O Brasil ainda tem muito a aprender, ensina crise provocada por Jucá

 

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Há certas coisas difíceis de compreender no Brasil. Algumas pessoas – especialmente os políticos – são incapazes de aprender que há algo de novo no ar além dos aviões dos próprios políticos.

 

Estamos em pleno processo de impeachment de um presidente (no caso uma), o segundo em duas décadas de democracia pós-regime militar. O STF, não faz muito tempo, levou para a cadeia políticos importantes e abortou a carreira de vários outros no que ficou conhecido como Mensalão.

 

As feridas do Mensalão não estavam cicatrizadas e fomos atropelados pelas denúncias da Operação Lava Jato que levou para cadeia, mantém no cárcere ou até já condenou empreiteiros das maiores construtoras do país, ao menos um banqueiro, um senador, deputados, ex-deputados, doleiros, lobistas, marqueteiros e mais uma dezena de pessoas que jamais imaginávamos existirem e serem capazes de roubar tanto e de forma tão descarada.

 

Diante de todos esses fatos, era de se esperar que a formação do governo interino de Michel Temer fosse pautada pela sensibilidade política. Se não a tivesse por caráter deveria tê-la por pragmatismo. Aliás, foi em nome desse pragmatismo que Temer aceitou entregar ministérios para partidos que estão contemplados na Lava Jato, inclusive o seu PMDB. E para partidos e políticos que até agora há pouco prestavam serviços (ou se serviam) ao governo afastado.

 

Como era inevitável a busca do apoio de ampla maioria dos partidos e suas diferentes facções para garantir a passagem de projetos de lei importantes e necessários para o Brasil, era de se esperar ao menos que Temer tivesse tido o cuidado para que os cargos fossem ocupados por pessoas sem nenhum vínculo ou o mais distante possível das falcatruas descobertas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça de Curitiba (entenda-se por Sérgio Moro).

 

Temer sequer deu-se o direito de fazer esse pedido aos partidos nas negociações pré-governo, pois nem mesmo dentro do seu PMDB foi capaz de afastar-se dos nomes citados na Lava Jato. Haja vista, a influência de Romero Jucá, agora ministro licenciado da Previdência (título pomposo para o que na prática significa demissão do ministério).

 

Jucá é reconhecido pela sua capacidade de gestão e habilidade política, pois tem conseguido exercer papel importante no Executivo ou no Legislativo desde o governo José Sarney, onde teve cargo comissionado, assim como teve no governo Fernando Color; e foi líder dos governos de FHC, Lula e Dilma. Da mesma forma que acumula essa experiência, Jucá também surge com destaque na Lava Jato e outras investigações em andamento no Brasil:

 

Na Lava Jato, o nome do senador (sim, ele volta a assumir o cargo) apareceu em depoimentos de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como um dos 27 políticos que se beneficiaram do esquema de desvios da estatal. Além de várias outras citações no processo, Jucá é investigado pelo STF.

 

Na Zelotes, Jucá é alvo de investigação porque teria negociado, ao lado de Renan Calheiros, pagamento de R$ 45 milhões com lobistas em troca da aprovação de emenda parlamentar de interesse de montadoras de veículos.

 

O STF também incluiu o nome dele no inquérito que apura esquema de pagamento de propina na obra da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

 

Semana passada, teve quebra dos sigilos bancários e fiscal autorizada pelo ministro Marco Aurelio de Mello, do STF, em investigação na qual é suspeito de receber dinheiro resultado de superfaturamento de licitações, na cidade de Cantá, em Roraima – estado pelo qual é senador.

 

Hoje, teve reveladas suas conversas com Sérgio Machado, ex-Transpetro, acusado de corrupção e delator da Lava Jato, gravadas em março, nas quais sinaliza a criação de um pacto com o objetivo de barrar as investigações de Sérgio Moro e companhia limitada. Logo cedo, em entrevista exclusiva ao Jornal da CBN, confirmou a conversa mas negou a intenção. Esforçou-se para convencer a opinião pública, convocou entrevista coletiva, reuniu-se com Michel Temer, mas não resistiu. Está fora do governo.

 

De citações, denúncias e investigações até a condenação muita coisa pode acontecer, inclusive os envolvidos serem inocentados. Portanto, para esses que aí estão, exceção aos que já tiveram pena determinada, deve-se oferecer a presunção de inocência. Isso, porém, não é suficiente quando se trata de política nesses tempos de pressão da opinião pública e justificada grita por ética. Acho que não preciso aqui lembrar mais uma vez a mulher de César, certo?

 

O presidente interino Michel Temer já havia errado ao ensaiar o nome do advogado Antônio Mariz para o Ministério da Justiça, sendo ele um crítico contumaz da Operação Lava Jato e da atuação do juiz Sérgio Moro. Foi descuidado ao não respeitar a diversidade de gênero na seleção de seus ministros. Mediu de forma errada o impacto que provocaria com o fim do Ministério da Cultura. E foi alertado que Romero Jucá, tanto quanto qualquer outro ministro investigado na Lava Jato, colocariam em risco o seu governo.

 

Temer desconsiderou as recomendações e acreditou que a ascensão ao cargo de presidente lhe concederia super-poderes, suficientes para proteger a ele e aos seus de qualquer ataque. Ledo engano … assim como os que ocuparam o poder até duas semanas, que imaginavam terem cheque em branco para todo tipo de desvio de conduta, o presidente interino sinaliza que também não foi capaz de perceber que hoje a sociedade brasileira tem outro nível de exigência, com ou sem batidas na panela.

 

Levando em consideração a escolha do deputado Andre Moura (PSC) para seu líder na Câmara dos Deputados, é de se imaginar que ainda terá muito a aprender sobre este novo momento que vivemos no país.

Avalanche Tricolor: dois clássicos, quatro pontos

 

Grêmio 1×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Fred comemora o nosso gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

A tabela do Campeonato Brasileiro impôs ao Grêmio dois clássicos logo na abertura. Um fora e o de hoje em casa. Clássicos costumam ser jogos difíceis por seu próprio histórico: no caso dos nacionais, reúnem equipes que disputaram finais de competição, ganharam títulos e construíram com o tempo rivalidade.

 

Diante das dificuldades que a tabela proporcionou, saímo-nos bem e deixamos registrado no placar dois resultados que também podemos chamar de clássicos: 0x0 fora de casa; 1×0 dentro de casa.

 

E saímo-nos bem a despeito do desempenho coletivo da equipe. Não que tenhamos feito partidas ruins, mas alternamos bons e maus momentos dentro do próprio jogo.

 

No desta tarde de domingo, isso ficou evidente. No primeiro tempo, equilibramos as forças e tivemos mais chances efetivas do que o adversário. A novidade na equipe, o lateral Edílson, cumpriu seu papel, defendendo com segurança e atacando de maneira produtiva. A persistirem os sintomas iniciais, o lado direito do campo estará bem resolvido com ele (e Ramiro a subistuí-lo quando necessário).

 

No segundo tempo, vimos nos primeiros dez minutos, o Grêmio que Roger nos ensinou a gostar. Movimentação rápida dos jogadores, deslocamentos inteligentes e próximos, bola de pé em pé, rodando com velocidade e para a frente, e chutes a gol. O goleiro defendeu um, dois, erramos o terceiro, quase chegamos lá … Dava prazer torcer!

 

Até que veio o escanteio para Fred fulminar de cabeça, a ponto de a bola explodir no “fundo do poço” (como diria nosso Milton Gol-gol-gol Jung), e dar a oportunidade do nosso zagueiro comemorar com a emoção de quem é contestado e esperava a chance sorrir para ele. Sorriu para ele e para nós, também. Foi o único gol da partida.

 

Dali pra frente, foi um sofrimento só, na bola jogada e no risco do empate. Até um incrível quase-e-raro-frango de Marcelo Grohe fomos obrigados a assistir nos minutos finais da partida. As poucas oportunidades que criamos foram desperdiçadas no passe errado, no chute no travessão ou na defesa do goleiro.

 

Um parêntese, por favor: é impressão minha ou a dupla Geromel-Fred, desde a partida anterior, acertou seu posicionamento e não deixa mais nada passar por cima, menos ainda por baixo?

 

Ao fim e ao cabo, somamos mais três pontos na tabela. Já ganhamos quatro, em dois clássicos.

 

Na semana que começa, no feriado de quinta-feira, teremos o terceiro clássico seguido – isso mesmo, a tabela do Campeonato Brasileiro nos premiou com esta sequência de jogos logo no seu início. Mais uma prova de fogo, fora de casa e contra adversário que nos tem entalado na garganta desde o ano passado quando marcamos o mais belo gol da Era Roger.

 

Mais uma decisão no nosso caminho!

 

Quintanares: Sonomar

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung

O bom do sono é mesmo o sonomar
O sono de alto mar sem terra à vista
onde és como um barco sem barqueiro
cujo rumo é traçado pelo ar…

 

Mas no fundo do mar só tem vasos barrocos!

 

Viste? Água não tem e não tem sol nem lua.
E essa luz, que parece que flutua,
é a mesma dos lampiões de acetilene
daquela antiga, pequenina rua…

 

Mortos? Nenhum… Nem vivos… Eles são
habitantes de um trêmulo intermundo
e nunca se detém mais do que um segundo
ante o parado olhar dos escafandros.

 

E onde o relógio é um animal estranho
incompreensivel e sem nome algum
e o tempo ondeia sem medida exata
e onde nada se encontra e tudo se acha,
por que é que vieste – intruso – devassar
essas formas e faces e esse mundo

 

onde o enigma és tu?

 

Retorna, irmão:
o bom sono é mesmo o sonomar!

Conte Sua História de SP: no tempo em que não existia Minhocão no Bixiga

 

Por Walter Marques de Deus

 

 

Foi no ano de 1966 que nos mudamos para a Rua Maria José, na Bela Vista (mas pode chamar de Bixiga). Para quem não conheceu o Bixiga daquela época, não consegue imaginar como era legal viver ali. Não existia o Minhocão!  Existiam casas do século 19 bem no lugar do Minhocão…

 

Fomos morar num cortiço, onde éramos 13 famílias convivendo no mesmo quintal com as várias portas dos quartinhos alugados. Na maioria, eram ótimas pessoas.  A nossa rua era bastante estratificada, onde vizinhos se davam muito bem apesar das diferenças sociais. E acho que todo bairro era assim…

 

Casas com pessoas ricas e casas com pessoas pobres, que eram cortiços. A maioria não tinha garagem. Nem mesmo a dos ricos. Também, nem precisava.  Era só deixar o carro na rua, sem problemas.

 

Lembro bem dos ensaios da Vai Vai semanas antes do carnaval, onde os sambistas e foliões saíam pelas ruas, talvez para aquecer. Foram naqueles momentos,  nos meus cinco anos que comecei a conhecer o preconceito… É que os lojistas fechavam as portas para evitar contato com o pessoal da Vai Vai, na maioria negros.

 

Na nossa rua tinha uma feira, que existe até hoje!  A feira era um dia de festa pra mim! Por não existirem supermercados, as feiras eram mais agitadas, com todo tipo de pessoas. As relações eram bem mais próximas… De vez em quando vou comer pastéis nesta feira da Rua Maria José.

 

Em 1968, comecei estudar nas Escolas Agrupadas da Bela Vista, na rua Santo Amaro. Veja que o nome dado não fazia jus a uma escola com apenas três salas de aula. Mas eu adorava!  Jamais esqueci do nome da minha primeira professora, Dona. Gemma. Estudei ali, até a quarta série.

 

No Bixiga, existiam dois cinemas: o Rex e o Arlequim.  A primeira vez que fui num cinema, assisti a Peter Pan, no Cine Arlequim.  Quanta emoção!  É difícil explicar o que representava o ambiente de cinema para um garoto com mais ou menos sete anos de idade. Era algo realmente delirante!  Principalmente porque não tínhamos TV.

 

Mais tarde, graças a minha tia “Deusinha” que ficou nossa vizinha e comprou uma televisão, pudemos assistir aos jogos da Copa de 1970. Sim, pude ver a grande façanha da nossa seleção do sonhos.

 

Dias depois da conquista, senti o quanto era privilegiado em morar naquela rua pacata, uma simples travessa da Brigadeiro Luiz Antonio. Dali mesmo, pude ver a seleção do Tri em cima de um caminhão de bombeiros, descendo a Brigadeiro. Eu estava lá, do lado da requintada padaria Java! Que infelizmente não existe mais.

 

Mundo Corporativo entrevista Marcelo Bicudo, da Epigram, sobre design sprint

 

 

“O mercado mudou, a demanda mudou, a necessidade do consumidor mudou, ao invés de você esperar um ano, dois anos para você testar este produto no mercado e eventualmente dar errado ou dar certo, você consegue em cinco dias levantar um conjunto de informações para que você tenha mais certeza daquilo que você está fazendo”. A afirmação é de Marcelo Bicudo, da Epigram Brand Union, que explicou, em entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, como é possível fazer essa transformação aplicando o sistema conhecido por design sprint.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. O quadro é apresentado por Milton Jung e tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Debora Gonçalves.

We: o romance é do século, o filme não

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“WE, o Romance do Século”
Um filme de Madonna
Gênero: Drama, Romance
País:Reino Unido

 

A história é, em parte, verídica e se passa na década de 30. O Duque de Windsor, Eduardo VIII, é o primeiro na linha de sucessão ao trono inglês. Ele conhece uma americana, Wallis Simpson, divorciada duas vezes, se apaixona  e abandona o trono para se casar com ela. O filme traça paralelo entre a vida deles e de outra americana, também chamada Wallis. Só que esta vive em 1998 (uma história que ajuda a contar o filme mas não é verídica) e tem enorme paixão pela história da “verdadeira Wallis”.

 

Por que ver:
Gente, esta coluna se dedica a não só elogiar mas também alertar.

 

O filme é incrível? Não, não é…

 

Vale perder um tempinho após o almoço de domingo para fazer a digestão? Sim, vale…

 

A direção é da Madonna, mas não acredito que isso some ao filme; na verdade acho que ela perdeu a chance de contar apenas a história do Duque, que é bem interessante. Ficou superficial.

 

Como ver:
Após o almoço de domingo para fazer a digestão.

 

Quando não ver:
Se tiver outros filmes melhores na lista de espera.  O filme é confuso no início. O roteiro e direção não ajuda…

 

Bom, é isso…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Revisão do Código de Obras de SP pode beneficiar infratores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Assim como a Revisão do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento, na cidade de São Paulo, irão anistiar infratores e punir o meio-ambiente, a Revisão do Código de Obras poderá seguir o mesmo caminho.

 

O Executivo apresentou à Câmara Municipal substitutivo da Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente que foi aprovado por unanimidade em primeira instância. Segundo o vereador Arselino Tatto (PT)  e líder do governo, em entrevista ao jornal SP Zona Sul, a Revisão proposta vai desburocratizar os processos de licença, facilitando quem reforma ou constrói.

 

Tudo indica que a recente trajetória seguida no Plano Diretor e na Lei de Zoneamento, nos quais predominaram os interesses econômicos e comerciais, através de lobistas privados e ilusionistas públicos, será a mesma.

 

Naquela ocasião, não fosse a atuação enérgica de moradores e cidadãos pró meio ambiente, o desastre teria sido irreversível. Ainda assim, anistia a infratores e campo aberto para avanços em áreas de preservação não foram de todo evitados. A cidade ficará, por lei, mais adensada e menos arborizada, mais congestionada e menos preservada.

 

Hoje, com a população mais atenta a percalços governamentais, talvez os governantes fiquem inibidos de cometer atos desabonadores à sociedade, repelindo agentes econômicos com escusos interesses pecuniários.

 

O Prof. Leandro Karnal (UNICAMP) em roteiro sulista já está dando a sua contribuição lembrando em boa hora:

 

“Não existe país com governo corrupto e população honesta

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Adote um Vereador: escolhas mais conscientes melhoram o modo de fazer política

 

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A cidade de São Paulo pode ter até 2.887 candidatos a vereador, se todos os partidos devidamente inscritos no Tribunal Superior Eleitoral decidirem apresentar chapa completa nas eleições deste ano. De acordo com a lei, cada um dos 35 partidos pode inscrever até uma vez e meia o número de cadeiras em disputa na Câmara Municipal. Como no legislativo paulistano são 55 vagas, é possível ter 82 candidatos por partido. Caso os partidos façam coligação, o que é bem mais provável, esta terá o direito de inscrever duas vezes o número de cadeiras, ou seja, 110 candidatos.

 

Felizmente, seja pelo histórico, capacidade e interesse de partidos políticos seja pela proibição de as empresas financiarem as campanhas eleitorais, o número de candidatos tende a ficar bem abaixo do total permitido. Para se ter ideia, na eleição de 2012, quando elegemos a atual Câmara de Vereadores, na capital paulista, os partidos inscreveram 1.227 candidatos. Não significa que todos eles concorreram, pois muita gente tem o nome incluído na lista apenas para cumprir a legislação, especialmente as candidatas já que há uma cláusula de gênero: “do número de vagas requeridas, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”.

 

Como podemos perceber, na formação do ministério interino de Michel Temer, os partidos têm uma certa dificuldade para enxergar potencial politico nas mulheres. Assim, desde que se criou a cota com o objetivo de forçar as agremiações políticas a abrirem espaço às mulheres, temos visto mais candidatas na lista de inscritos. O que a lei não oferece é a garantia de que elas terão a estrutura partidária apoiando suas candidaturas e, portanto,se transformam em “candidata pro forma”. Uma pena!

 

O número de candidatos na próxima eleição e a maneira que os partidos privilegiam alguns nomes em detrimento de outros foram assuntos do encontro do Adote um Vereador, sábado, no Pateo do Collegio, em São Paulo. O tema surge a medida que estamos a três meses da data final para registro das candidaturas a prefeito, vice (sim, a gente também elege o vice, você sabia?) e vereadores.

 

A lista de candidatos a candidato a prefeito em São Paulo também é extensa com pelos menos 14 nomes aparecendo como pretendentes ao cargo. Muitos dos que estão na lista devem desistir no meio do caminho, pois há forte tendência de os partidos fazerem coligações mais amplas, devido a falta de dinheiro para financiar as campanhas. Na eleição de 2012, foram 12 os candidatos – a maioria incapaz de somar votos suficientes para conquistar uma vaga de vereador.

 

Ter muitas pessoas interessadas em disputar cargos eletivos não é um problema, que fique claro isso. Seria excelente que cada vez mais a população se interessasse pela política e pelos partidos e estivesse nos debates, atuasse nas bases, buscasse informação sobre os programas partidários e cobrasse seu cumprimento. Os problemas começam pelo fato de que esses partidos, como escrito anteriormente, usam sua estrutura para eleger os “donos” do partido ou os “puxadores de voto”. E vão além: a maioria dessas agremiações é criada para se beneficiar do fundo partidário e fazer negociatas no período eleitoral; outro tanto rasga seu programa partidário antes mesmo de se eleger; e ainda tem os que cobram de candidatos para oferecer sua legenda.

 

Com milhares de candidatos na disputa, o papel do eleitor se torna mais complexo e o risco de elegermos mais do mesmo é enorme, por falta de informação.

 

Caberá ao cidadão novamente o esforço de entender o que os candidatos estão propondo, selecionar um grupo de elegíveis, pesquisar o passado e o presente de cada um deles, e discutir o que poderão fazer no futuro. Escolhas mais conscientes – por mais difícil que seja esta tarefa – podem melhorar o modo de se fazer política no Brasil. E impactar a qualidade de vida na nossa cidade.

 

É nisso que acreditamos no Adote um Vereador e, por isso, seguimos nos encontrando no segundo sábado do mês como forma de revigorarmos nosso ânimo e reforçarmos a crença de que temos o dever de fiscalizar, monitorar e controlar os vereadores.

 

Por falar em diversidade de gênero, quem prestar atenção nas fotos que ilustram este post perceberá que a presença feminina predominou no encontro desse sábado.

Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

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Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

Quintanares: Outra canção

 

 

Poesia Mário Quintana
Interpretação de Milton Ferretti Jung

 

Não me deixem ir tão só,
Tão só, transido de frio…
Eu quero um renque de vozes
Por toda a margem do rio!
Como alguém que adormecendo
E umas vozes escutando,
Nem soubesse que as ouvia,
Ou se as estava sonhando,
Eu quero um renque de vozes
Por toda a margem do rio:
Vozes de amigo calor
Na lenta e escura descida
Como lanternas de cor
E aonde mais longe eu me for
(Quanto mais longe na vida!)
A borboleta perdida
Da tua voz, pobre amor…

 

Quintanares foi programa produzido, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre. Esta gravação é do acervo de Milton Ferretti Jung