Black Friday foi mal de técnica e de ética

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

O varejo nacional que vinha dando sinais de maturidade ao tratar de promoções e liquidações com profissionalismo, evitando o primitivismo do aumento do preço antes de reduzi-lo, teve um retrocesso no Black Friday de sexta feira.

 

É bem verdade que mesmo com acentuada evolução ética, ainda víamos nas liquidações convencionais chamadas com descontos de 50%, 70% e 80% antecedidos de minúsculos “Até”. E, como sabíamos estes descontos maiores era encontrado em menos produtos com menores quantidades.

 

Ainda assim, a tendência evidenciava uma melhoria ética para o Black Friday de 2013. E, para confirmar esta evolução vários setores varejistas se prepararam, agrupando marcas e estabelecendo códigos de conduta buscando a credibilidade necessária. Não foi o que aconteceu, e a temida promoção “metade do dobro” voltou a ser destaque.

 

O comércio eletrônico, uma das áreas mais vulneráveis de 2012, apesar dos esforços para um Black Friday sem maquiagem de preços, sem problemas no pagamento e falhas no atendimento, não conseguiu evitar nenhum destes tópicos. Além do que o volume de acessos tirou do ar vários sites. Mais uma vez tivemos um balanço negativo de mais de cinco mil reclamações para as cinco maiores empresas. Tendo sido o preço dobrado o item mais pontuado.

 

Alguns Shoppings Centers tomaram a iniciativa de reunir grupos de lojas para o Black Friday, que embora não apresentassem notas negativas foram extremamente tímidas na extensão e principalmente nas vantagens oferecidas. Muitas lojas ofereceram descontos irrisórios.

 

A receita americana é simples. Para manter a credibilidade é preciso além de honestidade não tratar o consumidor como idiota. Descontos reais e significativos, além de respeitar o nome da promoção, pois não deve ultrapassar a sexta-feira são premissas fundamentais. Quem sabe assim, um dia o varejo brasileiro chegue como o norte-americano a 1/3 do PIB nacional.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: passou por minha lente

 

Por Marcos Falcon

 

 

 
Ocupado que estou em criar o site e o portfólio da empresa onde hoje trabalho, acabei envolvendo-me ainda mais com a Cidade de São Paulo. Após várias seções de “brainstorming” concluímos que deveríamos associar a comunicação visual de nossa empresa, que acaba de completar 50 anos, à imagem da Cidade. Um de nossos colaboradores colocou em pauta que a arquitetura de uma cidade é um de seus maiores valores históricos e sugeriu que a evolução arquitetônica de São Paulo fosse a linha mestra da comunicação de nossas peças de divulgação mercadológica. A idéia foi aceita de imediato sem restrições e a partir desse momento saímos a escolher as imagem que ilustrariam  esses veículos.

 

Não tive dúvidas e passei a andar diariamente com minha máquina fotográfica, minha entre aspas, da minha esposa a tira colo e registrar tudo que julgava belo no Centro Velho. Quanta beleza e quanta história eu vi. Encontrei locais onde convivem prédios do século 19 de Ramos de Azevedo com prédios ainda contemporâneos das décadas de 70 e 80, e a arquitetura futurista.

 

Fotografei por vários ângulos a Faculdade de Direito do Largo São Francisco com seus lindos arcos e vitrais maravilhosos. Também estiveram no foco de minha lente a Escola Técnica Álvares Penteado, o prédio do Palácio da Justiça e o Tribunal de Justiça.

 

Vi a obra prima da estrutura em aço com o qual fora forjado o Viaduto Santa Efigênia ligando o presente a visão de futuro de nossa cidade. Pude contemplar ali da São João com o Vale a vista do magnífico Edifício Martinelli em contraste com o cartão postal do Prédio do Banespa “agora Santander” (o banco mudou de nome, porém o prédio será sempre do Banespa).

 

Vi a esquina da São Bento com a Patriarca, onde um edifício de mais de um século contrasta com o imponente prédio do Unibanco, ou será do Itaú, na esquina com a Rua Direita.

 

Vi a Catedral, cujas pedras meu avô paterno Manoel Vilanueva Falcon talhou nas pedreiras de Itaquera. Meus olhos brilhavam e minha lente registrava a beleza do Pátio do Colégio onde a história teve início.

 

Também vi muita gente no chão, cheirando a urina e vivendo como animais abandonados.

 

Eu vi São Paulo. 
 

 

Marcos Falcon é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br.
 

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

De cartas

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

E a senha serve para quê?

 

Senha era coisa de pós-guerra, quando cada família recebia uma, para comprar mantimentos básicos a preço de tabela. Mas não foi aí, o começo do seu reinado. Os egípcios já usavam senhas. Ah, os egípcios!

 

A senha para fins eletrônicos nasceu no início dos anos 1960, no Massachusetts Institute of Technology, e está dominando o mundo. é a mais nova pandemia. Seu reinado engorda como a dona Redonda, e por mim, poderia explodir. Tem senha que não acaba mais, e eu realmente não me dou bem com elas. Perco tanto tempo e energia tentando administrar senhas e nomes de usuário quanto os hackers tentando quebrá-las. Porque não inventam um leitor de digital acoplado ao computador? Onde estão os inventores deste Brasil?

 

Agora a App Store cismou comigo. Mudei meu e-mail, fui lá, bonitinho, como manda o figurino e mudei os dois campos: usuário e senha. No lugar no endereço antigo, o novo. A senha, no entanto, imaginada às pressas, é mais fácil de ser decifrada do que palavras cruzadas para criança. Prometo inventar uma bem cabeluda! Recebi a confirmação, tudo certo, dona Maria Lucia, sua senha já foi trocada. E lá fui eu, toda faceira, fazer o upgrade de programas que são essenciais para o meu trabalho.

 

Qual foi a retribuição da App Store? Há dias não reconhece meu novo endereço de e-mail. Entro na sala de gerenciamento da minha conta, e lá está, tudo certinho, com tique verde pra dizer que está tudo ok. Mas eu digo primeiro: não está tudo ok. Grrrrrrr!

 

Estou prestes a jogar a toalha, me livrar das máquinas e voltar a escrever em lindos cadernos. Vou comprar verduras na quitanda da esquina, o jornal na banca, na rua de trás, ler lindos livros de papel e escrever cartas. Muitas cartas.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: prepare-se para as mudanças organizacionais

 

 

“Hoje, nós temos algumas novidades com a implantação da sustentabilidade, da diversidade da força de trabalho, uma exigência maior em relação a criatividade, novas formatações de trabalho, principalmente em decorrência do teletrabalho. É uma variedade de fatores que vai desencadear a necessidade de mudanças dentro das organizações”. A afirmação é da consultora Márcia Regina Banov em entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Autora do livro “Mudanças Organizacionais – um perfil da empresa e do colaborador”, Banov fala da necessidade de se desenvolver planejamento estratégico para que organizações e seus funcionários estejam preparados para essas mudanças.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo, assistindo ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, e enviando perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

O luxo na Argentina morre aos poucos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

A crise no Mercado do Luxo na Argentina não é novidade. Desde o ano passado, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas em Buenos Aires, capital do país, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações com dólar. Marcas prestigiosas como Empório Armani, Escada, Cartier e Louis Vuitton são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. Ao que parece, o cenário tende a piorar.

 

Com o objetivo de desencorajar o consumo extravagante, a presidenta Christina Kirchner anunciou novos impostos sobre produtos de luxo. A medida é a última de uma série de movimentos governamentais destinados a conter a inflação. A Argentina sofre com a queda mensal de US$ 1 bilhão nas reservas do Banco Central e com a alta dos preços varejistas que as consultorias privadas apontam em quase 30% ao ano. No segmento automotivo, um dos que mais serão afetados, argentinos de alto poder aquisitivo compram veículos importados cotados em pesos à taxa de câmbio oficial, mas com dinheiro que trocam no mercado paralelo a 10 pesos por dólar americano. Assim, quem possui um carro de luxo consegue pagar a metade do valor em dólares ou euros. As reservas do Banco Central caíram de US$ 42 a US$ 31 bilhões este ano, na pior sangria desde 2001.

 

A falta de produtos nas lojas de luxo da capital portenha foi um dos principais problemas para as marcas. A limitação às importações afetou as marcas de luxo que, impedidas de abastecer suas lojas com artigos que chegam do exterior, começaram a fechar as portas. Sem produtos em suas prateleiras, consumidores, muitos deles brasileiros e com sede de consumo, frustravam-se por não poder comprar. A loja da Louis Vuitton, localizada na prestigiosa Avenida Alvear, no bairro nobre da Recoleta, até então vizinha de outras grifes como Hermès e Ralph Lauren, foi a primeira loja da grife francesa na América do Sul.

 

Se no varejo de luxo a crise está assustadora, para os hotéis de luxo a situação é menos drástica. Buenos Aires ainda é uma cidade atrativa para os amantes de gastronomia, arte e cultura. Os hotéis de luxo tem investido em programas com temáticas ligadas a temas como gastronomia, caso do hotel Palacio Duhau Park Hyatt Buenos Aires, que além de seus pratos de alta gastronomia em seus restaurantes, é criador do Masters of Food & Wine, programa especial que reúne eventos gastronômicos no hotel.

 

É triste ver um país que, no passado, foi um dos principais alvos do segmento de luxo na América do Sul. Em um movimento contrário, países vizinhos como Brasil e Chile estão avançando sua participação nesse segmento e com perspectivas de crescer ainda mais.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Juiz do Ficha Limpa analisa em livro manifestações populares no Brasil

 

 

O juiz Márlon Reis, um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e incentivador da Lei do Ficha Limpa, lança o livro “O Gigante Acordado – Manifestações, Ficha Limpa e Reforma Política” (Editora LeYa), nesta quinta-feira, 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo. Tive o privilégio de ser escolhido pelo magistrado para a escrever o prefácio deste trabalho no qual, além de tratar da mobilização social que ocorreu neste ano, em todo o Brasil, traz fatos curiosos dos bastidores para criar a primeira lei de iniciativa popular, a que transformou compra de voto em crime eleitoral, e para a aprovação da Ficha Limpa. Além disso, dedica um capítulo à defesa da liberdade de expressão.

 

Ontem, entrevistei Márlon Reis, no Jornal da CBN, quando falamos sobre a aprovação do fim do voto secreto em processo de cassação de parlamentares na Câmara e no Senado, além de análises que estão apresentadas no “Gigante Acordado”.

 

 

Como o conteúdo significativo é o escrito por Márlon Reis, tomo a liberdade de reproduzir a seguir o prefácio de minha autoria. Estarei na livraria para abraçar pessoalmente esse juiz que se tornou um exemplo no país, sem precisar atropelar as regras para defender o direito do cidadão e combater à corrupção.

 

Vamos ao prefácio:

 

“E o senhor acha pouco?”, perguntou o motorista Eriberto França ao ser questionado pelo deputado Roberto Jefferson se as denúncias que havia feito contra o presidente Fernando Collor eram movidas apenas por patriotismo. Para o parlamentar era difícil acreditar que havia um brasileiro, trabalhador, gente simples, sem diploma nem autoridade, disposto a enfrentar o poder e a confirmar a existência de contas fantasmas, onde era depositado o dinheiro da corrupção, usadas por Collor e o tesoureiro dele, PC Farias. Jefferson – que mais de uma década depois seria protagonista das denúncias do Mensalão – considerava inimaginável alguém deixar o sossego do seu cotidiano sem que fosse movido por segundas (e más) intenções. Não é de surpreender que pensasse assim. Historicamente, a elite política do Brasil subestimou a força do cidadão, e a avaliou usando sua própria régua moral e cívica.

 

Nos protestos juninos, que assistimos sem entender bem o que acontecia (este livro nos ajuda a ter compreensão melhor dos fatos), novamente o comportamento do cidadão foi questionado. Apressaram-se a culpar a oposição, que poderia ser qualquer coisa que estivesse do outro lado. Procuraram responsáveis na direita e na esquerda, em cima e embaixo, sem perceber que esta disposição física não se encaixava mais nas ideologias que se contróem em rede, neste emaranhado de pensamentos produzidos na internet graças as pessoas intensamente conectadas. Acusaram motivação política ao verem jovens, senhoras e senhores ocupando as ruas, como se exercitá-la fosse direito privado dos partidos. Esses que ali estavam, com cartazes nas mãos e coração indignado, não esperavam derrubar um governo, como se fez com Collor, nem ratificar uma lei, como nas Diretas Já, queriam reclamar do sistema (ou dos sistemas) e defender a democracia. Mas foram obrigados a ouvir a ironia da autoridade: “tudo isso apenas por 20 centavos?”. Não tiveram capacidade de entender que se pedia muito mais: respeito.

 

Há cinco anos, quando um grupo de cidadãos, na capital paulista, aceitou a proposta de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares na Câmara Municipal, formando a rede Adote um Vereador, também teve de responder à desconfiança revelada em discursos no parlamento. Alguns vereadores, incomodados com o pedido de transparência no trato da coisa pública e a nossa intenção de controlar nossos representantes, sem perceber expuseram seus valores. Pediram para que informássemos os financiadores da nossa organização, como se somente o dinheiro pudesse mover as pessoas. Usaram sua própria moeda para nos julgar, já que tendem a ser reféns das empresas e grupos que sustentam suas campanhas. Para se ter ideia, em São Paulo, 57% do dinheiro doado aos partidos que elegeram os atuais vereadores saíram de empresas de construção civil e do ramo imobiliário. Tivemos de ir à público para deixar claro de que não precisávamos de um só tostão para acender o interesse do cidadão na política local. Tínhamos a pretensão (e como somos ainda pretensiosos!) de qualificar o trabalho legislativo com a participação popular e, assim, ajudar no desenvolvimento do ambiente urbano, pois é na Câmara Municipal que se votam as leis que vão reger nosso dia, além de serem os vereadores os responsáveis por fiscalizar as ações do prefeito e da prefeitura e a gestão do dinheiro público, o nosso dinheiro. Queríamos apenas praticar a cidadania.

 

Ao colocar uma ideia embaixo do braço e sair do Maranhão para desbravar o Brasil com a proposta da lei do Ficha Limpa, o juiz Marlón Reis também recebeu olhares desconfiados. Magistrado e consagrado em sua posição, melhor seria se ater às letras dos livros jurídicos e se acomodar na burocracia dos tribunais, aproveitando as mordomias do cargo e o ritmo do samba e do baião, nos momentos de prazer. Preferiu fazer política ao seu jeito. Assim como havia se engajado na campanha de combate à corrupção eleitoral, depositou sua fé no projeto que lhe foi entregue em um envelope de papel, na sede da CNBB, em Brasília, levou sua crença a todos os cantos e contaminou pessoas que, como ele, entenderam que o Brasil tinha de ter instrumentos para constranger políticos inescrupulosos e combater a prática da compra de votos. Nessa caminhada cívica, por estradas também virtuais, já que a internet foi extremamente importante, Marlón ouviu muita gente dizer que aquilo não daria em nada, e, se aprovada um dia, seu destino seria o lugar-comum das muitas leis que não pegam no país. Ao contrário, porém, sequer havia entrado em vigor e o caráter pedagógico da lei de iniciativa popular se evidenciava, ajudando a educar a sociedade para a democracia, ao fazer com que o eleitor, antes mesmo de ouvir a promessa do candidato, quisesse saber: “o senhor é Ficha Limpa?”. Hoje, pedimos ficha limpa para todo serviço público; ficha limpa para contratar e ser contratado.

 

O juiz maranhense sabe que é apenas um personagem dessa história, tão importante quanto todos os outros cidadãos que se mobilizaram com a mesma intenção e juntos criaram um fenômeno que o professor Augusto de Franco, criador da Escola de Redes, identifica como swarming, uma espécie de enxameamento criado pela dinâmica da rede, que tem sido o provocador de muitos movimentos sociais e políticos no mundo. Ciente de seu papel e certo de seu tamanho diante da dimensão dos fatos, Marlón Reis tem credenciais para contar essa história e analisar o atual cenário da política brasileira. E faz tudo isso apenas por patriotismo. O que não é pouca coisa, senhor deputado.

Somos 36 milhões de empreendedores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Na segunda feira, dentro da SGE – Semana Global do Empreendedorismo aconteceu o 99FASHION, evento que faz parte do movimento internacional para a divulgação da Cultura Empreendedora.

 

Como se sabe o setor de vestuário é potencializado para novos empreendedores, pois as barreiras iniciais de capital e de tecnologia, comuns a muitos setores, não são tão intensas na moda. Fernanda Yamamoto e Rita Comparato da Neon, marcas de nicho e já consagradas, expuseram seus acertos e erros na implementação de seus negócios.

 

Se ainda convivemos em nosso país com sérios problemas em determinadas áreas, no que se refere ao espírito empreendedor estamos na dianteira, com louvor.

 

A GEM – Global Entrepreneurship Monitor descobriu que 30% dos brasileiros, ou seja, 36 milhões estão iniciando ou operando como empreendedores. A GEM é uma das mais respeitadas entidades de pesquisa do empreendedorismo global. No Brasil tem o IBQP – Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade como representante nacional, o SEBRAE como master, a FGV como parceiro acadêmico e foca seus trabalhos nas pessoas mais do que nos empreendimentos. Em pesquisa recente feita em 2012, levantou 10 mil indivíduos entre 18 e 64 anos e constatou que entre 2002 e 2012 houve um crescimento de 20milhões para 36milhões de pessoas atuando como empreendedores. Verificou também que os três maiores sonhos dos brasileiros são: 50% viajar pelo Brasil, 48% ter casa própria e 44% ter negócio próprio.

 

Ao mesmo tempo, a SGE – Semana Global do Empreendedorismo que ocorre em mais de 130 países no mês de novembro, teve no ano passado 3861 atividades em 341 cidades no Brasil, números que nos deram o primeiro lugar no mundo.

 

Certamente este ano deveremos estar repetindo o destacado papel de 2012. E com a colaboração do Mundo Corporativo da CBN, quando Mílton Jung no início de novembro apresentou: “A receita para abrir o seu negócio” entrevistando Henriley Domingos da Doctor Trade. Além da modesta contribuição do autor deste texto, ao abrir o 99FASHION com o tema “Empreendedorismo na Moda”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Por que boas causas são bons negócios?

Reproduzo a seguir texto de divulgação do evento do qual estarei participando na quinta-feira, dia 28, na abertura da ONG Brasil, encontro que se realiza no Expo Center Norte, em São Paulo. Espero contar com a participação de você que acredita na possibilidade de agirmos como cidadãos para transformar as pessoas e a sociedade:

 

 

A Humanitare Foundation que atua em diplomacia social como ponte de conexão entre os atores da sociedade e as temáticas promovidas pela ONU, em conjunto com a KMPG, empresa de consultoria que incentiva a cidadania corporativa como modelo de transformação social convidam você a discutir a questão “Happy Returns” Por que boas causas são bons negócios? durante o Painel de abertura do Congresso ONG Brasil 2013.

 

Os temas de empreendimentos sociais serão debatidos por Ceos de empresas e Institutos Empresariais: Maria Antonia Civita (Verde Escola), Michael Hastings (KPMG), Luciana Quintão (Banco de Alimentos), Sheila Pimental (Humanitare Foundation), Joris van Wijk (UBM), Cônsul Lothar Wolff (Honorário do Brasil em Áustria),e as participações dos jornalistas Milton Jung (CBN) e Patrícia Trudes (Folha de São Paulo).

 

Por que boas causas são bons negócios estarão representados em cases de sucesso nos exemplos como o da Ong Banco de Alimentos que segue no objetivo de minimizar os efeitos da fome através do combate ao desperdício e promover educação e cidadania. Resultado: O Banco de Alimentos entrega 44 toneladas de comida por mês para 22 mil pessoas em 52 Instituições, outras 110 entidades estão na fila para serem atendidas.

 

Outro caso é o Instituto Verdescola que acompanha cerca de 300 adolescentes e jovens da comunidade de Sahy em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Com projetos educacionais, eles estão sendo capacitados para atender o turismo gerando investimentos para a região.

 

A Humanitare Foundation abordará experiências internacionais e contribuições da diplomacia social no contexto global e local dos negócios sociais sustentáveis baseados na essência de jovens lideranças e plataformas de e-contents para o desenvolvimento e as bases da nova economia.

 

Serviço:
ONG Brasil 2013
Local: Expo Center Norte – rua José Bernardo Pinto, 333 São Paulo/SP Seminário Happy Returns – dia 28/11 – horário 9h00 – 11:00

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung