Conte Sua História de SP: o engraxate do meu avô

 

Por Paolo Romano
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Essa é uma das muitas histórias de amor e ódio que vivo com essa cidade. Já sai pra morar fora, mas é difícil ficar longe daqui.

 

 
Nasci e me criei no bairro da Penha. Primeira geração de imigrantes italianos que escolheram o bairro para fixar residência. Meu avô paterno, do qual herdei o nome, era sócio com seu cunhado das cadeiras de engraxate que ficavam na estação Roosevelt no Brás, isso na década de 60.

 

Em 1964, eu com então quatro anos, tinha como programa dominical, após o almoço em família, ir com meu avô para a Roosevelt, caminhávamos de casa até o Largo da Penha para pegar o bonde que nos levaria à estação. A estação era meu playground, eu corria naquele piso que brilhava, tudo era limpo e bem cuidado, as pessoas que andavam por lá tinham aquela elegância paulistana dos anos 1960. Os engraxates que trabalhavam com meu avô usavam um uniforme com calça preta, jaleco e camisa brancos, completando o visual com gravata e sapatos pretos que brilhavam em seus pés. Os passageiros que chegavam do interior com as botinas cheias de barro tinham como destino certo as cadeiras dos engraxates, e de lá saíam com o pisante brilhando para sua estada na Capital que começava a florescer.

 

 
Infelizmente, essa minha diversão durou pouco tempo, os bondes foram aposentados e meu avô se desfez das cadeiras. Ficaram as lembranças e a saudade do meu avô, da estação  e de uma São Paulo que já não existe mais. Não tenho nenhuma foto daquela época e caso algum ouvinte tenha imagens da estação, na década de 1960, eu gostaria muito de vê-las. Quem sabe encontro alguma do meu avô ou do meu tio engraxando os sapatos dos chegantes.

 

Paolo Romano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br
 
 
 
 
 

Avalanche Tricolor: quem diria, Pelé quase foi um Imortal!

 

Ponte Preta 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Em reportagem que li no site ClicRBS, publicada no jornal gaúcho Zero Hora, neste domingo, Pelé confidencia ao jornalista Luiz Zini Pires que quase jogou no Grêmio. Quando estava no início da carreira, o Santos costumava emprestar seus jogadores mais jovens para que ganhassem experiência. O time paulista esteve em excursão no Sul, jogou em Pelotas e Rio Grande, no interior gaúcho, e foi consultado se alguns dos garotos poderiam ficar. Pelé era um deles. “Quase que eu reinicio minha carreira no Grêmio”, disse ao repórter. Tivesse um cartola santista aceitado a proposta, naquela época, haveria a chance de Pelé ter se imortalizado no cenário futebolístico com a camisa do Grêmio e, provavelmente, nossas conquistas nacionais e projeção mundial teriam chegado mais cedo. Por outro lado, a facilidade com que alcançaríamos nossas façanhas impediria que forjássemos a nossa imortalidade. O destino quis que cada um construísse sua própria história.

 

A verdade é que o futebol, assim como a vida, pode ter seu destino definido pelo acaso. Uma bola no poste, o chute descuidado que esbarra no zagueiro, a marcação equivocada do árbitro ou uma série de outros detalhes que fazem parte do jogo influenciam no placar final e na classificação de um time. Mas se o imponderável pode ser definitivo, também é verdade que existem fatores preponderantes que conspiram a favor do resultado, tais como o talento individual e a qualidade do elenco. Também coloco na lista a estratégia planejada pelo técnico. Quando esses não se sobressaem nos resta torcer por um lance de sorte.

 

Neste domingo, talento e sorte se uniram para levar o Grêmio ao empate com a Ponte Preta, em Campinas, e nos manter na luta pela vice-liderança, que dará passagem direta a Libertadores. O drible curto de Zé Roberto e o cruzamento com o bico da chuteira que iniciou a jogada do gol foram marcados pela qualidade técnica que diferencia nosso camisa 10. Já a sorte nos ajudou ao fazer a bola cabeceada por Vargas desviar no corpo de um adversário e entrar no gol. O resultado, antes de ser lamentado, tem de ser visto como normal em competição da dimensão do Brasileiro, principalmente se levarmos em consideração o desespero do adversário. Com o ponto conquistado, a disputa pela competição sul-americana está aberta e na nossa mão. Estão faltando apenas dois jogos, os quais temos todas as chances de vencer, bastando um lance de sorte (ou de talento).

 

Em tempo: jogadores de Grêmio e Ponte repetiram o gesto que marcou o protesto do Bom Senso Futebol Clube, na rodada do fim de semana, sentando no gramado antes de a partida se iniciar, em mais uma demonstração que estão unidos e dispostos a enfrentar a CBF.

De felicidade

 

Por Maria Lucia Solla

O que pode nos fazer felizes é um número infinito de combinações e de possibilidades, ou de ‘dependes’. Depende do dia, da hora, da situação, da conta bancária, do trânsito, da saúde, da família, de amigos e amores, do cabelo, de tempo e do tempo, da fome e de sede.

 

Quanto tempo passamos, por dia, fazendo o que nos faz felizes?
Depende das nossas escolhas, mas deixemos que o LEXIGRAMA apresente a Felicidade.

 

FELICIDADE

 

Felicidade tem ALÍCIA, (αλήφεια, ας), que em grego quer dizer ‘verdade’, ‘realidade’, e traz Cleide (κλειδί, ioύ), que quer dizer chave. Faz sentido?

 

FELICIDADE tem MALÍCIA, tem ELE e ELA, DELE E DELA, tem FEDIDA e tem FIEL. Tem FIDEL, mas só com IDA, porque a volta faltou.

 

Tem CIDADE e tem LEI, o que não é coincidência, vindo dela. Tem FÁCIL, acredita?, e tem FÉ e DELÍCIA. Não falta para ninguém, de qualquer IDADE.

 

Tem CAÍ, mas também tem E DAÍ!

 

Tem CIDA que é apelido de APARECIDA, e que quer dizer ‘a que surgiu, a que faz milagres, tem ELI, o Sumo Sacerdote, o Altíssimo, e tem DÉLIA, mas não tem Carina.

 

Bora descobrir e reconhecer a FELICIDADE, em cada tarefa da LIDA, em todo minuto da vida.

 

Não importando o tamanho do sonho, mas a qualidade e a consciência da escolha.

 

Bom divertimento Lexigramando e formando frases com a palavra FELICIDADE, ou sendo feliz, e até a semana que vem.

 

Alícia
cai
cal
cale
cela
Cida
Cleide
dai
cidade
dedal
defeca
dela
dele
Délia
delicia
dia
dica
ela
ele
Eli
fácil
fale
falei

fedida
fel
fica
Fidel
fiel
fila
ida
idade
ideal
ideia
lacei
lede
Lia
lida

 

Ps: FELICIDADE não tem FELIZ, por um Z.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: aprenda com as empresas familiares centenárias

 

 

A história de cinco empresas familiares que completaram 100 anos, no Brasil, foi o ponto de partida do estudo realizado pelo consultor Renato Bernhoeft e a jornalista Chris Martinez que identificou as estratégias desenvolvidas por seus proprietários para se manterem fortalecidas mesmo diante da troca de comando para as gerações mais novas. No programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o empresário e conferencista Renato Bernhoeft falou de alguns aspectos que considerou mais importantes para essa longevidade. As cinco empresas escolhidas para esse trabalho foram a Gerdau, Sul América, Ypióca, Casa da Bóia e Cedro Cachoeira.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, a partir das 11 horas da manhã, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br, no Twitter @jornaldacbn ou no grupo de discussões do Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Viagens de luxo, experiências inusitadas e desejos realizados

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

Nova York, Miami, Paris, Milão, Londres. Essas são cidades que, certamente, nos vêm à mente quando pensamos em viagens de luxo. São destinos visitados por muitos consumidores de alto poder aquisitivo, viajantes que buscam muito além de hóteis elegantes, destinos urbanos e serviços especiais. Eles desejam viver experiências inusitadas que podem ser roteiros exóticos ou de aventura, contato com a arte, gastronomia e novas culturas. Visitas privativas a ateliês de costura ou a museus, fotógrafo particular para registrar, com qualidade, cada momento da viagem, jantares em restaurantes estrelados, aulas com experts e, claro, carros de luxo à disposição, são alguns itens que devem constar nesse cardápio.

 

O Estudo Global de Intenções de Viagem Visa 2013, realizado pela empresa Millward Brown, mostra um crescimento generalizado no turismo internacional e o Brasil é o país que apresenta percentualmente a maior aceleração entre os pesquisados. O turista brasileiro está entre os cinco que mais gastaram na última viagem, com valor em torno de USD 2.956, acima da média global, que foi de USD 2.390. E espera aumentar em 52% o valor desembolsado com a próxima viagem. Mesmo assim os valores são modestos se comparados com o que gastam os turistas de alto poder aquisitivo: em média USD 20 mil por viagem, de acordo com o World Travel Market Trends Report, da Euromotor.

 

No Brasil, cresce o número de agências de viagens especializadas no setor de luxo. Teresa Perez, PrimeTour, Matueté e Queensberry são algumas dessas que fazem parte do Virtuoso, seleta rede que reúne agências de viagens e hotéis de luxo ao redor do mundo. Os cartões de crédito também estão presentes no mercado ao dispor a seus clientes benefícios e atendimento especializado. A bandeira American Express tem o Platinum Travel Service, agência de viagens exclusiva apenas para os associados do cobiçado The Platinum Card. Clientes do cartão são atendidos e recebem ajuda na elaboração de suas viagens e contam com benefícios nos hotéis da rede Fine Hotels & Resorts, tais como café da manhã, late check-out e upgrade de acomodação. Já o Visa possui o Visa Luxury Collection, serviço exclusivo para associados dos cartões Visa Platinum e Visa Infinite em hotéis conveniados, oferecendo amenidades como café da manhã, status de hóspede VIP, late check-out e outros. A bandeira Mastercard também oferece aos portadores do cartão Mastercard Black alguns desses benefícios, além de crédito para uso em serviços no hotel. (Conheça outros benefícios oferecidos pelos cartões de crédito no artigo “Cartão de Crédito: a exclusividade transforma plástico em ouro”, que escrevi no Blog do Mílton Jung, em setembro)

A palavra-chave para atender as demandas desses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferente de pacotes ou roteiros prontos. Com o aperfeiçoamento das agências especializadas, o consumidor elevou suas expectativas e se tornou ainda mais exigente. Há quem deseje, por exemplo, durante a viagem, alterar seus planos, como sair de Nova York para ir a uma festa no Caribe, ou, simplesmente, alugar uma residência privativa na Toscana. A agência deve estar preparada para não apenas atender, mas entender as necessidades dele. O relacionamento do cliente com sua agência de viagens é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível. O viajante de luxo hoje busca o diferente, o inusitado, o “poder fazer”, o “feito sob medida” para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: minha cidade aos 18 anos

 

Por Neusa M. Stranghette

 

 

Fim dos anos 60, morava em São Caetano e trabalhava em Santo André.  Na época, férias não era sinônimo de Disney, Paris, Roma, nem resort no Nordeste. Quando muito um cineminha e um dia na Praia José Menino.  E lá estava eu de férias, sem nada para fazer. Resolvi me dar uma tarde de lazer e ir assistir a Dr. Jivago, no cine Metro. Coloquei um vestido de passear, sandália combinando, afinal estava indo para a Cidade. Peguei o ônibus mais ou menos perto de casa e fui descer no Parque D. Pedro.

 

Subi toda a Rua Tabatinguera, passei por uma Igreja, que recentemente fiquei sabendo é a Capela do Menino Jesus e de Santa Luzia. Atravessei a Praça da Sé, fui pela rua Direita onde as pessoas realmente caminhavam pela sua direita. Praça Patriarca, Viaduto do Chá, passei atrás do Teatro Municipal e, finalmente, cheguei na Avenida São João para a sessão das duas da tarde, no Cine Metro, que ainda era bonito e chique. Era moda usar muitas pulseiras coloridas de plástico, e entre campos de girassóis e nevascas, venturas e desventuras de Jivago e Lara, quando lágrimas eram enxugadas discretamente era aquele som, “plac-plac, plac-plac”, de pulseiras batendo! Mas o romantismo do filme resistiu bravamente por mais de três horas. E no fim refiz todo o caminho de volta para casa, flutuando com o Tema de Lara ao fundo.

 

 
Hoje, o cine Metro é uma Igreja evangélica, a Avenida São João perdeu quase todo seu charme e o que se vê são prédios pichados e decadentes. O Teatro Municipal ainda mantém sua imponência. Ninguém mais respeita a direita na Rua que leva seu nome, entrar na Catedral da Sé só nas missas com muita gente, e não faço idéia de como está a Rua Tabatinguera.  Do Parque D. Pedro, uns três anos atrás, um motorista de taxi só faltou mandar eu me abaixar no banco para me tirar do Hospital da Móoca onde tinha ido visitar uma amiga. 

 

Ao menos ficaram boas lembranças! E escrevendo este texto percebi que, naquele dia de férias, meu programa mesmo foi atravessar praticamente todo o Centro velho de São Paulo, ida e volta. 

 

Como é bom ter 18 anos.

 

Neusa M Stranghette é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br
 

As vítimas do trânsito somos todos nós

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Escrevi, na semana passada, que muitíssimos de nós,inclusive eu,sabe-se lá por que,somos felizes,mas duvidamos disso e nos queixamos da vida. Na primeira quinzena de novembro,lembrei o trágico tufão que assolou o arquipélago das Filipinas munido de ventos ferozes,para exemplificar episódio que,entre outros menos letais, desqualificam os resmungos de quem,como eu, é feliz e contradiz,assim mesmo,as benesses que Deus concede gratuitamente,porquanto não fazemos por merecê-las.

 

Na coluna anterior,além de citar os meus conterrâneos que,por força de enchente que atingiu cidades gaúchas,perderam seus parcos pertences e,inúmeros deles,viram ruir as suas casas,pensando já no feriado prolongado, comemorativo à proclamação da República – começou na quinta-feira e se estendeu até domingo – salientei que,geralmente,nesse tipo de folga,o número de acidentes de trânsito é bem maior do que nos fins de semana comuns.

 

Não deu outra. Em ocorrências nas rodovias do Rio Grande do Sul e em zonas urbanas,houve 20 óbitos,mais de 400 pessoas ficaram feridas e o número de motoristas embriagados seguiu sendo assustador, apesar das campanhas e da Balada Segura,que visa a flagrar esse tipo de infração. Um dos mais dolorosos dos acidentes com vítimas fatais não aconteceu, nas estradas gaúchas,mas no cruzamento de duas ruas de Porto Alegre,onde segundo se imagina,os motoristas respeitem um pouquinho mais a velocidade máxima permitida em vias urbanas.

 

Nesse,de nada adiantou o cuidado de pais que,preocupados com as suas filhas,revezavam-se para as buscar após inocentes baladas noturnas. Na madrugada do último sábado,tocou a Francisco Capaverde levar sua filha Bruna e as suas amigas,para a sua casa,onde dormiriam. Porém,não chegou lá. No cruzamento das Avenidas Pernambuco e Brasil,um Corsa colidiu violentamente com a EcoSport dirigida por Capaverde,que capotou. Bruna morreu na hora e as suas duas amigas ficaram feridas. Diego Alberto Joaquim da Silva,motorista do Corsa,fugiu pela Avenida Pernambuco,na contramão,mas foi localizado por agentes da EPTC. O pai de Bruna quer transformar a morte da filha em uma bandeira para os que lutam contra a imprudência no trânsito. Vai juntar os seus esforços ao da arquiteta Diza Gonzales,que criou a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga,depois que o seu filho perdeu a vida no trânsito.

 

Ambos e os seus familiares,isso sim,têm sobradas razões para se queixar da vida. No caso que relatei,tivemos não uma,mas duas vítimas: os pais de Bruna e os de Diego,que defendem o filho ao dizer que “ele não é um monstro”. Seja lá como for,as vidas dessas duas famílias,daqui para a frente,nunca serão as mesas vividas até sábado passado.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Celular, cômodos e incômodos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O mesmo celular que tem trazido infindáveis comodidades, bem além de suas funções originais, vem apresentando incômodos em diversas atividades e eventos. Além do trânsito, das salas de espera, dos aeroportos e dos aviões, os alvos mais recentes são os espetáculos de teatro. Os atores e atrizes, vítimas diretas, estão inconformados.

 

Marília Neves do portal IG, ouviu alguns, entre eles, Antonio Fagundes que em 2002 escreveu “Sete segundos” onde mostrava atitudes da plateia mal educada. O comer alimentos e fazer barulho, a postura na cadeira, o falar, a tosse constante, eram alguns dos problemas. Passados onze anos, Fagundes não tem dúvida que o uso do celular superou tudo.

 

Walderez de Barros em cartaz com a peça “A casa de Bernarda Alba” não se conforma: “Uma pessoa que vai ao teatro, senta na primeira fila e prefere ficar enviando e recebendo mensagens de texto enquanto estou no palco fazendo uma cena dramática, emocionada, essa pessoa precisa ser internada. É doente”. Walderez lembra ainda que Jô Soares já desceu do palco para atender o celular de um espectador: “Aqui é o Jô e seu amigo idiota não desligou o celular. Liga depois”.

 

Atrizes e atores, revoltados mas esperançosos, apostam em uma campanha para melhoria da educação geral. Pois, se São Paulo se destacava positivamente neste aspecto, as informações recentes já desmentem esta qualificação. Todas as cidades estão niveladas por baixo, sem exceções. E esta não é a única má notícia. Várias universidades estão permitindo que alunos e alunas saiam da sala para atender telefone celular. Em qualquer momento, mesmo que o professor esteja no cerne da matéria. Portanto, a melhoria futura não será pela educação, mas pela proibição usando o mesmo recurso do celular. A tecnologia que possibilita e limita.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A caricatura de personagens importantes da história do Brasil

 

José Dirceu e José Genoíno, ao se apresentarem à Polícia Federal para cumprir a pena imposta pela condenação no processo do Mensalão, ergueram o braço esquerdo e cerraram o punho. Na velocidade imposta pelas novas tecnologias, a imagem ilustrou sites, redes sociais, reportagens de televisão e, com a demora de praxe, às primeiras páginas dos jornais. A ação foi pensada, eles queriam sinalizar que não se renderiam à verdade revelada durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal. Se entregariam ao cárcere mas como presos políticos, vítimas de uma elaborada conspiração da qual teria feito parte a elite política e econômica do Brasil, refletida em seu pensamento pelos grandes veículos de comunicação, e com participação de setores derrotados nas últimas três eleições presidenciais. Um esquema, levando em consideração a tese golpista, que contou com a colaboração fundamental dos ministros do STF – curiosamente, a maioria indicada pelos governos Lula e Dilma.

 

Na Ditadura Militar, José Dirceu participou das revoltas estudantis, teve de se exilar e quando retornou ao país, se esconder. Era perseguido político, correu risco de vida mas nunca desistiu de lutar pela Democracia. Foi nela que conseguiu retomar o caminho da política, deixando a clandestinidade, concorrendo a cargos no legislativo e construindo partido que trazia o discurso de respeito à ética e ao combate à corrupção. Chegou ao poder quando conseguiu enquadrar as alas radicais do PT e promover alinhamento mais moderado na política e na economia que permitiu a Lula tornar-se presidente da República. Perdeu-se, porém, ao se envolver na compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional em uma tentativa de garantir a permanência de seu grupo no Governo Federal.

 

José Genoíno também foi para a clandestinidade para sobreviver ao Regime Militar. Contra a Ditadura, pôs mãos às armas, foi guerrilheiro e por cinco anos sofreu na cadeia, aí sim, como preso político. Com a Democracia, entrou na vida parlamentar e, com inteligência, aprofundou-se nos conhecimentos regimentais que lhe deram papel de liderança no processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Lembro da desenvoltura dele nos corredores do legislativo negociando com parlamentares dos mais diferentes partidos e nas conversas matinais na sala de imprensa da Câmara dos Deputados enquanto se aproximava o fim lamentável do governo do primeiro presidente eleito pós-Ditadura. Um dos primeiros sinais de que seu perfil mudara foi na campanha para o Governo do Estado de São Paulo, em 2002, quando em busca do eleitor conservador adotou o discurso de Paulo Maluf de que a segurança pública se garantia com a Rota na rua. As palavras não cabiam na sua história passada e assim sofreu dupla derrota: na eleição e na biografia.

 

Durante o julgamento foi a ministra Carmem Lúcia, do STF, quem alertou que no Mensalão não se julgava a biografia dos réus mas os fatos apresentados no processo de compra de votos. Talvez por isso mesmo, ao ver Dirceu e Genoíno reproduzindo o símbolo da resistência no momento em que se transformavam em raros “políticos presos” no Brasil, o que enxerguei foi apenas a caricatura mal feita de dois personagens importantes da política brasileira. E pior, protagonizada por eles próprios.

Avalanche Tricolor: um craque para vestir a camisa do Grêmio

 

Maxi 2 x 0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio consegue chegar à vice-liderança do Campeonato Brasileiro mesmo depois de uma sequência ruim de resultados e desempenhos questionáveis. A impaciência do torcedor ilustra este cenário. Nossas vitórias vinham sendo resultado muito mais da forma voluntariosa, raramente qualificada, com que o grupo se comporta quando veste a camisa tricolor. Talvez o atacante Barcos, alvo de muitas críticas nas últimas partidas, seja o melhor exemplo disso. Pode-se reclamar que ele não tem feito aquilo para o qual foi contratado, mas ninguém pode dizer que ele não tem cumprido o papel para o qual está escalado. É sempre ele que tira a bola de dentro da nossa área nas cobranças de escanteio e de falta do adversário. Lá na frente, é um guerreiro contra os seus marcadores. Seja para segurar a bola quando esta é lançada normalmente por nossos zagueiros, seja para impedir que os zagueiros inimigos consigam sair jogando. Muitas vezes, o vemos no meio de campo roubando a bola do adversário e tentando armar a jogada. Sofre na luta pela bola tanto quanto sofremos ao vê-lo não marcando gols. Essa vontade de acertar, que não é só de Barcos, para, porém, na movimentação claudicante das peças em campo e nos frequentes passes errados.

 

Há algum tempo venho esperando um atuação individual marcante. Aquele jogador que entra em campo e desequilibra a partida com seu talento. Capaz de driblar o adversário, desconcertar o marcador, limpar a jogada e se colocar em condições de fazer o gol. E, claro, fazendo o gol depois de criar essas condições. Na noite deste domingo, fui premiado. Eu e toda a torcida do Grêmio. Máxi Rodriguez mostrou em duas jogadas que está à altura da paixão dos torcedores por ele. Tem categoria e garra. Tem classe e suor. Tem futebol e carisma para ser titular do Grêmio.

 

Que assim o seja para o todo o sempre!