Um cordel para comemorar os 21 anos da CBN

Prof. Gerardo Carvalho (PROF. PARDAL)
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

Prestem atenção nesta história
Que agora vou lhe contar
Deste amigo professor
Que aprendeu a colocar
O rádio na cabeceira
E a amizade é verdadeira
Que veio a se apaixonar.

 

Formado em Filosofia
Também em Comunicação
Social na UFC
Completando a vocação.
Isso foi em 2002,
Não mais deixei pra depois
O rádio está sempre à mão

 

Fiz duas cadeiras de rádio,
Lá na Universidade
Federal do Ceará,
Quando encontrei de verdade
Um professor vibrador.
Fazia rádio por amor
Tinha credibilidade

 

Era repórter da Povo,
A AM que hoje é parceira
Da CBN, que juntas,
Se tornaram a companheira
Deste humilde jornalista
Que não mais perde de vista
E ouve radio a vida inteira.

 

Foi Luiz Paulo Machado,
Repórter por convicção.
Que me ensinou ouvir rádio
E desde este tempo, então,
Ouvir rádio é tão solene,
Que só mesmo a CBN
Satisfaz minha audição…

 

Às cinco horas já ouço
Ceci Melo ao microfone.
Com suas Primeiras Notícias
“Bota a boca no trombone”.
Dá conta bem do recado
Quem quiser ficar informado?
No rádio a selecione…

 

Vem o Jornal da CBN
Com Milton na locução
Das 6 até às 9 horas
É um show de informação.
Pra ninguém perder de vista
Aqui e ali um comentarista
Faz a sua intervenção!

 

É a vez de Juca Kfouri
Bater sua bola no esporte
Depois vem o Sardenberg
Na economia dando o norte.
E para uma boa crítica
A esta confusa política,
O Merval vem dar suporte.

 

O Gilberto Dimenstein
Com suas curiosidades
Na ciência e educação
Ele só traz novidades.
Na vez de Arnaldo Jabor,
A sua crítica é um terror
A algumas falsas verdades.

 

Max Gehringer entra em ação
Com o “Mundo Cooperativo”
Ele orienta o ouvinte
Pra que este seja vivo
No emprego, em alguma parada
Pois para não dar mancada
Precisa ser criativo.

 

Dan Stulbach, Zé Godoy,
Luiz Gustavo Medina
Na “Hora de Expediente”
Trazem assuntos lá da China.
Cada qual mais engraçado
Dão ali o seu recado
Com uma boa adrenalina.

 

Quando chego em casa à noite
Ouço João Carlos Santana
Que faz da “Sala de Música”
Uma audiência bacana
Já ouvi do rock ao baião
Do zabumba ao violão
Do samba, valsa ao nirvana.

 

Digo, enfim, que a CBN
No país é raridade.
Como Rádio Jornalismo,
Ela alcançou de verdade
Nestes seus 21 ANOS
Toda a credibilidade.

 

Sobre o autor:

 

Escritor, poeta, cordelista, filósofo, bacharel em Comunicação Social (jornalismo);
Professor,Educador de trânsito; Vice-diretor da Escola
Municipal Madre Tereza de Calcutá – Fortaleza
Ex-seminarista franciscano; Autor de “São Francisco do Povo: ontem e hoje”,
Editora Vozes. Autor de mais de 70 títulos de cordel, abordando temas ligados à natureza e
defesa da vida. Recebeu vários prêmios como cordelista e trovador, entre eles, Seduc/Paic/2010; o prêmio Patativa do Assaré pelo Ministério da Cultura

Avalanche Tricolor: um jogo cheio de supresas

 

Grêmio 2 x 1 Barcelona
Sul-Americana – Olímpico Monumental

 

Desculpe-me pelas poucas palavras, caro e raro leitor desta Avalanche, mas pouco tenho a dizer porque pouco assisti da vitória de ontem, tarde da noite, em Porto Alegre. Uma inflamação na garganta – minha ferramenta de trabalho – somada a uma série de outros fatores – dor de cabeça, primeira semana de horário de verão e obrigação de acordar às quatro da matina – conspiraram contra meu desejo de vibrar com mais uma virada gremista. Confesso, porém, que fui surpreendido, não imaginava que teríamos tantas emoções nesta partida de volta depois daquela importante vitória na casa do adversário. Pensei que passaríamos com mais tranquilidade. Parece que não aprendo, nossa vida nunca é tranquila. Quem mandou gostar tanto de viver estas emoções? Seja como for, conto com os seus comentários para entender um pouco mais o que nos levou a este resultado. E deixo as imagens dos gols para comemorarmos juntos a classificação às quartas-de-final, especialmente com a cobrança de falta de Zé Roberto, o Imortal Zé (a propósito: o diretor de TV da FoxSport também foi surpreendido, mas com a cobrança de falta)

 

Jorge Marimon Mendes, um repórter esportivo inesquecível

 

Por Milton Ferretti Jung

 

 

O meu pai foi assinante durante muitos anos da Revista Selecções Reader´s Digest. Ele começou a lê-la na época da Segunda Grande Guerra. Claro, suas edições estavam sempre recheadas com histórias do conflito, nas quais as tropas dos Estados Unidos e de seus aliados protagonizavam batalhas fantásticas em que, via de regra, saiam vitoriosas. Já naquela época eu costumava ler desde revistas em quadrinhos – Gibi, Globo Juvenil e congêneres – a romances cujo conteúdo nem sempre era apropriado para adolescentes. Nas Selecções Reader’s Digest eu não deixava de ler, “O Meu Tipo Inesquecível”, presente em todos os números. Sob tal título, havia histórias acerca de pessoas que, de alguma forma, marcaram a vida e ficaram na lembrança de quem as relatava. Na manicure em que todas as quartas-feiras levo Maria Helena, minha mulher, existem revistas de vários tipos – Cláudia, Caras, Contigo etc. – mas, enfiadas numa pequena estante, meio escondidas, existem Selecções. São de meses passados,é verdade, o que não chega a ser problema, porque não se desatualizam, o que, por exemplo, ocorre com a Veja. Abro um parêntese para dizer que destesto as enormes revistas, repletas de fotos de pessoas que nunca vi mais gordas ou tão magras quanto as “top models” dos dias atuais.

 

Ao abrir a primeira das Selecções com que me deparei, procurei imediatamente, uma história sobre ”O Meu Tipo Inesquecível”. Folheei o exemplar e nada encontrei. O que fazer? Talvez o atual editor da Revista tenha entendido que não é fácil encontrar quem queira escrever acerca desse assunto. Ocorreu-me, nessa segunda-feira, que, se Selecções ainda tivesse “O Meu Tipo Inesquecível”, eu teria um capaz de preencher o espaço agora inexistente. Ao chegar à Rádio Guaíba, fiquei sabendo que Jorge Marimon Mendes fora encontrado morto, no sofá de sua casa, por sua filha Rosângela. Essa, viera a Porto Alegre para buscar o seu pai e levá-lo para comemorar, em Santa Catarina, o seu nonagésimo aniversário, que completaria nesta quinta-feira. Aparentemente, Jorginho, como era conhecido carinhosamente por seus colegas e amigos, aparentemente foi vitimado por um ataque cardíaco fulminante. Ao vê-lo a última vez, cheguei a pensar que o meu colega havia descoberto o elixir da eterna juventude. Prestes a fazer 90 anos, parecia ter pouco mais de 60, magro enxuto, disposto. Colorado, não perdia jogo do Inter e, pasmem, nem do Grêmio, desde que ambos não jogassem no mesmo dia.

 

Jorginho, que era o último ex-atleta vivo do Bambala, clube amador de Porto Alegre nos bons tempos dos campos de arrabaldes, começou sua carreira de jornalista em 1939, na Rádio Farroupilha. Teve passagens pelo Diário de Notícias, Zero Hora e Jornal do Comércio, em Porto Alegre; Jornal dos Sports e Globo, do Rio de Janeiro; Jornal da Semana, de Novo Hamburgo. Foi meu colega, na Guaíba, em 1958. Lembro-me que, quando Mendes Ribeiro era o principal narrador dessa Emissora, Jorginho tinha, nas nossas jornadas esportivas, uma única função: era ele quem informava as escalações das duas equipes e os nomes do árbitro e seus auxiliares. Jorge Marimon Mendes foi, também, presidente e vice-presidente da ACEG – Associação dos Cronistas Esportivo Gaúchos. Presto ao saudoso e insubstituível Jorginho minha última homenagem ao adotá-lo como “O Meu Tipo Inesquecível”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A moda brasileira: progresso ou retrocesso?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A GLM Global Language Monitor, empresa americana especializada em análise de mídias, colocou São Paulo, sede do SPFW São Paulo Fashion Week, como a sétima cidade em seu ranking das capitais internacionais da moda. A frente de Milão. Subiu do 25º para o 7º lugar.

 

A Luminosidade, administradora do SPFW anunciou a edição do inverno 2013 com 19 marcas. Em 2012 foram 29, em 2011, 32, em 2010 eram 38. Queda de 50%.

 

A GLM monitora as mídias pela web, acompanhando as plataformas virtuais e segundo sua descrição, busca reconhecer a importância e o crescimento das capitais regionais com os seus estilos distintos e sua contribuição para a indústria da moda. São Paulo recebeu o título de “The Queen of Latin America”.

 

A Luminosidade pertence ao Grupo Inbrands, que há cinco anos iniciou um negócio de moda reunindo importantes marcas consagradas através da compra do controle acionário e a manutenção dos antigos proprietários. Opção pioneira que foi replicada por outros empreendimentos similares.

 

Hoje temos mais de 30 importantes marcas de moda nacionais em cinco grupos de moda.

 

Na Inbrands estão: Ellus, Richards, VR, Salinas, Alexandre Herchcovitch, Mandi, Bobstore, Fashion Rio, dentre outras.

 

No Grupo AMC: Colcci, Sommer, Carmelitas, Fórum, Tufi Duek, Triton.

 

No Grupo Marisol: Marisol, Lilica & Ripilica, Rosa Chá, Sais, Mineral, Tigor T., Pakalolo.

 

No Grupo Restoque: Le Lis Blanc, Bo. Bô, John John.

 

E, recentemente, a Alpargatas comprou parte da Osklen.

 

O “espírito animal” de Keynes, latente e visível nos criadores e dirigentes apaixonados como Brett, Tufi, Herchcovitch e Sommer abre espaço para o espírito racional dos investidores financeiros. Esta abertura certamente trará mudanças na moda brasileira. Quem ganha, quem perde é o que veremos em breve. Por ora é torcer para que o animal e o racional não predominem nestas associações e haja um equilíbrio tal qual o concebido e atingido pelo mercado de luxo, cujo exemplo maior é a LVMH de Bernard Arnault. Ao mesmo tempo em que as demais marcas que se mantêm fora de grupos permaneçam fortes o suficiente para não serem atraídas pelo grande capital e continuem exercitando sua criatividade.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Para onde vamos?

 

Por Julio Tannus

 

Monteiro Lobato fez parte de minha infância e de toda uma geração de crianças. Em nenhum momento fui impelido a qualquer tipo de preconceito. A revista Época, em novembro de 2011, publicou um texto de Celso Masson, Humberto Maia Junior e Rodrigo Turrer: “Como qualquer fábula, as de Monteiro Lobato (1882-1948) apresentam seres encantados, bichos falantes e situações inverossímeis. Foram escritas para despertar na criança o gosto pela leitura e fecundar a imaginação. Desde a década de 1920, as histórias do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo têm sido adotadas nas escolas públicas de todo o país. Agora, o Conselho Nacional de Educação acolheu uma acusação de racismo contra uma dessas fábulas e pode bani-la das salas de aula por, de acordo com essa acusação, não “se coadunar com as políticas públicas para uma educação antirracista”. Ficar sem Monteiro Lobato é evidentemente ruim para as crianças – mas proibi-lo é pior ainda para o Brasil”.

 

Friedrich Nietzsche foi considerado, pela Alemanha nazista, um autor nazista por suas considerações sobre o ser humano. Isto não quer dizer que o autor tenha sido nazista. Ao contrário, o professor Osvaldo Giacóia-Júnior, um dos autores brasileiros com excelente capacidade de interpretação da obra de Nietzsche, apresenta algumas considerações sobre Nietzsche e o Nazismo: “Nem mesmo entre os críticos da obra de Nietzsche, em sentido acadêmico, utilizam o falso argumento de que o filósofo sustenta o Nazismo. Há sim, evidentemente, as apropriações que o Nazismo fez da obra de Nietzsche, o que de nada representa ao filósofo”.

 

Cotas raciais nas universidades brasileiras. Por que ao invés do investimento público para estabelecimento de cotas, não investir na educação pública básica propiciando um nível adequado de educação as camadas pobres da população? Para a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne Maggie, tais projetos não promoverão a inclusão nem resolverão as desigualdades que existem no país: “Sabemos que a sociedade é dividida em classes e é aí que reside a fonte de toda a desigualdade. O Brasil optou por um sistema econômico altamente concentrador de renda. Sem lutar contra isso, sem lutar pela igualdade de direitos e pelos direitos universais não há como construir uma sociedade mais igualitária e justa”. A professora explica que é contra a proposta de cotas raciais nas universidades porque ela produz divisões perigosas: “Essa política exige que o cidadão se defina perante o Estado segundo sua ‘raça’ ou sua origem. Sabemos que toda vez que o Estado se imiscuiu nos assuntos de identidade dos indivíduos, obrigando-os a se definirem, o resultado foi a produção da violência.”

 

Manifesto “Todos têm direitos iguais na República”, assinado por 114 intelectuais e artistas contrários à aprovação da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial: “Políticas dirigidas a grupos ‘raciais’ estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até mesmo produzir o efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância. O principal caminho para o combate à exclusão social é a construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e Previdência, em especial a criação de empregos”.

 

Thomas Mann, escritor alemão cuja mãe, Julia Mann, nasceu em Paraty no final do século 19, onde seu pai (avô de Thomas Mann) era fazendeiro, nasceu na Alemanha porque seu avô, desgostoso por estar sendo pressionado por alguns fazendeiros da região que eram contra a abolição da escravatura, voltou para sua terra natal. Isto não quer dizer que os fazendeiros do século 20 sejam escravocatras.

 

E Hannah Arendt nos diz: “a cultura se encontra ameaçada quando todos os objetos do mundo produzidos atualmente ou no passado são tratados unicamente como funções dos processos sociais vitais – como se não tivessem outra razão a não ser a satisfação de alguma necessidade – e não importa se as necessidades em questão são refinadas ou básicas”.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung

Por que falar é viver

 


Por Nei Alberto Pies
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 

“A quem mais amamos, menos sabemos falar” (Provérbio inglês)

 

Todo tipo e forma de discriminação, além de ser um problema pessoal de quem os sofre, é também um problema social. A gagueira, como outros tantos limites humanos, deixa marcas e imprime jeitos de resistir para sobreviver socialmente. Como eu, pelo menos 1.700.000 pessoas em todo o nosso país apresenta algum grau de gagueira na sua comunicação, conforme dados do Instituto Brasileiro de Fluência. A gagueira ganhou também um dia internacional: dia 22 de outubro.

 

A fala é o meio mais eficaz e mais utilizado para a nossa comunicação e interação social, porém não a única. Esta é a maior descoberta para alcançarmos reconhecimento social, através da comunicação. Se não falamos fluentemente ou temos algum grau de timidez, arranjamos jeitos de ser reconhecidos e valorizados socialmente por alguma outra habilidade ou virtude. Se não somos “experts” na fala, podemos ser bons na escrita, no canto, na representação, no estudo, na convivência ou nas relações. A qualidade da nossa comunicação depende da interação de todos, inclusive do apoio e compreensão que temos de dar àqueles que sofrem para se comunicar.

 

O ser humano é especialista na arte de compensar. Sem compensar não sobreviveria, porque se não é possível ser bom em tudo, é necessário ser bom e útil em alguma coisa. Por isso a gente se faz “agarrando-se” ao que tem de bom, àquilo que tem facilidade e àquilo que nos renda reconhecimento dos outros. A gente inventa e re-inventa jeitos e trejeitos para ser querido, amado e promovido pelos outros. O reconhecimento social é uma das maiores necessidades humanas, pois ninguém sobrevive se não comprovar para si mesmo o quanto é útil, importante, querido e estimado pelos outros.

 

O resgate da auto-estima e a auto-aceitação são preponderantes para a cura ou convivência com a gagueira. A gagueira é influenciada por fatores neurobiológicos ou emocionais. Conhecer-se, estudar o seu problema, procurar auxílio e terapias, aumenta as possibilidades de conviver socialmente, sem maiores traumas. É fundamental, ainda, assumir publicamente os limites da fala e da comunicação sempre que se puder. Assumir os limites da fala propicia discernimento e tranqüilidade interior para lidar com os desafios de se comunicar melhor. Quem fala se liberta!

 

Falar é a forma mais concreta de nos apresentar ao mundo. Por isso mesmo, falar pressupõe primeiro aceitar-se como se é para depois buscar o reconhecimento junto aos outros. A felicidade de “seres humanos falantes” alicerça-se tanto nos fracassos e limites como nos êxitos e nas conquistas, pessoais e coletivos. Uma boa convivência social pressupõe a aceitação de todos os limites humanos e a superação de todas as formas de discriminação.

Conte Sua História de SP: Os passeios no cinema

 

No Conte Sua História de São Paulo, Arnaldo Leff, nascido na capital paulista em 1940. Filho de poloneses foi criado no bairro do Bom Retiro, no centro de São Paulo. Seu Arnaldo lembra que o cinema era o único meio de diversão na São Paulo dos anos 1950:

 

Ouça o depoimento de Arnaldo Leff sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Este depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa

Os números e as oportunidades, faça bom proveito

 

Por Abigail Costa

 

Nos últimos dias, por conta de alguns estudos, tenho me debruçado sobre números. O objetivo a ser atingido? Traçar expectativas para os próximos  anos no cenário econômico mundial. Pelo que diz meu professor e doutor no assunto Tharcisio  Bierrenbach nosso Brasil terá céu de brigadeiro … tudo azul … visão panorâmica de 180 graus. Sem falar nos outros com o vento soprando a favor como Rússia, China e Índia. Mas, aqui, não vou cruzar o oceano.  Vou ficar no nosso “mundinho”. Só ele dá pano pra manga! São números expressivos, que, sério, se dissessem isto lá atrás eu duvidaria. Agora, não tem como não acreditar. Estamos vivendo este momento.

 

Pesquisa de consultorias nacionais e internacionais apontam que até 2020 os brasileiros vão gastar R$ 1,3 trilhão  (sempre que escrevo um número assim fico imaginando a quantidade de zeros ou qualquer coisa que me desse a dimensão exata,  assim de forma enfileirada). Este cenário vai elevar o país para a condição de quinto maior do mundo. Imagine nós consumindo mais macarrão do que os italianos? Deixaremos os alemães de copos vazios, pois o consumo de cerveja por aqui será três vezes maior do que lá. Vamos comer, beber mais e melhor. E, também, vamos nos irritar muito mais no trânsito. Seremos o terceiro maior mercado de carros do mundo (quantos deles estarão assim de forma enfileirada, como os zeros do trilhão, no meu caminho, é melhor nem pensar). Outro setor que tem motivos para escancarar um sorriso é o mercado de cosméticos. O valor das vendas dos produtos para os cabelos só na cidade de São Paulo vai crescer o dobro do que na França. E os números seguem soprando a nosso favor de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Principalmente no Nordeste.

 

Então, é sentar e esperar pelo próximos anos? Não, não é bem assim. Quem quiser fazer parte dessa turma, vai precisar arregaçar as mangas, ter criatividade e ser diferente para se destacar no mercado. Ouvi semana passada frase da diretora de Recursos Humanos de multinacional do setor químico que me chamou a atenção: “a empresa não escolhe mais seus funcionários, hoje eles escolhem a empresa”. Mesmo assim, me contou ela, na companhia em que trabalha, há meses, 350 vagas estão a espera de candidatos. Falta é mão de obra especializada.

 

Como os números acima falam de previsão para daqui cinco, oito, dez anos, sinal de que ainda dá tempo de fazer parte desse time.

 

Aproveite a oportunidade!

 

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung aos domingos.

De mudança de vento

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Grande parte do tempo percebo pelo menos dois estratos de realidade. O que parece nascer de dentro e o que eu poderia jurar que vem de fora. Pulso em todas as latitudes e longitudes, é verdade, mas não alcanço tantas nuances. Sinto no escuro. Entrego à minha essência boa porção do meu ego, mergulho no roteiro e acredito na trama. Ou não. Sinto-me carimbada por eventos que se originam num ponto onde moram presente, passado e futuro. Pulso na herança genética e na dosagem de cada ingrediente da minha receita. Minha pele se expressa, e meus olhos confessam.

 

meu sangue corre
e tropeça em obstáculo
feito de tudo que comi
pensei
falei
bebi
senti
ouvi
vivi
vi

 

É viciante, contorcer-se para se adaptar ao reino do Senhor do Tempo, onde regem em triunvirato presente, passado e futuro.

 

será desviver
?
prova perdida
no aceno de largada

 

resistir ao conviver
?

 

É possível ficar menos e ao mesmo tempo mais resistente, se me entende. Menos espaço, mais gente; mais violência, menos compaixão. Acreditei que vivia um tempo de cada vez. Hoje posso adaptar o colorido do passado ao formato e disposição do destino desenhado. Escolho quem retoca o som, a cor e a imagem da tela do meu tempo, e vou em frente.

 

Sou cara e sou coroa, sou verso e reverso, côncavo e convexo. Lady e vagabundo, bela a fera. Ser e não-ser.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung