O cerco ao parque da Redenção

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Em Porto Alegre há um área imensa – escrevo para quem não é daqui – chamada Redenção. Seu nome falando-se,por exemplo,em teologia,lembra o resgate do gênero humano por Cristo, o ato de soltura de um escravo e mais uma série de sinônimos como purgação e remição,todos tratando de coisas positivas. A nossa Redenção é um parque arborizado,com um auditório no qual se apresentam shows variados,sempre acompanhados por bom público,há um lago piscoso com carpas que encantam adultos e crianças,uma piscina grande, que não é usada e,por muito tempo,um local especial para macaquinhos,que recebiam alimentos servidos pelo público. Embora a Redenção ficasse longe das casas onde morei,volta e meia,levava os meus filhos para que se divertissem ali. Creio que os meus netos,por falta de hábito dos seus pais, nem chegaram a visitar o aprazível local. Já eu,por alguns anos,quando trabalhei em uma agência de propaganda que ficava bem na frente da Redenção – a Standard – aproveitava para visitá-la.

 

Tenho saudade do meu trabalho de redator. Lembro-me que Pedro Pereira, me levou para a Standard.Trabalhávamos na Rádio Guaíba. Saíamos,cada um no seu carro,correndo para a Emissora,nosso segundo emprego.Lamentavelmente,Pedrinho,como ele era chamado por todos os seus conhecidos,adorava correr no autódromo de Tarumã,pista na qual ele nos foi roubado por um terrível acidente entre a sua “carreteira” e a de um corredor rival. Tristezas para lá,volto à Redenção. Quem sabe em um próximo texto para o blog do Mílton,conto essa parte da minha vida como radialista e redator de propaganda.

 

Retorno a um assunto que,faz muito tempo,vem sendo discutido em nossa Porto Alegre:o futuro da Redenção. Está decidido que um plebiscito definirá se a Redenção será ou não cercada por uma grade. Esse plebiscito vai ocorrer juntamente com as eleições municipais. A legislação federal recomenda a coincidência de data a fim de economizar custos operacionais. Vou poupar os leitores,caso esses me deem a honra de passar os olhos pelo meu texto,dos detalhes da história do cercamento que vai provocar, provavelmente,amplas discussões entre os que desejam ver o velho parque cercado de ferro ou aberto como está desde que foi chamado de Redenção.

 

Atualmente,o local,à noite,expõe a quem quiser cruzar por ele que corra ao risco de ser assaltado ou coisa pior do que isso. Seria interessante que algumas providências sejam tomadas pela nossa Prefeitura porque as árvores que embelezam o parque podem matar. Foi o que já se viu com um enorme galho que de podre tombou e matou um cidadão que costumava passear na Redenção.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

3 comentários sobre “O cerco ao parque da Redenção

  1. Já não há mais macaquinhos na Redenção. Foram todos transferidos, assim como as aves que ali também eram expostas. Agora, só mesmo as carpas esfomeadas, que aprenderam a pedir pão e pipoca. Ah, e os gatos, que surrupiam pertences de frequentadores. Mas eles existem desde que a Redenção foi criada e não são motivo para cercamento.

  2. E nesse papo em família, eu que, há muito, estou distante de Porto Alegre e mesmo nos meus tempos de andanças pela cidade não me arriscava a caminhar por dentro da Redenção, estou achando que a cerca vai custar muito mais dinheiro, e empobrecer o lugar, do que qualquer campanha informativa sobre os cuidados que se deve ter para passear no local (se é que existem pessoas dispostas a passear à noite por lá). Sem contar que se algum aproveitador perder aquele espaço para cometer seus assaltos e roubos, não se preocupe, vai para outro ponto qualquer continuar seu trabalho.

    Ao mesmo tempo fico satisfeito em saber que o grande problema da cidade, a ponto de discuti-lo em plebiscito, é cercar ou não a Redenção.

  3. Todos os dias recebo os posts, e procuro ler com cuidado para absorver o máximo de informações. E quando trata de temas relativas a natureza e o meio urbano, muito me alegre que pessoas estão preocupados em achar soluções em beneficio de todos nós. Espero que o Redenção seja exemplo de revitalização urbana para o Brasil.

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