Gentileza e educação são essenciais no luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O mercado do luxo ainda representa para as pessoas a perfeição. Ou, talvez, a expectativa de que esta existe. Se pensarmos racionalmente, isso faz total sentido, e a perfeição é realmente um dos ítens que definem um produto como de luxo, além, é claro, da alta qualidade, prestígio e história da marca e de seu criador. Sem esquecer jamais dos aspectos intangíveis. O que é intangível é uma das principais chaves do sucesso (ou não) de marcas de luxo.

 

Apesar de parecer um “mundo perfeito” muitas marcas prestigiosas ainda pecam no atendimento. Treinamento de produtos, treinamento comportamental, desenvolvimento de pessoas. Tudo isso é essencial, claro, mas a educação e a gentileza vêm se tornando itens raros nas pessoas em diversos segmentos, independentemente de ser em negócios do luxo.

 

Além de informação sobre o produto, conhecer a história e valores da marca e até a forma de abordar o cliente, dar-lhe atenção, tratá-lo como único pode representar o encantamento do cliente pela marca. A falta dessa atenção tende a ser negativa. Decididamente negativa.

 

Vivenciei, recentemente, situação que considero exemplar do despreparo de profissionais que atuam no mercado de luxo. Em dezembro do ano passado, a apenas alguns dias do Natal, estava em uma loja de varejo de luxo em renomado shopping de São Paulo. Por ser período de grande movimento, a loja estava com todos os vendedores ocupados. Observando o comportamento deles, notei uma funcionária do caixa jogando Candy Crush no celular. Pedi a ela apenas uma informação. Ela me respondeu sem tirar seus olhos da telinha. Eu agradeci e ela não esboçou qualquer reação. Exemplo de falta de educação, falta de orientação e de treinamento comportamental.

 

A cada dia vemos mais pessoas instruídas, ou seja, que seriam educadas a princípio, mas com atitudes grosseiras ou desatenciosas. A gentileza, educação e o atendimento individualizado contribuem para o fluxo de clientes. O relacionamento com o cliente pode ser uma grande aposta para atrai-los e fidelizá-los. Gentileza e educação são aspectos intrínsecos que profissionais de atendimento devem possuir, seja para atuar com luxo ou não. Afinal, quem não gosta de ser bem atendido, entendido e encantado?

 

E os profisisonais da sua marca, são educados e estão preparados para lidar com os seus clientes?

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Mais uma viagem de bonde pelo passado

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No texto que digitei para este blog,na última quinta-feira,dia 1º de maio,os bondes de Porto Alegre foram o meu tema. Cheguei a imaginar que tivesse esgotado o assunto. Ao buscar algo para preencher o espaço de hoje,porém,dei-me conta de que estava enganado. Esses veículos, que saíram de moda há muito tempo, foram protagonistas de variados e saudosos episódios que começaram na minha adolescência e se estenderam até eu ter atingido a idade adulta.

 

No texto anterior sobre os bondes,quase chegando à conclusão,assinalei que os meus filhos,por iniciativa da Ruth,a falecida mãe deles,levou-os a passear no último que rodou nos trilhos do Menino Deus. Se não estou enganado, Jacqueline, Mílton e Christian,especialmente este – o caçula – talvez somente tiveram aquela última chance de viajar em um desses veículos. A data da despedida foi 8 de março de 1970. Os três,naquele tempo,iam para os respectivos colégios de Kombi.

 

Viajei vários anos de bonde no tempo em que estudei no Colégio Anchieta,então situado na Avenida Duque de Caxias. Quando passei para o Colégio Nossa Senhora do Rosário,ía de carro com o meu pai. Em 1954,com 18 anos,ainda estudante,fiz um teste na Rádio Canoas. Eram muitos os candidatos,mas só três foram aprovados pelos inesquecíveis examinadores,o Léo Ramos e o Hélio Assis. A emissora montou o seu primeiro estúdio em uma casa de madeira,que ficava na frente da torre de transmissão. A Canoas,depois,mudou-se para a Rua Moura Azevedo e,a seguir,estabeleceu-se na Avenida Eduardo,hoje Franklin Roosvelt. Aí,os bondes já não circulavam mais.

 

Bem antes disso,entretanto,comecei a namorar Ruth. O namoro começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Eu era um dos locutores na Voz Alegre da Colina,serviço de alto-falantes graças ao qual animávamos as festas de uma igreja que começava a ser construída. Se é que alguém está lendo este texto,informo que,no meu namoro,os bondes voltaram a aparecer. Os pais da Ruth deixaram as proximidades da casa onde eu morava,mudando-se para a Rua do Parque. Era,então,o bonde São João que me levava,ida e volta,à casa da minha futura mulher. A linha era servida pelos “gaiolas”,bondes de tamanho menor do que os demais. Como eles se sacudiam muito,não era raro que descarrilassem. Uns e outros percorriam a Rua do Parque em toda a sua extensão e iam até o fim da linha.Eu viajava neles para ir da casa dos meus pais,onde morei até pouco antes de casar,até a da Ruth.

 

Eu usava esses bondes também para ir trabalhar na Rádio Canoas. Em 1958,fiz dois testes na Rádio Guaíba. Passei em ambos,mas não gostei do salário que Mendes Ribeiro,diretor de broadcasting,me ofereceu quando passei no primeiro. Pouco tempo depois,voltei à Guaíba. Aden Rossi,chefe dos locutores dessa emissora,testou-me novamente. Passei no exame e continuei a usar os bondes da linha São João para ir da 16 de Julho,onde vivi boa parte da minha existência,até a casa da Rua do Parque. Ruth e eu casamos em 1961 e,ainda sem ser proprietário de automóvel,ia e voltava num Floresta até o meu sonhado emprego em uma rádio de porte. O último bonde que usei foi o Menino Deus. Os ônibus,se comparados com os bondes,serviram-me muito pouco. Por isso,vou continuar tendo saudade dos bondes e lamentando que tenham ficado apenas na lembrança neste país em que a mobilidade urbana é cada dia mais precária.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Preço baixo na moda é custeado pelo mais fraco

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Por Carlos Magno Gibrail
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A entrada da FOREVER 21 no Brasil suscita mais uma vez a questão dos preços baixos. Esse fato aparentemente alvissareiro encontra um mercado brasileiro de moda mais crítico. O sucesso na abertura das duas primeiras lojas Forever, com filas de consumidores ávidos por seus produtos não tem iludido observadores atentos. E já apontam ganhos e perdas.
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A moda, um setor que até a pouco tempo não era levado a sério, tanto pelo jornalismo que via apenas o lado fashion, quanto pelo mundo econômico que o ignorava, evoluiu. Por isso, ficou claro que não há milagre nem novidade na operação do sul-coreano Chang.
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Um pouco de fama, um salário de fome, uma ágil espionagem, uma concessão especial dos shoppings, outro tanto de dumping e um tantão de pouca qualidade na matéria prima e na mão de obra, resultam nos atrativos preços apresentados. Esta é a realidade, lida com a expertise do ramo da moda brasileiro. Entendendo que Chang, idealizador e executor deste jovem império, quando diz que não gasta com marketing nem com classe executiva nas viagens aos seus diretores, está falando a verdade, mas justificando falsamente a causa do baixo preço.
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Prova é que ,segundo o jornalista Álvaro Leme, em matéria da VEJA, o Ministério do Trabalho americano tem acusações a Chang por pagar aquém do salário mínimo e submeter os funcionários a precárias condições de trabalho. Registra também que há mais de 50 ações de pirataria contra a Forever 21 por copiar modelos de outras marcas que estão sendo vendidos em suas lojas.
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A sagacidade que emana da operação de Chang deve ter prevenido-o das ameaças e oportunidades de nosso mercado. Alta tributação e consumidores intensos exigirão a agilidade e esperteza que tem caracterizado a Forever 21. Welcome!
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Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Um pouco do que penso sobre ser jornalista

 

Recentemente concedi entrevista para o site NUBE que faz seleção e recrutamento de estagiários na qual falei sobre exercer o jornalismo. Reproduzo aqui o resultado da conversa com a repórter Cláudia Giannoni. O texto que segue é da apresentação da entrevista feita pelo próprio site:

 

 

Jornalista há 30 anos e uma das vozes mais conhecidas pelo brasileiro. Logo cedo, acorda os paulistanos com as mais diversas notícias e informações e faz de sua rotina uma pauta diária. No “Especial Carreira” desta semana você conhecerá um pouco mais sobre Milton Jung, âncora da Rádio CBN.

 

Formado em jornalismo pela PUC, ele conta ter pensado durante uma época de sua vida em fazer educação física. “Porém, toda minha família é da imprensa, tio, pai, esposa. Então, não tive como fugir muito do ramo”, comenta.

 

Em sua carreira, já passou pelos mais renomados veículos de comunicação e adquiriu uma experiência imbatível na arte de noticiar. Portanto, se você quer conhecer um pouco mais sobre o mundo onde os acontecimentos mandam e desmandam nos assuntos midiáticos, assista agora mesmo mais uma reportagem da TV Nube!

 

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Conte Sua História de SP: chegou do Egito para encontrar a Liberdade

 

No Conte Sua História de São Paulo, você ouve um pequeno trecho do livro Vou para o Brasil, escrito por Ugo di Stefano, italiano nascido no Egito que veio jovem para o Brasil.

 

 

No dia 17 de dezembro de 1956 o navio atracou no cais de Santos. Desembarcamos com nossas poucas malas, só roupa e alguns livros. Subindo a serra de ônibus sob uma leve chuva, observava com curiosidade os telhados vermelhos das casas, muitas casas com telhados. Era acostumado a ver casas sem telhas. Claro, no Egito não chovia, portanto bastava uma laje de concreto e só. As telhas eram usadas em palácios públicos ou em grandes mansões. A vegetação da serra de Santos mostrava vários tons de verde e as árvores muito próximas umas das outras, sem deixar espaço. Incrível, uma floresta perto das cidades de Santos e de São Paulo. Uma maravilha! Em um bosque de pinheiros no Egito, era fácil o acesso entre as árvores, mas nesta linda floresta, de vegetação tão densa, não me parecia possível penetrar facilmente.

 

Recebi a informação que para encontrar uma pensão italiana razoável precisava comprar o jornal italiano Fanfulla publicado em São Paulo. Fiz isto e achei uma pensão que visitei. Era boa,. situada na rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília e meu irmão ficou em outra, na rua adjacente à minha. As donas das pensões eram italianas e ofereciam café da manhã, almoço e jantar. No meu quarto um rapaz italiano que trabalhava como vendedor em uma firma de relógios de ponto. No dia seguinte fomos ao consulado geral da Itália para registrar presença e, mais importante, para perguntar sobre a possibilidade de trabalho. Quando souberam que vínhamos de Port Said, fomos apresentados imediatamente ao cônsul, que depois de conversar um pouco conosco chamou por telefone o responsável do jornal Fanfulla para anunciar duas pessoas que poderiam dar informações interessantes sobre o desembarque anglo-francês no Egito. Percebemos que a resposta do outro lado da linha era de que o assunto do desembarque já era notícia velha. Com um telefonema, o cônsul conseguiu um trabalho para mim nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Pediu-me, que fosse no dia seguinte à Praça do Patriarca, escritório central, falar com o sr, Maddaloni no sexto andar. Para meu irmão ele deu outro nome e endereço.

 

Fui admitido com o salário de 3.700,00 Cruzeiros, que era o salário mínimo da época, mas dava para pagar a pensão e ainda sobrava um pouco. Três meses depois o salário mínimo aumento para 4.500,00 Cruzeiros. Com o extra, dava p[araa fazer algo mais., Às vezes penso, como o Brasil mudou, Hoje com o salário mínimo em São Paulo de 755,00 Reais não daria para pagar uma pensão completa para uma pessoa em um bom bairro, como era Santa Cecília naquela época, em 1957.

 

Comecei a conhecer os arredores da pensão, Uma igreja grande e bonita, no largo Santa Cecília, lojas de departamentos, escritórios comerciais e sobrados bem pintados e bonitos. A avenida Angélica com grandes casarões e com uma bela praça de nome Buenos Aires, ampla e arborizada. Andando pela calçada da praça … O que vejo? … Alarme! Um jovem casal em pé, mais do que juntos se beijando apaixonadamente na boca? Um outro casal, nos seus 20 e poucos anos, sentado em um banco da praça, também se beijando com muito entusiasmo. na minha mente tocou o alarme: HARAM!!! Isto não pode ser, é HARAM. Na língua árabe HARAM quer dizer: PECADO, não permitido. Como fazer uma coisa destas em público? E tudo com a maior tranquilidade, não se importando com ninguém. Devo confessar que eu nunca fui santo, mas em público não se faziam estas coisas no Egito, herdando, assim, os costumes árabes. Foi neste momento que senti verdadeiramente o sublime sentido da liberdade. Me senti absolutamente livre … em um país livre.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem a locução do Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Para participar do quadro que vai ao ar, aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Avalanche Tricolor: em busca de inspiração

 

Santos 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

 

Falta de inspiração é o que justifica a ausência desta Avalanche logo após a partida disputada no início da noite de sábado. Não minha. Eu estava muito bem inspirado neste fim de semana. Encarei dose dupla de super-heróis da Marvel no cinema a pedido dos meninos que curtem Capitão América e Homem Aranha. Ambos fizeram parte da minha infância, também. Eu os curtia nos gibis; eles os acompanham na internet e no cinema, onde, aliás, estão fantástico. Nos filmes que estão em cartaz, preferi o bom humor de Peter Clark ao bom-mocismo de Steve Rogers. Divertimo-nos esperando a cena em que Stan Lee, um dos criadores, apareceria na tela. E aguardamos os créditos finais para descobrir se haveria cena extra à disposição. Claro que a simples companhia dos garotos seria suficiente para tornar o programa agradável e inspirador. Assim como o foi o jantar oferecido por uma amiga nossa de longa data que comemorava seu aniversário na noite de sábado. Com a família ao lado, encontramos por lá ótima conversa acompanhada de boas comida e bebida. Sempre excelente oportunidade para relembrar algumas histórias e saber novidades de pessoas que estiveram distante por um tempo.

 

Havia tantas coisas agradáveis que sequer me importei com a necessidade de abrir mão de boa parte do segundo tempo da partida do Grêmio, no litoral paulista. Convenhamos que o que havia assistido até então não era nada motivador, exceção a jogada nos primeiros minutos proporcionada por Dudu que terminou com um chute desviado, como foram desviados muitos passes, tentativas de ataque e o desempenho de alguns dos nossos recentes ídolos do tricolor. Aliás, por falar em ídolos, bem que Luan poderia ser convidado para ir ao cinema um dia desses, talvez ele encontrasse alguma motivação nesses heróis que têm super-poderes mas sabem que para se beneficiarem de todo potencial e superar os inimigos precisam vestir a fantasia. Luan está precisando de inspiração. E com ele boa parte da nossa equipe. Eles precisam entender que para seus poderes se revelarem em campo terão de revestir-se da alma que sempre marcou o Imortal Tricolor. Caso contrário, transformarão nossos jogos em um filme sem graça.

Mundo Corporativo: Ilana Berenholc diz como cuidar da sua imagem

 

 

“Gerenciamento da sua marca pessoal é um processo investigativo, é uma ferramenta estratégica na qual você vai definir qual é o seu diferencial e, a partir dele, criar uma reputação em relação ao seu nome, uma boa reputação”. A opinião é de Ilana Berenholc, estrategista em personal branding e imagem, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, a consultora ensina que “o tempo todo você está comunicando uma mensagem; não existe roupa neutra, não existe comportamento neutro, não existe gestual ou expressão facial que vai ser percebida como não-me-disse-nada, sempre diz alguma coisa”. Na entrevista você terá dicas de como se comportar em diferentes situações na sua empresa e no contato com outras pessoas.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo assistindo ao programa, ao vivo, no site http://www.cbn.com.br, toda quarta-feira, às 11 horas da manhã, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br ou para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN).

Bentley põe sua marca de luxo nos carros elétricos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A montadora inglesa Bentley Motor revelou três modelos híbridos durante o Beijing International Automotive Show, no início deste mês. A premissa da marca é a excelência e, nesta linha, a Bentley não mediu esforços para desenvolver os carros com essa tecnologia trazendo leveza e eficiência e, ao mesmo tempo, mostrando o quão luxuoso um automóvel híbrido pode ser.

 

Esteticamente, o Bentley Hybrid Concept mantém a aparência de elementos tradicionais de design da marca, sem deixar de ser ousado no projeto. A fabricante apostou na criação de um veículo luxuoso que oferece potência ao motorista com um pouco dessa paz de espírito que muitas vezes vem com a condução de um híbrido, diminuindo a sua emissão de carbono. Em relação às versões convencionais, o modelo híbrido é capaz de aumentar a potência em 25%, enquanto corta a emissão de carbono em até 70%, tendo ainda bateria com duração de pelo menos 50 quilômetros apenas com o modo elétrico. O material e detalhes em cobre estão presentes em várias partes do carro como nos faróis, pinças de freio, moldura da grade e painel.

 

A indústria automotiva tem investindo no segmento de carros híbridos, não apenas pela rigidez do mercado atual em relação à sustentabilidade e outras questões ambientais. Essas empresas mantêm o foco no consumidor que busca desempenho, conforto e velocidade em automóveis de alto luxo. A velocidade é valor intrínseco desses carros que proporcionam a seus consumidores o prazer de dirigir, porém de maneira mais consciente em relação a seus impactos ao meio ambiente. As grandes marcas estão de olho no consumidor de alto poder aquisitivo que busca conforto, velocidade e, também, se preocupa com as questões globais. É O retrato de um luxo consciente no mundo contemporâneo.

 


Ricardo Ojeda Marins, administrador de empresas pela FMU-SP, MBA em Marketing pela PUC-SP e em Gestão do Luxo na FAAP, autor do Blog Infinite Luxury, escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um passeio de bonde

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Há várias semanas,não mais que de repente,deu-me uma saudade danada do primeiro veículo de transporte público que conheci:o bonde. Quando,com bem menos de um ano de vida meus pais alugaram uma casa em Porto Alegre,na Rua Conselheiro Travassos,onde nós três,eles e eu,recém nascido,passamos morar,esta cidade já era servida por bondes. Não cheguei a conhecer esses veículos que,no início da sua existência eram tracionados por mulas, rodavam sobre trilhos de madeira que, mal sedimentados, produziam barulho insuportável e,pior do que isso,descarrilavam com frequência. Nasci em 1935. Somente em 1908 iniciou-se o tráfego dos bondes elétricos. Os primeiros bairros que percorreram foram Menino Deus,Glória,Teresópolis e Partenon. Até estar em idade de viajar sozinho nos que faziam,já então,as linhas Floresta e São João,passaram-se muitos anos.

 

Os dois primeiros nos quais me desloquei foram os que percorriam as duas linhas que acabei de citar. Ambas me levavam ao Colégio Anchieta,no qual estudei vários anos. O Floresta,quando chegava à parada que ficava na Rua Benjamin Constant,quase na esquina da São Pedro,em geral,estava lotado.O remédio era viajar,perigosamente,no estribo. É evidente que eu e os guris da minha idade,não nos importávamos de correr riscos. Cada viagem com bonde cheio era uma aventura apreciada por nós. O Anchieta ficava na Rua Duque de Caxias. Eu desembarcava do Floresta, na Praça 15 de Novembro,subia a Borges de Medeiros e a escada do viaduto. Na volta,fazia o caminho inverso. Era uma pernada e tanto.Com 11 anos,porém,ou pouco mais que isso,a gente resiste a muito mais.

 

Ao retornar para casa,muitas vezes dava preferência ao bonde São João,que tinha o terminal na Praça Parobé. Esse,tinha,no entanto,uma particularidade:ia do centro até a Rua São Pedro,esquina com a Farrapos. Dali em diante,havia apenas um trilho. Se existia um bonde na São Pedro com Floresta,o que visava seguir,tinha de esperar o retorno do outro veículo. Seja lá como fosse,quando o bonde acabava chegando ao fim da linha,os guris que viajavam nele corriam para trocar o engate desse ao cabo que o ligava ao fio que eletrificava a máquina.Os cobradores de passagens,de tanto ver a gente,ficavam amigos e nos deixavam fazer o serviço do qual eles eram os responsáveis.Outra coisa que fazíamos,era fazer de conta que estávamos no controle do bonde. A gente disputava a permanência na roda,que ficava ao lado dos controles do motorneiro e cuja função era frear o veículo em caso de emergência. Nunca fiquei sabendo que fosse necessário esse tipo de freio.

 

Os bondes da minha saudade,no distante ano de 1926,chegaram a alcançar mais de uma centena em circulação.Eles seguiram em operação durante décadas. Passaram,então,a ser substituídos por empresas de ônibus. Essas,na base do devagar se vai ao longe,foram tomando conta do promissor mercado que para elas se abriu. Porto Alegre chegou a aturar os Trolebus, ônibus elétricos que,entretanto, não deram certo. Problemas de voltagem e defeitos nos freios,desaconselharam. Convém lembrar que,na Europa,os bondes continuam rodando – e silenciosamente – facilitando a mobilidade urbana.

 

Jamais,imagino com pesar,voltarão a atividade. No dia 8 de março de 1970,o último deles circulou,com direito à solenidade de despedida. Por iniciativa de Ruth Muller Jung,a mãe dos meus filhos,esses viajaram,de graça,no último bonde de Porto Alegre.Vou encerrar o meu texto desta quinta-feira com um anúncio que a gente não podia deixar de ler nos nossos bondes.Que os meus netos não se espantem com o arcaico português da propaganda:

 

Veja illustre passageiro
O bello tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado…
E,no entretanto,acredite
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o RHUM CREOSOTADO.

 

Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)