São Paulo, uma cidade partida

 

A cidade de São Paulo será palco de mais uma manifestação nesta segunda-feira com a convocação de dezenas de grupos que se uniram em torno da discussão sobre a tarifa do transporte público. Após o confronto da polícia com ativistas, quinta-feira passada, uma série de mensagens chegaram à minha caixa de correio, na CBN, que demonstram como a cidade está partida em torno do debate que se acirra nas ruas. Reproduzo algumas das centenas de frases que li nestes últimos dias em e-mails escritos por ouvintes-internautas. Você concorda com qual dos pensamentos a seguir?

 

MANIFESTAÇÕES

 

Será que essa tarifa de R$ 3,20 não está abusiva pela  qualidade do transporte? (Sergio Pelarin)

 

Será que mesmo tendo ações organizadas o movimento não transborde por que ambos os lados se encontram saturados de tanta bandalheira política? (Elisa Soveral)

 

Considero essa atitude como positiva pois mostra que ao menos uma pequena parte dos jovens, ao menos uma pequena parcela ainda se importa. (William Souza)

 

Pena que eles próprios e o restante da sociedade não têm a mesma indignação quanto ao muito que sai de nossos bolsos para pagar impostos (Claudio Alves)

 

Por que os que protestam contra o aumento das passagens, não vão na porta da Câmara Municipal, Assembleia e Congresso?(Alberto do Nascimento)

 

Este aumento somente foi a gotas dágua q estava faltando para transbordar o copo da paciência da população. (Douglas da Silva)

 

Alguém viu alguma vez as contas que justifiquem custos e preços? O que se sabe é que o serviço é uma porcaria (Serge Ortega)

 

Não tem dinheiro para saúde, transporte, etc .. mas para a Copa tem. (Sidnei Rodrigues)

 

Gastos da Copa do Mundo em bilhões. Você ainda acha que é somente pelos 20c” (Fabio Lucena)

 

Essas manifestações não é só pelo preço da passagem, o problema é que o Brasil ta um país caro pra viver.(Adeílson

 

É incrivel a quantidade de pessoas protestando, mas por 20 centavos, brincadeira né. Porque não protestaram assim no escandalo do mensalão que desviou bilhoes dos cofres publicos? (Solange Brito)

 

Sabemos que não é por causa de 20 centavos. (Cynthia)

 

Acredito que qualquer tipo de manifestação é direito do cidadão e deve ser respeitado desde que essa manifestação também respeite o direito do cidadão que dela não faz parte.(Eric Salathiel)

 

E o nosso direito de ir e vir fica onde!? (Andre Freire)

 

Devemos lembrar que os protestos de rua contra a Ditadura Militar começaram com o mote de reclamação contra a comida do calabouço; restaurante estudantil no Rio de Janeiro, puxados por muitos dos que agora estão neste desgoverno. (Alfredo de Quadros)

 

Sugira que os manifestantes façam um bloqueio pacífico em qualquer rua da cidade sentando-se no asfalto e sem baderna, sem depredações. (Rosa Maria)

 

Sobre os protestos em São Paulo e a diversidade das camadas sociais envolvidas da para se pensar que o motivo principal não é a passagem, são as autoridades.(Casé)

 

Estou adorando estes protestos, acho que a sociedade deve apoiar. Já estava na hora do Brasil reaprender a protestar e reivindicar seus direitos. (Marcelo teixeira)

 

Ficar refém dessas manifestações, preso no trânsito ou dentro das casas e lojas, com medo de ser agredido fisicamente  ou ter o patrimônio depredado, não faz parte de um estado democrático. (Carlos Takahasshi)

 

Caso a polícia e as emissoras de rádio e televisão não dessem guarida a estes vândalos, as passeatas, já estariam esvaziadas e não aconteceriam mais. (Cleiton Pereira)

 

É de suma importância que os nossos governantes estabeleçam um local apropriado para as pessoas fazerem protestos.  (José Martin)

 

POLÍCIA

 

Não concordo em dizer que a policia foi “agressiva”! Eles tinham um acordo de não entrar na Paulista e não cumpriram(Regina Siqueira)

 

A repressão no Brasil não acabou, o que adormeceu foi a vontade da população em se manifestar e isso volta a se despertar aos poucos. (Leandro Bartulic)

 

Acredito em direitos humanos para que tem direitos e não para  bandidos, invasores de terra, manifestantes armados com coquetéis molotov. (Paulo Visconti)

 

Quem deve estar adorando esses protestos são os bandidos. Enquanto toda tropa da polícia combate os manifestantes, os bandidos fazem a festa nas periferias (Daniel Lescano)

 

O que a polícia deve usar? Bombom e perfume? (Miguel Marques)

 

A maior cidade do país nao sabe lidar com um diteito tão legítimo e tao árduo para ser conquistado.(Miya Vilela)

 

Ela (a violência) só começou pois se sentiram acuados. O que eu vi foi incrível. (Alessanra Helena)

 

Nunca vi tanto policial na rua para reprimir quem luta pelos seus direitos. (Wladimir)

 

O desrespeito é muito grande. As pessoas saem nas ruas para protestar e vão armadas… (Cleia carvalho)

 

A policia do Alckmin mais uma vez não conseguiu impedir a baderna. Eles são bons pra massacrar população pobre como no Pinheirinho. (antonio c. ciccone)

 

Uso excessivo da força não é legítima defesa! (Sérgio H. Yariwake)

 

Trabalhador de verdade estava trabalhando ou retornando do mesmo para suas casas, sem tempo para badernas. E viva o Choque! (Isac de Oliveira)

 

As imagens sao muito claras mostrando a policia atirando bombas gratuitamente….. (Alberto Gomes)

 

Imagina que maravilha seria se a PM usasse toda essa energia pra manter a segurança das cidades? (Miriam Machado)

 

A policia tem mesmo que baixar o pau nesta meia duzia de baderneiros que nao representam nem 0,00001% da populaçao, a maioria nem anda de onibus (Luiz Carlos Rodrigues)

 

Pela opinião pública vimos que o povo quer passeata democrática, com ordem e sem faces veladas. (Fernando Magalhães)

 

Acredito em direitos humanos para que tem direitos e não para  bandidos, invasores de terra, manifestantes armados com coquetéis molotov. (Paulo Visconti)

 

E, infelizmente, como protestar com tanta violência? (Edson Lima)

 

O governador e o prefeito devem firmar a posição, ficamos com medo das agressões, mas acho que foi somente uma coisa política, todos pagam imposto (Cynthia Santos)

 

A ordem do Governador e do prefeito é claramente calar a multidão, é atirar bala de borracha e gás de pimenta nos estudantes. Eles tem coragem de reprimir estudantes, mas não o tráfico, t (Marcos Talarico)

 

QUEM PROTESTA

 

Será que essa ação não é um pote cheio de uma população maltratada pelo poder?

 

Não seriam esquerdistas misturados a terroristas e bandidos comuns querendo o confronto para se fazer de vítimas? (Nelson Pereira)

 

É preciso averiguar o grau de legitimidade de quem está ordenando essa manifestações e o porque dessa postura de enfrentamento físico e depredação, algo não condizente com nossa cultura e liberdade democrática que vive o País (Luiz Melo)

 

Acho que as pessoas estão lutando por uma ideia, a ideia de que o povo brasileiro está cansado da política que vem arrastando-os a sarjeta.(Fabio de Lucena)

 

São pessoas ligadas ao PT e PSOL que utilizam coquetel molotov e outros artefatos. Parabéns a policia de São Paulo. (Esdras Campos)

 

Existe uma diferença enorme entre protesto e baderna. No meio desta multidão podemos ter até oposição para enfraquecer os governos estaduais. (Ricardo Gomes)

 

Tem dedo do PIG (Partido da Imprensa Golpista). Por quê não foram feitas manifestações nos últimos 10 anos, por quê não fazem manifestações contra os pedágios, nas estradas paulistas que são os mais caros do mundo? (Cleiton Pereira)

 

Existe uma orquestração de gente que sabe muito bem o que deseja para prejudicar o Governador Geraldo Alckmin (Henrique Schnaider)

 

Absurdo PT e professor LuLa ensinou e agora sente a navalha na carne. (Samuel Oliveira)

 

Nota-se que seguem a cartilha dos movimento terroristas. A reação é proporcional a este tipo de movimento orquestado por extremistas aprendizes de terroristas (José Carlos)

 

Quem não noticia o verdadeiro motivo das manifestações pela “redução do preço da passagem”, ou está conivente ou está de má-fé, pois como disse o Gilberto Carvalho “em 2013 o bicho vai pegar”, ou seja, o objetivo é conquistar o governo de São Paulo, mesmo que hajam alguns efeitos colaterais. (Geraldo Andrade)

De Santo Antonio

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

Somos cercados por energias conflitantes, de todo tipo e matiz. Sempre estivemos, acredito, mas o número de humanos vem crescendo e, onde há aglomeração há confusão. A competitividade aumenta, a avidez galopa, o ódio partidário e preconceituoso arreganha os dentes, a solidariedade mingua, a honestidade se limita a termo no dicionário, e você pode aumentar a lista, se quiser, de tudo que está faltando e de tudo que está sobrando. Vai chegar a uma equação que aponta para o desequilíbrio. Esquecemos que somos um só corpo, separados ilusoriamente, e que tirando do outro, tiramos de nós, e vice-versa.

 

Por outro lado, acabamos de viver o dia de Santo Antonio, santo casamenteiro, santo do amor. E amor, sozinho, equilibra qualquer tipo de energia. Do amor brotam todas as benesses. Por isso, neste papo com você, em vez de enumerar erros do lado de fora e do lado de dentro, vou trazer de volta, em homenagem ao amor, meu primeiro poema publicado neste blog em dezoito de maio de 2008.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

As perucas fazem a cabeça da mulher moderna

 

Por Dora Estevam

 

Quem assiste à novela ou acompanha o mundo da moda sabe que as celebridades e atrizes são capazes de se apresentar com diferentes cortes de cabelos, que mudam em tão pouco tempo, enquanto uma pessoa comum levaria meses para conseguir aquela franja, aquele longo e deixá-los loiro ou ruivo.

 

Atualmente, porém, conseguir o visual de novela já não é mais problema, existem profissionais que são devidamente treinados para adaptar os cabelos de lá para cá. Por exemplo, foi moda nos anos 1960 então vamos revisitá-la e torná-la interessante para os dias de hoje. Eles reinventaram as perucas e as tornaram acessórios indispensáveis nas cômodas das mulheres modernas.

 

 

As perucas tiveram o seu auge de glamour nos anos 1960 e depois caíram em desuso. Apenas mulheres que necessitavam destes apetrechos (especialmente as que tinham de se submeter a quimioterapia e perdiam os pelos) é que continuaram a comprar tais peças. Havia, também, as atrizes que precisavam compor personagens teatrais, novelescas ou cinematográficas.

 

Hoje, o mercado oferece opções que mesmo quem nunca usou ou ousou acaba se rendendo às perucas. Pessoalmente, tenho visto muitas lojas de cabelos na região central de São Paulo. Ao passar diante de uma delas, ouve-se o grito do vendedor: compram-se cabelos! Estive observando essas lojas por dias, até me decidir entrar, sem pretensão e sem a chamada do tal vendedor. Descobre-se que os acessórios não se limitam as perucas, não; têm rabos de cavalos, coques, alongamentos, franjas, com presilhas tic tac que se prendem aos cabelos facilmente, em cores e texturas infinitas,e atendendo aos cortes.

 

 

No balcão da loja Valentina Hair, a proprietária Marcela Viana me atendeu com a maior atenção, e em meio a clientes curiosos, ela me mostrou vários modelos. O mais procurado na loja, hoje, é o Full Lace, uma peruca com uma telinha na borda que esconde o cabelo e deixa o look natural. Outro acessório muito procurado é o coque, que colocado no cabelo da pessoa dá um volume natural e deixa o penteado chic. A atriz Mariana Rios usou um no último dia da novela Salve Jorge, no casamento da mãe dela. As perucas com o couro em silicone também saem bem e se parecem muito com o couro cabeludo natural.

 

Hoje, as perucas estão modernas e traduzem a praticidade da mulher que trabalha fora e precisa estar bonita e inteira para uma festa. O coque ou a franja são fáceis de ser aplicados, explica a proprietária Marcela. O público vai desde a mulher que faz quimioterapia até a jovem que segue para a balada. As perucas são feitas de fios sintéticos, importadas, e naturais, feitas na própria loja.

 

 

Outro apaixonado por cabelos é o cabeleireiro Denylson Azevedo, o Denny. Ele é tão louco por cabelos que montou a coleção “To-Wig”, que está em exposição desde abril. São visuais contemporâneos e fáceis de usar no dia a dia, fazendo dos cabelos acessórios. A proposta do profissional é vestir os rostos com cortes estilizados, elaborando o penteado de acordo com as linhs do rosto, formato e estilo da cliente.

 

Denny se inspirou nas pessoas que influenciaram a década de 1960 e nas ruas de Londres para criar as suas personagens. A partir daí, os nomes das composições são referências de locais da capital inglesa. Para curtir mais um pouco deste trabalho, assista ao vídeo da exposição criado pelo designer Ricardo Don.

 

Infos:

 


Exposição To-Wig

Local: Espaço AVA | R. Cônego Eugênio Leite, 170 C – Jardins – SP.
Dia: 4 de abril
Horário: Das 17h às 22h.

 

Salão Wig
Alameda Lorena 578 (dentro da loja Diva), Jardins – SP.
Atendimento apenas com hora marcada.
Informações: (11) 2579-7965

 

Valentina Hair
Rua: Quintino Bocaiúva, 182, centro, Praça da Sé, São Paulo
(11) 3106 9589
e-mail: valentinahair@hotmail.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: erros e acertos nos processos de fusão

 

 

Nos últimos anos, ocorreram vários processos de venda, aquisição e fusão de médias e pequenas empresas, em função da relativa estabilidade econômica do país. Diante deste cenário, o Mundo Corporativo, da rádio CBN, entrevistou o consultor Paulo Cury, da Condere – Consultoria em Negócios Estratégicos, sobre acertos e erros comuns nestas situações. Cury alertou para o “acordo pré-nupcial” que os empresários devem fazer quiando iniciam um processo de negociação. No programa, o consultor ensina que ao determinar o valor de uma empresa, o negociador leva em conta “crescimento e sinergia”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às 11 horas, com apresentação no site da CBN, e participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: meu casarão dos Campos Elíseos

 

Um centro sofisticado, limpo e chique. É o que se recorda Cynira Casado, que nasceu em São Paulo, em março de 1935, em pleno Carnaval. Veio ao mundo pelas mãos de uma parteira, em casa, ao som do bloco de que passava pelas ruas de Campos Elísios, na região central. Filha de paulistas, descendentes de imigrantes de espanhóis e italianos, Cynira conta que a mãe era artesã, e o pai mecânico eletricista, o que na época rendia um bom dinheiro. Por 12 anos eles viveram em um casarão, no bairro do centro, que, tinha um ar nostálgico do campo, e ao mesmo tempo, requinte e sofisticação. Ali naquele casarão, em diferentes cômodos, viviam tios, tias, primos e avós. Mas um dia a família teve que deixar o local. Era o progresso chegando com os grandes edifícios que começavam a ser contruídos.

 

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Cynira lembra cada um desses momentos e do cenário que tinha diante de sua janela, muito diferentes do atual. Havia lindos passeios públicos, lojas sofisticadas, um clássico cinema e uma praça espaçosa, com a igreja de Santa Cecília:

 

Ouça estas histórias contadas pela própria autora, editadas pela Marcela Guimarães e sonorizadas pelo Cláudio Antonio.

 


Conte você também sua história de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoira@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: somos um bando de loucos

 

Grêmio 1 x 1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Calma, lá, caro e raro leitor gremista deste blog. Vou, sim, falar do Grêmio neste post, apesar do título lembrar o apelido de outra torcida. Aliás, sequer vou me ater ao comportamento de nossos torcedores que ganharam o direito de ocupar seu espaço na Arena, mesmo que permaneçam restrições à avalanche. Apesar do atraso na publicação deste texto provocado pelo horário do jogo, compromissos profissionais e familiares, quero, hoje, reproduzir a sensação que tive ao ver nosso time em campo.

 

Assisti à partida deitado na cama, em silêncio total, sem nem mesmo ouvir o que diziam narrador, comentarista e repórteres na televisão. Prestei muita atenção na formação inicial escalada por Vanderlei Luxemburgo e tentei entender a estratégia dos três atacantes, o deslocamento dos laterais, o posicionamento dos zagueiros, a ação dos volantes e a articulação do meio de campo – ou do que havia no meio do campo no primeiro tempo (no caso, Zé Roberto, isolado, obrigado a conduzir a bola em busca de algum companheiro). Vi as mudanças no intervalo, a boa entrada de Elano, a presença de Guilherme Biteco e a chegada de Ramiro. Como nada ouvi, fiquei sem saber se Elano entrou no segundo tempo devido a desgaste físico ou para atender o esquema do técnico.

 

Confesso que não sou craque em identificar esquemas táticos como costumam fazer muito bem colegas como o Mário Marra, da CBN. Sempre tive dificuldade para contar o 4-4-2, o 3-5-1 ou o 4-2-1-3, que me parece foi o usado na partida de ontem. Por isso analiso o futebol muito mais pelas sensações do que pela razão. E meu sentimento, em meio as dificuldades para chegarmos ao gol adversário, era de que não passávamos de um bando de louco, dispostos a vencer, mas sem ter planejado o caminho da vitória. No segundo tempo em especial, foi possível até mesmo se emocionar com o esforço de alguns para mudar o placar. Era evidente, porém, que tudo ocorria de forma voluntariosa, do jeito que desse, torcendo para dar certo. Aquele chute do Werley, longe do gol, quando havia atacantes a espera do lançamento dentro da área, sinalizava bem este espírito. Aliás, nosso gol de empate, aos 42 minutos do segundo tempo, com a bola empurrada para dentro, na cabeçada de Kleber, também foi resultado disso tudo.

 

Ainda bem que estas loucuras de vez em quando dão resultado, nem que este resultado seja um simples empate dentro de casa.

 

Quem será capaz de colocar só um pouco de razão diante desta alucinação?

O cavalheirismo está moribundo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Cláudia Tajes, uma das minhas sobrinhas, filha de minha irmã Mirian e do jornalista Tito Tajes, ambos já falecidos, custou a decidir que profissão mais lhe interessava seguir. Se não me engano, seu pai não gostaria que a sua jovem filha optasse pela profissão paterna. Os meus filhos e os seus primos visitavam com frequência tanto a Rádio Guaíba quanto a redação e as oficinas do velho e saudoso Correio do Povo. O Mílton, responsável por este blog e por minha presença nele, embora viva escrevendo que são raros os seus leitores, coisa em que não acredito, foi o único da turminha que se formou em jornalismo e acabou trabalhando, no início da carreira, como produtor e apresentador de um programa que tratava de esportes amadores. Os “caros e raros leitores” devem estar se perguntando por que comecei este texto citando a Cláudia. Talvez tenha dado a impressão de que havia esquecido a frase inicial.

 

Não esqueci. Abri com ela para dizer que minha sobrinha, creio que surpreendentemente, transformou-se em escritora, roteirista e ex-redatora de importantes agências de propaganda gaúchas. É, também, colunista do carderno Donna, que é um encarte do jornal Zero Hora dominical. No último domingo, sua coluna começa com uma pergunta: – Cavalheirismo:isso existe?

 

Cláudia fez a pergunta e, embora sendo uma indagação retórica, respondo: o cavalheirismo está, no mínimo, moribundo. Quando eu era um gurizote e meus pais permitiam que eu fosse para o colégio (ou os colégios, pois foram vários) pegava o bonde Floresta ou São João, numa das paradas próximas a minha casa, na Avenida Benjamin Constant e, se havia lugar para viajar sentado, me aboletava num dos bancos e ficava torcendo para que entrasse uma pessoa idosa ou uma mulher mais velha do que eu para, sem titubear, ceder o meu lugar. Naquela longínqua época, não só os meninos da minha idade, mas qualquer homem que visse um idoso ou uma mulher em pé, no bonde, logo se levantava. Cavalheirismo era algo que se aprendia em casa. Hoje, Cláudia tem razão: no trânsito é onde até os razoavelmente educados se transformam em bandidos. Os jovens, então, são os piores.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele) às quintas-feiras.

Serviço público: procuram-se talentos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A evidência da diferença entre os setores público e privado se comprova na dificuldade em que os talentos privados têm para obter sucesso na área pública e vice-versa. Bloomberg na prefeitura de New York, Meirelles no Banco Central do Brasil são bons exemplos de executivos de sucesso que tiveram êxito na vida pública. Exceções à regra. Provavelmente! O que, é um pouco desconcertante, pois temos hoje um punhado de empresas brasileiras no topo do mercado global, dirigidas por competentes executivos nacionais. Cujos talentos poderiam servir no governo das nossas cidades, estados, municípios e mesmo do país.

 

As páginas amarelas da Veja, que me trouxeram a essas ponderações, sinalizam através da entrevista com Abílio Diniz um conhecimento do público através da ótica do privado que não podemos prescindir. Até mesmo para não transgredir com a nação, pela simplicidade e pela objetividade. Diniz lembra que sugeriu à Presidenta Dilma reduzir o ministério, que tinha 37 membros. Hoje são 40. O aconselhável de acordo com as melhores práticas de administração, é que um dirigente tenha no máximo 12 subordinados. Número também adotado por Abílio. Defensor da Reforma Tributária, Diniz dá hoje preferência à Reforma Política em função do potencial de corrupção que o financiamento das eleições oferece.

 

Considerando que a gestão moderna foca processos e pessoas, não admite a morosidade do governo. Fato que o faz considerar 10 anos perdidos quando participou do CMN Conselho Monetário Nacional. Como sequestrado que foi não deixou de observar o sistema penal brasileiro, levando-o a sugerir a segmentação da legislação do menor em três faixas específicas: 16 anos, 16 a 18 e 18 a 21.

 

Se as ações dos dirigentes privados não garantem o resultado no setor público, ao menos a sua visão precisa ser considerada. Estas considerações, compartilhadas certamente por um punhado de brasileiros ficam esperando pela ação do setor público. A habilitação terá que ser dada na votação. Quando, não sabemos. Talvez nas próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A felicidade da prostituta incomoda muita gente

Das missas na Igreja do Menino Deus, em Porto Alegre, lembro de algumas passagens. As homilias realísticas do padre Tarcísio de Nadal eram provocantes, pois falava coisa que padre não costumava falar naquela época. Era final dos anos 1970, início dos 1980. Cutucava as carolas que sentavam na primeira fila de bancos da Igreja e lembrava que não bastava estarem presentes com roupa recatada e oração decorada se, ao saírem pela porta, cuspiam no chão diante de uma prostituta, na avenida Getúlio Vargas. Aquelas mulheres, referia-se as moças que faziam ponto mais à frente, têm de ser respeitadas como qualquer outra. Católicos não poderiam se dar ao direito de discriminar seres humanos, aprendi das suas falas.

 

Muita coisa mudou desde as domingueiras na Igreja, nem todas para melhor. Desde a semana passada, a imagem de uma prostituta gaúcha, que soube depois faz ponto na praça da Alfândega, a 20 minutos do Menino Deus, derrubou um diretor do Ministério da Saúde, constrangeu o Ministro e expôs o lado mais conservador da sociedade (e de colegas meus, também). A peça, você já deve ter lido sobre isso, foi criada em oficina que reuniu profissionais do sexo, como costumam dizer por aí, e buscava melhorar a autoestima destas mulheres, chamar atenção para o respeito que merecem e os cuidados que devem ter com doenças sexualmente transmissíveis.

 

O que pegou mesmo foi a frase usada em um dos cartazes: “Eu sou feliz sendo prostituta”. Que direito aquela mulher, olhando no meu olho, tinha de jogar na minha cara a felicidade dela? Este sentimento que muitos de nós não somos capazes de alcançar com a realização do nosso trabalho ou em meio a nossa família. Imagine ela, desrepeitada, cuspida – para lembrar as carolas do padre Tarcísio – e esquecida pela sociedade. Jamais poderia ser feliz. Uma falta de respeito desta senhora. Pensaram muitos.

 

Imediatamente, todos saíram a falar sobre o assunto e criticar o comportamento do Ministério da Saúde, que pressionado recuou da iniciativa, cancelou a campanha que circularia nas redes sociais, defenestrou o diretor do Departamento de Doenças Sexuais Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais do ministério, Dirceu Greco, e jogou fora a boa oportunidade de avançar nas políticas públicas para as populações mais vulneráveis. Deve imaginar que assim o problema da prostituição esteja resolvido.

 

No fim de semana, descobre-se que, sim, é possível ser prostituta e feliz, assim como ser jornalista, engenheiro, arquiteto, ou seja lá qual for a profissão que você escolheu, e ser feliz. A modelo do cartaz, Nilce Machado, de 53 anos, foi ouvida por Elder Ogliari, do caderno Aliás, do Estadão, e disse com todas as letras: “sou prostituta e feliz porque adquiri muito conhecimento, é na profissão que consigo ajudar minhas colegas, ganho meu dinheiro, não tenho patrão, faço meu horário, tenho minha liberdade, cuido da minha saúde … além disso, tenho uma bela família que me aceita como sou, prostituta e feliz”. Coisas que muitos de nós não conquistamos até hoje. Por digna que é, teve mais coragem do que o ministro Alexandre Padilha. Além de falar do tema abertamente e não se esconder nas esquinas, anunciou seu descontentamento com a decisão do Governo Federal, disse que ficou aborrecida e não está mais disponível para campanhas no ministério.

 

Nas redes sociais, garotas de programa também criticaram a postura do governo. Monique Prada, por sinal tão gaúcha como Nice, e como as carolas do padre Tarcísio, lembrou, no Twitter, que a campanha “não tratava apenas de prevenção de DSTs, mas também da cidadania da prostituta”. Em outro texto, defendeu a legitimação da prostituição, acompanhada de cuidados especializados com saúde, diminuição do preconceito e garantia de diversos outros direitos: “a prostituição em si não fere a dignidade humana. As condições em que algumas colegas exercem sua atividade, sim”.

 

Ou seja, aqueles que não conhecem a situação das prostitutas, não convivem com elas, ou convivem como clientes sem respeitá-las, se apressaram em dizer que não é possível ser feliz assim. As prostitutas, discordam.

 

Saudades do Padre Tarcísio!