Cortar benefícios no cartão é cortar relacionamento com cliente

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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O Banco Bradesco Prime enviou a seus clientes correspondência impressa informando mudanças no programa de fidelidade dos cartões de crédito, especificamente para os cartões Mastercard Black e Visa Infinite, destinados ao público de alta renda. As mudanças foram para beneficiar o cliente? Ganha um ponto quem acertar a resposta: não, claro que não. Cortaram benefícios e um dos principais: a pontuação conforme o uso do produto.

 

No início da emissão desses cartões pelo banco, há alguns anos, os clientes recebiam 2,2 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) gasto no cartão. Em 2013, já havia tido uma mudança para pior: o banco passou a exigir um valor mínimo de R$ 4 mil a serem gastos na fatura mensal para manter os 2,2 pontos para o Visa Infinite, e dois pontos para o Mastercard Black. Para clientes com fatura mensal abaixo desse valor, o benefício diminuía: dois pontos para Visa Infinite e 1,8 para o Mastercard Black.

 

Agora, o banco efetuou mudança ainda pior. A partir de primeiro de setembro próximo, clientes Visa Infinite e Mastercard Black terão apenas 1,8 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) se tiverem gastos mensais de até R$ 9 mil, e somente com gastos acima desse valor terão 2 pontos, e não mais 2,2. Além disso, transações como saques (no Brasil e no exterior), encargos e juros lançados nos cartões deixarão de ser pontuados. Clientes novos já não mais terão os benefícios automaticamente, e deverão realizar cadastro no site do banco.

 

Diminuir qualidade e benefícios de produtos e serviços é lamentável. No mercado premium e luxo, ainda mais. Trata-se de segmento no qual clientes são cada vez mais exigentes e sensíveis a um atendimento que pede, no mínimo, a excelência. São cartões com anuidade por volta de R$ 800 e público-alvo que, além do cartão, normalmente tem aplicações e outros produtos do banco. Ou seja, há relacionamento.
A atitude certamente fará clientes reverem sua relação com o banco, principalmente se compararem com empresas concorrentes. Itaú Personnalité, Banco do Brasil e Santander são apenas alguns exemplos onde os clientes Visa Infinite e Mastercard Black recebem dois pontos pelo uso do cartão, não havendo a antipática exigência de gastos mínimos. Já no programa do banco HSBC Premier, associados Mastercard Black recebem três pontos para cada dólar gasto no exterior e dois pontos, no Brasil.

 

Clientes que se sentirem prejudicados ou, até mesmo, desapontados, devem tomar a decisão que lhe for mais conveniente e confortável: reclamação formal na Ouvidoria do banco, registrar o descontentamento para seu gerente de relacionamento ou, em situação mais extrema, trocar a instituição por um concorrente. Cortar benefícios, me parece, é um golpe na relação cliente e empresa, especialmente porque o mundo contemporâneo exige que as empresas cada vez mais atendam, entendam e encantem.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Procura-se o Felipão dos velhos tempos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Obriguei-me,durante a Copa do Mundo,a tratar de futebol. Antes do Mundial esse era um assunto que somente abordava ao comentar o que o Mílton escrevia neste blog após cada jogo do Grêmio. Vou,nesta quinta-feira,retornar ao tema,eis que o nosso time – o dele e o meu – saíram do lugar comum ao trazer de volta um dos mais discutidos técnicos de futebol não apenas do Brasil,mas do mundo,em razão do elástico 7 x 1 aplicado,sem dó nem piedade pelos alemães,na nossa Seleção. Duvido que, até hoje,nem mesmo os maiores “experts” em futebol se atrevam a dizer,sem medo de errar, qual foi a verdadeira razão do tremendo apagão sofrido,em uma Copa do Mundo,por um selecionado que,além de ter sido pentacampeão do mundo em 2002,,derrotando na final a Alemanha que,de certa forma,12 anos depois,se vingou ao enfrentar o técnico responsável por nossa vitória:Luiz Felipe Scolari.

 

É esse,exatamente,o treinador escolhido pelo Grêmio para substituir Enderson Moreira,aposta fracassada da direção tricolor. Zero Hora postou,na capa de sua edição de 29 de julho,essa manchete: “Em busca do técnico perfeito”. Não creio que exista tal tipo de profissional. Muito são bons…enquanto não esbarram em uma série de maus resultados. O que levou Fábio Koff a trazer de volta Felipão? Em primeiro lugar,o presidente gremista mostrou que o passado dele – Scolari – no Olímpico,está acima de qualquer suspeita. Sua passagem pelo velho estádio foi uma das mais exitosas que os gremistas da minha idade têm na lembrança,sem falar,é claro,na de Ênio Andrade,que deu ao Grêmio o primeiro título nacional em um jogo inesquecível contra o São Paulo,no Morumbi. Lembro-me,como se fosse hoje,como Ênio,conversando comigo às vésperas da partida final,explicou-me como pretendia que o Grêmio jogasse. E deu no que deu. Desculpem-me,caros e raros leitores,por ter colocado Ênio Vargas de Andrade em meu texto. Com estilo bem diferente de Luiz Felipe – jamais ouviu-se um palavrão brotar da boca do meu amigo Ênio – enquanto,no dia da derrota acachapante da Seleção Brasileira,proferiu-os sem papas na língua. Seja lá como for,eu gostaria de ver de retorno ao Grêmio um Felipão igualzinho ao dos velhos tempos,em que garimpou,no Olímpico,uma carreira cheia de vitórias. Koff,ao trazê-lo de volta,deve ter baseado a sua escolha no Felipão que ainda não era famoso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: a volta de um Imortal

 

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Luis Felipe Scolari estava feliz. O presidente Fábio Koff, também. Sentimento que foi compartilhado com os cerca de 10 mil torcedores que estiveram na Arena Grêmio para recepcionar o novo velho treinador. Há milhões de gremistas que, como eu, comemoraram do seu jeito a volta de Felipão 18 anos depois de ter nos oferecido algumas das maiores alegrias que o futebol poderia nos dar: ser campeão. E foi este o grito que surgiu das arquibancadas assim que ele apareceu no gramado, nesta tarde de quarta-feira, para abafar as vozes que teimavam – e tinham seus motivos, é lógico – em lembrar as derrotas recentes pela seleção brasileira. Dentre esses últimos havia muitos gremistas, sem dúvida, reticentes com a contratação, descrentes na recuperação do técnico ou temendo assistir ao ocaso do ídolo.

 

Logo que soube do convite feito a Felipão lembrei-me de uma camisa antiga que tinha do Grêmio, surrada pelo tempo, com o tricolor desbotado pelas inúmeras vezes que passou na máquina de lavar. Salvei-a duas ou três vezes do saco de roupas velhas que seriam dispensadas pela minha mulher até que foi definitivamente levada embora por ladrões que entraram na minha casa. De todas as camisas, medalhas e outros quetais do Grêmio roubados, há dois anos, é dela que mais senti falta. Seu valor não estava na qualidade do tecido, no quanto estava preservada ou não, mas nas lembranças impregnadas em sua malha. Nos momentos de alegria e sofrimento que havíamos passado juntos. Felipão é um pouco aquele camisa, desgastado pela vida, marcado pelas críticas, com brilho precisando de um lustre, mas sempre capaz de reavivar nossa memória pelas graças alcançadas.

 

O desempenho do time e os resultados em campo precisarão aparecer logo para que a confiança contamine o estádio por completo, e Felipão sabe disso mais do que ninguém. A estreia dele será no Gre-Nal, na casa do adversário, e temos consciência que com menos de dez dias de comando é impossível ter o time planejado dentro de seus conceitos. Mas uma vitória nessas circunstâncias, seria o sinal que está faltando para os incrédulos perceberem que a mística dele é tão maior e mais importante do que seu trabalho. É crendo nesta mística construída a partir de trabalho muito duro que estou apostando no sucesso do Grêmio e de Felipão (o que talvez não signifique muito, pois eu sempre aposto no Grêmio). Chego a ter alucinações de que o destino começa a escrever mais uma incrível história no futebol, oferecendo a oportunidade para que o técnico que já venceu quase tudo em sua carreira, mas foi duramente golpeado em sua reputação pela performance da seleção na Copa 2014, renasça levando o Grêmio à Libertadores – quem sabe até pela conquista da Copa do Brasil -, ao título sul-americano e ao Mundial Interclubes. Em meu sonho, sem nenhuma lógica, Scolari comandaria o Grêmio em uma final contra o alemão Bayern de Munique e, nos penaltis, após disputado empate em 0 a 0, ratificaria ao Mundo sua capacidade e força. Felipão se transformaria em lenda.

 

Os que desde o anúncio da contratação do técnico me criticam pela satisfação com que o recebo têm minha compreensão. É difícil mesmo de explicar esta sensação que nos move, esta confiança quase sem sentido que nos faz acreditar na força de uma história, em resultados considerados impossíveis e vitórias inimagináveis. Apenas lamento que não sejam capazes de saborearem o prazer de serem um Imortal.

Manifestações, invasões e depredações legais?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Ontem em SP foram realizadas desocupações na Líbero Badaró e na Consolação. Antes de ontem, foi a vez do Portal do Morumbi. Em todas, os invasores reclamaram da falta de aviso para a ação judicial que foi executada.

 

No Rio, na semana passada foram libertados os manifestantes e depredadores nos movimentos contra a COPA. E, Sininho e Camila, líderes do movimento denunciaram respectivamente, através da imprensa, as autoridades de elaborar um processo de acusação com “abobrinhas e histórias surrealistas”, e de plantar “provas”.

 

Situações estas, que se não fossem prejudiciais à civilidade, estariam contribuindo à comicidade. MTST de Boulos e LPM de Lima invadem propriedade alheia sem pedir licença e querem ser avisados em dia e hora para sair. Sininho e Camila querem destruir o sistema vigente, anarquistas por convicção, mas exigem o sistema para que sejam respeitadas.

 

O MTST colocou barracas sem ninguém dentro. Apenas para fazer número. Os que estavam agindo foram protestar contra a TIM. Só depois perceberam que sinalizavam a propriedade e uso de celulares e se recolheram.

 

A LPM teve o seu líder, Ricardo Luciano Lima salvo de linchamento pela PM de seus próprios correligionários, que o acusaram de estelionato, segundo matéria da CBN. A FIP Frente Independente Popular e a OATL Organização Anarquia Terra e Liberdade, são lideradas por Sininho e Camila. Ambas negam a liderança. A cineasta Elisa Quadros, incitou a por fogo na Câmara Municipal. “Entretanto a sua mãe, a psicóloga Rosoleta de Quadros, disse: “Criaram um personagem, a Sininho, para demonizar os movimentos”“.

 

Camila é a Dra. Camila Jourdan, Coordenadora do Pós Graduação da UERJ de Filosofia, e propõe a anarquia. Inclusive ao movimento que pertence. Ao mesmo tempo se intitula porta voz do povo injustiçado pelo sistema atual.

 

Diante de tanta perplexidade, simplicidade seria o melhor caminho. Uma pergunta: Quem financia esta gente toda? Uma ação: Requisitar e analisar todas as imagens disponíveis.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Recomeçando o velho e bom blog

 

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O caro e raro leitor deste Blog já percebeu que a cara está nova. Não a da foto logo acima, retocada com algum editor de imagens qualquer, mas a dos textos, comentaristas e favoritos. Na língua do internetês: o template mudou. Com a graça da turma que entende do riscado na CBN, tudo ficou mais claro, mais agradável de ver e ler. Por mais que o conteúdo seja fundamental, o desenho não deve jamais ser desprezível. Por origem, a palavra design significa “dar sentido as coisas”, lembra Roberto Verganti, da Politécnica de Milão. Sendo assim, interfere na nossa relação com as coisas e as transformam em revolucionárias quando alcança a excelência. Não, não quero chegar até lá, meus limites intelectuais e criativos somados a minha autocrítica me livram desta pretensão. Tenho expectativas bem mais amenas, que não me impedem porém de, inspirado pelo novo desenho do Blog, ser mais preciso, presente e claro no diálogo travado com você neste espaço. Com certeza, a mudança me dá nova motivação.

 

Curiosamente, as mudanças ocorrem em uma época na qual para muitos esta coisa de blog já era. Cora Rónai, de O Globo, colunista a quem devemos sempre prestar atenção, escreveu há alguns meses sobre a incorporação dos antigos blogs pessoais pelo Facebook, e a transformação do que costumávamos chamar de blogosfera em rede social. Assim como eu, Cora gosta de tecnologia e gatos, com a diferença de que demonstra conhecimento técnico profundo sempre que escreve sobre ambos. Ela tem a razão, enquanto eu só tenho a emoção para escrever. Portanto, não vou tentar provar a ninguém verdade diferente daquela que os entendidos estão pregando. Mesmo porque essa ideia de que os blogs estão fora do tempo já é velha, também. A primeira vez que ouvi a tese foi durante a primeira edição da Campus Party Brasil, em 2008, quando um repórter de televisão – desses com jeito descolado – perguntava para seu entrevistado – ainda mais descolado (e careca) – sobre a morte da blogosfera. Confesso que tomei um susto, pois este Blog que você lê agora (ou você está me lendo no Facebook?) havia nascido não fazia um ano. Tivesse acreditado, teria desperdiçado 7.532 posts e cerca de 35 mil comentários feitos desde 4 de junho de 2007 quando o Blog entrou no ar.

 

A influência das redes sociais, em especial o Facebook, não pode ser desdenhada. É por isso que em meu perfil pessoal ou na fan page que mantenho, publico, se não o post completo, ao menos a chamada para todos os posts escritos no Blog. O Twitter, de quem sou fã desde pequenino, também é canal de divulgação do que faço por aqui. Assim acontece com o Instagram e o Linkedin, em situações específicas. Conectar todas as ferramentas digitais é essencial para que nossas ideias alcancem o maior número de pessoas. Estendemos nossos braços, também, aos seguidores dos comentaristas que me dão o privilégio de publicar seus textos semanalmente, como o Carlos Magno Gibrail, o Ricardo Marins e meu pai, Milton Ferretti Jung, além daqueles que passam por aqui pontualmente, como o Antonio Augusto, a Dora, o Julio Tannus, a Maria Lucia e a Rosana. E todos os demais que aceitarem compartilhar seu conhecimento com os leitores desse espaço. É nesta miscelânea de canais que estaremos sempre dividindo nossas percepções sobre o cotidiano, a cidadania, a política, a economia, o esporte (o meu Grêmio, é lógico); enfim, sobre sobre nossas vidas. Digam o que disserem, independentemente do que criarem, estaremos sempre buscando novas formas de nos expressar, sem jamais abandonar este Blog.

Volta às aulas

 

Nos próximos dias, milhares de crianças se despedem das férias, conferem os cadernos, arrumam a mochila e seguem de volta à escola. As aulas recomeçam e a rotina dos estudos, também. Alguns tiveram tarefas durante a folga do meio de ano, porque os professores aprenderam que incentivá-los a fazer exercícios no recesso aquece a memória e ajuda a guardar alguns conceitos (em troca, os alunos são recompensados com pontos extras na avaliação). Reencontrar os amigos de sala já não provoca mais a mesma sensação do meu tempo, porque em tempos de rede social nada mais é novidade, tudo se conta, se posta e se “selfie”. Por mais que cada um vá para o seu lado, o Facebook nos deixa lado a lado, compartilhando visitas, encontros e baladas. Com tudo registrado em tempo real, imagino que ninguém mais se atreva a pedir para os alunos escreverem a velha composição com o título “Minhas férias”. Tá tudo no Face, professora!. Aliás, ninguém mais chama aquilo de composição, agora é redação.

 

Estou de volta, também, após 15 dias de férias nos quais tentei me manter o mais distante possível das obrigações. Em meu Twitter e Facebook apenas compartilhei o que era publicado no Blog; no e-mail da rádio, deixei acumular broncas, pedidos, convites e anúncios; no pessoal, respondi o que pedia urgência e guardei o que me daria trabalho. Mesmo assim é impossível desligar por completo, especialmente morando na cidade, onde cruzamos por pessoas, ouvimos comentários, o rádio insiste em contar notícias e o jornaleiro arremessa as manchetes na porta de casa todas as manhãs. Apesar de obrigado por força da profissão, gostaria de não ter sabido de aviões que caíram e foram derrubados, e dos números gigantescos de mortes provocadas por líderes-anãos que comandam seus países e quadrilhas.Lamentei que Ubaldo e Suassuna tenham ido embora. Fiquei triste com a morte de Rubem Alves que tantas vezes salvou-me de entrevistas medíocres com suas respostas inteligentes. A quem vou procurar na próxima pauta? Ao menos não precisei noticiar a falta de propostas para o Brasil no início da campanha eleitoral.

 

As férias terminaram. Passaram muito mais rápido do que planejei. Não tive tempo para fazer quase nada do que programei. Havia me proposto a ficar em casa para organizar a vida: arquivos, livros , discos e documentos. Vão continuar esperando para voltar ao lugar certo. A volta dos treinos de golfe vão ter de esperar, também. Até a bicicleta ficou pendurada na parede, andou menos do que quando estou na ativa. Fiquei devendo todas as visitas aos amigos e parentes. Li, não tudo que imaginava, mas li porque sempre estou lendo; ouvi mais música do que o normal e me diverti com os seriados e filmes à disposição no Netflix. Foram maratonas regadas a vinho. O que aproveitei muito mesmo foi a companhia da família porque era este meu único compromisso nestes dias todos. É para isso que se tira férias. Conversamos, nos divertimos, encontramos soluções para o problema dos outros e deixamos os nossos para lá, lembramos de histórias passadas e programamos outras tantas.

 

Agora, chegou a hora de conferir as tarefas, arrumar a mochila e voltar à ativa. Seja bem-vindo, trabalho!

Avalanche Tricolor: um técnico para deixar saudades

 

Grêmio 2 x 3 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Enio Andrade

 

A experiência mais gratificante que tive com um técnico de futebol foi com Ênio Andrade quando, pela primeira vez, treinou o Grêmio, em 1975. Anos difíceis aqueles, nos quais o título gaúcho era quase uma utopia e sequer tínhamos direito de sonhar com o Brasil ou o Mundo, apesar de já estar escrito pelo destino que haveríamos de conquistá-los. Foi, por sinal, o próprio Ênio quem abriu caminho para essas vitórias quando voltou a ser nosso treinador nos anos de 1980, mas este foi outro momento da nossa vida como torcedor. Seu Ênio, como sempre respeitosamente o chamei, foi muito mais do que o técnico do meu time de coração. Adotei-o como padrinho pelo carinho que sempre teve comigo desde que fui apresentado a ele por meu pai, Milton Ferretti Jung, que você, caro e raro leitor, conhece muito bem. Além de acompanhar a todos os treinos do Grêmio ao lado do gramado, tinha o privilégio de assistir às conversas que eles travavam ao fim dos trabalhos em uma mesa que lhes era reservada na cozinha do bar que funcionava dentro do estádio Olímpico. Aprendi muito sobre futebol naqueles tempos e não apenas sobre estratégias em campo, mas do jogo de tramoias e injustiças que se desenrola na maioria das vezes distante dos olhos do torcedor. Convidado por ele, me travesti de gandula para funcionar como “pombo-correio” do técnico que, na época, não podia sair da casamata, como era chamado o banco de reservas. Seu Ênio me passava as instruções e eu corria até atrás do gol gremista para transmiti-las ao goleiro Picasso. Inúmeras vezes, percebia que a orientação tinha um sentido e jogávamos a bola para o outro. O aprendizado mais importante se deu no campo pessoal: foi ele o responsável por me convencer de que eu seria muito mais honesto se procurasse meu pai para contar-lhe que havia rodado de ano na escola, notícia que eu relutava em anunciar, apesar de todos na família já saberem.

 

Antes de a partida de hoje se iniciar, tive a oportunidade de ouvir o comentarista da Sport TV Maurício Noriega citar o nome de Ênio Andrade, curiosamente ao falar da situação crítica vivida pelo Coritiba, time pelo qual Seu Ênio conquistou o Campeonato Brasileiro, em 1985. Apenas para refrescar sua memória, ele já havia sido campeão pelo Grêmio, em 1981, e mais tarde ganharia seu terceiro título nacional no comando de outro clube gaúcho (deixemos de lado, porém, esta lembrança). O comentário de Noriega foi o estopim para a saudade que venho sentindo de um treinador estrategista, com habilidade para enxergar a partida e mudar a maneira de se comportar do time na conversa de vestiário, substituindo ou apenas trocando o posicionamento de seus jogadores. Com a competência de um maestro que conhecendo cada peça à disposição as faz superar seus limites. Um técnico como Seu Ênio que conseguia nos explicar, sobre a mesa do bar, com algumas caixas de fósforo e um maço de cigarros, como o Grêmio venceria o Gre-Nal no fim de semana (e vencemos). A saudade aumentou a medida que o jogo desta noite de domingo se desenrolava, pois mesmo diante do placar que encaminhava uma vitória era perceptível que alguma coisa estava fora da ordem. Fernandinho e Matías Rodriguez estrearam; Giuliano estava em campo e Luan, também; Barcos se redimia com dois gols; Rhodolfo se esforçava como podia; Marcelo Grohe e o travessão defendiam o que dava; mas nada convencia. A virada que se desenhou era apenas uma ilusão como vimos no minuto derradeiro da partida.

 

Trinta e cinco jogos, 17 vitórias, 11 empates, sete derrotas e uma goleada histórica depois, Enderson Moreira foi demitido. Nos últimos 13 anos, 21 técnicos – entre titulares e interinos – passaram pelo Grêmio e apenas dois deles, Tite e Mano, deixaram saudades pelas graças alcançadas. Amanhã (ou daqui a pouco), alguém será escalado pela direção para ocupar este cargo. Sei que não encontraremos ninguém à altura do Seu Ênio, gente como ele não existe mais, mas seria pedir muito que a diretoria contratasse alguém à altura do Grêmio?

Max Mara abre loja conceito em Pequim

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife italiana Max Mara abriu seu maior ponto de venda na Ásia, com a inauguração de sua loja na Avenue De Luxe (Huamao Center), ícone do varejo de luxo em Pequim. Com nada menos que quatro andares, distribuídos em 800 metros quadrados, foi projetada por Duccio Grassi Architects, renomado escritório de arquitetura de Milão, com fachada moderna e atraente, que instiga o consumidor a visitar a loja. A abertura contou com exposição que possibilitou uma viagem na história da marca Max Mara, incluindo materiais de arquivo inéditos e inovações tecnológicas.

 

Fundada em 1951, a grife possui mais de 700 lojas no mundo, vestindo intelectuais, empresárias, membros da realeza, atrizes… A grife tem distribuição seletiva em pontos de varejo de luxo, comunicação sofisticada e aposta também na criação de peças de moda feminina com edições limitadas, uma das características principais de marcas de luxo. A abertura da loja na Avenue De Luxe reforça a presença na Ásia: a Max Mara tem atualmente mais de 238 lojas em cerca de 40 cidades na China.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Textos são invadidos por palavras-clichês

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Claudia Tajes,minha sobrinha,que já citei no mínimo duas vezes nos meus textos,em sua coluna no Donna,caderno dominical do jornal Zero Hora,periódico gaúcho,talvez ainda sob a influência da Copa do Mundo,criticou os lugares comuns preferidos pelos jogadores de futebol – os brasileiros,claro – quando,após as partidas,são entrevistados pelos repórteres que correm para os ouvir como se deles fossem extrair sábias declarações,capazes até de renderem manchetes. Permito-me repetir as que a Claudia escolheu e intitulou de “Os campeões do clichê”:

 

“Agora é levantar a cabeça e seguir em frente;a vida continua e não é um insucesso que vai abater a nossa equipe;a gente pecou em alguns aspectos e pagou o preço no final;tem que assumir a responsabilidade e começar a pensar em 2018;não é porque a gente perdeu que vai dizer que está tudo errado”.

 

Não se pode esperar muito mais de jogadores,a maioria pessoas de pouquíssimo ou nenhum estudo. Há,porém,quem tem condições de se expressar melhor e dizer coisa com coisa,embora eu entenda que depois de uma derrota por 7 x 1 seria bem mais interessante que os responsáveis pela catastrófica cifra sumissem do mapa. Claudia,na sua coluna, enumera também anúncios que encheram a paciência dos telespectadores,além de políticos e candidatos que concorrerão às eleições em outubro e que,em seus discursos,não conseguem fugir dos clichês.

 

Já as palavras-clichês,não sei bem a partir de que data,começaram a invadir toda espécie de textos. Stanislaw Ponte Preta,se vivo fosse,teria material para encher bibliotecas com novas edições do seu livro O Festival de Besteiras que Assola o País. Fazia tempo que pensava em reunir em um dos meus textos de quinta-feira no blog do Mílton. Não sei quem é ou quais são os responsáveis pelo lançamento de palavras-clichês Vejo que elas invadem,principalmente,a mídia impressa. Uma delas é “apontar”. Não passa dia em que não lemos nas páginas dos jornais. Bastaria que,de vez em quando,o verbo apontar fosse substituído por seus sinônimos, por exemplo,indicar,embora tenha muitos, entre eles, indigitar, mostrar,etc. Pior,se é que se pode considerar um modismo mais irritante do que outro,a locução“por conta de” passou a ficar presente na boca de meio mundo,como se não pudesse ser substituída por um simples “porque” ,“por causa”,”devido a”,etc.

 

Os erros,depois que os jornais demitiram os seus revisores, se amontoam nos textos de quem divulga notícias de contratações de jogadores,seja nos jornais seja nas rádios. É comum ler-se ou se escutar esta frase: O Grêmio contratou, junto ao Dnipro, o ex-colorado Giuliano. Errado:o Grêmio adquiriu,comprou ou tomou emprestado ao Dnipro o ex-colorado Giuliano. Está errado também informar que,por exemplo,João Paulo deu entrada a um processo “junto a …”. O processo não chegará ao destinatário,mas ficará aguardando que seja encaminhado ao juiz.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no blog do Mílton Jung (o filho dele)

SP: moradores com carro são conservadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A pesquisa Datafolha sobre o uso dos carros, publicada segunda-feira, mostra posição radical contra mudanças por parte dos proprietários de veículos. O pedágio urbano, uma das soluções apontadas por especialistas é a alternativa mais rechaçada. 80% são contra, embora apenas 5% tenham certeza que não haverá melhoria. Como se sabe é uma opção adotada por várias cidades com resultados satisfatórios. Ressalvando, contudo, que em condições de transporte público mais favorável que a nossa.

 

A extensão do atual sistema de rodízio para dois dias tem 65% dos usuários de carro contrários. E 56% da população em geral, com renda acima de 10 salários mínimos. Enquanto apenas 40% dos de baixa renda a desaprovam. Quanto maior o poder aquisitivo mais acentuada a reação. O rodízio estendido em um dia da semana é reprovado por 57% dos usuários de carros. É aprovado por 49% da população em geral.

 

Essas avaliações indicam conservadorismo dos paulistanos usuários de carro. Comportamento que deixa São Paulo atrás de grandes cidades da América. A Cidade do México, Santiago e Bogotá já possuem sistemas mais restritivos que os de São Paulo. Todas com dois dias de rodízio estendido. E, pelo que consta, não houve nenhuma revolta da população.

 

Ao que tudo indica aquela máxima de que o cidadão brasileiro se transfigura ao volante em personalidade e comportamento está se estendendo até aos momentos imaginários ou opinativos. É difícil entender esta posição, conservadora e imatura, tendo em vista que São Paulo já parou por várias vezes. Se o poder público, foi o responsável pelo desequilíbrio viário de hoje, todos temos a responsabilidade. O voto e o modus vivendi trouxeram as consequências de agora. É hora de encarar e não de refugar. Ou, parar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.