Cidade de meu andar, deste já tão longo andar!

 

Por Milton Ferretti Jung

 

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

 

Tivesse eu nascido,migrado, emigrado ou imigrado para a capital paulista,iria me candidatar ao “Conte sua história de São Paulo”,com leitura do Mílton e matéria por ele compilada em livro. Como sou caxiense de nascimento e porto-alegrense por adoção,resta-me acompanhar os relatos,sempre interessantes,de pessoas que,por vários motivos,saíram de outros lugares e fixaram residência em São Paulo.

 

O que eu posso fazer em troca da impossibilidade de escrever sobre a minha vida na Paulicéia Desvairada,para usar o titulo de um livro de Mário de Andrade – poeta,escritor,crítico literário e uma série de outras especialidades correlatas – é me contentar em produzir um texto acerca das minhas ruas preferidas no meu já “longa morar” nesta cidade que me acolheu ainda nenê. Mário Quintana,o meu poeta favorito, não vai ficar brabo por eu o ter, mais ou menos parafraseado,valendo-me daquela que é uma das minhas poesias favoritas de sua lavra.

 

A primeira rua da capital gaúcha na qual morei,a Conselheiro Travassos,só lembro pelas fotos da Agfa do meu pai,guardados em um álbum,em que apareço na janela da casa paterna e,pouco mais tarde,no meu primeiro aniversário. Nessa rua moravam também os meus tios e o meu primo Gildo,cinco anos mais velho do que eu. Formou-se em medicina e virou médico de toda a família. Quando ganhei a minha bicicleta Centrum,uma preciosidade sueca,visitava os meus tios – Alfredo e Gilda,esta irmã do meu pai – que,além de me hospedarem quando minha irmã Mirian pegava alguma doença infecciosa,ainda me davam a chance de ver uma jovem que eu tentava namorar. O meu primeiro namoro sério começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus,então em construção. Foi numa dessas quermesses que conheci Ruth, aquela com quem casaria e se tornou mãe dos meus filhos. Eu era um dos locutores da Voz Alegre da Colina. Foi nas festinhas da igreja que decidi qual seria a minha profissão. Alguns anos depois fiz a minha estreia no metier que acabei exercendo,entre outros,durante 60 anos.

 

Na época em que comecei a namorar Ruth,morava na Rua 16 de Julho. Nessa,o meu pai construiu a sua primeira casa:um sobrado,com grande quintal e cheio de espaços vagos nos quais jogávamos futebol. A 16 de Julho se juntava com a Zamenhoff,em uma pracinha,na qual se jogou de tudo,situada bem na frente da casa paterna. Paralela,corria a Marcelo Gama,onde Ruth morou até que a sua família se mudasse para a Rua do Parque e antes ainda de nos casarmos. Nossa primeira moradia foi no andar térreo de um edifício construído na esquina da Paraná com a Cairu. Foi essa a primeira casa da Jacqueline. O Mílton,com um ano,foi morar naquela em que,hoje é habitada pelo Christian com a sua família,isto é,na Saldanha Marinho.

 

Ficou difícil de encaixar uma que foi muito importante na minha vida e onde não morei,mas,isto sim,trabalhei durante quatro anos:a Rádio Canoas,local do segundo estúdio dessa emissora,a Avenida Eduardo,cujo nome acabou dando lugar ao de um presidente dos Estados Unidos:Franklin Delano Roosvelt. Ruth e os seus pais,já escrevi,moravam na Rua do Parque. Eu ia de bonde até a Avenida Eduardo,se fosse trabalhar,ou descia mais adiante:bem na frente da residência dos Müller. Não perdíamos os bailes de carnaval,os adultos e os infantis,na Sociedade Gondoleiros. Essa,voltando no tempo,manteve piscina na qual nos banhávamos no verão. Já a Rádio Canoas costumava transmitir os bailes das debutantes e os comícios que,em épocas de eleições,eram realizados na Avenida Eduardo. À boca pequena diziam que a Canoas pertencia a Leonel Brizola.Recordo-me que Hermano Sperb era o gerente da Emissora,então instalada em um edifício da Avenida Eduardo. Seria um dos homens de confiança de Brizola.

 

A Avenida Eduardo era,igualmente,durante o carnaval,local de desfile das escolas de samba da Zona Norte da cidade. Ruth e eu sempre achávamos um jeito, também de passear por essa Avenida nas horas vagas. As lojas eram bem atraentes.Por isso,tirantes as ruas em que morei,repito,tenho como preferida pelo que representou para mim,a velha e querida Avenida Eduardo. Não me perguntem se ela mudou muito depois que deixei de a usar para namorar e trabalhar. Prefiro não saber o que fizeram da nossa Avenida Eduardo além de trocarem o seu nome,assim como os vereadores atuais resolveram fazer com a Avenida Castelo Branco.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publicas seus textos no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O que Dilma e Diletto já não têm mais em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dilleto

 

Há quinze dias, comentamos aqui neste espaço, que na propaganda e na política dois personagens ilustres tinham usado o artificio da fantasia para ganhar de concorrentes.

 

A Diletto inventou uma estória para valorizar seu produto, e a candidata Dilma artificializou acusações para desvalorizar seus adversários.

 

Na quinta feira, o conselho de ética do CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária recomendou por unanimidade, que a Diletto explicitasse a fantasia do “nonno” Vittorio. Embora a decisão do CONAR não tenha poder de lei, e da decisão caiba recurso, a Diletto já se manifestou aceitando o julgamento. Vai informar que Vittorio não existe e, que será usado apenas para fantasiar a origem do produto.

 

No meu modo de entender, um esmero de ética do CONAR, embora justifique o próprio nome de seu Conselho. Não menos louvável a atitude da Diletto, que acatará a sugestão, sem apresentar recurso.

 

Interessante notar que nesta mesma reunião o CONAR analisou o caso do suco Do Bem, cuja propaganda diz que: “as laranjas são colhidas fresquinhas todos os dias e vem da fazenda do senhor Francisco do interior de SP, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir”. Mesmo sem o auxílio do herói Capitão, constatou-se que fazenda e Francisco existem, e o suco Do Bem ficou com a sua história intacta.

 

Nada mal para um setor em que a criatividade e talento já são reconhecidos mundialmente. O CONAR criado em 1977 para evitar a censura, está contribuindo para que a Propaganda se torne ícone de ética e possa influenciar outros setores a ter também o mesmo procedimento.

 

Ressalte-se que o CONAR se restringe à verdade na comunicação. E, é por isso que os partidos políticos ao invés de proibir jornalistas nos debates, deveriam convoca-los para ajudar no controle da comunicação das campanhas. Se já existisse o CONARP Conselho Nacional de Autorregulamentação Política, conforme sugerimos, a presidenta provavelmente não estaria com a saia justa de hoje.

 


Sobre o mesmo tema, leia a coluna de Carlos Magno Gibrail publicada no dia 2/12

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A complexa tarefa de um professor que precisa dar nota aos alunos

 

Cadeira cativa no Canindé #DalheGremio

 

Jornalista não é bom de número (ao menos a maioria de nós). Preferimos as letras e, por isso, na escola, nos dedicamos às humanas. Isso não significa que no cotidiano da profissão estaremos livres de manipular dígitos e tratar das desumanidades que as notícias contam. Digo isso, desde início, para deixar claro que qualquer análise errada que faça sobre o fato que irei relatar agora talvez esteja relacionada a esta minha incompreensão da matemática.

 

Um estudante, desde o primeiro ano na escola, foi merecedor de medalhas de honra ao mérito, título oferecido àqueles que conseguem, no mínimo, nota 8 em todas as matérias, ao fim da temporada. Este ano, porém, ao concluir o ensino médio – que eu teimo em chamar de 2o. Grau – após 12 anos na mesma instituição de ensino, não se capacitou para a honraria, pois, em uma das matérias ficou com média 7,87. Apesar de todas as demais terem ficado acima do 8 exigido nas regras internas da escola, a falta de 0,13 ponto em uma delas o impediu de voltar a receber o prêmio.

 

Quando estive na escola, nas décadas de 1970 e 1980, as notas não eram números, eram letras. Se ainda lembro bem, os conceitos variavam entre Ótimo, Bom, Regular e NS – sigla do temido Não Satisfatório, que insistia em aparecer no meu boletim escolar. Num ano em especial, o NS dominou a grade, o que me levou a repetir. Foi na 7a. série do Primeiro Grau, hoje Ensino Fundamental. Foi duro contar em casa a notícia, apesar de todos já estarem esperando-a pois acompanhavam de perto meu (mau) desempenho. Conto hoje essa história com muito mais tranquilidade pois tantos anos depois sei que aquela reprovação não deixou sequelas.

 

Os conceitos em forma de letras parecem mais subjetivos, mesmo que sejam baseados em notas tiradas nas provas e no desempenho em sala de aula. Existem muitas variantes para incluir um aluno na categoria dos ótimos, assim como taxá-lo de regular, por exemplo. Parece-me mais justo para os estudantes e mais simples para os professores que podem trabalhar com uma margem de erro aceitável, afinal estamos falando de seres humanos que tem sua diversidade e são tomados de emoção.

 

Já os números são objetivos e cruéis: imagine a dificuldade para o mestre diferenciar um aluno 6,5 de um 6,75, ou saber quando um merece 8 e o outro 8,1. O que representaria 0,1 décimo (ou 0,13) de sabedoria a mais para um jovem? Conhecer o nome de todas as capitais brasileiras em ordem alfabética, sem pestanejar – se pestanejar vira 8, piscou duas vezes 7,9; ou fazer as equações mais rapidamente do que os outros; ou usar ponto e vírgula em seus textos, enquanto os colegas se limitam ao ponto e a vírgula. Sei lá como os professores se saem diante desse desafio. Ainda bem que decidi ser jornalista e não ter de resolver situações complexas como essas. De vez em quando até somos obrigados a dar notas para o desempenho de jogadores de futebol ou de gestões públicas, mas nossa falta de precisão não costuma causar muitos estragos.

 

Coloque-se agora diante da situação enfrentada pelo professor que teve o dever de julgar o desempenho de um aluno que por 11 anos foi honra ao mérito na escola e, no último, havia alcançado notas que superavam a média 8 em todas as matérias, menos na dele. Deixar-se levar pela frieza de um número – no caso 0,13 – que tiraria de um jovem a satisfação do prêmio ou reavaliar o desempenho geral do aluno, pesar seu histórico e lhe oferecer a oportunidade da conquista final? Prezar pela precisão das exatas ou cultivar a subjetividade das humanas?

 

O professor, calculista, apesar de ser da área de humanas, preferiu o caminho reto dos números. Para ele não havia dúvida, seu aluno era um 7,87, jamais um 8. O estudante, pelo que soube, sequer reclamou pois já havia aprendido a lição: para a sua história, que está apenas começando, tudo isso era muito insignificante – quase um 0,13.

“A Noite da Virada”: comédia de qualidade estreia no banheiro mais próximo da sua casa

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A Noite da Virada”
Um filme de Fabio Mendonça
Gênero: comédia.
País: Brasil

 

 

ESTREIA DIA 18/12

 

O filme se passa na festa da noite de Reveillon. Ana, a anfitriã, convidou vários conhecidos, e parece que a festa será muito animada mas tudo – e mais um pouco – começa a dar errado. A maior parte do filme se passa nos banheiros da festa pois é uma adaptação da peça “O Banheiro”, de Pedro Vicente.

 

Por que ver: É um filme escandalosamente engraçado. As referências cinematográficas são excelentes, a direção muito inteligente; pois, vamos combinar, não é fácil segurar um filme inteiro em quase só uma locação e não ficar monótono! Os atores estão hilários! Julia Rabelo segurou a onda de protagonista mostrando que consegue ir além de algumas esquetes do Porta dos Fundos. João Vicente de Castro é impagável o tempo todo. A pequena grande atriz Luana Martau arrasa, Martha Nowil idem, Marcos Palmeira sempre bom, Luana Piovani consegue se emocionar em uma cena totalmente engraçada (isto é bem difícil), e tem também o Tamaturgo Ferreira, que fica engraçado apenas abrindo a boca pois aquela voz dele é demais. Que delícia assistir a um filme nacional que te prende do início ao fim e proporciona um momento de total diversão como este.

 

Como ver: Depois de algum perrengue bem bravo! Você terá um excelente momento de terapia do riso.

 

Quando não ver: saindo de uma rehab, se você tiver estômago fraco ou TOC de limpeza. Gente, a escatologia é gritante (a ponto de fazer o cinema inteiro gritar e depois cair na gargalhada de maneira coletiva). Ou você desmaia ou também pode te curar de vez! Terapia de choque. ECA!!!!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sempre disposta a deixar seu cinema mais interessante, escreve toda semana no Blog do Mílton Jung

Do Natal do Menino Deus

 

Poeta Alceu Sebastião Costa

 

Lisboa (Natal)

 

Há um Anjo postado, apreensivo, na porta da confraria.
Seguro segura os restos sertanejos da viola enluarada,
Que despencou na madrugada com uma asa quebrada,
Agora procura bom banho para tirar a poeira da estrada.
Superado o fastio junto da mesa farta e mui bem arrumada,
Antes de voltar à mágica função de maestro da banda,
O Anjo, ainda parado, tenta descobrir de que lado a fila anda,
Sem perceber a aproximação de uma horda inusitada,
Histericamente aos gritos, deixando para trás o fogaréu,
Um mar de labaredas querendo alcançar os limites do céu,
Desafio dos ousados incendiários, solidários aos salafrários,
Que, sem se importar com o brilho da esperada Estrela Guia,
Na trilha do pó, nas nervuras do nó, sem perdão nem dó,
Tingem de sangue o cenário de apocalíptico presságio,
Ignorando o lastro sagrado a unir a Família de José e Maria,
No seio da qual, segundo a Profecia, o Cristo nasceria,
Para remir os pecados do Mundo naufragado na selvageria.
Então o Anjo, assumindo o seu verdadeiro papel neste enredo,
Sereno, pede a palavra aos crédulos expostos ao medo,
Logo lhes dizendo da importância da Paz e da Tolerância,
Do sair da sombra, escolher o caminho, vir para a Luz,
Sentir a magia, a força da energia, as vibrações positivas
Do Natal do Menino Deus, chamado Jesus.

 


A imagem deste post é da Galeria de MGKMPhotography, no Flickr

Não tenho nada contra os ciclistas, mas …

 

Por Julio Tannus

 

Eu questiono radicalmente a forma como foram implantadas as ciclovias, por várias razões. Entre outras, adianto aqui algumas delas:

 

1) Qual o público efetivamente apto e disposto a utilizá-las? Foi realizada uma sondagem de opinião? E uma pesquisa de origem-destino?
Não se tem a mínima informação!

 

2) Quais as prioridades de investimento concernentes à cidade de São Paulo?
Todos nós conhecemos as péssimas condições das vias públicas, da iluminação de nossas ruas e avenidas, da falta de tratamento da vegetação. Os motociclistas nos xingam, nos agridem, quebram nossos espelhos retrovisores, e o poder municipal fecha os olhos a essa catastrófica situação.

 

3) Qual o estudo/ planejamento que definiu as ciclovias como viável?
Foi puro exercício do poder municipal sobre nós. Maquiavel que o diga!

 

4) Quais estudos a Prefeitura já elaborou para melhorar nossa locomoção pela cidade?
Ampliação extensiva da rede metroviária? Desenvolvimento de micro pólos urbanos para diminuir os deslocamentos diários e rotineiros? Implantação de um novo sistema de trólebus com tecnologia atual? Implantação de um serviço de locação de veículos movidos a energia elétrica, nos moldes que está sendo concretizado na cidade de Paris!

 

Não tenho nada contra os ciclistas mas a forma de administrar é totalmente incompatível com um sistema que se diz democrático.

 

Se essa situação continuar assim “vou-me embora pro passado”!!!

 

Leia sobre este mesmo tema:

E as ciclovias!?

 


E as ciclovias!? Vão bem obrigado (por enquanto)

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Conte Sua História de SP: a grega que adorava os cinemas da cidade, mas era proibida de ver cenas de beijo

 

Melpomene Perides Lawand nasceu em São Paulo, em 1 de agosto de 1928, apesar do cartório insistir em registrá-la no dia 9. O nome foi o pai que escolheu, Seu Nicolau Miguel Perides, que adorava a mitologia grega. Ele, ao lado da mulher Maria Perides, trocou a Turquia pelo Brasil para escapar da guerra entre turcos e gregos, em 1923. Sempre viveram em casarões na capital paulista. O primeiro era um palacete do Barão de Mauá, na Brigadeiro Tobias. Os pais mudaram depois para próximo da São Caetano, onde mantinham loja de malas. E foram morar na rua Mauá, onde Melpomene nasceu e cresceu. Em depoimento ao Museu da Pessoa, ela lembra das caminhadas no centro, as compras na feira e as visitas aos cinemas. Dona Melpomene sempre foi incentivada a apreciar a arte e a cultura, especialmente pelo pai que fazia questão de levar as filhas nas salas que inaguravam, mas com todos os cuidados para impedir as más influências da tela:

 

 

Melpomene Perides Lawand é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi feito ao Museu da Pessoa. Você também pode registrar sua memória, basta marcar entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou então mande suas lembranças de SP para milton@cbn.com.br.

Marcas de carro e som investem em parceria e se diferenciam no mercado de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

BMW_Fotor_Collage

 

Duas das mais prestigiosas marcas de luxo voltam a unir expertises e rodar juntas a bordo do modelo X6 da montadora alemã BMW. O carro sai de fábrica com sistema de áudio da Bang & Olufsen – os dinamarqueses produzem os mais elegantes e sofisticados equipamentos eletrônicos do mundo – reproduzindo parceria que já havia sido realizada com outros fabricantes de automóvel do segmento de luxo.

 

O novo modelo X6, vendido no Brasil por cerca de R$ 500mil, tem sistema de som Surround, que permite criar uma agradável atmosfera a bordo, com uma acústica excepcional. O extraordinário som é emitido por 16 alto-falantes com uma potência de 1.200 Watts, incluindo um alto-falante central integrado no painel. O alto-falante central emite os sons médios e está equipado com tecnologia que permite oferecer qualidade semelhante em todos os lugares do carro. O cliente pode escolher entre duas configurações sonoras: o modo “Studio”, com um som cristalino, ou o modo “Expanded”, que oferece maior expansão da acústica. A iluminação da cobertura frontal dos alto-falantes completa o prazer audiovisual.

 

No mercado de produtos de luxo, é comum o uso do co-branding, estratégia utilizada por BMW e Bang & Olufsen. A prática consiste no desenvolvimento de um projeto unindo duas marcas com o objetivo de valorizá-las e fortalecê-las ainda mais. O co-branding é uma das ferramentas mais importantes para solidificar ou posicionar a imagem de uma empresa neste segmento. Tem sido explorado com frequência no cenário competitivo global, no qual cada vez é mais difícil diferenciar-se diante de consumidores extremamente exigentes como os de alta renda.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Eu só queria um selo, simples assim

 

selos

 

O cartaz, escrito à mão, pedia paciência aos clientes e informava que o sistema estava lento. A impaciência no olhar das pessoas que estavam na fila sinalizava que o problema não era a lentidão, mas a inexistência do sistema. Aproveitei a moça do caixa, com ar desolado, para saber se poderia ao menos comprar um selo e remeter carta simples para outro Estado. Selo tem, mas não tem sistema, e só vende selo se tiver sistema. Mas custa só 85 centavos!? Sem sistema não tem registro, sem registro não se vende selo. Simples assim.

 

Como não estava disposto a esperar, pois não havia qualquer previsão de regularização no atendimento, fui ao shopping mais próximo, onde, certamente, haveria selos à venda e meu problema estaria resolvido. Ledo engano. Na livraria não vendem, na revistaria, também não, e nenhum dos que me atenderam souberam responder onde encontrá-los. Sem contar o olhar de estranhamento: quem ainda precisa de selo?

 

Se as pessoas não resolvem, aposto na tecnologia, sem lembrar que foi esta que me criou o primeiro entrave lá no posto em que a fila de espera era extensa. Com o celular na ponta dos dedos, acessei a página dos Correios na internet e logo percebi que esta é imprópria para navegação, pois não se adapta ao tamanho da tela.

 

Não desisti: fui para a loja de aplicativos e encontrei o ícone que desejava. Baixei o app Correios no meu celular em busca da agência mais próxima. Surpreendi-me ao saber que o aplicativo não é nada amigável: por exemplo, não oferece a possibilidade de localizar, automaticamente, a agência e posto próximos de onde você está, coisa que qualquer serviço mequetrefe já desenvolveu.

 

Se não dá para ajudar, por que não criar ainda mais problemas?

 

Ao clicar na aba “Agências – procure uma agência perto de você” é preciso informar o Estado, a cidade e o bairro onde você está. Ou melhor, o bairro próximo de onde você está e tenha representantes dos Correios. É que o sistema de busca só tem os nomes dos bairros onde funcionam os Correios, o que gera a seguinte situação: se eu estiver no Jardim Lindoia (você sabe onde fica?) e lá não houver agência, tenho de descobrir quais bairros fazem limite com o Lindoia e verificar se um deles aparece na lista. Um dos mais famosos da cidade de São Paulo, o Morumbi, por exemplo, não aparece.

 

Poderia ser tudo mais simples se o sistema funcionasse, os selos estivessem disponíveis em qualquer banca e o aplicativo fosse criado pensando na experiência do usuário. Mais simples ainda, se a empresa para qual fui contratado para prestar palestra não me obrigasse a postar no correio um documento que poderia ter sido digitalizado e enviado por e-mail – o que convenhamos, hoje é coisa simples de se fazer.

 

Não bastasse todo o transtorno, um toque de ironia nesta história: dentro do envelope – que eu ainda não remeti – uma declaração em papel timbrado e assinado de que minha empresa está incluída no “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte” que costumamos chamar de Simples.

 

Simples assim.

Uma garrafa no Mar de Gaza: mais um de Guillaume, sem floreios

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Uma Garrafa no Mar de Gaza ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Uma menina judia, classe média, nascida na França, de 17 anos, foi morar em Jerusalém com a familia. Em meio a guerra entre Israel e Palestina, tenta encontrar uma resposta do porquê desta guerra que a assusta e faz tantas vítimas. A garota pede ao irmão, que está no exército, para que jogue uma garrafa ao mar com uma carta que ela escreveu. Um rapaz de Gaza, mulçumano, encontra a garrafa. Na carta, a menina pede que eles se comuniquem por email e, então, nossa história fica bastante interessante.

 

Por que ver: A diversidade cultural é o que mais me encanta neste filme. De um lado, os judeus; vivem com conforto e são os que mais se aproximam da cultura ocidental. De outro os palestinos; sofridos, pobres e com limitacões impostas pela religião que não se assemelham em nada com nossa cultura. É um filme profundo, quase documental, sobre essa guerra. A atuação é bem próxima da realidade, sem floreios.

 

Como/quando ver: Toda vez que sentir raiva da situação política atual. No meu caso, toda vez que assisto ao jornal. Pense que a situação poderia ser pior. Ao menos não estamos em guerra. Será?

 

Quando não ver: com aquele seu amigo de “esquerda radical”. Vai deixar de ser um entretenimento e sua casa vai virar um palanque político.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sugere ótimos filmes aqui no Blog do Mílton Jung, todas as semanas.