Mais da metade dos votos nulos não cancela a eleição

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Diante dos sucessivos escárnios ocorridos na república, o sentimento de indignação dos eleitores vem adquirindo contornos extremos e até peculiares. Por conta disso, a ideia de uma “nova eleição” ante um hipotético predomínio dos votos nulos sobre os válidos como forma de protesto dos eleitores tem sido noticiada. Os adeptos desta duvidosa solução para as anomalias e mazelas do país sustentam que se mais da metade dos votos do dia do pleito forem anulados pelos eleitores, haverá uma “nova eleição” e que os candidatos que participaram da primeira não poderão concorrer na seguinte. Negativo.

 

O ordenamento jurídico brasileiro define objetivamente que será considerado eleito o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos, desconsiderados brancos e nulos. Ou seja: vencerá o pleito majoritário quem obtiver metade mais um dos votos válidos, do país ou do estado. Mesmo que a eleição tenha reduzidos percentuais de participação, sempre haverá a formação de uma maioria e algum candidato será eleito, salvo se o comparecimento do eleitorado às urnas for zero, o que não se cogita nem como grotesca ilustração.

 

A “tese” da anulação de uma eleição para que outra lhe suceda, com ou sem os candidatos da primeira, corresponde a uma pregação inútil porque juridicamente impossível. O sistema, ainda que imperfeito e por isso sujeito a ajustes periódicos pelo Poder Legislativo, não estabeleceu regras frágeis ou vacilantes a ponto de vulnerar a democracia que o sustenta.

 

De outra parte, esclareça-se que o Código Eleitoral determina que uma “nova eleição” somente ocorre se aquele que venceu o pleito por mais de 50% dos votos tiver o seu registro ou diploma cassado por decisão da Justiça Eleitoral diante de abuso, corrupção ou inelegibilidade.

 

Disseminar fórmulas juridicamente inconsistentes é um desperdício de tempo e opções, especialmente diante de mandatos que se estendem por no mínimo quatro anos. A manifestação apolítica do eleitor anulando o seu voto corresponde a uma forma livre e legítima de expressar a sua rejeição por candidaturas, pela política ou até mesmo pelo voto obrigatório vigente no país. Entretanto, votos nulos não tem serventia democrática porque não foram direcionados a nenhum candidato. Vale dizer: não são contabilizados.

 

Enfim: nas democracias contemporâneas e organizadas, ainda que alguns divirjam, sempre existem eleitores e eleitos.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: os embalos de sábado à noite

 

Vitória 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Salvador

 

16758845_l

 

Convenhamos, nove da noite de um sábado, não é hora de jogar bola. Se disser lá em casa que vou bater uma bolinha com os colegas no sábado à noite, na melhor das hipóteses me mandam dormir no sofá. Na agenda oficial das boas relações familiares, é obrigatório compromisso com a mulher e os filhos (apesar de que estes a medida que crescem, dão graças a Deus que você não os convida para o que se chama – ao menos no meu tempo, chamava-se – programa de índio). Todos sentados em torno de uma boa pizza, talvez um cineminha, quem sabe à visita na casa de amigos para os quais você nunca tem tempo ou, outra opção, abrir a sua casa para esses mesmos amigos. Qualquer um desses programas atende às expectativas da turma. Agora, jogar futebol? No sábado à noite? Só para os caras-de-pau, descasados ou desiludidos da vida.

 

Todo esse introdutório para ver se consigo explicar o fato de tanta gente reunida no nosso time, sábado à noite, em Salvador, não conseguir jogar o futebol que há tanto tempo esperamos. Havia uns garotos na lateral, no meio de campo e depois no ataque que pareciam estar com a cabeça na balada da qual tiveram de abrir mão para jogar bola. Uns mais velhos até se esforçaram no início, talvez imaginado que resolvendo a fatura de cara o jogo se encerraria mais cedo e eles poderiam voltar para casa para abraçar as esposas. Ninguém parecia muito convencido de que a coisa mais importante que tinham a fazer naquele momento era disputar uma partida de futebol. Até o juiz, diante da quantidade de erros que cometeu, parecia compartilhar do mesmo sentimento.

 

De minha parte, foi difícil ter de convencer a família a ficar em casa no sábado e jantar um pouco mais cedo para que eu estivesse de prontidão, diante da televisão, às nove da noite, e depois assistir a mais um resultado frustrante do Grêmio. Cheguei a imaginar que a mudança de técnico geraria aquela animação extra que faz os jogadores se desdobrarem em campo, à medida que se sentem ameaçados de perder a vaga, tentando provar ao novo comandante que os maus resultados não tinham nada a ver com ele. O gol marcado no primeiro tempo mais uma vez iludiu nossa esperança que foi sendo dilapidada a cada ataque que desperdiçávamos. As bolas que chutávamos para fora pareciam avisar que seria alto o preço a ser cobrado mais adiante. Não precisamos esperar muita bola rolando no segundo tempo para essa realidade se concretizar, infelizmente.

 

Como sou um torcedor eternamente otimista, não será o mau resultado na noite de sábado que me impedirá de acreditar na recuperação, a começar pelo fato de que entre mortos e feridos, nesta rodada, sobraram todos. Nossos principais adversários estão a algumas vitórias seguidas de distância e uma boa sequência a partir de agora já nos coloca de volta na disputa do título. Claro que para tanto precisaremos do olhar clínico e das palavras mobilizadoras de Luis Felipe Scolari que começa, nesta semana, a trabalhar com o time. Terá de encaixar as peças nos lugares certos, reestruturar estrategicamente o time e dar uma boa dose de confiança a cada um desses jogadores. Fazer destes que aí estão um time de vencedores. A tarefa não será nada fácil, nem tanto pelas características técnicas, pois temos jogadores qualificados, mas, porque, além da insegurança, o primeiro desafio pode ser definitivo. Que Felipão traga de volta, já na próxima tarde de domingo, a alegria dos embalos de sábado à noite.

Conte Sua História de SP: eu, meu irmão e minhas amigas na cidade

 

Por Eloisa Pasquini
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Nasci em São Paulo, em 1953, quando meus pais moravam à Rua Borges Lagoa no bairro de Vila Clementino. Naquela época, a cidade era bem diferente. Meu irmão e eu brincávamos na rua sem nenhum perigo. Havia pouquíssimo movimento de carros e nenhum problema de segurança. Pulávamos corda e amarelinha, jogávamos bola, e a vida era muito boa. Nos dias chuvosos, quando não podíamos sair de casa, meu irmão e eu ficávamos sentados de frente para a janela da sala e a brincadeira era contar os carros que passavam na rua…com certeza havia muito poucos carros nessa época. Lembro-me dos grandes táxis pretos. Todos carros importados, pois a única fábrica nacional era a da Volkswagen.

 

Quando tinha oito anos e meu irmão dez, mudamos para a Rua Manoel da Nóbrega a 400 metros da Avenida Paulista, e paralela a Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Nessa época, a Paulista tinha casas residenciais enormes e muito bonitas com lindos jardins. Me lembro de passear na Paulista com meus pais. Era um passeio bonito onde admirávamos as casas, as árvores, as belezas da avenida. Nessa época a região ainda era considerada bairro residencial e o centro da cidade é o que hoje chamamos de centro velho. Na Paulista e na Brigadeiro passava bonde. Lembro-me muito bem como era bom andar de bonde. A região era tão calma que ainda podíamos brincar na rua sem nenhum problema. Meu irmão tinha uma turminha de amigos e eles desciam o ladeirão da Manoel da Nóbrega de carrinho de rolemã. Lá embaixo eles viravam na rua Tutóia, paravam, subiam à pé e desciam tudo de novo. E era pura diversão.

 

Eu também tinha minhas amiguinhas, mas como sempre fui muito moleca, um dia, pedi para andar de rolemã. Não me emprestaram de muito bom grado, mas lá fui eu. Como não tinha experiência, desci a ladeira à toda e quando cheguei na Tutóia não consegui virar, continuei em frente e só parei em frente ao quartel que tinha lá embaixo, bem longe, onde a rua já era de duas pistas. Claro que quando voltei ouvi de tudo … mas não me intimidei e continuei me divertindo. Meus pais só ficaram sabendo que eu andava de carrinho de rolemã quando eu já era adulta.

 

Acompanhei toda a mudança da Av. Paulista. Casas lindas sendo demolidas e prédios enormes construidos. Um vai e vem de caminhões entrando e saindo dos terrenos e de repente um lindo prédio surgia. Me lembro também quando a corrida de São Silvestre era à noite! Sempre na Paulista. Algumas vezes a assistimos ali mesmo, era uma enorme emoção.

 

Apesar de ser uma região residencial já havia alguns cinemas e outros foram surgindo com o tempo. Os cinemas eram na rua e não em shoppings como hoje. Nossa turminha de adolescentes se reunia e seguia a pé para os cinemas. Na volta, mesmo que fosse escuro, não havia perigo e andávamos sem medo de assaltos. Que tempo bom era esse!?

 

Me lembro também do primeiro shopping inaugurado em São Paulo. O Iguatemi na Av. Faria Lima. Se não me engano em 1966. Era uma grande novidade. Nessa época o chique era fazer compras na Rua Augusta.

 

Morei em São Paulo até 2003, quando mudei para Atibaia onde estou até hoje. Na época não foi fácil me acostumar numa cidade pequena, mas hoje gosto muito daqui. À vezes quando estou ouvindo a CBN e ouço a respeito dos congestionamentos de trânsito fico ainda feliz. Aliás, gosto de ouvir vocês e ficar por dentro de tudo que acontece nessa querida cidade onde passei 50 anos da minha vida.

 


Eloisa Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN. Mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou melhor ainda: agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa: contesuahistoria@cbn.com.br. Você vai lá, grava seu depoimento e ainda recebe um DVD com suas memórias.

Mundo Corporativo: Marco A. Gioso ensina como cuidar de lojas de animais de estimação e veterinária

 

 

“Quando o veterinário está atendendo, quem é o mais importante no consultório: o animal, o dono do animal ou ele próprio?” A resposta para essa pergunta define na maior parte das vezes o resultado do trabalho realizado pelo profissional que atua no setor de clínica veterinária, petshop e loja para animais de estimação, de acordo com o médico e gestor Marco Antonio Gioso. Ele foi entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, e falou dos cuidados que devem ser adotados para gerenciar finanças, equipes e marketing neste setor que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, no Brasil. Gioso lembra que é muito comum no país, os serviços de veterinário, tosa e banho, e venda de prdutos serem oferecidos no mesmo local, o que exige estratégia ainda mais apurada para que um não prejudique financeiramente o outro. Autor do livro “Gestão da Clínica Veterinária”, Marco Antonio Gioso recomenda que os empreendedores interessados em abrir um negócio fazem planejamento e busquem conhecimento para desenvolver ferramentas de gestão, pois muitos agem de forma instintiva, não conseguem adminsitrar as contas pessoais e da empresa separadamente, acabam tendo prejuízos e fechando o negócio.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido, ao vivo, pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br). Os ouvintes-internautas participam com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Cortar benefícios no cartão é cortar relacionamento com cliente

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

cartao-1

 

O Banco Bradesco Prime enviou a seus clientes correspondência impressa informando mudanças no programa de fidelidade dos cartões de crédito, especificamente para os cartões Mastercard Black e Visa Infinite, destinados ao público de alta renda. As mudanças foram para beneficiar o cliente? Ganha um ponto quem acertar a resposta: não, claro que não. Cortaram benefícios e um dos principais: a pontuação conforme o uso do produto.

 

No início da emissão desses cartões pelo banco, há alguns anos, os clientes recebiam 2,2 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) gasto no cartão. Em 2013, já havia tido uma mudança para pior: o banco passou a exigir um valor mínimo de R$ 4 mil a serem gastos na fatura mensal para manter os 2,2 pontos para o Visa Infinite, e dois pontos para o Mastercard Black. Para clientes com fatura mensal abaixo desse valor, o benefício diminuía: dois pontos para Visa Infinite e 1,8 para o Mastercard Black.

 

Agora, o banco efetuou mudança ainda pior. A partir de primeiro de setembro próximo, clientes Visa Infinite e Mastercard Black terão apenas 1,8 pontos para cada um dólar americano (ou o equivalente em reais) se tiverem gastos mensais de até R$ 9 mil, e somente com gastos acima desse valor terão 2 pontos, e não mais 2,2. Além disso, transações como saques (no Brasil e no exterior), encargos e juros lançados nos cartões deixarão de ser pontuados. Clientes novos já não mais terão os benefícios automaticamente, e deverão realizar cadastro no site do banco.

 

Diminuir qualidade e benefícios de produtos e serviços é lamentável. No mercado premium e luxo, ainda mais. Trata-se de segmento no qual clientes são cada vez mais exigentes e sensíveis a um atendimento que pede, no mínimo, a excelência. São cartões com anuidade por volta de R$ 800 e público-alvo que, além do cartão, normalmente tem aplicações e outros produtos do banco. Ou seja, há relacionamento.
A atitude certamente fará clientes reverem sua relação com o banco, principalmente se compararem com empresas concorrentes. Itaú Personnalité, Banco do Brasil e Santander são apenas alguns exemplos onde os clientes Visa Infinite e Mastercard Black recebem dois pontos pelo uso do cartão, não havendo a antipática exigência de gastos mínimos. Já no programa do banco HSBC Premier, associados Mastercard Black recebem três pontos para cada dólar gasto no exterior e dois pontos, no Brasil.

 

Clientes que se sentirem prejudicados ou, até mesmo, desapontados, devem tomar a decisão que lhe for mais conveniente e confortável: reclamação formal na Ouvidoria do banco, registrar o descontentamento para seu gerente de relacionamento ou, em situação mais extrema, trocar a instituição por um concorrente. Cortar benefícios, me parece, é um golpe na relação cliente e empresa, especialmente porque o mundo contemporâneo exige que as empresas cada vez mais atendam, entendam e encantem.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Procura-se o Felipão dos velhos tempos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Obriguei-me,durante a Copa do Mundo,a tratar de futebol. Antes do Mundial esse era um assunto que somente abordava ao comentar o que o Mílton escrevia neste blog após cada jogo do Grêmio. Vou,nesta quinta-feira,retornar ao tema,eis que o nosso time – o dele e o meu – saíram do lugar comum ao trazer de volta um dos mais discutidos técnicos de futebol não apenas do Brasil,mas do mundo,em razão do elástico 7 x 1 aplicado,sem dó nem piedade pelos alemães,na nossa Seleção. Duvido que, até hoje,nem mesmo os maiores “experts” em futebol se atrevam a dizer,sem medo de errar, qual foi a verdadeira razão do tremendo apagão sofrido,em uma Copa do Mundo,por um selecionado que,além de ter sido pentacampeão do mundo em 2002,,derrotando na final a Alemanha que,de certa forma,12 anos depois,se vingou ao enfrentar o técnico responsável por nossa vitória:Luiz Felipe Scolari.

 

É esse,exatamente,o treinador escolhido pelo Grêmio para substituir Enderson Moreira,aposta fracassada da direção tricolor. Zero Hora postou,na capa de sua edição de 29 de julho,essa manchete: “Em busca do técnico perfeito”. Não creio que exista tal tipo de profissional. Muito são bons…enquanto não esbarram em uma série de maus resultados. O que levou Fábio Koff a trazer de volta Felipão? Em primeiro lugar,o presidente gremista mostrou que o passado dele – Scolari – no Olímpico,está acima de qualquer suspeita. Sua passagem pelo velho estádio foi uma das mais exitosas que os gremistas da minha idade têm na lembrança,sem falar,é claro,na de Ênio Andrade,que deu ao Grêmio o primeiro título nacional em um jogo inesquecível contra o São Paulo,no Morumbi. Lembro-me,como se fosse hoje,como Ênio,conversando comigo às vésperas da partida final,explicou-me como pretendia que o Grêmio jogasse. E deu no que deu. Desculpem-me,caros e raros leitores,por ter colocado Ênio Vargas de Andrade em meu texto. Com estilo bem diferente de Luiz Felipe – jamais ouviu-se um palavrão brotar da boca do meu amigo Ênio – enquanto,no dia da derrota acachapante da Seleção Brasileira,proferiu-os sem papas na língua. Seja lá como for,eu gostaria de ver de retorno ao Grêmio um Felipão igualzinho ao dos velhos tempos,em que garimpou,no Olímpico,uma carreira cheia de vitórias. Koff,ao trazê-lo de volta,deve ter baseado a sua escolha no Felipão que ainda não era famoso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: a volta de um Imortal

 

16747450

 

Luis Felipe Scolari estava feliz. O presidente Fábio Koff, também. Sentimento que foi compartilhado com os cerca de 10 mil torcedores que estiveram na Arena Grêmio para recepcionar o novo velho treinador. Há milhões de gremistas que, como eu, comemoraram do seu jeito a volta de Felipão 18 anos depois de ter nos oferecido algumas das maiores alegrias que o futebol poderia nos dar: ser campeão. E foi este o grito que surgiu das arquibancadas assim que ele apareceu no gramado, nesta tarde de quarta-feira, para abafar as vozes que teimavam – e tinham seus motivos, é lógico – em lembrar as derrotas recentes pela seleção brasileira. Dentre esses últimos havia muitos gremistas, sem dúvida, reticentes com a contratação, descrentes na recuperação do técnico ou temendo assistir ao ocaso do ídolo.

 

Logo que soube do convite feito a Felipão lembrei-me de uma camisa antiga que tinha do Grêmio, surrada pelo tempo, com o tricolor desbotado pelas inúmeras vezes que passou na máquina de lavar. Salvei-a duas ou três vezes do saco de roupas velhas que seriam dispensadas pela minha mulher até que foi definitivamente levada embora por ladrões que entraram na minha casa. De todas as camisas, medalhas e outros quetais do Grêmio roubados, há dois anos, é dela que mais senti falta. Seu valor não estava na qualidade do tecido, no quanto estava preservada ou não, mas nas lembranças impregnadas em sua malha. Nos momentos de alegria e sofrimento que havíamos passado juntos. Felipão é um pouco aquele camisa, desgastado pela vida, marcado pelas críticas, com brilho precisando de um lustre, mas sempre capaz de reavivar nossa memória pelas graças alcançadas.

 

O desempenho do time e os resultados em campo precisarão aparecer logo para que a confiança contamine o estádio por completo, e Felipão sabe disso mais do que ninguém. A estreia dele será no Gre-Nal, na casa do adversário, e temos consciência que com menos de dez dias de comando é impossível ter o time planejado dentro de seus conceitos. Mas uma vitória nessas circunstâncias, seria o sinal que está faltando para os incrédulos perceberem que a mística dele é tão maior e mais importante do que seu trabalho. É crendo nesta mística construída a partir de trabalho muito duro que estou apostando no sucesso do Grêmio e de Felipão (o que talvez não signifique muito, pois eu sempre aposto no Grêmio). Chego a ter alucinações de que o destino começa a escrever mais uma incrível história no futebol, oferecendo a oportunidade para que o técnico que já venceu quase tudo em sua carreira, mas foi duramente golpeado em sua reputação pela performance da seleção na Copa 2014, renasça levando o Grêmio à Libertadores – quem sabe até pela conquista da Copa do Brasil -, ao título sul-americano e ao Mundial Interclubes. Em meu sonho, sem nenhuma lógica, Scolari comandaria o Grêmio em uma final contra o alemão Bayern de Munique e, nos penaltis, após disputado empate em 0 a 0, ratificaria ao Mundo sua capacidade e força. Felipão se transformaria em lenda.

 

Os que desde o anúncio da contratação do técnico me criticam pela satisfação com que o recebo têm minha compreensão. É difícil mesmo de explicar esta sensação que nos move, esta confiança quase sem sentido que nos faz acreditar na força de uma história, em resultados considerados impossíveis e vitórias inimagináveis. Apenas lamento que não sejam capazes de saborearem o prazer de serem um Imortal.

Manifestações, invasões e depredações legais?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

foto

 

Ontem em SP foram realizadas desocupações na Líbero Badaró e na Consolação. Antes de ontem, foi a vez do Portal do Morumbi. Em todas, os invasores reclamaram da falta de aviso para a ação judicial que foi executada.

 

No Rio, na semana passada foram libertados os manifestantes e depredadores nos movimentos contra a COPA. E, Sininho e Camila, líderes do movimento denunciaram respectivamente, através da imprensa, as autoridades de elaborar um processo de acusação com “abobrinhas e histórias surrealistas”, e de plantar “provas”.

 

Situações estas, que se não fossem prejudiciais à civilidade, estariam contribuindo à comicidade. MTST de Boulos e LPM de Lima invadem propriedade alheia sem pedir licença e querem ser avisados em dia e hora para sair. Sininho e Camila querem destruir o sistema vigente, anarquistas por convicção, mas exigem o sistema para que sejam respeitadas.

 

O MTST colocou barracas sem ninguém dentro. Apenas para fazer número. Os que estavam agindo foram protestar contra a TIM. Só depois perceberam que sinalizavam a propriedade e uso de celulares e se recolheram.

 

A LPM teve o seu líder, Ricardo Luciano Lima salvo de linchamento pela PM de seus próprios correligionários, que o acusaram de estelionato, segundo matéria da CBN. A FIP Frente Independente Popular e a OATL Organização Anarquia Terra e Liberdade, são lideradas por Sininho e Camila. Ambas negam a liderança. A cineasta Elisa Quadros, incitou a por fogo na Câmara Municipal. “Entretanto a sua mãe, a psicóloga Rosoleta de Quadros, disse: “Criaram um personagem, a Sininho, para demonizar os movimentos”“.

 

Camila é a Dra. Camila Jourdan, Coordenadora do Pós Graduação da UERJ de Filosofia, e propõe a anarquia. Inclusive ao movimento que pertence. Ao mesmo tempo se intitula porta voz do povo injustiçado pelo sistema atual.

 

Diante de tanta perplexidade, simplicidade seria o melhor caminho. Uma pergunta: Quem financia esta gente toda? Uma ação: Requisitar e analisar todas as imagens disponíveis.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Recomeçando o velho e bom blog

 

Blogs

 

O caro e raro leitor deste Blog já percebeu que a cara está nova. Não a da foto logo acima, retocada com algum editor de imagens qualquer, mas a dos textos, comentaristas e favoritos. Na língua do internetês: o template mudou. Com a graça da turma que entende do riscado na CBN, tudo ficou mais claro, mais agradável de ver e ler. Por mais que o conteúdo seja fundamental, o desenho não deve jamais ser desprezível. Por origem, a palavra design significa “dar sentido as coisas”, lembra Roberto Verganti, da Politécnica de Milão. Sendo assim, interfere na nossa relação com as coisas e as transformam em revolucionárias quando alcança a excelência. Não, não quero chegar até lá, meus limites intelectuais e criativos somados a minha autocrítica me livram desta pretensão. Tenho expectativas bem mais amenas, que não me impedem porém de, inspirado pelo novo desenho do Blog, ser mais preciso, presente e claro no diálogo travado com você neste espaço. Com certeza, a mudança me dá nova motivação.

 

Curiosamente, as mudanças ocorrem em uma época na qual para muitos esta coisa de blog já era. Cora Rónai, de O Globo, colunista a quem devemos sempre prestar atenção, escreveu há alguns meses sobre a incorporação dos antigos blogs pessoais pelo Facebook, e a transformação do que costumávamos chamar de blogosfera em rede social. Assim como eu, Cora gosta de tecnologia e gatos, com a diferença de que demonstra conhecimento técnico profundo sempre que escreve sobre ambos. Ela tem a razão, enquanto eu só tenho a emoção para escrever. Portanto, não vou tentar provar a ninguém verdade diferente daquela que os entendidos estão pregando. Mesmo porque essa ideia de que os blogs estão fora do tempo já é velha, também. A primeira vez que ouvi a tese foi durante a primeira edição da Campus Party Brasil, em 2008, quando um repórter de televisão – desses com jeito descolado – perguntava para seu entrevistado – ainda mais descolado (e careca) – sobre a morte da blogosfera. Confesso que tomei um susto, pois este Blog que você lê agora (ou você está me lendo no Facebook?) havia nascido não fazia um ano. Tivesse acreditado, teria desperdiçado 7.532 posts e cerca de 35 mil comentários feitos desde 4 de junho de 2007 quando o Blog entrou no ar.

 

A influência das redes sociais, em especial o Facebook, não pode ser desdenhada. É por isso que em meu perfil pessoal ou na fan page que mantenho, publico, se não o post completo, ao menos a chamada para todos os posts escritos no Blog. O Twitter, de quem sou fã desde pequenino, também é canal de divulgação do que faço por aqui. Assim acontece com o Instagram e o Linkedin, em situações específicas. Conectar todas as ferramentas digitais é essencial para que nossas ideias alcancem o maior número de pessoas. Estendemos nossos braços, também, aos seguidores dos comentaristas que me dão o privilégio de publicar seus textos semanalmente, como o Carlos Magno Gibrail, o Ricardo Marins e meu pai, Milton Ferretti Jung, além daqueles que passam por aqui pontualmente, como o Antonio Augusto, a Dora, o Julio Tannus, a Maria Lucia e a Rosana. E todos os demais que aceitarem compartilhar seu conhecimento com os leitores desse espaço. É nesta miscelânea de canais que estaremos sempre dividindo nossas percepções sobre o cotidiano, a cidadania, a política, a economia, o esporte (o meu Grêmio, é lógico); enfim, sobre sobre nossas vidas. Digam o que disserem, independentemente do que criarem, estaremos sempre buscando novas formas de nos expressar, sem jamais abandonar este Blog.

Volta às aulas

 

Nos próximos dias, milhares de crianças se despedem das férias, conferem os cadernos, arrumam a mochila e seguem de volta à escola. As aulas recomeçam e a rotina dos estudos, também. Alguns tiveram tarefas durante a folga do meio de ano, porque os professores aprenderam que incentivá-los a fazer exercícios no recesso aquece a memória e ajuda a guardar alguns conceitos (em troca, os alunos são recompensados com pontos extras na avaliação). Reencontrar os amigos de sala já não provoca mais a mesma sensação do meu tempo, porque em tempos de rede social nada mais é novidade, tudo se conta, se posta e se “selfie”. Por mais que cada um vá para o seu lado, o Facebook nos deixa lado a lado, compartilhando visitas, encontros e baladas. Com tudo registrado em tempo real, imagino que ninguém mais se atreva a pedir para os alunos escreverem a velha composição com o título “Minhas férias”. Tá tudo no Face, professora!. Aliás, ninguém mais chama aquilo de composição, agora é redação.

 

Estou de volta, também, após 15 dias de férias nos quais tentei me manter o mais distante possível das obrigações. Em meu Twitter e Facebook apenas compartilhei o que era publicado no Blog; no e-mail da rádio, deixei acumular broncas, pedidos, convites e anúncios; no pessoal, respondi o que pedia urgência e guardei o que me daria trabalho. Mesmo assim é impossível desligar por completo, especialmente morando na cidade, onde cruzamos por pessoas, ouvimos comentários, o rádio insiste em contar notícias e o jornaleiro arremessa as manchetes na porta de casa todas as manhãs. Apesar de obrigado por força da profissão, gostaria de não ter sabido de aviões que caíram e foram derrubados, e dos números gigantescos de mortes provocadas por líderes-anãos que comandam seus países e quadrilhas.Lamentei que Ubaldo e Suassuna tenham ido embora. Fiquei triste com a morte de Rubem Alves que tantas vezes salvou-me de entrevistas medíocres com suas respostas inteligentes. A quem vou procurar na próxima pauta? Ao menos não precisei noticiar a falta de propostas para o Brasil no início da campanha eleitoral.

 

As férias terminaram. Passaram muito mais rápido do que planejei. Não tive tempo para fazer quase nada do que programei. Havia me proposto a ficar em casa para organizar a vida: arquivos, livros , discos e documentos. Vão continuar esperando para voltar ao lugar certo. A volta dos treinos de golfe vão ter de esperar, também. Até a bicicleta ficou pendurada na parede, andou menos do que quando estou na ativa. Fiquei devendo todas as visitas aos amigos e parentes. Li, não tudo que imaginava, mas li porque sempre estou lendo; ouvi mais música do que o normal e me diverti com os seriados e filmes à disposição no Netflix. Foram maratonas regadas a vinho. O que aproveitei muito mesmo foi a companhia da família porque era este meu único compromisso nestes dias todos. É para isso que se tira férias. Conversamos, nos divertimos, encontramos soluções para o problema dos outros e deixamos os nossos para lá, lembramos de histórias passadas e programamos outras tantas.

 

Agora, chegou a hora de conferir as tarefas, arrumar a mochila e voltar à ativa. Seja bem-vindo, trabalho!