Neste Natal, vamos comemorar em família

 

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O olhar voltado para o painel que anunciava o desembarque dos voos em Congonhas era de preocupação e dúvida, na noite dessa segunda-feira. Muitas pessoas não tinham ideia do horário em que o avião que esperavam aterrissaria em São Paulo. Bem pior: se desceria na capital paulista. Havia a possibilidade de seguir para Guarulhos ou Campinas. A chuva forte havia parado as operações no aeroporto e causado transtorno para muitas pessoas, em ar e terra. Apenas quando se aproximava das 10 da noite, os primeiro voos receberam autorização para chegar. E em meio a centenas de passageiros que saíam do setor de entregas de malas, para mudar o clima no saguão, surge um que estava vestido de Papai Noel. A preocupação da espera foi substituída pela surpresa e curiosidade em torno daquela figura exótica apesar da época do ano. Convenhamos, as roupas de inverno, completadas pelo gorro na cabeça, pouco têm a ver com o verão que acabara de se iniciar no Brasil, marcado pelo início da temporada de chuvas na região sudeste.

 

O Papai Noel passageiro claro que me chamou muita atenção, mas estava longe de ser minha maior surpresa no saguão do aeroporto nessa semana. Um dia antes, no domingo que antecedia a semana de Natal, fui receber parte da família que chegava para as festas de fim de ano, em São Paulo. Havíamos combinado de nos reunirmos em casa, mas não teríamos a presença do pai que ficaria em Porto Alegre. Assim que a porta de desembarque abriu, minha irmã apareceu empurrando o carrinho com mais malas do que costuma transportar, o que não foi suficiente para me antecipar a boa notícia que viria em seguida: meu pai, que você está acostumado a ler às quintas-feiras, decidiu nos acompanhar nas festividades e, sem avisar, embarcou para São Paulo. O que para a turma que mora por aqui, assim como para todos que se juntaram a nós, foi um grande presente de Natal.

 

Nesta noite, véspera de Natal, teremos bons motivos para estarmos juntos e compartilharmos o que vivemos neste ano que está chegando ao fim. Cada um de sua maneira poderá relatar vitórias e emoções, por mais difícil que tenham sido os momentos enfrentados. Apenas a possibilidade de, ultrapassados todo este período e todas as barreiras, estarmos mais uma vez reunidos entre irmãos, mulheres, maridos, sobrinhos, primos, filhos, pai e avô é razão suficiente para comemorarmos. Se há uma conquista da qual temos de nos orgulhar é a de estarmos unidos mais uma vez.

 

Como já escrevi em natais passados, a data sempre foi comemorada em família com rituais curiosos, como as saídas de casa no fim da tarde para que o Papai Noel chegasse e distribuísse os presentes embaixo da árvore. O roteiro era sempre o mesmo, ano após ano, com os irmãos arrumados e engomados fazendo um passeio com o pai até o Morro da TV, próximo de onde morávamos em Porto Alegre, enquanto a mãe ficava em casa para abrir a porta para o Papai Noel. Programa que durou um bom tempo, mesmo quando já tínhamos noção de que o tal passeio era apenas desculpa para a mãe ajeitar os presentes e acender as luzes da árvore. Hoje, mais importante do que o passeio, a árvore e os presentes é a possibilidade de nos encontrarmos.

 

Desejo que você, caro e raro leitor deste blog, tenha ótimos motivos para compartilhar suas alegrias e angústias em família, neste Natal.

De vó Ruth

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Agora há pouco, sábado, dia vinte de Dezembro de dois mil e quatorze, nasceu para mais uma vida, a minha sogra, a Dona Ruth Kroeff.

 

Nem se preocupe pensando que este texto será um texto triste.

 

Absolutamente!

 

Da Dona Ruth só memórias boas e principalmente apetitosas, porque ela cozinhou a vida toda, como ninguém! E para um batalhão de locais e agregados, como se diz por lá. Ela sempre perguntava: ‘quantos dezoito somos para o almoço?’ Era a senha para a sua entrada na cozinha.

 

A cozinha dela, aquela diária e corriqueira, sempre incluía um assado, que era uma de suas especialidades, uma linda salada, (quando eu andava por lá, ela sempre me chamava para enfeitar o prato da salada), arroz, feijão, alguns tipos de misturas e muita, mas muita sobremesa.

 

Tive outros maridos, mas uma sogra só a quem sempre amei = admirei e respeitei. E com esse seu novo nascimento, não muda nada. Ela continuará, para sempre, a minha sogra querida, e eu para ela, a sua norinha querida. A sua Lu, a sua Luzinha.
Aprendi tanto com ela! Do seu vocabulário único e delicioso e só dela, mesmo morando na cidade há anos e anos, aprendi que carteira era guaiaca e dentadura cremalheira. Só para dar uma amostrinha.

 

Me lembro do tempo em que a Dona Ruth já dizia que não iria a festa nenhuma, porque estava com tremedeira miúda. Eu entendia tão bem a minha sogra! Somos muito parecidas (hoje eu tenho tremedeira miúda!). Ela me ensinava do seu próprio manual de sobrevivência e estava sempre sempre do meu lado, principalmente quando algum perrenguezinho desandava.

 

Sogra de olhar de cumplicidade, que bota paninhos quentes em lugares que estavam gritando por eles, mas ninguém mais percebia; que sorri com os lábios e com o olhar quando a gente chegava, só gente muito sortuda como eu, para ter.

 

Vai em paz, Dona Ruth, que seu posto já está sendo preparado desde há muito.

 

Nós ainda ficamos mais um tanto, com o coração apertadinho agora, mas cheios de gratidão por ter participado da tua vida aqui e por tê-la compartilhada, pela senhora, com todos nós, os locais e os agregados, fossem eles quem fossem.

 

Meu amor continua com a senhora. Intocado.

 

Com meus filhos e netos e com todos os familiares e amigos, faço parte da corrente que vai conduzi-la, quem sabe, até o portal da sua nova morada.

 

Vó Ruth, eu te amo!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: pensei ouvir a voz de amigos do Tatuapé

 

Por Maria Dulce Brito Gomes
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Em 1967, chegamos a São Paulo vindos de Araraquara. Meu pai, gerente do Banco de São Paulo, fora transferido para exercer um cargo de direção. E nós, quatro irmãos e mamãe, nunca imaginávamos morar na capital. Lá no interior, vivíamos em prédio do próprio banco – grande edifício dos anos 1950 com sacadas nas janelas do segundo andar e um quarto para cada filho. Tinha sala de jantar, de visitas e cozinha. Um luxo. Aqui a vida não seria mais a mesma; e se transformou radicalmente.

 

Meu pai alugara um sobradinho na Rua Bento Gonçalves, no Tatuapé, zona Leste, e para cá viemos assustados com a cidade grande. Dois quartos apenas, uma salinha e uma cozinha. Mas um quintal que nos afagava as lembranças de grandes espaços. A rua era uma descida de terra que chegava à Marechal Barbacena tão esburacada que o lixeiro recolhia o conteúdo dos nossos latões fazendo malabarismos com a carroça puxada a cavalo.

 

De manhã vinha o verdureiro. Era um alemão muito vermelho que manobrava o carroção atrelado a um enorme burro. Sr João, o verdureiro, trazia imensos caixotes de madeira repletos de couves, nabos, rabanetes, alface, limões e tudo o que ele mesmo plantava em uma das muitas chácaras da Rua Itapeti. Não havia ainda arruamento e, quando íamos ver as chácaras, era uma delícia percorrer as alamedas de brócolis, repolhos e almeirão – sem cercas, sem portões. Sr. João tinha mãos enormes, e nós, crianças, corríamos atrás da carroça pedindo ora uma banana, ora uma laranja. Ele, conduzindo o carroção, estancava o burro em frente a uma casa e distribuía as bananas despencadas ou as laranjas. Era nossa felicidade. Enchíamos os bolsos e lá íamos saborear as frutas na pracinha da Barão do Cerro Largo.

 

Certa vez, asfaltaram a Rua Bento Gonçalves. O Serviço de Águas e Esgotos implantou a rede coletora e abriu crateras imensas que demoraram a ser fechadas. Com o asfalto vieram as disputas de rua. Aos domingos, meus irmãos competiam com os amigos e os carrinhos de rolimã, fabricados, em casa mesmo, com uma tábua de caixote e uma trava horizontal. As rodas de rolimã sulcavam a frenética descida do negrume até o fim da rua e o breque era o próprio calçado que voltava irreconhecível. Eles subiam lentamente a Bento Gonçalves arrastando a geringonça para depois começarem a louca descida. Quantos arranhões, tombos, unhas despedaçadas! Nada que os impedisse de no próximo domingo estar de novo com a molecada.

 

Nos feriados, o barato era caçar passarinhos no “Matão”, como era chamado o bairro Anália Franco. Nenhuma casa ou edifício, apenas uma matinha densa repleta de pássaros: coleirinha, tico-tico, canários da terra. Era armar a arapuca e engaiolar os pobres para que cantassem no nosso quintal.

 

À tarde de domingo, nos reuníamos na sala para assistirmos à luta–livre no Canal 9. Ted Boy Marino, Fantomas, Índio, e tantos outros nos faziam gritar até à rouquidão numa torcida pelo “bonzinho” para que massacrasse o “mau”. Custamos a crer que o “sangue” era apenas groselha, como desmarcarava a farsa, meu Tio Benedito.

 

Hoje passei pela Praça Sílvio Romero, subi a Tuiuti e cheguei ao bairro Anália Franco. Só o Colégio Ascendino Reis, onde estudamos todo o ginásio e o colegial continua por lá, além da Padaria Lisboa. Antes, grandes glebas distantes, hoje, edifícios, muito progresso e luxo. Antes, o ruído das brincadeiras infantis e a presença daqueles amigos queridos: Nilson, Terezinha, Jer, Pepino, Cabeção, Batata, Camula e tantos outros. Voltei com a sensação de que ainda poderia ouvir aquelas vozes, encontrei apenas lembranças, pois algumas se calaram para sempre.

 

Maria Dulce Brito Gomes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Já você é nosso convidado para comemorar os 461 anos de São Paulo. Envie agora seu texto para milton@cbn.com.br e participe da programação especial que está sendo organizada pela rádio CBN.

Nos bancos nem tudo está na palma da mão

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Tudo na palma da mão. É essa a promessa, ao menos nas campanhas publicitárias, da maioria dos bancos brasileiros a seus clientes. Cada um a seu jeito transmite a ideia de que tudo pode ser resolvido pela internet, e, principalmente, pelas plataformas “mobile” em canais dos bancos como celular e tablet.

 

Recentemente, tive uma experiência no mínimo inacreditável com o Bradesco Prime. Já descontente com o banco, há algum tempo, pelo atendimento dos gerentes, excluí os cartões de crédito do serviço de débito automático e optei por efetuar o pagamentos por boleto bancário. Minha fatura mais recente do Visa Infinite foi entregue em meu endereço um dia após o vencimento. Tentei fazer o pagamento em atraso na internet do próprio banco. Não era possível. Liguei no Fone Fácil (central de atendimento a clientes) e fui informado de que faturas vencidas somente poderiam ser pagas em agências do banco. Simplesmente inacreditável, em pleno 2014, um cliente ter que ir pessoalmente à agencia para efetuar um pagamento. Imaginei que fosse um erro de orientação, porém, através do Alô Bradesco, onde formalizei reclamação, a necessidade deste procedimento foi confirmada.

 

O Bradesco Prime já esteve presente anteriormente em meus artigos para o Blog do Mílton Jung com questões que envolviam atendimento e benefícios reduzidos a clientes de cartões de crédito. As empresas no mundo globalizado investem em tecnologia, centrais modernas e equipadas, mas pelo que percebo o Bradesco anda para trás, diferentemente de seu concorrente mais direto, o Itaú. Pelo atendimento que venho recebendo na agência e nas centrais de relacionamento, me parece que o banco não investe em pessoas. Esquece de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função.

 

Com relação a essa minha recente reclamação, a sensação que os atendentes passaram era de que eles simplesmente liam a informação, sem sequer entender o cliente ou usar de empatia. Nesse caso, porém, o problema vai além do atendimento pessoal, está relacionado aos processos usados pela instituição.

 

Como foi resolvido o problema? Indo pessoalmente efetuar o pagamento na agência do banco, e com juros pelo atraso. Nem tudo está na palma da mão.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Cidade de meu andar, deste já tão longo andar!

 

Por Milton Ferretti Jung

 

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

A casa da rua 16 de Julho com destaque para a pracinha, em Porto Alegre

 

Tivesse eu nascido,migrado, emigrado ou imigrado para a capital paulista,iria me candidatar ao “Conte sua história de São Paulo”,com leitura do Mílton e matéria por ele compilada em livro. Como sou caxiense de nascimento e porto-alegrense por adoção,resta-me acompanhar os relatos,sempre interessantes,de pessoas que,por vários motivos,saíram de outros lugares e fixaram residência em São Paulo.

 

O que eu posso fazer em troca da impossibilidade de escrever sobre a minha vida na Paulicéia Desvairada,para usar o titulo de um livro de Mário de Andrade – poeta,escritor,crítico literário e uma série de outras especialidades correlatas – é me contentar em produzir um texto acerca das minhas ruas preferidas no meu já “longa morar” nesta cidade que me acolheu ainda nenê. Mário Quintana,o meu poeta favorito, não vai ficar brabo por eu o ter, mais ou menos parafraseado,valendo-me daquela que é uma das minhas poesias favoritas de sua lavra.

 

A primeira rua da capital gaúcha na qual morei,a Conselheiro Travassos,só lembro pelas fotos da Agfa do meu pai,guardados em um álbum,em que apareço na janela da casa paterna e,pouco mais tarde,no meu primeiro aniversário. Nessa rua moravam também os meus tios e o meu primo Gildo,cinco anos mais velho do que eu. Formou-se em medicina e virou médico de toda a família. Quando ganhei a minha bicicleta Centrum,uma preciosidade sueca,visitava os meus tios – Alfredo e Gilda,esta irmã do meu pai – que,além de me hospedarem quando minha irmã Mirian pegava alguma doença infecciosa,ainda me davam a chance de ver uma jovem que eu tentava namorar. O meu primeiro namoro sério começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus,então em construção. Foi numa dessas quermesses que conheci Ruth, aquela com quem casaria e se tornou mãe dos meus filhos. Eu era um dos locutores da Voz Alegre da Colina. Foi nas festinhas da igreja que decidi qual seria a minha profissão. Alguns anos depois fiz a minha estreia no metier que acabei exercendo,entre outros,durante 60 anos.

 

Na época em que comecei a namorar Ruth,morava na Rua 16 de Julho. Nessa,o meu pai construiu a sua primeira casa:um sobrado,com grande quintal e cheio de espaços vagos nos quais jogávamos futebol. A 16 de Julho se juntava com a Zamenhoff,em uma pracinha,na qual se jogou de tudo,situada bem na frente da casa paterna. Paralela,corria a Marcelo Gama,onde Ruth morou até que a sua família se mudasse para a Rua do Parque e antes ainda de nos casarmos. Nossa primeira moradia foi no andar térreo de um edifício construído na esquina da Paraná com a Cairu. Foi essa a primeira casa da Jacqueline. O Mílton,com um ano,foi morar naquela em que,hoje é habitada pelo Christian com a sua família,isto é,na Saldanha Marinho.

 

Ficou difícil de encaixar uma que foi muito importante na minha vida e onde não morei,mas,isto sim,trabalhei durante quatro anos:a Rádio Canoas,local do segundo estúdio dessa emissora,a Avenida Eduardo,cujo nome acabou dando lugar ao de um presidente dos Estados Unidos:Franklin Delano Roosvelt. Ruth e os seus pais,já escrevi,moravam na Rua do Parque. Eu ia de bonde até a Avenida Eduardo,se fosse trabalhar,ou descia mais adiante:bem na frente da residência dos Müller. Não perdíamos os bailes de carnaval,os adultos e os infantis,na Sociedade Gondoleiros. Essa,voltando no tempo,manteve piscina na qual nos banhávamos no verão. Já a Rádio Canoas costumava transmitir os bailes das debutantes e os comícios que,em épocas de eleições,eram realizados na Avenida Eduardo. À boca pequena diziam que a Canoas pertencia a Leonel Brizola.Recordo-me que Hermano Sperb era o gerente da Emissora,então instalada em um edifício da Avenida Eduardo. Seria um dos homens de confiança de Brizola.

 

A Avenida Eduardo era,igualmente,durante o carnaval,local de desfile das escolas de samba da Zona Norte da cidade. Ruth e eu sempre achávamos um jeito, também de passear por essa Avenida nas horas vagas. As lojas eram bem atraentes.Por isso,tirantes as ruas em que morei,repito,tenho como preferida pelo que representou para mim,a velha e querida Avenida Eduardo. Não me perguntem se ela mudou muito depois que deixei de a usar para namorar e trabalhar. Prefiro não saber o que fizeram da nossa Avenida Eduardo além de trocarem o seu nome,assim como os vereadores atuais resolveram fazer com a Avenida Castelo Branco.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publicas seus textos no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O que Dilma e Diletto já não têm mais em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dilleto

 

Há quinze dias, comentamos aqui neste espaço, que na propaganda e na política dois personagens ilustres tinham usado o artificio da fantasia para ganhar de concorrentes.

 

A Diletto inventou uma estória para valorizar seu produto, e a candidata Dilma artificializou acusações para desvalorizar seus adversários.

 

Na quinta feira, o conselho de ética do CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária recomendou por unanimidade, que a Diletto explicitasse a fantasia do “nonno” Vittorio. Embora a decisão do CONAR não tenha poder de lei, e da decisão caiba recurso, a Diletto já se manifestou aceitando o julgamento. Vai informar que Vittorio não existe e, que será usado apenas para fantasiar a origem do produto.

 

No meu modo de entender, um esmero de ética do CONAR, embora justifique o próprio nome de seu Conselho. Não menos louvável a atitude da Diletto, que acatará a sugestão, sem apresentar recurso.

 

Interessante notar que nesta mesma reunião o CONAR analisou o caso do suco Do Bem, cuja propaganda diz que: “as laranjas são colhidas fresquinhas todos os dias e vem da fazenda do senhor Francisco do interior de SP, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir”. Mesmo sem o auxílio do herói Capitão, constatou-se que fazenda e Francisco existem, e o suco Do Bem ficou com a sua história intacta.

 

Nada mal para um setor em que a criatividade e talento já são reconhecidos mundialmente. O CONAR criado em 1977 para evitar a censura, está contribuindo para que a Propaganda se torne ícone de ética e possa influenciar outros setores a ter também o mesmo procedimento.

 

Ressalte-se que o CONAR se restringe à verdade na comunicação. E, é por isso que os partidos políticos ao invés de proibir jornalistas nos debates, deveriam convoca-los para ajudar no controle da comunicação das campanhas. Se já existisse o CONARP Conselho Nacional de Autorregulamentação Política, conforme sugerimos, a presidenta provavelmente não estaria com a saia justa de hoje.

 


Sobre o mesmo tema, leia a coluna de Carlos Magno Gibrail publicada no dia 2/12

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A complexa tarefa de um professor que precisa dar nota aos alunos

 

Cadeira cativa no Canindé #DalheGremio

 

Jornalista não é bom de número (ao menos a maioria de nós). Preferimos as letras e, por isso, na escola, nos dedicamos às humanas. Isso não significa que no cotidiano da profissão estaremos livres de manipular dígitos e tratar das desumanidades que as notícias contam. Digo isso, desde início, para deixar claro que qualquer análise errada que faça sobre o fato que irei relatar agora talvez esteja relacionada a esta minha incompreensão da matemática.

 

Um estudante, desde o primeiro ano na escola, foi merecedor de medalhas de honra ao mérito, título oferecido àqueles que conseguem, no mínimo, nota 8 em todas as matérias, ao fim da temporada. Este ano, porém, ao concluir o ensino médio – que eu teimo em chamar de 2o. Grau – após 12 anos na mesma instituição de ensino, não se capacitou para a honraria, pois, em uma das matérias ficou com média 7,87. Apesar de todas as demais terem ficado acima do 8 exigido nas regras internas da escola, a falta de 0,13 ponto em uma delas o impediu de voltar a receber o prêmio.

 

Quando estive na escola, nas décadas de 1970 e 1980, as notas não eram números, eram letras. Se ainda lembro bem, os conceitos variavam entre Ótimo, Bom, Regular e NS – sigla do temido Não Satisfatório, que insistia em aparecer no meu boletim escolar. Num ano em especial, o NS dominou a grade, o que me levou a repetir. Foi na 7a. série do Primeiro Grau, hoje Ensino Fundamental. Foi duro contar em casa a notícia, apesar de todos já estarem esperando-a pois acompanhavam de perto meu (mau) desempenho. Conto hoje essa história com muito mais tranquilidade pois tantos anos depois sei que aquela reprovação não deixou sequelas.

 

Os conceitos em forma de letras parecem mais subjetivos, mesmo que sejam baseados em notas tiradas nas provas e no desempenho em sala de aula. Existem muitas variantes para incluir um aluno na categoria dos ótimos, assim como taxá-lo de regular, por exemplo. Parece-me mais justo para os estudantes e mais simples para os professores que podem trabalhar com uma margem de erro aceitável, afinal estamos falando de seres humanos que tem sua diversidade e são tomados de emoção.

 

Já os números são objetivos e cruéis: imagine a dificuldade para o mestre diferenciar um aluno 6,5 de um 6,75, ou saber quando um merece 8 e o outro 8,1. O que representaria 0,1 décimo (ou 0,13) de sabedoria a mais para um jovem? Conhecer o nome de todas as capitais brasileiras em ordem alfabética, sem pestanejar – se pestanejar vira 8, piscou duas vezes 7,9; ou fazer as equações mais rapidamente do que os outros; ou usar ponto e vírgula em seus textos, enquanto os colegas se limitam ao ponto e a vírgula. Sei lá como os professores se saem diante desse desafio. Ainda bem que decidi ser jornalista e não ter de resolver situações complexas como essas. De vez em quando até somos obrigados a dar notas para o desempenho de jogadores de futebol ou de gestões públicas, mas nossa falta de precisão não costuma causar muitos estragos.

 

Coloque-se agora diante da situação enfrentada pelo professor que teve o dever de julgar o desempenho de um aluno que por 11 anos foi honra ao mérito na escola e, no último, havia alcançado notas que superavam a média 8 em todas as matérias, menos na dele. Deixar-se levar pela frieza de um número – no caso 0,13 – que tiraria de um jovem a satisfação do prêmio ou reavaliar o desempenho geral do aluno, pesar seu histórico e lhe oferecer a oportunidade da conquista final? Prezar pela precisão das exatas ou cultivar a subjetividade das humanas?

 

O professor, calculista, apesar de ser da área de humanas, preferiu o caminho reto dos números. Para ele não havia dúvida, seu aluno era um 7,87, jamais um 8. O estudante, pelo que soube, sequer reclamou pois já havia aprendido a lição: para a sua história, que está apenas começando, tudo isso era muito insignificante – quase um 0,13.

“A Noite da Virada”: comédia de qualidade estreia no banheiro mais próximo da sua casa

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A Noite da Virada”
Um filme de Fabio Mendonça
Gênero: comédia.
País: Brasil

 

 

ESTREIA DIA 18/12

 

O filme se passa na festa da noite de Reveillon. Ana, a anfitriã, convidou vários conhecidos, e parece que a festa será muito animada mas tudo – e mais um pouco – começa a dar errado. A maior parte do filme se passa nos banheiros da festa pois é uma adaptação da peça “O Banheiro”, de Pedro Vicente.

 

Por que ver: É um filme escandalosamente engraçado. As referências cinematográficas são excelentes, a direção muito inteligente; pois, vamos combinar, não é fácil segurar um filme inteiro em quase só uma locação e não ficar monótono! Os atores estão hilários! Julia Rabelo segurou a onda de protagonista mostrando que consegue ir além de algumas esquetes do Porta dos Fundos. João Vicente de Castro é impagável o tempo todo. A pequena grande atriz Luana Martau arrasa, Martha Nowil idem, Marcos Palmeira sempre bom, Luana Piovani consegue se emocionar em uma cena totalmente engraçada (isto é bem difícil), e tem também o Tamaturgo Ferreira, que fica engraçado apenas abrindo a boca pois aquela voz dele é demais. Que delícia assistir a um filme nacional que te prende do início ao fim e proporciona um momento de total diversão como este.

 

Como ver: Depois de algum perrengue bem bravo! Você terá um excelente momento de terapia do riso.

 

Quando não ver: saindo de uma rehab, se você tiver estômago fraco ou TOC de limpeza. Gente, a escatologia é gritante (a ponto de fazer o cinema inteiro gritar e depois cair na gargalhada de maneira coletiva). Ou você desmaia ou também pode te curar de vez! Terapia de choque. ECA!!!!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sempre disposta a deixar seu cinema mais interessante, escreve toda semana no Blog do Mílton Jung

Do Natal do Menino Deus

 

Poeta Alceu Sebastião Costa

 

Lisboa (Natal)

 

Há um Anjo postado, apreensivo, na porta da confraria.
Seguro segura os restos sertanejos da viola enluarada,
Que despencou na madrugada com uma asa quebrada,
Agora procura bom banho para tirar a poeira da estrada.
Superado o fastio junto da mesa farta e mui bem arrumada,
Antes de voltar à mágica função de maestro da banda,
O Anjo, ainda parado, tenta descobrir de que lado a fila anda,
Sem perceber a aproximação de uma horda inusitada,
Histericamente aos gritos, deixando para trás o fogaréu,
Um mar de labaredas querendo alcançar os limites do céu,
Desafio dos ousados incendiários, solidários aos salafrários,
Que, sem se importar com o brilho da esperada Estrela Guia,
Na trilha do pó, nas nervuras do nó, sem perdão nem dó,
Tingem de sangue o cenário de apocalíptico presságio,
Ignorando o lastro sagrado a unir a Família de José e Maria,
No seio da qual, segundo a Profecia, o Cristo nasceria,
Para remir os pecados do Mundo naufragado na selvageria.
Então o Anjo, assumindo o seu verdadeiro papel neste enredo,
Sereno, pede a palavra aos crédulos expostos ao medo,
Logo lhes dizendo da importância da Paz e da Tolerância,
Do sair da sombra, escolher o caminho, vir para a Luz,
Sentir a magia, a força da energia, as vibrações positivas
Do Natal do Menino Deus, chamado Jesus.

 


A imagem deste post é da Galeria de MGKMPhotography, no Flickr

Não tenho nada contra os ciclistas, mas …

 

Por Julio Tannus

 

Eu questiono radicalmente a forma como foram implantadas as ciclovias, por várias razões. Entre outras, adianto aqui algumas delas:

 

1) Qual o público efetivamente apto e disposto a utilizá-las? Foi realizada uma sondagem de opinião? E uma pesquisa de origem-destino?
Não se tem a mínima informação!

 

2) Quais as prioridades de investimento concernentes à cidade de São Paulo?
Todos nós conhecemos as péssimas condições das vias públicas, da iluminação de nossas ruas e avenidas, da falta de tratamento da vegetação. Os motociclistas nos xingam, nos agridem, quebram nossos espelhos retrovisores, e o poder municipal fecha os olhos a essa catastrófica situação.

 

3) Qual o estudo/ planejamento que definiu as ciclovias como viável?
Foi puro exercício do poder municipal sobre nós. Maquiavel que o diga!

 

4) Quais estudos a Prefeitura já elaborou para melhorar nossa locomoção pela cidade?
Ampliação extensiva da rede metroviária? Desenvolvimento de micro pólos urbanos para diminuir os deslocamentos diários e rotineiros? Implantação de um novo sistema de trólebus com tecnologia atual? Implantação de um serviço de locação de veículos movidos a energia elétrica, nos moldes que está sendo concretizado na cidade de Paris!

 

Não tenho nada contra os ciclistas mas a forma de administrar é totalmente incompatível com um sistema que se diz democrático.

 

Se essa situação continuar assim “vou-me embora pro passado”!!!

 

Leia sobre este mesmo tema:

E as ciclovias!?

 


E as ciclovias!? Vão bem obrigado (por enquanto)

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)