Quintanares: recordo ainda… e nada mais me importa

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua Dos Cataventos, 1940
Narração: Milton Ferretti Jung

 

Recordo ainda… E nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…

 

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…

 

Estrada fora após segui… Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:

 

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!…

Conte Sua História de SP: os parques que me levaram ao escotismo

 

Por Emerson Beraldo

 

 

Minha mãe tinha casa no Butantã, no Jardim João XXIII, onde crescemos e descobrimos a vida. Meu pai trabalhava no comércio e não tinha muito tempo para dar atenção aos filhos, mas nos domingos de folga sempre nos levava para passear nos parques da cidade que só víamos no horizonte.

 

Zoológico, nossa! Como era longe! Eram duas horas de ônibus até lá. Hoje não gasto mais de 30 minutos.

 

No Parque do Ibirapuera tinham o lago, a Bienal, a Prefeitura (sim ela ficava no parque, onde hoje é o prédio da PRODAN), lá podia subir nas árvores, no monumento às Bandeiras, onde tinha uma placa com os nomes dos Bandeirantes que desbravaram nosso Estado, e ficávamos fascinados com o tamanho do Obelisco.

 

Para pegar o ônibus de volta, passava por uma praça, ao lado do Obelisco, chamada “Escoteiro Aldo Chioratto”, naquela época eu só conhecia escoteiros pela TV e pensava: “um dia vou ser escoteiro”.

 

Já no Parque da Previdência tinha um bosque que em nossa imaginação de criança, se transformava em uma floresta assustadora como nos filmes de terror.

 

Adorávamos subir na antiga caixa d’água em forma de Cúpula, de onde avistávamos a cidade. Sentados nos bancos ao lado da administração víamos o Estádio do Morumbi. Dava até para ouvir o barulho das torcidas em dias de jogos.

 

Em 1986, durante um destes passeios pelo Parque da Previdência, logo ao chegar cruzei com um garoto muito bem uniformizado. Foi a hora, eu e meus irmãos corremos para perto de minha mão e dissemos:

 

– Aqui têm escoteiros! Queremos participar!

 

Foram meses de espera pelo chamado que enfim veio, e no sábado, 28 de março de 1987, estávamos lá, prontos para começar, não tinha ideia que aquilo mudaria para sempre nossas vidas.

 

Mundo Corporativo: Joni Galvão ensina a contar super-histórias

 

 

A história deve destacar valores universais, que possam ser compartilhadas com todas as pessoas, e explorar situações reais, que têm poder de engajar a audiência ao gerar identificação. Essas são algumas das dicas do empresário Joni Galvão especializado em storytelling ou a arte de contar histórias. Em entrevista a Mílton Jung, no quadro Mundo Corporativo, Galvão fala da estratégia de comunicação corporativa que tem permitido com que pessoas e empresas fiquem mais próximas de seus clientes e objetivos. Ele é o criador da The Plot Company e autor do livro “Super-histórias no universo corporativo”, publicado pela Panda Books.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: um sonho mal sonhado

 

Toluca 2 x 0 Grêmio
Libertadores – Nemésio Diez/Toluca (MEX)

 

Grêmio_Bandeira_Fotor

 

O desafio era enorme para o time que começa a temporada tendo de acelerar o ritmo pois tem de cara sua principal competição. Pois tinha a obrigação de fazê-lo a 2,6 mil metros de altura, o que sempre gera transtornos e trapalhadas. Para o torcedor que ficou aqui no Brasil, como eu, acrescente-se o fato de a partida ser de madrugada. Assistir ao jogo, independentemente do resultado, seria um sacrifício com preço a ser cobrado no dia seguinte, durante o expediente de trabalho.

 

Surpreendeu-me, porém, ao ver a bola deslizando no gramado de pé em pé e com movimentação tão intensa de nossos jogadores. Intensidade e velocidade não só rimavam como combinavam em campo. 

 

Ao adversário, empurrado pela torcida e animado pelos pulmões bem acostumados às alturas, restava pouco espaço. Seus atacantes não tinham liberdade para jogar. Os cruzamentos na área eram cortados na origem da jogada, por nossos laterais  sempre bem posicionados. Se por ventura a bola fosse alçada em direção ao nosso gol, contávamos com dois zagueiros saltando no tempo certo, despachando-a para longe, muitas vezes oferecendo a oportunidade do contra-ataque.

 

E lá na frente, aqueles meninos correndo de um lado para o outro, sempre em posição para o chute final proporcionado pelos passes que chegavam redondo dos pés dos meio-campistas. O gol era iminente; a vitória, uma certeza. 

 

Diante deste cenário, um relâmpago fora de hora estourou na madrugada paulistana, aqui perto de casa. Eu acordei desorientado, olhei para a TV e o jogo já havia se encerrado. Peguei o celular para conferir o APP do Grêmio que já anunciava a derrota na estreia da Libertadores.

 

Tudo não havia passado de um sonho mal sonhado. E nos meus sonhos, assistia ao Grêmio que Roger nos ensinou a admirar, em 2015. Que, queira ele, queiram os jogadores e queiramos nós, voltará a campo o mais breve possível.

 

Para meu consolo: um sonho mal sonhado está muito distante de um pesadelo. 

SP Zoneamento: fio de esperança ou desconfiança?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

cidade

 

As 40 entidades que representam as ZERs foram surpreendidas segunda-feira pela reportagem da Folha que informava alteração na lei de zoneamento, ao restringir restaurantes, bares e bufês apenas aos Jardins, Pacaembu e Lapa.

 

Este era um dos pleitos de todas, de forma que a matéria intitulada como lobby de poucas entidades e endossada pelo vereador Andrea Matarazzo-PSDB, requeria esclarecimentos.

 

Pelo “lobby” e pelo vereador.

 

Matarazzo sempre se mostrou atento às solicitações que preconizavam a manutenção das ZERs indistintamente. Diante disso, vários representantes das Sociedades de Moradores em ZERs foram ao relator Paulo Frange-PTB para apresentar a estranheza sobre a discriminação pretendida pelo Prefeito e a inconformidade à argumentação ao atribuir diferenças entre as ZERs.

 

A justificativa apresentada pela maior distância do centro da cidade entre as ZERs centrais e as demais, é impertinente, pois o conceito de zonas exclusivamente residenciais,não tem nada a ver com distâncias.

 

Esses 4% de área da cidade em que as ZERs estão localizadas, são habitados por moradores que não desejam comércio na porta de casa. Independentemente se vivem no
Jardim da Saúde ou no Jardim América. Se assim desejassem, estariam morando nos 96% restantes.

 

O Prefeito, que tem mostrado inflexibilidade nos sistemas implantados na cidade, fazendo faixas de ônibus iguais sem respeitar as diferenças regionais, assim como ciclo faixas uniformemente espalhadas, de repente apresenta flexibilidade surpreendente.

 

Será que esta maleabilidade pode ser um fio de esperança às demais ZERs que não foram beneficiadas, e terão as benesses de um sistema inteligente mantendo o conceito básico, mas se adaptando às peculiaridades de cada região?

 

Andrea Matarazzo respondendo minha indagação sobre o material publicado pela Folha afirmou que não foi consultado, e não postulou medidas exclusivas àquelas regiões. E, vê uma possível ponta de esperança a favor de todas as ZERs, como sempre postulou. É a primeira vitória.

 

Haddad pode estar se modernizando guardando sua implicância apenas aos carros. É o que esperamos.

 

A luta continua.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Como impedir que os vereadores controlem as subprefeituras?

 

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Gente nova sempre é bem-vinda. No mínimo, é a prova da nossa existência e de que ainda conseguimos ser a esperança de mudança para alguém.

 

Gente nova também é importante porque renova o ambiente. No caso da Eliana Lucania, renova com o entusiasmo de quem acredita no poder do cidadão.

 

Ela chegou no meio do nosso bate-papo, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, onde todo o segundo sábado do mês, os incentivadores do Adote um Vereador se reúnem informalmente.

 

Eliana estava acompanhada do marido, Fabiano Alves. Um casal entusiasmado. Eles vieram da Aclimação. Dispostos a entender o que fazíamos ali. Talvez tenham ido embora sem entender bem como funcionamos, mas deixaram na conversa informações que nos serão muito úteis no controle da coisa pública.

 

A influência dos vereadores nas subprefeituras foi um dos temas que tratamos no encontro desse sábado.Independentemente das estratégias usadas pelo prefeito de plantão, a impressão que se tem é que o poder dos vereadores sempre se manteve. Seja apadrinhando o próprio subprefeito, que se transforma em um estafeta do parlamentar, seja indicando funcionários para cargos estratégicos.

 

No momento em que o vereador assume o comando de uma subprefeitura, mesmo que de forma indireta, está usurpando a função legislativa. Como legislador tem o papel de criar e discutir leis; e, também, obrigação de fiscalizar o executivo, ou seja, o prefeito, os secretários e o funcionamento de todos os órgãos ligados ao município, inclusive às subprefeituras.

 

Como fiscalizar, se a subprefeitura é dele? Como cobrar, se está se beneficiando do poder concedido pelo prefeito? (cartas para redação, como diriam meus colegas jornalistas de antigamente)

 

É aí que entramos. Nós, cidadãos. Precisamos descobrir formas de identificar esta ligação promíscua e deletéria entre prefeito e vereadores, que permite a aprovação de toda e qualquer barbárie na Câmara desde que interesse aos grupos que atuam em conluio.

 

Um recurso de controle das subprefeituras é o conselho participativo, que acaba de ser empossado, em novo mandato. A posse não é garantia de funcionamento. Por falta de interesse ou inépcia, prefeitura e subprefeituras não oferecem estrutura ou conhecimento para que estes conselhos se organizem e tenham capacidade de fiscalizar. Muitos dos seus participantes não sabem sequer por onde começar.

 

No nosso grupo, temos a Rute e a Gabi, que são da Vila Formosa. A primeira está nos conselhos desde a primeira eleição; a segunda é novata na função. As duas, porém, estão bem informadas e são muito esforçadas no desejo de fazerem diferença no trabalho que realizam. Vão precisar bem mais do que isso para mexerem nessas estruturas arcaicas e coronelistas mantidas há tantos anos em São Paulo. Ambas aceitam a sua sugestão. E gostaram de algumas ideias que surgiram na conversa desse sábado.

 

O Saul também esteve conosco. É do Bom Retiro. E acabara de sair de um encontro de integrantes de Conselhos de Segurança. Há um movimento com o objetivo de unir e fortalecer estas entidades. Poderiam trazer sua experiência para outros setores além da segurança pública.

 

Estiveram conosco também o Alecir da Cachoeirinha, a Lúcia e a Silma da Santa Cecília, o Vítor e a Aline de São Miguel, a Sílvia e o Fabiano da Aclimação, o Moty da Consolação e o Bruno da Móoca. Cada um vem de um canto e senta ao nosso lado disposto a palpitar, ajudar e fazer da cidade um lugar de todos nós e não apenas daqueles grupos que controlam os órgãos públicos (e as subprefeituras).

Joy, o nome do sucesso: depressivo

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Joy O Nome do Sucesso”
Um filme de David O Russel
Gênero: Drama
País:USA

 

A história real de uma empreendedora de sucesso americana chamada Joy Mangano, mãe solteira que carrega o mundo em seus ombros e divide sua jornada de frustrações diárias com o sonho de ser uma mulher de sucesso e muitas invenções.

 

Por que ver:
Gente, me desculpem mas devo confessar que não gostei do filme. Apesar da interpretação da Jennifer Lawrence, achei o filme depressivo. Pois é…Foi esta sensação que me deu ao assistir…Fiquei angustiada, com um peso que não sei explicar…

 

Para quem gosta de crítica cinematográfica e é influenciado por ela, vai gostar do filme que recebeu muitas avaliações positivas.

 

Talvez tenha sido a mão pesada do diretor ao costurar o filme em uma aura pesada e pouco inspiracional. Pronto falei!

Como ver:
No cinema, ainda não tem em videolocadoras e TV on demand. Ou melhor, não perca seu tempo e dinheiro…Espere sair na TV.

 

Quando não ver:
Depressivo…porque se você estiver a beira de um abismo emocional, este filme será o empurrão derradeiro…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?

Quintanares: a vozinha garoa vai contando

 

 

De Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos
Narração de Milton Ferretti Jung

 

Avozinha Garoa vai contando
Suas lindas histórias, à lareira.
“Era uma vez… Um dia… Eis senão quando…”
Até parece que a cidade inteira

 

Sob a garoa adormeceu sonhando…
Nisto, um rumor de rodas em carreira…
Clarins, ao longe… (É o Rei que anda buscando
O pezinho da Gata Borralheira!)

 

Cerro os olhos, a tarde cai, macia…
Aberto em meio, o livro inda não lido
Inutilmente sobre os joelhos pousa…

 

E a chuva um′outra história principia,
Para embalar meu coração dolorido
Que está pensando, sempre, em outra cousa…

Conte Sua História de SP: nossas mudanças, e as do Carnaval, também

 

Por Elmira Pasquini

 

 

Em 1937, quando nos mudamos de Itaquera, que era um lugar muito agradável com suas chácaras, sem luz elétrica, sem calçamento e sem água encanada, muito diferente da Itaquera de hoje,fomos morar na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, número 146.

 

Era uma casa pequena, de sala, dois dormitórios e banheiro, cujas cozinha e área da lavanderia ficavam no alto, com vistas para um matagal que mais tarde veio a tornar-se a Avenida 23 de Maio.

 

Estávamos felizes, perto do centro da cidade, a 140 metros do largo São Francisco, bem perto da já famosa Faculdade de Direito 11 de Agosto.

 

Após quase dois anos, recebemos um convite para desocuparmos essa residência pois acabava de ser aprovada a construção de um viaduto que iria passar por cima da Avenida 23 de Maio, ainda a ser construída, ligando a Rua Cristovão Colombo, que sai do Largo São Francisco, com a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio.

 

Hoje ambos são partes importantes no centro da cidade de São Paulo.

 

Logo conseguimos um belo sobrado na própria Avenida Brigadeiro Luiz Antonio número 254, onde, na parte de baixo, havia a loja da companhia  Gessy. Lá nos acomodamos com muita facilidade e conforto, morando quase em frente ao Restaurante e Pizzaria Giordano, apenas a cem metros do Cine Teatro Paramount. Quanto conforto, quanta facilidade. Tínhamos diversas linhas de bonde para diversos lados da cidade.

 

No Carnaval, assistíamos ao desfile de blocos em carros conversíveis. Um carnaval bem diferente dos dias de hoje. Eram grupos de jovens uniformizados como marinheiros, havaianos, soldados romanos, damas antigas, clubes esportivos … que passavam cantando as gostosas marchinhas de carnaval: “o Jardineira porque estás tão tristes”… “Mamãe eu quero”,  Eu fui a touradas de Madrid…” e outras mais. De vez em quando paravam, desciam de seus carros e formavam alegres blocos, atirando serpentina, lança perfume e confetes.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, logo após às 10h30 da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo: Artur Bezerra, do Berlitz, ensina que para aprender línguas é preciso entender o contexto

 

 

“( …) antigamente o conteúdo era rei. Hoje, se diz que se o conteúdo é rei, o contexto é Deus. Você tem de entender o contexto onde o aluno está inserido, a corporação está inserida. Então, ele precisa do inglês porque é um executivo? Qual a área funcional dele – a área comercial? Como é que ele vai executar as funções do dia a dia? Negociar com quais culturas?”

 

A afirmação é de Artur Bezerra, presidente do Berlitz Brasil, ao defender a ideia de que para falar outras línguas, não basta conhecer o idioma. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Bezerra tratou das estratégias na preparação de executivos e lideranças, além de apontar as principais barreiras para o aprendizado de línguas estrangeiras.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. Os ouvintes-internautas participam com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Colaboraram com este quadro Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.