Muitos esquecem o verdadeiro significado da data e, independentemente da religião de cada um, é notável como o consumo é palavra-chave para boa parte de nós.
E por falar em consumo, já que aqui no Blog do Mílton Jung escrevemos sobre o mercado do luxo, inevitável não observar e analisar as políticas de promoções dos principais shoppings de luxo, em São Paulo. Ressalte-se que promoção, neste caso, não significa desconto ou liquidação e, sim, as estratégias para incentivar a venda.
Tem sido comum durante décadas, os shoppings, independentemente do segmento econômico em que atuam, promoverem sorteios de carros de luxo, como BMW e Mercedes-Benz. Este ano, a estratégia foi mantida apenas pelos shoppings do mercado de massa e premium; os de luxo preferiram caminhos diferentes.
Visitei os principais shoppings de luxo, na capital paulista, e me chamou atenção a promoção realizada pelo Cidade Jardim, na Marginal Pinheiros, zona Oeste, que ofereceu aos seus clientes um cupom, para cada R$850,00 em compras, que lhes dava o direito a concorrer a uma viagem para a Suíça – estratégia bastante coerente com o mercado do luxo contemporâneo, no qual o consumidor busca cada vez mais experiências diferentes do que simplesmente produtos. Viagens como essa têm enorme potencial para se tornarem inesquecíveis e gerar momentos incríveis na vida de cada um.
Na mesma região de São Paulo, outros dois shoppings de luxo, Iguatemi e JK Iguatemi,deixaram os sorteios de lado. Investiram na promoção “compre e ganhe”, na qual o cliente deveria gastar R$650,00 em compras e de prêmio teria o direito a dois panettones, no JK; e R$ 850,00 para ter direito a um panettone com um pote de Nutella, no Iguatemi. Inacreditável, não?
A meu ver, ambas foram promoções incompatíveis com empresas que lidam com clientes de alto poder aquisitivo. Como sabemos, o comportamento do consumidor AAA varia muito e sua compra é geralmente ligada a aspectos emocionais. Raramente um cliente nesta categoria se motivaria a consumir por conta de um sorteio qualquer ou de pequenos presentes.
Será que os shoppings não se esqueceram que parte de seus frequentadores é composta por clientes aspiracionais? Ou seja, são pessoas que talvez não consumam frequentemente em lojas de alto luxo, mas, sim, ocasionalmente, e pudessem ser motivadas a comprar mais neste período de Natal se houvesse uma promoção inspiradora.
Um shopping de luxo não pode querer atrair e manter fiéis seus clientes fazendo este tipo de oferta. Chega a ser patético o consumidor, depois de ter desembolsado R$ 850,00, ficar horas numa fila para ganhar panettone, por mais saboroso que este seja.
Bem verdade que bastaram alguns dias de promoção para o estoque de brindes “prometidos” ter se esgotado, o que nos remete a outra situação constrangedora: depois de clientes na fila do panettone, assistimos a clientes na fila de espera do panettone.
Sou admirador de ambos os shoppings, mas não há como negar o meu desapontamento.
Onde o Shopping Iguatemi não deixou a desejar foi na decoração (como você pode ver na imagem que abre este post), o que aliás já é uma tradição do empreendimento. Desta vez, foi assinada por Jeff Leatham, um dos melhores floristas do mundo e diretor artístico do luxuoso hotel Four Seasons George V, em Paris – impecável e de extremo bom gosto.
Consumo, erros e acertos à parte, não esqueça:
É Natal! Seja feliz!
Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.
A cidade de São Paulo ganhou um fôlego a mais ao ter protelada a votação da lei de Zoneamento.
Como se sabe, os 4% de áreas preservadas foram visados por interesses diversos para abrir ocupações não exclusivamente residenciais.
Como também se sabe, o prefeito Fernando Haddad, cujo conceito de urbanismo é peculiar e esdrúxulo, haja vista o critério da implantação das ciclovias e da redução das velocidades, chegou a reconhecer que o lado minoritário está perdendo para a maioria.Entretanto, acredita que as mudanças propostas e aceitas reduziram a distorção, e apenas 0,1% das vias da capital tiveram sua ocupação alterada. Conclui então, que fazendo alguma flexibilização neste espaço a população estará atendida.
Na realidade a lógica é oposta, pois em área tão pequena não há razão para mudanças. É aí que entra a visão estrábica do alcaide, que a demonstra em entrevista à jornalista Juliana Diógenes do Estado:
“Aquele comércio e serviço que funciona à noite com moderação, você evita que ao anoitecer a avenida perca completamente as suas características do dia e se transforme em alguma coisa completamente diferente do que era. As grandes metrópoles precisam disso”.
Haddad realmente é um exemplo típico do fenômeno brasileiro atual, quando políticos e líderes nacionais tergiversam, para dizer o mínimo. Tanto é que Juliana, após ouvi-lo, resumiu a nova lei nos seguintes pontos preocupantes à cidade:
Residências x Comércio – permissão de Zonas Corredores em ZERs Verticalização – locais formados por casas receberão torres sem limite de altura Imóveis tombados – descongelamento após o prazo de dois anos Prédios mais altos – nas vias de centralidade, a permissão será de prédios de 28m/8 andares para 48m/14 andares
Se no âmbito federal a protelação de importantes decisões políticas, econômicas e morais foram um mal à Nação, nesse caso do município paulistano pode ter sido uma chance de retroagir para manter o equilíbrio ecológico da cidade.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
Concursos de miss não estão entre os meus esportes favoritos, apesar de me lembrar da família assistindo aos desfiles na televisão, durante a infância em Porto Alegre. O Rio Grande do Sul sempre teve boa fama nas passarelas e talvez por isto esses tenham se transformado em programas especiais para o orgulho gaúcho. Em 63 edições, o Estado teve 14 candidatas no Miss Universo, sendo a mais famosa delas Iêda Maria Vargas, a primeira brasileira a conquistar a coroa, em 1963. A medida que a adolescência surgia, o evento ficava mais brega e sem sentido.
Hoje, tenho apenas informações protocolares do Miss Universo, por isso me surpreendi com a atenção que um dos meus cunhados dedicou a transmissão feita na noite de segunda-feira, pela Fox, aqui nos Estados Unidos. Sem perder nenhum lance (sequer os relances) fez torcida especial por uma das candidatas — ou a italiana ou a americana, imagino, dadas as suas origens. Soube por ele que a brasileira, Marthina Brandt — outra gaúcha, registre-se -, ficou entre as 15 finalistas, mas não conseguiu chegar à grande final. Que pena — até porque era gremista!
Claro que não estou aqui para falar do potencial do Rio Grande nos concursos de beleza, mesmo que este possa ser assunto instigante para alguns dos caros e raros leitores deste espaço. Fiquei mais curioso mesmo foi com a gafe cometida pelo mestre de cerimônia, o comediante Steve Harvey, sucesso no rádio, na TV e nos palcos americanos, além de autor de dois livros.
A esta altura você já deve ter lido algum artigo ou visto algum meme no Twitter mais próximo sobre o engano de Harvey. Em lugar do nome da candidata das Filipinas, Pia Alonzo Wurtzbach, ele anunciou como vencedora a colombiana Ariadna Gutiérrez Arévalo, que chegou a vestir a coroa de miss, posar como miss e chorar como miss. Emoção, pelo que se soube, compartilhada com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que assistia ao evento pela TV.
A alegria colombiana foi interrompida pela cena mais constrangedora de todos os tempos do concurso: Harvey, com seu vozeirão, foi obrigado a pedir desculpas (“There’s. … I have to apologize.”), confessar o erro, mostrar o cartão oficial com o resultado e chamar a filipina Wurtzbach para a troca de coroa. Rainha deposta, rainha posta.
Na noite passada, Harvey não deve ter tido o sono mais tranquilo de seus 58 anos de vida e 30 de carreira. Verdade que na década de 80, por muito tempo, não tinha casa para morar e dormia após os shows dentro de um Ford 1976, enquanto, desta vez, deve ter ido para a confortável suíte providenciada pelos organizadores da festa. Mas, certamente, isto não terá sido suficiente para seu consolo.
Mesmo já tendo conquistado muito sucesso nos vários papéis que exerceu, a performance no palco do Miss Universo vai acompanhá-lo por anos. Será vítima de um paradigma da Era Digital que eterniza erros reais graças ao alcance do mundo virtual. O artigo de Steve Harvey no Wikipedia, em inglês, já registrava a gafe minutos após o acontecido. E, em língua portuguesa, a história ocupa mais espaço do que toda a descrição de sua bela carreira.
Steve Harvey
Distante de qualquer comparação, a infelicidade de Harvey me deixou muito incomodado, pois costumo ser convidado para exercer o papel de mestre de cerimônia em diferentes eventos. Há poucas semanas, estive no Prêmio Aberje, destinado aos melhores do jornalismo corporativo, e, na véspera das férias, no Prêmio Findes, oferecido às melhores reportagens do Estado do Espírito Santo. No ano que se encerra, por mais de uma dezena de vezes, tive o privilégio de estar na apresentação de outras atividades.
Antes que você pergunte: não, nunca apresentei concurso de miss, ao menos profissionalmente; sequer tenho perfil para tal. Aos candidatos (a mestre de cerimônia em desfile de beleza) exige-se muita fama e talento artístico.
Considerando que jamais me capacitei para estar à frente de evento da mesma dimensão, também jamais me coube a possibilidade de cometer erro semelhante. Puxo da memória e não encontro gafes merecedoras de registro, talvez porque as que tenham ocorrido não se tornaram públicas. Recentemente, anunciei o vencedor antes de chamar o vídeo de apresentação, mas esta falha entra no rol das que “só o roteirista ficou sabendo”.
Comecei a atuar como mestre de cerimônia há 15 anos quando era âncora na televisão. Hoje, a visibilidade que o trabalho de rádio me oferece reforça o potencial de convites para a função. Mesmo assim não me considero um profissional do setor. Por isso, para seguir em frente neste artigo que busca entender o erro cometido por Steve Harvey, peço licença para recorrer ao conhecimento de um outro membro da familia, Christian Jung, esse sim especializado no assunto, pois desde 1998 integra equipe de cerimonial, no Rio Grande do Sul, e participa de atividades oficiais com chefes de estado e de governo, diplomatas e outras autoridades do setor público e privado — que exigem precisão no conteúdo e rigor na forma, pois estão submetidas a regras bastante rígidas.
(a propósito: o Christian assistia ao meu lado e da família aos concursos de Miss na televisão)
Que fique claro, desde agora: cerimônias pedem posturas diferentes conforme sua finalidade; se oficial, mais disciplina, se festiva, mais espontaneidade; as próprias características do mestre de cerimônia contratado costumam ditar a forma da apresentação, como se lê em texto publicado por Christian Jung em seu perfil no LinkedIn.
Quando se tem no palco uma personalidade como Harvey, espera-se o improviso bem planejado, dá-se autorização para iniciativas próprias dentro do clima da festa, permite-se o gracejo na hora certa e o “desrespeito” ao roteiro. Se o mestre vem de um escola de cerimonialistas, a intenção é que o protocolo prevaleça, com a hierarquia dos presentes sendo respeitada e a disciplina, mantida. Em ambas as situações, descontraídas ou não, deve-se ter o controle das ações, com a acompanhamento prévio dos detalhes de todo o evento, de preferência ensaiando sempre e estar pronto para os erros que, como diz o ditado, são insidiosos.
Planejar para o fracasso é estratégia usada tanto por grandes executivos como por renomados profissionais de diferentes áreas, pois mesmo a mais rigorosa das organizações é incapaz de garantir falha zero. Assim, traçar planos para o que possa ocorrer e para o que, tomara, jamais aconteça, é essencial. O público pode ser hostil a brincadeiras? O evento tem conotação política e gerar vaias? E quanto ao equipamento? Se o microfone falhar tem de se ter outro a mão e se o teleprompter apagar, o roteiro tem de estar impresso. Se as duas coisas acontecerem ao mesmo tempo: que baita azar, hem!
E se o apresentador anunciar errado o nome da miss? “There’s. … I have to apologize.” Perdão, mas não resisti à brincadeira.
A princípio, Steve Harvey confundiu-se com a ordem dos nomes que estavam registrados na ficha entregue pelos jurados. É o que ele deu a entender. Mas por que isso teria ocorrido? Difícil fazer o diagnóstico à distância. Arrisco pensar que a segurança excessiva do apresentador tenha traído sua atenção. Mesmo sendo o ponto alto do concurso, vamos lembrar que Harvey já havia conduzido com desenvoltura toda cerimônia, que, aliás, é complexa, pois tem diversos desfiles, escolhas do júri, participação do público e entrevista das finalistas. Portanto, ele se sentia com o domínio pleno da festa. O bam-bam-bam …
O palco não perdoa, ensina Christian Jung em sua lista de dicas úteis para mestres de cerimônia. A segurança importante para o bom desempenho do apresentador pode se transformar em armadilha, se ele não se mantiver em posição de vigilância do início ao fim do evento. Assim que ele baixar a guarda, assim que surgir o primeiro sinal de soberba, o fracasso se apresenta e pode ser fatal, como o da noite de segunda-feira, em Las Vegas.
Com base no que diz e escreve sobre cerimônias oficiais, elenco algumas das principais recomendações do mestre de cerimônias Christian Jung, que podem servir para você em qualquer tipo de evento (desde o concurso da miss universo — já que estão aceitando currículo para o ano vem — até a festinha junina da escola dos seus filhos):
1.Seja humildade. Entenda que o mestre de cerimônia apresenta o evento, ele não é o evento.
2.Tenha disciplina e conheça o evento em detalhes.
3.Mantenha o foco; quanto mais atenção você dispensar ao que estiver fazendo, maior a chance de ficar concentrado por longos períodos na mesma tarefa.
4.Esteja atento, no cerimonial público as coisas mudam com muita velocidade; esteja firme porque da sua capacidade dependerá o bom andamento do evento.
5.Antecipe-se, reconheça o lugar, ajuste o teleprompter e preveja possíveis problemas; isto aumenta as chances de dar tudo certo. Mas não esqueça: quando o evento começa, tudo pode acontecer.
6.Ferramentas do mestre de cerimônia: roteiro, caneta, microfone e público.
7.Preocupe-se com o que está escrito no papel que você lê e não com o que falam de você.
8.Comece a fala de forma natural, despertando no ouvinte o interesse no conteúdo da apresentação.
9.Tem de ter voz qualificada, dicção, postura, conhecimento das regras do cerimonial e, sem dúvida, bom senso. Cerimonial vive de bom senso.
10.A voz não existe isoladamente, está inserida na fala, que por sua vez está inserida no contexto social. Falar implica em transmitir atitude e emoção.
11.Ninguém trabalha sozinho. É preciso saber o que dizer e aprender a escutar os colegas.
12.Existem vários formatos de solenidade e para cada um deles se imprime uma leitura ou postura diferenciada.
13.Descontração nem sempre cabe em ambientes cheios de protocolos e autoridades.
14.Excesso de protocolo e formalidades nem sempre cabem em eventos com tema, público e participantes descontraídos; dão a ideia de “cerimonial barroco”.
15.Mestre de Cerimônia não faz stand-up comedy!
Se o apresentador tivesse feito uma leitura cuidadosa, sem precipitação, do cartão com o nome das vencedoras; se os organizadores tivessem tido o cuidado de registrar de forma mais clara o nome das vencedoras; se todas essas e outras medidas preventivas tivessem sido adotadas, talvez o vexame tivesse sido evitado. Digo talvez, porque não se deve nunca esquecer a lei número 1 de Murphy:
Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior
maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
Jaime Troiano e Cecília Russo falam da importância das mulheres na construção das marcas, neste terceiro vídeo extraído do talk-show de lançamento do livro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, uma coletânea do quadro apresentado aos sábados, no Jornal da CBN.
Parceira desde o nascer do blog, Maria Lucia Solla se despede com palavras ritmadas e rimadas. E nós, seus leitores, entre os quais este editor, agradecemos o compartilhar de seu conhecimento e sentimento.
Obrigado!
Por Maria Lucia Solla
tem o dia da chegada e tem aquele da partida
é assim com tudo na vida
sem morte depois dela
que disso eu estou convencida
na chegada ou ao longo da estrada
no adeus ou no até mais
ignoro a porção comportada
e convido a intensidade
pra prantear rir festejar
sem ais
é preciso querer tudo
continuar a almejar
pode crer!
nem que seja pra treinar
o danado do querer
é festivo o começo
mas também o é o final
porque há que festejar
tudo na vida
o ordinário e o original
e é pra isso que hoje estou aqui
pra agradecer a companhia
durante o meu longo escrever
e pra me despedir deste espaço
envolta na mesma alegria
e na imensa gratidão
que me moveram na chegada
do fundo do meu coração
até um dia, quem sabe, amigos!
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung
Como uma boa paulista paraíbana, minha homenagem a esta linda e rica cidade que me acolheu e me ofereceu o de melhor e pior, onde vivo sorrio, canto e encanto, minha história contarei em versos, pois em todas controvérsias encontradas, nunca desistirei desta linda São Paulo que hoje com orgulho a chamo de minha Cidade!
São Paulo Controvérsia
São Paulo é assim,
Onde se vive,
Onde se deixa de viver,
Cidade que não para,
Não para de crescer.
Cidade dos sonhos,
Sonhos dos desiludidos,
Desilusão dos que sonham,
Dos que dormem e não acordam,
Dos que simplesmente não dormem.
Cidade dos que vivem sem tempo,
Dos que não tem tempo para viver,
Dos que esperam para ir,
Dos que são empurrados para vir.
Cidade de idas e vindas,
Dos que buscam a felicidade,
Dos felizes que buscam,
Dos que procuram o encontro,
Dos que encontram o que procuram.
Cidade dos que foram encontrados perdidos,
E dos perdidos que foram encontrados,
Dos que sabem o que procuram,
Dos que procuram o SABER.
Mesmo na controvérsia,
Da cidade dos que não mais procuram,
Dos que não sabem mais o que buscam,
Em que nos desencontros encontrados,
Foram perdidos, foram achados.
Mesmo na controvérsia,
Não mais sabem qual a felicidade,
De se viver nessa cidade.
O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP e tem a sonorização do Cláudio Antonio
Entrei nesse papo, na verdade, pois acabo de ser levado a pensar sobre a quantidade de coisas que tenho dentro de casa, a partir do livro “Stuffocation”, do jornalista James Wallman, que questiona o comportamento do consumidor contemporâneo e defende a tese de que temos muitos mais do que necessitamos. Tão mais que chegamos a nos sentir sufocados pelas coisas ou “suffocated by stuff”, sensação que leva Wallman a criar o neologismo que batiza o livro.
[Leia o artigo completo na minha página no Medium.com – é só clicar na imagem acima]
Há um incômodo evidente com o que se lê nas redes sociais e demais espaços digitais, públicos e disponíveis para a expressão de ideias, pois a profusão desses ambientes deu dimensão demasiada àquelas conversas que se limitavam ao círculo de amigos e ao almoço de domingo com seus parentes — incluindo o tio com soluções para o mundo, o primo capaz de dizer uma asneira a cada afirmativa e o cunhado estraga-prazer que traz nos comentários suas frustrações.
A facilidade com que se propaga uma opinião e o “esconderijo” que o cenário virtual se transformou, nem tanto pela dificuldade para se encontrar o autor do ataque, muito mais pela covardia em dizer diante do outro o que se pensa, empoderou essa gente esquisita.
Sou otimista ao acreditar que estamos apenas vivendo uma evolução natural do ser digital e dentro de alguns anos, talvez décadas, saibamos nos comportar melhor — e isso inclui pensar com equilíbrio, bom senso e, especialmente, respeito.
Toda boa sugestão, portanto, é bem-vinda, e, por isso, recupero aqui alguns princípios que foram publicados pelo filósofo Paul Grice, no artigo “Logic and Conversation”, lá por meados dos anos de 1970, ou seja, muito antes de assistirmos a este diálogo sem propósito e sem noção, que tanto nos incomoda (ao menos a mim incomoda) nas redes sociais.
Naquela época, Grice já nos apresentava a necessidade de incentivarmos uma linguagem sem confronto, a partir de quatro máximas conversacionais que podem tornar esta “luta livre” travada no ambiente virtual em um embate saudável e colaborativo:
Quantidade: faça sua contribuição tão informativa quanto necessária; o autor, em seu texto original, é redundante ao incluir a ideia de que não se deve fazer contribuição mais informativa do que o pedido, pois se não vê aqui uma transgressão aos princípios cooperativos, identifica como sendo uma perda de tempo.
Qualidade: tente fazer uma contribuição verdadeira; esta supermáxima, como define o próprio autor, vem seguido de duas outras mais específicas: não diga o que você acredita ser falso e não diga nada sobre o que você não tenha provas suficientes.
Relação: seja relevante, sugere de forma concisa; faz questão, porém, em nome da clareza, de revelar a intenção que pode ficar escondida nesta máxima, pois sua proposta é que a contribuição seja pertinente ao tema em discussão.
Modo: seja claro, uma supermáxima que está relacionada não ao que é dito mas na forma como é dito, e aparece reforçada por evite expressões obscuras e a ambiguidade, seja breve (evite a prolixidade) e ordeiro.
Perceba que em nenhum momento há a intenção de cercear a opinião contrária, mas, sim, de torná-la produtiva para o diálogo.
Nas redes sociais, aplique as máximas de Grice e ganharemos todos; nos almoços de domingo, já que a visita é inevitável, peça para trazer um bom vinho na próxima vez.
No lançamento do livro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, uma coletânea do quadro que apresento aos sábados, que tem como protagonistas Jaime Troiano e Cecília Russo, realizamos talk-show, no Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. Neste segundo vídeo que publico no blog, Jaime e Cecília falam da importância de se trabalhar a marca do seu produto, empresa ou negócio. E como devemos estar atentos ao nosso cotidiano para compreender as estratégias a serem adotadas: “seja um voyeur social”, diz Troiano.
O zoneamento para uma cidade de 12 milhões de habitantes deveria ter como foco central o ordenamento e a limitação do uso e ocupação do solo. A nova lei, que será votada em plenário nesta terça-feira (15/12), não contempla essas premissas básicas e essenciais. Distancia-se do Plano Diretor que a antecedeu, com Marta Suplicy e Jorge Wilheim, e se aproxima do caos político e administrativo que impregna o Brasil atual.
Ao ritmo dos interesses comerciais e pecuniários, escancara a cidade a uma irresponsabilidade urbana com desastrosos resultados futuros. Tanto é que o relator Paulo Frange, vereador do PTB, disse ao jornal O Estado de São Paulo que já acatou 60% de pedidos de mudança à nova Lei. Sinal de que a base não era boa.
Os pleitos de não mudar as prerrogativas das áreas residenciais e de postergar o estudo dos corredores comerciais pelas 42 entidades de bairros residenciais não foram atendidos pelo vereador Frange.
Por outro lado, alguns conselheiros municipais como Heitor Marzagão, Regina Monteiro e Sergio Reze, encaminharam solicitação à Promotoria de Justiça, de Habitação e Urbanismo para verificar a exiguidade de tempo e audiências públicas que foram destinadas à análise atual. Fato comprovado em comparação com o estudo anterior, coordenado por Nabil Bonduki, do PT. Ou a partir de dados mostrados por Sergio Reze em seu artigo de ontem também no Estadão: Washington com 650 mil habitantes levou três anos e Filadélfia com 1,5 milhão de habitantes levou cinco anos, enquanto São Paulo com 12 milhões quer aprovar nova lei de zoneamento em pouco mais de um ano.
Os promotores Reynaldo Mapelli Jr. e Camila Silveira, atendendo ao pedido dos conselheiros municipais, enviaram ao Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Donato, do PT, instrução para encaminhamento de informações que possibilitem ao Ministério Público o acompanhamento destas audiências. Além de solicitarem vários pontos de atenção a itens de preservação ambiental.
É mais um importante alerta que se soma ao de especialistas sem interesses financeiros e de entidades representativas de moradores de zonas residenciais, que se contrapuseram àqueles de sociedades que visavam resultados de capital. Como o prefeito Haddad, cujo lote da família dele no bairro da Saúde, zona sul, localizado em zona estritamente residencial, teve a via alterada para corredor comercial, o que libera certas atividades econômicas no terreno (leia aqui nota divulgada por Haddad na qual nega interferência na mudança).
É o inegável espírito capitalista. E afinal o capital está prestes a vencer.
Tudo dependerá da votação de logo mais.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.