Conte Sua História de SP: a grega que adorava os cinemas da cidade, mas era proibida de ver cenas de beijo

 

Melpomene Perides Lawand nasceu em São Paulo, em 1 de agosto de 1928, apesar do cartório insistir em registrá-la no dia 9. O nome foi o pai que escolheu, Seu Nicolau Miguel Perides, que adorava a mitologia grega. Ele, ao lado da mulher Maria Perides, trocou a Turquia pelo Brasil para escapar da guerra entre turcos e gregos, em 1923. Sempre viveram em casarões na capital paulista. O primeiro era um palacete do Barão de Mauá, na Brigadeiro Tobias. Os pais mudaram depois para próximo da São Caetano, onde mantinham loja de malas. E foram morar na rua Mauá, onde Melpomene nasceu e cresceu. Em depoimento ao Museu da Pessoa, ela lembra das caminhadas no centro, as compras na feira e as visitas aos cinemas. Dona Melpomene sempre foi incentivada a apreciar a arte e a cultura, especialmente pelo pai que fazia questão de levar as filhas nas salas que inaguravam, mas com todos os cuidados para impedir as más influências da tela:

 

 

Melpomene Perides Lawand é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi feito ao Museu da Pessoa. Você também pode registrar sua memória, basta marcar entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou então mande suas lembranças de SP para milton@cbn.com.br.

Marcas de carro e som investem em parceria e se diferenciam no mercado de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Duas das mais prestigiosas marcas de luxo voltam a unir expertises e rodar juntas a bordo do modelo X6 da montadora alemã BMW. O carro sai de fábrica com sistema de áudio da Bang & Olufsen – os dinamarqueses produzem os mais elegantes e sofisticados equipamentos eletrônicos do mundo – reproduzindo parceria que já havia sido realizada com outros fabricantes de automóvel do segmento de luxo.

 

O novo modelo X6, vendido no Brasil por cerca de R$ 500mil, tem sistema de som Surround, que permite criar uma agradável atmosfera a bordo, com uma acústica excepcional. O extraordinário som é emitido por 16 alto-falantes com uma potência de 1.200 Watts, incluindo um alto-falante central integrado no painel. O alto-falante central emite os sons médios e está equipado com tecnologia que permite oferecer qualidade semelhante em todos os lugares do carro. O cliente pode escolher entre duas configurações sonoras: o modo “Studio”, com um som cristalino, ou o modo “Expanded”, que oferece maior expansão da acústica. A iluminação da cobertura frontal dos alto-falantes completa o prazer audiovisual.

 

No mercado de produtos de luxo, é comum o uso do co-branding, estratégia utilizada por BMW e Bang & Olufsen. A prática consiste no desenvolvimento de um projeto unindo duas marcas com o objetivo de valorizá-las e fortalecê-las ainda mais. O co-branding é uma das ferramentas mais importantes para solidificar ou posicionar a imagem de uma empresa neste segmento. Tem sido explorado com frequência no cenário competitivo global, no qual cada vez é mais difícil diferenciar-se diante de consumidores extremamente exigentes como os de alta renda.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Eu só queria um selo, simples assim

 

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O cartaz, escrito à mão, pedia paciência aos clientes e informava que o sistema estava lento. A impaciência no olhar das pessoas que estavam na fila sinalizava que o problema não era a lentidão, mas a inexistência do sistema. Aproveitei a moça do caixa, com ar desolado, para saber se poderia ao menos comprar um selo e remeter carta simples para outro Estado. Selo tem, mas não tem sistema, e só vende selo se tiver sistema. Mas custa só 85 centavos!? Sem sistema não tem registro, sem registro não se vende selo. Simples assim.

 

Como não estava disposto a esperar, pois não havia qualquer previsão de regularização no atendimento, fui ao shopping mais próximo, onde, certamente, haveria selos à venda e meu problema estaria resolvido. Ledo engano. Na livraria não vendem, na revistaria, também não, e nenhum dos que me atenderam souberam responder onde encontrá-los. Sem contar o olhar de estranhamento: quem ainda precisa de selo?

 

Se as pessoas não resolvem, aposto na tecnologia, sem lembrar que foi esta que me criou o primeiro entrave lá no posto em que a fila de espera era extensa. Com o celular na ponta dos dedos, acessei a página dos Correios na internet e logo percebi que esta é imprópria para navegação, pois não se adapta ao tamanho da tela.

 

Não desisti: fui para a loja de aplicativos e encontrei o ícone que desejava. Baixei o app Correios no meu celular em busca da agência mais próxima. Surpreendi-me ao saber que o aplicativo não é nada amigável: por exemplo, não oferece a possibilidade de localizar, automaticamente, a agência e posto próximos de onde você está, coisa que qualquer serviço mequetrefe já desenvolveu.

 

Se não dá para ajudar, por que não criar ainda mais problemas?

 

Ao clicar na aba “Agências – procure uma agência perto de você” é preciso informar o Estado, a cidade e o bairro onde você está. Ou melhor, o bairro próximo de onde você está e tenha representantes dos Correios. É que o sistema de busca só tem os nomes dos bairros onde funcionam os Correios, o que gera a seguinte situação: se eu estiver no Jardim Lindoia (você sabe onde fica?) e lá não houver agência, tenho de descobrir quais bairros fazem limite com o Lindoia e verificar se um deles aparece na lista. Um dos mais famosos da cidade de São Paulo, o Morumbi, por exemplo, não aparece.

 

Poderia ser tudo mais simples se o sistema funcionasse, os selos estivessem disponíveis em qualquer banca e o aplicativo fosse criado pensando na experiência do usuário. Mais simples ainda, se a empresa para qual fui contratado para prestar palestra não me obrigasse a postar no correio um documento que poderia ter sido digitalizado e enviado por e-mail – o que convenhamos, hoje é coisa simples de se fazer.

 

Não bastasse todo o transtorno, um toque de ironia nesta história: dentro do envelope – que eu ainda não remeti – uma declaração em papel timbrado e assinado de que minha empresa está incluída no “Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte” que costumamos chamar de Simples.

 

Simples assim.

Uma garrafa no Mar de Gaza: mais um de Guillaume, sem floreios

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Uma Garrafa no Mar de Gaza ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Uma menina judia, classe média, nascida na França, de 17 anos, foi morar em Jerusalém com a familia. Em meio a guerra entre Israel e Palestina, tenta encontrar uma resposta do porquê desta guerra que a assusta e faz tantas vítimas. A garota pede ao irmão, que está no exército, para que jogue uma garrafa ao mar com uma carta que ela escreveu. Um rapaz de Gaza, mulçumano, encontra a garrafa. Na carta, a menina pede que eles se comuniquem por email e, então, nossa história fica bastante interessante.

 

Por que ver: A diversidade cultural é o que mais me encanta neste filme. De um lado, os judeus; vivem com conforto e são os que mais se aproximam da cultura ocidental. De outro os palestinos; sofridos, pobres e com limitacões impostas pela religião que não se assemelham em nada com nossa cultura. É um filme profundo, quase documental, sobre essa guerra. A atuação é bem próxima da realidade, sem floreios.

 

Como/quando ver: Toda vez que sentir raiva da situação política atual. No meu caso, toda vez que assisto ao jornal. Pense que a situação poderia ser pior. Ao menos não estamos em guerra. Será?

 

Quando não ver: com aquele seu amigo de “esquerda radical”. Vai deixar de ser um entretenimento e sua casa vai virar um palanque político.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sugere ótimos filmes aqui no Blog do Mílton Jung, todas as semanas.

Pela preservação dos jornais de bairro

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se estou errado,me corrijam,mas não creio que todas as zonas de Porto Alegre possam se gabar de possuir um jornal. Algumas,é verdade, contam com um jornalzinho. Já onde moro,porém, circula um jornal com tiragem de 10 mil exemplares e matérias variadas e interessantes. Trata-se do Jornal Comunidade Zona Sul. Logo abaixo do título lê-se este slogan:Mais informação,cultura e lazer. Na edição que chegou às minhas mãos, gratuita por sinal,posta à disposição dos clientes de um dos supermercado da região,chamou minha atenção a manchete de capa do jornal da comunidade,que noticia a implantação de um binário formado pelas Avenidas Borges de Medeiros e Praia de Belas,obra que visa a melhorar o trânsito que está cada vez mais complicado no setor. Acerca de trânsito,podemos ler no Jornal da Comunidade uma notícia alviçareira. Reza a manchete da últimas página: Morte por atropelamento de ônibus diminuem 46,15% na Capital do Rio Grande do Sul. Lembro que a EPTC preocupa-se também com acidentes fatais envolvendo pedestres e motociclistas.

 

Não há,no entanto, jornal que vá em frente sem contar com comerciais. Afinal,a propaganda é a alma do negócio e, quando essa se faz presente em todas as páginas do Jornal da Comunidade Zona Sul,estamos diante de um veículo aprovado pelo comércio de uma vasta região da cidade.

 

Os raros leitores dos meus textos – se é que existem – devem estar se perguntando por que resolvi escrever sobre um jornal de Zona. Ocorre que fui comentarista de futebol e outros esportes,no Correio do Povo, na época em que o seu proprietário era o Dr.Breno Alcaraz Caldas,portanto,no auge desse jornal. As demissões de pessoal de todos os níveis, tornou-se uma obrigação. O periódico famoso entrou em crise e recordo como foi ficando difícil manter o Correio e a Folha da Tarde,que acabaram mudando de dono. Difícil deve ser também um veículo como o Comunidade Zona Sul,mesmo não se tratando de um jornal diário. Torço,por isso,para que os valentes irmãos Weirich,que imagino serem proprietários do veículo,sigam apoiados pelos comerciantes dos bairros que compõem a Zona Sul de Porto Alegre.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Réquiem ao Jardim da Saúde

 

Por Carlos Magno Gibrail
(Texto atualizado em 11/12/2014)

 

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O Jardim da Saúde é um pequeno bairro de classe média da cidade de São Paulo delimitado por uma região sem cuidados urbanísticos. Fato que contribui para que as características históricas desta área diferenciada se sobressaia, sendo um exemplo de urbanidade e comunidade dentro da capital paulista.

 

Pode-se afirmar que o Jardim da Saúde preenche todas as condições ideais de moradia com qualidade de vida. É nesse solo, onde há árvores, jardins, flores, pássaros, e silêncio, defendidos há 100 anos, que a Prefeitura de São Paulo, depois de aprovar o tombamento como Patrimônio da cidade em 2002, e prometer a sua manutenção em 2013, pleiteia agora sua descaracterização.

 

Ao mesmo tempo, o Jardim da Saúde se contrapõe as costumeiras acusações feitas aos bairros residenciais, pois o comércio é permitido nas avenidas que o circundam e o atravessam, e as residências são o melhor exemplo que para viver com qualidade não é necessário alto luxo.

 

O Jardim da Saúde, enfim, ostenta invejável currículo. Fundado em 1914 e urbanizado em 1959, foi projetado pelo Eng. Jorge de Macedo Vieira, funcionário da Cia. City, a mesma que pioneiramente projetou os primeiros bairros jardins do mundo. Os atuantes moradores são representados pela AMJS, que vinha conseguindo ações de sucesso como a de 2002 com o tombamento, e a de 2004 com as prerrogativas urbanas dentro do Plano Regional do Ipiranga, obtidos com Marta Suplicy e Jorge Wilheim.

 

Agora, entretanto, foram surpreendidos por Haddad, que após prometer, na discussão da revisão do Plano Diretor, às Associações de bairros a manutenção das ZER-Zona Estritamente Residencial, protocolou documento transformando-a em ZPR-Zona Predominantemente Residencial. Ou seja, será permitido comércio onde hoje há somente residências.

 

O que se entende é que mais uma vez os patrocinadores das eleições dão as cartas. O que não se entende é, que no caso particular do Jardim da Saúde, não faz sentido político mexer em 1 milésimo do território do município, pois seu solo ocupa 1,5km2 enquanto a cidade tem 1 500km2.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

O importante em uma amizade é saber conservá-la

 

Dos amigos

 

Dos amigos que ficaram dos tempos do Rio Grande do Sul – e saiba que foram muitos tempos, pois troquei o estado natal por São Paulo apenas em 1991, por necessidades profissionais -, tem um que me acompanha desde lá, mesmo que nossos encontros e conversas sejam raros. Paulinho, que é como teimo em chamá-lo a despeito da idade e da responsabilidade que lhe permite estar há 21 anos em uma das maiores forjarias do Brasil, ficou em Porto Alegre, enquanto eu, de mala e sem cuia, me despachei para a capital paulista em história que você, caro e raro leitor deste blog, deve conhecer minimamente, pois já a relembrei várias vezes – se um dia você quiser, desconfio que não queira, dedico outro post para escrever sobre aquela decisão que foi definidora na minha vida. Desde que deixei o Sul, chegamos a passar anos nos falando por telefone e apenas no dia de nossos aniversários. O dele, curiosamente, é dos poucos que não preciso anotar na agenda para lembrar: dia 2 de janeiro – apesar de os amigos sempre terem desconfiado que ele nasceu um pouco antes,e o pai, já prevendo a carreira esportiva que o guri se dedicaria, o registrou dias depois, o que lhe renderia um ano de vantagem. Essa história, claro, sempre ficou no campo da especulação jocosa dos amigos mais próximos, mesmo porque Seu Valdemar, o pai do Paulinho, é homem de uma correção que pouco se vê por aí.

 

Mesmo que nossos contatos sejam esparsos, quase toda vez que Paulinho vem a São Paulo, por compromissos profissionais, tentamos um encontro. Nem sempre é possível devido as diferenças de agenda e esta necessidade que tenho de estar cedo na cama para madrugar no dia seguinte, na rádio. O bom das férias é que podemos esquecer o relógio e, mesmo que o avião atrase e o trânsito atrapalhe, se pode esperar os amigos até a hora em que ele chegar, como aconteceu ontem à noite, quando o recebi para jantar. Como sempre, excelente oportunidade para atualizar as notícias da vida e relembrar passagens vividas juntos, especialmente porque ele foi meu companheiro de basquete, de namoros, de viagem – a maioria das vezes para Pinhal, no litoral gaúcho, ou para Garopaba, no catarinense -, e de muitas outras coisas que costumamos fazer na adolescência e juventude. Paulinho era mais sério e metódico; eu, menos organizado, me adaptava mais aos hábitos dele; ambos casamos mais ou menos na mesma época e tivemos filhos com a mesma idade; ele se separou de uma amiga da adolescência, casou de novo e hoje tem mais uma menina. Eu estou com dois meninos. Ao contrário dos pais, os filhos pouco se conhecem.

 

Por estranho que possa parecer, especialmente àqueles que desconhecem a tolerância e para os que vivem de esteriótipos, ele é colorado e eu, você já sabe, sou gremista. Diferença clubística que mais nos aproximou do que dividiu, pois as conquistas de um e de outro serviam para nos divertir, um dia em favor de um, um dia em favor de outro. Bem verdade que houve momentos em que o melhor era aguardar alguns dias antes de conversar com o amigo, mas nada que tivesse nos separado em definitivo. Para atrapalhar ainda mais o julgamento dos descrentes, apesar dele ser torcedor do Inter, desses de comparecer na arquibancada ao lado da família, fomos colegas de basquete no Grêmio, onde joguei por 13 anos, e a preferência dele pelo co-irmão não o impedia de brigar em quadra pela vitória. Até há alguns anos, ele guardava no apartamento, em Porto Alegre, uma camisa de basquete tricolor que acabou me presenteando por entender que estaria mais bem venerada na minha casa em São Paulo. Mal imaginávamos que aquela troca de endereço seria fatal para o destino da camisa de manga de regatas com o símbolo do Grêmio no peito e o número 12 nas costas. Ao ter a casa invadida por bandidos, a camisa foi roubada (assim como todo o restante da coleção, a bandeira oficial e a medalha de campeão da Copa do Brasil; além de outros objetos como menor valor sentimental tais como computadores, televisão, roupas, etc).

 

É difícil entender o que faz duas pessoas se transformarem em amigos e, principalmente, o que as faz permanecer nesta amizade mesmo com suas diferenças e distâncias. Muitos em condições parecidas se foram sem deixar história ou saudade. Às vezes, as facilidades de acesso e busca no Facebook forjam reencontros que logo se revelam fugazes. Deve haver alguma explicação baseada na filosofia ou na psicologia, porém o mais importante em uma amizade não são os motivos que a justificam, mas a própria existência dela. Portanto, conserve-a.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Davi_Vazquez, no Flickr

Eu, Mamãe e os Meninos: Guillaume não tem medo do ridículo

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Eu, Mamãe e os Meninos ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Em uma história autobiográfica, Guillaume nos mostra sua vida desde a adolescência. Sua mãe o criou como garota, pois sempre foi diferente de seus irmãos. Percebemos o preconceito com sua possível condição homossexual em situações constragendoras e engraçadas que o autor nos expõe. O filme é contado com uma linguagem original que permeia a peça teatral de mesmo nome.

 

Por que ver: Passada a estranheza dos primeiros dez minutos por conta da linguagem original em que o filme é contado, nos entregamos às cenas tragicômicas muito bem construídas pelo autor. O filme é garantia de entretenimento pois Guillaume não tem medo do ridículo e expõe sua vida nos mais constrangedores detalhes. Em relação à atuação no filme, tem um aspecto mais teatral, o que é justificável, uma vez que deriva de uma peça de teatro que, por vezes, se mistura à narrativa. Outra curiosidade é que o Diretor/Ator interpreta sua mãe e ele mesmo em diferentes fase da vida.

 

Como ver: Eu acabei vendo este filme sozinha, o que foi uma pena, pois tenho certeza que meu marido iria gostar. Fui tolhida de sua presença em resposta a uma negativa minha em assistir, pela vigésima vez, à reprise de Transformers. Você, caro leitor, pode assistir, a qualquer momento que desejar, a um filme original e engraçado. Poderá também apelar a esta “fita” quando tiver alguém próximo com dúvidas em relação a própria sexualidade.

 

Quando não ver: logo após alguém contar que saiu do armário. Vai parecer provocação.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Todas as semanas traz ótimas sugestões de filmes ao Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: não é nada, não é nada, ao menos goleamos no Gre-Nal

 

Grêmio 1 x 1 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Valia pouco, mas valia alguma coisa a partida de encerramento da temporada 2014. A vitória faria com que o Grêmio colocasse R$ 1milhão a mais no bolso -não é nada não é nada, dá pra fazer pouco mais do que nada com este dinheiro. A Copa do Brasil no ano que vem também seria mais curta, pularíamos três fases, em especial aquelas em que se costuma jogar nos Cafundós do Judas contra times semi-amadores, o que sempre é um risco de vexame prematuro. Entraria-se nas oitavas-de-final, ou seja, a oito jogos do título, uma vantagem que não chega a ser decisiva, mas que é sempre bem-vinda, especialmente para quem tem alguma pretensão e muitas obrigações no ano que vem.

 

O bônus que a vitória nos ofereceria não foi suficiente para nos fazer melhor em campo. Houve até momentos interessantes: um drible por aqui, outra jogada por ali; a bola continuou insistindo em bater no travessão quando não, desviada para fora; e, finalmente, um gol de falta muito bem cobrada – aliás, foi a coisa mais bonita que se viu na Arena, neste fim de tarde de muito calor em Porto Alegre. Luan, que voltou a marcar, segue oferecendo sinais contraditórios, pois aparenta ser lento na maneira de jogar, às vezes parece apagado e fora do ritmo, para de repente driblar o adversário com uma facilidade constrangedora e fazer gols. Será importante no ano que vem quando estará mais maduro.

 

Por falar em meninos, um dos que chamam mais atenção é Everton, sempre disposto a atacar, meter a bola entre as pernas do adversário, trocar passes com os companheiros e, se derem algum espaço, chutar a gol. Talvez com mais tempo de jogo entre os titulares consiga ter rendimento capaz de desequilibrar as partidas a nosso favor na próxima temporada. Quem melhorou bastante ao permanecer entre os titulares foi Walace, volante grandalhão mas bem ajeitado com a bola no pé. Também um garoto prestes a se revelar no futebol.

 

Comemorar o surgimento dessa gurizada e torcer para que, ao lado de jogadores mais maduros, formem um time vencedor em 2015 é o que nos resta neste fim de ano. Apesar de que mesmo tendo sido uma temporada de poucos momentos de emoção, apenas alguns ensaios de satisfação e muitos tropeços, nunca vou cansar de lembrar que, em 2014, nossa maior vitória foi golear no Gre-nal: não é nada, não é nada, foram 4 a 1 de lavar a alma, não é mesmo!?

 

A foto que ilustra este post é do site oficial do Grêmio

De viagem, vida e leveza

 

Por Maria Lucia Solla
(escrito em 2008)

 

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Imagina que está arrumando as malas para passar um mês num país distante.

 

Calcula o tempo necessário, pensa se começaria a separar o que pretende levar com antecedência, ou se faria tudo de véspera. Imagina também que você mora sozinho e é o único responsável pelos pagamentos de contas e tudo o que envolve a administração da casa. Não estou de brincadeira, não, faz isso por alguns minutos. Elenca mentalmente o que levaria e como deixaria as coisas organizadas, para não ser surpreendido na volta pelo caos. Garanto que o exercício vale a pena. Sente o que não daria para deixar para traz. Que livros, roupas, jóias e o computador. Os brinquedinhos de cada um. Analisa tua personalidade, se é mais para o social ou esportivo. Da tua casa só dá para levar duas malas que precisam se encaixar nas medidas e no peso determinado pela companhia aérea, e é com isso que você vai viver, por um mês.

 

Eu já deixei minha casa para traz mais de uma vez para morar longe, e da última foi por um tempo bem longo. O interessante desses deslocamentos é dar-se conta de como é preciso pouco para viver e ser feliz. Em casa, no que chamamos de ‘minha casa’, tendemos a criar raízes e achar que tudo em volta é nosso, e que não se pode viver sem nem um alfinete que seja. Engano agudo, se por sorte não for crônico. Dá para viver, sim, e muitíssimo bem. O fato de dispor de espaço limitado e ter que escolher o que levar, leva a pensar, a optar por isso em vez daquilo, e avaliar a necessidade.

 

Cada um é diferente, e não há receita de tamanho único.

 

A única coisa da qual tenho certeza, e que poderia oferecer como receita, é que o melhor é viajar leve nas viagens e na vida. Se carregamos muita coisa, nos transformamos em seus escravos, tendo que arrastar um peso enorme e cuidar para que ninguém nos tire o que chamamos de nosso.

 

Nas viagens e na vida.

 

Sempre que meus filhos viajam, repito o mesmo conselho, feito disco riscado. Digo, filho, abre bem os olhos do corpo e os olhos da alma.

 

Fotografar faz parte da nossa cultura, mas muitas vezes, enquanto a gente se preocupa em enquadrar bem uma cena, está perdendo tudo o que está fora do quadro. Equilíbrio é fundamental, e as fotos não devem exceder, em número, as situações em que a gente se deixa encharcar pelo momento. Aquele momento em que se agradece pai e mãe por estar vivo e poder vivenciar a beleza, o sabor e a alegria de cada nova experiência.

 

Quando viajo, começo a descarregar meus pesos antes da partida. Levo comigo o mínimo possível e parto de mãos dadas com a curiosidade que é assim comigo: unha e carne. Quero viver a vida do povo do lugar, comer suas comidas, entender sua maneira de pensar e de sentir, e principalmente falar a sua língua. Observar e aprender.

 

Levo muito mais o que mora em mim, do que aquilo que considero meu. Levo pensamentos, sentimentos, e emoções. Levo muito pouca saudade dos que ficam, porque na realidade, aqueles que amo não ficam. Estão comigo sempre, onde eu estiver.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung