Monstruosidades jurídicas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Raimundo, 60 anos, está preso por não pagar pensão alimentícia reclamada pela ex-mulher. Não tem patrimônio, não tem emprego e não tem idade competitiva no mercado de trabalho.

 

O mecânico Carneleiro há 30 dias preso, sem sair da cela, com a mesma roupa, não consegue explicação exata da dívida da pensão alimentícia que o acusam. Não tem os direitos dos presos comuns.

 

A defensora pública Rita de Cassia Vieira Catharina, do RJ, acha que os filhos podem ver o pai preso com bons olhos.

 

Um paciente de São Paulo, dono de um patrimônio de R$ 40 milhões, a pedido da família, foi internado em um hospício por Ronaldo Laranjeira. O Dr Laranjeira é coordenador do programa “anticrack” do governo de SP, e está sendo investigado, pois não via o paciente há três anos quando o mandou ao hospício, e a família é suspeita de interesse pecuniário.

 

A boa notícia é que, se o meio é a mensagem, o programa Fantástico abre espaço pela segunda vez no ano para abordar o tema.

 

Em março, anunciava as mudanças na Lei da Pensão Alimentícia. Numa canetada, um retrocesso. Enquanto se esperava uma atualização devido às mudanças na sociedade, principalmente no papel da mulher no mercado de trabalho, eis que o regime fechado torna-se obrigatório, a conta bancária pode ser bloqueada e saqueada, e o crédito cortado.

 

Nesse segundo programa, em novembro, fica evidenciado o absurdo de encarcerar o devedor da Pensão Alimentícia, encerrando definitivamente as chances de ele cumprir financeiramente com as obrigações. Assim como a figura equilibrada e competente da Desembargadora Joeci Machado Camargo do PR. Ela mesma vítima de pai que descumpriu a lei da Pensão Alimentícia, mas não por isso, defensora da prisão. Defende a dissolução com responsabilidade sem a incongruência do encarceramento.

 

De outro lado, na pauta de “O médico e o louco”, o articulista da Folha, Hélio Schwartsman, ressalta a facilidade com que se pode enviar um suposto “louco” ao hospício. Se cumprir a lei atual, que é falha, a internação depende de um só laudo, mas corre-se o risco de nem isso ser cumprido, como no caso citado. O Dr. Laranjeira descumpriu o Código de Ética Médica, art. 37, ao efetuar a internação à força sem examinar o paciente.

 

Louvável a preocupação de Shwartsman com a lei n° 10.216/01, quando a qualifica de monstruosidade jurídica. Em seu tributo intitulamos nosso post de hoje.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O reajuste do “salário” dos vereadores de São Paulo: legalidade x moralidade

 

Márcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político
Integrante do Adote um Vereador

 

 

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A polêmica do reajuste do subsídio dos vereadores paulistanos despertou a questão em relação aos princípios constitucionais adstritos à Administração Pública. São eles:

 

  • legalidade
  • impessoalidade
  • moralidade
  • publicidade
  • eficiência.

 

Aqui trataremos somente dos pertinentes à questão.

 

A repercussão da medida “bombou” negativamente nas redes sociais e na grande mídia – principalmente devido à crise econômica – pressionando os vereadores a se posicionarem a respeito de seu voto favorável ao reajuste.

 

Diante da repercussão negativa um vereador justificou sua conduta alegando que seguiu parecer do seu setor jurídico e da CMSP, que indicaram a constitucionalidade do Projeto de Resolução 12/2016.

 

Uma vereadora divulgou nas redes sociais nota com o título “justificando o injustificável”, onde declara que seguiu a orientação da bancada de seu partido, contrariando sua posição pessoal. Tardiamente, esta bancada soltou nota esclarecendo que a Resolução é legal já que a Lei Orgânica do Município estabelece que compete à Câmara fixar o subsídio dos Vereadores. Ainda, defendeu que o aumento ficou abaixo da inflação do período, respeitou os limites constitucionais e o impacto deste reajuste é ínfimo no orçamento da Câmara.
Com posição contrária ao aumento, um outro vereador argumentou que “a aprovação [do reajuste] é inoportuna neste momento de redução de arrecadação da prefeitura”.

 

Diante dos argumentos, fica nítido que o legislativo está restrito a embasar seu ato na legalidade, ignorando a questão da moralidade. Moralidade que assim como a legalidade é princípio constitucional no qual a Câmara está vinculada.

 

Perante a polêmica decisão, foi ajuizada uma Ação Popular em face da CMSP, onde foi suspensa liminarmente os efeitos da Resolução 12/2016, determinando a manutenção dos vencimentos anteriores, pois se entendeu que não foi respeitado o prazo estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

Em nota, a CMSP alega a constitucionalidade e legalidade do aumento e que tomará as devidas providencias jurídicas pertinentes ao caso.

 

Esta decisão põe em cheque a narrativa dos vereadores acerca da legalidade, pois o juiz entendeu que não foi observado o prazo estabelecido em lei específica, já que não pode ocorrer aumento de despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, bem como que tal conduta gera danos à municipalidade.

 

Ainda que a conduta dos supostos representantes do povo esteja respaldada na legalidade é patente que diante da situação econômica, tal medida é imoral. Diante disso entende-se que “a legalidade de uma ação não pode ser justificativa quando sua moralidade é questionada”.

 

Aparentemente há conflito de princípios, pois sua aplicação acarreta decisão antagônica, já que a preservação de um deles pressupõe a preferência ocasional sobre o outro. Assim questiona-se, qual princípio prevalecerá nesta questão? Cena dos próximos capítulos.

 

Fato é que o direito é interpretativo, portanto, obviamente se interpreta da forma mais conveniente e benéfica a si próprio.

 

Essa é mais uma questão que foi judicializada e será decidida nos Tribunais. Evidente que se prevalecer à tese da legalidade, a vereança paulistana sairá beneficiária, caso por um lapso de consciência, seja invocado o princípio da moralidade e a Câmara não recorra da decisão, será a sociedade a beneficiária.
Outro ponto a ser analisado é a questão da eficiência da Administração Pública, que também é princípio constitucional.

 

Se o Legislativo for eficiente, provavelmente a população não se revoltará com o aumento expressivo dos nobres vereadores.

 

Destarte, sendo a legalidade, a moralidade e a eficiência princípios constitucionais, cabe ao legislativo paulistano o cumprimento de todos estes princípios e não apenas o cumprimento de um ou outro.

 

Aos olhos da população, o Legislativo paulistano não demonstrou sua eficiência, o que fez com que sua atitude, embora legal, seja imoral.

Sucesso e fracasso fazem parte da mesma jornada

 

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Tenho por hábito guardar alguns arquivos de texto na tela do meu computador. Coisas que estava pensando em ler com mais calma em um dia mais calmo, que jamais chegará. Ou que poderiam me inspirar a escrever no blog, como, aliás, estou fazendo agora.

 

Imagino que haja maneira mais criativa e produtiva de se arquivar material pelo qual tanto prezamos. No entanto, ao tê-los ali ao alcance dos olhos penso que será mais fácil de me lembrar da importância que um dia dei a eles. O que a realidade me mostra não ser verdade: hoje mesmo, me deparei com alguns textos que estão pendurados na tela faz mais de ano. Fossem post-its já teriam descolado.

 

Um dos arquivos me chamou atenção e continha estas listas que costumam fazer sucesso na internet: neste caso, uma lista de fracassos ou com causas que nos levam ao fracasso. O tema pode não ser agradável para esta época, afinal quando um novo ano se inicia é sempre oportunidade para refazermos sonhos e desenharmos planos que nos transformarão naquilo que imaginávamos ser um dia. É o momento de pensarmos no que pode dar certo, no sucesso.

 

O problema é que nos iludimos com a ideia do sucesso, especialmente pela dificuldade de definirmos o que ele representa. De uma maneira geral, tendemos a ver o sucesso naquelas pessoas que chegaram ao topo da empresa, têm um crachá poderoso pendurado no pescoço, um bom salário na conta, casa própria e passaporte marcado pelas viagens internacionais. O tamanho do escritório, a quantidade de funcionários à disposição e de ações da empresa também servem de parâmetro.

 

Muito mais difícil é enxergar este mesmo sucesso em profissionais comuns, estabelecidos em atividades intermediárias na hierarquia da empresa e com salários que dependem do complemento do vale transporte e de alimentação. Mesmo que realizem suas funções com excelência e eles próprios se sintam realizados.

 

Um e outro, independentemente do posto que ocupem, podem se sentir bem sucedidos, mesmo porque este conceito não se restringe a vida profissional. O que se sucede bem está na nossa casa, na nossa família, no meio social em que vivemos; na espiritualidade e religiosidade, também. Limitarmos nossa satisfação aos resultados na empresa é tornar pequena uma vida que deve ser vivida em todas suas dimensões.

 

O sucesso é tão tentador que lá se foram três parágrafos dedicados a ele quando meu objetivo aqui é falar do fracasso, que costumamos experimentar em nosso cotidiano. O erro profissional muitas vezes nos envergonha, nos amedronta, pois pode custar uma promoção ou nos levar à demissão; revela nossas fragilidades em uma sociedade que preza o super-herói. Diante disso, tentamos escondê-lo, e assim que ocorre iniciamos a busca incessante pelos responsáveis. A culpa é sempre dos outros, e essa é a primeira causa do fracasso na lista que arquivei em meu computador.

 

Mas o erro é parte do processo e se não olharmos para ele desta maneira, tudo perde o sentido. Os que pensam que sempre acertam são desinformados ou arrogantes … Isso não significa que tenhamos de assumir toda a culpa pelo o que acontece de errado. Isso também nos encaminha ao fracasso, leio na minha lista. Agir dessa forma leva ao “coitadismo”, à ideia de que nascemos para sofrer e à crença de que devemos ser alvo da comiseração de outrem. É uma autodefesa.

 

Ter noção da realidade ajuda a conter o fracasso, foi o que aprendi ao reler minha lista. Portanto, ao decidir seus objetivos de vida seja explícito e factível nas escolhas. Se você desenha uma estrada muito longa é capaz de não enxergar o ponto de chegada, e a demora para alcançá-lo vai gerar frustração. Vejo isto em jovens que estão começando carreira e não têm paciência para aguardar o momento certo da promoção. Trocam de cargo, de emprego ou voltam para a casa sem noção do tempo de maturação que precisamos ter para ascensão profissional.

 

Não ter objetivos claros, escolher objetivos errados ou imaginar que será possível pegar atalhos para chegar lá, fazem parte do mesmo capítulo dessa história que nos leva ao fracasso

 

Temos de nos proteger também do consolo alheio, exercício típico dos que ao não enxergarem solução no momento tentam nos contentar com previsões otimistas em um futuro sem data.

 

Na infância, a chatice da ordem unida é amenizada pela liberdade que teremos na adolescência. Os limites que encontramos nessa serão superados com a autoridade que alcançaremos na fase adulta. Na universidade nos vendem o sonho do primeiro emprego. E assim que o conquistamos, descobrimos que haverá uma vida melhor quando assumirmos o primeiro cargo de líder, gestor e diretor. Agora, se você quer mesmo a felicidade plena espere a chance de ser o CEO da empresa. Assim que se sentar na cadeira dele, vai descobrir o isolamento e a pressão. E diante da sua apreensão, ouvirá do conselheiro que toda esta jornada tem um prêmio: a aposentadoria.

 

Sem entender que nossos fracassos diários podem nos ajudar a crescer, nos consolamos com a promessa de que o futuro nos reserva algo melhor e desperdiçamos a oportunidade de aproveitarmos o mérito de cada etapa. Esquecemos de sermos felizes agora, mesmo que nem sempre as coisas deem tão certo quanto imaginávamos que deveriam dar.

 

O sucesso eterno não existe. O fracasso haverá de se apresentar. Eles fazem parte da mesma jornada.

Conte Sua História de SP: o Natal das luzes piscantes

 

Nesta véspera de Natal, o Conte Sua História de São Paulo vai buscar, em 2009, texto escrito pelo ouvinte-internauta Sergio Bragatte, que você acompanha agora:

 

 

Outro dia cheguei a seguinte conclusão: sou um velho carcomido pelo tempo. Sou daquele tipo que ainda gosta, e preserva o sentimento de gostar, daquilo que está em desuso como escrever sobre o Natal.

 

Distante das agruras de adulto, lembro-me criança quando ansiava acontecimentos mágicos de modo a mudar a realidade de menino da periferia sem escola, sem quadra de futebol, sem água encanada, sem luz, sem asfalto. Abundante, só a violência.

 

Lembro-me das brincadeiras, nas quais encarnávamos os super heróis: ora éramos o Super-Homem, ora éramos o Homem-Aranha, o Homem de Ferro, Zorro, Cisco-kid …

 

Lembro-me dos amigos crianças, das travessuras, dos maus feitos, das peças pregadas nos mais velhos, dos trabalhos esporádicos, para se conseguir uns trocados, das brigas.

 

No entanto, sempre foi o NATAL que afugentava meus medos da infância pobre e permitia sonhar e superar problemas que imaginávamos serem insuperáveis.

 

Conta-nos a Bíblia que, tempos atrás, em uma cidade do oriente, chamada Belém, reluziu uma estrela quando nasceu um menino chamado Jesus. Vindos da Babilônia, três reis magos, três amigos, a seguiram até chegar a um curral, onde, em uma manjedoura presentearam um menino.

 

Foi o reencontro da criança com a amizade.

 

Nessa simbologia, concluímos que é a amizade que nos conduz àquela criança.

 

É o Natal que me deixa com saudades de Deus, de saudades do tempo em que estávamos mais perto Dele. De quando éramos criança. Daí o sentimento de querer acordar na manhã de 25 de dezembro e encontrar, nos sapatos, um símbolo de afeto.

 

Ainda hoje ao ver o piscar de luzes sinto-me remetido àquela infância dos super heróis; como se afagasse a criança dentro de mim, como se me conduzisse por um leito seguro até o encontro do Salvador.

 

“E agora, José?”

 

Agora, cabe a nós mudar o Natal e a nós próprios. Procurar a estrela em nossas inquietações mais profundas. Descobrir a presença de ambos os Meninos em nosso coração.

 

E, como nos conta a Bíblia, ousar renascer em gestos de carinho e justiça, solidariedade e alegria.

 

Fazer-se presente lá onde reina a ausência: de afeto, de saúde, de liberdade, de direitos.

 

Dobrar os joelhos junto da manjedoura que abriga tantos excluídos, imagens vivas do Menino de Belém.

 

Viver o Natal das luzes piscando, que marcou o “tempo” de nossa infância, quando tudo podíamos e nada podia contra a gente, afinal éramos os super-heróis.

 

Que sejamos todos felizes e tenhamos um bom NATAL.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Envie seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

A La Mala: um teste de infidelidade

 

Por Biba Mello

 

 

 

FILME DA SEMANA:
“A La Mala”
Um filme de Pedro Pablo Ibarra
Gênero: Comédia Romântica
País:México

 

Uma atriz aspirante, a pedido de sua amiga, faz um teste de fidelidade com seu namorado… Bom, parece que a moça leva jeito e outras mulheres começam a utilizar estes dotes para testar seus respectivos amados… Logicamente, em uma destas aventuras, ela acaba se apaixonando por um de seus alvos…

 

Por que ver:

 

É uma graça de comédia romântica e nada óbvia. Meu marido amou tanto quanto eu.

 

Muito interessante sair do circuito EUA-Inglaterra e dar chance para filmes como esse, que no caso é mexicano, mas não perde em nada para as comédias românticas que estamos acostumados.

 

O elenco super alinhado com a direção e roteiro…Tudo na mais perfeita ordem e qualidade de execução.

 

Como ver:

 

Com amigos… Será divertido brincar com as hipóteses de fazer testes de fidelidade… Com certeza será a maior zoação entre vocês…

 

Quando não ver:

 

Veja a idade de censura pois tem cena de sexo( é leve), no mais está ok, não é um filme pesado.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Diga aos vereadores o que podem fazer com os 26% de aumento que aprovaram para os seus próprios salários

 

 

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Menos dinheiro para a limpeza pública, muito mais para obras na Câmara Municipal.

 

Reajustes mínimos para servidores públicos, e aumentos robustos para os próprios vereadores.

 

 

Em duas frases, um resumo do comportamento da maioria dos vereadores de São Paulo.

 

 

No Orçamento do Município aprovado terça-feira (20/12), eles tiraram R$ 88 milhões da verba da limpeza urbana; parte deste dinheiro, cerca de R$ 30 milhões, será usada para tocar obras na sede do próprio legislativo. Por um prédio mais legal, teremos ruas mais sujas.

 

 

Na mesma sessão, eles aprovaram aumento de 26,3% para os seus próprios salários (ou subsídio) e, assim, no ano que vem, passarão a receber R$ 18.991,68.

 

 

A cara de pau deles é tal que no site da Câmara a notícia que trata do reajuste não informa o valor do novo salário e tem como destaque na manchete: “vereadores aprovam subsídio abaixo da inflação” . Na nota, lembram que eles não tiveram aumento nos últimos quatro anos, período em que a inflação, medida pelo IPCA, foi de 28,49%.

 

 

Pobres coitados!

 

 

Vão além: “o subsídio aprovado também minimiza a ausência de benefícios. Vereadores não recebem férias ou décimo terceiro salário, como a maioria dos trabalhadores assalariados” – é o que escrevem.

 

 

Estão de brincadeira!

 

 

Vereador não é profissão. É encargo.

 

 

É cargo público para o qual eles se candidatam por vontade própria e sem prejuízo as demais funções, mesmo em uma cidade como São Paulo.

 

 

Se acham que ganham pouco, vão trabalhar noutra freguesia.

 

 

Será que como médico, advogado, comerciante ou professor, profissões que alguns deles exerciam ao se candidatar, teriam direito a verba indenizatória, gabinete com 17 funcionários, carro, motorista e mordomia?

 

 

Os vereadores falam ainda que “na prática, o aumento apenas recompõe o que foi perdido com a inflação corrente”. Não tiveram a mesma sensibilidade quando se tratava do salário dos servidores públicos. A maior parte dos funcionários do município teve reajuste de menos de 1% no mesmo período, informa a OAB-SP.

 

 

Que fique claro. Defendo que vereadores tenham salários compatíveis as atividades que realizam. Estou fora do grupo dos que entendem que deveriam trabalhar de graça. Considero inviável no caso de grandes e médias cidades. No entanto, além dos parâmetros já existentes na Constituição, que impõe teto de 75% dos vencimentos de deputados estaduais, ao discutirem seus subsídios, os vereadores deveriam se pautar por duas outras regras: a arrecadação do município e o bom senso.

 

 

Os aumentos concedidos a eles próprios não deveriam ser superiores ao aumento da arrecadação da cidade.  Conforme previsão da prefeitura, no ano que vem São Paulo vai arrecadar 5,9% menos do que neste ano. Faltará dinheiro para investimentos, faltará dinheiro para a saúde … faltará dinheiro para limpeza pública, porque eles decidiram gastar parte em obras na Câmara.

 

 

Respeitar a regra do bom senso já seria suficiente. Mas parece muito para os vereadores, uma gente que estava até agora há pouco nas ruas em campanha eleitoral. Gente que teve contato com o trabalhador comum. Ouviu deles as dificuldades que o cidadão tem enfrentando para se manter empregado. Muitos aceitando receber menos para garantir algum no fim do mês. Outros nem esta sorte tiveram. Estão desempregados.

 

 

Estavam interessados mesmo em ganhar mais um voto, e pouco em ouvir a insatisfação popular.

 

 

Como cerca de 70% desses vereadores se reelegeram e voltarão à Câmara Municipal no ano que vem, cabe aos paulistanos ficarem de olho no que eles pretendem fazer. Controlar cada ato e projeto aprovado. Entender como estão se comportando diante dos temas fundamentais para cidade.

 

 

Uma das maneiras de fazer esta cobrança é enviando mensagens pelas redes sociais ou por e-mail. O endereço deles está na página da Câmara Municipal de São Paulo.

 

 

Aproveite a sua indignação e mande um recadinho a cada um dos vereadores de São Paulo. Por exemplo, diga a eles o que você gostaria que fizessem com os 26,3% de reajuste que aprovaram para os próprios salários? Mas diga com todo o respeito, é lógico: talvez assim, eles entendam o recado das ruas e parem de brincar com a nossa paciência.

O medo de perder o emprego e a necessidade de manter o cliente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Bel Pesce, no Jornal da CBN, ontem, entrou na linha do artigo publicado por Mílton Jung: “O medo nosso de cada dia no mundo corporativo”. Ao lembrar que a admissão foca a competência e a demissão o comportamento, ela endossa uma excelente perspectiva para análise do sistema empresarial sob o aspecto técnico e emocional diante do desafio das demissões.

 

Gostaria de enfatizar o aspecto comercial, que impregna todo o processo das organizações e que em época de crise é revalorizado. Afinal, ao encolhimento do mercado a solução é buscar a excelência nas vendas.

 

Aparentemente as funções distantes das áreas comerciais estariam mais propensas aos cortes de pessoal. Entretanto, muitas vezes o diferencial de uma companhia pode ter origem em outras funções.  Desde que comprometidas com o atendimento aos clientes.

 

Kotler, por exemplo, enfatiza que o Marketing é muito importante para estar restrito à área de Marketing.

 

Neste momento de redução de procura, um comportamento focado no atendimento poderá ser um trunfo para aqueles que motivados e comprometidos, não importa a área em que operem, venham a fazer a diferença.

 

A realidade é que a excelência em produtos e serviços não é a regra. Fato que corrobora a excepcional oportunidade para quem estiver disposto a buscá-la. Enquanto é tempo, pois o futuro dos empregos ainda está por ser desenhado.

 

Jeremy Rifkin, por exemplo, economista especializado, acredita que ou o trabalho se reinventa ou ficaremos sem ele. Apenas com o caos.

 

A verdade é que hoje, o medo de perder o emprego, se funcionário, ou de perder o próprio negócio, se dono, é inevitável.

 

A saída em qualquer dos lados é só uma, como nos alertava Sam Walton, da Wal-Mart:

 

“Clientes podem demitir todos de uma empresa, simplesmente gastando seu dinheiro em algum outro lugar”.

 

Portanto, antes de perder o emprego nosso de cada dia, vamos fazer com que o trabalho nosso de cada dia mantenha os clientes de todos os dias.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O medo nosso de cada dia no mundo corporativo

 

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Acordar de madrugada para trabalhar exige mudança de hábito e comportamento controlado. Fui obrigado a me adaptar à rotina há seis anos quando passei a apresentar o Jornal da CBN, que se inicia às seis da manhã.

 

Levanto às quatro da matina para cumprir todas as tarefas que antecedem o início do Jornal, e inclua nestas o direito ao café da manhã bem tomado, pois energia é essencial para quem precisa começar com todo o pique. Tem a leitura de sites e jornais, a conferência das notícias que rolaram durante à noite e a discussão com a produção sobre os temas que devem ser destaque no programa.

 

Costumo ouvir de minha mulher que sou o único cara que ela conhece que acorda disposto às quatro da manhã. É bem provável que existam milhares de outras pessoas que mantém a mesma rotina que a minha e o fazem com prazer e satisfação.

 

Gostar do que se faz é fundamental para que estejamos prontos para o trabalho logo cedo. Imagine que dura é a vida de quem sabe que vai ter de encarar um patrão mala, uma empresa decrépita e um serviço insosso; tudo isso depois de dormir pouco e acordar antes de o sol aparecer.

 

Admirar sua função, saber o quanto você pode impactar a vida de outras pessoas e curtir a relação com seus colegas não significa, porém, que o ambiente de trabalho esteja livre de problemas. No escritório, na firma ou na redação, todos os dias, temos de encarar desafios que vão desde atender às metas impostas até entender as políticas corporativas.

 

Todos temos nossos medos de cada dia.

 

Há algumas semanas, dividi palco na HSM ExpoManagement com meu colega Sérgio Chaia, que já foi empresário e hoje é conselheiro de executivos de alta performance. Na CBN, Chaia apresenta o quadro Terapeuta Corporativo, no qual tira dúvidas de profissionais que ocupam cargos de liderança em suas empresas.

 

Na nossa conversa, ele elencou as maiores dores do universo corporativo, em uma lista que tinha no topo o medo de ser demitido. Em seguida apareceram estresse, ansiedade e falta de reconhecimento.

 

Há motivos para se ter tanto medo de perder o emprego. A crise pegou de cheio as empresas, o dinheiro encurtou, os resultados pioraram e as demissões se transformaram em rotina. Nesse cenário, a recolocação se torna mais difícil e se ocorrer é provável que seja para cargo e salário menores.

 

Diante deste medo, o maior risco é você se demitir antes de ser demitido. Ou seja, impactado pela possibilidade de perder o emprego, você perde o foco nas suas tarefas dentro da empresa e deixa de dar os resultados que o mantinham na função até aquele momento. Ao mesmo tempo, transforma seu chefe em inimigo sem mesmo saber se ele tem a real intenção de afastá-lo do cargo. O diálogo fica prejudicado, a desconfiança aumenta e a paranoia corrói sua relação.

 

Admitir o medo de ser demitido e compartilhar esta sensação com pessoas de confiança, incluindo na lista sua esposa ou marido, é o primeiro passo para enfrentar este problema. Em seguida, entre em ação: identifique os pontos que podem ser melhorados, verifique se é possível oferecer à empresa resultados acima daquilo que é pedido, colabore com seu chefe para que ele possa ter performance melhor e esteja genuinamente à disposição para novos projetos.

 

“A melhor maneira é admitir e agir, para sair da inércia, do aprisionamento que o medo da demissão nos impõe”, ensina Chaia.

 

Caso o seu medo se concretize e a demissão se torne inevitável, bem-vindo ao clube. Você não está sozinho. Perder o emprego não é o fim do mundo nem motivo de vergonha, especialmente em um cenário tão complicado como esse no qual vivemos. Para enfrentar esse período de transição de carreira nada melhor do que ter se planejado. Portanto, em vez de perder tempo com o medo, use-o desenhando um plano B para sua vida profissional. E feliz recomeço!

Conte Sua História de SP: Terra da garoa, terra de gente boa

 

Por José Maria Pires

 

 

Terra da garoa

Terra de Gente Boa

 

Terra que não descansa

Terra de esperança

 

Terra de gente de Fé

Terra também do café

 

Terra da Independência

Terra com Jurisprudência

 

Terra de nações e suas crenças

Terra em paz com suas diferenças

 

Terra das artes e das Ilusões

Terra de oportunidades mediante as ações

 

Terra que riqueza produz

Terra que a pureza conduz

 

Terra de muitos amores

Terra que espanta temores

 

Terra de vitórias mil

Um pedaço desse continente chamado Brasil.

 

 

Conte Sua História de São Paulo tem sonorização de Claudio Antonio e narração de Mílton Jung. Você participa enviando textos para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Sílvio Broxado mostra os caminhos para aposentar e empreender

 

 

O empreendedorismo está na veia, no genoma das pessoas, apesar de a maioria de nós sermos empregados. Porém, diante da longevidade e a necessidade de nos mantermos ativos por mais tempo, é preciso reacender esta visão do empreendedorismo. A sugestão é do consultor Sílvio Broxado em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, apresentado pelo jornalista Mílton Jung. Autor do livro “Aposentar e empreender – enxergar novas oportunidades e ganhar mais significância social”, Sílvio Broxado fala de como planejar sua carreira após os 50 anos.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site e na página do Facebook da rádio CBN, às quartas-feiras, às 11 horas. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 8h10, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Juliana Causin, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.