Por procuradores e poderes independentes

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Ao não acatar a eleição de Felipe Locke Cavalcanti como Procurador do Estado no próximo biênio, o Governador de São Paulo sinaliza poder político que evidencia e minimiza a esfera do Ministério Público.

 

Eleito democraticamente pelo voto, Geraldo Alckmin decidiu não dar a sequência natural no processo eleitoral para escolha do Procurador. Agiu de forma ditatorial, seguindo Covas há anos quando empossou Marrey ou, mais recentemente, quando outro correligionário, José Serra, optou por não colocar como reitor da USP o mais votado. É um artifício bem antigo, pois o Império Bizantino dominou a Igreja através de expediente semelhante, chegando séculos depois a D.Pedro II, que controlava o Senado desta maneira.

 

Após a democratização, tivemos poucos episódios iguais, o que deve levar esta exceção a repercutir favoravelmente no andamento da PEC 31/2009 que propõe acabar com a nomeação política para os Procuradores Gerais pelos governadores. Esta proposta de autoria do deputado Francisco Praciano – PT AM foi aprovada no dia 3 pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

 

Felipe Cavalcanti, em depoimento ontem, a par da situação de ganhar sem levar, nos disse que o aborrecimento pela perda sem derrota, é efetivamente uma frustração inigualável. Entretanto ao mesmo tempo em que não abrigará expectativa de mudança na lei, continuará trilhando o mesmo espaço com a independência que o caracterizou. Como membro do CNJ ou do MP. Mesmo considerando que esta postura possa ter custado o cargo que ganhou e foi impedido de ocupá-lo.

 

A separação dos poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, é a forma mais salutar e a maneira mais eficaz de manter o sistema de poder fortificado e equilibrado. As democracias refletem este cenário, tão abatido pelas ditaduras.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Vereadores gastam mais com gráfica, em São Paulo

 

 

O jornal Diário de São Paulo, nas edições de hoje e ontem, publicou reportagem destacando os gastos nos gabinetes dos vereadores paulistanos. O custo médio mensal de cada um dos 55 parlamentares é de R$ 135,1 mil, conforme dados que estão disponíveis no site da Câmara Municipal de São Paulo. Na reportagem de hoje, o Diário destacou que a despesa com a impressão de material gráfico é o principal gasto da maioria dos vereadores. Foram desembolsados R$ 184,3 mil, em março – o que representa 28,17% dos R$ 654,2 mil que o Legislativo gastou em verba indenizatória. Reproduzo trecho da reportagem publicado na edição dessa segunda-feira do jornalista João Carlos Moreira, o material completo você encontra no site do Diário de São Paulo:

 

O mandato de cada um dos 55 vereadores da capital tem um custo médio mensal de R$ 135,1 mil aos cofres municipais. O valor inclui o dinheiro destinado ao pagamento de até 18 funcionários em cargos de confiança a que todo parlamentar tem direito, além da verba para as demais despesas do gabinete e do salário do vereador. O gasto anual do mandato dos 55 eleitos chega a R$ 89,1 milhões.

O maior custo do mandato recai sobre a chamada verba de gabinete, ou seja, os R$ 106,4 mil que o vereador dispõe para pagar funcionários comissionados. Somente essa despesa pode chegar a um desembolso mensal de R$ 5,8 milhões para a Câmara Municipal, cujo orçamento é bancado com o dinh eiro repassad o pela Prefeitura.

Outra despesa é a verba de custeio, para cobrir aluguel de automóvel e gastos com combustível, Correios e gráfica, entre outros. Cada gabinete pode gastar até R$ 17.287,50, mas deve comprovar a despesa (veja abaixo a prestação de contas de março). Já o salário do vereador foi reajustado de R$ 9.288 para R$ 11.393, mas o aumento está sendo questionado na Justiça. Por enquanto, a Câmara está pagando o valor antigo e depositando numa conta à parte a diferença de R$ 2.105.

O vereador José Police Neto (PSD) considera adequado o gasto que o Legislativo tem com a atividade parlamentar. “É preciso analisar a questão com critério. O mandato na capital tem o tamanho de uma cidade, cada vereador responde por 220 mil habitantes”, disse. Segundo ele, a verba de custeio permite flexibilidade para que o parlamentar adapte o valor aos gastos de seu gabinete.

Sonia Barboza, coordenadora da ONG Voto Consciente, considera o gasto excessivo, principalmente com funcionários de confiança. “Não há necessidade de 18 comissionados. A Câmara deveria ter os servidores”, afirmou. Para o cientista político Rui Maluf, o gasto não é um problema maior. “A democracia não sai de graça, tem um custo. Mais importante é o eleitor acompanhar o desempenho do vereador, fiscalizá-lo no exercício do mandato”, disse.

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Paraty … quantas saudades você me traz !

 

Por Julio Tannus

 

 

É parte da letra de uma música que cantávamos há muitos anos, décadas de 40/50, quando acordados víamos o sol nascer por detrás do mar alto em Paraty.

 

Ainda menino, vivia entre a cidade e a roça, com avô por parte de mãe fazendeiro, grande produtor de cachaça – as famosas Branca do Peroca e Azulada do Peroca – e avô por parte de pai sírio-libanês, principal negociante da cidade.

 

E aí chegam as lembranças. A leitura, o cinema aos domingos, a maré cheia limpando toda a cidade, a pescaria na noite de lua cheia, a cata de caranguejos no mangue quando roncava trovoada. Y otras cositas más!

 

A Leitura – além dos clássicos, lembro-me de versos e histórias contadas. Um provérbio “Quem compra o que não precisa, vende o que precisa”. Um ditado “Raposa na governança, não há frango em segurança”. Ao pé do ouvido: “Quem caminha descalço não deve plantar espinhos”; “A primeira ilusão do homem foi a chupeta”; “Nossas mentes são como paraquedas, só funcionam bem quando abertos”; “Quem não leva tombo não aprende a andar”. Não é a toa que a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty tem tudo a ver com a cidade.

 

O Cinema – era a janela para o mundo. Sempre aos domingos, assistíamos ao noticiário pós-Segunda Grande Guerra, além é claro do Zorro, E o Vento Levou, Branca de Neve e os Sete Anões. O seu Pedro, dono do cinema, ficava na porta de saída auscultando a pulsação dos presentes para encomendar filmes que agradassem aos gostos de todos.

 

A Maré Cheia – a sabedoria dos portugueses construiu a cidade de tal maneira que a maré alta cobria as ruas da cidade, lavando-as e levando toda a sujeira para alto mar. Até que um prefeito chegou a conclusão que “Paraty não é nenhuma Veneza”, e então construiu um dique de pedras para acabar com “essa coisa absurda”. A maré continua firme e forte, mas o dito prefeito conseguiu transformar a saudável praia da cidade em um lago de sujeira.

 

A Pescaria – saíamos de canoa tarde da noite de lua cheia para a pesca com anzol. Os peixes eram tantos que o simples toque do remo emitindo sons levava peixes para dentro da canoa. No arrastão de rede na Praia do Sono experimentava as delícias de uma massagem inigualável: deitado na proa da canoa carregada de peixes vivos até a borda.

 

Os Caranguejos – eram a fonte de dinheiro para compra de picolés, marias-moles, bolas de gude, gibis e outras guloseimas mais.

 

E hoje vejo Paraty com seu caráter nuclear ainda presente, intocável, fazendo parte dessa nossa pós-modernidade. Foi lá que encontrei minha companheira de sempre, e em sua homenagem escrevi esses versos:

 

Uma Ode a Sonia amiga

 

Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza.
Você que alegrava meu silencio com seu olhar;
Você que tirava minha solidão com sua presença;
Você que conquistava meu coração com sua coragem;
Você que carregava a tristeza de tantos com sua sabedoria;
Você que iluminava a escuridão de todos com seu pensamento;
Você que diminuía a dor de muitos com sua generosidade;
Você perdeu seu corpo, mas ganhou o olhar de todos nós;
Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza…

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Consocial: plano de metas e financiamento público aprovados

 

O Plano de Metas que está em vigor na cidade de São Paulo desde 2009 deve ser implantado em todos os Estados e municípios brasileiros, de acordo com proposta aprovada durante a 1a. Consocial – Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social. A decisão tomada no encontro dará suporte para a mobilização que já existe pela aprovação de projeto de emenda constitucional que está em andamento no Congresso Nacional e prevê que o presidente, os governadores e os prefeitos apresentem, três meses após tomarem posse, as metas que pretendem alcançar nos quatro anos de mandato. O texto da PEC, assim como ocorre na capital paulista, não prevê punição ao administradores se os resultados não forem atingidos, porém é uma ferramenta excelente de avaliação de desempenho. Acompanhe a campanha municipal em São Paulo este ano e você perceberá como o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e aqueles candidatos que ele apoiar serão cobrados pela não realização de obras e programas que haviam sido previstos.

 

O financiamento público de campanha foi a proposta que alcançou o maior apoio entre os participantes da Conferência, no fim de semana, em Brasília. Dos 1.200 delegados 970 votaram em favor da mudança no financiamento dos partidos e candidatos com estratégia para reduzir o impacto do poder econômico nas eleições. É interessante esta convergência de opiniões a medida que o tema ainda divide boa parte dos cientistas políticos e especialistas no tema, mesmo entre aqueles que concordam que o atual modelo é prejudicial à democracia ou que haja necessidade de se aumentar o cerco contra o caixa dois.

 

Dentre as propostas que mais se destacaram na Consocial estão, também, o apoio ao projeto de lei 6826/10 que aplica penalidades civil e administrativa às empresas corruptoras, que pode ser votado ainda nesta seamana; o incentivo a política de dados abertos que aumenta o controle da população sobre o serviço público; e a criação de conselhos de transparência e combate à corrupção em todos os níveis, assim como já ocorre no Governo Federal.

 

Das 40 propostas que vão integrar o Plano Nacional de Transparência e Combate à Corrupção uma pretende incluir no currículo escolar aulas de ética, controle social e educação fiscal, como forma de transformar os estudantes em cidadãos capazes de monitorar a prestação de serviço público.

 

Confira aqui todas as propostas votadas na Conferência

Partido tem de ser punido por político corrupto, também

 

No noticiário, Demóstenes Torres aparece sempre seguido da informação de que é um senador “sem-partido”, desde que o Dem que o elegeu por mais de uma vez, afastou-o de seus quadros devido às denúncias de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A estratégia tem sido usada por vários partidos políticos quando surgem acusações de irregularidades envolvendo um de seus integrantes. A atitude é uma forma de demonstrar discordância com o comportamento dele, mas não exime o partido da responsabilidade de ter dado legenda para o político. É o que pensa o ouvinte-internauta Milton Pereira que defende a ideia de que os partidos sofram algum tipo de punição para que tenham mais responsabilidade na hora de escolherem seus candidatos nas eleições.

 

Leia o e-mail que ele enviou para milton@cbn.com.br

 

“Existe um assunto que me deixa muito intrigado, pegando o exemplo do caso Demóstenes Torres, me causa indignação saber que ele foi ou será destituído, cassado, expulso do partido e ou da política mas o partido que o elegeu ficará impune.

 

Fico indignado de saber que hoje qualquer partido recebe dinheiro do candidato, faz propaganda com o candidato, ajuda a eleger esse candidato, usa a imagem do candidato para se promover, mas quando esse é eleito e pego em situação “complicada” a única coisa que o partido faz é correr para desvincular o nome do partido do nome do político.

 

Hoje vejo a posição dos partidos como muito cômoda, pois são tantos investigados que praticamente envolve todos os partidos, mas todos continuam isentos da responsabilidade de aceitar na legenda condidatos “honestos”. Até acredito que no passado um partido envolvido com candidato desonesto era penalizado pelo simples fato de ser noticiado o envolvimento. Lembro até de partidos que desapareceram, mas hoje não mais.

 

Não seria interessante que, com o objetivo de diminuir a corrupção e forçar o partido a captar candidatos honestos e também “acompanhar” para que este permaneça honesto, o partido fosse penalizado de alguma forma?

 

Essa punição poderia ser em relação ao tempo na propaganda na TV, ou com a diminuição no recebimento de verbas partidárias, ou sobre a quantidade de cadeiras no plenário, ou até, dependendo da gravidade, a impossibilidade do mesmo apresentar candidatos para determinada região ou eleição. Lógico que a premissa para a pena seria a prova do envolvimento do político com facilitações, desvios de dinheiro, recebimento de propinas, etc.

 

Hoje, vejo uma total falta de “punição declarada” sobre o partido que, em minha opinião, é o primeiro filtro para captar candidatos honestos e interessados em atender aos interesses da população e não aos interesses exclusos dos patrocinadores da sua candidatura. Também não vejo hoje nenhuma iniciativa da mídia para exigir que os partidos respondam sobre o que estão fazendo para evitar candidatos desonestos nas suas legendas.

 

A pergunta que não sai da minha cabeça é: “não está na hora dos partidos que ajudam a eleger candidatos envolvidos com picaretagem também serem responsabilizados?”.

 

Em outros países os partidos têm essa mesma liberdade?

 

Abraços,
Milton Pereira
Empresário em São Bernardo do Campo – SP

Avalanche Tricolor: Fatores que fazem a diferença

 

Vasco 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Januário (RJ)

 

 

Falei de palpites na última Avalanche e peço permissão para voltar ao assunto, neste domingo. Lá na rádio, às vésperas do Campeonato Brasileiro, o pessoal da redação desafia os colegas a acertar a colocação dos 20 clubes que disputam a competição. Desenvolveram uma matemática estranha com pontos para quem acertar os clubes e as posições ou ficar mais próximo do resultado. Um cálculo que, confesso, não tenho o menor interesse em saber como funciona até porque no fim do Brasileiro já esqueci os palpites que dei e a possibilidade de eu errar todos é enorme, pois sou incapaz de usar qualquer lógica para definir quem será o segundo, o décimo-primeiro ou o décimo-sétimo colocados. Só dois clubes são posicionados na tabela com algum critério mais bem definido: o Grêmio, que sempre aparece no topo da lista, e o co-irmão, que sempre surge entre os últimos quatro colocados. Não são palpites, são desejos. Única e exclusivamente desejos, que na maioria das vezes não são contemplados, como pudemos perceber se compararmos minhas apostas e a tabela de classificação após esta primeira rodada do Campeonato.

 

Este ano o Campeonato começa com um desafio para os clubes fora de Rio e São Paulo, estados que venceram oito das nove edições disputadas com pontos corridos. Quebrar a hegemonia dos principais clubes do eixo será uma tarefa difícil, a começar pelo fato de paulistas e cariocas terem dez times entre os 20 que participam da primeira divisão. Além disso, há outros fatores que beneficiam estas equipes como a maior arrecadação, como lembrou bem Paulo Vinícius Coelho em sua coluna dominical no Estadão. O Corinthians fatura mais do que o dobro do Grêmio, por exemplo.

 

Claro que quando falo de fatores que desequilibram a disputa não estou me referindo a influência de árbitros como o desta noite que foi capaz de anular um gol gremista porque o zagueiro do Vasco fez falta em seu próprio goleiro. É isso mesmo que você leu. E se tiver dúvidas confira no replay, como diziam antigamente. Seja como for, entro neste Brasileiro mais confiante do que nos anteriores, apesar do revés na estreia.

 

Aproveito para deixar a seguir meus palpites para o Brasileiro de 2012 e desde já peço desculpas aos torcedores de clubes que aparecem na parte mais baixa da tabela. Como escrevi no primeiro parágrafo, não uso qualquer lógica nestas escolhas. Ou quase nenhuma:

 

1 – Grêmio
2 – Santos
3 – São Paulo
4 – Fluminense
————————–
5 – Vasco
6 – Corinthians
7 – Cruzeiro
8 – Flamengo
9 – Atlético/GO
10 – Palmeiras
11 – Coritiba
12 – Atlético/MG
13 – Bahia
14 – Sport
15 – Botafogo
16 – Ponte Preta
————————–
17 – Figueirense
18 – Portuguesa
19 – Internacional
20 – Náutico

 

Se quiser arriscar, faça sua lista, também.

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De faxina

 

Por Maria Lucia Solla

 

Urubu

 

“Não, não sei; e se eu for procurar, eu me perco…” … disse o Secretário de Educação da vez, da cidade de Jandira, no Estado de São Paulo, quando um repórter lhe perguntou por que é que em vez das 700 vagas de creches prometidas pelo prefeito à população, no prazo de um ano, só tinham sido entregues trinta e poucas. O assunto era o prazo de término das obras e inauguração e entrega, à população, das unidades já prontas. Trocando em miúdos, o repórter queria saber que obstáculos tinham impedido que as creches ficassem prontas. E o Secretário disse que não tinha a mínima ideia de quais tinham sido os tais obstáculos e que também não tinha intenção de procurar por eles. A busca da solução seria o foco. Esse papo surreal se deu frente à ira de pais e mães desconsolados por não terem com quem deixar seus filhos para ir trabalhar. Gente boa, como você, como eu. Gente que batalha, a maioria dignamente e com garra. Sabemos como é encontrar um obstáculo desse tamanho e podemos compreender a indignação de pais e mães que fazem a sua parte no remar este barco.

 

Na mesma cidade, no início do ano passado, o ex-secretário de Habitação e Obras de Jandira, o senhor Wanderley de Aquino, foi preso por corrupção e enriquecimento ilícito. Se isso não bastasse, continua sendo o principal suspeito de assassinar o ex-prefeito, o finado senhor Braz Paschoalin. Foi também provado que ele se associou ao crime organizado para desviar dinheiro dos cofres municipais. Quem tem o poder de controlar o descontrole da liberação de verba, de manipular contrato e superfaturar obra pública, de bordar licitação, de usar parente como laranja e pobre coitado como testa de ferro, merece a forca. Que lhe seja confiscado o brioche do café da manhã e do lanchinho da tarde.

 

Me dou conta de que cadeia está cheia de bandido pobre e sem conexão – wi-fi, money-fi ou QI-fi. O lado de fora das grades está repleto de gente da mesmíssima laia da que está do lado de dentro, com a agravante de que aquele que transita do lado de fora teve e tem condição de acessar ferramentas que abrem e inflam a consciência do Homo sapiens. Gente que não usa o verbo ralar, mas o verbo rolar, e seu derivado enrolar.

 

Tem fraude milionária do Oiapoque ao Chuí, tem indústria da seca no Nordeste, investigação fajuta que termina em pizza, vereador e prefeito presos, atentado a escolas. Uma cambada presa, e outra muito maior, solta. Um rolo atrás do outro. Bandidagem sem tamanho; e não só aqui em Terra Brasillis. Isso pipoca pelo mundo, em todas as línguas, sob o jugo de todas as moedas. Às claras, com pompa e circunstância.

 

Me perdoe o personagem da vez, autor da frase que abre este texto, mas assisti à entrevista pela TV, e ele me pareceu perdidaço. Não tem ideia (!) do que se passa na pasta que, ao menos no papel e no holerite, deveria ser cuidada por ele.

 

Quadrilha e político são palavras que têm andado juntas; cada dia mais juntas. Criança ouve falar todo dia de bicheiro, CPI, político, formação de quadrilha, roubalheira à luz de holofotes, câmeras e microfones, e corrupção, como se esses fossem elementos do coletivo Pátria. Os partidos políticos estão partidos.

 

Assassinato em massa, sete corpos degolados e um suspeito, delegados e outros em viagem para para que o suspeito pudesse depor e ser julgado desaparecem numa ceifada só, quando o helicóptero que utilizavam despenca e se despedaça. Tudo muito estranho. Como diria meu neto, muuuuuuuito estranho.

 

Haja água sanitária!

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Um dia de turista no Rio de Janeiro

 

 

Caros amigos,

 

Como muitos de vocês podem perceber, estamos no Rio de Janeiro comemorando o aniversário do maridão – nesta altura ele merece que se dedique muitos dias a festa. Não é a primeira vez que visitamos a cidade, mas, desta vez, fizemos passeio de turista. Viemos com nosso filho em idade gostosa (oito anos), e ele já estudou sobre a colonização do Brasil e, consequentemente, a formação da capital fluminense, o que tornou o passeio mais empolgante.

 

Conferimos a meteorologia e o tempo estava a nosso favor. Deu certo. Um sol agradável para passeios abertos nos aguardava. Depois de nadar, o primeiro desejo foi conhecer de perto o Cristo Redentor. Confesso, no início torci o nariz achando que seria chato, sem graça e cansativo. Me enganei completamente. O que parecia ser difícil ficou fácil, o chato ficou gostoso. E com gosto de quero mais, quero ficar. Ver o Cristo de perto dá uma sensação tão boa. E, perdão pelo clichê, como ficamos pequeninos perto dele.

 

Saímos do hotel e tomamos um táxi até lá. Compramos o ingresso para o trem do Corcovado que nos levaria até o Cristo. Que delícia de passeio. No caminho, lembramos o quanto os escravos trabalharam na construção do trem, na época de Dom Pedro II. Após alguns degraus, chegamos aos pés do Cristo em um lugar muito bem conservado, tudo limpo e organizado. Era sexta-feira e não estava cheio. Movimentado mas não lotado.

 

O tempo passou e não percebemos o quanto ficamos lá curtindo a vista de toda a cidade, de norte a sul. Fiz muitas fotos pensando em vocês e no momento que estávamos vivendo.

 

 

Quando falam que o Rio é a cidade maravilhosa, não exageram. É mesmo.

 

Outro fato interessante foi que almoçamos, lanchamos e jantamos e, em todos os lugares, as pessoas nos receberam com  “sejam  bem-vindos” em inglês. A cidade tem turistas por todos os lados: franceses, americanos, italianos – as mais diferentes línguas. Muito surpreendente a relação deles com a cidade e da cidade com eles.

 

Ouvi de um guia turístico: “faça da sua visita um momento inesquecível”.

 

Fizemos.

 

De Dora Estevam

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Mundo Corporativo: Inteligência de mercado, invista nesta carreira

 

A inteligência de mercado é um conjunto de processos que tem como objetivo levantar informações para tomada de decisões de uma empresa. O cenário competitivo que temos no país tem aumentado a demanda por profissionais mais bem preparados para este setor. O diretor geral da Pós-Graduação da ESPM-SP Lícinio Motta falou sobre as habilidades que devem ser desenvolvidas por estes profissionais em entrevista ao Mundo Corporativo da rádio CBN. Ele também apresentou exemplos de programas de inteligência competitiva e seus resultados nos negócios da empresas como os investimentos feitos no segmento de animais de estimação a partir da percepção de que as famílias teriam cada vez menos filhos e as pessoas viveriam por mais tempo.

 

Outro tema discutido com Licínio Motta foi o desafio imposto pelas redes sociais. Para ele apesar das empresas entenderem a importância destas ferramentas, muitas ainda não perceberam que estas estão diretamente ligadas a inteligência de mercado.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN com participação de ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. Aos sábados, o programa é reproduzido a partir das 8 horas da noite, no Jornal da CBN.