Os meus carros e algumas transgressões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Promessa é dívida. Se alguém leu o texto que produzi, na semana passada, postado na última quinta-feira,dependendo da idade do leitor,talvez nunca tenha visto, nas ruas de Porto Alegre,o carro francês que ilustrou o que escrevi. Tratava-se de um Citröen,novinho em folha,com o qual os meus pais,para minha surpresa, foram visitar-me no Colégio São Tiago, em Farroupilha,onde estava internado. Eu estudava em uma escola marista,em Porto Alegre. Essa,no meio do ano, costumava dar apenas quinze dias de férias aos seus alunos, coisa que me irritou e levou-me a concordar em ser internado. Seja lá como tenha sido, arrependimento à parte, tive o meu primeiro contato com o automóvel novo do meu pai no São Tiago. Fui e voltei nele de casa para a escola e vice-versa.

 

Todas as vezes que ia para casa por pouco tempo, na hora de retornar à escola eu sempre criava um caso. O seu Aldo,meu pai.descobriu um modo de me levar para Farroupilha sem choradeira:me deixava dirigir o Citroën.

 

Não se espantem: eu sentava bem perto dele,o suficiente para que pudesse lidar com a direção. Depois de um ano e meio,voltei para casa. Aos poucos,o meu pai foi me deixando controlar o acelerador, depois, passar para o lugar dele,eu no lado esquerdo,ele, como carona,no direito. Aos domingos,consegui tomar conta do carro com a desculpa de que iria apenas até a Igreja do Sagrado Coração de Jesus para assistir à missa. Se o seu Aldo soubesse que eu ia para a Carlos Gomes correr com o Citroën de uma ponta à outra, ida e volta,não acreditaria.

 

Sempre passava pela igreja no fim da missa para não gerar desconfiança ao meu pai. Em um certo domingo,vi uma vizinha saindo da missa e resolvi lhe dar carona. Vai daí que, ao abordar o último cruzamento antes da minha casa,um táxi, cuja marca não lembro,mas um carro bem forte,bateu no para-lama traseiro do Citroën. Quando parei em casa,papai estava na porta. Precisei mostrar-lhe o estrago,que não chegou a ser grande,mas… O meu pai me deixou um bom tempo sem o “francesinho”,como eu havia apelidado o nosso carro.

 

Na ocasião, eu ainda não possuía carteira de motorista porque estava somente me aproximando dos dezoito anos. A primeira providência que tomei ao completar a maioridade foi pedir ao papai que me emprestasse o Citroën a fim de que eu pudesse ir até o Palácio da Polícia. Em uma de suas dependências os candidatos a tirar carteira de motorista mostravam se estavam aptos para dirigir um veículo.

 

Não se espantem,novamente: ninguém me acompanhou,coisa que tive de fazer quando os meus filhos prestaram exame de sinais e mostraram que sabiam dirigir. Um guarda aproximou-se de mim e mandou que eu entrasse no Citroën. Obedeci e ele me ordenou que desse uma volta na quadra ou algo assim,não lembro bem. Recordo-me –isso jamais esquecerei– que após rodar muito pouco, o inspetor tirou do bolso um livreto no qual estavam impressos os sinais de trânsito. Pensei:agora,ficarei sabendo se passei no exame ou rodei. O policial civil, calmamente, passou o livreto às minhas mãos,disse-me quanto esse custava e me encaminhou para um gabinete em que a minha carteira estava prontinha para ser usada.

 

Faz algum tempo,quem pretendia seguir dirigindo,era obrigado a fazer um exame, proposto em um computador,visando a saber se continuava apto para ter sua carta aprovada.Sofri mais nesta do que no meu primeiro exame.E saibam que me exercitei muito para não cometer erros fatais.

 

Volto ao Citroën para recordar que o “francesinho” morou vinte anos na casa paterna. Já casado e pai de três filhos,comprei-o do avô deles em módicas prestações e levei o automóvel para pintar e recuperar a parte mecânica. O meu pai nunca decidiu dar a segunda mão na pintura opaca com a qual ele desembarcou e foi direto para a revenda de um “cavalheiro” que ficou de pintar o Citroën com o preto brilhante. Seria a sua tinta original,não fosse o fato de o Snizek, essa a revenda Citroën e esse o sobrenome do empresário, “esquecer” da pintura capaz de deixar o automóvel bem mais bonito. Seja lá como tenha sido,após o “tratamento” que deram na oficina especializada em chapeamento e pintura, deixei-o em uma oficina especializada em radiadores. Rodei mais um pouco com o carro e tive de parar na Rua Washington Luiz: abri o capô e o automóvel foi coberto pela fumaça provocada pelo excessivo calor do motor. O seu Aristides, mecânico, que era nosso vizinho e onde eu guardava o Citroën,deu um jeito visando a minimizar o estrago sofrido pela máquina.

 

Só então,após ter perdido a paciência com o já velhote “francesinho” e seus muitos percalços,pus o Citroën à venda. Um dos técnicos da Rádio Guaíba e meu colega,resolveu comprar o automóvel,mesmo sabendo que seria arriscado. Não me perguntem por quanto o vendi. Nessa altura,o meu pai já havia concordado em comprar um Volks novinho em folha. As trocas por Volks zero quilômetros foi quase anual. O seu Aldo Jung dirigiu automóvel até perder a confiança em si próprio. Ah,desulpem-me: ia esquecendo que, se não estou enganado,a cada ano ou pouco mais do que isso,o meu pai comprava um Volks novo e eu ficava com os que, agora, são chamados de seminovos.

 

Antes,porém,dessas rápidas trocas de um Volks por outro Volks e assim por diante,Pedro Pereira,que aprovei na condição de chefe dos locutores da Rádio Metrópole e,mais tarde,facilitei o seu ingresso na Guaíba,depois que ele trabalhou na Difusora,levou-me à Copagra,onde achei um Gordini que me agradou e o qual comprei. Fiquei com esse carrinho por um tempo razoável e não me arrependi. Era valente e me serviu direitinho.

 

Tenho mais assuntos sobre carros novos e usados,mas vou pedir ao Mílton,comandante deste blog,que me dê um descanso (risos). Vou,com Malena,ver o que o homem que está assumindo a Presidência da Argentina e que já deu um trato em Buenos Aires,quando foi prefeito da Capital,fará para o seu país. Gostei de saber que,antes mesmo de comandar o seu país,não vai aceitar que a Venezuela continue fazendo parte do Mercosul,algo sem nenhum sentido,principalmente por ser governado por um ditador.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mulheres, ocupem os espaços de decisão!

 

Milena Franceschinelli
Movimento Ocupe os Conselhos

#AgoraÉQueSãoElas

 

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O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013-2015, elencou entre seus 10 eixos prioritários da política pública de gênero o “Fortalecimento e participação das mulheres nos espaços de poder e decisão”. Mesmo entre as prioridade, esses espaços de poder e decisão muitas vezes são desconhecidos da maioria das brasileiras. A maior cidade do País, São Paulo, é um triste indicador: prestes a completar aniversário de cinco anos, tramita a passos lentos, desde 2011, na Câmara Municipal paulistana, o Projeto de Lei de criação do Conselho Municipal de Direitos da Mulher de São Paulo.

 

Os Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher são promotores e fiscalizadores locais das políticas públicas dos direitos da mulher. São a instância primeira, a base de sustentação da participação social nas cidades, as mais próximas das cidadãs. Não ter o conselho é estar mais vulnerável.

 

A articulação entre a administração pública municipal e a sociedade civil está entre as importantes atribuições dos Conselhos. Em pesquisa realizada, em 2013, o IBGE destaca que somente 17,5% dos municípios do País tinham esse tipo de conselho, refletindo a “reduzida interlocução entre as reivindicações das mulheres e os gestores locais”.

 

A invisibilidade dos conselhos em funcionamento é outro fator alarmante para todas as mulheres. É o que acontece com o Conselho Nacional de Direitos da Mulher com mais de 30 anos de existência: permanece ignorado pela maioria da população.

 

Ocupar os conselhos em todas as instâncias de poder é fundamental para dar celeridade nas conquistas por novos direitos e resistir diante de ameças como a PL 5069.

 

Apenas 12% de Prefeitas no Brasil e somente 17,5% dos municípios contam com Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher, segundo o IBGE

 

Desde 1997, a legislação eleitoral prevê a determinação das cotas de sexo, 30% no mínimo e 70% no máximo de cada gênero. Essa cota foi sistematicamente descumprida pelas agremiações partidárias e contaram também com a tolerância do Poder Judiciário. Somente em 2014, o TSE fez um enfrentamento público da questão lançando a campanha nacional “Mais Mulheres no Poder”.

 

As Prefeitas são representativas quando falamos de poder de decisão das mulheres no Brasil. Em 2001 eram apenas 6%. Dobrou em 2013, chegando a 12% ou 675 cidades onde mulheres estão à frente do executivo municipal, segundo o IBGE. Mesmo com mais formação educacional, as prefeitas tem menos chances de serem reeleitas. Se mulheres votarem apenas em mulheres este cenário já sofreria grandes mudanças.

 

A participação dos diferentes grupos populacionais focalizados pelos órgãos gestores da política de gênero evidencia um perfil de mulher onde as prefeituras investem. As idosas são o primeiro grupo a ser considerado com 83,7% e as mulheres com deficiência o segundo, com 47,9% preferidos das Prefeituras. As preteridas são as mulheres indígenas com apenas 15,9%, seguidas de lésbicas com 26,2% e negras com 38,1%

 

Hoje, em 2015, a mulher brasileira com maiores chances de participação e acesso as políticas públicas de gênero são idosas, com deficiência, brancas, residentes em cidades grandes (população acima de 500 mil pessoas).

 

Você está dentro do perfil ?

 

FONTE: 11a edição, a Munic – Pesquisa de Informações Básicas Municipais do IBGE investigou todas as 5.570 municipalidades existentes no País, sendo o Bloco Política de Gênero resultante de convênio institucional firmado entre o IBGE e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Charis Tsevis no Flickr e segue as recomendações de criação comum

Piora geral no Zoneamento de São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A apresentação da nova lei do Zoneamento prometida pela Comissão de Política Urbana para terça-feira da semana passada foi suspensa sem prévio aviso. No dia seguinte, quarta-feira, 17, foi colocada na internet e marcada, para segunda feira, 23 a primeira audiência pública.

 

O texto provisório da Lei do Zoneamento, que contém 64 páginas, 16 quadros e 33 mapas, teria que ser analisado durante o fim de semana prolongado. E a forma de apresentação não facilitava a análise do conteúdo. Os mapas setorizados com as regiões são únicos sem apresentar os limites de cada área. Além de não indicar o nome das ruas, apenas das avenidas.

 

Não bastasse a discriminação na recepção aos grupos de moradores e a suspensão na hora da apresentação do projeto, surgiu também esta exiguidade de prazo para análise. Fato que levou algumas entidades ao Ministério Público para solicitar prazo maior para a primeira audiência. E, obtiveram resultado, transferindo as audiências. Apenas a de ontem foi realizada porque não havia tempo para transferência.

 

Embora chamada de “participativa” pelo Poder Público, as restrições e os cerceamentos que caracterizaram esta fase operacional não foram levados ao conteúdo do projeto. Muito pelo contrário. No geral as irregularidades de ocupação comercial foram liberadas e ampliadas, como a Av. Morumbi que passa a ser corredor em toda a sua extensão, assim como a Rua Estados Unidos.

 

Esta postura liberal ao comércio é bastante questionável, pois o passado tem demonstrado que a tendência é transgredir e ocupar espaços preservados. O poder público ao se antecipar e liberar áreas residenciais para atividade de negócios está se arriscando. Tanto no aspecto da administração municipal, restringindo áreas de preservação, quanto na visão comercial, ampliando as regiões potenciais, como se faltasse hoje na cidade espaço para lojas, consultórios, e escritórios.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mãos Talentosas: A História de Benjamin Carson

 

 

FILME DA SEMANA:
“Mãos Talentosas: A História de Benjamin Carson”
Um filme de Thomas Carter
Gênero: Biografia
País:EUA

 

A História do neurocirurgião talentosíííííssimo Ben Carson – sim, o atual candidato a vaga à presidência dos EUA.

 

Por que ver:
A vida deste homem é repleta de superações. Ele era pobre, não tinha pai, sua mãe analfabeta e ia mal na escola… Mas com muito eforço e estudo, se torna uma lenda viva ao separar, com sucesso, dois gêmeos siameses ligados pelo cérebro…

 

Eu amo biografias, e de médicos então… Esta história é imperdível e um grande exemplo de alguém conseguir por puro mérito um lugar ao sol.

 

Como ver: Pega aquela molecada preguiçosa para estudar e vejam juntos… hoje em dia sinto muita falta de heróis, e este certamente é um deles.

 

Quando não ver: Esta desconfiado que o lançamento do filme e a candidatura do Sr. Ben não foi nenhuma coincidência e, portanto, vai boicotar o filme? Vai fundo então, mas aviso que você vai perder um filmaço!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?

Já não se faz mais como antigamente

 

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Em conversas frequentes com estudantes de jornalismo, esforço-me para mostrar que a escolha que fizeram faz muito sentido em uma época na qual a informação e, por conseguinte, o desenvolvimento de conteúdo são essenciais. Tento não repetir o que ouvia já nos meus tempos de faculdade – e lá se vão mais de 30 anos – quando éramos visitados por profissionais, alguns bastante respeitados pelos jovens, que insistiam em nos desestimular pela falta de perspectiva que haveria na profissão: “já não se faz mais jornalismo como antigamente”. E não se fazia mesmo. Como hoje, aliás. Esse, porém, é assunto para outro texto.

 

Escrevo sobre o saudosismo que me parece permear as emoções de muitos dos profissionais já estabelecidos no mercado, e alguns, inclusive, afastados por aposentadoria consentida ou forçada, para destacar opinião do ex-jogador Tostão, publicada em reportagem do jornal O Globo, na edição de sábado, 21 de novembro. O gancho para o texto do jornalista Carlos Eduardo Mansur foi a reclamação de alguns dos atuais jogadores da seleção brasileira, expressa em entrevista por Daniel Alves, quanto as críticas proferidas por comentaristas esportivos que já jogaram futebol.

 

É verdade que a seleção brasileira, treinada por Dunga, não é empolgante e o porre do 7×1, sob comando de Luis Felipe Scolari, deixou-nos com uma ressaca que será eterna enquanto dure. Mas também é verdadeiro o fato de que projetar as glórias, táticas e dribles do passado para os gramados atuais é uma injustiça, pois a forma de jogar futebol mudou por completo diante de estratégias mais bem organizadas e pelo desenvolvimento físico de atletas – haja vista a força e a velocidade com que atuam hoje.

 

Não quero, porém, me ater ao futebol. O que me interessa na opinião de Tostão é a explicação que dá para esta reação comum na maioria de nós quando nos referimos a realidade vivida no passado, às vezes, recente:

 

“Isso não é pecado, não é deturpação, não é vigarice. É da vida, é de todo tipo de atividade. Há o ex-jogador que vive ligado ao passado, não assume ou não se identifica com a sua vida atual. Vive enamorado do que ele foi: “Na minha época era melhor”. É a tal memória afetiva. O sujeito vive uma época de glória e tem dificuldade de viver o momento. São componentes humanos habituais, até mesmo o receio de que surja alguém melhor do que ele foi”.

 

Gosto de ler o craque – do jogo e das palavras – porque sintetiza com clareza pensamentos que minha capacidade de se expressar, muitas vezes, não permite.

 

A reflexão feita por Tostão deve servir de alerta para profissionais de todas as áreas, independentemente de onde atue. Em nome do saudosismo, criticamos o que é feito aqui e agora, ficamos a nos lamentar e a praguejar o novo com o qual nos deparamos no escritório e na empresa (ou na redação, no caso dos jornalistas). Exaltamos o passado por temer nossa incapacidade de se adaptar ao que está para acontecer. Assim como remetemos o pensamento ao que foi porque a memória é seletiva e nos faz esquecer quanto difícil eram os processos e quantos erros cometíamos.

 


Sem perder as referências que ajudaram a construir seu conhecimento, deixe o saudosismo para trás, prepara-se para as mudanças e se adapte a regra do jogo. Ou invente o seu próprio jogo. Pois já não se faz mais nada como antigamente.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Rhea Monique, no Flickr, e segue as recomendações de criação comum

Avalanche Tricolor: ainda bem que no primeiro turno nós goleamos

 

Inter 1 (0) x (5) 0 Grêmio
Brasileiro – Beira Rio

 

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A grandeza de nossos feitos pode ser medida pelo esforço do inimigo em nos vencer.

 

Lembrei-me dessa verdade enquanto assistia ao clássico deste domingo, em Porto Alegre, apesar de não gostar muito de trabalhar com essa dicotomia quando trato do futebol, esporte que já foi palco de intolerância e mortes. Amigos e inimigos. Vida ou morte. Paz e guerra. É sempre perigoso usar essas expressões quando estamos diante de pessoas que nem sempre são capazes de compreender que a co-existência de paixões e opiniões é possível.

 

Feita a ressalva, volto ao futebol propriamente dito. Hoje era perceptível a necessidade que o adversário tinha de ganhar, uma questão de sobrevivência. De honra, talvez. Especialmente após a goleada retumbante que levou no primeiro turno, 5 a 0 – repito o placar para caso você já tenha esquecido. Não esqueceu, né?

 

Se jogávamos apenas futebol – ou tentávamos jogar futebol, pois deixamos muito a desejar, tendo como referência a qualidade do jogo que apresentamos até aqui neste campeonato -, do outro lado havia alguém jogando a vida. E talvez isto tenha feito diferença nas bolas divididas, na força imposta para superar o marcador, na insistência em chegar ao gol mesmo com a falta de talento.

 

É claro que para o torcedor um Gre-nal nunca é apenas um Gre-nal. Queremos ganhar todos, um atrás do outro, em casa ou fora e de goleada sempre, apesar de que estas costumam acontecer só de vez em quando e, ultimamente, a nosso favor.

 

A segunda-feira é sempre mais dolorida quando não é o nosso time que vence o clássico. Mas não se preocupe, caro e raro leitor gremista deste blog, se servir de consolo, nesta segunda-feira, aqui em São Paulo, a dor será bem maior para outros tricolores. Seis vezes maior.

 

Perdão, lá estou de novo falando em goleada.

 

É que isso não me sai da cabeça e parece que também não sai da cabeça do adversário, pois comemorou a vitória por um a zero de hoje como se tivesse ganhado a Copa do Mundo. Fez volta olímpica? Foi o que ouvi o locutor da televisão dizer. Deve ser exagero desse pessoal da crônica esportiva.

 

Para o Grêmio, o resultado atrasou o carimbo definitivo no passaporte para a Libertadores que, como você já sabe, é o nosso grande objetivo. Pelos meus cálculos é necessário apenas mais um ponto nos dois próximos jogos. Dadas as circunstâncias, até arriscaria dizer que do jeito que está já chegamos lá, pois mesmo que o Gremio não marque um só ponto e os adversários ganhem todas suas partidas, ainda teriam de golear em seus jogos, devido a grande vantagem no saldo de gols gremista.

 

Goleada? Desculpe-me, teimo em repetir a palavra que ainda soa mal no ouvido de alguns amigos gaúchos. Prometo não repeti-la mais até porque está na hora de me recolher e me preparar para a semana que se inicia. E, também, porque do Grêmio de hoje tenho muito pouco a escrever, já que, vamos ser sincero, deixamos a desejar.

 

Ainda bem que no primeiro turno nós goleamos, ops!

 

A foto deste post é do álbum Grêmio oficial, no Flickr

Conte Sua História de SP: assistindo ao passeio das lambretas

 

Por Pedro Paskauskas
Ouvinte-internauta da CBN 

 

 

Meu pai não comprava brinquedos para nós, no entanto as firmas em que trabalhava davam bons brinquedos que eram cuidados por nós como pepitas de  ouro. Como eram poucos, a gente curtia muito eles.

 

E com poucos brinquedos, buscávamos outras atrações: observávamos o que havia a nossa volta para se distrair.  Por exemplo, os cavalos da polícia.A gente escutava o trotar e corria até o portão para ver os cavalos passarem. Passavam dois a dois levando um policial cada um.    

 

Outra diversão era ver o carro de coleta de lixo puxado  por cavalos.É! Eu sei, a gente era doido por cavalos. Naquela época havia poucos carros e a opção eram os cavalo. Seis deles puxavam o carro de coleta de lixo. Haja força para puxar tanto peso!

 

A gente curtia muito era a noite quando nosso pai chegava do serviço, pedíamos para nos levar à praça: o Largo da Vila Zelina próximo onde morávamos. Queríamos ver o “dlim dlim dlim” passar. Naquela época, começo dos anos 1960, era moda todos terem lambreta e o som das buzinas era esse: “dlim dlim dlim”. Parece besteira? Para nós,não era. A gente curtia muito ver o desfile das lambretas.

 


A sonorização do Conte Sua História de São Paulo é do Cláudio Antonio. Os ouvintes-internautas colaboram com histórias enviadas para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Renato Santos, da S2Consultoria, diz como reduzir riscos de corrupção, fraude e assedio

 

 

As empresas chegam a perder cerca de 7% de sua receita bruta devido a fraudes, segundo o consultor Renato Santos, sócio diretor da S2Consultoria. Ele, porém, alerta que a preocupação das organizações têm de ir além de questões como corrupção, apropriação indevida ou manipulação de resultados. É preciso estar atento para os casos de assedio – moral, sexual e corporativismo – que representam até 52% das ocorrências dentro das empresas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Santos sugere a realização de testes de integridade como forma de reduzir os riscos de desvio de conduta no ambiente de trabalho, a serem aplicados tanto nos candidatos como nos colaboradores das organizações.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br e reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam deste quadro Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Fendi comemora 90 anos e abre hotel boutique em Roma

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

A view of the Palazzo Fendi.

 

O mercado do luxo em Roma ganhará novo empreendimento, no próximo mês. O recém-remodelado Palazzo Fendi dará lugar ao primeiro hotel boutique da grife italiana, Fendi Private Suites, e Palazzo Privé, apartamento privativo projetado pelo Dimore Studio, bem como um restaurante Zuma, de alta gastronomia japonesa. O local abrigará não apenas a maior loja da marca, mas terá peças exclusivas como as feitas sob medida e por artesãos.

 

Uma das marcas mais desejadas do mundo, Fendi, criada em 1925 por Adele e Edoardo Fendi, há alguns anos pertence ao Grupo LVMH, maior conglomerado de marcas de luxo mundial, e sabe até hoje manter seu posicionamento no segmento. O hotel da marca reflete seu DNA: a perfeita combinação da estética, atenção aos detalhes, design contemporâneo e exclusividade. Tudo isso em um edifício do século 17. As suítes terão decoração de Fendi Casa, linha de móveis da marca, com conceito do arquiteto Marco Costanzi. As diárias terão preço médio entre 700 e 1600 Euros.

 

A view of the Palazzo Fendi.

 

A extensão de marca utilizada pela Fendi mostra-se seletiva e consciente, uma vez que atingirá o mesmo perfil de consumidor para suas outras linhas de produtos, seguindo o conceito de excelência e exclusividade que fazem parte do seu negócio. Essa estratégia tende a aumentar sua cobertura de mercado e fortalecer os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: o necessário, somente o necessário …

 

Grêmio 1×0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

 

“Eu uso o necessário
Somente o necessário
O extraordinário é demais”

 

Via o Grêmio jogar, na noite desta quinta-feira, quando lembrei da letra de música que embalava os meninos aqui de casa sempre que assistíamos a um dos muitos DVDs da Disney, que faziam parte da coleção de entretenimento deles quando eram bem pequenos ainda. Hoje, os dois estão grandinhos e cada um fazendo das suas, mesmo assim a música voltou à memória, principalmente depois do gol gremista. Gol, aliás, resultado de uma tranquila cobrança de pênalti de Luan, pênalti bastante claro, registre-se, apesar de ter acabado de ver no Twitter que alguns colegas de jornalismo esportivo o chamaram de polêmico. Se houve polêmica, isto se deu porque o autor do pênalti, aquele que colocou a mão na bola, não foi punido com um cartão amarelo, o que resultaria em sua expulsão, pois já havia recebido um por uma falta no segundo tempo.

 

Lembrei da música porque percebi que, em campo, o Grêmio fazia o necessário, somente o necessário, para levar os três pontos nesta sua caminhada para o Tri da Liberadores – jamais devemos esquecer que este é o nosso objetivo maior. E quando digo que fazia o necessário, longe de mim desmerecer o que era feito. Pelo contrário. Marcava o suficiente para impedir a chegada do adversário, apesar de uma bobeada logo no início que quase atrapalhou nossos planos. E marcava a saída de bola como Roger gosta, sem dar muito espaço e retomando o domínio do jogo rapidamente. O necessário.

 

Assim que a bola estava nos pés gremistas, os jogadores se deslocavam no gramado sempre apresentando-se como opção de passe e assim faziam com que o passe tivesse maior precisão. Tanta movimentação acabava gerando lances de gols que, na maior parte do jogo, eram desperdiçadas pela insistência de sempre querer alguém mais bem colocado para concluir. Um mérito ou um defeito – dependendo do resultado final – deste time que não abre mão de jogar futebol com qualidade, porque qualidade no futebol é preciso.

 

Até que veio o pênalti. E Luan converteu com a tranquilidade de um veterano, que ele não é, mais uma vez fazendo o necessário. Sem paradinha, sem precisar de ginga, sem muitas delongas, apenas com precisão, a necessária precisão (e tranquilidade) dos cobradores de pênaltis.

 

O restante do jogo foi trocar bola de pé em pé, uma prática irritante para os adversários que sempre acaba em expulsão ou punição, quando o árbitro não se omite de sua responsabilidade – e hoje por mais de uma vez se omitiu, apesar de ter expulsado um deles aos 18 do segundo tempo. Sei que muitos dos torcedores devem ter temido algum revés, mas, convenhamos, a partida ficou sob controle. Os três pontos foram garantidos, a manutenção da vaga da Libertadores, também, e seguimos distantes dos que se engalfinham mais atrás.

 

Fizemos o necessário, apenas o necessário. O extraordinário … que venha no domingo!