Debate em vídeo sobre os protestos históricos no Brasil

 

 

Os protestos pela qualidade do serviço público, a corrupção e mais uma variedade de temas que mobilizam o Brasil há duas semanas motivaram debate que realizei com leitores e equipe da revista Época São Paulo, através do serviço de hangout do Google. A discussão foi durante os manifestos da semana passada, dia 17 de junho.

 

Mais do que afetar a cidade, os protestos precisam ser entendidos como uma manifestação democrática. E que, como tais, eles integram a cartilha de direitos dos cidadãos paulistanos. Não tinha dúvidas de estar diante de um momento histórico para o Brasil capaz de mudar nosso destino.

 

Se você perdeu o hangout ao vivo, assista no vídeo acima.

De desabafo

 

Por Maria Lucia Solla

 

Desabafo é vapor que assobia pela válvula, quando se está prestes a explodir. É o que está acumulado há tanto tempo que não dá para represar. É um descarrilhar inesperado que faz a gente escorregar, meter as mãos pelos pés, cair, se ralar, levantar, e mesmo sangrando gritar. Para não engasgar, para não sufocar.

 

Desabafo não é bafo; desabafo é vital e sua banda. É uma das últimas cartas que se tem na manga, é recurso derradeiro, mesmo que seja o primeiro.

 

Desabafo é pioneiro, toda vez.

 

Desabafo é como rolha de champanhe, sai apressado e desatento, de tanto armazenar desalento. E é bom ficar atento para não amordaçar o detento. É deixar fluir, cada um o seu. A seu modo, em cada canto, dando vazão ao desalento.

 

Para a pressão do desabafo que aumenta, ha duas saídas, expressão ou depressão. Solidão ou união.

 

Fui cara pintada, sou rebelde dos anos sessenta e confio na juventude que de alienada não tem nada, mas tenho medo de quem tenta pôr panos quentes na revolta, de quem tenta pôr ordem no caos. A cegueira intelectual só vê coerência no que pode apalpar, naquilo que serve ao seu próprio paladar.

 

De política sei quase nada, mas de gente sei um pouco. Não é preciso ser especialista para ver que a vida vai mal por estes lados do planeta, que o povo vive mal, estendendo a mão para alcançar promessas vãs, de migalha em migalha de pão para o corpo, esfomeado na alma e na dignidade que nem sabe mais o que é.

 

Pitaco para a solução? Que tal exterminar a obrigatoriedade do voto manipulado, do analfabeto comprado por tostão? Que tal arrumarmos nossa casa em vez de posarmos de bacana ajudando o povo de Havana? Que tal escola e saúde para o povo faminto em vez de facilitar a compra de automóvel e de tevê?

 

Estamos virando as costas para o ópio de cada dia, para o sorriso falso arquitetado por marqueteiros de plantão, para o populismo barato que nos custa tão caro.

 

Dá-lhe povo brasileiro! É hora do desabafo. Para diminuir a pressão no peito, para dar a Deus a mansidão patética de quem se contenta com merreca.

 

Queremos ricos, pobres e políticos ladrões na cadeia, ou este país, num piscar de olhos se incendeia.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: estratégias para a educação corporativa

 

“O conceito de educação corporativa esta focado no desenvolvimento de competências e não só de habilidades ou conhecimentos, mas de competências críticas do negócio”, explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Educação Corporativa, Marcos Baugartner, nesta entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Segundo ele , pesquisas mostram que as empresas brasileiras investem em torno de 3,2% da folha de pagamento em treinamento e desenvolvimento e boa parte deste trabalho é para compensar as carências na educação básica dos seus empregados. Baugartner organizou ao lado de Fabiana Gradella Casarini o livro “Educação Corporativa – da teoria à prática”, lançado pela Editora SENAC.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Para respirar no primeiro fim de semana de inverno, em São Paulo

 

Por Dora Estevam

 

O fim de semana merece atenção especial e pensando nisso fiz uma curadoria das programações para você levar as crianças e se divertir, seja no cinema, no teatro ou parque.

 

Começando com o cinema: particularmente, tenho preferência pelo filme Universidade Monstros, sequência de Monstros S.A, aqui a visão do relacionamento entre Mike e Sulley no período em que estavam na Universidade do Terror.

 

Para quem gosta de passeios a céu aberto a sugestão é passear no Memorial da América Latina, sábado ou domingo, e participar das diversas oficinas que eles estão propondo nos dois dias: recreações infantis, parquinho, circuito de caminhada e de ginástica.

 

Nos dois dias: na parte da manhã exibição de filmes divertidos no espaço Vídeo do Pavilhão da Criatividade. À tarde, 13h30, Charanga Bombeiro, com o grupo CapadoCia.

 

Sábado: às 15h30, apresentação Folias de São Pedro, São João e Santo Antonio, na frente do auditório.

 

Domingo: no mesmo horário e local a animação ficará por conta do show Trio Som Tropical.

 

Para quem curte música erudita a opção é a Sala São Paulo para conferir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, domingo às 11h, que une dois coros para a série Concertos Matinais. A regência do coro infantil ficará no comando do regente japonês Teruo Yoshida, o juvenil tem à frente o maestro brasileiro Paulo Cesar Moura. A pianista romena Dana Radu irá teclar obras dos austríacos Franz Peter Shubert (1797-1828) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), além do americano Leonard Bersntein (1918-1990), entre outras maravilhas.

 

Também na linha infantil, domingo às 15h, na Casa das Rosas, a Infinita Companhia narra o conto mexicano Mi abuela ya no esta (Minha avó já não está). Rutilda, sábia e misteriosa mulher, conta a história de Alfredo, um garoto mexicano que perdeu a avó. Com isso, o jovem descobre que as pessoas queridas continuam sempre fazendo parte de nossas vidas. Um verdadeiro mergulho no imaginário e nos costumes do Dia dos Mortos, tudo com as técnicas de animação do grupo.

 

 

Para quem gosta de espetáculos de dança é bom correr, neste fim de semana a Cia de Dança vai apresentar as três últimas obras do repertório da temporada. Pela primeira vez na América Latina será exibida uma peça do coreógrafo americano William Forsythe In The Middle, somewhat elevated (No oriente, um pouco elevada), criada em 1987 por Sylvie Guillem e outras estrelas do Paris Opera Ballet, com música de Thom Willems. Em Supernova (2009), coreografia de contrastes, na qual morte e vida, escuro e claro estão ligados pela energia de cada corpo. O jovem coreógrafo alemão Marco Goeke utiliza recursos elementares como água, sal e fogo. Também tem a estreia da obra ainda sem nome para o Ateliê de Coreógrafos Brasileiros 2013 do bailarino, coreógrafo, diretor e professor Luiz Fernando Bongiovanni.

 

Um pouco mais de música: da eletrônica para o rock indie, o repertório faz parte da programação de música eletrónica Green Sunset deste mês que muda o foco e conta com a parceria do Cultura Inglesa Festival para realizar os festivais. Quem se apresenta é o ex-vocalista e ex-guitarrista das extintas bandas The Libertines e Dirty Pretty Things. O inglês vai discotecar uma festa com sucessos mais tocados de seus principais álbuns. A edição conta ainda com o residente DJ Tahira, Handys Klaus e intervenções do grupo Grite Poesias. Não perca, sábado às 16h00.

 

Fique com o som do single “Victory Gun” de Carl Barat. Um bom final de semana!

 

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Do Quiéres às redes socias

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Maria Helena, minha mulher, e eu, compramos o nosso primeiro computador faz tanto tempo que nenhum de nós conseguiu se lembrar do ano em que isso ocorreu. Talvez tenha sido em 1996. Esse tipo de informação nem o Google, que sabe quase tudo, é capaz de dar. Vá lá, lembro-me tratar-se de um Vaio. O PC estava exposto e à disposição para ser testado. Tínhamos, porém, tanta vontade de levá-lo para casa que o adquirimos sem pensar duas vezes. Naquele tempo, um computador não oferecia aos seus usuários os recursos, os programas e, claro, os avanços tecnológicos que foram surgindo com o passar dos anos. Se não me falha a memória, não se faziam presentes redes sociais de nenhuma espécie. Os “chats”, então, eram quase tudo que tínhamos para conversar com amigos ou com pessoas que nunca víramos nem sonhávamos que acabaríamos conhecendo na internet.

 

Filiamo-nos ao “chat” chamado “quiéres?”. O seu criador, o mexicano Salvador Méndez, se tornou nosso amigo íntimo. Eu lhe escrevia em português a seu pedido. Queria aprender a nossa língua. Salvador foi, tanto para Malena quanto para mim, um excelente professor de espanhol, aliás, o melhor que tive. Ela escreve o “español” melhor do que muitos hispânicos que entram nos “chats” das redes sociais. Jogo sinuca pela internet e minha preferida é a “sala Barcelona”, do site “GameDesire”, porque nessa enfrento muitos adversários de língua espanhola, com quem converso. Não sou muito chegado, no entanto, a acessar as redes sociais. Acho-as, na atualidade, evidentemente, muito importantes. Maria Helena até andou usando o meu Facebook, mas tem, agora, o seu. Eu estou nesse e no Twitter. Já assinei o Orkut (existe ainda?). Há outros, mas não me convidem para neles me cadastrar. Seja lá como for, tenho saudade do nosso primeiro PC e mesmo de sua escassa tecnologia.

 

Citei, faz pouco, no meu texto desta quinta-feira, as redes sociais. Vejo-as todas como facas de dois gumes. Há quem se utilize delas para o bem. Existem, entretanto, os que se aproveitam delas para o mal. Os exemplos desses últimos – os do mal – ficaram patentes nos ustos protestos populares em que eram exigidos mais hospitais, educação, tarifas de transporte coletivo e o fim de corrupção dos políticos. A contribuição das redes sociais, nesse sentido, deve ter alcançado quase 100%, pois até no Estados Unidos brasileiros se filiaram às manifestações. Os vândalos, os bagunceiros, os aproveitadores, aqueles que são do mal, trataram de macular as boas intenções das pessoas de bem, realizando toda sorte de tropelias, tão amplamente noticiadas pela mídia que seria ocioso as repetir. A existência dessas ralés deixou-me ainda mais revoltado porque moro em Porto Alegre há 77 anos e não sabia que, entre os seus piores representantes, muitos são daqui.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As grandes vaias

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As vaias que Blatter e Dilma receberam no sábado resultaram em infinitas análises. As ciências humanas foram requisitadas para explicá-las. Um exagero!

 

A vaia nos estádios sempre foi usada para desaprovar os intrusos ao espetáculo que viria. Simples assim! Nos anos 1970, no auge do futebol brasileiro, o estádio do Morumbi com 100 mil torcedore,s duas horas antes do inicio do jogo, recebeu equipes de futebol formadas pelas coelhinhas da revista Playboy, “vestidas” a caráter. A ideia de entreter não funcionou. Foram recepcionadas com uma vaia e um coro fenomenal: “queremos homens, queremos homens…”.

 

O Morumbi fizera o que Nelson Rodrigues preconizara para o Maracanã, quando afirmava que lá se vaiava até mulher nua. Não antes de ter dito num programa da TV Rio uma frase que se tornou antológica. Quando se comentava que o Marechal Castelo Branco teve seu velório no Clube Militar anunciado pelos alto-falantes do Maracanã pedindo um minuto de silêncio antes do jogo América x Botafogo, e o Maracanã inteiro vaiou. Ao que Nelson comentou: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”.

 

O torcedor que vaiou Blatter e Dilma faz parte do público da pesquisa do Datafolha que constatou que 77% apoia a Copa e naquele momento queria mesmo é assistir à partida Brasil x Japão. Entretanto, parte deste mesmo público da pesquisa, fora do Mané Garrincha, dava seu recado aos políticos e seus desmandos. As passagens reajustadas era apenas um pretexto inicial. E o movimento tomou uma seriedade respeitável. Um movimento sem um líder único e sem um inimigo específico, mas com a cara de um Brasil atualizado. De repente o país do futebol, está se transformando com a ajuda das mídias sociais na democracia a caminho da República ideal.

 

Por isso que o incessante barulho de helicópteros durante horas na noite de terça-feira não me impediram que o humor aflorasse ao passar em frente ao Palácio dos Bandeirantes, ontem pela manhã, e lesse o cartaz empunhado por uma bela jovem remanescente da ação: “Acorda Brasil”.

 

Também na terça-feira foi anunciado que R$ 400 milhões de dinheiro público federal seriam creditados ao estádio de Itaquera para se somar aos R$ 420 milhões que a Prefeitura de São Paulo já tinha doado. Na próxima semana, a PEC 37 será votada, quando correremos o risco do Ministério Público ser esvaziado. “Acorda Brasil”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Equilíbrio é a palavra de ordem

 

Manifestação na Paulista foi pacífica na noite de terça-feira

 

No que estamos metidos? Ouço a pergunta de vários lados. Muitos de nós não temos a resposta para isso. Quem as tem de forma taxativa corre o risco da revisão em breve ou esteja apenas interessado em vender uma tese. Os olhares ainda estão contaminados demais para uma fala totalmente isenta. As manifestações, frutos de uma sociedade conectada, causam reações desconexas. As características deste cenário têm provocado conclusões sem sentido e contraditórias. Alguns perderam a lógica do pensamento ao explicar suas posições e suas falas beiram ao absurdo. Gente de diferentes matizes políticas se aproveita desta situação. Pelas palavras ou atos, joga pedras para o outro lado da rua, enxerga inimigo em todas as sombras e não assume sua responsabilidade. O momento é propício para os aproveitadores e alcançar o equilíbrio tem de ser a meta de quem media esta situação.

Produtos nacionais com patentes estrangeiras

 

Por Julio Tannus

 

Reproduzo aqui texto sobre a questão das patentes de produtos nacionais:

 

 
       Na história da biopirataria, produtos como rapadura, cupuaçu e caipirinha já fazem parte do grande acervo de patentes que circulam hoje no mundo envolvendo nomes genuinamente brasileiros, com o país precisando brigar sempre para garantir o seu passaporte verde e amarelo.

 

O registro estrangeiro de marcas com nomes de produtos nacionais tem representado nos últimos anos uma grande dor de cabeça para o Ministério das Relações Exteriores. Isto porque os sistemas de segurança são frágeis. Apesar de uma lista com a nomenclatura da biodiversidade no Brasil tentar impor limites, as autoridades brasileiras esbarram na ausência de uma legislação internacional sobre o assunto.

 

                  
Entre os produtos brasileiros, o Cupuaçu é o que tem mais dado trabalho às autoridades brasileiras nos últimos anos. A Divisão de Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores conseguiu reverter o domínio do nome da fruta em poder de empresas nos Estados Unidos e na Europa e obteve de volta a nacionalidade do mesmo. Mas falta, ainda, quebrar outras patentes do produto. A apropriação do nome dos produtos brasileiros por outro país impede que produtos nacionais saiam do Brasil com o nome original porque o direito sobre a marca “pertence” a uma empresa estrangeira.

 

“Já pensou vender rapadura para o exterior e ter de colocar o nome de garapa sólida na embalagem porque rapadura é um direito alemão?”, questionou ao Correio o diretor de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Velez. O nome do doce típico do Nordeste chegou a pertencer a uma empresa na Alemanha que o registrou como domínio naquele país e nos Estados Unidos, mas a rapadura alemã não durou muito tempo. Por meio de um acordo de cavalheiros, o Itamaraty conseguiu reaver a brasilidade do produto.

 

Aliás, segundo o jornal brasiliense, o diálogo é a primeira estratégia que o Ministério das Relações Exteriores utiliza para obter de volta a propriedade intelectual de um nome brasileiro. Geralmente, a empresa estrangeira abandona a apropriação do nome. O Japão, por exemplo, já havia registrado a marca cupuaçu também, mas devolveu o domínio em 2004.

 

Quando não há composição amigável para reaver o domínio do nome brasileiro, o ministério dá entrada em procedimento administrativo no país de origem do proprietário da marca. No momento, o Ministério das Relações Exteriores acompanha dezenas de processos de utilização de nomes brasileiros como marca estrangeira em vários países.

 

A falta de um marco regulatório internacional deixa o produto nacional mais vulnerável ao seqüestro do nome. A lei de combate à biopirataria não trata da apropriação de nome de planta ou animal, tradicionais da fauna e da flora brasileira. Para evitar o uso estrangeiro de denominações do Brasil, o país preparou uma lista de nomes associados à biodiversidade brasileira. São mais de três mil registros científicos e cinco mil genéricos.

 

Mas há casos que fogem à regra de “clonagem” de nomes. Tem empresa estrangeira usando caipirinha e açaí compostos com outro nome como estratégia para fugir do questionamento de propriedade. Na Inglaterra existe um produto chamado Açaí-Power. A marca não pode ser questionada, mas o nome da fruta não pode ser usado de forma isolada.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras escreve no Blog do Mílton Jung