Marketing de interrupção: tira esta propaganda daqui

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Imagine você, experimentado viajante, num aeroporto vazio esperando a chamada para seu voo, quando um estranho lhe pergunta afavelmente onde fica o portão sete. É provável que o indique calma e educadamente. Agora passe a mesma cena para Congonhas às 8hs da manhã, o saguão cheio e barulhento. Enquanto você ajeita a agenda de reuniões do dia, a mesma pergunta é feita pela segunda, terceira, ou décima vez. Bem, você nesta altura já não aguenta as interrupções e a mesmice das perguntas. Este cenário é a sua vida. Você tem mais coisas a fazer do que o tempo disponível, você está constantemente sendo incomodado por estranhos, você está exposto diariamente ao menos a quatro horas de propaganda através de interrupções que o faz perseguir momentos de paz.

 

É irônico que esta situação seja obra do Marketing, e de autoria dos mais premiados publicitários e marqueteiros. É o Marketing da Interrupção. Se não bastasse isso, vemos atualmente aumento no som dos comerciais nos intervalos dos programas, assim como a transformação do merchandising em venda explicita.

 

A solução ao Marketing da Interrupção é o Marketing da Permissão, proposto por Seth Godin, e autor da situação acima descrita.

 

Enquanto não há interrupção ao Marketing da Interrupção surge a possibilidade de seu abrandamento. Graças à Folha de São Paulo, que em 2010 publicou pesquisa na qual demonstrava que as emissoras estavam até quatro vezes acima dos decibéis permitidos aos comerciais. E os programas infantis exibiam sons acima da lei. Inclusive o Cartoon Network com decibéis cinco vezes mais. O Ministério Público pediu então a aplicação da lei de 2001 assinada por FHC. A Procuradoria entendia que a função era da ANATEL, mas em março a juíza Leila Paiva Morrison determinou que a função fosse da AGU Advocacia Geral da União. E deu 120 dias para o cumpra-se. Aguardemos.

 

Que os talentos da comunicação tenham éticas próprias, fazendo obras que estimulem consumos inapropriados, se entende. O que não se entende é como não enxerguem a impropriedade de aborrecer a quem precisam enobrecer: sua majestade o consumidor.

 

Enquanto isso, vemos propagandas explicitas nos enredos de novelas e filmes. Da simples aparição de carros da mesma marca chegamos ao lançamento de modelos com descrições dignas das garotas propagandas do início da TV. Apple e Starbucks estão sendo mal copiadas. Kia, Volkswagen, Natura e Itaú têm exagerado. Os vendedores de carros devem considerar que somos um mercado de surdos no amplo sentido, a Natura com toda a reputação positiva nos obriga a visitar sua fábrica na novela global como se fosse parte natural da trama, o Itaú lança produtos interrompendo sem cerimônia o enredo. Melhor que fique nos intervalos do tênis, como o fez com categoria no sábado, embora cobrindo graciosamente as pernas da Sharapova.

 

Obs. Sobre o Marketing Permitido, o abordaremos posteriormente.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Airton Pavilhão entra para a Imortalidade, aos 77 anos

 

Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero muito prazer. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.

 

 

Era a final da Libertadores de 2007 quando vi, pela última vez, Airton Ferreira da Silva, o maior zagueiro que já vestiu a camisa do Grêmio. Tive a oportunidade de cumprimentá-lo como lembrei na abertura da Avalanche Tricolor (reproduzida acima) que contou a história daquele dia que passei no Olímpico Monumental, ao lado do meu pai. Melhor, tive a chance de, mais uma vez, reverenciá-lo. Mesmo demonstrando a doença e a bengala era majestoso no passeio próximo da torcida, como o foi dentro dos gramados onde se consagrou pela elegância com que desarmava os atacantes, nos anos de 1950 e 1960.

 

Quando o conheci pessoalmente já estava aposentado. Era quase um trófeu sempre exposto na porta da casa que ficava ao lado do portão principal do Olímpico. Cumprimentá-lo a caminho do estádio era uma obrigação de todo gremista. Os mais exaltados gritavam seu nome e o aplaudiam, a maioria, provavelmente, como eu, jamais o assistiu jogando, mas ouviu falar das mais impressionantes cenas que um zagueiro poderia ser protagonista.

 

Airton é o zagueiro do time dos sonhos de todos os gremistas e uma prova de que era possível haver vida inteligente dentro da área. Ganhou o apelido Pavilhão porque o passe dele foi comprado do Força e Luz pelo Grêmio em troca de um lance de arquibancada do velho estádio.

 

Uma das suas jogadas mais tradicionais era quando levava a bola até quase a bandeirinha de escanteio, atraindo o centro-avante, e a recuava para o goleiro de letra. O que era para ele a melhor forma de espantar o atacante – muito melhor do que um pontapé que fosse -, que preferia ficar distante do zagueiro para não ser humilhado novamente. Foi o que sempre ouvi meu pai contar, e os amigos dele confirmavam. E os inimigos, também.

 

Se você tem dúvidas sobre as qualidades de Airton, pergunte a Pelé que o considerava o melhor zagueiro do mundo, capaz de jogar contra ele, roubar-lhe a bola e sem jamais ter necessidade de fazer uma só falta. Consta que foi também o único que se atreveu a dar um chapéu no Rei.

 

Airton morreu aos 77 anos, em Porto Alegre, nesta terça-feira, escrevem os jornalistas. Morreu coisa nenhuma. Airton é Imortal Tricolor.

 

Bicicleta: “ruas não são um ringue”

 

Ciclovia da Radial Leste

 

As cidades amigáveis da bicicleta e os benefícios que esta traz para a saúde foram temas do comentário de Sérgio Abranches, no Ecopolítica, que vai ao ar, no Jornal da CBN. Pouco depois de falarmos sobre o assunto, soube da morte de mais um ciclista na capital paulista. Hoje, também, recebi a mensagem do ouvinte-internauta Wilson Teixeira Soares, jornalista e ciclista, que compartilho com você. Além de chamar atenção para o papel dos jornalistas na mudança de comportamento da sociedade, também destaca medidas fundamentais para que as cidades brasileiras apareçam na lista citada por Sérgio no comentário que você ouve clicando aqui. Mas antes, leia o texto do Wilson:

A cada dia, quando de casa para o treino saio, ouço, quando começa, o teu programa na CBN. Hoje, pouco antes das sete, abordavas com um especialista na matéria a questão do sódio na alimentação. E o especialista elogiou o fato de os meios de comunicação terem, de maneira regular, abordado o assunto, o que levou os consumidores brasileiros a terem interesse em saber o que estão a comprar, para tanto consultando a tabela nutricional dos invólucros.

 

Findo o treino – como não é a passeio, giro, com os camaradas de treino diário, nas vias públicas de Brasília, compartilhando-as com os veículos motorizados -, guardei a bicicleta, liguei o rádio do carro e escutei teu bate-papo, sobre ciclovias, com o Sérgio Abranches. Boa conversa.

 

Mas, por quais cargas d´água te escrevo? Por singela razão: ciclovias são necessárias? São. Ciclofaixas, igualmente, são necessárias? Por suposto.  Mas nós, que treinamos, que socamos a bota, usamos as vias públicas.  Porque somente um rematado idiota se dá ao desplante de girar forte em uma ciclovia, colocando em risco o ciclista de lazer, o usuário da bicicleta que a utiliza para ir trabalhar. Como sabemos, o trânsito é um ambiente de risco.

 

Para reduzir os riscos, um tripé é fundamental: obras de infraestrutura, fiscalização e educação. Na verdade, deveria ser um quadrilátero: obras, fiscalização, educação e maior rigor na aplicação da legislação. E educação para o trânsito, para que o conjunto da sociedade tenha consciência de que a vias públicas são um ambiente que a todos pertence – pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas de ônibus, caminhões e automóveis -, é o elemento diferencial. O mais importante. E, no Brasil, desprezado.

 

Por isso, torço, espero, desejo que continues a abordar o assunto. Que seja essa uma pauta constante, regular. Porque se foi pelo martelar do assunto que o consumidor brasileiro passou a se interessar pela composição e pela data de vencimento dos alimentos que adquire, será, também, pelo bater na tecla de que as ruas não são um ringue, não são uma arena, de que são um ambiente de convivência, que se expandirá a consciência de que ciclistas, por estarem expostos ao perigo quando pedalam nas estradas, avenidas e ruas, têm de ser objeto de precaução por parte dos que eventualmente estão atrás do volante.

 

Um grande abraço, Wilson Teixeira Soares – jornalista, ciclista, membro do grupo ciclístico Coroas do Cerrado, conselheiro da Ong Rodas da Paz.  

Desejos … aos 50 anos e mais

 

Por Julio Tannus

 

Há pouco tempo me pediram para elaborar uma lista do que ajudaria as pessoas de 50 anos e mais, nessa fase de vida, do ponto de vista social, da saúde, profissional, familiar e, também de consumo – o que as empresas poderiam fazer para satisfazer esse novo consumidor maduro. De pronto me lembrei de alguns versos de um poema sobre desejos de Carlos Drummond de Andrade:

 



Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História: Dona Maria do Carmo, uma mulher de verdade

 

No Conte Sua História de São Paulo você acompanha o texto da ouvinte-internauta Meg Guida, no qual fala da Dona Maria do Carmo, a mãe dela que tinha uma enorme capacidade de começar de novo:

 


Ouça este texto que foi ao ar, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

No bairro da Vila Romana, nos idos de 1970, muitas famílias ainda incorporavam expressões em italiano em frases do dia-a-dia. Eu me lembro que minha avó fumava sem culpa porque, na lavoura, quando emigrou da Sicília para cá, pitava para espantar os mosquitos.” Va via”, repetia a minha mãe quando eu ia roubar a massa do crostole estendido sobre a mesa, me repelindo da cozinha, imitando o que a nonna fazia com os mosquitos. Trabalhar pesado era tão natural quanto acordar todas as manhãs, comer e dormir. “Al lavoro”, como palavra de ordem, sempre foi um mantra para mim. E minha mãe, Maria do Carmo, a Carminha, como ninguém fez valer a prática da lida com suor e recompensa. O nosso verbo era começar.

 

Embora o dicionário descreva como a mesma coisa, recomeçar é diferente de começar de novo. Recomeçar, na minha conta, significa iniciar de onde você parou. E de onde você parou pode ser uma parada nada bacana. Você pode ter parado na mesmice, no ostracismo, na concordata e na falência de si mesmo, de suas ideias e perspectivas. No começar de novo, estão atitude e ação. Você sai do estado de paradeira. Olha o cenário da quilometragem que percorreu e se guia por esse espelho retrovisor para acelerar e chegar inteiro, cuidando para não fazer bobagens no meio do caminho. Quem apenas recomeça, sem entender porque parou ou foi parado, corre o risco de repetir o padrão do erro, inconscientemente. Aliás o prefixo “re” sugere mesmo algo a ser reparado, consertado, remendado para fazer o papel de que voltará a ser e ter o efeito de inteiro. Já viu se algum artista que se relança? Uma empresa que se relança? É a mesma coisa que falar do último lançamento de um cantor. Quer dizer que depois desse, não haverá outro?

 

Bem, mas voltemos ao começar de novo. Minha mãe, Maria do Carmo, a Maria, a Carminha batizada assim pelos amigos nos últimos 30 anos, comemorou os seus 80 no dia 25 deste mês, março. E viveu a vida começando de novo, usando um vigor que eu sei lá de onde ela tirava para cada fase, para cada projeto. Minha mãe olhava pelo retrovisor do passado apenas para estar segura de andar para a frente sem bater em ninguém nas ultrapassagens, nas curvas. E ela chegava com sucesso ao destino, sempre. Lembro que na minha infância eu convivia com muita gente em casa, mais de 15 pessoas no usual. E família de verdade éramos eu, minhas duas irmãs e meus pais. Vocês podem acreditar que ao se casar, minha mãe herdou a sogra viúva doente, velhinha, com mais seis pessoas, marido e filhos de uma cunhada recém-adquirida e falecida? E ainda acham que a Amélia era mulher de verdade….Durante anos eu vi minha mãe na ativa, mirando adiante e para o alto. Fazia tudo em casa, sem empregada, cozinhava para um batalhão e sem sal para a minha avó, cuidava de todas nós, acompanhava o dever de casa e ainda por cima costurava como ninguém. Tirava os modelos das revistas e nos vestia como princesas, sem repetir na criação. Até para os nossos cabelos ela inventava moda, colocando cerveja para fixar os cachos, os rabos de cavalo e coques no alto da cabeça. Não tinha tempo ruim pra dona Maria do Carmo. Desemprego do meu pai? Falta de grana? Com essa agenda absurda, ela ainda costurava para a vizinhança para sustentar a casa e os nossos sonhos. Começou de novo quando saímos do ninho, quando voltamos. Quando passamos apertos de alma e de bolso. Quando o marido pensou ir para o andar de cima, mas os amigos do além e o pai de todos o mandaram de volta. Hoje, aos 80 anos e alguma coisa, minha mãe começa de novo todo dia. Nasce nas manhãs irradiando alegria, louca para testar o prato novo que aprendeu na televisão, a roupa que customizou, contar do bazar que participará, da criança que vai vestir. Ela só esquece de começar de verdade – e aí, recomeça sempre- a briga com a balança. Mas é tão linda a figura que minha mãe mostra ao mundo, esculpida com os excessos que a sua culinária impecável insistiu em destacar!

Vamos falar de jornalismo ?

 

As transformações sofridas pelo jornalismo e o impacto do desenvolvimento tecnológico nos meios de comunicação são alguns dos temas que serão discutidos no debate 25 Anos – O Contexto Jornalístico, promovido pela Editora Contexto. Estarei ao lado de Milton Leite, Pollyana Ferrari e Carlos Eduardo Lins da Silva, a partir das 7 horas da noite, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, na avenida Paulista. Uma coleção completa da série de jornalismo da Contexto será sorteada.

 

Foto-ouvinte: funcionário faz arte na poda de árvore

 

Criatividade

 

As esculturas de madeira poderiam ser apenas obra de mais um artesão paulistano como tantos que encontramos no dia-a-dia. Estas, porém, tinham uma curiosidade que as difere das demais, pois é resultado da poda de árvore na cidade, como descobriu o ouvinte-internauta Gilberto Travesso, autor da foto:

 

“Hoje, me chamou atenção uma equipe de poda de árvores da prefeitura de São Paulo. Não o fato de estar retirando uma árvore condenada mas a criatividade de um dos funcionários. O artista anônimo, na sua hora de almoço, utiliza os pedaços da velha árvore para fazer esculturas. O fato se tornou interessante depois que parei para conservar com o cidadão e perguntei o que o levava a fazer esta esculturas. Ele me respondeu, na sua simplicidade: “Oras, consigo vender as peças e ganhar um dinheirinho extra para levar para casa”. Contou-me, também, que as peças são esculpidas com a moto serra”

Avalanche Tricolor: Na física e no esporte tem de ter esforço e inteligência

 

Pelotas 1 x 0 Grêmio
Gaúcho – Pelotas (RS)

 

 

Fui um aluno mediano, pouco disposto a afundar os olhos nos cadernos escolares e lamento não ter aproveitado melhor o que os professores teimavam em me ensinar na sala de aula, na época do Rosário, escola católica, muito bem estruturada e na qual passei ótimos momentos da minha adolescência, boa parte deles nas quadras de esporte e na praça ao lado, onde os amigos se encontravam sobre as coisas que mais interessavam na nossa vida – futebol, basquete, baladas e namoradas, não necessariamente nesta ordem. Apesar de tudo e devido a tudo, tenho boas lembranças daquela época e tenho certeza de que alguns professores, também. Era melhor nas matérias de humanas do que de exatas (o que já sinalizava um caminho para a comunicação), por isso foi um enorme desafio sentar a mesa com meu filho mais velho, o Gregório, que pediu ajuda para a prova de física, neste domingo à tarde. Tive dificuldade para entender algumas fórmulas, mesmo prestando atenção no enunciado dos exercícios. Mas conversamos bastante, conferimos com os resultados oficiais e, após algum esforço, ouvi dele que estava pronto – disse, na verdade, “quase pronto”, pois sempre foi muito exigente com seu desempenho e talvez tenha sido isso que o levou a receber honra ao mérito em todos os anos até aqui. Isto e, lógico, sua capacidade intelectual.

 

Ao terminar os estudos, liguei a televisão e a partida já havia se iniciado. Logo percebi que à tarde não seria das melhores, pois antes de nossos méritos aparecerem, o adversário tinha se aproveitado de nossas carências. Houve algumas tentativas, muita bola jogada para dentro da área e uma quantidade enorme de escanteios, a maioria concluída com um cabeceio sem sentido. Estava evidente que a fórmula usada para chegar ao gol não era a correta, haja vista os poucos momentos em que, realmente, as chances de empate foram claras. No fim da partida ainda ouvi Léo Gago reclamar da falta de esforço do time e estaria totalmente certo se completasse a fala chamando atenção para a ausência de criatividade. Para que se tenha a melhor avaliação possível e o resultado seja alcançado é preciso equilibrar raça e inteligência, suor e talento, esforço e criatividade. O bom de toda esta história é que o desempenho final não depende de apenas uma prova, mas do conjunto da obra. Espero que o Professor tenha habilidade para cuidar disso.

De buzina e salsa

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

e o buzinaço continua. Falta de respeito. Falta de educação. Uma festa de horror. Maricotas estressadas, carpideiras inconsoláveis; humanos que se mostram feios, detestáveis.

 

Droga! Não dá para ter bom humor o tempo todo. Ainda menos no trânsito de São Paulo. Eu tento e confesso que fico contente a cada avanço, mesmo que o percurso seja esburacado de tanto retrocesso. Mas buzina… pensa bem! Um motorista buzinando feito doido, por tudo e por nada também, não passa de um gurizinho mal-criado e mimado, até o âmago da alma, que se atira no chão do shopping center e esperneia e grita porque não ganhou o que queria. Sem vergonha, umbigo-centrado, e deixo você continuar, usando teu vocabulário. E tem de toda raça, de todo tamanho, de todo feitio. Tem rico e pobre, culto e inculto, gordo e magro, bonito e feio. Naquele momento não é a carcaça, não é o intelecto; são as entranhas que falam. E elas vão mal, obrigada!

 

Do lado de fora da cabina de comando do Planeta, quiçá do Universo, tem carro caindo aos pedaços, se esvaindo em fumaceira preta. Tem também carro importado de perder o fôlego, tem o que se arrasta e o que voa, mas na cabina do carro, do ônibus e do caminhão tem gente como você e como eu, cada um num estágio de crescimento, de refinamento do corpo e da alma. Cada um com sua porção de consciência. E por falar em consciência, um dos meus assuntos favoritos, consciência não se desenvolve só com pieguice, como parece ser a ideia da maioria. Consciência é GPS de ponta, para a evolução. É o guia para o caminho do estar-bem e que, consequentemente, leva a Deus. E como consciência é uma parte de nós que não pode ser vista nem tocada, acaba relegada a plano inferior na lista de prioridades.

 

A dança de salão, aquela na qual a gente ainda dança em par, eu considero uma das melhores maneiras para desenvolver a consciência. A gente apoia a mão direita na mão do parceiro e a esquerda no seu ombro – em caso de atração, essa posição vai atingindo graus mais estreitos e o par se transforma num só, num abraço cadenciado no ritmo que dita cada passo. Na dança, quando vai melhorando, a gente não pisa mais no pé do outro e, num pequeno gesto do parceiro, segue sem questionar para não quebrar a harmonia. Um rodopio para a esquerda segue um movimento sutil do outro, uma intenção de passo para trás, e lá vai a dupla. A dança de salão ensina respeito e reação na medida certa.

 

Assim, para curar a febre do buzinaço e fazer de nós pessoas melhores, pais e mães melhores, amigos melhores, formando uma cidade melhor, um planeta melhor, mais alegre e menos violento, levanto a bandeira da dança de salão. Dança, já! No currículo escolar, desde a pré-escola, e oferecida a todos os idosos, pelo estado, em troca de economia na saúde pública, é claro.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Um homem e três peças

 

Por Dora Estevam

 

No editorial de estilo desta semana, a Revista GQ escolheu ninguém menos elegante do que Tom Brady* (já ligou o nome a pessoa?) elegantemente vestido em um terno três peças. Digamos que isto é a celebração da alfaiataria. A produção lembra bem o estilo Tom Ford de se vestir. Camisa super branca, calça e paletós pretos. No editorial a revista mostra o jogador vestido com um terno das marcas mais caras do mundo, coisa que não é todo mundo que pode pagar.

 

A brincadeira pode ficar interessante se você desmembrar as peças e seguir o estilo na hora da compra. Todas podem ser facilmente encontradas em lojas não tão caras – e provocar o mesmo efeito.

 

 

Se você é adepto do estilo três peças (chame-o de terno) vamos aos detalhes para não esquecer nenhum item na hora da compra:

 

-Um bom prendedor de gravata
-Uma boa camisa de abotoar
-Colete
-Calça
-Paletó
-Sapato
-Lenço para o bolso
-Gravata

 

Se você quiser gastar mais dinheiro, um prendedor de gravatas com uma bela textura para ser usado diariamente. Prefira preto e branco que não sobrecarregam a produção. E já que você não é um super modelo não esqueça do sorriso no rosto.

 

*Ok, você não se deu ao trabalho de ir ao Google para saber que é Tom Brady, então eu conto: é quarterbaker do New England Patriots e, acima de tudo, casado com Giselle Bundchen

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung