Mundo Corporativo: Renato Santos, da S2Consultoria, diz como reduzir riscos de corrupção, fraude e assedio

 

 

As empresas chegam a perder cerca de 7% de sua receita bruta devido a fraudes, segundo o consultor Renato Santos, sócio diretor da S2Consultoria. Ele, porém, alerta que a preocupação das organizações têm de ir além de questões como corrupção, apropriação indevida ou manipulação de resultados. É preciso estar atento para os casos de assedio – moral, sexual e corporativismo – que representam até 52% das ocorrências dentro das empresas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Santos sugere a realização de testes de integridade como forma de reduzir os riscos de desvio de conduta no ambiente de trabalho, a serem aplicados tanto nos candidatos como nos colaboradores das organizações.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br e reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam deste quadro Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Fendi comemora 90 anos e abre hotel boutique em Roma

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

A view of the Palazzo Fendi.

 

O mercado do luxo em Roma ganhará novo empreendimento, no próximo mês. O recém-remodelado Palazzo Fendi dará lugar ao primeiro hotel boutique da grife italiana, Fendi Private Suites, e Palazzo Privé, apartamento privativo projetado pelo Dimore Studio, bem como um restaurante Zuma, de alta gastronomia japonesa. O local abrigará não apenas a maior loja da marca, mas terá peças exclusivas como as feitas sob medida e por artesãos.

 

Uma das marcas mais desejadas do mundo, Fendi, criada em 1925 por Adele e Edoardo Fendi, há alguns anos pertence ao Grupo LVMH, maior conglomerado de marcas de luxo mundial, e sabe até hoje manter seu posicionamento no segmento. O hotel da marca reflete seu DNA: a perfeita combinação da estética, atenção aos detalhes, design contemporâneo e exclusividade. Tudo isso em um edifício do século 17. As suítes terão decoração de Fendi Casa, linha de móveis da marca, com conceito do arquiteto Marco Costanzi. As diárias terão preço médio entre 700 e 1600 Euros.

 

A view of the Palazzo Fendi.

 

A extensão de marca utilizada pela Fendi mostra-se seletiva e consciente, uma vez que atingirá o mesmo perfil de consumidor para suas outras linhas de produtos, seguindo o conceito de excelência e exclusividade que fazem parte do seu negócio. Essa estratégia tende a aumentar sua cobertura de mercado e fortalecer os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: o necessário, somente o necessário …

 

Grêmio 1×0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

 

“Eu uso o necessário
Somente o necessário
O extraordinário é demais”

 

Via o Grêmio jogar, na noite desta quinta-feira, quando lembrei da letra de música que embalava os meninos aqui de casa sempre que assistíamos a um dos muitos DVDs da Disney, que faziam parte da coleção de entretenimento deles quando eram bem pequenos ainda. Hoje, os dois estão grandinhos e cada um fazendo das suas, mesmo assim a música voltou à memória, principalmente depois do gol gremista. Gol, aliás, resultado de uma tranquila cobrança de pênalti de Luan, pênalti bastante claro, registre-se, apesar de ter acabado de ver no Twitter que alguns colegas de jornalismo esportivo o chamaram de polêmico. Se houve polêmica, isto se deu porque o autor do pênalti, aquele que colocou a mão na bola, não foi punido com um cartão amarelo, o que resultaria em sua expulsão, pois já havia recebido um por uma falta no segundo tempo.

 

Lembrei da música porque percebi que, em campo, o Grêmio fazia o necessário, somente o necessário, para levar os três pontos nesta sua caminhada para o Tri da Liberadores – jamais devemos esquecer que este é o nosso objetivo maior. E quando digo que fazia o necessário, longe de mim desmerecer o que era feito. Pelo contrário. Marcava o suficiente para impedir a chegada do adversário, apesar de uma bobeada logo no início que quase atrapalhou nossos planos. E marcava a saída de bola como Roger gosta, sem dar muito espaço e retomando o domínio do jogo rapidamente. O necessário.

 

Assim que a bola estava nos pés gremistas, os jogadores se deslocavam no gramado sempre apresentando-se como opção de passe e assim faziam com que o passe tivesse maior precisão. Tanta movimentação acabava gerando lances de gols que, na maior parte do jogo, eram desperdiçadas pela insistência de sempre querer alguém mais bem colocado para concluir. Um mérito ou um defeito – dependendo do resultado final – deste time que não abre mão de jogar futebol com qualidade, porque qualidade no futebol é preciso.

 

Até que veio o pênalti. E Luan converteu com a tranquilidade de um veterano, que ele não é, mais uma vez fazendo o necessário. Sem paradinha, sem precisar de ginga, sem muitas delongas, apenas com precisão, a necessária precisão (e tranquilidade) dos cobradores de pênaltis.

 

O restante do jogo foi trocar bola de pé em pé, uma prática irritante para os adversários que sempre acaba em expulsão ou punição, quando o árbitro não se omite de sua responsabilidade – e hoje por mais de uma vez se omitiu, apesar de ter expulsado um deles aos 18 do segundo tempo. Sei que muitos dos torcedores devem ter temido algum revés, mas, convenhamos, a partida ficou sob controle. Os três pontos foram garantidos, a manutenção da vaga da Libertadores, também, e seguimos distantes dos que se engalfinham mais atrás.

 

Fizemos o necessário, apenas o necessário. O extraordinário … que venha no domingo!

Os carros de meu pai e algumas transgressões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Meu pai teve automóveis mesmo antes de eu me conhecer por gente.O primeiro dos quatro carros que ele adquiriu foi um DKW.Que eu saiba, arriscou-se a dirigir sem haver chegado a tirar carteira de motorista. Na época em que ele estreou na direção, o número de automóveis era bem menor e,segundo imaginei,somente se papai não tivesse sorte ao cometer a transgressão de trânsito, seria parado por um policial. Não tenho ideia,porque estava com menos de cinco anos quando tomei conhecimento desse episódio, do que moveu o meu velho a “desafiar” a lei. O seu Romualdo Alcides,nome que lhe deram os seus pais e que era por ele odiado,tanto que logo passou a ser reconhecido por seu Aldo, faço questão de dizer, era um homem que não cometia irregularidades. Apenas cheguei a conhecer o DKW porque o meu pai possuía uma Agfa,excelente máquina fotográfica alemã,que guardaria para a posteridade ótimas fotos da minha família. Muito mexi nela,mas nunca me atrevi a usá-la. Era guardada a sete chaves,num armário cheio de livros,alguns deles rigorosamente proibidos para alguém que era visto como criança. A máquina fotográfica durou,na família Jung,bem mais do que o DKW. Esse perdeu a vez quando foi vencido por uma lomba de barro vermelho,que eram muitas naquele tempo,em Porto Alegre, Hoje,nem consigo adivinhar onde se situavam. Quem conheceu a capital do Rio Grande do Sul na mesma época em que nasci – 1935 – talvez consiga se lembrar das lombas que se transformaram em bairros.

 

Minha irmã nasceu quatro anos depois de mim – 1939 -, ao mesmo tempo,mais ou menos,o seu Aldo comprou um flamante Chevrolet,zero quilômetro. Possuo fotos tiradas por meu pai, da minha irmã rechonchudinha,sentada no capô do carro paterno, novinho em folha,e eu ao lado do automóvel. A Segunda Grande Guerra começou quando Mirian mal tinha nascido. O Chevrolet,como todos os veículos automotores,não poderia circular pela cidade tendo gasolina como combustível. A guerra cortou esse “barato”:quem quisesse rodar tinha de se valer do gasogênio. Tal combustível necessitava de uma ventoinha para que começasse a funcionar. No frio,era um horror: a geringonça não tinha pressa. E,ainda por cima,não era bem-vinda pelos veículos motorizados. O meu pai se negou a usar gasogênio em um carro recém importado dos Estados Unidos. O coitado foi posto sobre cavaletes mirins e,com alguma frequência,punha-se para virar o motor à gasolina. Em 1945 a Segunda Grande Guerra terminou.

 

Não sei quem inventou que os automóveis pudessem ser vendidos pelos americanos por bons preços. Não era verdade. O seu Aldo,que havia vendido o Chevrolet e pensava comprar um carro dos Estados Unidos,não sei por qual razão,voltou-se para o mercado automobilístico francês. Vai daí, que comprou um Citroën do ano, ou seja,1947. Eu estava no Colégio São Tiago,internado e,em consequência,revoltado. Somente na Páscoa era permitido que eu visitasse meus pais e meu irmão e a irmã. A decisão de me manter,mesmo na Páscoa,em Farroupilha,sede do internato,foi tão mal recebida por mim,que os meus pais decidiram rever a situação.

 

Dali para a frente,sempre que eu tivesse de retornar ao colégio depois de algum volta à casa paterna,era levado de Citroën. O meu pai – não pensem mal dele porque os tempos eram outros – me dava a direção do carro. Para tanto,tinha de ficar no meio dos bancos e assumir a direção do carro. Depois disso,comigo já de volta a Porto Alegre,sempre que se viajava para cidades próximas,eu dominava um pouco mais o “francesinho”. Isso durou algum tempo,mas,bem antes dos 18 anos,mesmo que sempre acompanhado pelo pai,eu dirigia o Citroën. Fico por aqui porque restaram mais episódios nos quais os carros paternos – uma série de Fuscas – tiveram de me aturar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

#EuVotoPiracicaba permite que cidadão conheça e vote em projetos de lei

 

Voto

 

 
O Observatório Cidadão de Piracicaba e a Rede Engajados lançaram canal de participação e aproximação do cidadão com o poder público: é a plataforma #EuVotoPiracicaba (www.euvotopiracicaba.org.br), que publica projetos de lei em discussão na Câmara de Vereadores e permite ao eleitor registrar se é contra, a favor ou se abstém em relação a proposta.O resultado será encaminhado aos vereadores com o objetivo de contribuir para o debate dos projetos e para as decisões da Câmara.

 

Para Tiago Lazier, da Rede Engajados, que trabalha com ferramentas colaborativas que estimulam o engajamento do cidadão, a plataforma vai permitir que os moradores de Piracicaba se conectem melhor com a cidade, informando-se e opinando sobre os rumos da política local.
 

 

A iniciativa é inspirada em experiência desenvolvida na Argentina, que já se repete nos Estados Unidos, Espanha, México, Ucrânia, Finlândia e foi lançada na cidade de São Paulo, esse ano.

 

A escolha dos projetos que constarão da plataforma será realizada pelo Observatório Cidadão de Piracicaba, que  está aberto a sugestões dos moradores e vereadores  da cidade, a partir de critérios  que levam em conta o  potencial de impacto:
 

 

Na qualidade da vida da população.
Na sustentabilidade e conservação ambiental.
Nos direitos humanos e na justiça social.
No desenvolvimento econômico do município.
Na transparência e na participação social nas decisões públicas.

 

Cada projeto ficará disponível na plataforma por tempo determinado, especificado no site.

 

Renato Morgado, coordenador de políticas públicas do IMAFLORA, conta que nas cidades onde a plataforma já existe cresceu a participação das pessoas nos debates das casas legislativas. Para ele, ”o #EuVotoPiracicaba contribuirá para o aprofundamento da democracia no município”.

“Ida”: arte e beleza se revelam e o passado nos provoca

 

 

FILME DA SEMANA:
“Ida”
Um filme de Pawel Pawlikowski
Gênero: Drama
País:Polônia

 

Uma noviça polonesa jovem está próxima a prestar seus votos quando é obrigada a retornar à sua família de origem e acaba descobrindo segredos obscuros da época da ocupação nazista.

 

Por que ver: Se você gosta de filmes premiados, assista. Este ganhou vários. Ele tem um ritmo interessante para quem se interessa por filmes de arte. As atuações precisas e econômicas se tornam um excelente objeto de estudo para os amantes das artes cênicas que precisam perder aquele “Exagero Latino” de atuar…

 

De maneira geral gostei do filme. Gosto de cinema com esta pegada mais artística e fora do óbvio.

 

Como ver: Sem sono…O filme tem um ritmo um pouco mais lento do que estamos acostumados.

 

Quando não ver: Não curte um filme cult? Não assista. Este é bem cult e ainda por cima em preto e branco.

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?

A revisão nada democrática da Lei de Zoneamento

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Amanhã, terça-feira, às 11h, será apresentado na Câmara Municipal de SP, pelo relator, vereador do PTB Paulo Frange, o Projeto de Revisão da Lei do Zoneamento. A expectativa não é favorável, pois a nova Lei poderá vir para legalizar velhas irregularidades, e manter o processo degenerativo que vivenciamos.

 

A suspeição é legítima, pois se baseia num fato concreto, que é a indiferença do presidente da Comissão de Política Urbana, vereador do PSDB Gilson Barreto, e do vereador Paulo Frange, em ignorar os insistentes apelos do maior grupo representativo de entidades de bairros residenciais do município para que fossem ouvidos.

 

A necessidade deste contato evidenciava-se pela notoriedade do tema das áreas preservadas nas discussões até então realizadas, e pela distorção democrática que se caracterizou nestas reuniões públicas.

 

Dentre vários aspectos a lamentar, ressalta-se a confirmação da reunião pelo vereador Barreto a Heitor Tommasini membro do Conselho de Política Urbana e um dos signatários, e a posterior negação. A desconsideração é tão mais grave quanto se sabe da impossibilidade de se fazer ouvir nas audiências públicas. Nestas, as autoridades ficam com o melhor tempo, cabendo à população três minutos per capita indiferente de sua representatividade, em reuniões que se analisam áreas com dezenas de milhares de habitantes.

 

Se em esporte não se perde competição na véspera, esperemos que em política também, mesmo que seja a última esperança.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Adote um Vereador: é preciso ir além das ideias!

 

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A menos de um ano das eleições municipais, a necessidade de nos comunicarmos mais e melhor no Adote um Vereador parece ter sido a tônica do encontro realizado neste sábado, no Pateo do Collegio, centro de São Paulo. A pretensão me pareceu estar nas linhas e entrelinhas que cada um dos participantes preencheu durante exercício provocado por Henrique Parra Parra, do Instituto Cidade Democrática, que nos visitou para apresentar o Concurso de Ideia Causas Comuns.

 

Vamos por partes:

 

O Henrique é velho batalhador, apesar de ainda novo de idade. Já esteve com a gente logo no início no Adote e participou, como faz até hoje, de diferentes iniciativas cidadãs. É inquieto. Está sempre inventando moda, como diria minha mãe. E tem uma incrível capacidade de engajar outras pessoas.

 

O Concurso de Ideias Causas Comuns é uma forma de promover a discussão de propostas em torno dos temas transparência, acesso à justiça e segurança e paz. Nesta primeira fase, o cidadão é convidado a pensar em uma ideia e publicá-la no site do Cidade Democrática para que outras pessoas colaborem com sugestões. Mesmo que você não tenha uma ideia nova, pode entrar lá e deixar sua colaboração às propostas já publicadas, assim como pode apontar um problema que precisa ser resolvido e provocar outras pessoas a oferecer uma solução. As 12 que receberem maior número de apoiadores receberão visibilidade nas redes sociais e serão levadas aos governos federal, estadual e municipal.

 

A ampliação do Adote um Vereador, ideia lançada em 2008 para incentivar o cidadão a se aproximar da política na sua cidade e controlar a ação dos vereadores, será inscrita no Concurso. A nossa intenção é encontrarmos novos adeptos, gente disposta a fiscalizar a câmara municipal, e uma estratégia que permita maior alcance do Adote. Em breve estaremos com nossa proposta na plataforma digital, antes disso, porém, recolhemos as sugestões por escrito de quem esteve no encontro deste sábado.

 

Organizar melhor as informações publicadas pelo Adote um Vereador em seus canais de comunicação, reproduzir vídeos com debate e com prestação de serviço a propósito do tema e melhorar a sinergia dos “adotadores” são, em resumo, as propostas apresentadas. Em outra frente, sugeriu-se, também, que o Adote convidasse, ano que vem, candidatos por região de São Paulo para participarem em debates públicos, nos quais apresentariam as ideias que defendem para a cidade.

 

O que ficou claro é que teremos muito trabalho pela frente e se realmente queremos que o Adote um Vereador sobreviva a mais uma eleição municipal, aqueles que acreditam terão de ir além das ideias, terão de partir para a ação.

 

É aí, vai encarar!?

De renascimentos

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Já perdi a conta de quantas vezes renasci, só nesta vida. Renasci do mais incrível ao mais banal desmoronamento, vezes e vezes. Houve muitos parciais e outros poucos, mas quase totais.

 

Cheguei à conclusão de que os melhores desmoronamentos são os quase totais. Doem muito e deixam cicatrizes para que a gente possa se lembrar de ser mais humilde, mais generoso, mais vazio de resposta e cheio de tanta pergunta.

 

Apesar de todo esse nasce e renasce, continuo ingênua, mas já encaro as dificuldades com mais compaixão. Por mim mesma, e pelos outros. Vejo a vida com outros olhos a cada renascer.

 

Sou personagem e essência o tempo todo. Acordo de manhã, me encontro e me aceito. Não tem como evitar. Se tem missão, é um dia abençoado; dia vazio é perigo que se insinua, por isso procuro missões de todo tipo, o tempo todo. Limpo a casa, arrumo gavetas, esvazio caixas, escrevo, alimento a Valentina, escrevo, leio, assisto a mais uns três episódios de Desperate Housewives, organizo o externo para poder entender o interno. E gosto do que vejo. Ou ao menos já começo a gostar mais.

 

Se me sinto leve e realizada, depois de tanto sufoco? Graças a Deus, não. Tenho ainda muito peso para descartar e muita, muita coisa na fila para realizar.

 

Com boas palavras.

 

palavra repetida
em lábios ávidos
por maledicência
inimizade
e desafeto
pode se virar
contra quem a proferiu
certeira
modificada
feia
desagregadora
mortal

 

Parole, parole, parole…

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: para que lado fica a Rua Direita?

 

Por Eduardo Menezes
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Era 1989. Eu com 16 anos de idade. Iniciei minha carreira profissional em uma empresa de informática em Diadema, ABC paulista. O emprego era de office-boy e, logo nos primeiros dias de trabalho, minha chefe designou um dos office-boys mais velhos para nos ensinar o trabalho. Tudo foi muito bem na primeira semana, na parte teórica (se é que se pode dizer assim) e na semana seguinte partimos para a prática.

 

Andamos a pé desde a empresa na divisa da cidade com São Paulo, no Jardim Miriam, e chegamos ao ponto de ônibus, o que já tinha sido uma aventura e tanto para os meus padrões. Pegamos o ônibus com destino ao Metrô Paraíso e fizemos o restante do caminho a pé. Andamos toda a Paulista e meus olhos brilhavam com tanta grandiosidade, trânsito, gente importante e, o melhor de tudo, tantas meninas bonitas. Apesar de estar maravilhado, tinha um pouco de vergonha em usar o uniforme da empresa, mas fazia parte do trabalho.

 

Andamos por toda a Paulista com destino à Angélica, sempre parando em alguns escritórios e empresas. Descemos a Angélica até o Centro e seguimos para o Terraço Itália, na Av. Ipiranga. Foi aí que meu “mestre” na arte de andar por São Paulo, percebendo que eu era “esperto”, teve uma daquelas idéias geniais, que nunca deveriam ter sido executadas. Propôs que, para agilizar o nosso trabalho, nós dividíssemos o nosso trabalho e assim iríamos para casa mais cedo. Ele me ensinou como chegar da Av. Ipiranga até a Praça da Sé, local em que ele me encontraria em aproximadamente uma hora. Parecia muito simples, segundo ele, bastaria pegar a rua Barão de Itapetininga, atravessar o viaduto do Chá, pegar a rua Direita que já estaria na praça da Sé.

 

Que ideia brilhante!

 

Fiz o meu trabalho na Ipiranga e como o mestre havia explicado segui pela Barão, passando pelo viaduto do Chá e virei à Direita. Para meu espanto, havia uma praça, sim, neste caminho, mas não era a Sé. Fiquei confuso. Como qualquer office-boy que se preze, fui perguntar ao jornaleiro, que sem nem olhar mim, disse: “volte por esta rua e pegue a rua Direita”. Pois bem, voltei e pegue a rua logo a minha direita e novamente não deu em nada!

 

Resolvi voltar ao caminho original e ver se não tinha feito nada de errado, mas para meu espanto mais uma vez sempre que entrava a minha direita, após o Viaduto do Chá, não chegava na praça da Sé.

 

Quase desesperado, perdido, sem dinheiro, eis que olho uma placa na rua com o nome “Rua Direita”. Quase chorei de raiva, alegria, vergonha, sei lá. Sei apenas que virei piada no trabalho por muitos anos. Uma história sobre minha relação com esta cidade que aprendia a amar e respeitar seus nomes estranhos.