Avalanche Tricolor: o que é bom está cada vez melhor

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

As férias estão chegando ao fim. O que é bom dura pouco, dizem no popular. Prefiro pensar que o que é bom vive-se intensamente. É o que tenho feito desde que este período de descanso se iniciou. Este é o último fim-de-semana distante do trabalho e do Brasil. Amanhã começa a viagem de retorno.

 

Uma das boas coisas de não precisar acordar de madrugada para trabalhar é ver com calma, intensamente e na hora que for os jogos do Grêmio. O desse sábado, no horário da Itália, se iniciou às 11 e meia da noite e se estendeu até quase uma e meia da manhã de domingo. Quem estava preocupado com isso? Durmo a hora que bem entender porque no dia seguinte acordo quando estiver com vontade. Claro que dormir com essa sequência de bons resultados, seis vitórias em sete jogos, torna o sono ainda mais agradável.

 

Foi com paciência que assisti à partida contra o Vasco, a começar porque mais uma vez a internet teimou em me deixar na mão em alguns momentos cruciais do primeiro tempo. Mas, principalmente,porque sabíamos que,pela condição do nosso adversário e seu técnico, pegaríamos um time fechado e disposto a qualquer coisa para sair vivo da rodada.

 

Paciência acompanhada de muita troca de passe, dribles para furar o bloqueio e bolas correndo pelas laterais. Foi esta a fórmula que Roger usou para vencer mais uma vez. Sem esquecer da marcação com dois zagueiros que destruíram com o pouco que o adversário tinha a oferecer e dois volantes que sabem jogar com firmeza e categoria.

 

Lá na frente, Luan tem domínio de bola capaz de tirar o marcador do sério. E, com sua falsa lerdeza, aparece com frequência na frente dos zagueiros. Pedro Rocha tem coragem de enfrentar os adversários na velocidade, no drible ou na força. Giuliano está com o futebol reafirmado.

 

Como escrevi no início desta Avalanche, minha temporada de férias está chegando ao fim, período em que o Grêmio subiu com intensidade na tabela de classificação e eu, graças à tecnologia que me acompanha, tive oportunidade de vivenciar está ascensão. Antes de retomar o trabalho ainda tem um jogo pela Copa do Brasil. Torço para que “o que é bom” dure muito e fique cada vez melhor.

De areia

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Ô meu Pai, e falar de quê?

 

Como o poeta de flores e amores, mesmo que as noites me tragam dores?

 

que dor?
dor de quê?
dor onde?

 

a minha ué!
disso e daquilo
por toda parte

 

e vai dizer que a tua é diferente?

 

com certeza sei que é
na intensidade no momento
na falta de alento
na onda da diversidade

 

dor é global
corre solta na informática
é única na história
quando vira vitória
só sei que dói e pronto
e que a minha é minha
sem etcétera e tal

 

dor não dá ponto em pesquisa
te faz feia
leva embora tuas cores
afasta amigos e amores
que escorrem das mãos feito areia

 

E assim decido falar de não-falar.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Para encantar clientes, hotel oferece serviço de luxo aos cães

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Para aqueles que não podem sequer pensar na ideia de deixar seus animais de estimação em casa durante uma viagem, uma notícia perfeita: o luxuoso hotel Pera Palace Jumeirah (Istambul) lançou um novo menu, “Four Legged Luxury”, no qual oferece mimos para que os pequenos animais de estimação de seus hóspedes possam experimentar o mesmo serviço impecável que seus donos vivenciam.

 

O menu “in-room” foi especialmente desenvolvido com aprovação veterinária e inclui salmão e filé de carne bovina, entre outras coisas. Todos os pratos são preparados sem qualquer tempero ou ossos, garantindo que sejam saudáveis para os bichinhos.

 

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Projetado pelo renomado arquiteto Alexander Vallaury, o Pera Palace Hotel Jumeirah já recebeu uma impressionante lista de convidados, incluindo Ernest Hemingway, Alfred Hitchcock e Agatha Christie. Hoje, o hotel mantém o estilo clássico elegante que o tornou famoso, com características do século 19.

 

Talvez ao ler esse artigo, muitos leitores pensarão que trata-se de futilidade. A verdade é que quem tem um animal de estimação, o tem como membro da família, e existe uma relação de amor incondicional. Além disso, é incontestável que o mercado de produtos e serviços para pets cresce cada vez mais.

 

Antenado com as tendências mundiais, o Pera Palace Hotel Jumeirah, com esse programa especial, está encantando ainda mais os seus clientes, e encantar no mercado do luxo é algo que exige que as empresas não meçam esforços quando o desejo é a questão principal. O hotel está ainda empenhado em ações beneficentes e recentemente fez uma parceria com uma instituição de caridade para arrecadar fundos para um abrigo de animais abandonados nas proximidades.

 

Luxo contemporâneo e consciente!

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O cerco ao parque da Redenção

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Em Porto Alegre há um área imensa – escrevo para quem não é daqui – chamada Redenção. Seu nome falando-se,por exemplo,em teologia,lembra o resgate do gênero humano por Cristo, o ato de soltura de um escravo e mais uma série de sinônimos como purgação e remição,todos tratando de coisas positivas. A nossa Redenção é um parque arborizado,com um auditório no qual se apresentam shows variados,sempre acompanhados por bom público,há um lago piscoso com carpas que encantam adultos e crianças,uma piscina grande, que não é usada e,por muito tempo,um local especial para macaquinhos,que recebiam alimentos servidos pelo público. Embora a Redenção ficasse longe das casas onde morei,volta e meia,levava os meus filhos para que se divertissem ali. Creio que os meus netos,por falta de hábito dos seus pais, nem chegaram a visitar o aprazível local. Já eu,por alguns anos,quando trabalhei em uma agência de propaganda que ficava bem na frente da Redenção – a Standard – aproveitava para visitá-la.

 

Tenho saudade do meu trabalho de redator. Lembro-me que Pedro Pereira, me levou para a Standard.Trabalhávamos na Rádio Guaíba. Saíamos,cada um no seu carro,correndo para a Emissora,nosso segundo emprego.Lamentavelmente,Pedrinho,como ele era chamado por todos os seus conhecidos,adorava correr no autódromo de Tarumã,pista na qual ele nos foi roubado por um terrível acidente entre a sua “carreteira” e a de um corredor rival. Tristezas para lá,volto à Redenção. Quem sabe em um próximo texto para o blog do Mílton,conto essa parte da minha vida como radialista e redator de propaganda.

 

Retorno a um assunto que,faz muito tempo,vem sendo discutido em nossa Porto Alegre:o futuro da Redenção. Está decidido que um plebiscito definirá se a Redenção será ou não cercada por uma grade. Esse plebiscito vai ocorrer juntamente com as eleições municipais. A legislação federal recomenda a coincidência de data a fim de economizar custos operacionais. Vou poupar os leitores,caso esses me deem a honra de passar os olhos pelo meu texto,dos detalhes da história do cercamento que vai provocar, provavelmente,amplas discussões entre os que desejam ver o velho parque cercado de ferro ou aberto como está desde que foi chamado de Redenção.

 

Atualmente,o local,à noite,expõe a quem quiser cruzar por ele que corra ao risco de ser assaltado ou coisa pior do que isso. Seria interessante que algumas providências sejam tomadas pela nossa Prefeitura porque as árvores que embelezam o parque podem matar. Foi o que já se viu com um enorme galho que de podre tombou e matou um cidadão que costumava passear na Redenção.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: derrotas acontecem, algumas sob controle; outras, nem tanto

 

Chapecoense 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó (SC)

 

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

 

As coisas nem sempre saem como programadas. Em meio às minhas férias, os dois últimos dias estiveram reservados a Roma. Chegamos na quarta-feira pela manhã, pouco menos de duas horas após deixar Ansedonia de carro, por uma estrada de qualidade aquém da esperada para a fama europeia, apesar de ser muito melhor do que a maioria das que costumamos andar no Brasil. Verdade que pela quantidade de obras em andamento, o que também nos atrasou no trajeto, logo o piso estará devidamente recomposto.

 

Na capital, que já conhecemos de cima à baixo, pois a Itália é nosso lugar preferido nas férias de meio de ano, fomos muito bem surpreendidos com os quartos de um hotel butique em plena Via del Corso, no centro comercial da cidade. Dali, sem precisar andar muito, encontramos restaurantes com comida farta e bebida, idem. Nos deparamos ainda com lojas das mais famosas marcas de roupas e bolsas. Certo, também, que algumas estavam fechadas e em reforma. Não sei explicar se isso é o sinal de um país empobrecido ou em recuperação. Torço pela segunda opção.

 

A passagem por Roma foi especial como sempre, a despeito do programa agendado para a madrugada italiana. Com a diferença de horário, aqui estamos cinco horas à frente do Brasil, o Grêmio entrou no gramado do estádio em Chapecó pouco depois da meia-noite no meu relógóio. Na tela do meu Iphone, fiz as conexões necessárias para assistir ao jogo pelo aplicativo do Premier, que havia funcionado razoavelmente bem na partida anterior, contra o Santos. Mas, como escrevi na abertura desta Avalanche, nem sempre as coisas saem como programadas.

 

O sinal de internet não estava lá essas coisas, o que fez com que as imagens transmitidas do Brasil travassem muito. No primeiro tempo até que foi possível ver a partida sem muitos transtornos. Foi preciso “ligar” e “religar” poucas vezes. No segundo, a coisa desandou e exigiu muita paciência deste torcedor-internauta. Quase uma metáfora do que foi o Grêmio em campo quando teve boas chances de vencer no primeiro tempo, e produziu pouco no segundo, além de ter vacilado na marcação. Estávamos naquela noite (madrugada por aqui) em que, por mais que nos esforçássemos, nada daria muito certo. Duas bolas na trave na sequência é um bom (ou mal) sinal disso.

 

Apesar de tudo, o placar final não foi suficiente para estragar meu ânimo. As férias seguem por mais alguns dias, antes de chegar em São Paulo, e o Grêmio terminou a rodada na mesma posição em que começou, graças a combinação de resultados. Teve um, inclusive, que pouco mexeria na nossa classificação, mas, certamente, deixou muito conterrâneo de cabelo em pé – e outros tantos felizes da vida.

 

Já havia escrito na Avalanche anterior que, em uma competição tão longa e disputada como o Brasileiro, as derrotadas aconteceriam aqui e acolá. Devem servir, inclusive, para ajustes no time. Só não podem se repetir nem permitir o distanciamento dos que disputam o título conosco.

 

Sábado que vem, ainda em férias e, espero, com melhor desempenho da internet e do meu time, teremos a oportunidade, em casa, de reafirmar nossa boa performance.

O zoneamento de Haddad é um retrocesso

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Marta Suplicy, justificando a sua decisão de sair do PT, apresentou uma série de críticas à atuação do partido. Apontou resultados desastrosos inegáveis. Embora possa haver aí ressentimentos por preterimentos anteriores a que foi submetida, na área de urbanismo é inquestionável a sua experiência. E o Plano de Haddad, convenhamos, é um prato cheio para quem busca análise técnica e isenta. Por isso, a Lei de Zoneamento é a escolhida por Marta para provocar indigestão nesta questionável administração petista.

 

O “Acorda, São Paulo”, artigo de 19 de junho da Folha, escrito por Marta, é um primor sob o aspecto urbanístico, difícil até de acreditar, que a autora, é a mesma que optou pelo túnel da Faria Lima com a Cidade Jardim.

 

Dentre as inúmeras questões levantadas, há o destaque positivo na atuação de Jorge Wilheim, que executou os Planos Regionais em 2002, para refletir as peculiaridades de cada região. E as lembranças de que o bairro do Butantã tem a população de Bauru, Campo Limpo a de Londrina e Pirituba de São José do Rio Preto são suficientes para se optar pela diversidade, que não está contemplada agora.

 

De outro lado, a questão das ZERs é um dos pontos cruciais desta ocupação de solo proposta. Para quem criou várias ZERs em regiões populares ao identificar riscos para todas as existentes é inevitável o alerta:

 

“Um dano irreparável serão as zonas estritamente residenciais (ZERs), que deveriam ser protegidas, mas estão ameaçadas pelo excesso de corredores comerciais com impacto devastador e algumas serão extintas”.

 

Neste momento de crise nacional, em que todos os nossos principais setores estão pagando alto preço pela má administração pública, não há como discordar de Marta: é preciso reagir. São Paulo não pode ficar atrás das grandes cidades do mundo.
Este Plano não é sustentável.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

Conte Sua História de SP: a Revolução de 1932 e a Nona

 

Por Elza Conte
ouvinte-internauta da CBN

 

 

Eu sempre discursei muito a vida toda, sobre a importância para os paulistas do dia 9 de Julho. Quando o governador Covas decretou este feriado, foi uma emoção muito grande para mim. Sempre que converso sobre o assunto, lembro de minha Nona, Dona Marieta. Todos conheciam bem a história dela, viúva com 32 anos (1928) e, segundo conta-se, quase morreu ao perder seu grande amor. Com quatro filhos pequenos para criar, a maior com sete anos e a menor com oito meses, trabalhou e lutou muito para sobreviver.

 

Convivi pouco com essa adorável criatura, mas o suficiente para lembrar as homenagens, ainda após 30 anos do falecimento do vovô Vicente, nas datas referentes. Todos precisavam fazer muito silêncio. Varrer o chão jamais. No dia anterior a essas datas, os alimentos eram cozidos, para que o fogão não fosse utilizado. No máximo, apenas esquentar a comida. Tudo estava direcionado ao silêncio. O fósforo sendo riscado, já poderia ser uma forma de sair do estado de concentração. E nós netos, seguíamos a Nona sempre com muito interesse e respeito.

 

Bem, toda esta descrição é para mostrar-lhes o quanto de amor eterno nossa amadinha Nona tinha pela lembrança do vovô Vicente. Ainda assim ela não tinha sua aliança de casamento original, porque havia sido doada no movimento da Revolução Constitucionalista de 1932. Imaginem a importância dessa doação.

 

Este fato por si só, sempre me fez prestar muita atenção nas lindas histórias românticas que ouvi sobre esse episódio em São Paulo. A revolução de 1932 liderada por São Paulo tem precedentes desde 1920 e que faz caminhar até os anos do Estado Novo e aos 15 anos de Ditadura, no Brasil.

 

 

Alguns aspectos muito importantes gostaria de destacar, que ainda fazem parte das mentes dos nossos patrícios. Muitas vezes eu ouvi:

 

– Ah, se a revolução de 32 tivesse dado certo, hoje estaríamos separados do Brasil.

 

Esta propaganda inteligente, porém destrutiva, foi uma das principais armas do governo da República, para motivar os soldados a combater os paulistas, e fazer muitos Estados, que inicialmente iriam aderir ao movimento, desistir.

 

Fundamentalmente, a Revolução Constitucionalista de 1932 combatia o governo provisório de Getúlio Vargas, instaurado em 1930. Os revolucionários exigiam uma nova Constituição e eleições presidenciais para o Brasil. Nunca foi intenção do movimento separar São Paulo do Brasil. Foram três meses de conflito. O movimento congregou toda a sociedade paulista e paulistana, que atingiu o emocional da população quando da morte, em 23 de maio, do mesmo ano, de quatro jovens: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, o MMDC. Houve uma organização exemplar para confecção de uniformes, compra de material bélico, suporte aos soldados. Foi onde entrou a aliança de minha avó. Sinônimo de amor sem precedentes para mim.

 

Além da propaganda enganosa sobre as intenções dos paulistas, o suposto erro foi a falta de estratégia dos nossos soldados, muito mais alimentados de sonhos do que de metas. A suposta aliança entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul acabou voltando-se contra São Paulo, seduzidos pelo populismo de Getúlio Vargas.

 

“E São Paulo, sozinho, descobriu que de nada valeriam seus 25 mil voluntários animados e idealistas, sem armas e munição. Os dois meses de luta que se seguiram foram pródigos em criatividade e heroísmo. A eloqüência dos tribunos, as histórias guardadas nas sagas familiares paulistas – em cujas casas as sucessivas gerações preservaram as relíquias constitucionalistas, capacetes, granadas e cartuchos, e esconderam a “bandeira das 13 listas” cantada pelo poeta Guilherme de Almeida e queimada e proibida por Getúlio – formariam acervo precioso de que hoje ainda bebem historiadores.” (Cecilia Prada)

 

Aqui cabe uma explicação muito interessante sobre a velocidade das informações na época. Nos últimos dias de setembro de 1932, o governo republicano já considerava terminada a revolta. Enquanto os comandantes trocavam consultas e protocolos de um possível armistício, as tropas decidiam em vários pontos prosseguir a luta. Inconformados, oficiais e praças fogem para tentar continuar a campanha em Mato Grosso. Somente em três de outubro foi considerada terminada uma revolução que na verdade, já havia se encerrado há um mês. Um ex-combatente, que fez certa vez uma palestra na faculdade que eu estudava, disse que não havia como eles saberem que a Revolução havia terminado. Hoje se sabe destas informações, quase ao mesmo tempo de seu acontecimento.

 

As histórias envolvendo Getúlio Vargas são surpreendentes. O seu poder de persuasão era muito forte. A minha avó, que deu sua aliança para o “bem de São Paulo”, nunca admitiu que o Pai dos Pobres, como conhecido, pudesse trair seus vizinhos. Em 1955, quando Getúlio Vargas morreu, ela chorou copiosamente, repetindo o que ouvia no velho rádio: Estamos órfãos….

 

Elza Conte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade, envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa no e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

O prestígio de Fabergé está em documentário que conta sua história desde o império

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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História, prestígio e tradição. Esses são alguns dos principais atributos de uma marca de luxo. A Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, é a prova disso. Famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

 

Se uma marca de luxo tem uma história, nada mais interessante que seu público-alvo a conheça. Admiradores da Fabergé agora contam com uma novidade: a grife criou um documentário com toda sua história e tradição que pode ser conferida nas telas de cinema com o lançamento mundial do premiado documentário Fabergé: “A life on its own”. 

 

O filme mostra objetos requintados da Fabergé em detalhes impressionantes gravados através das mais avançadas lentes cinematográficas.

 

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Produzido em associação à Arts Alliance,  o documentário chegou aos cinemas em 29 de junho deste ano em países como Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Rússia, mas ficará em cartaz por tempo limitado. Os espectadores também terão acesso às coleções particulares de alto luxo, com a participação de especialistas e entrevistas com descendentes da família Fabergé.

 

Além de descrever a ascensão de Peter Carl Fabergé quando trabalhava sob o patrocínio dos czares Alexandre III e Nicolau II, em São Petersburgo, Rússia e a expansão internacional da marca, o filme mostra também a história de um ovo imperial que estava desaparecido e que quase chegou a ser derretido por um comerciante de sucata, antes de perceber o seu verdadeiro valor.

 

Veja uma amostra da qualidade do trabalho cinematográfico no trailer do documentário:

 

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.