que tratamos do impacto que a tecnologia e o populismo têm provocado no desenvolvimento do nosso trabalho.

 

Se você visitar os links que ofereço ao fim deste texto, terá a chance de ouvir o bate-papo com Arthur Xexeo, Renata Loprete, Luis Gustavo Medina, Pedro Doria, Zuenir Ventura, Eugênio Bucci e Thiago Barbosa. Cada um a seu tipo contou histórias relacionadas ao rádio, tenha este a forma do radinho de pilha, que acompanha o Xexeo em suas tarefas caseiras, tenha o desenho das caixas de sons mais modernas com capacidade de conectar todos os equipamentos, usadas pelo Doria.

 

Quero, porém, dedicar esta nossa conversa, caro e raro leitor deste blog, para tema que tem preocupado jornalistas e deveria estar na pauta de todo o cidadão interessado no fortalecimento da democracia: a profusão de notícias falsas, estas que correm mais rápido do que rastilho de pólvora, como dizíamos antigamente. Consta que muito mais rápido do que notícia verdadeira, como nos explicou Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP.

 

Embrulhado em nome novo – fake news -, a velha prática de inventar histórias para prejudicar desafeto ou promover amigo se potencializa nas redes sociais pela agilidade que esta nos proporciona, permitindo sua multiplicação apenas com um clique no botão de compartilhar ou com o acionamento de robôs que espalham o fato para computadores e celulares em todo o mundo – ou para regiões previamente estabelecidas, onde se pretende impactar a opinião pública.

 

Para dar o nome certo a esse fenômeno, Bucci recorre a outro mestre da comunicação e, tanto quanto ele, preocupado com a ética nas relações humanas: o professor Carlos Eduardo Lins da Silva. Para que ninguém tenha dúvida do que estamos falando, eles preferem transgredir a tradução natural do temo em inglês fake news. Em lugar de notícia falsa, usam notícia fraudulenta. E isso faz uma baita diferença.

 

 

A notícia errada é como uma peça estragada na linha de produção que surge de uma falha na sua execução. Pode ocorrer pela qualidade do material usado, pela manufatura, pelo descuido ou irresponsabilidade do profissional que realiza o trabalho. Causa prejuízos a quem consome e a quem fabrica.

 

A notícia fraudulenta é a peça que foi estragada com a intenção de boicotar alguém. É ato proposital. Erro baseado na má-fé de quem o executa. Que surge de autor desconhecido, escondido por mecanismos automáticos e uso de tecnologia e, por isso, prejudica apenas seu alvo.

 

Como jornalista, e jornalista de rádio, veículo que pressupõe a agilidade e velocidade na informação, o risco de publicarmos uma informação errada é imenso. Já aconteceu e, infelizmente, acontecerá outras vezes. Está lá no meu livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), publicado em 2004, que nosso desafio é equilibrar agilidade e precisão na apuração dos fatos. Todas as vezes que abrimos mão da precisão em nome da agilidade, pagamos com o que há de mais caro na carreira do jornalista (e do jornalismo): a credibilidade. Por longo tempo, o rádio, pressionado pela ascensão da televisão, trabalhava com a ideia que o ouvinte queria a notícia em primeira mão. Demorou para perceber que o desejo dele era ter a notícia certa em primeira mão.

 

Reduzir os riscos de erro na cobertura jornalística é o desafio que se impõe e para tal é preciso respeitar a hierarquia do saber – conceito trabalhado por Zuenir Ventura em conversa que já havíamos tido há cerca de um ano na CBN. O jornalista é aquele que procura ouvir quem sabe mais do que ele, que sabe usar o saber do outro para esclarecer os fatos e apurar a verdade. Nossa busca constante é pela verdade possível, a verdade que somos capazes de construir naquele instante em que o caso é relatado. A verdade absoluta apenas o tempo nos oferecerá.

 

Se não vejamos: quando o primeiro avião se chocou no prédio do WTC em Nova Iorque, em 2001, noticiamos um acidente aéreo. Estávamos mentindo? Não. Contávamos a verdade daquele momento. Assim que um segundo avião se chocou na torre, um terceiro despencou sob o pentágono e um quarto caiu na Pensilvânia, outras verdades passaram a se revelar ao longo do dia.

 

 

Em meio a pressão oferecida pela revolução tecnológica que mudou comportamentos e quintuplicou o número de mensagens recebidas por uma cidadão, nos últimos 30 anos, e os interesses de grupos políticos dispostos a distorcer a verdade em busca do poder, o jornalismo tem obrigação de resistir e seguir o seu curso. Intensificar a checagem dos fatos, aprofundar a apuração e proporcionar o contato de posições divergentes, promovendo o diálogo entre os diversos atores de uma mesma cena.

 

 

Encerro essa nossa conversa lembrando frase dita por Eugênio Bucci no início de sua participação no programa da CBN:

 

“O jornalismo não pode faltar na sociedade democrática … e a maior ameaça para o jornalismo é o populismo”

………………………………………

 

Ouça a seguir, o Jornal da CBN especial, em comemoração aos 26 anos da rádio CBN:

 

 

 

 

Cláusula de desempenho

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

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Debate no  Senado em foto de  Luis Macedo / Câmara dos Deputados

 

Após meses de negociatas e sandices, o Congresso Nacional votou algumas alterações aplicáveis para o pleito de 2018. Uma das propostas, a denominada cláusula de desempenho, merece ser saudada e aplaudida.

 

A Emenda Constitucional que estabeleceu esse novo parâmetro para os partidos brasileiros foi promulgada no dia 4 de outubro. O seu conteúdo, convém esclarecer os leitores e eleitores, não veda a criação de novas agremiações no país. A sua finalidade precípua, a partir de três eleições consecutivas, é restringir o acesso indiscriminado aos benefícios constitucionalmente previstos.

 

Como efeito colateral, para evitar a desidratação de receita e nos espaços de poder, as agremiações precisarão reforçar as suas listas de candidatos e vitaminar o desempenho nas urnas. Afinal, os recursos do Fundo Partidário e a propaganda gratuita no rádio e na televisão, na legislatura seguinte às eleições já de 2018 somente serão possíveis para aquelas que comprovadamente obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos (excluídos os brancos e nulos), distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou tiverem elegido pelo menos nove (9) Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação.

 

Para a legislatura seguinte às eleições de 2022, o cenário passa a exigir 2% (dois por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% (um por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou tiverem elegido pelo menos onze (11) Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço dos Estados.

 

Relativamente à legislatura posterior às eleições de 2026, o nível de desempenho passará a 2,5% (dois e meio por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1,5% (um e meio por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou a eleição de treze (13) Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço dos estados.

 

O descumprimento desses requisitos estabelece uma barreira que inviabiliza o acesso partidário àquelas prerrogativas. Daí o nome mais comum da cláusula (de barreira).

 

Na prática, com a redução de siglas representadas no parlamento, a tendência é que a arquitetura política para a formação de governos (federais, estaduais e municipais) seja menos complexa e mais transparente. Afinal, negociar com 6 ou 7 bancadas é mais racional do que fazê-lo com 15 ou 20.

 

Este mecanismo vem sendo aplicado eficazmente por diversas democracias representativas do planeta, nos cinco continentes. A Alemanha, escaldada pelo nazismo, foi pioneira ao introduzi-lo em 1956. Argentina, Espanha, França, México, Moçambique, Coreia do Sul e até Moçambique foram algumas outras que trilharam o mesmo caminho fixando modelos similares, adequados às suas peculiaridades políticas e eleitorais.

 

O Congresso Nacional acertou nesta providência.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: “cliente não presta, você tem de ter parceiros”, diz empresário Marcos Scaldelai

 

 

“Na minha vida nunca existiu cliente. Eu sempre fui atrás de parceiros, porque quem é cliente não presta, você tem de ter parceiro e parceiro é aquele que vai construir junto com você”. A afirmação é de Marcos Scaldelai entrevistado de Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele lançou, neste ano, o livro “Vendedor Falcão – visão, velocidade e garra para vencer”, no qual defende a ideia de que o negociador tem de ser agressivo e consistente para ter resultados positivos com os seus parceiros. Porém deve-se levar em consideração que a negociação precisa ser um jogo de ganha-ganha, na qual as duas partes saiam satisfeitas.

 

Marcos Scaldelai é empresário, palestrante e escritor. Até recentemente foi presidente da Bombril e tem se dedicado a levar a experiência desenvolvida ao longo de sua carreira como líder e vendedor às mais diversas empresas no Brasil.

 

O programa Mundo Corporativo é gravado, às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão ao vivo no site na página da CBN no Facebook. Vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo a Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

É Proibido Proibir?

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O recrudescimento de ações radicais e extremas é uma preocupante realidade atual. Mundial e local.

 

Entre nós, precedidas recentemente por intolerâncias religiosas, vieram as manifestações sobre obras de arte, que abriram ataques de flancos liberais e conservadores.

 

O fechamento da exposição em Porto Alegre do “Queermuseu” e as manifestações em São Paulo contra a performance de Wagner Schwartz, no MAM, protagonizaram a atenção de ampla faixa da sociedade.

 

Estas ocorrências dominaram a mídia nos últimos dias. Fato é que em uma única edição na FOLHA encontramos Nabil Bonduki, Pablo Ortellado e Mônica Bergamo tratando deste mesmo tema.

 

Bonduki, em seu artigo intitulado como “Atacar a arte é uma tradição totalitária” lembra que o nazismo, antes mesmo de ocupar o poder, já desqualificava a arte que não seguisse os moldes clássicos. O preconceito na arte, que parecia distante daqui, chega com intensidade, levando o Santander a encerrar a exposição do Queermuseu, em Porto Alegre, um juiz interromper a exibição de uma peça teatral, em Jundiaí, uma pintura ser retirada de um museu, em Campo Grande, e um grupo de conservadores atacarem o MAM, em São Paulo.

 

Ortellado em seu texto “Polêmica no MAM não é sobre arte e não é sobre pedofilia”, afirma que é sobre política, pois os principais promotores da campanha foram o MBL, o Instituto Liberal de São Paulo, João Doria, senador Magno Malta, a família Bolsonaro e o senador Ronaldo Caiado.

 

 
Bergamo intitulou sua página “Vídeo sobre exposição gera tensão entre Doria e o MAM” para informar que o MAM esperava de Doria posição favorável ao museu, mesmo porque o fato que mais se destacou tem aspecto legal, que foi a menor acompanhada pela mãe tocar no corpo do homem exposto.

 

A estes relatos é importante destacar que na exibição de Wagner Schwartz o artista interpreta uma obra de Lygia Clark chamada “Bicho”, que é uma escultura de metal articulada que pode ser manuseada pelo público. Durante sua apresentação, ele convidou uma coreógrafa que assistia à exposição a participar, que junto com a filha que a acompanhava aceitou o convite.

 

Um aspecto significativo foi a posição de Milú Villela, presidente do MAM, que aos primeiros ruídos reuniu seu pessoal e decidiu que manteria a exposição.Bem diferente do Santander, que aos primeiros acordes dissonantes decidiu fechar a exposição do Queermuseu. Aliás, como já tinha feito antes, quando uma de suas diretoras publicou previsões econômicas desfavoráveis e foi demitida por pressão do governo Dilma.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Avalanche Tricolor: uma vitória importante para a Libertadores

 

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Beto da Silva faz o primeiro gol dele no Grêmio (reprodução SporTV)

 

 

O Grêmio joga para a Libertadores. E por isso é importante que vença no Brasileiro, mesmo que o faça com placares apertados e sofridos. Pode parecer estranho como são estranhas muitas das coisas que escrevo nesta Avalanche. Mas é real.

 

Desde o desconserto sofrido pelo time com a venda de Pedro Rocha e as lesões de alguns jogadores importantes, especialmente Luan – uma exceção no futebol brasileiro -, Renato tem enfrentado o desafio de fazer com que a equipe volte a jogar o futebol de qualidade que deslumbrou a crônica e entusiasmou nossa torcida. No entanto, alcançar a excelência do futebol que apresentamos até agora há pouco exige muito entrosamento, jogadores posicionados corretamente em campo e confiança entre os companheiros.

 

O passe preciso que foi uma das nossas marcas não depende apenas de quem o executa, mas de quem se movimenta para receber. E nossa diferença até então era que o executor (ou o passador)  ao ter a bola sob seu domínio sabia que dois colegas estariam prontos para dar sequência à jogada. Havia opção. Havia entrosamento. Havia confiança. Recebia e passava com velocidade, entendia o movimento do parceiro de um lado e de outro. Às vezes, a passagem de um deles era por trás dos zagueiros em condições de chutar a gol. E a bola chegava até lá.

 

Hoje ensaiamos alguns desses lances na primeira parte do jogo, mas após um, dois, três erros todos preferem ser mais conservadores. E o conservadorismo inibe a criatividade, torna o jogo óbvio e facilita a vida do adversário que tem como único objetivo desarmar. As mudanças no Grêmio, a necessidade de adaptar jogadores  e reposicioná-los em campo, desconsertou o time e, assim como os bons jogos, os bons resultados rarearam.

 

A discussão no Campeonato Brasileiro não é mais se devemos jogar com titulares, reservas ou alternativos. Sequer se almejamos ou não o título da competição (registre-se: se ainda for possível, eu quero). O Grêmio joga o Brasileiro para remontar o time para a Libertadores, dentro e fora de campo. Os lesionados ganham tempo para se restabelecerem enquanto Renato testa jogadores e formações. E nessa fase de teste fora de época – mas necessária – os tropeços acontecem, o futebol fica escasso e a bola não rola mais com a mesma certeza.

 

Exceção aos primeiros momentos do segundo tempo, o Grêmio dominou a partida dessa tarde de domingo, correu poucos riscos, ficou com a bola no pé, tentou chegar ao gol, mas a falta de entrosamento e o conservadorismo atrapalharam a execução. Não me surpreende que um time que já havia feito 99 gols na temporada tenha tido tanta dificuldade para alcançar a marca dos 100 gols. Alcançamos, respiramos e ganhamos tempo.

 

Ao remontar o time, Renato deu chances a Christian, que não aguentou o tranco da primeira partida; Patrick, que tem de ganhar personalidade em campo; Jean Pyerre, que para mim foi uma grata surpresa; Jael, que está a espera de uma bola no pé; e Beto da Silva, que se revelou um oportunista.

 

Luiz Humberto Silva da Silva, o Beto da Silva, 20 anos, que cresceu em Porto Alegre, foi se destacar em Lima, passou pela Holanda e retornou ao Grêmio, soube aproveitar a única oportunidade de gol que surgiu naquele último quarto de partida. Uma bola que resultou do chute forte de Everton, amortecido nos braços do zagueiro adversário – o que foi desconsiderado pelo árbitro – e sobrou para ele dentro da pequena área. Do jeito que dava, enquanto o restante do time reclamava pênalti, Beto da Silva desviou a bola para dentro do gol. Ela entrou devagar, quase que desistindo no meio do caminho. Mas entrou. Era o gol que ele precisava. Que o Grêmio necessitava.

 

Escalar o que tivermos de melhor à disposição, encaixar novamente o time, apostar no surgimento de substitutos  – como é o caso de Beto da Silva  – capazes de ocupar a vaga deixada por titulares -,  e vencer todo e qualquer desafio, seja por quantos gols for, é o melhor que temos a fazer.

 

É no Campeonato Brasileiro que vamos encontrar força, entrosamento e confiança para ganharmos a Libertadores. 

#CBN26anos – A minha história do rádio

 

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Sou do rádio desde muito pequeno. Aventurei-me no jornal, escrevi em revista, editei, reportei e ancorei em televisão, e atuei na internet. Mas aí já era profissional do jornalismo. E como tal somos de todas as mídias. Temos de ser de todas as mídias para sobreviver. Foi o rádio, porém, que influenciou minha vida desde criança.


 

Lá em casa, em Porto Alegre, o aparelho ficava sobre o balcão, na sala de jantar. A mãe costumava levantar o som sempre que o pai fosse falar. Sim, meu pai é radialista e jornalista, também – como o caro e raro leitor deste blog deve saber. Ao menos o foi até que a falta de sensibilidade dos gestores de rádio o fez ir para casa e aposentar seu talento. Além de narrador de futebol, Milton Ferretti Jung, o pai, foi locutor de notícias. Mais do que isso: foi o melhor locutor de notícias do Rio Grande do Sul. Apresentou por anos o Correspondente Renner, síntese noticiosa da rádio Guaíba, na época uma potência.

 

Sempre que o noticiário estava para começar, era a oportunidade de a mãe por ordem na casa. Para calar a bagunça dos filhos e a “brigalhada” dos irmãos, ela levantava o som do rádio e alertava a todos: “se continuarem gritando, o pai vai ouvir e quando chegar em casa vocês vão se ver com ele!”.

 

Silêncio total na sala. Vai que o pai ouve.

 

Crescemos imaginando que o ouvinte podia ser ouvido pelo radialista. Houve um momento, não sei quando, em que percebemos que aquela interação não era possível, mas entendemos também que tudo que a mãe precisava era de alguns minutos de paz para ouvir o pai falando. Nós também queríamos saber o que o pai tinha pra contar: ele sempre trazia as notícias mais importantes do Brasil e do Mundo. Dava um baita orgulho saber que era o nosso pai que estava ali contando todas aquelas coisas importantes para o Mundo e para o Brasil. Sem exagero. Não tinha internet, mas nas ondas médias e curtas, a Guaíba às vezes era ouvida das partes mais distantes do planeta.

 

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Nem havia crescido muito quando conheci o estúdio de uma emissora de rádio. O pai fazia questão de nos levar à Guaíba, especialmente nos fins de semana. Acho que era para dar uma folga para mãe. Às vezes, enquanto ele lia o noticiário, os colegas nos distraíam proporcionando jogos de futebol no corredor da rádio, onde a bola era feita de papel das laudas de notícias embrulhadas aos montes por durex.

 

Demorou pouco para o pai cometer um sacrilégio: abrir a porta do estúdio da rádio e me permitir sentar ao lado dele, durante a locução do Correspondente Renner. Naquela época, o estúdio era lugar sagrado. Só os Deuses da Voz tinham o direito de permanecer lá dentro. Eu sequer para anjo servia. Mas fazia enorme esforço para não decepcioná-lo. Ficava ao lado dele em silêncio, total silêncio. Mal respirava durante os 10 minutos de duração do Correspondente. Ver o pai com os cotovelos sobre a mesa do estúdio e as mãos colocadas em formato de concha, enquanto pronunciava com precisão e expressividade cada palavra, me emocionava.

 

Havia dias em que o pai me deixava visitar a redação do jornal Correio do Povo, que ficava no andar de baixo, do mesmo prédio da rádio, onde meu tio trabalhava com editor-fechador da edição de domingo. Era ele quem tinha de atualizar as últimas informações e acompanhar o jornal rodando nas esteiras antes de começar a ser distribuído por todo o estado do Rio Grande do Sul. Tio Tito Tajes me deixava dedilhar nas máquinas de datilografia, pedia para recolher as notícias que chegavam na sala de teletipos – espécies de computadores da Idade da Pedra – e me levava a passear entre as rotativas do jornal. Foi lá naquela redação que conheci Mário Quintana, o poeta.

 

Era lindo, mas era o rádio que me fascinava.

 

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Meu primeiro estágio em jornalismo foi na Guaíba, por obra do meu pai, claro. De lá sai para trabalhar em outras mídias e retornei ao rádio quando já havia desembarcado, em São Paulo, há algum tempo. Vim para trabalhar em TV e foi na redação da TV que conheci Heródoto Barbeiro que, ao saber de meu passado e desejo, me convidou para apresentar programa na CBN, onde permanecerei até segunda ordem.

 

Tantos anos depois, descobri que minha mãe tinha razão quando nos mandava calar porque o pai podia ouvir. Era como se ela estivesse prevendo o que viria a acontecer. Hoje, os jornalistas de rádio trabalham com os ouvidos (e os olhos) bem abertos porque o ouvinte fala o tempo todo. Fala no e-mail, fala no WhatsApp, fala no Facebook e fala no Twitter. Ainda fala por carta. Fala quando encontra você na rua, no shopping, na Igreja, onde quer que você esteja.

 

Ai de você que não ouça o que ele pensa. Pode se livrar de algumas chateações, mas, tenha certeza, estará desperdiçando ótimas oportunidades de se desenvolver na carreira e realizar jornalismo qualificado, que atenda as demandas do cidadão. Sem contar que esses ouvintes que “falam” são, atualmente, fontes importantes de informação, que não podem ser desdenhadas.

 

Quanto ao pai, segue em Porto Alegre. Respeitado por aqueles que conheceram seu trabalho. Na memória dos que cresceram ouvindo os jogos de futebol e as notícias do dia. E na história dos que se preocupam em estudar a trajetória do rádio brasileiro.

 

Como disse lá no início, sou do rádio desde pequeno. E o pai tem tudo a ver com isso. Obrigado, pai!

Conte Sua História de São Paulo: para comemorar o aniversário do bairro do Limão

 

Mercedes Darós
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Cheguei aqui em São Paulo no ano de 1969, na antiga rodoviária, bem cedo. Tomei um táxi para o bairro do Limão. Para chegar lá, passei pela ponte sobre o rio Tietê. Os terrenos laterais da Marginal eram um charco imenso, ouvia-se os grilos, os sapos e vagalumes, pareciam estrelas.

 

Vim pra cá para trabalhar no Colégio Padre Moye e fiquei até 2015, na maior alegria e realização. Adoro o campo da educação. Servi 23 anos no cargo de direção do colégio, que é de minha congregação religiosa. Todos daqui e arredores me conhecem como a Irmã Mercedes, do Colégio Padre Moye. Sempre abri portas e coração à população e recebi da Câmara Municipal o título de Cidadã Paulistana, que muito me honrou. Ganhei igualmente o Título de Cidadã Limoense.

 

Fui percebendo a falta de identidade dos moradores daqui e retomei a comemoração do aniversário do Limão, que é celebrado no dia 1º de outubro, a fim de criar estima, valorização e agregar as lideranças; pois historicamente, nosso bairro sempre foi considerado o “escoadouro da Zona Norte”, um lugar de passagem. Criamos então, com voluntários, a comissão “Pró Limão”. Assim, com pequenas ações, olhamos para o bem comum de todos. Não temos estatuto nem somos uma associação registrada. Damos presença, solidariedade às agremiações existentes.

 

Nossa Comissão Pró Limão assumiu zelar pela ordem e limpeza da Praça do Largo do Limão, tão descuidada. À noite eu vou, pois moro mais perto, e para não dar muito na vista, vou, tiro o lixo, folhas, galhos e plantamos mais pés de Limão, como árvore símbolo do Bairro, que lhe deu o nome.

 

Por curioso que seja temos aqui o bairro do Limão, o Jardim das Laranjeiras e a Rua das Tangerinas, chácaras cítricas, dos inícios… Mas em contra partida temos a Avenida Nossa Senhora do Ó e a Casa Verde… coitado de nosso bairro, tudo misturado.

 

Quando nosso bairro completou 80 anos foi demais… conseguimos pela primeira vez trazer a Câmara Municipal para fora dos muros do Viaduto Jacareí, com uma sessão solene, no bairro do Limão, no Colégio Padre Moye.
Neste ano, o Limão completa seus 96 anos.

 

Irmã Mercedes Darós é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também histórias da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo – Nova Geração: Eduardo LHotellier diz como a falta de experiência pode jogar a seu favor

 

 

“A falta de experiência por um lado é bom em alguns casos porque como você não sabe o que fazer tem de inventar uma maneira nova e muitas vezes a maneira nova que você inventa é melhor que a tradicional, mas também você comete muitos erros, então não tem jeito: é cometendo erro e aprendendo com ele”. A opinião é de Eduardo LHotellier, que aos 24 anos lançou a GetNinjas, uma das startups de maior sucesso no Brasil, desenvolvida para conectar prestadores de serviço – de pedreiro a chef de cozinha – a clientes através de plataforma tecnológica. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN, LHotellier, que está com 30 anos, apresenta estratégias que podem ser usadas por empreendedores que estão abrindo suas empresas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 horas, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Jornal diz que número de motoristas que usam o celular ao volante aumenta 20% no DF

 

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O número de autuações por uso de celular ao volante no Distrito Federal aumentou 20% no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com informações do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran), cerca de 186 condutores são flagrados diariamente cometendo a infração.

 

Ao todo, neste ano, mais de 45 mil pessoas foram flagradas no celular enquanto dirigiam. No mesmo período de 2016, ocorreram cerca de 37 mil infrações desta natureza. Os dados foram contabilizados por conta das ações de fiscalização feitas pelo órgão.

 


Leia a reportagem completa no jornal Correio Brasiliense, edição dessa quinta-feira, dia 28 de setembro.