Conte Sua História de SP: as férias na Vila Prudente

 

Por Martha Catalunha

 

 

Por aqueles idos de 70, eu, uma criança que vivia em cidade pequena movimentada pela velocidade e ruído dos Gordinis e DKVs e passava as férias escolares na casa de tia Francisca e tio Germinal, na esplendorosa metrópole Paulistana. Ali, na Vila Prudente, lembro-me bem, meus olhinhos infantis dançavam e se iluminavam com os out-doors, as letras garrafais em lâmpadas piscando pela cidade, viadutos e semáforos lotados de carros, automóveis, caminhões, ônibus e Fuscas “envenenados”, ah! e a louca e tresloucada velocidade das pessoas caminhando pelas ruas, alamedas e avenidas.

 

Da casa de tia Francisca, subindo no telhado da cozinha, podia ver a estação de trem da Vila Prudente e a fábrica da Ford. Como era gostoso meu Deus, passava horas ali admirando a velocidade de São Paulo… e que velocidade…!

 

Sonhava morar nesta cidade, tomar o trem todos os dias quando entrasse no mercado de trabalho e passar por aquela roleta gradeada e muito grande (para o meu tamanho de menina), a qual eu observava tanto…

 

Muitas vezes, à meia-noite, antes que caíssemos nos braços de Morfeu, eu e meu primo pulávamos da cama para comer aqueles gostosos sanduíches enormes recheados com hambúrguer, salada, tomate, ovo e muita maionese que nosso primo Rude nos trazia de onde trabalhava. Guloseima que eu conhecia somente na cidade grande.

 

Foi também nos rodopios da “Paulicéia” de Mário de Andrade que dei meus primeiros passos numa lenta dança a dois, ao som de Elton John com sua “Goodbye Yellow Brick Road”, puxada pelo meu primo Gérson tão menino quanto eu.

 

Aos finais de semana sempre vinham nos visitar meus queridíssimos e modernos (para a época) primos Adhemar e Helena com sua filhinha Gisele. Ríamos muito, muito e muito, o Adhemar – com suas costeletas à Émerson Fittipaldi – só contava piada, e desopilávamos o fígado como num verdadeiro campeonato de gargalhadas.

 

Uma parte de meus sonhos infantis tornou-se realidade: foi aqui mesmo que principiei minha vida profissional, mas já a Vila Prudente não era a mesma, o viaduto, o que aconteceu mesmo com ele? Ih, o trem perdeu a graça e a estação foi desativada, a velocidade das pessoas misturou-se à minha e os sonhos coloridos da infância repousam inocentemente numa romagem de saudade…

 

Martha Catalunha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agente entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa pela e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: Ricardo Karpat ensina a melhorar as chances de emprego

 

 

“O currículo é uma flecha para atingir o alvo, quanto mais pessoas tiverem contato, mais chances de você ser notado no mercado de trabalho”. A opinião é de Ricardo Karpat, da Garbor RH, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele lembra que o currículo ainda é uma peça importante na busca por emprego, especialmente em cargos que não sejam de diretoria, por isso deve ser tratado com muito cuidado pelos candidatos. Especialista em recrutamento profissional, Karpat também sugere o uso do Linkedin, rede social profissional, que tem sido bastante consultada pelas empresas na busca de profissionais capacitados a preencherem as vagas disponíveis.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br), e você participa com perguntas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, a partir das 8h10, no Jornal da CBN.

Programas de milhagem não estão à altura do luxo a bordo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Asa de avião

 

A primeira classe em aeronaves é um mundo repleto de benefícios e mimos a bordo. Um luxo, vale lembrar, acessível a uma minoria de consumidores exigentes e dispostos a desembolsar alguns milhares de reais por seus bilhetes. Tudo pelo conforto, boa gastronomia, amenidades especiais e, é claro, boas noites de sono em um espaço muito maior do que as demais classes de voos.

 

As companhias aéreas não medem esforços em exceder as expectativas de seus clientes. Algumas se superam quando o assunto é a excelência do atendimento a bordo, oferecendo requintes como cabines particulares, menus assinados por chefs renomados, bebidas premium, lençóis de seda, pijamas, travesseiros e amenidades com assinatura de grifes renovadas.

 

Porém, muitas vezes, o luxo proporcionado a bordo infelizmente não se estende no relacionamento com o cliente. Se falarmos especificamente sobre os programas de fidelidade, onde os clientes acumulam pontos que podem ser trocados por viagens no Brasil e no exterior, nota-se que há um verdadeiro desafio para muitos clientes, independentemente da classe em que voam, poderem efetivamente trocar as milhas por viagens. Os programas de milhagem estão cada vez mais restritos quanto ao uso dos pontos e com mudanças em suas regras. Há muitos períodos em que não compensa para o cliente emitir bilhete com pontos, pois a quantidade exigida é exacerbada.

 

Outra questão, digamos, antipática das companhias aéreas são as cobranças por remarcações e cancelamento de bilhetes emitidos com pontos (e emitidos sem pontos, também). Chega-se a pagar perto de 200 dólares, dependendo da companhia, para remarcar um bilhete. Lamentável, pois o cliente percebe sua pontuação (ou deveria perceber) como um dos principais benefícios que ele obtém ao usar a empresa aérea. Porém, benefício que está cada vez mais difícil de ser usufruído e gera frustrações para muitos consumidores. O cliente, independentemente de ser um consumidor AAA, certamente sente desconforto ao ter que desembolsar valores apenas para remarcação de uma passagem. O encantamento adquirido pelo atendimento a bordo pode ser levado por água abaixo, e até mesmo alterar a imagem da empresa perante seu consumidor.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A lei da palmada e a falta de disciplina

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não sei se sou apenas um senhor idoso,um velho impertinente ou um sujeito demasiadamente exigente sem que isso tenha alguma ligação com os meus quase 78 anos. É possível também que eu não preencha nenhum dos três quesitos que expus na primeira frase do meu texto desta quinta-feira e, neste caso,esteja cheio de razão quando não concordo com uma lei aprovada pelo Senado e com uma ideia do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. Vou por partes.

 

O senadores aprovaram na início de junho a Lei da Palmada ou lei do menino Bernardo,esse vitimado por crime hediondo cometido na cidade gaúcha de Três Passos. A legislação altera o Estatuto da Criança e do Adolescente na medida em que os pais não podem castigar os seus filhos de maneira a lhes impor sofrimento ou lesões. Até aí,não há o que se discutir. Há pais desnaturados que continuarão,com lei ou sem lei,a tratar os filhos com violência e até abusar sexualmente deles. Esses têm de arcar com os rigores da lei. O Estado – pergunta-se – teria poder para interferir na educação das crianças. Há controvérsias.Estaria correto coibir a “palmada pedagógica”? Penso que não. Trata-se do que eu chamaria de santa palmada,que não machuca e ajuda a dar a entender às crianças que elas precisam se dar conta de que os seus pais é que mandam em casa. Afinal,todos nós,seja no jardim-da-infância e daí para a frente sempre teremos que aceitar comandos de todas as espécies e em todos os estágios de sua existência.

 

Sou pai de três filhos e avô de quatro netos. Lembro-me,apenas,de ter dado um tapa na bundinha do Mílton ao vê-lo,no dia em que o Inter inaugurava o seu estádio,passear pela calçada com uma bandeirinha do nosso tradicional adversário,que lhe foi dada por “banditismo”de um parente colorado. Foi um exagero que me doeu por muito tempo. Quando criança e adolescente,levei chineladas da minha mãe. E ela sempre tirava o chinelo com boas razões.

 

Já o Conselho Estadual de Educação está,a meu modesto ver,prevendo que as escolas gaúchas não reprimam a indisciplina com afastamento do aluno ou sua transferência. Estamos diante de mais uma medida,no mínimo,polêmica. Desde já tenho pena dos professores se a ideia do Conselho for posta em prática. Tenho uma filha que é professora de uma escola situada em uma vila de Porto Alegre. Seus alunos são crianças entre cinco e seis anos. E ela passa enorme trabalho para os manter com um pouco de disciplina. Imagino o que os seus alunozinhos farão quando forem adolescentes. Conheço inúmeros professores que desistiram da profissão por se sentirem incapazes de dar aulas a adolescentes e outros já marmanjos,eis que esses,por dá cá aquela palha,chegam ao ponto de ameaçá-los fisicamente. A presidente do Conselho Estadual de Educação,Cecília Farias, entende que a escola não pode ser punitiva,mas deve investir na solução dos problemas dos alunos para mantê-los nos colégios”. Será que ela,atualmente,trabalha em sala de aula? Já Osvino Toillier,vice-presidente do Sinepe/RS,diz que a pretensão do Conselho “vai tirar o último resquício de autoridade da escola”. E concluiu afirmando: ”Se você tem algum aluno que coloca outros em risco,perde a liberdade de definir o afastasmento”. Li essas duas posições na ZH do último dia 4 de agosto. Fico com a do professor Toillier.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele), que aprendeu bem a lição.

O varejo real é um atraso?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Entrada do Mappin

 

Ao mesmo tempo em que os aspectos tecnológicos, operacionais, arquitetônicos e estéticos têm evoluído e marcado presença no varejo atual, o atendimento e a criatividade estratégica e promocional de vendas deixam a desejar. A quatro dias da data máxima dos pais, o que se observa em termos de comunicação e inovação que possa gerar desejo ao comprador e ao presenteado é repetitivo e homogêneo.

 

O histórico do varejo às vezes é conservador, como lembra Paco Underhill. O setor de perfumaria, por exemplo, foi colocado nos primeiros magazines de New York no térreo para abrandar o cheiro e os dejetos dos cavalos. Os cavalos se foram, mas as perfumarias permanecem na entrada das lojas de departamento.

 

No Brasil, as lojas mais importantes não acreditaram nos shoppings pioneiros, enquanto hoje os shoppings ainda não acreditam nas vendas por internet.

 

Poucas lojas agregaram a função de caixa à vendedora, para facilitar e melhorar o atendimento, e muitas ainda possuem o apito desagradável nas peças sem fazer análise do custo benefício. O risco pode ser menor do que o custo do sistema.
Na maioria das lojas, a vendedora pergunta ao cliente se pode ajudar, ao invés de fazer perguntas específicas. Pecado mortal de atendimento.
A solução começa na valorização do vendedor, que é rara.Como profissão, Vendas é das mais importantes. Cabe ao vendedor concluir ou estragar todo o esforço da imensa cadeia produtiva que antecedeu a elaboração do produto que chega às suas mãos.

 

Ao não valorizar o vendedor, a ponto de negar o nome, a função de vendas fica desqualificada. E, o comprador não recebe o atendimento de vendas qualificado que deveria.

 

A modernidade absorvida pelo varejo em muitos aspectos, ainda não atingiu as boas práticas de vendas. É hora de colocar a “barriga no balcão”. E, tornar regra o bom atendimento.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Parabéns, uma boa ideia!

 

51? Uma boa ideia

 

Passei parte da sexta-feira ouvindo amigos e conhecidos reagirem assim diante da minha nova idade. Brincadeira feita, como era de se esperar, por aqueles que, como eu, já haviam passado ou beiravam a casa dos 50. Aos mais jovens, o diálogo não fazia o menor sentido, pois eles não têm mais como referência o slogan que se transformou em marco do mercado publicitário, criado pela Lage Stabel & Guerreiro, em 1978, para vender a cachaça 51. Com “uma boa ideia”e estratégia de marketing arrojada, o fabricante conseguiu fazer de seu produto um sucesso mesmo que para muitos não seja a melhor cachaça produzida no Brasil. Como a idade me ensinou que em alguns assuntos, tais como futebol, religião e cachaça o freguês tem sempre razão, não vou meter meu bedelho na discussão e deixo por sua conta o voto nesta concorrida eleição.

 

De volta aos abraços recebidos no fim da semana passada. Se brincar com a ideia do 51 não significa nada para a garotada, com certeza Facebook, Twitter e internet têm tudo a ver com a turma; e ainda me causam algumas surpresas. Assim que cheguei no estúdio da rádio, abri o computador e o Google Chrome despejou na minha tela um doodle com tortas, bolo e velinha de aniversário. O que é apenas resultado de uma máquina que identifica sua conta e cruza os dados com seu perfil se transforma em uma mensagem simpática e quase pessoal de congratulações. Você chega a acreditar que alguém lá no Goggle acordou bem cedinho só pra lhe mandar aquele recado.

 

Eu fiquei impressionado mesmo foi com a quatidade de mensagens geradas nas redes sociais, e em algumas delas chegando por todos os lados. No Facebook, por exemplo, tinham parabéns na caixa de entrada, em posts e na linha do tempo; e no alto da página ainda aparecia uma lista de fotos de pessoas que teriam me enviado as felicitações. Curioso é que se fiquei perdido olhando para cima e para baixo para não deixar escapar nenhum abraço – afinal, não sou o Felipão mas também gosto de carinho -, alguns amigos também. Ao menos dois muito próximos, que conseguiram falar comigo por telefone, me disseram que haviam registrado suas congratulações no Facebook, mas não sabiam bem por onde: “Milton, o abraço tá lá, mas não sei onde foi parar”, me disse um deles.

 

Sem saudosismo, lembro que nos meus 25 anos, quando ainda morava em Porto Alegre, as felicitações chegavam ao vivo pelos amigos que conseguiam lhe encontrar no dia do aniversário ou colegas que lhe abraçavam no trabalho – alguns por obrigação -; também discavam para o seu telefone fixo (se você não souber o que isso significa, procure no Google) ou enviavam cartões pelo correio. Estes cartões podiam ser encontrados nas papelarias, muitos com mensagens prontas – o sujeito só se dava o trabalho de assinar embaixo. Agora, até os cartões são eletrônicos: costumo receber nas datas especiais um assinado pelo meu pai, normalmente com alguma referência mais pessoal (registre-se: ele também me telefona e só não me dá um beijo ao vivo devido à distância).

 

Indepentemente do formato que chegam, quero deixar claro que fico muito feliz com as lembranças registradas aqui ou acolá e, por isso, escrevo este post, mesmo que atrasado, para agradecer a gentileza de cada um de vocês que despendeu minutos do seu dia para me escrever algumas palavras. Serei sempre grato. Agora, estou mesmo muito curioso para saber como chegarão as felicitações nos meus 60 anos. Serão drones os cartões de parabéns à você? Taí, uma boa ideia!

Mais da metade dos votos nulos não cancela a eleição

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Diante dos sucessivos escárnios ocorridos na república, o sentimento de indignação dos eleitores vem adquirindo contornos extremos e até peculiares. Por conta disso, a ideia de uma “nova eleição” ante um hipotético predomínio dos votos nulos sobre os válidos como forma de protesto dos eleitores tem sido noticiada. Os adeptos desta duvidosa solução para as anomalias e mazelas do país sustentam que se mais da metade dos votos do dia do pleito forem anulados pelos eleitores, haverá uma “nova eleição” e que os candidatos que participaram da primeira não poderão concorrer na seguinte. Negativo.

 

O ordenamento jurídico brasileiro define objetivamente que será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos, desconsiderados brancos e nulos. Ou seja: vencerá o pleito majoritário quem obtiver metade mais um dos votos válidos, do país ou do estado. Mesmo que a eleição tenha reduzidos percentuais de participação, sempre haverá a formação de uma maioria e algum candidato será eleito, salvo se o comparecimento do eleitorado às urnas for zero, o que não se cogita nem como grotesca ilustração.

 

A “tese” da anulação de uma eleição para que outra lhe suceda, com ou sem os candidatos da primeira, corresponde a uma pregação inútil porque juridicamente impossível. O sistema, ainda que imperfeito e por isso sujeito a ajustes periódicos pelo Poder Legislativo, não estabeleceu regras frágeis ou vacilantes a ponto de vulnerar a democracia que o sustenta.

 

De outra parte, esclareça-se que o Código Eleitoral determina que uma “nova eleição” somente ocorre se aquele que venceu o pleito por mais de 50% dos votos tiver o seu registro ou diploma cassado por decisão da Justiça Eleitoral diante de abuso, corrupção ou inelegibilidade.

 

Disseminar fórmulas juridicamente inconsistentes é um desperdício de tempo e opções, especialmente diante de mandatos que se estendem por no mínimo quatro anos. A manifestação apolítica do eleitor anulando o seu voto corresponde a uma forma livre e legítima de expressar a sua rejeição por candidaturas, pela política ou até mesmo pelo voto obrigatório vigente no país. Entretanto, votos nulos não tem serventia democrática porque não foram direcionados a nenhum candidato. Vale dizer: não são contabilizados.

 

Enfim: nas democracias contemporâneas e organizadas, ainda que alguns divirjam, sempre existem eleitores e eleitos.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: os embalos de sábado à noite

 

Vitória 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Salvador

 

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Convenhamos, nove da noite de um sábado, não é hora de jogar bola. Se disser lá em casa que vou bater uma bolinha com os colegas no sábado à noite, na melhor das hipóteses me mandam dormir no sofá. Na agenda oficial das boas relações familiares, é obrigatório compromisso com a mulher e os filhos (apesar de que estes a medida que crescem, dão graças a Deus que você não os convida para o que se chama – ao menos no meu tempo, chamava-se – programa de índio). Todos sentados em torno de uma boa pizza, talvez um cineminha, quem sabe à visita na casa de amigos para os quais você nunca tem tempo ou, outra opção, abrir a sua casa para esses mesmos amigos. Qualquer um desses programas atende às expectativas da turma. Agora, jogar futebol? No sábado à noite? Só para os caras-de-pau, descasados ou desiludidos da vida.

 

Todo esse introdutório para ver se consigo explicar o fato de tanta gente reunida no nosso time, sábado à noite, em Salvador, não conseguir jogar o futebol que há tanto tempo esperamos. Havia uns garotos na lateral, no meio de campo e depois no ataque que pareciam estar com a cabeça na balada da qual tiveram de abrir mão para jogar bola. Uns mais velhos até se esforçaram no início, talvez imaginado que resolvendo a fatura de cara o jogo se encerraria mais cedo e eles poderiam voltar para casa para abraçar as esposas. Ninguém parecia muito convencido de que a coisa mais importante que tinham a fazer naquele momento era disputar uma partida de futebol. Até o juiz, diante da quantidade de erros que cometeu, parecia compartilhar do mesmo sentimento.

 

De minha parte, foi difícil ter de convencer a família a ficar em casa no sábado e jantar um pouco mais cedo para que eu estivesse de prontidão, diante da televisão, às nove da noite, e depois assistir a mais um resultado frustrante do Grêmio. Cheguei a imaginar que a mudança de técnico geraria aquela animação extra que faz os jogadores se desdobrarem em campo, à medida que se sentem ameaçados de perder a vaga, tentando provar ao novo comandante que os maus resultados não tinham nada a ver com ele. O gol marcado no primeiro tempo mais uma vez iludiu nossa esperança que foi sendo dilapidada a cada ataque que desperdiçávamos. As bolas que chutávamos para fora pareciam avisar que seria alto o preço a ser cobrado mais adiante. Não precisamos esperar muita bola rolando no segundo tempo para essa realidade se concretizar, infelizmente.

 

Como sou um torcedor eternamente otimista, não será o mau resultado na noite de sábado que me impedirá de acreditar na recuperação, a começar pelo fato de que entre mortos e feridos, nesta rodada, sobraram todos. Nossos principais adversários estão a algumas vitórias seguidas de distância e uma boa sequência a partir de agora já nos coloca de volta na disputa do título. Claro que para tanto precisaremos do olhar clínico e das palavras mobilizadoras de Luis Felipe Scolari que começa, nesta semana, a trabalhar com o time. Terá de encaixar as peças nos lugares certos, reestruturar estrategicamente o time e dar uma boa dose de confiança a cada um desses jogadores. Fazer destes que aí estão um time de vencedores. A tarefa não será nada fácil, nem tanto pelas características técnicas, pois temos jogadores qualificados, mas, porque, além da insegurança, o primeiro desafio pode ser definitivo. Que Felipão traga de volta, já na próxima tarde de domingo, a alegria dos embalos de sábado à noite.

Conte Sua História de SP: eu, meu irmão e minhas amigas na cidade

 

Por Eloisa Pasquini
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Nasci em São Paulo, em 1953, quando meus pais moravam à Rua Borges Lagoa no bairro de Vila Clementino. Naquela época, a cidade era bem diferente. Meu irmão e eu brincávamos na rua sem nenhum perigo. Havia pouquíssimo movimento de carros e nenhum problema de segurança. Pulávamos corda e amarelinha, jogávamos bola, e a vida era muito boa. Nos dias chuvosos, quando não podíamos sair de casa, meu irmão e eu ficávamos sentados de frente para a janela da sala e a brincadeira era contar os carros que passavam na rua…com certeza havia muito poucos carros nessa época. Lembro-me dos grandes táxis pretos. Todos carros importados, pois a única fábrica nacional era a da Volkswagen.

 

Quando tinha oito anos e meu irmão dez, mudamos para a Rua Manoel da Nóbrega a 400 metros da Avenida Paulista, e paralela a Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Nessa época, a Paulista tinha casas residenciais enormes e muito bonitas com lindos jardins. Me lembro de passear na Paulista com meus pais. Era um passeio bonito onde admirávamos as casas, as árvores, as belezas da avenida. Nessa época a região ainda era considerada bairro residencial e o centro da cidade é o que hoje chamamos de centro velho. Na Paulista e na Brigadeiro passava bonde. Lembro-me muito bem como era bom andar de bonde. A região era tão calma que ainda podíamos brincar na rua sem nenhum problema. Meu irmão tinha uma turminha de amigos e eles desciam o ladeirão da Manoel da Nóbrega de carrinho de rolemã. Lá embaixo eles viravam na rua Tutóia, paravam, subiam à pé e desciam tudo de novo. E era pura diversão.

 

Eu também tinha minhas amiguinhas, mas como sempre fui muito moleca, um dia, pedi para andar de rolemã. Não me emprestaram de muito bom grado, mas lá fui eu. Como não tinha experiência, desci a ladeira à toda e quando cheguei na Tutóia não consegui virar, continuei em frente e só parei em frente ao quartel que tinha lá embaixo, bem longe, onde a rua já era de duas pistas. Claro que quando voltei ouvi de tudo … mas não me intimidei e continuei me divertindo. Meus pais só ficaram sabendo que eu andava de carrinho de rolemã quando eu já era adulta.

 

Acompanhei toda a mudança da Av. Paulista. Casas lindas sendo demolidas e prédios enormes construidos. Um vai e vem de caminhões entrando e saindo dos terrenos e de repente um lindo prédio surgia. Me lembro também quando a corrida de São Silvestre era à noite! Sempre na Paulista. Algumas vezes a assistimos ali mesmo, era uma enorme emoção.

 

Apesar de ser uma região residencial já havia alguns cinemas e outros foram surgindo com o tempo. Os cinemas eram na rua e não em shoppings como hoje. Nossa turminha de adolescentes se reunia e seguia a pé para os cinemas. Na volta, mesmo que fosse escuro, não havia perigo e andávamos sem medo de assaltos. Que tempo bom era esse!?

 

Me lembro também do primeiro shopping inaugurado em São Paulo. O Iguatemi na Av. Faria Lima. Se não me engano em 1966. Era uma grande novidade. Nessa época o chique era fazer compras na Rua Augusta.

 

Morei em São Paulo até 2003, quando mudei para Atibaia onde estou até hoje. Na época não foi fácil me acostumar numa cidade pequena, mas hoje gosto muito daqui. À vezes quando estou ouvindo a CBN e ouço a respeito dos congestionamentos de trânsito fico ainda feliz. Aliás, gosto de ouvir vocês e ficar por dentro de tudo que acontece nessa querida cidade onde passei 50 anos da minha vida.

 


Eloisa Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN. Mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou melhor ainda: agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa: contesuahistoria@cbn.com.br. Você vai lá, grava seu depoimento e ainda recebe um DVD com suas memórias.

Mundo Corporativo: Marco A. Gioso ensina como cuidar de lojas de animais de estimação e veterinária

 

 

“Quando o veterinário está atendendo, quem é o mais importante no consultório: o animal, o dono do animal ou ele próprio?” A resposta para essa pergunta define na maior parte das vezes o resultado do trabalho realizado pelo profissional que atua no setor de clínica veterinária, petshop e loja para animais de estimação, de acordo com o médico e gestor Marco Antonio Gioso. Ele foi entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, e falou dos cuidados que devem ser adotados para gerenciar finanças, equipes e marketing neste setor que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, no Brasil. Gioso lembra que é muito comum no país, os serviços de veterinário, tosa e banho, e venda de prdutos serem oferecidos no mesmo local, o que exige estratégia ainda mais apurada para que um não prejudique financeiramente o outro. Autor do livro “Gestão da Clínica Veterinária”, Marco Antonio Gioso recomenda que os empreendedores interessados em abrir um negócio fazem planejamento e busquem conhecimento para desenvolver ferramentas de gestão, pois muitos agem de forma instintiva, não conseguem adminsitrar as contas pessoais e da empresa separadamente, acabam tendo prejuízos e fechando o negócio.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido, ao vivo, pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br). Os ouvintes-internautas participam com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.