História para contar: o médium de Pelotas

 

Uma vez um tio meu faleceu, e estava sendo velado na sala lá de casa. Eu estava na cozinha. Daí a pouco chamei a mãe e disse: “O tio não tá morto”. “Como não tá morto?” “Ele passou aqui agora, tava brincando. Inclusive, olha lá onde ele tá, ele tá na volta do caixão, olha ele lá.” Ela: “Tu tá enxergando?!” E eu: “Tô enxergando!”

 

Não era a raça, porém, que mais causava transtornos para Neives. Mesmo porque, Pelotas é uma das cidades com maior concentração de negros do Brasil, muitos dos quais nasceram de famílias de escravos levadas para a região no período das charqueadas. Ele sofria mesmo devido a uma capacidade que percebeu quando ainda era menino: a de falar com os espíritos. O mínimo que diziam dele é que estava com o diabo no corpo.

 

O primeiro trecho é escrito e contado por Mestre Baptista e o segundo de crônica que escrevi com base na história dele. Os textos na íntegra estarão no livro Todo mundo tem uma história pra contar, do qual você pode ser autor e ganhar exemplares por meio do Concurso Cultural Você Escritor – Saiba como participar, visitando o Blog da Olhares, de onde copiei post acima. O projeto é uma parceria com o Museu da Pessoa, que também está ao nosso lado no programa Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Com o Grêmio, onde eu estiver

 

Cruzeiro 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

 

O mar Tirreno desenhado pelas praias de La Feniglia mais a direita e o Monte Argentario ao fundo compuseram o cenário de onde assisti à partida desse domingo. Cinco horas a frente, quando o jogo se iniciava em Minas Gerais já deveria ser noite na Itália, mas em Ansedonia, cidade pequena ao sul da Toscana, o sol teima em permanecer no céu até pelo menos às nove horas e, em boa parte do primeiro tempo, o colorido provocado por seus raios no horizonte dividiu minhas atenções com o ótimo desempenho da equipe tricolor. A região onde estou ganhou espaço no noticiário internacional devido a barbeiragem do comandante Schettino que tombou o Costa Concórdia e matou 30 pessoas, local que virou atração turística que, confesso, não me interessei a visitar, pois são tantos os lugares históricos e bonitos nas redondezas que não me entusiasmaria com a desgraça alheia.

 

Para ter as imagens do Grêmio, em continente tão distante, me beneficie de um equipamento eletrônico que havia comprado na última viagem aos Estados Unidos. Com o SlingBox, uma pequena caixa preta que se conecta no modem da TV a cabo e na internet de casa, consigo acessar as imagens da minha televisão em qualquer ponto do planeta usando um celular, um tablet ou um computador. Com o aplicativo SlingPlayer devidamente instalado e uma conexão wi-fi à disposição, foi muito simples ver o jogo desse domingo. O equipamento não exige nenhum conhecimento muito apurado, é simples de ser ligado e acessado, basta ter as peças certas colocadas nos lugares certos – um pouco daquilo do que se viu na partida de domingo.

 

A escalação de Luxemburgo não teve invenção. Wesley e Gilberto Silva são os dois melhores zagueiros à disposição. Tony na ala direita se revelando cada vez mais competente e habilidoso para chegar na linha de fundo e Pará, na esquerda, como melhor opção que se tem até o momento. Os volantes Fernando e Souza são especiais, seja pela forma como marcam seus adversário seja pela tranquilidade com que saem jogando, coisa rara para gente da posição. Zé Roberto e Elano têm experiência, sendo que o primeiro é muito superior a maioria dos que estão jogando por aqui e o segundo, se estiver concentrado no futebol, pode fazer diferença. No ataque, Kleber e Marcelo Moreno. Não quero dizer que esta é a melhor escalação do Campeonato Brasileiro, mas, com certeza, é a melhor que o Grêmio tem para este campenato e, portanto, é com esta que devemos seguir em frente.

 

Nem mesmo a falta de um zagueiro na maior parte do jogo, provocada por mais um erro do árbitro, desequilibrou o Grêmio, que preferiu passar a bola e mantê-la em seu domínio a sorteá-la com chutões para o alto, como costumava fazer. De diferente em relação as demais partidas, o fato de que a posse de bola resultou em chutes a gol e, não por acaso, levou os dois atacantes a voltar a marcar.

 

O domingo me proporcionou duplo prazer. Além de aproveitar as praias e as incríveis paisagens desta região da Itália, pude apreciar o melhor desempenho do Grêmio neste ano. As férias vão terminar em breve. Que o futebol gremista se repita até o fim desta temporada !

De pomba e circunstância

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Muitos têm caído de seus pedestais de papel moeda, levando consigo os abutres que os cercam. Desmoronam seus postos impostos a nós pela corja que nos esfrega na cara o caráter decomposto e malcheiroso. Veem entre lágrimas de crocodilo e sorrisos marotos o rolar de mansões milionárias erguidas à custa do suor e do sacrifício de muitos. Veem seus comparsas rolarem na fenda que se abre com grande possibilidade de continuar a se abrir sem trégua, até engoli-los também, mas mesmo assim não há motivo para perder a esperança e tomar um cálice de amargura temperada com preconceito, cada vez que as notícias quebram barreiras e insistem em chegar a nós.

 

É assim mesmo na hora da faxina que está acontecendo neste canto que nos cabe no Universo. Muito sabão, muito esfregão, muita pá de lixo ainda são precisos. Os ratos fogem para a escuridão solitária de seus esconderijos, mas muitos de nós continuamos de cabeça erguida, dormindo tranquilos em nossas camas forradas de vida e não de morte, de compaixão e não de prepotência, de mais perguntas que certezas.

 

São tempos de dureza estes vividos por nós humanos. Nada é fácil, dizem, mas dizem também que caminho fácil não leva a lugar que valha a pena. Não sei se é assim que funciona, e na minha experiência de vida não consigo encontrar base para essa afirmação e acreditar nela, mas acredito, sim, que se aprende mais quando há desafio que nos tira da zona de conforto. Acredito que além das matérias que compõem o currículo escolar dos nossos filhos e dos nossos netos, é urgente acrescentar outras humanas de verdade, que mostrem a eles que é sempre preciso estar alerta para o crescimento do ego que se esforça para sobrepujar a humanidade, a integridade e a liberdade que são nossas por direito.

 

Cachoeira, Demóstenes, Juquinha, Valério, Dirceu, Morais, e muito mané que vive no anonimato por ordem de importância política e econômica, são raposas que cuidam do nosso galinheiro, mas há esperança, sim, nos diz a pomba branca que pousou no esquife do Cardeal Eugênio Sales, que não precisou de advogados e juízes que se põem à venda. Há esperança, sim, nos diz a pomba branca, símbolo do Espírito Santo, que velou o corpo do trabalhador de Deus. Há esperança sim, nos diz ela que não abandonou o espaço onde jazia o corpo do homem de bem. Do homem do bem.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Talento, a riqueza da nação

 

A verdadeira riqueza de uma nação é o talento. Mais do que o nome de seu novo livro, a afirmação é ponto de partida para que o consultor Alfredo Assumpção alerte para a necessidade de o Governo Federal criar um ambiente que incentive as empresas a investirem no capital humano. Para o CEO e sócio-fundador da Fesa, consultoria especializada em recrutamento de altos executivos, a economia somente se desenvolve através do setor privado: “é quem sabe fabricar todos estes produtos que transformam a sociedade; o governo não fabrica nada, portanto tem de funcionar como ‘anjo da guarda’ apenas”. Segundo o consultor, o dinheiro que deveria ser investido em programas de desenvolvimento dos recursos humanos acaba nas mãos do governo devido a altíssima carga tributária, o que impede que as empresas brasileiras não apenas propiciem o surgimento de novos talentos como, também, as faça perdê-los para outros países. Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, Assumpção diz que “o maior contigente de líderes do Planeta se encontra nas empresas, não mais nas Forças Armadas, na Igreja ou nos governos; então é lá que se precisa desenvolver talentos”

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão ao vivo pelo site da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, dentro do Jornal da CBN. Os ouvintes-internautas podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn

Equação: esporte + música + street dance

 

Por Dora Estevam

 

 

Responda-me uma coisa:  garra e determinação você tem, certo? Ah tá, está meio com a bola baixa e não está se animando com nada. Eu dou uma força para você sair dessa. Vem ver estes vídeos que eu separei na minha pastinha, eles animam bem  e dão um  pique total! Uhuhuh!

 

 
 

 

 
Som, som, som… Cenas do filme Street Dance 2, fiquei eufórica.

 

 

 

 
Este é bem velhinho mas só de olhar já muda o astral.

 

 

 
 
 
A esta altura quem estava de mau humor já deu uma sacudida na cadeira, não? É isso ai, a ideia é trazer notícias que inspirem pensamentos e atitudes positivas, a vida fica bem melhor assim, o que você acha?
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton jung, aos sábados.

De volta a Paraty… na Flip

 

Por Julio Tannus

 

 

Foi uma festa inesquecível. O mar, a cidade, o folclore, os autores e o público presente. Foram mais de 20 mil pessoas que passaram por Paraty para participar de 135 eventos da Flip, Flipinha, FlipZona e Flip-Casa da Cultura. A programação incluiu blocos, cirandas e bonecos nos cinco dias do evento. Participaram 40 autores de 15 países.

 

Transcrevo aqui texto sobre o encerramento desta festa literária maravilhosa, onde foram sugeridas várias leituras preferidas pelos autores participantes.

 

O encerramento da 10ª. Festa Literária Internacional de Paraty foi uma celebração da poesia, do conto, da crônica e do romance, presentes nos trechos de obras que os autores convidados leram para a plateia. Como disse Liz Calder, a criadora da Flip, ouvir dos escritores alguma coisa daquilo que eles mais apreciam em literatura era a melhor maneira de fechar o último dia antes de mais um ano de espera por nova festa.

 

Amin Maalouf foi o primeiro, e escolheu um trecho do livro de memórias “O mundo que eu vi”, do austríaco Stephen Zweig. O capítulo, intitulado “O mundo da segurança”, fala do estado de bem-estar em que se vivia na Áustria antes do nazismo; e sua escolha, ainda que não explícita, soou como uma homenagem ao Brasil, país que Zweig escolheu para viver seus últimos dias.

 

A escolha de Dany Laferrièrre foi ler o conto “Funes, o Memorioso”, de Jorge Luís Borges, que narra o reencontro com o personagem Irineo Funes, uma das figuras míticas do escritor argentino.

 

Já Dulce Maria Cardoso preferiu o primeiro texto em prosa publicado pelo português Herberto Helder, intitulado “Os passos sem volta”, considerado por alguns críticos como o maior poeta português depois de Fernando Pessoa.

 

Enrique Vila-Matas repetiu o mesmo poema que havia lido seis anos atrás, na Flip. E leu mais uma vez “Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra”, de Fernando Pessoa por seu heterônimo Álvaro de Campos.

 

Depois dele, Zoé Valdez escolheu Lygia Fagundes Telles, e leu o trecho final do conto “O moço do saxofone”, publicado no livro “Antes do baile verde”.

 

Ian McEwan selecionou o denso conto intitulado “Os mortos”, parte de “Os Dublinenses”, de James Joyce, no qual um homem redescobre o amor por sua mulher ao ouvir dela, de passagem, um comentário sobre o jovem que se havia deixado morrer por ela.

 

Javier Cercas preferiu o final de “Dom Quixote”, de Cervantes, capítulo intitulado “Feliz mal entendido”, quando o cavaleiro da triste figura retorna para casa, curado de sua loucura mas agonizante dos sofrimentos de sua aventura. No leito de morte, Quixote manda buscar o tabelião, Sancho Pança e sua sobrinha e herdeira, para ditar seu testamento. Em meio às lamentações do escudeiro, ele encerra sua história: “Já fui louco e sou são”.

 

Para marcar os 50 anos, dois dias e 17 horas que, segundo ele, se completavam naquele momento em relação à morte de William Faulkner, Juan Gabriel Vasquez escolheu aquele que considera “o mais faulkneriano dos escritores latino-americanos”, o uruguaio Juan Carlos Onetti, de quem passou a ler um trecho de “O estaleiro”.

 

Luiz Fernando Veríssimo, o último a apresentar suas preferências literárias, decidiu que somente revelaria o nome do autor no final. Leu, então, a crônica intitulada “Imaginação”, que termina como uma ode à literatura: “Estou só, com minha imaginação e um livro”. Depois, revelou que se tratava de Millôr Fernandes, um dos mais profícuos autores brasileiros de todos os tempos, falecido em março deste ano.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Publicado excepcionalmente hoje, esscreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung.

Da perna errada da mulher ao gesto certo dos catadores

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Duas notícias, por serem incomuns, chamaram, particularmente, a minha atenção. Confesso que me senti tentado a voltar a um assunto que já preencheu alguns textos anteriores por mim digitados para este blog: trânsito. Escrever sobre tal tema, porém, é chover no molhado. Torna-se repetitivo. Referindo-se a acontecimentos de segunda-feira, por exemplo, Zero Hora, na sua vigésima sexta página, pôs em manchete: ”Trânsito fatal. Dia trágico deixa dez mortos”. Trata-se isso de alguma novidade? Claro que não. Acidentes trágicos registram-se com indesejável frequência. Geralmente envolvem automóveis e caminhões. Com a chusma de veículos que circulam por este país, muitos comprados em longas prestações, acidentes graves já não são de espantar. Perdão. Passo de imediato para o que hoje fez a minha cabeça.

 

Maria Nunes da Silva, de 87 anos, quebrou a perna esquerda ao cair no pátio de sua casa. Esperou 13 dias para fazer uma cirurgia pelo SUS – que novidade! – a fim de corrigir a fratura. Enquanto aguardava, ficou internada no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. A operação, depois da pressão feita por um de seus filhos para que o procedimento fosse realizado sem mais tardança, ocorreu na última sexta-feira. Cirurgia executada,foi colocada em sua perna uma placa de platina. Ao perguntar a uma enfermeira do bloco cirúrgico se estava tudo bem com a sua mãe, foi informado tinha dado tudo certo com a operação da perna direita de dona Maria. Perna direita?!? Caiu a ficha da família. A senhora idosa havia quebrado a perna esquerda e não a operada. Erro crasso! E eu me pergunto como um médico pode se enganar tão redondamente, logo ele que teve diante de seus olhos o corte cirúrgico que, imagino eu, não mostrava osso rompido na perna direita da paciente. O Hospital Municipal de Novo Hamburgo, em nota da sua direção,confirmou o erro. O prontuário indicava lesão no fêmur da perna esquerda. No dia seguinte, ou seja, no sábado, dia 8 do corrente, Maria Nunes da Silva teve operada a perna certa. “Falha Humana”, rezou a nota da direção. O caso foi parar na Delegacia Distrital de Novo Hamburgo.

 

Caso de polícia virou, também, o episódio protagonizado pelo casal de catadores de lixo que achou, em sacos, 20 mil reais roubados do restaurante Hokkai Sushi, aí em São Paulo (lembro que escrevo de Porto Alegre e, por isso, o aí), Rejaniel de Jesus Silva Santos e Sandra Regina Domingues, que andou sendo ameaçado de morte pelos ladrões. No Brasil, pelo jeito, ser honesto como esses dois, apesar dos maus exemplos dados por gente grandona de nossa República Federativa, é altamente perigoso. Ainda bem que os proprietários do restaurante assaltado, em razão das ameaças sofridas pelos dois honestíssimos atores deste episódio urbano, os colocaram em um hotel, ofereceram-lhes um curso de qualificação para trabalharem em uma das unidades da empresa ou, se preferirem, lhes darão passagem a fim de que se mudem para o Maranhão, onde vive a família de Rejaniel.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Os extremos do Morumbi: preservar e degradar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Uma ilha de prosperidade cercada de favelas por todos os lados, como já se disse, talvez venha inspirando ações extremistas no trato com a invejável cobertura verde ainda existente. E mal trato com a marca Morumbi.

 

O alto preço da fama tem sido uma constante. Segurança na mira de manipulados holofotes, verticalização acentuada, priorização aos automóveis, desconsideração com as casas e seus moradores.

 

Com tudo isso era de se esperar o Monotrilho, que reflete o desprezo pela qualidade local. A qualidade que originou o conceito do bairro, como o Clube Paineiras do Morumby, ora surpreendido por um cuidado singular, ao tomar conhecimento de uma demanda por tombamento de seu patrimônio. Logo ali, onde não se consegue mais uma vista pura, dada a poluição visual das torres do Shopping Cidade Jardim, devassando uma centena de mansões. Sem falar no trajeto para o túnel JK, que Maluf mudou na ultima hora para a Avenida das Begônias.

 

O CONPRESP Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, baseando-se no patrimônio da arquitetura moderna do arquiteto Carlos Barjas Milan e posteriormente do arquiteto Paulo de Melo Bastos, na influência na urbanização da cidade, na importância referencial e paisagística na década de 1960 e a existência de obras no Clube, resolveu abrir processo de tombamento.

 

O Paineiras através da palavra de seu Vice-Presidente, arquiteto Sergio Henri Stauffenegger, nos informou que Milan não projetou o todo. Apenas algumas construções, assim como Paulo Bastos, e que existem várias unidades com outras interferências. Ressaltou que o Clube não gostaria de ser tombado, pois embora eu o tivesse lembrado de uma valorização do patrimônio em função do tombamento, disse que o trabalho que futuras reformas teriam certamente não compensaria. Principalmente por prever que estas liberações contem um aspecto não essencialmente técnico.

 

Creio que as razões do Conpresp e do Paineiras são coerentes. Incoerente tem sido a atuação da Prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Apagão nunca mais!

 

Por Julio Tannus

 

Queda de raio, tempestade, mau tempo…? ou Incompetência, falta de preparo técnico, terceirização de mão de obra, falta de planejamento, falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas, sistema de manutenção inadequado, falha na operação do sistema…?

 

Claramente o grande aumento da demanda por energia elétrica e o crescente número de interligações entre os sistemas elétricos existentes no país tornam a operação e o controle destes sistemas uma tarefa complexa. Claramente também se faz necessário um aumento nos investimentos visando melhorar o fornecimento de energia para evitar falhas ou má operação. Entretanto, nada que as tecnologias disponíveis não possam evitar os “apagões”.

 

Além de soluções técnicas tradicionais do tipo Sistema de Rejeição de Carga, que corresponde a algo como “impedir o efeito dominó” do sistema interligado (que desliga equipamentos ao longo da linha de transmissão em virtude de um desequilíbrio sério que põe em risco a rede e os equipamentos dos usuários nas casas), fala-se hoje em uma proposta que tem sido estudada em todo o mundo: é o de redes elétricas inteligentes, ou seja, fazer uma gestão melhor das redes para diminuir incertezas, evitar problemas de pico de tensão e falhas, com um sistema de controle ponto a ponto ao longo das redes.

 

Outra possibilidade é a descentralização da geração e da transmissão de energia elétrica para evitar novos apagões generalizados, como o que deixou 18 estados às escuras na terça-feira, 10/11/09. Assim, uma alternativa seria investir em pequenas e médias empresas capazes de produzir regionalmente energia alternativa como a biomassa, aeólica (dos ventos), e de outros recursos naturais. Mesmo que essa energia esteja ligada ao atual sistema de transmissão interligado, esses pólos geradores seriam capazes de assumir sozinho o abastecimento de uma determinada região, evitando um apagão geral.

 

Outro ponto que pode ser considerado como fundamental para explicar o apagão é a falta de gestão pública. Em tese o sistema interligado de transmissão é extremamente positivo, mas é preciso planejar, construir e operar adequadamente. É preciso saber se quem está operando o nosso sistema sabe o que está fazendo. Ou seja, é preciso saber se não está existindo um problema de gestão. Mesmo admitindo que acidentes possam ocorrer, o sistema é projetado para perder um dos equipamentos e seguir funcionando sem causar o efeito dominó. Dessa forma, jamais deveríamos ter um apagão como o de 10/11/09.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung