Nova regra vai banir investidor-anjo, matar inovação e prejudicar empreendedor no Brasil

 

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Acostumado a sair em busca de dinheiro no mercado desde que se lançou como empreendedor, Tallis Gomes não titubeia ao afirmar que o governo brasileiro vai “banir o investimento-anjo do país”. Disse isso com todas as letras em entrevista que gravei com ele semana passada, no programa Mundo Corporativo e vai ao ar em breve no Jornal da CBN. O motivo desse pessimismo: a decisão da Receita Federal em taxar entre 15% e 22,5% o lucro de investidores-anjo, resultado de canetaço do órgão após a regulamentação de lei que criou essa figura jurídica no Brasil.

 

Investidores-anjo são os caras dispostos a colocar dinheiro em negócios que estão se iniciando, assim como era a Easy Taxi, o primeiro aplicativo no Brasil a conectar passageiros e motoristas de táxis, criado por Gomes, em 2011. Um negócio que só decolou porque um grupo de investidores-anjo, da Alemanha, acreditou na ideia dele e de seus sócios e colocou R$ 10 milhões na empresa, em 2012.

 

 

A preocupação dele e de todos os empreendedores brasileiros faz sentido, foi o que ficou claro na conversa que tive semana passada com Pedro Doria, jornalista, especialista na área digital e meu colega no Jornal da CBN. No comentário Vida Digital, Doria explicou que criar a figura jurídica do investidor-anjo era importantíssimo, por isso a lei foi bem-vinda e resultado de muito debate. “Antes ou o investimento ocorria na forma de um empréstimo mútuo — e, assim, o dono da startup se tornava um credor; ou o investidor tinha de virar sócio da empresa, arcando com todas as responsabilidades e riscos”, explicou.

 

O problema é que no Estado brasileiro ninguém consegue conter a sanha tributária. Assim que a lei foi aprovada, a Receita viu a possibilidade de arrecadar um pouco mais de dinheiro. Muito mais dinheiro. O tributo cobrado sobre os lucros obtidos pelos investidores se assemelha aos do Tesouro Direto. Ou seja, a Receita mandou o seguinte recado: em lugar de botar dinheiro em um negócio que sabe-se lá vai dar certo, melhor aplicar em títulos do governo. “É pra matar a inovação”, disse-me Doria.

 

 

Matar ou banir. Seja qual for o verbo usado, o resultado e o alvo serão os mesmos: o fim do sonho de milhões de jovens brasileiros dispostos a empreender no Brasil. Lê-se na pesquisa Global Entrepeneurship Monitor 2016 que 22% das pessoas entre 18 e 34 anos estão envolvidos com a criação de uma empresa aqui no Brasil. Uma gente que pode ter boas ideias e poder de execução, ma que necessita também da crença dos investidores. No momento em que o governo brasileiro avisa que é mais seguro e rentável aplicar no mercado do que em negócios, pouco dinheiro haverá para eles.

 

O drama se completa quando se percebe que esses mesmos jovens, frustrados em suas iniciativas, vão recorrer ao mercado de trabalho e não encontrarão vagas disponíveis. Semana passada, o IBGE calculou que somos 13,5 milhões de desempregados, número registrado no trimestre encerrado em junho. É muita gente sem emprego, mesmo levando em consideração que é 0,7 ponto percentual menor do que no primeiro trimestre deste ano.

 

Com a pressão econômica e o mercado de trabalho ainda sofrendo as crises provocadas ou pela má-gestão ou pela má-fé de nossos administradores públicos, falta emprego e a opção do empreendedorismo é dizimada por decisão de tecnocratas. Não surpreende o fato de que o número de empregados sem carteira assinada cresceu 4,3% no último trimestre – já são 10,6 milhões de pessoas nessa condição.

 

Reforma eleitoral: acertos e erros

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

 

O Congresso Nacional votará mudanças nas regras eleitorais. Sim, mais uma vez. Já virou rotina. Alguns dos tantos itens propostos podem ser avaliados e minimamente projetados. Vejamos alguns deles.

 

Data das convenções – As convenções para escolha dos candidatos, de presidente a vereador, e as deliberações em torno de coligações, deverão ser realizadas entre 1º e 20 de julho. A reforma anterior, de 2015, estabeleceu que as convenções ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. A antecipação é útil e facilitará o julgamento dos registros pela Justiça Eleitoral. Basta lembrar que em 2017 o Tribunal Superior Eleitoral segue julgando recursos de alguns candidatos eleitos em 2016 com o registro pendente.

 

Propaganda eleitoral – Passa a ser permitida a partir do dia 1º de agosto. Quinze dias a mais de campanha são importantes para candidatos sem mandato frente aqueles que disputam a reeleição. Também viabiliza que temas importantes ou polêmicos possam ser mais (e melhor) debatidos.

 

Propaganda em bens particulares – Passa a ser possível exibir a propaganda eleitoral que não exceder a 1m² (um metro quadrado), ampliando o limite de meio metro quadrado hoje tolerado. Fica eliminada a restrição de materiais apenas em adesivo ou papel, o que permitirá a retomada de pequenos painéis, banners e muros.

 

Propaganda paga na internet – Atualmente proibida, será tolerada até o limite de 5% (cinco por cento) do teto de gastos estabelecido para o cargo em disputa. Trata-se de uma necessária adequação da lei à modernidade.

 

Restrição às pesquisas eleitorais – Fica vedada a divulgação de pesquisas eleitorais, por qualquer meio de comunicação, a partir do domingo anterior à data da eleição (que ocorre no domingo seguinte). Os melhores estudos na matéria sugerem quinze dias. Mas uma semana, diante de recentes erros grosseiros por alguns institutos e do condicionamento emocional que estabelecem aos eleitores que “não querem perder o voto”, já é um passo elogiável.

 

Sobre os erros e casuísmos contidos nas propostas, os mesmos podem ser classificados entre ostensivos ou sutis e medonhos ou abjetos. O certo é que todos se caracterizam pela inadequação. Acompanhe alguns.

 

Permitir que o candidato a presidente ou a governador concorra simultaneamente a deputado, vamos combinar, é um artifício que confundirá ou indignará o eleitor.

 

Ampliar o prazo de filiação partidária para nove meses é pisotear na reforma anterior ocorrida em 2015 que, a exemplo de outros países estáveis e democráticos, fixou-a em seis meses.

 

Introduzir o telemarketing na propaganda eleitoral (inclusive aos sábados) equivale pedir aquele eleitor perturbado no seu sossego que vote nulo ou se abstenha.

 

Por fim, tramar outra janela para troca de partido em dezembro quando já há uma estabelecida para o ano da eleição é uma manobra que apenas vitaminará o limbo vivenciado pelo sistema e pelos próprios parlamentares.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: conduzido pela bengala branca do cego

 

Por Suely A. Schraner
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Era um dia nublado quando chegamos para a primeira reunião na Fundação Dorina Nowill para Cegos. O sonho da mobilidade e maior autonomia, na ponta da bengala.

 

Bengala branca. Esta bengala é um recurso fundamental para garantir a mobilidade do deficiente visual. Mantém a postura ereta. É como uma extensão do braço. Adepta da geometria. Com sua ponta ela toca linhas retas, linhas curvas e suas subdivisões. E toca também o lixo, pernas distraídas, entulho na calçada. Encaixa copos descartáveis jogados no chão. ..

 

A bengala, muitas vezes, é rejeitada e dá medo. Remete ao preconceito. Sinônimo de velhice. Haja vista o logotipo no bilhete do idoso, aquele, simbolizado pelo bonequinho curvado, segurando uma bengala e simulando dor nos quadris. Ai, ai…

 

Sensibilizar os espaços. Desafiar inseguranças, vencer o medo. Compartilhar vias públicas e multiplicar respeito, um desafio permanente.

 

Na sala de reuniões, um grupo ávido por mais autonomia para finalmente poder circular por aí.

 

Um disse que a mobilidade está dentro da gente. Outro sonha ter três bengalas: uma para direcionar, outra para apoiar, e uma terceira para buzinar. Ideal de outro com as vistas avariadas: nunca fazer sinal para o caminhão do lixo parar pensando que era o ônibus.

 

Aprendi que, na Atividade Vida Diária (AVD), a terapeuta ocupacional, dá condições ao deficiente visual para fazer o que quer, com mais segurança. Por exemplo, fritar um ovo sem se queimar.

 

Na Fisioterapia, o objetivo é fortalecer os músculos e desenvolver um bom padrão de marcha, ou seja, pisar primeiro o calcanhar e em seguida a planta do pé. Além disso, trabalhar a lateralidade: esquerda e direita.

 

No Programa de Orientação e Mobilidade, a importância da auto-segurança. Enfim, todas as áreas estão interligadas.

 

Neste compartilhar, um olhar mais apurado pela região da Vila Clementino. Uma legião aflui para aquele quadrilátero hospitalar: ruas Borges Lagoa, Pedro de Toledo, Marselhesa, Napoleão de Barros, Botucatu e Diogo de Faria.

 

Brigando com postes, saídas de garagem, reformas e calçadas esburacadas. Superando preconceitos. Construindo dias melhores.

 

Na condição de Guia Vidente. Aprendo a verbalizar a lateralidade: ao invés de dizer de dizer “tem um lugar aqui”, falar: “tem um lugar à sua frente, à direita”.

 

Que a pessoa com deficiência visual, deve segurar na altura do cotovelo do guia vidente, no pulso ou ombro, dependendo da diferença de altura entre ambos. Facilitar a acessibilidade.

 

Eu e ela atravessamos as mesmas ruas, percorremos estes caminhos. A geografia do cego é um mundo visto pelos ouvidos, vozes, cheiros e toques.

 

Não é um cajado de Moisés ou um cetro de Reis. É a sua bengala branca que a conduz. Segue compartilhando a via pública, os pisos táteis. Tateando vida afora, multiplicando respeito. Driblando preconceito e a falta de respeito de alguns. Ser incluída é poder circular pelo mundo com desenvoltura.

 

Outro dia, pedi a uma jovem no ônibus para dar o lugar para ela. A moça recusou dizendo que o banco para cegos era o outro, mais atrás. No fim, uma senhora que estava lá, levantou-se espontaneamente e cedeu o lugar. Percebi depois, que além de idosa ela estava indo para uma quimioterapia, no Hospital São Paulo.

 

Dias destes, ouvi de uma deficiente visual:  “tenho a preferencial, mas, se não me cuidar, me derrubam no chão”. Há néscios dos direitos e da solidariedade .Há também os que multiplicam respeito. Menos mal.

 

No quadro da recepção da Fundação há uma inscrição que diz mais ou menos isso: a melhor maneira de agradecermos por enxergar é ajudar quem não vê. Uma maneira inefável de levar a vida. Na guerra contra o preconceito, compartilhando a via pública e multiplicando respeito.

 

Nota: “Uma em cada cinco vítimas de quedas atendidas no Hospital das Clínicas, (em agosto de 2012), se acidentou nas calçadas de São Paulo.”FSP 05.11.2012

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Claudio Antonio e narração de Mílton Jung. O programa vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP.

Avalanche Tricolor: coisa de torcedor!

 

Grêmio 1×1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A camisa 7 que Renato vestia, na partida deste fim de domingo, tinha o nome de Paulo Sant’Ana. Na braçadeira preta que estava no braço esquerdo do técnico e de todos os demais jogadores gremistas havia o rosto dele ilustrado. Era uma das homenagens que o time fazia ao jornalista e torcedor declarado do Grêmio, morto em 19 de julho.

 

Logo que percebi as menções, lembrei-me de algumas histórias que vivenciei com Sant’Ana. Ele sempre trabalhou na empresa que era a principal concorrente daquela em que meu pai, também jornalista e gremista declarado, atuava. Ele era da RBS e o pai da Caldas Junior. Na última vez que vi Sant’Ana, os dois estavam internados no mesmo hospital, e ele foi visitar o pai no quarto, quando contou que era o único paciente com autorização implícita para fumar no hospital.

 

Havia entre eles respeito e divergências, nada que os afastasse; mas o suficiente para protagonizar momentos curiosos, como em 1975, do qual participei, também, apesar de estar com apenas 12 anos. O Grêmio era treinado por Ênio Andrade, meu padrinho por adoção, e tinha no ataque um dos meus maiores ídolos: o ponteiro esquerdo Loivo, batizado pelo pai como o Coração de Leão.

 

Loivo ganhou o meu coração quando entrei com ele de mãos dadas no gramado antes de uma partida no estádio Olímpico. A cena inesquecível me impedia imaginar um dia o Grêmio sem aquele batalhador que vestia a camisa 11. No entanto, havíamos contratado Nenê que era mais jovem, tinha estilo de jogo diferente, entrava ao longo da partida e se tornava uma ameaça ao meu ídolo.

 

Na crônica esportiva, Sant’Ana defendia a escalação de Nenê. O pai preferia Loivo. Ênio Andrade, também, e passou a ser criticado pelo jornalista com frequência. Santa’Ana costumava tocar alto sua corneta quando não gostava de alguma coisa no Grêmio – nestes momentos era mais torcedor do que jornalista.

 

Houve uma partida no Olímpico, e não vou lembrar o adversário, na qual o Grêmio somente venceu depois da entrada de Nenê que fez o gol da vitória. No momento em que deixávamos o estádio, eu e meu pai, fomos abordados por Sant’Ana, no Largo dos Campeões. Sem se fazer de rogado, o jornalista se atirou aos meus pés e de joelhos, sob olhar de todos os demais torcedores que deixavam o jogo, berrava: “ouça sempre o seu pai, ele é o maior pai do mundo, mas quando for de futebol ouça a mim, por favor, ouça a mim” – repetiu várias vezes.

 

A cena me deixou chocado, eu ainda era um guri de calça curta e sem capacidade de entender o que levaria um homem maduro como ele tomar aquela atitude diante de uma criança. Claro que havia algo de espetaculoso, mas entendi com o tempo que tinha muito a ver com a personalidade histriônica de Santa’Ana e a paixão que mantinha pelo Grêmio, a mesma que eu e pai cultivamos até os dias de hoje.

 

Torcedores têm dessas coisas – e Sant’Ana era um. Às vezes nos apaixonamos por um. Às vezes nos incomodamos com outro. E num caso ou noutro somos passionais. Tomamos atitudes nem sempre lógicas. Como torcedor – e aprendi isto com o pai -, sempre preferi torcer a favor de todos, mesmo quando percebo que alguns não mereceriam estar vestindo nossa camisa. Nesses casos, torço o nariz, esbravejo entre quatro paredes mas jamais seria capaz de vaiar um dos nossos ou fazer campanha pela sua saída.

 

Confesso que não acompanhava os comentários de Sant’Ana nos últimos tempos, mas imagino que ele estivesse satisfeito com o que Renato vinha conquistando no comando do Grêmio, não bastasse ser um amigo do treinador. A qualidade do futebol jogado pelo nosso time é indiscutível, mesmo que tenhamos perdido alguns pontos que farão falta no Brasileiro. Os dois que deixamos de somar hoje, por exemplo. A partida era do Grêmio, fomos melhores, e tivemos mais chances e até pênalti a nosso favor não sinalizado. Infelizmente, faltou mais um gol.

 

Mesmo assim, só consigo encontrar um motivo a lamentar na partida de hoje: a ausência de Sant’Ana.

 

Mundo Corporativo: “se um velho experiente se digitalizar, ele engole você”, alerta diretor da Campus Party

 

 

“Cuidado porque é muito mais fácil um velho experiente se digitalizar do que um jovem digitalizado ganhar experiência; então, se um velho experiente se digitalizar, ele engole você”. O alerta é do diretor-geral da Campus Party Brasil Tonico Novaes em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração. A presença de diversas gerações no mesmo ambiente de trabalho e as profundas transformações que devem ocorrer no emprego foram alguns dos temas discutidos por Novaes. Ele chama atenção para o fato de que a era da internet fará desaparecer parte da funções que existem hoje, porém muitas outras vão surgir: “a gente tem de entender como que a sociedade vai coexistir e como vamos trabalhar para ter um futuro mais justo, uma sociedade igualitária”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo.

Avalanche Tricolor: um time que não se ilude com o talento e sempre disposto a lutar

 

Atlético PR (0) 2×3 (4) Grêmio
Copa do Brasil – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

 

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Everton e Pedro Rocha marcaram para o Grêmio (reprodução SportTV)

 

 

Fomos forjados no sofrimento. Nascemos precisando quebrar a hegemonia regional do adversário; tivemos de nos transformar para ganhar dimensão nacional, e assim que a alcançamos fomos buscar a América e o Mundo. Quando tudo parecia conquistado, descobrimos que sofrer era preciso: recomeçamos nossa saga para registrar na história uma batalha nos Aflitos.

 

Como torcedor criado nessas condições, aprendi a respeitar cada resultado e ser comedido nas comemorações. É verdade, uma vitória me deixa feliz e uma goleada, extasiado. Porém, jamais iludido. Por isso, a classificação à semifinal da Copa do Brasil somente foi uma certeza após o jogo desta noite, mesmo que tenha sido larga a vantagem da primeira partida.

 

Se eu como torcedor tenho essa percepção, Renato, que além de torcer como nós é um estrategista (e gênio), tem certeza. Portanto, soube conter a excitação dos seus jogadores, colocou a cabeça da turma no lugar e os convenceu de que nada estaria garantido antes do apito final.

 

A forma como o Grêmio jogou, mesmo com mudanças em cinco posições, mostrou a seriedade com que este confronto foi encarado. Havia inteligência no passe e na posse de bola. Nem mesmo o gol tomado nos primeiros 15 minutos tirou o time do seu foco. A velocidade na movimentação e o talento no drible se sobrepuseram à vontade e ao desespero do adversário que corria atrás de um feito histórico.

 

O 7×2 final – conquistado nos dois jogos destas quartas-de-final – esteve à altura da qualidade deste time que sabe jogar bola como poucos no Brasil e, ao mesmo tempo, tem maturidade suficiente para não se iludir com seu talento. Aprendemos na vida e nos gramados que nada vem de graça, precisamos jogar muito e lutar, jogar mais ainda e lutar ainda mais, se quisermos ser campeões. E nós queremos!

O momento, a pessoa e a tarefa mais importantes como abordagem de venda e sabedoria de vida

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Cheguei a três interessantes questões ao buscar uma síntese das melhores práticas comerciais. As três se sobrepõem as especificidades e particularidades das técnicas de vendas, pois estão na esfera conceitual e emocional. De certa forma, estão inseridas em textos como contos de sábios ou até mesmo de cunho religioso, como bíblicos ou espirituais.

 

Questão 1 – Qual o momento mais importante da vida?

 

É o momento presente. Nem eventos passados nem futuros são mais importantes do que o atual, em que há o controle da situação.

 

Questão 2 – Qual a pessoa mais importante?

 

É a pessoa que está na nossa frente. As outras estão ausentes e fora da ação atual. É preciso se esmerar para focar a atenção nesta pessoa.

 

Questão 3 – Qual a tarefa mais importante?

 

É atender esta pessoa que está à nossa frente da melhor maneira possível. Outras tarefas ficam em segundo plano, pois o possível é fazer feliz quem está conosco no momento.

 

Numa situação de venda é claro o momento mais importante, pois é exatamente o atual, em que a pessoa na frente é o cliente. Que passa a ser a pessoa mais importante. Cuja tarefa mais importante é atendê-lo de forma a deixá-lo feliz.

 

Em qualquer outra situação, sempre podemos repetir essa relação de importância, efetivando o presente como o ponto principal. Afinal, é assim que podemos ter o controle da situação, sem as perdas de estar pensando no passado ou no futuro.
Podemos imaginar quão maravilhoso seria o mundo se todos agissem desta maneira.

 

Visualize você sendo a pessoa mais importante para o pessoal de atendimento das companhias aéreas, ou para os vendedores e vendedoras de lojas, ou para os atendentes das concessionárias de serviços públicos.

 

É assim que eles fazem você se sentir? É assim que você faz o seu cliente se sentir?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: de olho na Copa do Brasil, Grêmio empata no Brasileiro

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/São Paulo SP

 

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Pedro Rocha comemora mais um gol pelo Grêmio (reprodução  Canal Premiere)

 

 

Vivo em São Paulo desde 1991. Cheguei a trabalho, fiz carreira, casei, construí família e em um exercício de futuro é por aqui que me vejo nos próximos longos anos que pretendo viver. Minhas raízes com o Sul nunca serão esquecidas, mas, depois do pai e dos irmãos, é o Grêmio o que mais me identifica com o Rio Grande. A maioria dos que me conhecem aqui sabe para quem torço, aproveita-se disso para provocar sempre que jogamos contra times paulistas e caçoar quando o resultado permite. Típico do futebol.

 

Neste ano, a tarefa dos caros e raros amigos que mantenho na cidade tem sido árdua, mesmo que, por coincidência, tenhamos perdido mais pontos para os times daqui do que de outros Estados, neste Campeonato. O jogo jogado pelo Grêmio, além de encantar nossa torcida e os cronistas, tem ganhado a admiração dos adversários. Os elogios são frequentes; as referências, constantes; e boa parte prefere não me desafiar para apostas – talvez devesse, pois costumo não ter muita sorte em palpites (meus resultados no CartolaFC que o digam).

 

Hoje, voltamos a jogar bem e impor o futebol moderno que tem chamado atenção de todos. A bola passava de pé em pé, com precisão e velocidade. O deslocamento do meio de campo para frente era muito bem feito e as chances de gol começaram a aparecer aos poucos. 

 

Abrimos o placar antes da marca dos 20 minutos do primeiro tempo, o que tem sido padrão no time de Renato. Um gol resultado da boa articulação, posicionamento e marcação: a bola foi roubada por Geromel, lá na defesa, que conseguiu em apenas um toque colocar Pedro Rocha em disparada pelo lado esquerdo. Nosso atacante foi veloz e talentoso para se livrar de um marcador com um drible para dentro da área e bater forte.

 

Houve novas oportunidades e se mantivéssemos o mesmo ritmo a possibilidade de ampliar o placar ainda no primeiro tempo era grande. O Grêmio não marcou e teve de suportar um adversário pressionado pela tabela e empurrado pela torcida. Mesmo assim, os riscos eram poucos até o gol de empate. Bem que tentamos voltar a jogar e os minutos finais deram sinais que se tivéssemos insistido com o nosso jogo um pouco mais cedo, haveria a possibilidade de sairmos com os três pontos.

 

Em condições normais de pressão e temperatura, o empate fora da casa, seria festejado. Renato e seu time, porém, nos acostumaram mal e nos deixaram pretensiosos diante da possibilidade de vencer sempre – mesmo em um campeonato que não está entre nossas prioridades. 

 

Que saibamos dar o verdadeiro valor para este ponto ganho em São Paulo e voltemos logo nossas atenções para Copa da qual somos Rei. Quinta-feira tem decisão!

 

 

Conte Sua História de São Paulo: da rua da Mooca sai para conhecer minha cidade

 

Por Paula Bueno
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Nasci no bairro da Mooca, na década de 70 e ainda muito menina nos mudamos para a zona norte da cidade, num condomínio de casas chamado Parque Residencial Santa Teresinha, com muita área verde e até um clube. O condomínio era totalmente murado com guaritas. Hoje, penso que a proposta era até muito moderna para a época. No fundo do condomínio tinha um córrego não canalizado. O engraçado é que para nós, crianças, aquilo era como se fosse o fim do mundo mesmo, o limite do planeta. Depois do muro tem o córrego e mais nada, acabou… Todo nosso universo se restringia aquelas ruas e a passar horas e horas brincando de esconde-esconde, pega-pega, barra manteiga, amarelinha e a andar de bicicleta.
 

 

Meus avós tinham ficado lá na Mooca e nós os visitávamos com muita frequência. Eu particularmente adorava quando ficávamos para o jantar, pois assim só voltaríamos para casa à noite o que significava que eu ia poder ver as luzes da cidade! Eu amava ficar olhando pela janela do carro de papai as luzes dos postes e a iluminação dos prédios, pontes, construções e outdoors. Meu momento favorito era passar na Av. Tiradentes e avistar o imenso lustre da Pinacoteca aceso (hoje infelizmente ele não fica mais).
 

 

Então fui estudar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e uma das disciplinas era História da Arquitetura. Tornei-me uma aluna assídua, daquelas que não cede a carteira na primeira fila nem para a melhor amiga! O professor trazia muitas fotos e a descrição detalhada de pontos inimagináveis da cidade com uma riqueza arquitetônica incrível e que infelizmente na maioria das vezes nem nos damos conta, passando por esses pontos sem saber de sua história e sem ao menos enxerga-los, como o Castelinho da Brigadeiro, o Solar da Marquesa de Santos ou o Edifício Martinelli.
 

 

Uma ocasião, eu já era moça, tive a oportunidade de fazer uma viagem para Buenos Aires. Passamos cinco dias conhecendo a capital, percorrendo suas ruas, observando a arquitetura, a cultura, a gastronomia, os museus, lojas e pontos turísticos. De volta a São Paulo me perguntei: “por que pagamos para conhecermos a cidade dos outros e não conhecemos a nossa?” Naquele momento me dei conta que gastamos fortunas para conhecermos os principais pontos turísticos de Buenos Aires, Montevideo, Nova York ou Paris sem antes termos dado uma única volta no Parque do Ibirapuera ou ter entrado no MASP.
 

 

Então comecei a fazer listas de locais em São Paulo com o status: Para conhecer! E todos os anos passei a reservar alguns dias das minhas férias para esses passeios.
 

 

Alguns foram muito marcantes. O pavilhão japonês no parque do Ibirapuera, por exemplo, foi uma grata surpresa. Estávamos andando a esmo pelo parque quando avistamos a construção, entramos e uau! Que lindo! O Museu do Imigrante que me emocionou profundamente quando vi pela primeira vez uma réplica do quadro de Bertha Worms – Saudades de Nápoles. A festa de Nossa Senhora Achiropita, onde além das barraquinhas havia na garagem de uma casa, logo no início da rua, o melhor macarrão com porpeta que já comi na minha vida (com perdão da minha avó). A escultura de Willian Zadig – O Beijo Eterno, localizada no largo São Francisco e que já ficou guardada nos depósitos da prefeitura por mais de dez anos por ser considerada imoral. Subir a 23 de Maio a pé, isso mesmo, a pé, no aniversário de 450 anos da cidade. Foi Incrível! Ou passar um réveillon na Paulista com um mar de gente pra todo lado onde mal se consegue respirar, mas mesmo assim você não quer ir embora!
 

 

Quando adulta fui trabalhar com hotelaria, o que me permitiu viajar bastante e conhecer lugares incríveis, mas o sentimento de casa, de estar em casa, aquele suspiro que se dá ao sentir um calor gostoso como se fosse um abraço apertado não sai do meu coração quando ponho os pés na área de desembarque do aeroporto da minha amada São Paulo.
 

 

Paula Bueno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung. Envie seu texto sobre a cidade para milton@cbn.com.br